Notas iniciais
Galera, alguem por ai? A fic está ficando muito longa? Não esqueça de deixar seu feedback! Não demanda muito tempo, nem esforço e ainda é de graça. Deixe uma autora-carente feliz =)

— Uma pena que você tenha perdido o jantar essa noite. As especiarias Dornesas estavam divinas. – Disse entrando no quarto dele, enquanto ele permanecia absorto em pensamentos, apoiado com as mãos na lareira.

— Desculpe-me por deixá-la sozinha essa noite, Elaene. – disse continuando com o olhar fixo no fogo à sua frente. – Não tenho fome.

Elaene aproximou-se e o abraçou por trás, depositando a cabeça delicadamente em suas costas. Ela sabia que ele estava preocupado diante das recentes notícias.

— A estratégia de defesa já foi traçada? – perguntou sutilmente, o sentindo suspirar.

— Uther planeja colher tudo o que pudermos do campo, e nos preparar para um longo cerco.

— O que você pensa disso?

Arthur retirou delicadamente as mãos dela, que o abraçavam e virou-se de frente para encará-la.

— Eu penso que o nosso povo vai definhar pela lâmina e pelo fogo. Tanto Kevan Lannister quanto Loras Tyrell não terão piedade dos camponeses que ficarem para trás. Além disso, a guerra devasta Westeros de Norte a Sul, Leste a Oeste, e ainda assim deixaremos que destruam nossos alimentos? O inverno se aproxima e se não estocarmos o suficiente, muitos morrerão de fome antes que o verão retorne. – esfregou o rosto com uma mão enquanto continuava – Uther e os outros só pensam em soldados, mas em breve, imploraremos por terras férteis e camponeses. Deveríamos encontrá-los em campo aberto, enquanto ainda há tempo.

Elaene pegou suas mãos na dela.

— Peça ajuda ao Rei do Norte! Robb atenderá. Vocês o ajudaram a conquistar tanto...

— Nossos inimigos são superiores, Robb não ariscaria ir tão longe agora. – bufou com raiva – com tudo que ele conquistou no oeste, seria tolice correr para a boca do leão. Estamos sozinhos, e em menor número.

— Nós encontraremos uma saída – disse o beijando suavemente.

— Eu passei fome e sede apenas por alguns dias, Elaene. Você sabe, com Ramsay... É horrível! Não posso permitir que meu povo passe por isso. Não conseguirei me esconder por trás desses muros enquanto eles morrem pelo aço e pela fome lá fora! – disse não escondendo o próprio sofrimento.

— Arthur, olhe para mim! – disse enquanto segurava o rosto dele em suas mãos – iremos superar isso! Eu olho para você e vejo muito mais que um guerreiro. Eu vejo um homem bom e justo. Você é o futuro que Camelot precisa. O futuro que Westeros implora. Eu sei que você encontrará o caminho.

— O que me dá forças é saber que você estará ao meu lado como minha mulher, minha amiga e minha aliada. – a abraçou e terminou o restante da frase sussurrando no ouvido dela. – Haja o que houver, não se esqueça: eu te amo, Elaene.

“Perdoe-me mas não ficarei dentro desses muros” pensou sem coragem de dizer em voz alta.

=^=

Elaene encarava a adaga em cima da escrivaninha de seu quarto e, assim como Merlin havia lhe ensinado, tentava movê-la. Viu o objeto tremer, e dar pequenos sobressaltos, porém não havia levantado como deveria.

Com raiva e sem mais paciência, atravessou o quarto e jogou a adaga para longe, e só então viu Gwen entrar no quarto com uma expressão de susto.

— Ei, olha para aonde joga essa coisa!

— Desculpe, Gwen. – Disse sentando na cama e passando a mão no cabelo. – Só estou um pouco irritada.

— Sobre a guerra?

— Sim... — teve vontade de dizer que a pouca evolução que estava tendo nos treinos de sua magia, era sua principal frustração, mas sabia que quanto menos a amiga soubesse sobre seus poderes, melhor seria. — ...eu estou apavorada, Gwen.

— Todos estamos nervosos com o confronto, mas tente manter seu equilíbrio. Arthur precisará de você.

— Você tem razão, Gwen. – disse derrubando as costas no colchão – Não sei de onde veio isso, estou agindo com uma garotinha assustada.

— Por outro lado, vocês se casarão amanhã! Ansiosa?

Elaene levantou o corpo e sentou na cama quando a amiga sentou ao seu lado.

— Por incrível que pareça, não. Parece algo tão certo, natural...

— Você enviará a carta para Robb Stark? – perguntou com cautela medida.

— Sim, Gwen...

— Hum... posso ler?

— E você veio aqui para me vigiar, certo? Tome. – pegou a carta dentro da escrivaninha ao lado da cama e entregou nas mãos da amiga, que leu em voz alta.

“Robb,

Ah, como Ned estaria orgulhoso de você.

Permita-me chamar pelo nome, uma última vez? O Rei do Norte eu admiro como um personagem distante, mas você sempre será simplesmente Robb para mim. O garotinho que me acolheu nas noites mais escuras. Que me livrou do frio e da solidão. Que passou as mãos em meus cabelos até que voltasse a adormecer, e me despertou pela manhã, com o mesmo carinho dócil.

Eu sei, a guerra nos mudou de várias formas. Aqueles dois sonhadores não existem mais. Tivemos que tomar decisões que mudariam nossas vidas para sempre. E as tomamos, com bravura.

Desistimos de muito, seguimos nossos caminhos, e nada apagará o que vivemos... e o que vivemos foi belo.

Hoje sei que por ser puro, o amor não se ressente de nada. Jamais morre, nem mesmo quando nosso sopro de vida nos abandona. Ele apenas se transforma, e permanece ainda que de outras formas.

A guerra nos trouxe amargura, dor e luto. Mas acima de tudo, nos tirou o bem mais valioso: esperança. Pensei que nunca a teria de volta, mas então eu a resgatei, quando tudo parecia sem vida, e enfim, pude voltar a sorrir e ter sonhos.

Assim como o garoto ruivo que me acolheu em Winterfell, Arthur trouxe calor, luz e fogo onde tudo era escuro e frio.

Neguei por muito tempo, acreditando que o que sentia era errado, sujo, uma traição ao meu primeiro amor. Como eu estava enganada...

Não é errado amar, Robb. Errado, é negar o amor. Cansei de negá-lo: amo Arthur. Queria que soubesses por mim, que nos casamos no dia seguinte em que escrevo esta carta, em Camelot.

De todos os caminhos que segui, não escolheria nenhum outro atalho, pois me levaram diretamente à ele. Não meu primeiro amor, mas meu último.

Enfim posso deixar o passado intacto, em uma doce e gentil memória, não mais em desespero como uma brisa gelada de uma pálida manhã, ainda muito apegada ao frio da madrugada.

A manhã chegou para mim, assim como chegará para ti também, e rogo aos deuses para que o protejam. Você merece sua segunda chance.

E ainda que eu quiser voltar a Winterfell, para os braços daquele doce garoto ruivo, sentirei o vento frio acariciar o meu rosto, e sentirei nele o seu toque.

Você sempre será a minha doce brisa embaixo da árvore-coração.

Elaene.”

— Er... – disse Gwen quando terminou, sem jeito. — Bonito...

— Leve para Meistre Gerold, por favor – disse pensativa.

— Eu estou tão ansiosa por amanhã. – disse Gwen mudando rapidamente de assunto — Mal posso esperar que o dia amanheça para começarmos os preparativos. Você será a mais bela noiva de Westeros, confie em mim. – disse batendo a mão no colchão para Elaene se aproximar. — e a mais feliz... e por falar em felicidade, vim aqui para dar o presente de casamento à Arthur.

— O quê? – perguntou Elaene, divertida.

— Vou lhe ensinar algumas coisas para sua noite com seu marido. Acredite, Arthur será muito grato à mim!

=^=

Quando Arthur pediu autorização para entrar, viu as duas amigas rirem e Elaene corar intensamente quando o notou. Deduziu que estariam falando dele.

— Obviamente, vocês estão com um ótimo humor essa noite... – disse enquanto atravessava o quarto encarando a noiva, e notando ela levar o olhar para o chão não suportando a timidez.

Gwen revirou os olhos e respondeu enquanto se levantava para sair do quarto.

— Obrigado, Gwen! Você é uma ótima amiga, lhe darei uma recompensa por isso... muito, muito obrigado! – resmungou em seu tradicional sotaque dornês enquanto fechava a porta atrás dela.

Arthur riu confuso.

— O que deu nela?

— Gwen! – Elaene balançou a cabeça e levantou os ombros, demonstrando que não iria explicar, e ainda sem jeito para encará-lo de volta, pensando nas coisas que aprendeu com a amiga.

Arthur sentou-se ao seu lado na cama, e depositou um beijo firme em seus lábios, sentindo o doce hálito dela invadir seu rosto com um suspiro quente.

— Apenas mais um dia... – disse suave enquanto depositava um beijo casto na testa dela. – mas não vim aqui para lhe perturbar, Elaene. Mais notícias chegaram de Porto Real.

Elaene sentiu o coração bater forte no peito e afastou segurando o ombro dele para poder melhor encará-lo.

Arthur mordeu os lábios e disse de uma vez só.

— Sansa Stark desapareceu desde a batalha de Água Negra. Ainda não se sabe se ela fugiu... – olhou para a própria mão que agora entrelaçava a dela – ou se está morta...

— E Arya? Alguma notícia? – Arthur notou os olhos preocupados dela e acariciou seu rosto com a ponta dos dedos.

— Não, meu amor. Ainda não se têm notícias de Arya, desde a morte de Ned Stark.

Elaene soltou a mão dele de seu rosto, e bagunçou o próprio cabelo com os dedos, enquanto bufava em frustração.

— Eu deveria estar lá, por elas, as protegendo. Eu falhei...

— Elaene, não se culpe! Você não poderia fazer nada por elas, mesmo se estivesse em Porto Real.

— Agora que Robb perdeu Jaime Lannister, não há esperanças para elas, não é?

Arthur a puxou para um abraço enquanto acariciava os cachos que caiam em suas costas.

— Enquanto o fim não chega, sempre há esperanças!

=^=

Assim que Gwen abriu a porta, botou a mão na boca em sinal de admiração pela beleza da noiva.

Elaene usava um justíssimo vestido prateado com detalhes cintilantes. A aia ajeitava a cauda do vestido quando a amiga lhe sorriu de volta. Seu cabelo estava penteado para o lado, e de seus cachos saiam jóias em forma de flores pratas, em cascatas.

Em seu pescoço havia um colar de diamantes dado à ela por Uther. As jóias caiam em cascata, enfeitando todo o seu decote.

Mas, acima de tudo, Gwen viu felicidade naqueles olhos, e isso a deixava incrivelmente mais bela. Desde quando conheceu a solitária nobre órfã, jamais tinha visto um sorriso tão singelo nela. Seus lábios vermelhos e carnudos estavam reluzentes e convidativos.

Atravessou o quarto e lhe deu um demorado abraço, enquanto outra aia lhe olhava com cara feia por quase estragar o penteado. Elaene suspirou e ignorando a reclamação da aia, cochichou no ouvido da amiga.

—cVocê é minha única família aqui hoje, Gwen. Você entrará comigo no Septo, e não qualquer outro nobre que não conheça nenhuma de minhas provações para chegar até aqui.

Gwen suspirou, e contendo a emoção, acenou com a cabeça em negação.

— Você sabe que não posso, mas estarei ao seu lado, em pensamento. Quando se sentires sozinha, basta buscar por meu olhar. — disse sentindo o bolo formado na garganta — E Pelos Sete, Arthur ficará maluco quando te ver. Você parece uma Deusa... Todas as arrogantes e prepotentes Ladys da Campina nesse salão sentirão amor e ódio por você essa noite.

Elaene sorriu docemente lembrando em como imaginava Arya ao seu lado no Bosque Sagrado de Winterfell, enquanto proferia os votos com Robb Stark, diante da árvore-coração.

=^=

A cerimônia foi rápida e simples, mas o jantar foi compensador. O salão estava decorado com bandeiras de várias casas aliadas. Ao fundo, atrás do grande tablado onde sentavam os senhores de Camelot, estava uma enorme bandeira com o dragão marfim triunfante sobre o vermelho da casa Pendragon.

Elaene sentiu Arthur lhe apertar a mão em incentivo, diante da fila de nobres que ainda tinham pela frente. Estavam sentados no grande tablado, em posição de status ao lado da cadeira do Lorde Uther Pendragon, que também confraternizava com seus súditos e aliados.

Os senhores da Campina eram generosos em seus presentes, porém quando o único nobre de Dorne presente aproximou-se, Elaene ficou curiosa com o baú que carregava em suas mãos.

O homem tinha traços típicos dorneses, e no auge de quase quarenta anos, era charmoso com sua pele oliva e olhos redondos e castanhos escuros, e os encarava com uma certa malícia.

Estava acompanhado de uma mulher de pele oliva mais escura que a de Gwen, e podia jurar que a senhora estava mais admirada com ela do que com o próprio Arthur ao seu lado. Antes de dirigir-se à ela, viu o dornês e a mulher trocarem um olhar enigmático.

— Lady Pendragon. – suspirou enquanto tomava a mão de Elaene para um beijo – Sua beleza é inexplicável, Sor Arthur és mesmo um homem de sorte. – Disse enquanto ainda lhe encarava a deixando desnorteada. – Aceite este pequeno agrado de nossa família. Meu irmão Doran ressente em não poder estar aqui, devido a grande rapidez do noivado... Ainda bem que estávamos em Camelot, pois perderia esse momento magnífico. Certamente a aliança entre Pendragons e Martell nos orgulha.

Arthur tinha um sorriso confuso no rosto quando Elaene olhou para o lado. Ele já conhecia os gracejos de Oberyn Martell, mas estava tão absorto na forma com que Oberyn destacou a rapidez do noivado que não sentiu-se enciumado, e quando notou a forma como a amante dela olhava para o decote de Elaene, franziu a sobrancelha em divertimento.

Elaene abriu o baú e pegou o objeto encantada: um enorme cristal lapidado em forma de dragão, com asa abertas. Seus detalhes eram impressionantes, e suas tonalidades a hipnotizaram por um momento. Passou o dedo pelas escamas do dragão de cristal e notou uma energia estranha emanando deles. Poderia jurar que sentiu fogo na ponta dos dedos quando o tocou.

Arthur arregalou os olhos e encarou o rosto de Oberyn para entender suas reações, mas o homem apenas mantinha o mesmo sorriso estranho no rosto, como se fosse uma piada interna que somente ele soubesse.

Sentiu um frio no abdômen imaginando se aquele homem sabia sobre Elaene e seus pais. Aquele dragão de cristal seria um aviso?

Saiu do transe com a voz de Oberyn.

— Acredito que tenha gostado do presente, milady. – dançou um sorriso para Arthur e novamente para ela. – Você gosta de dragão, não é mesmo? Acredito que soa bem... familiar — disse levantando a sobrancelha em direção à Arthur, arrancando dele um sorriso educado porém, amarelo. — Não a culpo, dragões são mesmo encantadores.

Elaene respondeu ainda encantada com o objeto, sem olhar para Oberyn.

— É lindo, Sor...

— Definitivamente, não é nenhum segredo. Ama dragões. – Oberyn disse baixo para Ellaria e arrancou um riso quente da amante.

Foi tudo muito rápido, mas diante dos gracejos, o riso, a ironia e o presente, Arthur começou a sentir suas mãos suarem.

Ele sabe.

— És muito gentil, Sor. Oberyn. Obrigada! – respondeu Arthur e atraiu a atenção da amante do Dornês. A mulher agora lhe encarava com uma mistura de luxúria e curiosidade, o fazendo mexer na cadeira desconfortavelmente, enquanto o dornês fazia uma reverência e laçava os braços na amante para saírem.

Elaene estava tão absorta no cristal que ainda o encarava em uma estranha hipnose. Arthur tocou seu braço, a fazendo voltar à realidade e dar um pequeno sobressalto. Quando o encarou, ele sorria de maneira tímida e nervosa.

— Você realmente gostou do presente...

— Desculpe, Arthur. Eu não sei o que deu em mim – nesse momento olhou para o outro lado do salão e notou Merlin lhe encarando de uma maneira contemplativa. Franziu a sobrancelha para o garoto, e ele lhe sorriu fracamente, acenando com a cabeça.

Elaene colocou o cristal novamente no baú, e sentiu um estranho medo de perder o objeto de vista, então o botou na mesa ao lado de seu vinho.

Arthur bufou e Elaene notou que ele estava chateado com algo. Imaginou que seria por ciúmes pela maneira que Oberyn havia lhe encarado.

— Está tudo bem? — perguntou com um olhar estreitado e um sorriso malicioso.

Arthur retesou na cadeira. Ela sempre sentia quando ele mentia. Então, apenas omitiu o motivo.

— Apenas preocupado... — tocou seu rosto em distração, enquanto sussurrava bem próximo a ela, acariciando o seu rosto. — Você está tão feliz quanto eu?

Elaene sorriu e lhe beijou docemente, respondendo bem próximo ao lóbulo da orelha dele,como se o salão estivesse em silêncio absoluto e somente ele pudesse ouvir o que ela tinha a dizer.

— Nesse exato momento, eu poderia estar mais feliz, Arthur. Sabe o que me faria feliz, agora? Subir para o nosso quarto, arrancar essas roupas pesadas e essas rosas prateadas do meu cabelo, e sentir a maravilhosa massagem que você faz entre as minhas pernas, até que eu me derreta inteira em seus dedos, declamando o seu nome...

Arthur suspirou a interrompendo, e fechou os olhos com forças.

— Não faça isso, Elaene. – respondeu a olhando em um tom de desaprovação, porém ela passou a mão em sua coxa, arrancando um baixo gemido de susto.

Então ele segurou o punho de Elaene enquanto observava o sorriso perverso que brilhava no rosto dela.

— Agora terei que receber os cumprimentos de meus aliados, pelo resto do jantar, assim. – disse enquanto levava a mão dela para sua excitação, soltando um suspiro quando ela lhe apertou com vontade e não conteve um riso maldoso.

O riso maldoso dela, lhe lembrou o do Martell, e sentiu o abdômen gelar mais uma vez.

=^=

Arthur lhe depositou um suave beijo e aproveitou que estava distraída conversando com Gwen para deixar o tablado.

Uther estava conversando com um senhor de uma casa menor do Vale, discutindo estratégias enquanto tomavam um forte vinho dornês quando Arthur se aproximou.

Acenou de longe para que livrar-se do cavaleiro, e caminhou para fora, olhando para trás em seguida para certificar que o pai o seguia.

Caminharam até para bem dentro do jardim do castelo, e Arthur confirmou novamente se tinham privacidade total.

— O que aconteceu, Arthur? Parece perturbado.

— E estou. É sobre Oberyn Martell.

— Qual o problema?

— Ele sabe. — disse nervosamente.

— O que está querendo dizer, Arthur? — perguntou sem paciência — Sabe sobre o que? Diga logo!

— Sobre Elaene. Ele sabe!

Uther arregalou os olhos, mas depois soltou um riso bufado.

— De onde você tirou isso, Arthur? Impossível que ele saiba.

— Você não pode garantir que ele não saiba, não é? — viu o olhar de Uther vacilar — O jeito que ele olhou para Elaene, as palavras que utilizou quando a presenteou com um dragão de cristal, o sorriso e suas ironias... Ele sabe!

— Você está neurótico, não tem nada concreto que comprove isso! São apenas impressões.

— Pois digo que devemos ter cuidado. — olhou novamente para os lados, e viu dois soldados bêbados caminhando pelo outro lado do jardim, seguramente distantes, então continuou — Sabemos que Oberyn é um homem impulsivo e além disso, era muito ligado à irmã. Você sabe que o príncipe a humilhou publicamente. Aos olhos de Oberyn, Elaene pode significar um insulto à memória da falecida irmã.

— Por outro lado, se ele quer vingar a morte brutal dela e seus sobrinhos, precisa estar ao nosso lado.

— Não podemos confiar nele. Eu o quero longe de Elaene, mesmo que isso sacrifique nossa aliança com Dorne.

— Não podemos fazer isso, Arthur. Não agora que estamos com a corda no pescoço.

— Quero homens para vigiá-lo de perto, e que sejam discretos.- continuou rapidamente antes que o pai protestasse — Sobre a estratégia que lhe apresentei ontem. Reconsiderou o confronto em campo aberto?

— Sete infernos, Arthur! Você se casou hoje. Vá beber e trate bem sua mulher essa noite, já que me enfrentou para tê-la. Não seja tão apressado e ávido para morrer em batalha. — disse Uther enquanto terminava de virar o resto do vinho em sua taça, virando às costas para ele, e jogando a taça para longe na grama.

E agora ele ficará bêbado e estúpido. Pensou.

=^=

Elaene havia se alimentado pouco, tanto pela atenção que deveria dar aos convidados, quanto pela ansiedade que lhe deixava sem fome. Agora o pouco vinho que tomou já havia a deixado levemente tonta.

Sentiu uma estranha vontade em olhar em volta e decorar cada rosto que via no salão. Nobres, soldados, Ladys, servos. Tinha medo de esquecer o rosto daqueles ali, da mesma foma que temia esquecer de Arya, Sansa, Bran e Robb. Sabia que provavelmente nunca mais os veria.

Viu Merlin conversando sobriamente com Brienne, em uma mesa longe dos músicos, enquanto Gwen bebia solitária ao fundo. Poderia jurar que mesmo feliz por ela, a amiga estava deprimida ao lembrar-se de Lancelot.

Uther recebia um firme aperto de mãos de Oberyn, e Ellaria Sand lhe lançava um sorriso sedutor, como um predador prestes a dar o bote em uma presa.

Olhou para Arthur ao seu lado, e ele sorria jogando a cabeça para trás por algo que um jovem cavaleiro ao seu lado havia dito.

Era tão belo, estava tão perto, tão real. Sentiu um medo abismal de que ele se desvanecesse como cinzas ao vento, de um sonho feliz de primavera. Sentia vontade de segurá-lo e impedir que aquele momento acabasse. Queria escondê-lo da guerra, da dor e do sofrimento. Preservá-lo jovem, bonito e cheio de vida em sua memória.

Ele estava feliz, ela sentia. Decorou cada gesto, cada expressão e cada cor. Levantou a mão e passou a ponta dos dedos na cicatriz em seu rosto, como se aquele fosse o maior símbolo do amor entre eles. O sacrifício pelo amor.

Ele esteve disposto a entregar sua vida, apenas para mantê-la a salvo. O mais nobre dos sentimentos: abdicar a si próprio, pela vida do outro.

Ele sentiu o toque dela e pegou delicadamente sua mão, depositando um beijo nos nós de seus dedos.

Sentiu-se mal por tê-lo deixado por conta da sua convicção em guardar aquele maldito segredo dela. Ele havia salvo sua vida, e atravessou um inferno até estar novamente em casa. Seja o que for que guardasse em segredo, tinha muito medo. Então que a verdade ficasse para depois, já havia bastante medo aquela noite.

"Apenas não traia meu amor, Arthur. Se eu te perder, perco tudo" Pensou enquanto o encarava com um sorriso sincero.

Notas finais
Momento triste para Team Robb... =/ Mas momento feliz para Team Arthur. quem ta feliz e quem ta triste?