Queen of ice and fire
59 Laços da Valíria
Notas iniciais

Desde o trágico dia em que a mensagem chegou das Gêmeas, Elaene vestia o negro. Estavam na reunião da Távola Redonda, e permanecia calada enquanto ouvia Uther lamentar o ataque ao exército nortenho.
Os outros líderes nortenhos, liderados por Umber, sobreviventes ao ataque do dragão nas Gêmeas, haviam feito um acordo com o rei do Sul. Uma vez que a realeza havia reduzido os próprios poderes e dado maior autonomia aos reinos com a criação da Távola redonda, não havia motivos para mais matança. Perdiam alguma soberania, mas ainda sim, voltavam para casa vencendo uma guerra. Tudo com a promessa de Uther de que vingariam a morte do Rei do Norte.
— O retorno dos dragões só confirma a precedência divina da dinastia Pendragon, senhores. É realmente lamentável que Robb Stark, nosso fiel amigo e aliado, tenha sofrido as consequências do tal animal descontrolado. Mas de onde quer que tenha surgido este animal, é o sinal de que o verdadeiro rei por direito ascendeu ao trono. O certo a se fazer, é unificar os reinos. – pronunciou Uther, com um desdenhoso sorriso nos lábios. – Quanto ao dragão, o encontraremos e manteremos sob nossa tutela.
— Você é um imundo, Uther Pendragon. – Elaene balbuciou baixo, porém, audível.
— Elaene, por favor, não! – pediu Arthur ao seu lado, enquanto apertou a sua mão embaixo da mesa, mas ela afastou o seu toque com raiva e se levantou para encarar o rei.
— Você fala sobre direito divino, honra e nobreza, mas você é um traidor, e um hipócrita!
— Como diz? – disse Uther com os olhos arregalados em surpresa pela ousadia da mulher.
— Você pensa que controlará essa fera? Você acreditou quando aquela mulher o prometeu isso, não é? Você não é nenhum dragão, Uther. – disse cuspindo no chão ao lado do rei – Tu és apenas a sombra da glória de seus antepassados!
— Sua ingrata! Eu sou seu rei e você me deve obediência!
— Você não é meu rei, Pendragon. Você é meu usurpador!
— Basta! – disse Uther levantando em fúria e batendo a mão na mesa. – Apenas pelo amor que tenho ao meu filho, e o respeito que lhe devo pelo Pendragon que carrega no ventre, não irei lhe enforcar por traição essa tarde mesmo! Aconselho a botar a língua dentro da boca, antes que sua cabeça encontre outro lugar que não seja teu próprio pescoço, Elaene Pendragon.
Arthur manteve-se frio enquanto levantava e tocava o ombro de Elaene para acalmá-la. Porém, ela estava com o olhar gélido como a própria muralha no Norte.
Naquele momento, todos no salão sentiram o chão tremer com um pequeno terremoto. A mesa balançava e dançava com o chão, enquanto os pergaminhos e tinteiros eram derrubados. Todos se entreolhavam assustados, sem entender o que acontecia quando o grande lustre do salão caía sobre a mesa, causando um grande estrondo.
Elaene permanecia impassível, como se o tremor não significasse nada, e quando Arthur olhou para o pai, ele estava com o rosto roxo, e colocava a mão no pescoço em uma tentativa de afrouxar o aperto invisível que o impedia de respirar. Arthur sabia que aquilo era obra de Elaene.
— Elaene! – Arthur a chamou, mas ela não reagia ao comando, como se estivesse hipnotizada, e continuava a encarar Uther com um olhar gelado e distante. – Por favor, ouça a minha voz, sinta meu toque. Fique comigo... — disse enquanto se posicionava em sua frente e botava a mão dela em seu rosto, notando os olhos dela, aos poucos, irem voltando ao verde vívido que tanta amava.
Arthur notou o semblante de confusão e vergonha dela enquanto olhava ao redor e via os olhares aterrorizados dos membros da Távola, e Uther sentar na cadeira enquanto tossia e sentia o ar voltar aos pulmões. Ele temeu que ela perdesse o controle mais uma vez, e então acariciou o seu rosto.
— Olhe para mim. Vamos embora daqui, tudo bem? – disse baixo e a viu acenar fracamente a cabeça, em confirmação.
Enquanto saíam do Salão, Arthur fez uma prece aos deuses para que aquilo não fosse visto como um ato de traição, e que os poderes de Elaene não tivessem sido expostos. Se assim fosse, Uther teria o que queria em mãos: um motivo para matá-la.
=^=
— O que foi aquilo no salão? – perguntou Arthur depois de um longo silêncio pelos corredores até os aposentos dela.
— Não foi nada. – respondeu Elaene distraída.
— Você não pode se expor dessa forma, usar seus poderes em público e atacar o rei! Não percebe o risco que corre?
— É claro que eu percebo o risco que corro, o rei já deixou claro que sou uma pedra no sapato e não economizará esforços para se livrar de mim. Ele só espera a oportunidade certa para botar minha cabeça em uma estaca!
— Eu jamais permitiria que isso acontecesse. Você sabe disso! – Arthur respondeu firme, enquanto se aproximava dela.
— Você é ingênuo se acredita que exerce algum controle sobre Uther, Arthur.
Ele franziu a sobrancelha em confusão, sabendo que ela estava certa.
— Você acredita que devo matar meu próprio pai?
— Não preciso da sua espada para matá-lo... – respondeu com um olhar frio e determinado.
— Você quer a minha permissão? – perguntou horrorizado com a insinuação dela. – Ele é meu pai, Elaene. Meu pai! Jamais a perdoaria se o matasse!
Elaene sentiu-se culpada por insinuar tal ato, então colou seu corpo no dele segurando seu rosto nas mãos.
— Desculpe, meu amor. – sussurrou Elaene e o beijou suavemente – Eu não sei de onde saiu isso. Jamais pediria isso à você. Não sei o que está acontecendo comigo, meus pensamentos me traem... Por favor, me perdoe! – continuou distribuindo beijos pela extensão da mandíbula e pescoço dele, enquanto o abraçava firme.
Elaene sabia que sua magia havia atingido proporções perigosas, e depois da morte de Robb, sentia que não mais controlava a extensão de seus poderes. A tênue linha entre a moral de quando utilizar a magia, e os limites éticos para se fazer justiça com ela, pareciam querer romper quando entrava em ira. Fechou os olhos e tentou concentrar no seu ponto de equilíbrio: Arthur.
— Esqueça isso... – disse ele enquanto devolvia o aperto no abraço, tomando cuidado com a barriga dela. – Precisamos de provas para esclarecer o que aconteceu. Além disso, devemos encontrar aquela besta. Nosso povo ainda corre perigo com ele sobrevoando Westeros. Vamos manter o foco...
— Quando Margaery chegará a Porto Real? Loras está desesperado por notícias... – perguntou ainda apertando o abraço.
— Acalme-o, ela está bem! Logo estará na capital.
— Como vou acalmar aquela pobre alma? Ele já perdeu seu amor pela magia negra... — Elaene sentiu-se tomada por um medo irracional de perdê-lo também, e o puxou para um beijo fervoroso. — Eu não posso perder você, Arthur... você é tudo o que tenho!
Arthur sentiu-se surpreso pelo beijo afoito dela, e correspondeu com gestos desajeitados. Ela suspirou em seu rosto e sussurrou próximo à boca dele.
— ... não me deixe jamais... Promete?
Antes que ele pudesse responder, Elaene avançou novamente contra sua boca de forma ofegante, enquanto levava os dedos para o cabelo dele e o puxava com rudez. Ele deixou que os beijos seguissem o curso que ela quisesse impor, e permaneceu de forma passiva por um tempo enquanto percebia os sinais de que ela estava excitada.
Arthur gemeu em meio ao beijo quando ela o acariciou por cima da calça e mordeu o seu lábio inferior, mas quando retribuiu a carícia, massageando o seio dela com a mão por cima do vestido, Elaene imediatamente interrompeu o beijo e afastou a própria boca da dele, fazendo-o suspirar e encostar a testa na dela.
— Desculpe. Ainda é cedo... eu não estou pronta... – ela sussurrou baixo, contra seu rosto.
Ele sabia que Elaene ainda estava de luto por Robb, então levou o dedo indicador até a boca dela, chiando para silenciá-la.
— Eu sei ... está tudo bem...- disse depositando um beijo casto na testa dela.
Nesse instante, ouviram batidas na porta e a voz do soldado da guarda de Arthur anunciando a presença de Oberyn. Assim que autorizaram sua entrada, o dornês abriu o já conhecido sorriso sarcástico.
— Acreditem, pombinhos, vocês vão querer ouvir essa merda.
Arthur acenou para que o soldado lhes dessem privacidade, e Oberyn se aproximou.
— Tenho informações sobre o paradeiro de Nimueh.
Elaene deu um passo em direção à Oberyn, enquanto os próprios olhos faiscaram em ouvir o nome de sua inimiga.
— Onde está aquela desgraçada?
— Na casa de sua família! – por um instante Elaene ficou confusa sofre qual família ele se referia, mas quando se tocou sobre qual Oberyn se referia, franziu a testa em choque.
— Pedra do Dragão?
— Exato!
— O que essa miserável pretende lá? – perguntou Arthur.
— Ou pretendia... – respondeu Oberyn, questionador. – Não é lá no quintal da casa Targaryen, onde reza a lenda, reside um dragão de pedra adormecido com magia?
— Está dizendo que ela estaria envolvida com a magia para libertar o dragão? Acho que não, ela teria tamanho poder?
Arthur se lembrou de quando Elaene disse que não sabia das extensões dos poderes de Nimueh, mas não quis questioná-la mais, em frente à Oberyn.
— Como ela poderia tê-lo acordado? Ela deve ter um trunfo em mãos... – perguntou Arthur.
— Eu não sei... acho que seria preciso algo muito poderoso para isso, algo antigo e adormecido, tão quanto o próprio Dragão de Pedra.
— Que papo é esse? Você anda ouvindo muito aquele garoto estranho, Merlin... Sempre disse que o sangue dos Reeds é mais afetado que o dos próprios Targaryens...
— ... Oh não, Deuses! – quando a conclusão chegou, Elaene exclamou em choque.
“Precisamos do sangue do dragão, se ainda planeja acordar a pedra. Os inimigos conspiram.” – lembrou-se da mensagem destinada à Uther, que foi interceptada pelo espião de Jon Connington.
— Eu sei onde Lancelot está!
=^=
Arthur preparava seu cavalo para a viagem, e Elaene implorava para pensar melhor e não partir com os soldados.
— Você precisa pensar melhor, precisamos de mais homens, deixe-me falar com Jon Connington. Não aja por impulso! — pediu Elaene, ansiosa, enquanto ouviam ao fundo o barulho de uma grande tempestade se aproximando da capital.
— De jeito nenhum, Elaene. Meu Lancelot está lá, naquele maldito castelo naquela ilha, e eu não ficarei aqui aguardando seus espiões, ou o corvo anunciando a minha viuvez. – disse Gwen com ira, enquanto já montava em sua cela para acompanhar os soldados.
— Gwen, pense melhor, pelos deuses! Arthur não pode levar nada além de seus homens de Camelot agora... – rebateu Elaene, enquanto Arthur continuava a preparar a montaria, em silêncio. – Se ela o quiser morto, já é tarde demais. Temos que esperar e traçar uma estratégia!
— Se houver chances dele estar vivo, terei de partir, Elaene! – Arthur respondeu baixo e abatido.
— Leve-me com você, Arthur! — cochichou o resto baixo, para que apenas ele a ouvisse — Eu posso ajudá-los, finalmente estou poderosa. Você sabe sobre o que quero dizer...
— Jamais permitiria uma loucura dessas, Elaene. – acenou para Sor. Lion, que o acompanhava no estábulo – Peça para a Guarda de Elaene manter-se em alerta máximo enquanto estivermos fora.
— Você acha que Uther acreditará nessa desculpa medíocre de foco de rebeldes? Ele sabe que você jamais me deixaria sozinha na capital! Ele os avisará, e quem quer que esteja lá, saberá que vocês estão chegando!
— É um risco que temos que correr... Sor. Lion, leve-a para seus aposentos e me encontre no portão sul.
— Vocês não podem me deixar aqui. Eu não vou permitir isso! – gritou em desespero enquanto lágrimas incontroladas começavam a jorrar de seu rosto.
Arthur vislumbrou os olhos dela ficarem vermelhos antes do feixe de luz cair próximo de onde estavam, no jardim da fortaleza. Elaene, de forma inconsciente, invocou um raio que caiu em cheio em uma árvore do jardim, próxima ao estábulo onde estavam.
Imediatamente o cavalo de Gwen empinou bruscamente e ela gritou de susto e medo enquanto o animal corria para fora do estábulo, em um galope insano. Elaene botou a mão na boca em horror enquanto observava a amiga em cima do animal descontrolado, e apenas sentiu o vulto de Arthur subir em seu cavalo e sussurrar para que ele corresse, antes de cavalgar alucinadamente para resgatá-la.
Gwen tentava acalmar o animal puxando sua correia, mas ele estava terrivelmente assustado. Arthur aproximou-se pela lateral e segurou a correia do cavalo de Gwen, enquanto conversava com o animal e reduzia sua velocidade passando a mão por sua cabeça, fazendo Elaene suspirar em alivio enquanto corria em sua direção.
Arthur desceu do cavalo enquanto ainda segurava a correia com a outra mão, pois o animal dava sinais de que partiria para outro galope. Quando ameaçou empinar mais uma vez, Arthur ficou de frente à ele e tocou em seu pescoço, sussurrando baixo, enquanto o animal soltava um único relincho, e se acalmava até estar totalmente relaxado. O toque e a voz de Arthur pareciam hipnotizar o pobre animal assustado, que agora estava sereno enquanto balançava levemente a cabeça, expulsando as gotas da chuva que caiam ali.
Notando a forma pela qual Arthur domou o cavalo, Elaene teve uma epifania.
=^=
— Como você se sente? — perguntou Merlin gentilmente.
— Assustada, talvez. Quando Arthur disse que iria para Pedra do Dragão, eu tive um pressentimento realmente muito ruim, e por um pequeno instante, perdi o controle. Creio que fui responsável pelo acidente com Gwen. Deuses, me sinto péssima!
— Está tudo bem com Gwen, Elaene. Acalme-se. Arthur me disse que você ficou muito nervosa essa tarde. Precisa tomar cuidado, estás chegando ao final de sua gestação. – disse se aproximando dela, e sentando na beirada da cama em que repousava, após o susto com o estábulo.
— Merlin, quando você disse que minha magia e as habilidades de Arthur, combinados, seriam essenciais para o futuro de Westeros, o que quis dizer sobre as habilidades de Arthur? Quer dizer, eu imaginava que ser o melhor espadachim de Westeros seria sua habilidade, mas algo me diz que tem mais.- disse enquanto se mexia na cama, em agitação. — A forma com que os lobos se simpatizaram com ele em Winterfell, a ligação que Arthur tinha com Valente... afinal, como aquele animal sabia onde nos encontrar, quando fomos raptados por Ramsay? Ele estava nos esperando no lugar certo, na hora certa! Quais as chances disso? ... – indagou Elaene se perdendo em seus pensamentos. — A forma com que ele domou aquele cavalo hoje, foi extraordinário...
— Aonde quer chegar? O que quer saber?
— Arthur tem magia?
— Não como você. Ninguém é como você, Elaene.
— Isso não responde minha pergunta.
— Arthur não possui magia, mas também possui o sangue da antiga Valíria. Ele também é um dragão! O resquício dos conquistadores e daqueles que encantaram os dragões, corre em suas veias. Ele tem o que nós chamamos de empatia animal. É algo comum na linhagem dos Pendragon também. Grandes domadores pertenceram a família Pendragon.
— E eu trouxe a magia de volta ao mundo, você havia me dito em Camelot ... Eu despertei isso nele. Estamos ligados. — conclui sentindo-se tonta, e passou a mão nervosamente pelos cabelos. — Mas também despertei coisas ruins, como a magia negra que libertou o Dragão de Pedra... Poderemos domar aquela criatura juntos?
— Se não o fizerem, e o dragão cair sob o domínio de mãos erradas, não há futuro para nós.
Nesse instante, Arthur entrou no quarto e acenou cumprimentando Merlin.
— Você precisa descansar, Elaene. – disse Arthur suavemente, enquanto se aproximava da cama.
— Irei ver como Gwen está... – Merlin aproveitou a oportunidade para deixá-los a sós.
— Tive medo que se aproveitasse de que eu estava frágil em uma cama, e partisse para a ilha furtivamente... – disse Elaene com os olhos brilhando de alívio.
— Fico feliz por saber que confia tanto em mim, minha esposa! – disse de forma irônica, porém, lançou um sorriso de lado mostrando que era uma provocação amistosa.
— Fique, por favor... Lancelot está vivo, eu sei disso. Vamos resgatá-lo no momento certo, eu prometo – disse Elaene segurando a mão dele que pousava na cama, e ele se sentiu balançado entre partir com os seus homens ao encontro do mal para resgatar seu irmão, ou obedecer ao pedido dela.
Antes que ele pudesse responder algo, Elaene sentiu ele se mexer em seu ventre e chutar contra ela, e gemeu de susto, botando a mão em sua barriga. Arthur imaginou se ela estaria sentindo dores e arregalou os olhos em preocupação. Elaene logo lembrou-se do que Gwen havia lhe dito sobre os movimentos que os bebês faziam quando cresciam dentro do ventre de suas mães, e sabia que era apenas seu filho, conspirando com ela para convencer Arthur a ficar.
— O que foi isso? Você está bem? – perguntou Arthur, preocupado.
— É apenas teu filho te pedindo para ficar conosco... – Elaene pegou a mão dele e levou de encontro ao seu ventre, no exato instante em que ele se mexia mais uma vez.
Arthur demorou alguns instantes para entender o que acontecia, mas quando sentiu pela segunda vez o movimento dele, sorriu emocionado, pois compreendia agora o que se tratava.
Pensando naquela vida, tão precoce, concluiu que nunca mais poderia deixá-los. Não mais. Enviaria Sor Lion, seu melhor oficial, para investigar o paradeiro de Nimueh e Lancelot em Pedrão do Dragão, pois estava cansado de partir.
Tinha vontade de voltar àquela pacata e isolada cabana nas Brumas do Avalon, e ser ridiculamente feliz com sua família. Longe de intrigas, guerras e dragões.
Abaixou-se e deitou a cabeça delicadamente sobre a barriga dela, após dar um suave beijo bem onde havia sentido se mexer dentro dela. Elaene sorriu-lhe ternamente enquanto acariciava seu fino cabelo loiro entre os dedos.
— Cante-nos uma canção, dragão. – disse sorrindo, quando notou que ele já havia cedido — Nós dois adoramos o som de sua voz!
=^=
Arthur e Elaene estavam em seus lugares de honra no pátio, ao lado de Uther, mas o clima nada amistoso entre eles e o rei era evidente e difícil de disfarçar. Quando Alanna Hightower desceu de sua liteira, Elaene só conseguiu sentir pena pela garota. Era tão jovem, bonita, e parecia ser tão tímida quanto ela mesmo era em sua idade.
Elaene olhou de lado e notou a expressão carrancuda de Arthur. Sabia que ele se sentia ofendido por ela, quando Uther anunciava a Hightower como a nova rainha.
— Isso é uma afronta... eu sinto muito, Elaene...– pediu Arthur em desgosto.
— Não se culpe. Há coisas mais importantes à mim do que esse maldito título! Deixe que ele exiba sua coroa e sua rainha de estimação, enquanto reinamos e descobrimos como iremos salvar nosso povo – olhou para os lados notando que ninguém os ouvia – Notícias de Lion?
— Reunirei com Oberyn essa noite mesmo para atualizarmos as informações. O corvo enviado por Lion diz que chegaram em Pedra do Dragão. As notícias são de que o castelo teve parte de seus muros destruídos pelo animal que foi despertado, mas ninguém sabe dizer o que se passou lá dentro. Nossos homens rodeiam as vilas investigando o que aconteceu.
— O certo a se fazer é invadir Pedra do Dragão e finalmente descobrir quem se esconde naqueles muros.
— O problema é que não tenho homens suficientes para isso, e mesmo sabendo que há poucos soldados súditos de Stannis para defender a fortaleza, seria preciso um cerco que duraria meses...
— Não será preciso um cerco, se você tiver uma poderosa bruxa ao seu lado.
Arthur franziu a sobrancelha
— Nem pense nisso, Elaene. Não agora. Faltam poucas semanas para a chegada de nosso filho! Encontraremos outro jeito...
Elaene cutucou a costela de Arthur quando Alanna se aproximou e ambos lançaram um falso sorriso cortês para a futura rainha.
=^=
Quando chegaram ao corredor que separava seus aposentos, Arthur e Elaene se despediram enquanto a Guarda pessoal dela aguardava para escoltá-la para seu quarto.
— Tem certeza de que não quer ir comigo para a reunião com Oberyn? – perguntou Arthur acariciando o rosto ela, enquanto os Guardas afastavam para dar privacidade.
— Sim, estou cansada e minhas costas estão me matando. Esse garoto está ficando muito pesado. – disse sorrindo, e o cativando.
Arthur puxou o queixo dela para depositar um leve beijo em seus lábios, quando viu o sorriso sincero que brotou, depois das semanas de luto e dor.
— Sinto-me completo de novo te vendo sorrir assim...
— Vá, não deixe Oberyn beber muito vinho e dizer asneiras demais. E não demore, quero que cante para mim de novo até que adormeça.
— Está ficando mal acostumada, Lady Pendragon – disse sorrindo enquanto depositava um carinhoso beijo em sua testa.
Arthur a observou lançar um último olhar carinhoso antes de virar o corredor em direção ao quarto.
=^=
— Alguns relatos chegaram apontando que o viram no Leste, nas terras de Arryn. Outros dizem que viram outros dragões desde Dorne até a mata de lobos. Ah, e uns dizem que viram gigantes caminhando por Lannisporto também. – disse suspirando – não dá para diferenciar o que é real ou fantasia... – respondeu Oberyn.
— Continue investigando cada vestígio de onde está o dragão. Nós precisamos encontrar essa besta!
— E faremos o que quando descobrirmos? Você realmente é muito charmoso, Arthur, mas não acho que o dragão se renderá aos seus encantos, apenas pelos teus lindos olhos azuis...
— Dragões não são imortais, Oberyn...
— Devo lembrar-lhe que esse nasceu de uma pedra? O que faz acreditar que cairá com armas humanas?
Arthur pensou em Elaene, e sabia que cedo ou tarde precisariam de seus poderes. Confiava em Oberyn, mas não sabia se era o momento certo para expor os poderes dela.
— Pensaremos em algo quando o encontrarmos. Quem sabe se usasse mais de sua inteligência para traçar estratégias, e menos para elaborar sarcasmos, encontraríamos a solução mais rápido do que imaginamos...
— Au... – balbuciou Oberyn, rindo em seguida pela falta de paciência do príncipe.
=^=
Elaene estava tão cansada que pegou no sono quase automaticamente quando deitou na cama. Porém, algum tempo depois, algo no quarto a fez acordar assustada. Reconheceu uma voz lhe chamar pelo nome, e procurou pelo quarto à procura dele. Quando olhou em direção à porta, pensou ter visto o vulto na penumbra, mas quando esfregou os olhos, nada mais viu.
Julgou estar exausta demais, e assim lembrou-se que negligenciou Gwen e não havia visto como a amiga estava, como sempre fazia antes do repouso.
Levantou e caminhou pelo corredor dos aposentos da amiga, acompanhada como sempre por dois membros de sua Guarda, enquanto sentia os pelos da nuca se arrepiarem inexplicavelmente.
Um dos soldados notou sua tensão.
— Você está bem, Alteza?
— Sim, obrigada. – disse puxando o xale pelos ombros para se proteger de um estranho vento frio no corredor, enquanto um dos guardas batia na porta do quarto de Gwen e anunciava a presença da princesa.
Nesse momento, Elaene viu a sombra de um homem andando no corredor que cortava o que estava, e quando a sombra do homem se virou em sua direção e caminhou ao seu encontro, sentiu cada gota de sangue em seu corpo congelar.
A sombra caminhava lentamente enquanto Elaene dava pequenos passos para trás, e mesmo através daquela penumbra no corredor, o reconheceu. Seus olhos pareciam que não combinavam em meio aquela escuridão, mas sua fisionomia estava intacta. Caminhou por trás de sua Guarda e continuou em sua direção, enquanto as lágrimas teimavam em escorrer pelo rosto dela.
Não sabia se realmente era uma visão ou se havia enlouquecido. Tentou chamar os soldados para testemunharem e dizerem se o que via era real, mas sua voz ficou presa no peito, enquanto sentia-se sufocada pelo terror que sentia.
Elaene continuou a caminhar de costas, pois não tinha certeza se deveria permitir que ele se aproximasse tanto, mas pelos Deuses, aquela sombra era Robb! Tinha o poder para expulsar qualquer sombra que fosse, mas jamais seria capaz de expulsá-lo de perto dela. Não Robb!
Os pés cravados no chão ameaçavam falhar, e quando o rosto dele ficou nítido na sombra que o contornava, apenas teve forças para gemer baixo seu nome, ainda sufocada pelo choque e pelo choro.
— Robb...
Elaene gritou alto, chamando a atenção dos Guardas, quando sentiu o toque das mãos daquilo que parecia ser Robb em seus ombros, lhe empurrando para trás com força. A tocha que estava em suas mãos voou para frente, enquanto seus pés perderam o equilíbrio e a fizeram despencar pelo lance de escadas atrás dela, em direção ao andar inferior.
Gwen abriu a porta bem no momento em que via Elaene cair pelas escadas, e correu junto com os guardas para resgatá-la.
Quando a dornesa tocou seu rosto, notou que estava inconsciente e sua respiração estava fraca, mas o sangue que escorria entre suas pernas foi o que a fez gritar em pânico.
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