Notas iniciais
Alguém por aí quer que termine a fic em março? Pq não teve nenhum review nos 2 capítulos que postei. Se nao se manifestarem vou terminar sem pressa nenhuma.

Elaene andava apressadamente tentando acompanhar Oberyn pelo corredor da fortaleza

— Quantos homens já reunimos?

— Cerca de dez mil, Vossa Graça. A campina ainda se recupera da guerra dos reis, assim como as Terras Fluviais. Ainda não tivemos resposta do Vale e nem do Oeste...

— Alguma notícia de Winterfell?

— O cerco dos aliados nortenhos continua, mas temo que a qualquer momento Ramsay comece a cumprir com sua promessa de esfolar os herdeiros de Robb.

Elaene puxou Oberyn pelo braço para que a encarasse.

— Temo uma armadilha, Oberyn. Ramsay não faz o estilo suicida. Ele tem algo em mãos, e temo que a partir do momento que cruzemos o gargalho estejamos em um caminho sem volta.

— Não temos escolha, você sabe bem o que aqueles homens são capazes. As noticias das barbaridades contra os nortenhos aliados são tenebrosas.

— Precisamos que nossos aliados nortenhos nos protejam na travessia para o Norte.

— Abandonar o cerco? Jamais irão concordar. O exercito nortenho esta debilitado desde a matança nas Gêmeas... você sabe. – Oberyn encostou na pilastra, sentindo os ombros cansados com tanta preocupação. – Arthur sabe que você pretende participar da batalha, montada em Rhaegor?

— Não preciso da autorização do rei Arthur para comandar meu exército.

Oberyn sorriu sem jeito.

— Só espero que vocês não se desentendam sobre isso, pois não podemos nos dividir. Você entende isso, não é?

— Não se preocupe, iremos nos entender. Deixe Arthur comigo.

=x=

Após o jantar, permaneceram sentados na mesa, saboreando o vinho dornes como se quisessem que a tempestade que se aproximava ficasse do lado de fora do recinto.

Arthur lançou um olhar doce para ela que retribuiu segurando sua mão por cima da mesa.

Ouviram o bater de asas de Rhaegor que sobrevoava a fortaleza, e ele se lembrou que a paz duraria pouco.

— Creio que não há nada que eu possa dizer que faça você ficar em Porto Real com Merlin e Gwen, não é?

— Você sabe a resposta.

— De uma certa forma egoísta, acho que não quero que você fique mesmo.

Elaene se surpreendeu e arqueou a sobrancelhas.

— Isso é algum truque, Pendragon? – perguntou quase divertida.

Arthur sorriu após tomar o ultimo gole na taça.

— Seria estúpido negar que você é uma ótima líder e guerreira, além de montar Rhaegor melhor que eu. Te esconder dentro desses muros, sabendo o quanto és uma bruxa poderosa, me faria um covarde de certa forma.

Elaene se levantou e sentou em seu colo, depositando um beijo suave em seus lábios, seguido de um suspiro.

— ...além de ser um cretino egoísta que não suportaria ficar longe de voce... – continuou Arthur.

— Ramsay e Tywin tramam algo, meu dragão. E temos aquela sacerdotisa vermelha desaparecida, junto com seu irmão. Eu sinto desmoronar, Arthur. Tantos mistérios sem respostas. Meus pesadelos estão ficando ruins...

— Eu sei. Não fique preocupada. Estou aqui com você.

=x=

O sonho se repetiu, mas dessa vez, algo aconteceu.

Elaene caminhava pela já conhecida floresta, enquanto sentia os galhos lhe puxarem para trás, como se a impedissem de alcançar algo.

Avistou mais uma vez os olhos azuis na escuridão, e já sabia que a lâmina gelada viria.

De uma vez tornou-se Arthur, e observou o Pendragon desmoronar sobre a grama, enquanto o sangue escorria por entre os dedos.

Quando correu para socorrê-lo, uma mulher de cabelos vermelhos com olhos de fogo lhe segurou pelos braços:

— Escolha!

Acordou gritando mais uma vez, e tampou a boca em susto enquanto as palavras daquela mulher rodavam em sua cabeça.

"Escolha!"

Olhou ao seu redor e Arthur já não estava mais no quarto. O dia se colocava claro pela janela de onde observou a sacada. Desesperou-se e o chamou enquanto desastradamente tentava abrir a porta do quarto para o corredor.

O medo irracional daquele sonho e das palavras proféticas a fizeram correr pelo corredor o chamando, como se tivesse medo de que ele desaparecesse ali mesmo.

Alguns soldados tentaram interceptá-la pelo caminho, mas ela logo afastou a ajuda e nem notou os olhares de espanto por estar apenas com suas vestes de dormir, correndo pelo castelo.

Assim que alcançou o portão principal, o viu no pátio conversando com Oberyn e alguns comandantes dos exércitos de várias casas da Campina e Dorne.

— Arthur! – gritou por ele desde lá de cima, e continuou chamando enquanto descia as escadas correndo, ignorando o olhar de espanto de Arthur e todos os outros no pátio.

— Elaene, o que está fazendo? — disse Arthur enquanto a segurava pelos braços, domando o ímpeto dela de o agarrar os ombros, na frente de todos

— Escute, Arthur: você não pode ir para o Norte. Não pode!

— Elaene, acalme-se. Estamos em público, não assuste as pessoas. – disse com calma olhando nos olhos, tentando fazer com que ela se concentrasse, mas o olhar de pânico dela e as lágrimas teimavam em cair.

— Ele vai te matar, Arthur! Eu vi. Você precisa me ouvir. Não deixarei você partir para o Norte!

Arthur assustou-se com o pânico dela. Sabia de seus poderes, mas os outros ali não. Exceto, Oberyn, que os olhava com mistura de medo e confusão.

— Olhe para mim, Elaene. Tudo vai ficar bem... – disse acenando para Loras, que já aparecia no alto da escadaria à procura de Elaene.

— Prometa, Arthur!

— Loras, leve-a para os aposentos e certifique-se de que o Meistre a examine.

— Não!!! Eu não estou doente, sete infernos. Você sabe que é verdade o que digo. Por favor, Arthur! – suplicou Elaene enquanto Loras a puxava para cima.

Arthur viu o olhar de medo e desespero dela, enquanto ela subia as escadas e olhava para trás, e o pedido desesperado dela ainda estava lá.

=x=

Quando entrou no quarto Gwen usava um pano de linho úmido para secar o suor da testa de Elaene, enquanto ela permanecia com um olhar cansado e choroso, olhando para o céu e vendo Rhaegor bater as asas no horizonte, sentada em sua cama.

Enfim, notou a presença dele, e seu olhar dessa vez estava calmo.

— Como você está?

— Elaene tem febre, Arthur. – disse Gwen, interferindo por Elaene. – Vou buscar as ervas para diminuir a temperatura.

Arthur esperou Gwen sair do quarto para conversarem com mais privacidade

— Você assustou as pessoas.

— Eu não ligo. Você ao menos escutou o que eu disse no pátio? Você não pode marchar para o Norte, Arthur!

— Elaene, talvez seja apenas um sonho...

Dessa vez ela sentiu-se irritada com a teimosia dele e levantou-se em fúria.

Enquanto empurrou o lençol para o chão, a jarra com flores que estava sobre a mesa do outro lado do quarto voou em direção à parede, arrancando um suspiro de susto dele.

— Se você duvidar de mim mais uma vez, é melhor que morra sozinho na planície. – disse enquanto sentiu o olhar cauteloso de Arthur, e sentiu as próprias pernas bambearem com a febre.

Antes de seus joelhos batessem no chão, Arthur se antecipou e a amparou em seus braços e sentiu como ela estava esgotada. Sabia que aquilo não era efeito apenas de um mero sonho. Talvez ela estivesse certa.

Também sentiu medo.

— Você está ardendo de febre. Deixe-me cuidar de você. – puxou Elaene para os braços e a carregou novamente para cama, dessa vez depositando um beijo terno em sua testa.

— Desculpe por menosprezar os seus poderes...

— Eu não poderia viver sem você, Arthur. Não me deixe... nunca! — suplicou enquanto ele encostou a testa na sua.

Arthur não sabia o que responder. Não poderia negar o seu dever, e sentia cada pedaço de teu corpo implorando pela vingança contra Ramsay.

Porém, sabia que não poderia ignorar os poderes de Elaene.

=x=

Alguns dias se passaram e Elaene parecia alheia à Arthur. Permanecia distraída, calada e seu olhar parecia distante.

Ele sabia que os preparativos para a marcha deixavam Elaene cada vez mais absorta em seus pesadelos e pensou em Robb, e em como ele conseguia acalmar Elaene em meio aos seus sonhos traumáticos, e ele não.

Pegou-se pensando também se poderia mudar o destino que Elaene viu, agora que sabia o que aconteceria, e apesar de se sentir covarde em planejar a captura de Ramsay, ao invés de um combate aberto, sabia que pelo amor que sentia por sua família e por seu povo, deveria lutar para permanecer vivo.

Um covarde vivo seria mais útil que um cavaleiro herói, voltando para ela sob a forma de ossos.

As notícias sobre o cerco chegaram atualizadas, e sabia que não haveria mais como adiar a marcha. Sabia que ela iria montar Rhaegor e sentiu-se mais aliviado em pensar que o dragão a protegeria, mesmo que a ironia nisso estivesse implícita.

=x=

Naquela noite anterior à partida para o Norte, Merlin estava agitado e Arthur tentou aproveitar cada momento com aquele que levava o teu próprio sangue. Estavam nos aposentos reais, brincando sentados no tapete de Myr. O garoto lhe sorriu enquanto trazia o dragão de madeira que tanto gostava nas mãos, agora que já conseguia dar seus primeiros passos.

Pegou o dragão dos mãos de Merlin admirando os olhos verdes tão doces e vívidos como o de sua Elaene.

Puxou o garoto para um abraço apertado e o ouviu reclamar levemente, mas logo ceder aos encantos do pai.

— Se eu não voltar, cuide dela por mim, meu garoto. – beijou a bochecha de Merlin, escutando a gostosa risada dele e se permitiu sorrir com a leveza do fruto do amor entre os dois.

=x=

Quando ela entrou no quarto, seu olhar estava diferente dos últimos dias. Sentiu uma determinação neles, que se fundia como uma chama enquanto ela caminhava ao seu encontro.

Arthur estava deitado e permaneceu com os braços cruzados apoiando sua cabeça no travesseiro quando Elaene chegou próximo à cama, deixando sua camisola escorrer pelo corpo ao encontro do chão, entregando o seu corpo nu à sua mercê.

Sentiu-se hipnotizado pela chama em seus olhos e descruzou os braços para laçar a cintura dela enquanto levantava o próprio tronco, e beijou levemente o bico de seus seios, soltando um suspiro angustiado e ansioso.

— Por que me escolheste, Elaene?

Ela o empurrou para poder sentar em seu colo.

— Agora entendo todos os enigmas que Merlin Reed me disse. – sentou-se nele e sentiu os sinais do corpo dele em contato com o seu, e o abraçou pelo pescoço, aproximando de seus lábios, enquanto ele permanecia a encarando com mistura de admiração e desejo. – Um dragão pertence ao outro, e nem mesmo meu amor por Robb foi capaz de me separar do verdadeiro e último amor.

Elaene suspirou as últimas palavras bem próximo de sua boca, e quando ele avançou para beijá-la, desviou do beijo para continuar.

— Nós somos um só, Arthur. Quando você me acolheu, foi como voltar para casa.

Sentiu os dedos dele ansiosos sobre sua pele, percorrendo suas coxas e segurando firme sua cintura para trazê-la impossivelmente para mais perto, como se pudesse impedi-la de algum dia ir embora daquele aperto.

— Eu tive a certeza do que sinto quando teu coração parou de bater sob minha palma e te senti ir embora. Jamais permitirei que parta novamente!

Arthur avançou mais uma vez contra a boca dela, como se tivesse sede de seu sabor, porém, mais uma vez ela desviou esperando alguma resposta.

— Eu sempre volto para você, Elaene. Assim como prometi aquele dia em Ponte Amarga, prometo agora. E sempre. Sempre. – não mais suportando, segurou Elaene pelas costas e inverteu as posições, se colocando delicadamente por cima dela, enquanto finalmente devorava sua boca.

Elaene sentiu o toque dele como se conduzisse uma chama pelo seu corpo e não resistiu à vontade de arrancar sua túnica de maneira brusca enquanto interrompia o beijo.

Empurrou o rosto dele para cima para poder observar melhor suas marcas e inverteu mais uma vez suas posições, ficando por cima dele.

— Eu amo cada uma dessas marcas. – inclinou-se para beijar, desde a cicatriz em seu rosto, provocada por Ramsay, e descendo pelos ombros e dorso. – cada uma delas provou o teu valor e o teu amor.

Elaene continuou a descer os beijos pelo abdômen de Arthur até encontrar o seu ventre. O sentiu ansioso e sua respiração parecia estar mais carregada quando desamarrou o cordão de seu calção. Quanto o tocou, ouviu seu chiado e sentiu o lençol embaixo ser puxado com força.

— Elaene... – gemeu seu nome quando ela finalmente o beijou como se beijasse sua própria boca, e tocou levemente o rosto dela com a ponta dos dedos, admirando-a.

Ele se sentiu tomado por um turbilhão de sensações e mal notou quando ela interrompeu o beijo lá embaixo, e subiu sobre o seu corpo para poder montá-lo. Quando abriu os olhos viu Elaene ser preenchida por ele e soltar o sôfrego suspiro e não resistiu em levantar o dorso e beijá-la mais uma vez.

— Eu poderia viver ao seu lado mil anos e ainda assim não a teria o suficiente... uma vida não seria o suficiente...

Elaene continuou a se movimentar e não segurou um sorriso satisfeito quando o viu perder o controle dos próprios pensamentos.

— Eu preciso que vivas por mim, Arthur...

Ele a puxou pela cintura com força, a ouvindo produzir os sons que tanto amava, a melodia mais bela de todas, cada vez mais alto.

— Eu sempre voltarei para você...

Quando a ouviu alcançar, mordeu seu pescoço com força, se contendo para fazer tudo aquilo durar mais.

=x=

Se amaram por muito tempo, e mesmo assim, sentiam que não seria o suficiente, mesmo que seus corpos implorassem por uma trégua. Ficaram de lado, se encarando, tocando o rosto um do outro, admirando e decorando cada pedaço.

Mesmo sabendo que teria Elaene consigo na marcha até o Norte, que se iniciaria no dia seguinte, sabia que aquela noite seria um marco. Uma última noite de paz, como se respirassem fundo antes de prender a respiração para um longo mergulho.

— Eu te amo, Arthur...

— Eu sei. Te amo mais do que a mim mesmo, Elaene.

Trocaram beijos enquanto adormeceram abraçados.

=x=

Elaene vestiu a túnica se certificando que ele permanecia adormecido ao seu lado.

Quando estava pronta, aproximou-se da cama e admirou cada linha de seu rosto, traçando a linha da mandíbula marcada que tanto amava com a ponta dos dedos, antes de depositar um beijo em seus lábios, sentindo a respiração quente e calma contra seu rosto.

— Espero que me perdoe um dia, Arthur. Se eu tivesse mil escolhas, em todas elas você viveria...

=x=

Quando Arthur acordou, logo usou o braço para puxá-la para si, e gemeu insatisfeito quando não a sentiu ao seu lado.

Abriu os olhos e a procurou pelo quarto, porém, não a encontrou. Sentou-se na cama, ainda confuso com o sono, quando ouviu pesadas batidas na porta.

— Arthur! Arthur! – reconheceu a voz de Loras.

Enrolou-se no lençol, enquanto cambaleando foi em direção à porta, ainda estranhando Elaene ter se levantado sem ele.

O olhar de Loras era de pânico

— O que diabos aconteceu, Tyrell? Diga!

— Elaene... – respondeu quase sem fôlego – ela montou Rhaegor e sumiu no horizonte.

Arthur tentou manter a calma, não era a primeira vez que Elaene montava Rhaegor e saia da cidade.

— Acalme-se, Loras. Elaene marchará conosco...

— Arthur, recebemos um corvo do Vale essa manhã. Elaene armou uma aliança com Royce em troca de terras nortenhas. Encontram-se no gargalho neste momento, à espera de Elaene e Rhaegor.

— O que???

— Elaene chegará ao Norte bem antes de nós, Arthur! Ela enfrentará o exército do bastardo com os homens do Norte e do Vale. Jamais chegaremos a tempo!

Notas finais
Nem acredito que estou finalizando a fic...