Queen of ice and fire
25 Do outro lado
Notas iniciais

Elaene controlou a tempo as emoções que sentiu com o pedido que Arthur lhe fez, e apenas lhe devolveu um sorriso amigável. Sentiu que seria melhor não dizer nada naquele momento. Em um impulso, queria dizer que nunca o deixaria, mas por outro lado, sabia que não deveria dar esperanças daquela forma. Não enquanto ainda amasse Robb.
Sentia-se confusa perto dele.
Antes de dormir pensou em Arthur, mesmo que lutasse contra os pensamentos, porém no sonho, viu Robb. Estava triste, furioso e chamando por ela. Acordou no meio da noite com uma fraca chuva beijando sua janela e ficou imaginando se aquela mesma chuva também embalava os sonhos dele, em Correrio.
Precisava de Merlin. Havia tanto a questioná-lo e indagá-lo, que mal saberia por onde começar.
Quando adormeceu novamente, estranhamente sonhou com Lyanna e Rhaegar correndo por um campo esverdeado, rindo e cantando, enquanto uma mulher de cabelos escuros e pele oliva chorava com um bebê no colo.
=^=
Acordou com Guinevere abrindo as cortinas, deixando a luz morna da manhã que nascia entrar no quarto.
— Bom dia, Elaene. – Gwen ainda usava sua veste de dormir, uma camisola fina, curta e leve. Seus cabelos estavam soltos e revoltos. – Vim lhe acordar para que vá ao passeio conhecer melhor Camelot. Está um lindo dia, levante-se.
Elaene encarou as pernas de Gwen. Nunca tinha visto uma pele tão bonita como a dela. Sentiu vergonha da própria palidez e segurou o lençol contra ela mesma, como se pudesse esconder. Sabia que teria sido essa a visão que Arthur viu pelo castelo logo pela manhã: as belas pernas de Gwen e seus cabelos volumosos. Sentiu-se de mau humor.
— Bom dia. Irei me trocar em um instante, se me permitir...
Gwen notou a hostilidade e timidez dela, e riu divertida.
— Você definitivamente deveria passar uma temporada comigo em Dorne. – Disse Gwen pensativa.
— Como diz?
— Vamos, Arthur a espera para o desjejum. – Saiu do quarto para lhe dar privacidade.
Quando cruzou o corredor, Gwen encontrou Arthur.
— Ela já está a caminho, Arthur.
— Obrigado Gwen. Lembre-se, ninguém poderá saber para onde vamos.
— Deixe comigo, eu sempre salvo tua pele, ou não? – Disse virando as costas e olhando para trás para dizer – A timidez dela a deixa muito fofa, Arthur. Mas mal posso esperar para corrompê-la.
Riram juntos, mas Arthur lhe lançou um olhar firme.
— Deixe-a em paz, Gwen. Pare de perturbá-la andando em seu quarto seminua!
— É uma estratégia, Arthur. Você irá me agradecer em breve. Verás... – disse apontando para ele, em uma promessa.
=^=
— Tem certeza de que ninguém nos seguirá, Arthur? – Disse Elaene subindo em sua montaria.
— Sim, fique tranquila. Pode confiar.
— Como pode ter tanta certeza? – Perguntou com curiosidade.
— Digamos que não seria a primeira vez que sirvo de guia turístico para belas moças que visitam Camelot. Ninguém desconfiará de nada.
Ela corou.
Avançaram pelo campo e quando chegaram ao topo de um morro, Elaene avistou um grande mar verde de um lado, e um mar de flores de outro. Mais ao horizonte, avistou diversas plantações. Confirmou o que sempre ouvira: a Campina era a terra mais fértil de Westeros.
— É lindo. – Disse parando para admirar a paisagem.
Arthur lhe sorriu.
Entraram em uma mata verde e fértil até encontrarem o leito manso do rio, e a cachoeira que Arthur tanto falava.
Ele desceu do cavalo e logo retirou seu gibão, a túnica e botas, ficando apenas com sua calça. Enquanto isso, Elaene desceu da montaria e o olhava sem entender.
— O que está fazendo, Arthur?
— Para chegarmos lá, devemos passar por debaixo dessas águas, atravessando a gruta para o outro lado. – Quando terminou de retirar as botas, viu o olhar de pânico que ela lhe lançou. – Não se preocupe Elaene, não ficarei nu em sua frente. – Disse sorrindo para si mesmo.
— Não estou preocupada, Arthur – Respondeu irritada e retirando seu sapato.
Elaene desatou o laço de seu vestido e o retirou engolindo a timidez com todo o orgulho que tinha, ficando apenas com sua roupa debaixo: uma leve túnica branca de algodão.
Arthur sentiu-se mal por perturbá-la, e virou as costas para lhe dar privacidade, lembrando a si mesmo que era um cavaleiro, resistindo a vontade de encará-la.
Entrou na água e indicou o caminho para debaixo da cachoeira.
— Respire fundo e controle o fôlego. Não é muito longo o caminho, mas quero que mergulhe de mãos dadas comigo, tudo bem? Se for demais para você, quero que aperte minha mão, assim subiremos de volta.
— Não se preocupe comigo, Arthur. Sou acostumada a mergulhos diários em Winterfell.
Não resistiu em olhar para baixo ao vê-la mencionar o lugar. Balançou a cabeça para afastar tais pensamentos, como Robb e Elaene nadando juntos nas águas termais de Winterfell.
Atravessaram juntos por debaixo da queda d’água, subindo em uma abertura da gruta. O Local era claro, pois os raios de sol estavam batendo na direção da abertura do outro lado.
Quando saíram da gruta, viu uma paisagem estranhamente diferente daquela do outro lado. Um local lotado de pedras pontiagudas que mostrou ser um caminho penoso demais para uma montaria atravessar.
Depois de caminharem mais um pouco pela mata, avistou uma luz diferente logo mais à frente das árvores. Havia uma clareira na qual uma humilde cabana erguia. O local era simples, porém belo.
Avançaram devagar, deixando-se anunciar para quem quer que estivesse dentro da cabana.
Quando Brienne os viu através da janela de madeira da cabana, saiu pela porta com um olhar cabisbaixo. Estava terrivelmente abatida.
— Vocês vieram.
— Eu disse que viria, Brienne. Estamos juntos nisso – Respondeu Arthur.
Elaene analisou melhor a mulher na sua frente. Era realmente muito alta, até mesmo ao lado de Arthur. Seu rosto possuía expressões fortes e marcantes que alguns poderiam chamá-la de feia, mas seus olhos eram de um azul tão doce, que decidiu que ela era bonita à sua maneira, exatamente como era.
— Obrigada, meu senhor. Lady Arryn. – Disse ajoelhando-se perante Elaene.
Elaene tocou no ombro dela para que se levantasse.
— Por favor, Brienne. Estou com roupas íntimas, e ensopada na sua frente. Essas cortesias não são necessárias – Disse notando o olhar triste, porém grato que a mulher lhe lançava, e continuou – Vamos entrar e conversar sobre o que faremos. Depois vá conosco para o outro lado da gruta buscar algumas provisões básicas que trouxemos para você.
=^=
Arthur não confiava no pai. Não naquela situação. Sabia que se descobrisse Brienne, não pensaria duas vezes ao entregá-la aos Tyrell como um sinal de boa-fé para livrar a acusação de regicídio de Arthur.
Brienne sentia profundo ódio e sede de vingança contra Stannis, e Elaene e Arthur geraram um profundo sentimento de gratidão e empatia nela. Decidiram então, que se aliariam. Elaene pediu para Brienne se juntar a Robb em Correrio, ficando ao seu dispor, em troca de vingarem a morte de Renly quando a oportunidade chegasse.
Quando atravessaram o caminho de volta junto com Brienne, decidiram que dariam um cavalo a ela para dirigir-se a Correrio, e voltariam dividindo o mesmo.
Elaene a entregou roupas masculinas limpas, pois foram as únicas peças de roupa suficientemente grandes que Arthur encontrou, e alimentos frescos, pois sabia que a mulher estava fraca e faminta.
— Obrigada minha Lady. Nunca esquecerei de sua bondade! Se preciso for, darei minha vida por ti.
— Não quero que morras por mim, quero que vivas, entendeu? Tudo ficará bem. Robb lhe protegerá.
Elaene refletiu sobre o que Robb pensaria daquela história e da cavaleira, e então decidiu que Brienne deveria levar algo para comprovar.
Aproximou-se de Arthur.
— Arthur, precisamos entregar algo que faça Robb acreditar nela. – disse olhando-o nos olhos.
Arthur sabia o que ela queria.
— O amuleto. – respondeu vendo Elaene confirmar com um aceno de cabeça. Retirou o objeto e entregou a ela, sentindo um sentimento de frustração ao retirar o objeto do pescoço e vê-lo retornar às mãos de Robb.
— Leve isto, Brienne. Robb acreditará em ti quando entregar isto à ele. – Disse Elaene, colocando o amuleto nas mãos da mulher. – E por favor, peça para Merlin vir a Camelot o mais rápido que puder.
=^=
Despediram-se de Brienne e preparavam-se para montarem no cavalo e seguirem de volta ao castelo. Arthur notou que Elaene estava com os pelos arrepiados de frio com a roupa molhada por baixo do vestido, fazendo o bico de seus seios ficarem marcados sob o tecido. Sabia que não seria nada confortável ter ela entre suas pernas durante a cavalgada, enquanto lembrasse de tê-los visto marcados sob o pano, e praguejou para si mesmo por ter olhado.
Retirou seu gibão e entregou para que ela o vestisse, evitando olhar novamente para o seio marcado.
— Vista isso, a aquecerá.
— Obrigada. – Respondeu Elaene com um sorriso de agradecimento.
=^=
Guinevere entrou animada no quarto, com duas garrafas de um bom vinho dornês na mão. Arthur a olhou com um sorriso divertido, enquanto ela se unia aos dois e sentava no tapete rodeado de almofadas.
— Parece que alguém está animadinha hoje, Lady Arryn.
Elaene riu, apanhando uma taça e sorrindo para Gwen.
Pelos deuses, Gwen era linda. Afastou o máximo que pôde os pensamentos de ciúmes que insistiam em invadir sua mente, sempre quando pensava em Gwen e Arthur.
Gwen se sentou em frente aos dois, entre as almofadas no tapete.
— Meus amores, sugiro jogarmos um jogo esta noite para comemorar a chegada de vocês a Camelot! E certamente, para acabar com essa cara de coitado que Arthur está arrastando pelos corredores. Que tédio... – Arthur sorriu olhando para baixo.
— Que tipo de jogo? – perguntou Elaene ansiosa.
— É muito simples, Elaene. Enchemos nossas taças, e fazemos afirmações uns para os outros. Se o que disser sobre o outro, for realmente verdade, a outra pessoa deve beber um gole da bebida. Se estiver errado, é você quem bebe.
— Gwen... – Arthur disse desconfiado.
— Vaaaamos, vai ser divertido, eu garanto! – Disse Gwen, com as mãos unidas em forma de súplica.
— Tudo bem... – disse Elaene com um sorriso sapeca, e meio incerta sobre a brincadeira.
Gwen beijou a bochecha dela em gratidão. Elaene corou e Arthur a achou ainda mais adorável.
— Eu começo, vamos lá. Hummmm, Arthur. Você!... Você não se lembra mais do rosto de sua mãe.
Arthur sorriu triste e bebeu a bebida na taça em um só gole, enquanto Gwen batia palminhas de empolgação.
— Pobre garoto... Sua vez Elaene!
— Hummm, bom... Gwen, você ama Arthur.
A dornesa olhou profundamente nos olhos dela e bebeu. Gwen deu um sorriso sensual para Elaene e continuou sussurrando bem próximo do rosto dela. – Mas não do jeito que você imaginava, você sabe o porque... lembras?
Em seguida, começou a gargalhar com a piada interna entre as duas, relembrando a conversa na banheira, sendo surpreendentemente acompanhada por Elaene.
Arthur sorriu sem jeito e sem entender.
— Sua vez, Arthur!
— Okay. Gwen, quando você entrou nesse quarto, você tinha, como sempre, um plano maligno para alguma coisa nessa sua mente diabólica, que eu ainda não descobri.
Gwen bebeu a taça novamente.
— Muito óbvio, Arthur. Querem me ver bêbada? Bebam vocês dois essa rodada junto comigo, não quero ser a única com dores de cabeça amanhã, vamos lá.
Elaene e Arthur riram divertidos e tomaram o conteúdo da taça fazendo careta com o gosto do forte vinho de Dorne.
Gwen olhou para Elaene com um olhar profundo e examinou os lábios da moça. Elaene corou com a intensidade do olhar.
— Minha vez... Elaene. Você já teve vontade de beijar uma mulher.
Arthur Elaene ficaram mudos. Elaene respirou fundo, encarando Gwen enquanto tomava coragem e bebia todo o conteúdo da taça.
Assim que Elaene terminou de tomar a bebida, Gwen se inclinou como uma gata, e deixou seu rosto bem próximo ao dela. Elaene lutava contra a timidez e manteve o olhar firme com o seu, pois queria mostrar pra Arthur, que também era corajosa.
E então Gwen encostou sua boca na dela. Era tão macia, que logo abriu a boca e sugou o lábio inferior de Elaene, sentindo o gosto de rosas que ela tinha. Elaene respondeu e passou a mão pelas ondas macias dos cabelos de Guinevere, enquanto Arthur as observava, atônito e maravilhado.
Gwen interrompeu o beijo e manteve o olhar enquanto brotou um sorriso sensual em seu rosto.
Inclinou-se para Arthur e o beijou também, nunca largando sua mão do rosto de Elaene.
Quando terminou de beijar Arthur, botou a outra mão no rosto dele, e puxou o rosto dos dois para perto de si, fazendo-os compartilhar um beijo triplo.
Em seguida, ajoelhou-se saindo do meio, deixando que apenas os dois agora saboreassem o beijo.
Quando perceberam que Gwen saiu, Arthur e Elaene trocaram um olhar profundo, a uma mínima distância entre seus lábios.
Ele encostou a ponta de seu nariz por todo o rosto dela, aspirando o aroma natural de sua pele, e Elaene não mais conseguindo controlar o desejo que sentia, usou sua mão no cabelo de Arthur o puxando para si, e tomando sua boca
Com uma risada satisfeita, Gwen saiu do quarto.
Arthur puxou Elaene contra seu peito, girando e a fazendo deitar de lado em seu colo. Enfim pôde aprofundar o beijo e sentir o gosto dela por completo em seus braços, enquanto enroscava os dedos em seus cachos negros, suspirando em sua boca.
Ela estava com a respiração descompassada e o gosto do vinho deixava seu hálito ainda mais saboroso. Botou a mão na cintura dela, lhe dando um aperto contra ele mesmo, como se quisesse que os dois corpos se fundissem em um só.
Elaene separou o beijo e viu que os lábios de Arthur estavam vermelhos por conta da voracidade que os tomou. Traçou uma trilha de beijos pela mandíbula dele e desceu pelo pescoço, deixando um lastro quente pelo caminho.
Quando ouviu um gemido, e sentiu outro aperto forte em sua cintura, subiu o caminho de volta intercalando beijos e mordiscos em direção ao lóbulo da orelha, sugando-o entre os dentes.
Arthur segurou seu cabelo pela nuca, a puxando para baixo para que ele tivesse acesso ao pescoço dela. Ao dar leves mordidas em sua garganta, disse tomado pelo calor do momento:
— Eu te amo tanto, Elaene...
Elaene paralisou imediatamente e afastou seu rosto para encontrar o olhar confuso de Arthur.
Um misto de sentimentos indecifráveis fizeram sua cabeça rodar. Amava Robb, sempre foi Robb, mas quando Arthur estava por perto, porque sentia mil borboletas baterem asas em seu estômago?
A verdade, é que não sabia o que era aquilo que sentia por ele. Estava confusa. Tinha medo de magoá-lo, mas também tinha medo de perdê-lo.
Levantou-se do colo dele, e o sentiu puxando seu braço, impedindo que ela fosse embora.
— O que há de errado? – Perguntou Arthur se levantando.
Virou-se para encará-lo.
— É melhor que eu vá para o meu quarto, Arthur.
— Por quê? – Disse Arthur em um sussurro bem próximo a boca dela, segurando o rosto dela com as mãos.- Disse algo de errado? — Disse enquanto passava a ponta do nariz pelo rosto dela, do jeito que sabia que ela gostava.
Elaene sentiu-se pisando em um terreno perigoso.
— Realmente preciso ir...
Arthur irritou-se.
— É Robb, não é? Você nunca o esqueceu. – Disse a encarando com um olhar que queimava.
Elaene respirou fundo, criando coragem para dizer o que estava planejando. Não poderia atrapalhar a vida de Arthur daquela forma. Ele era um bom homem, merecia alguém melhor que ela. Ele não merecia sofrer, e ela não merecia o nobre sentimento que ele queria lhe entregar. Não enquanto ela não pudesse corresponder à altura.
— Sim. Sempre será Robb, Arthur. Eu sinto muito. – Disse segurando o olhar, e sentindo o coração apertar com o olhar cheiro de lágrimas que ele lhe lançou.
— Vá para o seu quarto, Elaene – Arthur respondeu, dando passos para trás, com raiva.
Elaene tentou se aproximar novamente, mas foi surpreendida pelo comando raivoso dele.
— Vá!
Assim que Elaene saiu do quarto, Arthur tacou a garrafa de vinho na parede, fazendo-a espatifar em vários pedaços pelo chão.
Fale com o autor