Queen of ice and fire
64 Chamas sobre pedras
Notas iniciais

O anúncio do caos se fazia presente por toda a cidade. Grandes labaredas de fogo jorravam do céu em direção às casas, edificações, e ao porto da cidade, enquanto o grande animal alado sobrevoava a capital do Reino.
Os soldados jogavam pedras, flechas e lanças, desde a Fortaleza Vermelha até a cidade baixa, mas nenhum dos esforços de seus homens teve utilidade em matar o animal, ou ao menos espantá-lo dali.
Olhando de cima da torre, Arthur tinha consciência que lá embaixo, principalmente na parte baixa da cidade onde as construções mais humildes eram feitas de madeira e palha, já haveria muita destruição. Sabia que deveriam sair em campo aberto e enfrentar o animal, mas tinha medo. Não fazia ideia de como derrotar aquele animal nascido da magia, por mais que Elaene o encorajasse e pedisse confiança. A boa verdade, é que não fazia ideia do que faria quando estivesse de frente àquela besta, e não conseguia entender a seriedade e serenidade em que Eleane permanecia diante de tudo.
Porém, por mais que parecesse loucura, não havia escolha. Deveria confiar nos poderes de Elaene e no que ela acreditava ser o seu dom de nascimento também.
Quando anunciou para Oberyn liderar a patrulha pela cidade, dividida em seis grandes colunas para proteger o povo e controlar os grandes focos de incêndio, enquanto ele e a Elaene cuidavam da besta, podia sentir que sua Mão e amigo o tomara como um louco.
Bem... seria melhor ser tomado como um louco e morrer como um, do que um covarde fugindo da cidade quando mais precisavam de seu Rei. Os deuses eram testemunha de que era exatamente o que sentia vontade de fazer, em seu íntimo.
Ele montou seu novo corcel de guerra, Baelion, enquanto Elaene montou Llamrei. Encontram uma saída por um dos túneis secretos da Fortaleza vermelha em direção à cidade baixa, enquanto ainda escutavam os gritos de pânico e as construções desabando pelo fogo do Dragão, à toda velocidade em direção ao desconhecido.
=x=
Além do perigo em si provocado pela fúria do dragão, Arthur sabia que ainda corriam risco pela exposição em meio um ambiente tão caótico como aquele, já que sua vida e a dela eram ameaçadas por seus inimigos, por vezes, ocultos.
Porém, todos corriam desesperados, nem ao menos notavam a presença deles, e por muitas vezes, apenas se desviavam de seus cavalos para não correrem risco de serem pisoteados, enquanto buscavam proteção nas construções feitas de pedra.
Por fim, quando alcançaram a praça do Septo, viram o animal repousando sobre o topo oval do Septo, enquanto todos os ocupantes do local, que buscavam abrigo e proteção divina, saíram correndo em disparada tropeçando pelas escadas e pisoteando uns aos outros, lutando pela sobrevivência.
— Saiam daqui! Corram para a parte alta! Saiam daqui! – gritou Arthur a plenos pulmões, na esperança de que seus comandos fizessem a multidão correr ainda mais rápido, e liberar a praça em segurança.
Elaene estava hipnotizada pelos olhos do Dragão que a encarava, e deles irradiavam o reflexo vermelho e amarelo das chamas lá em baixo. Desceu de sua égua e caminhou lentamente em direção ao centro da praça para se aproximar da besta, enquanto Arthur ainda ajudava os feridos a evacuarem o local.
O Dragão, consciente da presença de Elaene, deu um salto com um impulso para cima, e com um leve bater de asas pousou em sua frente, enquanto fogo e fumaça preta saíam controladamente de suas narinas.
Quando Arthur notou o chão tremer, e o barulho do impacto com a aterrissagem do Dragão, cavalgou correndo em direção à cena que via. Elaene encarando o animal, que em estranha curiosidade, inclinava a cabeça em sua direção.
Elaene ainda parecia hipnotizada com o contato visual enquanto Arhur gritava seu nome. No pequeno espaço entre Elaene e o Dragão, Arthur surgiu com fúria empinando Baelion, enquanto usava a espada para atingir a cabeça do animal em cheio, mesmo que não fosse suficiente para matá-lo ou feri-lo gravemente.
Elaene saiu de seu transe a tempo de ver o Dragão inclinar para trás, e com seus olhos e um ruído ensurdecedor de ira, anunciar o ataque. Lançou a potente e mortal labareda de chamas em direção á Arthur, que apenas teve tempo de se proteger pateticamente com os braços em frente seu rosto, quando Baelion refugou, o lançando ao solo.
No exato momento, Elaene fez surgir um campo de energia que bloqueou todo o fogo lançado pelo animal para os lados, protegendo Arthur e seu corcel que relinchava em pânico, fazendo o dragão rugir em fúria mais uma vez.
Arthur sentiu um zunido nos ouvidos pelo barulho,mas podia ouvir que Elaene gritava com ele em alto Valiriano.
“Eu sei que entende o que eu digo, somos do mesmo sangue. A magia que a mim é atribuída e o sangue Pendragon, lhe despertou das pedras profundas de seu lar. Você não irá nos ferir, pois não lhe dou permissão. Juntos, somos três. Somos um só. Sangue da Valíria”
Arthur notou que ela ainda se mantinha próxima ao Dragão e gritou atordoado do chão
—O que você esta fazendo, Elaene. Sai daí, agora! Corra!
Enquanto o Dragão parecia entender o que Elaene dizia em Valiriano, ela apenas olhou para Arthur, e gritou para ele se levantar.
— Ele não irá nos machucar. Levante-se e faça o que eu digo, Arthur!
Por mais que parecesse loucura aos seus olhos, ele se levantou mancando com sua perna direita pelo impacto do solo e posicionou-se ao lado dela.
—Conecte-se com ele, Arthur.
— O que? Como? – perguntou sem conseguir tirar os olhos do animal que o encarava desconfiado
— Você é um Pendragon. Dome-o.
Arthur não se sentia seguro, e a besta notou, soltando um baixo rosnado em desaprovação pela sua aproximação, ainda que respeitasse os comandos de Elaene para não os atacar. Sentiu o bafo do animal em seu rosto e o já incômodo calor de sua boca, tão próxima.
Ali, daquela distancia, podia notar todas as características dele, desde sua escama, ora verde, ora negro, ora azul cor de oceano profundo, bem como os seus olhos estranhamente complexos e cheios de sentimentos a encará-lo em curiosidade profunda.
“Eu sou a cabeça do dragão, e sei que consegue me entender. Abaixe suas asas.” Disse o testando no idioma antigo, e ficou chocado em notar que o animal o obedeceu, ainda que seus olhos estivessem derramando a ira sobre Arthur.
Olhou para o lado em direção à Elaene, mas ela continuava a encarar o animal, quase como se o ignorasse, mas Arthur não notou que apesar de obedecer aos seus comandos, era a magia de Elaene que o impedia de queimar Arthur até os ossos.
Elaene disse sem olhar para ele
— Monte-o, agora!
Arthur olhou para as asas abaixadas e próximas ao corpo do Dragão. Eram tão grandes, que se esparramavam pelo solo, e então sabia por onde deveria ir.
“Sangue da valíria, encontraste as outras duas cabeças do Dragão. Voaremos juntos, para longe da cidade”
O Dragão diminuía sua ira aos poucos, e deslizou sua asa esquerda para que Arthur pudesse escalá-la, e assim ele o fez. Sentiu sob suas mãos, a escama estranhamente gelada das asas do animal, ainda que seu abdômen e costas parecessem tão quentes quanto o sol mais tórrido de Dorne.
Elaene o seguiu, sendo acompanhada pelo olhar do dragão, enquanto Arthur a puxava para cima dele.
— O que faremos agora? – perguntou Arthur enquanto se posicionavam nas costas do animal e agarravam com forças sua escama protuberante na região.
— Agora, voamos.
Sobrevoaram a cidade, enquanto o povo lá embaixo presenciava a cena em que o rei e rainha domaram o Dragão, em êxtase e horror.
Oberyn, que corria em direção ao Septo ao saber de Arthur e Elaene encurralados pelo animal, ouviu um soldado gritar, e apontar para cima. Ali, pensou que seria seu fim, mas viu a figura dos cabelos claros de Arthur e a palidez de Elaene em cima do animal, com suas enormes asas batendo e fazendo o vento zunir pelas ruas estreitas.
— Que filhos da puta... – disse rindo incontrolavelmente, enquanto observava o três dragões irem embora da cidade.
=x=
Foi naquela tarde que o paradeiro de Arthur e Elaene teve fim. Em plena luz do dia, ali no pátio da fortaleza vermelha. Três dias inteiros se passaram antes que eles retornassem para a cidade. Enquanto isso, Oberyn organizava a reconstrução da cidade com a ajuda dos caveleiros da Távola redonda. O prejuízo material e humano foi grande, mas com o apoio dos nobres, a cidade já estava se reconstruindo.
Primeiro ouviram a batida de asas muito próximas, e os soldados amedrontados já se encontravam a postos enquanto Oberyn era requisitado. E foi assim, quando alcançou o pátio, que viu o grande Dragão pousar no centro, calmamente, enquanto Arthur gritava para que os homens não o atacassem e que ninguém seria ferido pela besta.
Atônitos, os homens obedeceram, e quase internamente agradeciam poderem ficar longe do grande dragão, enquanto Arthur descia por suas asas e auxiliava Elaene a fazer o mesmo.
— Permaneçam afastados, entenderam? – gritou Elaene no pátio para que todos ouvissem – ele não irá ferir ninguém, a não ser que seja atacado! Está tudo sob controle. Acalmem-se.
Oberyn foi em sua direção, ainda chocado pela presença do animal e igualmente fascinado por observá-lo de perto, agora pacífico no pátio, apenas analisando os homens á sua volta.
— Será que o digníssimo Rei Arthur pode nos explicar o que diabos está acontecendo aqui? Isso aí é o novo animal de estimação da família Pentargayen? – fez a junção dos nomes dos dois, e Arthur não pôde evitar em sorrir.
—Convoque o Conselho, Martell. Domamos o Dragão.
=x=
Quando entraram no salão onde estava reunido o Conselho, todos sabiam que estavam diante de um momento histórico para o reino. O Rei Arthur e a Rainha Elaene, conhecida como a Rainha de gelo e fogo, haviam dominado o Dragão que assolava Westeros.
Agora, diante do poderio militar de seus aliados, nem mesmo a desconfiança de alguns nobres do Oeste e Sul seria capaz de abalar a figura que se projetava no casal de dragões e de sua cria no pátio da Fortaleza.
Muitos haviam presenciado a cena em que juntos montaram a besta diante do Septo de Baelor, e agora com a notícia se espalhando pela cidade e o reino, surgiam devotos por todos os lados, ainda que o medo e desconfiança pelo Dragão fosse inegável.
— Creio que devemos explicações a vocês. Por favor, sentem-se... – disse Arthur, acenando para que todos se sentassem novamente. – Primeiro quero pedir calma aos senhores, temos a situação sob controle.
— E quem garante que possui tudo sob controle?
— Como conseguiram fazer aquilo?
— Porque o animal não atacou vocês? Como podem estar vivos?
As perguntas sucederam em um turbilhão, e Elaene se levantou da cadeira para ser ouvida.
—Cavaleiros da Távola! Escutem... todos aqui sabem que Arthur e eu, somos pertencentes às duas famílias Valirianas conhecidas por domarem e caçarem dragões, e não vejo porque estão tão espantados com isso! Não somos os primeiros a domarem um dragão dessa forma. Se controlem.
— Como pretendem manter esse animal? Solto? Ali no pátio da Fortaleza? – Perguntou um Lorde da Campina.
— É exatamente isso que viemos discutir com vocês. O animal não atacará ninguém em Porto Real, desde que não seja atacado. Precisamos montar uma estrutura para mantê-lo em nossa vista, evitando que caia em mãos erradas ou pereça pelo inimigo, e de provimentos de animais para alimentá-lo bem.
— Isso é loucura... – respondeu um senhor do Oste
— Por que é loucura, Sor Steel? Temos uma arma poderosa em mãos agora. Podemos focar agora em eliminar de uma vez por todas Tywin e Snow.
— E localizar meu irmão, Lancelot. – disse Arthur lançando um olhar cauteloso para Elaene.
— Claro, meu amor.
— O rei e a rainha merecem nossa confiança. Dêem uma chance. Se falharem em domar a besta, matamos o dragão e assunto estará encerrado. Não há porque desprezarmos um feito dessa magnitude. Com esse trunfo nas mãos, conseguiremos estabilizar o reino. – disse Oberyn Martell. – vamos nos concentrar em encontrar Tywin e ajudar o Norte com Ramsay Snow. Fazer o bastardo nortenho cercar um castelo agora seria perfeito para botar a nossa nova arma letal em prática...
=x=
— Como está Merlin? – perguntou Arthur quando Elaene entrou no quarto.
— Adormecendo como se não houvesse amanhã – disse se aproximando da cama onde ele estava sentado – e você? Estás calado...
Riu sem jeito.
— Um pouco incrédulo ainda, talvez. Eu não sei, Elaene... é um pouco surreal. – encarou Elaene, olhando para cima
— Devemos batizá-lo. Todo Dragão domado tem um nome. Tinha pesando em Rheagor. O que acha?
— Eu acho que você está diferente desde quando ele surgiu. – disse se referindo ao Dragão.- Elaene... você está consciente de que tudo o que “ele” fez, certo?
— Claro, Arthur.
— Não me parece. Confesso também estar fascinado com o que estamos fazendo e espero não estarmos cometendo nenhum erro, porém, não consigo entender como estás agindo tão naturalmente diante disso tudo...
— O que você quer que eu faça, Arthur? Trema de medo e me esconda em seu abraço, quando fazia quando era uma donzela inocente? Depois de séculos, somos os primeiros a montar um Dragão, e agora enfim conseguiremos a unificação de Westeros, você deveria estar um pouco mais empolgado...
Arthur se levantou e a encarou de perto
— Lembra-se aquela noite em que cavalgou sobre mim, ate conseguir minha semente, mesmo sabendo o quanto eu sentia dor com o que fazíamos, e diante do luto por meu pai? – Elaene se lembrou e se retraiu em vergonha – em seus olhos notei que você estava tão excitada pelo poder recém descoberto, tanto na távola redonda, quanto sobre o meu próprio corpo, que ignorou o que fazia comigo.
— Isso não é verdade, Arthur
Arthur ignorou e continuou
—Você estava fascinada com o sabor do poder. Tome cuidado, Elaene. Não sucumba. Estou feliz por termos domado o Dragão, mas jamais se esqueça que Rheagor matou Robb nas Gêmeas, e centenas do seu povo.
— Jamais me esquecerei daquilo. O norte se lembra, e sou uma nortenha. Mas sabemos que o dragão estava sob os desígnios de Nimueh, ou Melissandre, seja lá quem for essa mulher... além do mais, o que há de mal gostar do sabor do poder? Desde que eu mantenha meus valores morais, não vejo porque devo ser autoindulgente, assim como você é. Permita-se ser feliz, sentir prazer, Arthur. Pare de se culpar e punir pela tua família!
— É melhor ir descansar em outro quarto... – disse irritado e caminhando para a porta sem se despedir dela, mas ela o alcançou e segurou seu braço, fechando a porta a tempo.
— Espere! – disse se aproximando dos lábios dele e depositando um doce beijo que o fez balançar – Ainda sou sua Elaene, Arthur... – pegou a mão dele e levou em direção ao seu coração e ele não pode se manter indiferente perante o toque sedoso no peito dela. – Sente? Eu o amo, Pendragon. Sentia falta do seu toque, seu calor e desejo. Apenas isso. Perdoe-me.
Arthur, rendido, a puxou pela cintura e desceu seus lábios ate onde estava o coração dela, o sentindo bater abaixo de seu rosto.
— Juntos, unificaremos Westeros, meu amor. Nenhum Senhor se atreverá contra nós, não agora, que montamos o dragão. Logo, saberemos do paradeiro de Twyin e Snow, e reinaremos soberanos e tranquilos, apenas construindo nossa Dinastia. Dinastia... Gosta como isso soa? – enquanto falava Arthur lentamente, deslizava a mão pelo vestido de Elaene, que absorta em suas palavras, só percebeu o que fazia quando emitiu um gemido involuntário quando ele deslizou o dedo pela intimidade molhada dela.
Arthur retirou o dedo, notando a frustração no rosto dela, tão próximo, enquanto ele levava o dedo à boca e chupava
— E assim eu tenho a prova, em minha boca, que você está excitada com o poder que tem nas mãos.
Elaene bufou frustrada
— O que você quer de mim, Arthur? Será que não podemos por um ponto final nisso? Você me tocou e acredita que provou que sou uma ambiciosa incorrigível, ou talvez provou que sou uma mulher com desejos que fica excitada quando o homem que amo me abraça tão intimamente, o que faz de você um imbecil pretensioso.
Arthur sentiu-se um cretino de repente, e abaixou o olhar ao chão.
— Desculpe...
— Sinto muito pelas suas perdas e já disse que não sou apenas sua esposa ou rainha, sou sua aliada. Trancar-se no quarto como aquela noite, e se torturar, ou ter ambições pelo reino são formas diferentes de se reagir à um luto, e eu também perdi muito nessa guerra, Pendragon. Não me julgues por me deliciar por estar onde estou agora. Não atravessei a escuridão para retornar à vida para ser uma peça decorativa ao seu lado do trono, muito menos para ser autoindulgente com as tragédias da minha vida.
— Você tem razão... eu só tenho medo de que você se transforme em uma pessoa irreconhecível. Não quero perdê-la também.
— Eu espero que você confie, sinceramente, no meu caráter, Arthur. Compreendo o seu medo diante do que aconteceu com teu pai, mas a minha ambição não se compara à dele. A minha não é egoísta. Quero o melhor para nós, para Westeros, e para o nosso povo.
Arthur a abraçou sentindo o cheiro da sua conhecida Elaene em seu pescoço.
— É apenas o meu luto agindo. Eu amo a mulher que você se tornou, e não mudaria nada em você. Desculpe-me. Estou uma bagunça...
Afastou o abraço o suficiente para poder beijá-la, e do ângulo em que estavam abraçados, podia sentir teu gosto por completo. Não era como a ultima vez, em que se sentia mal por estar feliz. Talvez o luto estivesse indo embora e pudesse agora se despedir do peso.
Deslizou sua mão pelo quadril dela apertando com vontade e trazendo sua coxa para cima, enroscando em sua cintura, enquanto ela interrompia o beijo, inesperadamente, e afastava a mão dele para baixo.
—Tome o seu tempo... eu estarei aqui quando estiver pronto. – disse e depositou um beijo calmo em seus lábios enquanto deixou sozinho no quarto, inundado de pensamentos.
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