Queen of ice and fire
65 Cerco no Norte
Notas iniciais

Andavam pelo pátio da Fortaleza, enquanto observavam Rheagor voar de volta a Porto Real, pelo horizonte que se encontrava com o oceano.
— As pessoas ainda o temem. – Observou Oberyn
— E é por isso que ele nos é tão útil agora que estamos em guerra.- Rebateu Arthur.
— Espero que realmente seja útil quando a batalha chegar, e imploro para que saiba diferenciar o cheiro de um Dornês e não nos coma por engano!
Sorriu nervosamente Arthur, enquanto respondia
— Isso não acontecerá. Agora Rheagor obedece aos nossos comandos. – disse enquanto se inclinava no parapeito do muro e observava a cidade logo abaixo. – Ainda me preocupo sobre o que faremos com ele em tempos de paz... Tenho medo que percamos o controle sobre ele em algum momento.
— Arthur...eu tenho que perguntar. Ouvi histórias sobre Elaene e aquele dia em que domaram o dragão.
Arthur ajeitou a postura nervosamente, ciente onde aquela conversa chegaria
—Você sabe como adoram criar mitos em torno da realeza, Martell. Apenas temos uma habilidade incomum por nossas raízes de Valíria.
— Não, não é isso. – retrucou Oberyn enquanto repousava ao lado de Arthur para poder encará-lo melhor – Soube de histórias estranhas, através de mais de um soldado. Algo sobre como Elaene impediu que o dragão o queimasse vivo através de algum tipo de poder mágico.
Arthur riu
— Não vá me dizer que acredita nessas histórias de magias e bruxas?
—Arthur, eu estava presente quando aquele cavaleiro sem cabeça desapareceu sob sua própria armadura. Eu vi um dragão vivo, após séculos de extinção. Esse mesmo dragão foi ressuscitado através das pedras de um castelo, enquanto uma sacerdotisa vermelha fazia magia negra através do sangue de teu irmão. Já mencionei que dizem que Nimueh é na verdade Melissandre, e a vadia estava aqui debaixo de nosso nariz o tempo todo, usando o rosto de outra mulher? É Arthur....acho que acredito nessas coisas agora.
Arthur desviou da intensidade do olhar questionador de Oberyn, pois sabia que pelos seus gestos ele já sabia a resposta.
— Apenas temo que não entendam Elaene. Eu confio em você, Oberyn. Não me decepcione.
Oberyn relaxou a postura enquanto suspirava e observava o dragão agora pousar em algum ponto no campo aberto além dos muros.
— Jamais faria nada que magoasse Elaene. Eu acredito no que estamos construindo aqui, na Távola Redonda.
— Para mantermos esse futuro que desejamos, precisamos encontrar Tywin e Snow. Eles irão nos atacar em breve.
—Como sabe? perguntou Oberyn enquanto Arthur já se preparava para voltar à Fortaleza.
— Elaene viu.
=x=
O que lhe aflinge? — perguntou à Elaene enquanto se aproximava atrás dela. Ela olhava fixamente para a árvore-coração do bosque sagrado da fortaleza. – Sei que recebeu um corvo de Winterfell e imaginei que estaria aqui...
Elaene sorriu melancolicamente, enquanto virava para encará-lo.
—Lembra-se do beijo que me roubou no bosque em Winterfell, Pendragon?
Arthur sorriu enquanto sentava ao seu lado
— Como se fosse hoje... e me lembro também do merecido tapa que recebi em troca.
Ambos sorriram com sinceridade.
— Parece que tudo isso se passou há décadas. Tanta coisa aconteceu em nossas vidas, tantos rumos, desencontros. Quando acordei do coma, me senti como se estivesse envelhecido alguns séculos. Todos aqueles tormentos daquela garota no bosque de Winterfell parecem tão ridículos agora.
Arthur agarrou sua mão e levou à boca para depositar um leve beijo
— O que aconteceu?
Elaene abaixou a cabeça em remorso e vergonha.
— Recebi um corvo de Arya. Ela soube que domamos o dragão. O dragão que matou seu irmão e seu povo nas Torres...aliás, nosso povo. Também sou metade nortenha. Ela se ressente que eu tenha deixado ele viver.
Arthur já podia imaginar o tom daquela carta. Não teria sido nada amigável, e ele sabia a importância que Arya tinha para Elaene.
— Ela irá entender. Quando conquistarmos a paz, irá entender.- disse depositando um suave beijo em seus lábios, tentando fazer aquela angústia que a incomodava amenizar.
Sentiu Elaene sorriu contra seus lábios, e foi inevitável sorrir junto
— O quê?
—Eu tenho que confessar: eu gostei do seu gosto desde a primeira vez que senti em minha boca naquele bosque. Eu não pude evitar. Era errado, mas tão certo...
Arthur encostou sua testa na dela
— Quando fecho os olhos me sinto lá novamente. Aquele instante que vi seus olhos a me encarar do outro lado do pátio de winterfell, e sabia que estava condenado.
=x=
— Arthur!!! _ gritou fazendo Arthur acordar assustado ao seu lado.
— Sou eu, Elaene. Estou aqui. Está tudo bem. Estou aqui. – Disse abracando-a e beijando sua testa com ternura e cuidado.
Elaene ainda rodava as imagens na cabeça. A cada sonho, uma peça se juntava às outras, como se formassem um grande e complicado quebra- cabeças, que ainda estava sendo montado pelo destino.
Antes, era tudo confuso. As vezes sentia a dor da estocada da espada nela mesma, as vezes via o homem matar Arthur. Era sempre o mesmo homem de estranhos olhos azuis brilhantes na escuridão. E se repetia, por várias noites.
Agora sentia que Arthur estava em perigo, e pensou desesperadamente em quem seria o cavaleiro de olhos azuis que iria atacar Arthur na escuridão
Em desespero, segurou seu rosto e o beijou com desespero e aspereza. Ele interrompeu para encará-la de perto.
— Você esta bem? o que você viu dessa vez?
— Apenas um maldito pesadelo. Tenho medo de te perder. Isso dói!
— Não tema. Sempre volto para você, lembra? Não há de ser nada demais. Estou aqui...
Semanas haviam se passado desde a ultima vez que se amaram de forma dolorosa para Arthur. Dessa vez, tudo foi calmo, em contraste com o estado de ânimo de Elaene após o pesadelo.
Arthur puxou Elaene pela cintura, deitando sobre ela, enquanto a beijava dolorosamente lento sentindo cada textura de seus lábios contra o dele.
—Eu estou aqui. Sente?
Elaene afundou os dedos em seus cabelos enquanto aprofundava o beijo, sentindo as mãos de Arthur deslizarem de seus joelhos e subirem vagarosamente pela parte de dentro de suas coxas, deixando a coerência das palavras cada vez mais difícil
—Não vá. Jamais! – e gemeu preguiçosamente quanto ele tocou onde mais queria.
—
Acordou com Arthur beijando sua bochecha enquanto a mantinha fortemente envolta no abraço
_ Como senti sua falta, minha doce Elaene...
Elaene sorriu ainda sem forças para abrir os olhos
— Desculpe-me por ter mudado tanto... aquela garotinha de Winterfell se foi para sempre agora... – foi interrompida quando Arthur virou seu corpo para que encarasse os olhos dele.
— Deixe disso. Você amadureceu, Elaene. Passamos por muito e estamos aqui. Só me interessa que você se mantenha íntegra e justa como sempre foi. Admiro e tenho orgulho por ser a mulher decidida e forte que você é hoje.
Elaene avançou contra os seus lábios e já sentia que a noite de amor ainda não fora o suficiente para saciar a fome que sentia dele. Inverteu a posição e jogou as costas de Arthur contra o colchão.
— Só não perca esse desejo que tens por mim. – disse Arthur entre suspiros enquanto Elaene devorava o seu pescoço e deslizava uma mão pelo seu ventre – eu amava a sua timidez virginal, mas os sete que me perdoem, nunca me canso de me queimar no teu fogo.
=x=
— Eu não acredito o quanto Merlin cresce a cada dia. – suspirou Gwen enquanto caminhavam pelo corredor da fortaleza, segurando cada uma, uma mão do garoto, que já testava os seus primeiros passos.
— E a cada dia se parece mais com você, Elaene. – Disse Loras logo atrás dela, mas o seu semblante estava sombrio, apesar do seu sorriso gentil.
— O que foi, Loras? O que aconteceu?
— Precisamos de você na Távola. Ramsay...
Elaene sentiu sua nunca se arrepiar ao ouvir aquele nome mais vez. Lembrou-se dos frios olhos azuis e o pesadelo surgiu em sua mente. O que quer significasse aquilo, não poderia deixar que Arthur fosse ao encontro de Ramsay. Sabia que não era apenas um pesadelo. Era uma visão que ficava mais clara a cada dia.
=x=
Quando entrou no salão, logo reparou na expressão atônita de Arthur.
— O que aconteceu?
— Ramsay... – Oberyn se levantou e encarou – os rebeldes de Snow penetraram em Winterfell, mataram os nortenhos leais à família Stark e mantêm em cárcere: Catelyn e as crianças herdeiras de Robb.
— Eleane sentiu o chão amolecer sob seus pés em uma mistura de incredulidade e ira.
—Espere, isso é impossível! Winterfell nunca foi invadida. É um castelo sólido e praticamente impenetrável. Isso não faz sentido!
— Isso é verdade, minha rainha. Acontece que Ramsay não invadiu, não cercou e nem derrubou uma pedra sequer.
Elaene não entedia o que aquilo significava e sentou na cadeira para amenizar a tontura que aquelas informações lhe davam.
— Como esse desgraçado entrou em Winterfell?
— Pela porta da frente, majestade. Winterfell tem um traidor. Um rapaz que cresceu contigo no norte, e se tornara melhor amigo daquele seu ex-noivo. Ramsay e Tywin prometeram as ilhas de ferro independentes de Westeros para Theon. E ele aceitou. Nortenhos rebeldes aliados à Snow e homens da ilha de ferro levaram terror ao seu antigo lar, e o norte clama por nossa ajuda. Chega de colheitas, Elaene. Lanças e espadas é o que eles pedem!
Arthur que permanecia mudo ao seu lado ate aquele instante, com um dedo segurando o queixo, se pronunciou de forma firme e clara.
— Levaremos lanças, espadas e fogo para o Norte. Convoquem os homens.
Elaene sentiu o pânico dominar ainda mais. Arthur não poderia ir. Seria o seu fim.
=x=
Fechou a porta do quarto com ansiedade e encontrou Arthur exatamente onde imaginou. Olhando fixamente para o oceano da sacada, enquanto segurava Merlin no colo.
—Arthur, por favor, me escute.
— Fale baixo. Ele dorme.
Elaene se aproximou ignorando o que ele dizia.
— Você não pode ir ao encontro de Ramsay.
— Eu preciso.
— Eu irei em seu lugar, montada em Rheagor!
Arthur riu irônico
— Irá deixar o seu rei em segurança na capital enquanto luta em seu lugar? Não seja absurda.
— Pense em Merlin, Arthur. – Elaene sabia que o filho era o ponto fraco de Arthur. – Não deixe que a vingança lhe cegue.
— Elaene, eu fui torturado por dias por aquele homem. Tenho pesadelos horríveis com tudo que o vi fazer. Ramsay quebrou minha mente de uma forma que jamais pensei que alguém seria capaz. Eu preciso buscar justiça, para o Norte, para mim. Snow precisa ser varrido de Westeros se queremos um futuro melhor. Não irei mais discutir sobre isso.
Elaene sentiu uma lágrima teimosa descer pelo rosto ao pensar que ele não cumpriria o que prometeu na noite anterior.
Não poderia dizer o que viu no sonho à ele, jamais. Teria que mudar o destino, sozinha.
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