Queen of ice and fire
46 Cavaleiro renascido
Notas iniciais

Os próximos dias que se seguiram foram revigorantes. Uther ordenou que a parte da muralha posta a baixo pelo fogo vivo fosse reconstruída para que marchassem para a capital, sem deixarem o lar exposto.
O anúncio do acordo de paz foi recebido com bastante euforia e comemoração por toda Camelot, com exceção de Loras, que ainda estava ressentido com a decisão da própria família.
Os prisioneiros sentiam-se aliviados pela misericórdia dada, inclusive a minoria tropa Lannister, e nutriram respeito e admiração por Arthur, ironicamente, seu captor. Os soldados que receberam o perdão se sentiam tão gratos à Arthur, que concordaram em reconstruir a muralha externa com a ajuda dos brilhantes construtores do Vale. Esses homens eram em sua maioria simples camponeses e artesãos que estavam habituados a uma Campina unida, e não dividida a ferro e sangue, como estava.
Os aliados segredavam, disfarçadamente, como os Tyrells eram voláteis no jogo dos tronos. Ora aliados de Renly, ora Joffrey, e agora Uther. Sentiam-se desconfortáveis com uma aliança tão nova e insegura, mas comemoravam como se final de guerra fosse.
Junto com o anúncio da nova aliança, Uther aproveitou para anunciar a vinda do primogênito de Arthur e Elaene, herdeiro de Camelot.
Elaene mexeu desconfortavelmente no vestido enquanto Uther anunciava o chegada de seu neto, da sacada de onde estavam. No pátio, encontravam-se os principais nobres das casas aliadas. Olhou para baixo a tempo de encontrar, constrangida, o olhar melancólico de Robb, que apenas lhe acenou com a cabeça de volta, os parabenizando. Sentiu-se mal e quase culpada, mas naquele dia, os homens bebiam em homenagem ao seu filho.
=^=
Elaene teve um sonho enigmático aquela noite. Estava à beira do rio Avalon, em um dia de um calor agradável. Quando aproximou-se da água para banhar-se, viu pelo reflexo claro e calmo, suas visões desconexas.
Na primeira, havia um conselho reunido em uma mesa redonda. Viu Arthur em pé, enquanto os outros cavaleiros sentados o ouviam com atenção. Viu os cachos ruivos de Robb entre os cavaleiros, mas também viu cachos dourados.
Na beira de um rio, viu o brilho de uma espada refletir magicamente o sol, mandando seus espectros de luz para os céus, quase a cegando. Quando seus olhos se acostumaram à claridade, notou que a espada estava parcialmente cravada em uma rocha.
Em seguida, observou uma sombra caminhar sobre uma fortaleza de muros vermelhos. A aparição derrubou uma mulher de uma escada, enquanto entre suas pernas escorria sangue que pingou pela escada abaixo.
Imediatamente, andava por uma trilha na mata enquanto procurava por alguém desesperadamente. Seus pés se embaraçavam nos galhos retorcidos, e seu vestido a todo momento lhe puxava para trás. De relance, percebeu o reflexo de pálidos olhos azuis lhe encararem na escuridão.
Ouviu um silvo agudo de um animal alado, e ela mesma pronunciou uma língua estranha.
Brotou do céus uma grande tempestade, e seus raios chocaram-se violentamente no solo, enquanto uma mulher trajada de vermelho a observava com seus olhos de onde brilhavam chamas ardentes.O fogo de seus olhos queimou sua pele, e junto com trovão violento, saiu de seu sonho profético, pulando da cama em confusão e susto.
— Elaene, você está bem? – perguntou Arthur, atordoado.
Elaene botou a mão na própria testa, tentando controlar os batimentos cardíacos.
— Sim, estou... o de sempre, você sabe. Pesadelos...
Arthur aproximou-se dela, lhe tocando o rosto para examiná-la.
— Devemos procurar Meistre Gerold amanhã. Talvez ele possa lhe dar algo para dormir.
Elaene tocou gentilmente a mão dele em seu rosto e a puxou para baixo.
— Não será necessário, Arthur. Estou acostumada com isso. Você irá se acostumar em breve também. – disse sorrindo enquanto empurrava as costas dele no colchão, forçando a se deitar – por enquanto, apenas teu peito e teu carinho em meu cabelo são suficientes para minha doce noite de sono.
Arthur a deixou deitar sobre seu peito e continuou o carinho em seus cabelos até que ela adormecesse, mas o seu próprio sono não veio. Pensava na marcha para Porto Real, e também no nortenho que sabia como lidar com os pesadelos de Elaene, desde crianças.
=^=
— E sobre Loras? Ainda está resistente? – perguntou Merlin, enquanto caminhavam pelo jardim de Camelot, observando a movimentação vindo dos acampamentos, agora, aliados.
— Sim. Arthur não toca muito no assunto, mas pelo que sei, ele ainda não aceitou bem a aliança feita. – respondeu Elaene, usando o lenço para secar o suor que escorria em sua fronte.
— Ele se sente fracassado e traído pela própria família, mas ele terá um papel importante a desempenhar na guerra, Elaene. A rosa terá seu papel nisso tudo.
— Merlin, eu não vejo como Loras possa ser nosso aliado. Sem chance, ele odeia Arthur. — disse balançando a cabeça, para enfatizar.
— Ele odeia Arthur, pois pensa que ele matou o seu amor. Só há alguém com o poder suficiente para lhe provar o contrário...
Elaene franziu a sobrancelha sem entender.
—Quem?
=^=
Elaene sabia que se Arthur soubesse sobre suas intenções, jamais permitiria ou entenderia a dimensão de seus poderes, então tratou despistá-lo aquela noite e pediu ajuda à Oberyn para sua execução, apesar do alerta de Arthur para manter-se longe do Dornês.
Armaram um encontro de Elaene na barraca de Loras, e quando o cavaleiro de Jardim de Cima surgiu, logo lhe lançou um olhar frio, porém, melancólico.
— A senhora é muito corajosa em entrar em minha tenda sozinha, Lady Pendragon – disse Loras com escárnio, enquanto servia vinho em sua taça.
— Coragem sempre foi uma qualidade evidente em mim, senhor... – disse com firmeza, enquanto Loras ainda permanecia de costas para ela.
— Eu sempre quis que Arthur pagasse seus pecados com a mesma moeda. Que soubesse que seu amor foi assassinado à sangue frio, há poucos passos dele, e se sentisse completamente impotente em relação à isso. – disse Loras enquanto virou e a encarou com um olhar gélido que a fez dar um passo para trás, por instinto.
Elaene sabia que deveria ser firme e se concentrar da forma que havia sido instruída pelo jovem mago. Ela era poderosa, teria de convencer a si mesma disso. Merlin acreditava nela, deveria haver uma razão. Nunca havia feito nada parecido, mas mesmo agora nervosa, sentia que aquilo era apenas uma parte de seus poderes, ainda despertados lentamemte.
— Loras, apesar do ódio que sentes, sei que és um bom homem, e não machucarias um inocente. Além disso, Arthur não foi o responsável pela morte de Renly.
O cavaleiro riu, após terminar seu longo gole de vinho
— É para isso que veio até aqui? Tentar me convencer dessa loucura que todos dizem sobre a sombra de Stannis?
— Não vim aqui para isso, vim para trazer uma mensagem. Na verdade, te mostrar o mensageiro. Uma mensagem para curar seu coração, e lhe libertar para que cumpras o teu destino.
Loras a encarava com um olhar confuso, estranhando a coragem da Lady ao seu aproximar tão repentinamente dele, e encostar a ponta do dedo médio e anelar em sua testa. O toque foi frio e lhe paralisou instantaneamente. Lembrou-se de ouvir o barulho da taça que estava em sua mão, caindo no chão. Ouviu Elaene sussurrar algo estranho, mas não conseguia decifrar o que era, pois imediatamente se viu diante de um portal.
O portal reluzia uma luz tão forte, que demorou a se acostumar com a claridade que brotava, e quanto o atravessou, viu a silhueta de um homem alto logo à frente, lhe esperando.
Quando ele se virou, estava tão bonito quanto lembrava. Sua pele estava mais reluzente, e de seus olhos brotavam uma serenidade que não possuía em vida. Avançou em sua direção e o tocou no rosto, sentindo o toque de sua pele na ponta dos dedos e não controlou a felicidade por vê-lo, mais uma única que vez que fosse.
Renly lhe deu um beijo suave nos lábios, e Loras sentiu as lágrimas caírem em sua face.
— Não temos muito tempo. Ela não conseguirá me segurar por aqui, meu cavaleiro...
— Porque não pode ficar aqui comigo? Preciso de você!
— Meu lugar não é aqui, e o seu ainda não é ao meu lado. Um dia será. Não hoje.
Loras colocou a mão em seu peito, tentando localizar um ferimento que ali não estava mais.
— O que fizeram com você aquele dia? Quem fez aquilo com você? Quem lhe arrancou de mim?
— Loras, meu amor. O que está feito, não pode ser desfeito...
— Quem fez aquilo com você? – disse Loras com a mandíbula travada em fúria. – Arthur? Brienne? Porque não me diz?
— Arthur me traindo? Brienne me ferindo? – Disse Renly rindo – Não. Você sabe a resposta...
Loras o abraçou quando sentiu que as sensações sob o seu toque começaram a ficar mais fracas, e temeu que o momento estivesse se perdendo para sempre.
— Porque nunca responde quando lhe chamo? Eu preciso de você... O que devo fazer?
— Eu lhe respondo sempre, você é que não está ouvindo. – disse Renly afastando para encontrar o seu olhar, e apontando para atrás de Loras, em direção onde estava Elaene. — Siga a rainha de gelo e fogo, proteja o herdeiro...
Loras sentiu o toque sumir em seu abraço, enquanto Renly lhe depositava um último beijo.
A luz se apagou e estava novamente com os olhos fechados. Quando os abriu, viu Elaene pálida e suada pelo esforço, apoiando com uma mão na mesa.
— Não! – gritou em desespero, apontando para o outro lado da tenda, onde imaginava estar Renly, — Traga-o de volta!
Elaene botou a mão na testa, sentindo o desconforto de uma magia tão poderosa, e balançou a cabeça melancolicamente.
— Sinto muito, Loras. Segurei o portal o tanto quanto pude. Ele se fechou para Renly, para sempre.
Loras ajoelhou-se aos pés de Elaene e se pôs aos prantos, enquanto a abraçava pelos joelhos. Elaene sentiu-se comovida pelo gesto de dor do cavaleiro, e botou a mão em seus cabelos cacheados, afagando-o como afagaria um filho, tentando lhe trazer algum conforto.
— Sinto muito... – disse baixo.
Depois de um longo instante em silêncio, a não ser pelo fungar do choro de Loras, o cavaleiro se pôs sobre um joelho e abaixou a cabeça, em sinal de reverência.
— Obrigado, Lady. Obrigado... O que você demanda em troca? – perguntou envergonhado, e ainda sem a encarar.
— Não exijo nada em troca. Eu não sei o motivo disso tudo, tanto quanto você. Apenas precisava fazer isso.
Loras lembrou-se das últimas palavras de Renly.
— Deixe-me segui-la, minha rainha!
Elaene riu assustada e se afastou um passo de Loras, levantando as mãos em incompreensão.
— Eu não sou nenhuma rainha, Sor. Loras.
— Se tu és a rainha para Renly, então és minha rainha. – disse pegando a adaga de sua cintura e colocando aos pés de Elaene, como um símbolo de um juramento real.
“Pobre Loras, a insanidade o domou...”
Pensou Elaene, nem imaginando que Loras estava sóbrio.
=^=
Andava lentamente pelo corredor, sentindo os efeitos da fadiga da magia, quando sentiu mãos delicadas lhe apoiarem os braços.
— Eleane, você está bem? — perguntou Gwen
— Sim... apenas um pouco fraca.
— Você deveria ficar de repouso, Elaene. O primeiro filho de uma mulher é sempre penoso. – Elaene não estava mais lhe ouvindo, pois viu Lancelot sair sorrateiramente do mesmo aposento em que a amiga estava, e soube que os dois estavam se encontrando novamente.
Elaene franziu a sobrancelha encarando a amiga, mas Gwen desviou o olhar para baixo.
— Como vocês estão? — disse acenando para a porta do aposento em que estavam.
A dornesa corou, mas respondeu à amiga.
— Estamos nos entendendo, Elê. Lancelot mudou.
Elaene suspirou, tentando escolher as palavras para não soar malvada com a amiga. Agora que Uther almejava alianças por casamentos para fortalecer a teia que sustentava o trono de ferro, Lancelot casar-se com uma plebleia, era impensável.
— Gwen, apenas tome cuidado para não se machucar novamente. Promete? – disse notando a amiga acenar em confirmação – Lancelot anda muito deprimido, e não quero que as coisas entre vocês mude quando ele se sentir melhor, e você se sinta rejeitada mais uma vez...
— Deixe Lancelot comigo, Elaene. – Gwen disse a interrompendo e tocando seu braço – Venha, irei lhe levar para a cama.
=^=
O dia do início da marcha ainda não havia surgido no horizonte. Todos se preparavam para a partida e Elaene podia ouvir de seu quarto, a movimentação no pátio.
Quando preguiçosamente abriu os olhos, viu Arthur já a postos e vestido, indo em sua direção para lhe cumprimentar com um ruidoso beijo nos lábios.
— Bom dia, doce esposa dorminhoca. Temos um longo caminho pela frente. – disse sorrindo – a não ser que, por um milagre dos Sete, eu consiga te convencer a ficar em Camelot.
— Você sabe que nem adianta perder seu tempo, não é? – respondeu com um beijo suave e se levantou, preparando-se para vestir, enquanto Arthur sentava na cama para anunciar.
— Acho que você deveria saber que Arya partirá hoje também, mas para os braços da mãe, em Correrio.
Elaene suspirou.
— Eu sabia que esse dia chegaria...
Arthur se levantou e a abraçou por trás, laçando-a pela cintura e depositando um beijo demorado em seu ombro.
— Fale com ela. Sei que ela lhe perdoou de coração, assim como Robb o fará. – disse sentindo-a tencionar em seus braços, quando ouviu o nome do nortenho. — Sei que ele é parte de sua vida, e não tenho o direito de arrancar isso de você. Vá falar com ele sobre tudo o que aconteceu. Ele merece ouvir isso de seus lábios, e não de uma carta. – terminou com uma voz falha, como se fosse um sacrifício para ele, dizer tudo aquilo.
Elaene puxou os braços de Arthur contra ela, apertando o abraço e sussurrando
— Eu te amo. Você confia em mim?
Arthur sorriu como resposta, e em seguida beijou sua testa.
— Confiaria minha própria vida. Mas de qualquer forma, tenho meu próprio espião para tomar conta de ti — disse acariciando o ventre dela.
Elaene pousou sua mão em cima da dele, em seu ventre, e sorriu de volta.
Quando seu olhar encontrou o horizonte pela janela do quarto, permitiu-se aproveitar os raros momentos de paz e tranquilidade que lhes restavam. A tempestade, novamente chegaria para todos.
=^=
Quando entrou em sua tenda, lembrou-se melancolicamente da última vez que se despediu de Arya, em Winterfell. A garota, agora mais crescida, possuía o rosto amadurecido e queimado pelo sol sulista, cabelos curtos e olhos sofridos.
— Soube que partirá para Correrio. Lady Catelyn ficará feliz em tê-la por perto. Nem consigo imaginar a ansiedade de sua mãe quando soube que estava viva...
— Sim. Não vejo minha família há muito tempo. Talvez seja hora de voltar para casa.
Elaene sorriu com a visível maturidade da garota.
— Também acredito que seja. – respirou fundo, tentando controlar as emoções – sinto sua falta. Sinto falta de Winterfell, de Bran, dos lobos e do frio.
— Eu sei. – disse Arya deixando escapar um dócil sorriso de lado. – também sinto sua falta, mas sei que teu lugar agora é aqui. Você tem sua própria família agora — suspirou triste.
Elaene avançou em sua direção e a abraçou, fazendo um suave carinho em suas costas.
— Eu te amo. Você é minha lobinha e sempre será minha família. Você sabe disso, não é?
— Te amo também, Lê. Apenas, cuide de si aqui ao sul, tudo bem? Não confio em ninguém por aqui.
Foram interrompidas pelo escudeiro de Arthur, que entrou pela tenda se anunciando rapidamente.
— Desculpe atrapalhar, Lady Pendragon. Mas Arthur pediu para te chamar. Uther está possesso e talvez você possa intervir por sua amiga.
— O quê? – perguntou Elaene separando o abraço de Arya, e arregalando os olhos. – mas o que diabos aconteceu?
— Lancelot e Guinevere se casaram essa madrugada...
=^=
Uther havia se trancado no salão com os filhos, e quando Elaene se aproximou, podia-se ouvir os berros do Pendragon do corredor.
Quando entrou no salão, Uther virou as costas furioso e caminhou para a janela, enquanto Lancelot a olhava orgulhoso de si mesmo.
— Uther, perdoe-me o atrevimento, mas estamos à beira de uma marcha. Vossos vassalos e aliados poderão ficar preocupados com essa.... desarmonia familiar – disse procurando tato com as palavras.
— Lancelot quer arruinar nossa família, é isso! Casar-se com a filha do intendente... em plena guerra! Você tem ideia de que uma aliança forte e duradoura poderia ter sido formada com teu casamento? Você agiu como um muleque inconsequente.
— Eu lhes disse que devemos ir atrás da Sacerdotisa Vermelha. Ela matou Gwaine. Pelos Sete! Gwaine!... Mas a única coisa que importa para você, meu pai, é minha pretensão!
Arthur ouvia tudo sentando à mesa, enquanto girava uma adaga entre os dedos.
— Além disso, segui o exemplo de meu irmão. Casei-me por amor. Eu amo Guinevere, e está feito. Só a morte pode nos separar agora.
Arthur desviou o olhar e parou a adaga enquanto Uther o fuzilava com o olhar.
— Não... Se você quer que eu me desculpe, ou diga estar arrependido, isso não vai acontecer.
Elaene sentiu-se incomodada e passou a mão pelos cabelos.
— Claro que não, jamais pediria isso à você. Eu amo Elaene como uma filha, melhor nora não desejaria para você...
“e nem melhor pretensão ao trono” — Pensou maldosamente, Arthur.
— Mas vocês todos resolveram me desafiar e tentar me enlouquecer. Vocês tem ideia do quanto me sacrifico por Camelot e pelo reino? Acham que não fiquei destruído ao ver meu filho voltar para casa em forma de ossos? – disse sentando-se na cadeira, e esfregando a mão no rosto em sinal de cansaço. – saiam daqui, todos vocês. Principalmente você, Lancelot. Saia antes que eu perca outro filho!
=^=
— Como você pôde esconder isso de mim, Gwen? — perguntou Elaene ainda chocada com a notícia
— Desculpe, Elê. Eu não podia dizer nada, pois correríamos o risco de Uther nos impedir.
— Como vocês chegaram a isso? – perguntou curiosa.
— Lancelot tem um irracional medo de me perder, e não quis me deixar só, em Camelot, enquanto marchasse para Porto Real. Ele se sente solitário desde que Gwaine morreu. Nem Uther e nem Arthur lhe deram muita atenção.
Elaene suspirou
— Há bastante caos rolando por aqui, ele não pode culpá-los.
— Eu sei. Mas eu estava lá para ele, entende? – disse Gwen um pouco melancólica – eu pensei que você ficaria feliz por mim...
Elaene avançou para a amiga, e a segurou pelos ombros.
— Gwen, pare com isso. Eu fico feliz com o que te faz feliz! Desculpe por reagir dessa forma, mas... temos muito com o que nos preocupar agora. Não tenho sido a boa amiga que você merece...
— Vamos esquecer isso! Agora somos ambas Ladys Pendragon a caminho de Porto Real. – disse sorrindo e Elaene lhe abraçou pelos ombros e respondeu.
— Venha, há algumas coisas que você precisa saber sobre ser uma Pendragon... – disse brincando com a forma com que a amiga, várias vezes a instruiu. – Antes, me digas como conseguiram convencer o Septão!
=^=
— Tem certeza de que não desejas uma liteira mais confortável para a viagem?
Elaene sorriu de lado para a falsa ingenuidade de Arthur.
— Para atrasá-los ou ficar para trás com um bando de seus homens? Não! — puxou Arthur para um beijo e não viu Loras se aproximando — Sou acostumada à viagens duras, além disso, estou grávida e não aleijada...
— Lady Pendragon, gostaria de integrar sua guarda pessoal — disse Loras, calmo e sereno, ignorando Arthur.
— O quê? — disse Arthur assustado — posicionando em frente á Elaene, em um instinto de proteção. — Nem pense nisso, Loras!
— Está tudo bem, Arthur. — Disse Elaene puxando seu braço, e tomando à frente para responder Loras. — Será minha honra, Sor Loras.
Loras continuou a ignorar Arthur, não se sentindo ofendido pela desconfiança, e seguindo a dar ordens para os cavaleiros componentes da guarda pessoal.
— Mas que loucura é essa, Elaene? — perguntou Arthur atordoado em ter Loras tão perto dela.
— Você disse que confia em mim, não é? Então, confie! — disse se afastando, tocando seu rosto com delicadeza.
Fale com o autor