Notas iniciais
Amores, minha vida estava o caos. Realmente sem tempo para escrever. Espero que gostem, pois tive que escrever o capítulo de madrugada hahaha Boa leitura!

Diferente da noite de reconciliação, em que se amaram de forma desesperada e agressiva, dessa vez tudo foi calmo, porém, não menos intenso. Uniram-se ali mesmo, no tapete do quarto, sob os brasões das casas de suas famílias, feitos pelas luzes das velas.

Estavam deitados de lado, encarando um ao outro, enquanto Arthur segurava firme a coxa de Elaene, que repousava em cima de seu quadril, dando-lhe permissão para preenchê-la, e ele notava a conhecida franzida de testa dela.

Quando ela cravou as unhas com força em suas costas, e gemeu seu nome com agonia, soube que ela estava perto demais. Arthur podia sentir ela o apertando e os próprios músculos de seu baixo ventre se contraíram quando suspirou, suplicando para que ele a acompanhasse no clímax. Quando sentiu as contrações dela, obedeceu, sentindo o próprio corpo flutuar pelo quarto, tão leve quanto uma pluma.

Enquanto retomavam a consciência, ele a sentiu beijar-lhe a testa, e ambos dividiram um sorriso frouxo.

— É tão bom quando chegamos juntos... – disse Elaene, suspirando, ainda com os olhos fechados.

— Não é como se eu tivesse alguma chance de resistir quando você faz isso!

— Isso o quê? – perguntou, não escondendo o sorriso satisfeito.

— Instantes antes de você alcançar, você franze a testa, como se estivesse diante de um enigma invencível. – disse Arthur tocando a testa dela com a ponta do dedo— E então, a mais bela melodia sai de sua boca: meu nome em forma de uma súplica... – deslizou o dedo até a boca dela, admirando a textura macia que ela possuía— Não há nada melhor no mundo do que observar você perder os sentidos, enquanto sobrevoa algum lugar desconhecido.

Elaene sorriu tímida enquanto ele a encarava, e um inevitável rubor sumiu à face dela.

— Como eu senti falta de te ver corar assim... – Arthur disse sorrindo ainda mais, usando a ponta dos dedos, agora para acariciar suas bochechas coradas.

— Pare com isso, Arthur – disse pegando sua mão dele e a segurando – eu detesto quando fico corada... Não consigo evitar...

— Você é uma bruxa poderosa, por que não usa seus poderes para evitar isso? – perguntou descontraído.

— Não é assim que funciona! – disse sorrindo e virando os olhos.

— Perdoe minha ignorância, mas não sei como é ser mágico super poderoso! – disse levantando o dorso para se sentar, enquanto não segurava o riso. – Você faz algo mais além de lutar contra as forças das trevas, e desenhar brasões com luzes de velas? Você pode voar?

Elaene gargalhou enquanto se sentava de frente a ele.

— Não seja absurdo. Minha magia é poderosa, mas não há truques desnecessários.

— Sua magia é entediante...

— Magia é algo natural! Até mesmo você possui magia, Arthur... Ah sim, você possui... – disse inclinando o tronco na direção dele, observando-o franzir a testa em desconfiança— quando você me beija lá embaixo, e me suga cada gota... – sussurrou contra a boca dele, roçando a língua em seu lábio inferior, simulando o movimento que ele havia feito nela mesma, para em seguida puxar a mão dele para sua boca — e me invade usando esse dedo — disse enquanto levava o dedo médio dele à boca, chupando lentamente, o encarando— eu realmente não posso controlar os sons que você me arranca sem permissão.

Arthur respondeu quase como se estivesse praguejando.

— Sete infernos! Venha aqui... — disse segurando a nuca dela, e a trazendo para mais perto, a deitando em seu colo enquanto tomava sua boca com sede, porém, ela interrompeu o beijo afoito dele, empurrando seu ombro para trás.

— Prometo que vamos recuperar todo o tempo perdido, porém, precisamos conversar... – disse segurando o rosto dele e o encarando com mais seriedade, enquanto ele bufava frustrado – Ficarmos o dia todo trancados nesse quarto, arrancando gemidos um do outro, apesar de tentador, não fará nossos problemas desaparecerem. O que faremos agora? Devemos alertar Robb? Desmascarar quem quer que esteja se passando por Melisandre? Avisar Uther?

Arthur fechou o semblante, se convencendo de que ela estava certa, enquanto a via enrolar uma mecha de cabelo dele entre os dedos, pensativa.

— Eu não sei. Nenhuma dessas possibilidades me parece uma boa estratégia. Além disso, é bem provável que meu pai já desconfie de nosso espião, e esteja brincando conosco. E o que Melisandre poderia fazer contra um exército? – respirou fundo para acalmar o ânimo em que ela o havia deixado, e clarear as ideias. – Talvez seja melhor voltarmos para Camelot...

— Eu não quero ir embora e abandonar nosso povo, Arthur. Eles confiam em nós! Sinto que finalmente tenho um propósito aqui. Fugir para longe e deixar sofrerem nas mãos de uma fanática religiosa e um rei louco? – respondeu Elaene, notando tarde demais que chamou Uther de louco na frente dele, mas Arthur parecia fingir não ter ouvido a insinuação de Elaene sobre o pai.

— Você consegue identificar quando alguém está enfeitiçado ou algo assim? – Perguntou Arthur com o semblante sério.

— Você quer saber se Nimueh usou magia contra seu pai...

— Sim. Até que ponto termina Uther e começa a magia daquela mulher?

— Eu não sei nem a extensão de meus poderes, que dirá os dela. Mas já indaguei Merlin sobre isso...

— Merlin Reed? – disse franzindo a sobrancelha

— Há muito mais por detrás daquele garoto que você possa imaginar. Ele me disse que Uther está sob a influência de Nimueh, mas ela jamais o dominaria dessa forma, se ele não estivesse disposto a se submeter à qualquer coisa, em troca do que quer.

— Poder... – respondeu Arthur. — Você poderia curá-lo?

— Não tenho certeza... – respondeu com cautela.

— Não posso desistir dele, Elaene!

Elaene respirou fundo enquanto escolhia as palavras e segurava a mão dele na sua.

— Se há salvação para Uther, nós encontraremos.

=^=

— Arthur! – reconheceu a voz do pai no pátio, e virou-se desconfortável para ouvi-lo. – Tens me evitado pela Fortaleza. Aconteceu algo? – perguntou Uther o tocando pelo ombro.

— Não, pai. Apenas ocupado demais.

— Soube que Elaene foi atacada. É verdade? – Arthur podia ver a isca ser lançada em sua direção.

— Não foi nada demais. Apenas um mal entendido. Não que ela me conte muitas coisas, agora que não confia mais em mim. – Mentiu.

— Pensei que tivessem reatado... A “dança dos dragões” no Festim, foi bem convincente...

— Apenas damos o que os nobres querem: Um príncipe e uma princesa apaixonados. – mentiu mais uma vez, mas sabia que o pai não acreditou.

— Sagaz! Bem, queria apenas anunciar à você, antes de qualquer outra pessoa, como príncipe e como meu primogênito, que em breve me casarei novamente!

— O quê? – Arthur perguntou alto, acreditando ter ouvido errado.

— Ainda sou jovem e tenho energia. Um rei precisa de uma rainha... Mais de uma década de luto por sua mãe, já foi o suficiente.

— Quem seria a nova rainha? Quem será a honrada mulher que ocupará o lugar de minha falecida mãe? – perguntou com ressentimento.

— Alanna Hightower. É uma moça de família nobre, jovem e saudável. Será uma boa rainha.

Arthur sentiu vontade de ofender o pai. A verdadeira rainha não era Alanna Hightower, a irmã daquele arrogante cavaleiro Humfrey Hightower! A Rainha era de gelo e fogo: Elaene.

Mas, relutante, devolveu o sorriso cínico e acenou com a cabeça

— Parabéns! Vida longa à Rainha!

=^=

Enquanto levavam oferendas para a Mãe no Septo, para que protegesse seu filho, após uma longa caminhada pela cidade, Arthur revelou à Elaene a conversa que teve logo cedo com seu pai.

— Ele irá nos atacar, Arthur! Assim que ele tiver seu novo herdeiro no ventre de Alanna. Estamos em desvantagem. Precisamos fazer algo além de festas para a nobreza, e caridade para os pobres!

— Talvez estejamos exagerando, não é tão absurdo um rei viúvo procurar uma nova consorte!

— Não nessas circunstâncias. – disse Elaene o segurando pelo braço. – Arthur, ele está procurando outros herdeiros. Não vê? Lancelot está instável desde quando perdemos Gwaine, e nós dois somos perigosos para ele!

— O que está dizendo? Temo por você, mas meu pai jamais me faria mal algum.

Elaene olhou para baixo e não resistiu ao instinto de alisar o ventre inchado, em sinal de proteção. Afinal, entendia agora que realmente precisavam da proteção da Mãe. Como protegeria seu povo, se ela mesma precisava de proteção? Sentia-se vulnerável, mesmo sendo tão forte.

— Acho que aquela ideia de irmos para Camelot, não é de toda ruim.

Arthur matou a vontade que sentia há dias, e pousou a mão em cima do ventre inchado dela, e ela segurou de volta, em incentivo.

— Se você quiser que ele nasça longe daqui, iremos para onde você apontar! Basta dizer...

— Não sei... Preciso pensar melhor, Arthur... – disse antes de depositar um beijo no rosto dele.

=^=

Arthur treinava no pátio de treinos da fortaleza quando Humfrey se aproximou.

— Isso faz de nós, parentes?

— Perdão? – perguntou Arthur sem entender.

— Minha irmã se casará com o Rei, seu pai. Isso faz de nós dois, parentes? – perguntou mais uma vez Humfrey, com seu charme e cinismo habitual.

Arthur virou os olhos, ainda de costas ao cavaleiro.

— Creio que não, Sor.

— É uma pena. Eu gosto de você, Arthur. Quer dizer... Você é um dos homens mais invejados de Westeros, não é?

Arthur olhou para frente e viu Elaene caminhando ao lado de Loras, e sabia que Humfrey se referia à ela. Virou-se de frente ao cavaleiro, e notou que ele também vestia o traje de treino.

— Em que posso ajudá-lo, Sor. Humfrey?

— Só vim saber se precisava de uma ajuda no treino...

Arthur sorriu cinicamente com a prepotência do homem à sua frente, e pensou que seria bom lhe dar uma lição de humildade.

— Claro. Por que não?

Quando se posicionaram no centro do pátio, os olhares curiosos já se concentravam nos dois e não demorou muito para que Loras percebesse e apontasse para Elaene.

— Que tal deixarmos mais excitante? Uma aposta, talvez? — sugeriu Humfrey

— O que você sugere? – perguntou Arthur, imaginando se ele dava tão pouco valor à vida, ao insinuar qualquer aposta que envolvesse Elaene.

— Quem encostar a ponta da espada na armadura, vence. Sugiro 10 dragões de ouro.

— Que tal, 100 dragões de ouro?

Arthur podia ouvir o suspiro de surpresa e excitação dos soldados em volta deles enquanto se posicionavam para iniciar o duelo.

Elaene viu o que acontecia e bufou de raiva com a cena que julgou ser fruto do orgulho dos dois, mas não teve tempo nem ao menos de se aproximar. O que se seguiu foi uma completa humilhação para o cavaleiro Hightower.

Enquanto deu o primeiro passo em direção à Arthur, e sentiu que o Pendragon apenas esquivou com o corpo, se sentiu muito confiante e continuou a atacar, mesmo quando seus golpes eram facilmente defendidos por Arthur.

Em um último golpe, impulsionou a espada para frente, em direção à Arthur, que apenas empurrou o braço do cavaleiro para o lado, encaixando o braço pelo ombro do adversário, imobilizando Humfrey, e o puxando em sua direção, a tempo de dar dois toques cínicos na armadura dele, com a ponta de sua espada, de maneira risivelmente fácil.

— Ah... qual é?... – disse Humfrey mantendo o bom humor e rindo, mesmo diante da humilhação sofrida.

— Eu não quero seu dinheiro, Sor. Porém, a Princesa é madrinha do orfanato de Porto Real, e você doará os 100 dragões de ouro à ela...

Arthur soltou o aperto que segurava o ombro de Humfrey, enquanto ouvia os tímidos aplausos dos homens à sua volta. Viu Elaene caminhar em sua direção, com o semblante de raiva e sabia que ela não havia gostado.

Tocou no braço dele e o puxou para cochichar enquanto caminhavam.

— Francamente, Arthur! O que deu em você? Ele em breve será cunhado de Uther.– bufou com raiva e suspirou baixo, fazendo Arthur rir — Homens...

— Não fique brava, eu poderia ter quebrado o braço dele, mas não o fiz.

Elaene esqueceu a irritação quando ele parou no corredor para encará-la de frente, sorrindo-lhe sedutoramente, e devolveu o sorriso.

— Você adoraria fazer isso, não é?

Arthur gargalhou enquanto segurava o rosto dela e se aproximava de sua boca.

— A Casa da Mãe misericordiosa acaba de ganhar 100 dragões de ouro. Talvez os 100 dragões de ouro mais fáceis que possa existir...

Elaene deu um leve tapa no ombro dele, enquanto sorria feliz.

— Você é um arrogante, Pendragon. – o provocou com um fio de voz, enquanto ele roçava seu lábio no dela.

— Arthur!!! – ouviram o grito desesperado de Gwen pelo corredor

Elaene notou que estava com o rosto inchado e vermelho. Havia chorado muito.

— Gwen? O que aconteceu? – perguntou Arthur assustado, amparando a dornesa nos braços, enquanto Elaene observava a amiga, assustada.

— Lancelot desapareceu! Deuses, tragam ele de volta!!! – clamou alto, com seu forte sotaque dornês, enquanto Elaene encarava Arthur, lembrando-se da recente conversa que tiveram no Septo de Baelor.

=^=

Merlin havia preparado uma poção com ervas calmantes para fazer a dornesa descansar. Agora Gwen dormia calmamente enquanto Elaene a observava, pensativa.

Lancelot havia desaparecido inexplicavelmente. Arthur liderava grupos de buscas pela cidade e seus arredores, mas nada encontravam. Havia enviado corvos para os castelos próximos, e pedia ajuda para localizar o irmão.

Estranhamente Uther estava calmo, o que fazia Elaene crescer ainda mais suas suspeitas sobre ele e suas intenções. Havia dado esperança à Arthur quando disse que talvez houvesse salvação para ele, mas no fundo sabia que era impossível.

Arthur sempre se esforçava para enxergar o melhor nas pessoas. Ele era um homem bom, e o amava por isso. Mas arrepiou-se ao pensar que isso um dia poderia acabar o matando.

Suspirou aliviada quando viu pela janela do quarto, Arthur caminhar de volta para a fortaleza de Maegor. Mas apenas Oberyn o acompanhava. Nenhum sinal de Lancelot.

Elaene encontrou com ele no corredor, para não perturbarem o descanso de Gwen. Arthur estava tenso e visivelmente exausto.

— Alguma notícia?

— Não... Lancelot desapareceu. Mas continuaremos amanhã. Enviarei mais corvos para os aliados mais próximos para que ajudem nas buscas.

— Como isso foi acontecer?

— Quer saber o mais estranho? Nimueh não está na cidade.

— O quê?

— Fui informado de que tinha assuntos “urgentes” para tratar, e partiu...

— Por que ela sequestraria Lancelot?

— Não sei, mas creio que seja pelo mesmo motivo pelo qual tentou me seduzir. Seja o que tenha feito à ele, planejava o mesmo para mim.

— Não há como sabermos, Arthur...

— Eu sei que sim, Elaene. Simplesmente sei! Eu não posso ser o culpado pela morte de outro irmão. – disse com raiva, enquanto passava a mão pelo cabelo.

— Não diga isso, encontraremos Lancelot.

=^=

Duas semanas haviam se passado, e nenhuma notícia sobre Lancelot havia chegado. Nimueh também ainda não havia voltado para Porto Real. Elaene havia decidido que não voltariam para Camelot, e encontrariam ali mesmo, uma forma de se livrarem daquela maldita mulher, nem que para isso tivesse que matá-la.

Arthur continuava em sua busca extenuante atrás de notícias pelos arredores da cidade, mas era em vão. O irmão havia desaparecido. Enquanto isso, Elaene sentia-se dividida entre cuidar de Gwen e Arthur, ambos muito abalados com o sumiço de Lancelot.

Naquela noite, havia dado outro chá com ervas calmantes para que Arthur, enfim, descansasse. Ele tomou após muita insistência dela, e adormecia calmo ao seu lado, quando também não mais resistiu ao abismo dos sonhos, e o acompanhou.

Mesmo ainda muito zonzo, Arthur acordou com os gritos e o choro dela ao seu lado. Puxou-a em direção ao próprio peito, e acariciou suas costas e cabelo, chiando para que ela acalmasse.

— Está tudo bem, estou aqui... está tudo bem... é apenas um sonho ruim... – disse depositando um beijo no topo da cabeça dela, que o abraçava com força e chorava sobre teu peito.

— Não foi um sonho... – suspirou Elaene, enquanto não conseguia controlar o choro pelo que viu. O peito parecia que iria esmagá-la com o próprio peso, e podia sentir uma escuridão avançando e os cercando. – Dói, Arthur... faça parar!

— Olhe pra mim, Elaene – sussurrou Arthur, levantando o queixo dela para cima, para encarar os tristes e assustados olhos verdes dela – estou aqui com você. Sente? – puxou a mão dela para cima, para que tocasse o rosto dele. – Foi apenas um sonho...

— Você não entende... Não foi um sonho! – disse alterada.

— O que aconteceu, Elaene? Fale comigo! – perguntou preocupado com as reações dela.

Elaene respirou fundo e fechou os olhos com força, para tomar coragem de dizer o que viu em voz alta

— Robb está morto...

Notas finais
* autora se desviando das pedras e adagas lançadas pelas leitoras...*