Queen of ice and fire
58 Fogo e sangue
Notas iniciais

O exército nortenho estava alojado nas Gêmeas e se preparavam para o banquete com os Freys e aliados, em seu retorno para o Norte.
Robb estava em sua tenda quando o escudeiro veio lhe procurar, assustado e cansado, avisando que Vento Cinzento estava agressivo e ameaçava atacar quem lhe forçasse a atravessar a ponte para os campos no entorno do castelo, onde estavam acampados.
O rei nortenho tentou “conversar” com seu lobo para acalmá-lo e acariciou-lhe os pelos, mas nada era capaz de fazer o animal entrar no território de Walder Frey. Após perder a paciência com o animal, Robb ordenou para que erguessem e improvisassem uma jaula de madeira para que o animal se acalmasse longe do tumulto do exército, até que encontrassem um meio de arrastá-lo no dia seguinte.
Stark pensou que uma porção de ervas calmantes seria suficiente para acalmá-lo. Imediatamente, pensou em pedir a porção para Jeyne, e como em um passe de mágica, a garota havia se aproximado de Robb pelas costas e o surpreendeu enquanto ele olhava frustrado para o lobo assustado e agitado em sua frente, que não permitia nem mesmo que ele se aproximasse.
— O que há de errado com ele, Vossa Graça? — perguntou a camponesa.
— Ele está teimoso como uma rocha, eu não sei o que há com ele. Nunca o vi agir assim. Talvez o calor do Sul tenha feito mal à ele, e esteja doente... Ou talvez esteja com medo da água. — disse sem encará-la.
Robb observou com olhos arregalados quando Jeyne tentou se aproximar da jaula. Avançou em direção à ela, e a puxou pelo braço fazendo que se chocasse contra seu peito.
— Você está maluca? Quer perder o braço? Vento Cinzento está descontrolado agora!
Jeyne sentiu o coração acelerar, mas não era por medo do lobo, e sim pela aproximação do Rei do Norte. O olhar azul e gélido dele cravou nela, e então delicadamente puxou o braço para longe do aperto dele. Voltou a caminhar em direção ao lobo, que após dar uma bufada de ar irritado, deixou com que ela acariciasse seus pelos atrás da orelha, pela grade da jaula, enquanto Robb os fitava, atônito.
— Passei muito tempo com Vento Cinzento em nossa estadia no Sul, ambos estávamos solitários lá. Ele não está agindo por teimosia, Vossa Graça. Seu lobo está assustado como os Sete infernos. O que houve?
— Eu não sei...
Jeyne arrepiou-se ao olhar para trás e ver as Gêmeas imponentes no horizonte próximo, e em tudo o que aquilo implicava: a traição de Robb, o casamento com Margaery e o perdão ressentido de Walder Frey. Assim como o lobo, ela pressentia algo muito ruim ali.
— Ele pressente traição, Vossa Graça.
Robb tomou a insinuação de forma errada. Pensava que Jeyne, ressentida com o noivado dele com Margaery, estava o provocando ao lembrar das várias traições dele: contra Elaene, Frey, Margaery, ela mesma...
— O que você faz aqui, garota? – a chamou pelo apelido que usava quando tentava tratá-la de maneira distante – A guerra acabou e eu lhe livrei de seu julgamento. Sua casa é no Oeste, e teu rei agora é Uther! O que pensa que encontrará no Norte? Eu não sou um adúltero!
Ouviu Vento Cinzento ficar agitado novamente e andar em voltas pela jaula em que estava, tentando encontrar a saída, enquanto Jeyne se afastava dos dois.
— Desculpe-me, Vossa Graça. Não quis ofendê-lo. – disse e se pôs de joelhos – Apenas estou preocupada com o perdão concedido por aquele senhor das Gêmeas, que cresci sabendo que era mesquinho.
— Pelos deuses, levante-se, Jeyne. Por favor... – disse fazendo questão de chamá-la pelo nome dessa vez – você não é apenas uma serva pra se ajoelhar na lama desse jeito.
— Sim, eu sou, Vossa Graça. Eu sou apenas uma serva!
Robb irritou-se com os sentimentos que afloraram ao pensar na humilhação que havia imposto à ela e à Margaery. Mais uma vez, feria à quem amava, assim como um dia feriu Elaene, e a perdeu para sempre.
— Você não é apenas uma serva para mim! – disse puxando Jeyne para cima, agarrando seus braços e levando em direção ao peito dele – você não só preencheu a minha cama, como imagina que penso, mas o meu vazio também. Mas agora, a única coisa que posso lhe oferecer, é uma boa posição como serva de minha senhora. E isso, não é justo com nenhum de nós! – disse Robb com os olhos marejados.
— Não me importo, Robb. Minhas mãos já estão calejadas, e meus braços são fortes. Desde que eu possa estar perto de você, já é mais vida do que jamais tive.
— Você percebe o que faz comigo? Não importa se sou Rei do Norte e se tu és uma serva, ainda assim, não te mereço. O que fiz para ter tamanha devoção?
Jeyne tocou o rosto dele com a ponta dos dedos, traçando as precoces rugas de preocupação que ele tinha adquirido entorno dos olhos.
— Eu o amo. Pedi aos seus Deuses que me permitissem morrer junto de ti. Não me negue isso!
Robb tirou a mão dela de seu rosto, e depositou um beijo nos nós dos dedos dela, com saudades.
— Eu também... – disse largando a mão dela e virando as costas, não ousando dizer que sentia o mesmo por ela.
— ...Obrigada por tudo que fizeste por mim, garota, mas quero que parta ao amanhecer. Qualquer coisa que precisar em sua vila ocidental, não hesite em me contatar, e falarei imediatamente com Arthur.
— Não! Por favor, não me obrigue ficar onde não posso segui-lo! – disse Jeyne implorando para ficar, tentando tocá-lo no braço, mas Robb havia colocado sua máscara do Rei do Norte. Não havia volta.
— É uma ordem.
=^=
Quando acordou, sentiu como se cada músculo de seu corpo doesse. Tentou se mexer, mas seus braços estavam fortemente atados. Aos poucos, algumas poucas lembranças dos últimos dias começaram a surgir em pequenos clarões.
Havia sido atacado em um pequeno corredor do Castelo de Maegor, e lembrou-se de ver estranhos olhos azuis lhe congelarem cada pedaço da alma. Não soube dizer quantos dias foi carregado no lombo de um cavalo, mas sabia que haviam passados vários desde então, ou o suficiente para estarem longe de Porto Real. Lembrou-se também de sentir o cheiro da proximidade com o mar, e ouvir ondas revoltas quebrarem nas pedras. Estava tudo tão confuso e desconexo, que até pensou ter visto a figura de um homem que lhe lembrou Stannis Baratheon.
O jovem cavaleiro balançou a cabeça e tentou chamar por Gwen mais uma vez, mas sua fala saiu mole e sem sentido. Olhou ao redor e notou que estava deitado em uma espécie de altar, e viu uma mulher pálida e ruiva se aproximar com os mesmos estranhos olhos azuis que lhe aprisionaram em Porto real.
Sem dizer nada, a mulher desatou um de seus braços, mas mesmo que pudesse se mexer, Lancelot não tinha forças para atacá-la. A ruiva segurou seu pulso acima de uma taça e usou uma pequena adaga para cortá-lo, lançando o líquido vital no recipiente, enquanto entoava estranhas palavras e ele gemia aterrorizado.
Quando a taça se encheu, deixando Lancelot ainda mais fraco, a mulher proferiu uma praga que fez o Pendragon se arrepiar. A entonação ficou cada vez mais furiosa, e por fim ela lançou o conteúdo da taça no fogo, que dançou furiosamente em direção ao teto daquele lugar que parecia ser o antigo salão de um castelo.
Um grande estrondo surgiu, e Lancelot sentiu a terra tremer com tanta força, que pensou que estaria na própria Valíria, onde o chão se partiu e o fogo foi lançado aos céus, no evento que chamaram de “Perdição”.
Respirou fundo e reuniu forças para perguntar.
— O que você fez?
A mulher encarou-lhe agora, e seus olhos pareciam puro fogo enquanto se aproximava dele. Ela enrolou uma faixa de pano em seu punho, estancando o sangramento.
— Você tem sorte por ser útil ao Senhor da luz, Sor Lancelot, apesar de teu sangue não ser tão poderoso quanto o do teu irmão Dragão. Você estava melancólico e doente, mas agora tem um propósito. – disse com uma voz fria e calma – Não que eu seja rancorosa, mas de qualquer forma, não gosto quando sou ameaçada, e mal posso esperar a hora de lhe entregar às chamas por ter ameaçado quebrar o meu pescoço daquela forma.
Encarou de volta, tentando reconhecê-la, mas foi em vão.
— Eu nem ao menos lhe conheço, o que está falando...
Então Lancelot lembrou-se da discussão que teve com seu pai na Távola Redonda, e de quem ameaçou a vida, a partir daquele dia, se colocasse os pés em Porto Real.
Enquanto se dava conta de quem era, a mulher se aproximou das chamas e pareceu se deleitar com o que via ali.
— Melissandre... – suspirou Lancelot, derrotado.
— Anime-se, Pendragon. Os dragões estão de volta! Graças à você.
=^=
Arthur não soube mais o que fazer enquanto Elaene mergulhava em um choro sem fim. Ela deitou-se de lado, de costas para ele, e não mais disse uma palavra, ainda que ele tentasse entender o que ela havia visto. Ele a embalou em um abraço pelas costas, e cantou baixo em seu ouvido para ela acalmar, enquanto acariciava seus cabelos, ombro e braço, sentindo que ela havia diminuído a histeria, aos poucos.
— Por favor, fale comigo... – pediu após depositar um suave beijo no rosto dela, sentindo o gosto salgado de suas lágrimas, e acariciar o seu ventre inchado.
— Eu avisei a ela para ter cuidado com o que pedia aos deuses... pobre garota!
— O que você viu, Elaene?
Elaene virou as costas no colchão para encará-lo de frente.
— Eu preferia estar louca, Arthur. Queria que os deuses jogassem a moeda para cima, e eu tivesse a loucura de meu sangue Targaryen, para que aquilo que vi, não fosse real! Mas é...
Arthur acariciou o rosto dela, confuso.
— Irei investigar amanhã, mandarei meu melhor e mais furtivo mensageiro ao encontro do exército nortenho. Pode ser apenas um sonho...
— Eu ainda sinto o cheiro da carne queimada em meu nariz... – disse se tornando agitada mais uma vez — Eu vi traição, fogo e morte!
— Onde?
— Nas Gêmeas...
—O que poderia ter acontecido? Não entendo... Incendiaram o acampamento dos nortenhos?
— Não, Arthur. Não foram homens que os incendiaram. O fogo veio do céu...
O olhar que ele lançou à ela, a magoou um pouco. Pela primeira vez, estaria questionando a sanidade dela?
=^=
Assim que o sol apontou sobre os muros da fortaleza, Elaene procurou Merlin em seus aposentos. Alguns dias e algumas noites passaram-se sem notícias sobre Robb ou Lancelot, e então resolveu indagar o amigo cranogmano, quando notou que ele estava a evitando.
O garoto estava, assim como nos últimos dias, melancólico, e a olheira embaixo de seus olhos denunciava a falta de um sono compensador.
— Preciso de sua ajuda! – suplicou Elaene, ainda não arrancando emoção alguma no rosto dele, que apenas assentiu e abriu espaço para que entrasse. _ Você já sabe porque venho, não é?
—Sim. Você viu.
— Aquilo foi real?
— Você sabe a resposta. – respondeu sem ânimo. — Tinha que acontecer, Elaene. Sinto muito.
Elaene andou de um lado para o outro, enquanto tentava organizar as ideias.
— Como aquilo foi possível? De onde ele veio?
— Magia negra. Creio que já vens sonhado com isso, há algum tempo.
— O Dragão de pedra? Mas isso é apenas uma lenda...
—É?
— Quem fez isso?
— Quer saber quem usou a magia, ou quem ordenou? Um das respostas não será agradável de ouvir.
Elaene ficou com medo de saber quem teria ordenado aquele massacre. Encontrava-se em uma armadilha, e temeu que teria que matar Uther e então ganhar a mágoa de Arthur para sempre.
Olhou para Merlin, e sua vista estava embaçada com as lágrimas que já lubrificavam os olhos, mas pôde notar que o garoto estava realmente muito abatido.
— É por isso que anda tão triste, Merlin? Você sabia o que iria acontecer?
— Não, Elaene, eu não sabia realmente. Não sou um vidente tão poderoso quanto você, e vi apenas alguns vislumbres. Mas de qualquer forma, estou apenas assustado com o destino que se aproxima de mim. Às vezes, a coragem fraqueja mesmo dentro dos mais convictos... – disse sentando na beirada da cama e suspirando – Conte-me o que viu, Elaene...
— Eu vi tudo...
Gêmeas
Após sair do Salão do castelo rumo à sua tenda, o eco da música do salão ainda zunia em seu ouvido, enquanto os homens ainda se empanturravam de bebidas pelo jardim fora dos muros do castelo.
Refletia que naquela noite, Walder Frey pareceu-lhe otimista, traindo as baixas expectativas de Robb perante o perdão pelo rompimento do acordo traçado.
Também pensou em como Margaery estava linda no banquete, sorridente e esplêndida, e não pôde deixar de notar que era um homem de muita sorte. Era uma jovem bonita, nobre e sagaz. Digna de uma Rainha do Norte.
Porém, ao lembrar-se da camponesa do Oeste, não conseguia parar de se culpar pelo destino que traçou. Pensou em procurá-la e pedir que ignorasse o que disse mais cedo, e o seguisse rumo ao norte com ele, mas sabia que não poderia ser egoísta. Assim como abriu mão de Elaene, deveria abrir mão de Jeyne, em nome do dever.
Ao deitar-se em sua tenda, lembrou-se de quando, ali mesmo, próximo às nas Gêmeas, partiu o coração de Elaene ao aceitar o maldito acordo com os Freys, e adormeceu pensando nos erros que também cometeu com Jeyne.
No meio do sono acordou pensando ter ouvido Elaene chamar-lhe assustada, e pedir-lhe para correr. O coração estava disparado pelo susto, então vestiu seu gibão, disposto a caminhar pelas tendas e espairecer seus agitados pensamentos.
Após uma pequena caminhada, ouviu o uivo triste de Vento Cinzento ao longe, e se sentiu mal por ignorá-lo daquela forma. O lobo sofria e ele estranhamente podia sentir também, como se fosse uma extensão de si mesmo. Enquanto caminhava em direção à ponte para atravessá-la e vê-lo, notou o portão trancado e fortemente reforçado.
Ouviu um silvo agudo de longe, e olhou para os céus com os pêlos arrepiados em mau agouro. Olhou em volta, e agora poucos homens caminhavam pelo gramado. Muitos bêbados dormiam no chão e havia uma certa calmaria mórbida naquele lugar.
Os uivos de Vento Cinzento se transformaram em um rosnado furioso, e Robb notou que luz da Lua, que estava em sua fase mais cheia e brilhante, se tornou escura como breu, e quando olhou pra cima notou a figura de um enorme animal alado jogando sombras no chão.
Jogou-se no chão de forma instintiva e viu uma grande labareda de fogo ser lançada sobre as tendas, e o grito dos homens próximos queimando, o fez se desesperar.
—Jeyne...
O caos havia se instalado. O animal alado dava voltas e lançava suas chamas novamente sobre o chão, enquanto os homens tentavam se jogar no rio e outros tentavam, inutilmente, atacá-lo com lanças e flechas.
Robb correu o mais rápido que podia dentre os homens que tentavam alcançar desesperadamente a água do rio, procurando por ela, e a encontrou próxima à sua tenda. Correram em direção ao outro, e ele abraçou a garota frágil com um instinto protetor e alívio, enquanto o caos girava ao redor dos dois, e os homens gritavam para proteger o rei.
Jeyne aninhou a cabeça no peito dele e sussurrou aterrorizada
— O que está acontecendo? Eu vi um dragão, Robb... Um dragão! Tenho medo...
Naquele momento soube que a amava. Aquela garota frágil, que buscava proteção no peito dele, foi a responsável por mantê-lo vivo desde quando perdeu Elaene. Não poderia perder a razão de viver, mais uma vez. Olhou para o rio e viu os homens correndo pelas águas rio abaixo, e outros atravessando para o outro lado, desesperados e afogando, inábeis para nadar, pelo estado de embriaguez em que estavam.
— Venha! – disse a puxando pelo braço e sendo seguido pelos homens que o protegiam.
Robb notou os pedaços de madeira das tendas que caíram no rio, e ordenou que as usassem para boiarem a descer junto com o rio até um local em que pudesse se esconder. Levou Jeyne pelas mãos enquanto atravessaram usando um pedaço de tronco flutuante.
Pensou em Vento Cinzento e sabia que não poderia deixá-lo. Teria que atravessar para soltá-lo.
—Desça com o rio e se proteja das chamas. Preciso resgatar Vento Cinzento. – disse Robb, enquanto já estava dentro do rio e ouvia a cacofonia do caos ao redor, sendo seguido por alguns soldados que queriam protegê-lo.
— Não! Não me deixe, por favor. Irei ajudá-los. – respondeu Jeyne, e seu aperto no braço do nortenho foi tão forte que não pôde dizer não.
Atravessaram juntos o rio, descendo uma grande distância com a correnteza, esbarrando em corpos de homens afogados e queimados e entulhos. Quando alcançaram a margem, deram as mãos e correram pela mata, se escondendo do animal alado pelas sombras, em direção à Vento Cinzento.
Quando encontraram a lareira em que o lobo estava aprisionado, notou que a jaula havia sido derrubada pelo próprio lobo, que não estava mais ali. Robb chamou pelo lobo desesperadamente, mas só o barulho da morte do outro lado do rio ouviu em retorno.
— Nós precisamos ir, Robb... — -pediu Jeyne tentando puxá-lo com a mão, mas o nortenho ainda olhava ao redor, procurando algum sinal do lobo.
Robb notou que Jeyne ficou calada e paralisou o toque em seu braço, então lentamente virou-se para trás para ver o que ela havia visto, e agora encarava a besta com olhos dourados da cor de mel, e tão grande quanto o teto de uma casa de dois pisos. Suas escamas eram de um verde escuro, que em reflexo da luz da lua, se tornava um azul da cor do oceano do oeste.
O nortenho puxou Jeyne para um abraço, enquanto a fera dilatava as narinas e sentia o seu cheiro, como se quisesse uma confirmação de quem era. Os poucos homens que estavam com ele, posicionaram-se em sua frente, em uma patética tentativa de proteger seu rei.
Robb lembrou-se dos relatos dos poemas que Sansa gostava de ler, quase todos romantizando a morte. Naquela fração de segundo pensou que não havia nada romântico em morrer pelo fogo de uma besta, mas puxou Jeyne para mais perto e notou o olhar horrorizado e cheio de lágrimas dela, enquanto sussurrava antes de sua carne ser beijada pelo fogo do dragão.
— Amo você, garota...
Porto Real
—... o último pensamento de Jeyne, foi pedir perdão aos deuses, pelo pedido que fez... — disse Elaene com a voz embargada, enquanto secava as lágrimas com a manga do vestido.
— Aconteça o que for, você não pode utilizar sua magia para matar, Elaene. Por favor, não se esqueça disso se eu não estiver mais ao seu lado.
— Por que Uther quer Robb morto? Por quê? Não entendo tamanha traição... — continuou Elaene, ignorando as palavras de Merlin.
— Não se trata apenas sobre matar Robb Stark, se trata do instrumento usado para matá-lo. Cada dia creio mais que Uther é apenas outro instrumento nas mãos de alguém...
— Dragões significa poder...Claro! — concluiu Elaene.
— Uther não tem o sangue do dragão para domar essa criatura, mas você e Arthur estão predestinados à esse momento. Sua magia aliada às habilidades dele, foram moldadas para a nossa salvação. Porém, se você sucumbir ao seu lado sombrio, estaremos perdidos. Apegue-se à Arthur, não caia, Elaene.
Ouviram as batidas na porta, e Arthur se anunciou para entrar. Quando Merlin o recebeu, o Pendragon viu Elaene sentada na cadeira com o rosto inchado, e sentiu os próprios olhos se encherem de lágrimas, com o terror que sentia pela notícia, e o sofrimento dela que irradiava até ele.
— Recebemos um corvo essa manhã, Elaene.
Elaene sabia o que trazia aquela mensagem, e se levantou para tentar ir em direção à Arthur, mas suas pernas bambearam quando chegou perto, e ele a segurou pelos braços para que não caísse enquanto gritava em meio ao choro desesperado, e o abraçava com força.
— Eles irão pagar por isso, meu amor. Eu juro à você: quem fez isso, irá pagar...
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