Queen of ice and fire

10 Alianças esquecidas


Olhou uma última vez em direção à janela da torre do castelo. Elaene estava com um olhar melancólico e seus cabelos bagunçavam com o vento, por vezes tampando parte do rosto. Memorizou-a uma última vez.

Estava arrasado. Iria embora, para sempre. Não mais a veria, e nunca a teria. Agora percebia a burrice que cometeu no Bosque sagrado. Traiu a hospitalidade da família Stark, e acima de tudo, magoou Elaene.

Por um estúpido momento, pensou que ela correspondia ao beijo. Sentiu naquele pequeno instante, uma esperança e alegria lhe tomar o peito. Mas nada passou de uma mera ilusão, uma peça pregada por sua imaginação nublada pelo desejo. Elaene o rejeitou, lhe atingiu um agudo tapa na face, e sentiu que seu coração se partira em mil pedaços naquele solo lamacento.

Havia decidido que acompanharia a comitiva real até Porto Real, e a partir dali, seguiria para Camelot. Havia muito tempo que estava longe do lar, precisava do descanso que só a sua terra iria lhe proporcionar.

O caminho de volta do Norte foi tão torturante quanto o de ida. Sentia falta da cia de Tyron que havia partido de wintefell para conhecer a Muralha e de Jaime, que andava estranho desde o incidente com Bran em Winterfell.

A sua cia mais freqüente e agradável era Arya, porém a menina agora estava deprimida, desde o incidente com o amigo Myca, filho do carniceiro assassinado pelo Cão de Caça, com ordens da Rainha, em represália ao incidente com Joffrey às beiras do rio. Arthur sabia que o príncipe mentia sobre o ocorrido, e se sentia ainda mais impotente e medíocre em não poder ajudar a amiga.

Como conseqüência, Sansa perdeu sua loba, que tristemente foi morta pelo próprio Senhor Stark, em troca da vida de Nymeria, que estava desaparecida. Desde então, a família Stark cavalgou em disparada pela frente, evitando contato com os Lannisters. O clima estava pesado, e Arthur já não mais suportava tudo aquilo.

Não teve ao menos a oportunidade de se despedir de Arya em Porto Real. Era visto como um homem dos Lannisters, e sabia que Ned Stark não o via com bons olhos. Preferiu evitar qualquer desconforto, e seguiu seu caminho para Camelot.

Quando entrou em seus domínios, mal pôde acreditar. Era um lugar lindo, como sempre. O sol brilhava aconchegante sobre sua cabeça, a grama era verde, e as rosas floriam por todo o campo. Parou à beira do Rio Avalon para molhar sua nuca e rosto. Respirou fundo e sentiu o cheiro da mata invadir as narinas.

Quando atravessou os portões do castelo, foi recebido com um abraço acolhedor de seu irmão Lancelot. Logo soube que seu pai e Gwaine estavam em uma caçada, e retornariam somente em alguns dias.

Tentou fugir o máximo que podia de Guinevere, mas a noite, a moça foi ter com ele em seu quarto. Como sempre, a garota que vestia roupas leves e transparentes por baixo de um capuz, havia escalado sua janela, e aberto sua sacada.

Levantou e sentou em sua cama enquanto a viu entrar no quarto, com o vento da noite a levantar suas vestes. Estava bonita como sempre, sua beleza simples sempre chamava a atenção de todos. Guinevere tinha um olhar quente tão quanto sua pele oliva.

Guinevere avançou sobre ele, como se fosse um animal feroz, não dando tempo de o rapaz dizer nenhuma palavra. Empurrou as costas dele na cama, e sentou em seu colo tomando sua boca de uma forma violenta, ouvindo apenas um gemido dele abafado em sua boca.

Quando lhe faltou ar, depositou beijos no pescoço de Arthur, sugando a pele sensível entre o local e o lóbulo de sua orelha.

Os pensamentos de Arthur estavam nublados, aquilo era errado. Havia decidido que não mais o faria com Guinevere. Porém, era difícil raciocinar com aqueles beijos e mordidas que ela sabia bem onde aplicar.

Enquanto se decidia, permanecia imóvel embaixo dela, então Guinevere enfiou sua mão delicada e quente dentro do calção de dormir de Arthur, o segurando firme em um só movimento e Arthur gemeu alto com a doce tortura.

Com Guinevere as coisas eram simples, não havia complicações. Apreciava o bom papo com ela, mas quando esse papo era após uma noite de sexo, era ainda melhor. Deixou-se levar e a jogou na cama com força, invertendo suas posições.

—Senti sua falta, meu dragão! – Disse a moça de maneira manhosa, passando suas unhas como garras no peito de Arthur, deixando uma pista vermelha por onde passava. Ela sabia que ele adorava quando ela lhe deixava marcas.

—Fique quieta... – Disse Arthur enquanto colocava sua mão por debaixo da veste de dormir dela, acariciando suas coxas e fazendo um caminho tortuoso até chegar ao ponto que a garota implorava. Arthur gemeu quando constatou que a moça já estava pronta para ele.

—Sete infernos, Guinevere. Você já está esta pronta para mim!

—Sim, meu dragão. Tenha-me...

Em um só movimento, Arthur estava dentro de Guinevere, que arqueou as costas com dor e prazer misturados. Arthur sentiu perder o controle, e acelerou seus movimentos sentindo as ondas baterem em seu baixo ventre.

Guinevere pareceu apreciar a voracidade que Arthur lhe tomava, quando ele a olhou, ela estava com os olhos fechados fortemente, e sua boca estava aberta mal conseguindo soltar suspiros.

Rapidamente Arthur sentiu as pernas de Guinevere que estavam laçadas em suas costas, tremerem. Ele conhecia bem a garota e sabia que ela estava no limite. Segurou forte sua cintura fazendo a garota gritar com seu clímax.

Arthur então a virou de costas. Ela ainda estava bamba com as sensações, e ficou com os braços e seu rosto colados na cama, enquanto seu quadril estava inclinado. Ele voltou a tomá-la, mas quando abriu os olhos, após manter fechados nas primeiras estocadas, notou em como os cachos negros de Guinevere se espalhavam na cama em contraste com o lençol muito branco. Automaticamente seus pensamentos se voltaram para o Norte. Sentiu-se com raiva. Elaene lhe roubava os pensamentos, mesmo ali no Sul.

Continuou a investir contra Guinevere ainda mais forte enquanto ouvia os gemidos altos dela. Poderia jurar que todos no castelo ouviam aquilo. Não ligava, estava dominado e com raiva. Pegou os cabelos da moça, e os puxou a fazendo levantar o tronco e acelerou os movimentos até atingir seu clímax. E quando o fez a chamou pelo nome. Não Guinevere. Elaene.

Arthur desabou sobre Guinevere, e em seguida virou-se a trazendo e aninhando-a sobre seu peito.

—Quem é Elaene, meu dragão?

—Ninguém importante, Gwen. Apenas durma. Não quero conversar agora.

Pouco tempo depois, e como fruto do cansaço e relaxamento, Guinevere adormecia calmamente sobre seu peito. Arthur passou horas olhando o teto, pensativo, até conseguir adormecer.

=^=

Quando seu pai e irmão retornaram, se encontraram no pátio do castelo onde Arthur esperava para recebê-los. Depois de um longo abraço em cada um, Uther imediatamente pediu para ter uma conversa privada com Arthur.

Foram para a sala de reuniões de Camelot e ficaram a sós.

—Meu filho, tive noticias de sua viagem para o Norte, junto com a comitiva do Rei.

Arthur automaticamente fechou o semblante.

—Sim, meu pai. Fomos para Winterfell. O Rei Robert nomeou o Senhor Stark como a nova Mão do Rei.

Uther estudou suas feições. O lorde era sempre muito misterioso e media sempre suas palavras e informações, até mesmo com seus próprios filhos.

—Soube da morte de Jon Arryn. – Disse Uther visivelmente consternado. – Foi-me um grande amigo e aliado Arthur. Preciso saber de ti? Há algo de suspeito em sua morte?

—Como diz?

Uther se aproximou segurando o rosto do filho com ambas as mãos

—Filho, o assunto é grave. Você residia na fortaleza vermelha, preciso saber se há algo de estranho ou suspeito na morte de Arryn.

—Não que eu saiba, meu pai. Porque haveria?... Arryn era um homem velho, apesar de me parecia saudável, mas se doenças e febres levam pessoas jovens e robustas, porque não levariam o pobre velho?

Uther soltou seu rosto, e caminhou até a janela olhando para fora.

—Arryn era um grande aliado, Arthur. Sua morte não é boa pra nenhum de nós. O Velho tinha segredos que interessariam há muitos que se mantessem a sete palmos do chão.

—Porque não deixe de códigos e me diz logo do que se trata, meu pai. Sou seu primogênito, não confias em mim?

—Claro que confio em ti, meu filho. Mas conhecimento não é somente poder. Pode significar perigo também. E morte. Jon Arryn é a prova disso...

Arthur sentou-se na cadeira impacientemente.

—Arthur, há alguns poucos homens em Westeros que conhecem um segredo desde o término da Rebelião de Robert. Jon Arryn é um deles, e temo que eu possa ser o próximo.

—Não dirás do que se trata, meu pai? Não permitiria que lhe façam mal algum.

—Saberás, mas não agora. Primeiro preciso ir à Porto Real conversar com o Senhor Stark.

—Ned Stark? Por quê?

—Porque Ned Stark é um dos que detém esse conhecimento. E em segundo, Ned é o protetor de tua prometida. Preciso saber se a aliança que Arryn propôs ainda está de pé...

Arthur se levantou de uma vez, com surpresa na voz.

—Como diz? Minha prometida? Elaene Arryn é minha prometida?

—Sim, Arthur. Desde quando nasceram.