Queen of ice and fire

68 A batalha final - Parte I


Notas iniciais
Pois é, meus queridos, promessa é dívida! Não sou Lannister, mas to aqui pagando. Estou aqui, entregando para vocês e para eu mesma, o fechamento de um ciclo. Escrevi essa fic, com muito amor e dedicação ao longo de 4 anos. Sim. 4 anos. Queria realmente ter entregue essa história há mais tempo, mas tudo a seu tempo e assim foi. Devo dizer que termino satisfeita por cumprir minha palavra, e não deixar de entregar o desfecho que considero satisfatório, de uma fic que aprendi a amar tanto, e com muito respeito e carinho me despeço de vocês e de meus personagens, originais e não-originais. Também peço desculpas pelo sumiço, e pelos longos meses de espera. Se você, leitor fanastama, ou não tão fantasma, chegou até aqui em meio a tantas fics inacabadas por aí, peço para que deixe sua opinião ou recomendação se achar que vale a pena e se tocou seu coração. Gostaria muito de saber se sentiram comovidos com minha história. O último capítulo ficou imenso, por isso irei dividir em duas partes. A segunda já está prontinha, irei aguardar no máximo uns 3 dias para postar. Boa leitura!

Entre a Campina e as Terras fluviais

Arthur analisou os mapas em cima da mesa, mesmo que não precisasse de mapa algum, pois conhecia cada centímetro da sua terra natal, estudando as posições inimigas, e então Oberyn verbalizou o que pensavam:

— Tywin acredita que você utilizará a mesma estratégia da batalha de Camelot contra os Tyrell. E não seria má ideia...

— Sim, ele reforçou os flancos e a retaguarda com artilharia pesada, pelo que os espiões nos trouxeram, e equipamentos novos vindos do mar estreito.

— Eu não gosto dessas posições, dragão. Se furarem nossa parede de escudos, nos encurralam naquelas colinas ali. – disse apontando no mapa.

— Eu sei, Oberyn. Por isso precisamos de um ataque feroz.

— Ah, como eu queria o Rhaegor conosco nessa batalha... você não teria nenhum outro animal sanguinário para usarmos em batalha, por aí não, Majestade?

Arthur sorriu de maneira natural, ainda que a tensão e o desespero estivessem tomado sua mente como uma doença fatal.

— Tenho um general dornês linguarudo, serve?

— Esse linguarudo aqui irá liderar a vanguarda e dividir o exército do leão em dois...

Naquele instante, ouviu-se gritos de desespero no pátio do acampamento do exército real e Arthur interrompeu o que dizia Oberyn, para correrem para fora. Esforçaram-se a passar pela multidão, que se afastava do lado leste em pânico.

Quando por fim, venceram o mar de soldados, avistaram a alcateia de lobos no sopé do morro.

Poderiam ter sido convidados pelo cheiro das carnes que os homens assavam nas fogueiras, pensou Arthur.

Era quase uma dúzia de lobos que pareciam se sentirem acuados enquanto avançavam lentamente em direção às fogueiras, e mostravam os dentes em sinal de animosidade.

— Mas que porra é aquela? – exclamou Oberyn quando avistou o animal sair das sombras das árvores e tomar a frente do grupo.

Era um lobo gigante com pelagem acinzentada, e mesmo que se passassem anos desde a última vez que o viu, não haveria como não o reconhecer. Ninguém tivera notícias dele desde o massacre das gêmeas, mas ele estava ali, e parecia ainda maior e selvagem.

Aquilo parecia uma loucura, mas agora que Arthur aflorou ainda mais seus dons de empatia animal, podia sentir a consciência dele. Era como se o lobo e Robb agora fossem um só, e quando o lobo gigante parou para lhe encarar, sentiu os próprios músculos paralisarem.

Nesse momento, alguns homens recuperados do choque inicial, avançaram com lanças dornesas de longo alcance para espantar os lobos, e eles obedeceram e seguiram seu caminho para dentro da mata.

— Não me diga que aquilo era ...

— Sim. Vento Cinzento.

=^=

Próximo a Wintefell

Elaene repassou mais uma vez mentalmente o caminho que deveria percorrer. Sabia que por todos os cantos do castelo de Winterfell haveriam enormes bestas preparadas para derrubar Rhaegor. Ainda assim, sabia que se fosse rapidamente pelo muro oeste, nas proximidades do lago térmico, destruiria todas as armadilhas ali a tempo, e daria a chance da derrubada dos muros com o fogo do dragão.

Saiu da tenda e caminhou rumo ao pátio onde Rhaegor a esperava, e avistou no horizonte a enorme massa de soldados nortenhos e do Vale, prontos para o assalto. Sentiu a brisa gelada bater no rosto e agachou para pegar um pouco da neve no chão e esmagou na luva, entres os dedos.

— Vou recuperar nossa casa, Robb. Olhe por mim.

Quando enfim se aproximou de Rhaegor, ele parecia ansioso para a batalha, em reflexo dela. Tão logo tomou vôo, sentindo a brisa fria cortando o rosto, já estava sobrevoando o exército e podia ouvir os gritos dos soldados eufóricos para a batalha lá embaixo.

Voou em círculos atraindo a atenção dos homens de Ramsay, que atiravam com as bestas em provocação, enquanto já começava a ouvir as catapultas dos nortenhos soltarem enormes pedras contra as defesas de Winterfell, ainda que sem causar maiores danos.

Enquanto preparava para ir para o muro do oeste, avistou uma figura fantasmagórica, trajado com um sobretudo preto com peles de animais que reconheceu à distância. Aquilo pertencia à Robb... mas não era Robb quem o trajava naquela noite.

Deu mais um giro, e agora que ele corria em direção ao muro principal, tinha certeza de que era Ramsay. Sabia que deveria seguir o plano, mas se lembrou do que aquele homem havia feito com Arthur, com os nortenhos, e com seus primos, e sentiu a ira do dragão sob suas pernas, que soltou um rosnado que fez com que os homens na muralha abaixassem com medo.

Ouviu as flechas serem disparadas contra ela, ao mesmo tempo que os nortenhos provocavam com mais pedras lá em baixo. Girou sobre o próprio eixo, e o ouviu o zunido daquelas que passaram bem próximas.

Concentrou-se e lembrou do plano, e tão logo apontou com Rhaegor para fazerem o caminho, desviando das flechas, viu a provocação final de Ramsay.

O maior ultraje que poderia ser infringido para sua família Stark.

Sentiu a ira fazer o estômago queimar, e Rhaegor rugiu mais uma vez em resposta à mudança do humor de Elaene.

Tudo ficou escuro e vermelho quando viu os dois pequenos corpos pendurados sobre o muro principal. É claro que eram eles. Mesmo de longe, tinha certeza. Eram os cadáveres em decomposição de seus pequenos primos Stark. Nada do que se seguiu adiante, pôde controlar.

Lançou Rhaegor com fúria em direção à muralha do portão principal do castelo onde estava Ramsay com um sorriso maligno no rosto, notando que havia conseguido colocar Elaene em sua armadilha. Ela só pensava em queimar Ramsay até os ossos, até que ele se fundisse com a própria muralha de Winterfell, e ali ficasse aprisionado para sempre, e os olhos de Rhaegor brilharam cor de brasa com o ódio de sua mestre.

Da besta camuflada nos muros, saiu uma flecha certeira que atravessou uma das asas de Rhaegor, o fazendo rodopiar e jorrar seu fogo de Dragão em direção ao céu, bem longe do alvo.

Elaene sentiu o mundo girar várias vezes e lutou para se agarrara às rédeas do Dragão, enquanto os soldados nortenhos corriam para a sua inútil proteção.

E, naquele instante, tudo era fogo e medo.

=^=

Desde quando avistou Vento Cinzento e sua alcateia, podia sentir a presença deles os vigiando, ainda que não se atrevessem a se aproximar. Divagava sobre isso em sua tenda aquela noite, enquanto apenas brincava com sua refeição, ansioso às vésperas da batalha decisiva pela Campina, quando Oberyn entrou sem pedir licença.

— Esses lobos malditos estão nos seguindo a dias. Esses uivos me dão arrepios.

— Não se preocupe, Oberyn. Não é nosso sangue que eles buscam.

— O que diabos você está dizendo, dragão? Agora lobos selvagens selecionam o cardápio?

— Deixe para lá, dornês. Notícias do Norte?

— O exército de sua amada preparava-se para a batalha, pelo que soube do ultimo corvo.

Arthur soltou a taça na mesa e passou os dedos no cabelo em sinal de angústia.

— Elaene sabe se cuidar, Arthur. Confie nela. Você precisa estar verdadeiramente presente na batalha amanhã. – Aproximou e sentou na cadeira em frente a ele. – Eu e seu povo, podemos contar com isso?

Arthur se irritou e levantou.

— O ataque precisa ser incisivo, Oberyn. Preciso da ferocidade dornesa comigo na vanguarda.

— E terá! Confie em mim. Abriremos caminho pelos leões como navalha no tecido.

Arthur se acalmou, e soltou um suspiro.

— Eu me senti nervoso em todas as batalhas que já lutei. Naquela que seria a liberação do cerco de Camelot, em que fomos salvos pelos nortenhos no último instante, tinha o coração na mão quando me despedi de Elaene, naqueles corredores subterrâneos. Te digo que em nenhuma noite anterior à batalha, me senti assim. – abaixou o olhar se sentindo um pouco envergonhado em confessar aquilo ao amigo. – Eu não quero morrer, Oberyn.

— Arthur, em nenhuma das batalhas em que lutou, havia tanto em jogo como há nessa, por isso teme tanto. Eu digo isso com propriedade, porque conheço esse sentimento há muito mais tempo que você. Você precisa usar esse seu sentimento para te manter vivo lá fora. Eu foco meus pensamentos em Ellaria... sinto saudades de minha dornesa.

— Você está há muito tempo longe de casa. Após a batalha, você deveria passar um tempo em Dorne.

— E vou mesmo. Afinal, vou levar a cabeça do leão para a vingança de minha irmã.

Arthur sorriu timidamente com o otimismo do amigo.

— Eu jamais imaginei que nos tornaríamos amigos desde aquela batalha por Camelot.

— Nem eu, Dragão. Você é um bom homem, e um bom rei. É uma honra lutar mais uma vez ao seu lado.

Arthur ofereceu a mão para Oberyn apertar, mas ele revirou os olhos e o puxou com força para um abraço, enquanto dava tapas pesados em suas costas.

Naquele aperto, Arthur sentiu a figura paterna que tanto sentia falta.

=^=

Winterfell

Naquele turbilhão negro de fogo, estrelas, e neve, Elaene mal sentiu o impacto com o chão e já ouviu o zunido de flechas contras eles. Rhaegor havia despencado no chão, mas seu instinto em proteger Elaene falou mais alto, e ergueu uma das asas para aparar a saraivada de flechas e rosnou em fúria e dor.

Elaene, que até então estava zonza, quando sentiu a dor de Rhaegor, despertou em um transe. Sentiu como se naquele instante o tempo tivesse parado, suspenso. Os sons desapareceram, e seus olhos estavam nublados. Começou a levitar com seus poderes, e não pôde ver os olhos assustados tanto dos solados de Ramsay, como os nortenhos que se aproximavam do portão.

Ao seu redor surgiu um redemoinho, rodopiando em seu eixo, varrendo as flechas para dentro do cone de vento, enquanto alguns homens começavam a se segurar em qualquer coisa que os impedisse de cair lá em baixo, no fosso.

Na muralha, Ramsay gritava e tentava criar forças para chegar até a besta e dar o tiro certeiro em Elaene, mas a força do vento era muito forte, e teve que se segurar em uma pilastra.

Levitando, Elaene se aproximou da muralha onde estava Ramsay lutando para não cair lá em baixo com a força do vento. Sua consciência estava longe, e só conseguia pensar em como brutalmente deveria destroçar aquele homem. Perdia o controle sobre si mesma, e sobre seus poderes.

Lá embaixo, os nortenhos também começavam a ser varridos para longe do portão, e os inimigos que sobreviveram em cima dos muros, olhavam em choque e espanto para a cena de Elaene suspensa sobre a enorme muralha do castelo de Winterfell, e o enorme redemoinho de vento que atraía tudo ao seu redor, flechas, arcos, homens e a própria besta que Ramsay tentou usar para lhe matar.

O céu que até então estava claro, começou a se agitar e rápidas nuvens se formaram, lançando raios dentro do cone de vento ao seu redor.

Quando se aproximou de Ramsay, que ainda lutava para se manter agarrado à pilastra, ele notou que olhos de Elaene estavam brancos e brilhantes, e não verdes como se lembrava de ter visto. Começou a rir descontroladamente.

então é assim que é se sentir em pânico” disse a si mesmo, se divertindo.

Elaene o puxou e ele lutou para se manter agarrado à pilastra, mas os poderes de Elaene eram fortes demais, e agora se viu suspenso no ar enquanto ela o segurava pelo pescoço. Olhou para baixo, e viu como estavam altos, e começava a sentir a falta de ar, com apenas a mão de Elaene lhe segurando.

Enquanto o pânico tomava conta, começou a se debater e tentava chutar Elaene, socar, puxar, mas ela estava em outro mundo. Longe dali. Era inútil. A força dele não era nada comparada à força dela.

Ela ainda estava em transe, inerte, mas as uma voz ao fundo de sua consciência dizia algo.

Esforçou-se para ouvir. Parecia Merlin, mas não o seu filho, e sim o garoto cranogmano.

“Encontre seu equilíbrio, Elaene. Se você continuar com isso, seu povo a verá como uma ameaça. Não traia a confiança de seu povo. Eles ainda precisam de um líder. ”

Lembrou-se de onde estava, e seus olhos automaticamente voltaram ao seu verde natural. Se deparou com a figura de Ramsay sufocando com seu aperto, enquanto seu rosto já arroxeava e ele ainda se debatia em desespero.

— Agora não tem mais tanta graça, não é? – disse de forma cruel, ainda admirada com a morte dele diante de seus olhos. – Você pagará pelo que fez à Arthur...

No instante que disse seu nome, se lembrou novamente das palavras de Merlin. Ele tinha medo no que ela poderia se tornar, dos seus poderes, e do seu temperamento típico de sua linhagem.

— Arthur.... – repetiu o nome dele enquanto ainda sentia o vento rodopiando com força, e uma sequencia de imagens começaram a passar diante de seus olhos.

Arthur a encarando no pátio de Winterfell. Ele puxando seu braço sob o represeiro no bosque sagrado, e roubando aquele beijo que a desconsertou. A respiração suspensa quando ela se aproximou perigosamente naquele quarto em Correrio. O gosto dos lábios dele quando ela roubou o beijo antes daquele pequeno torneio do rei Renly. O doce beijo na testa que ele lhe deu quando a pediu para ficar sempre ao seu lado. Quando sentiu o coração dele voltando a bater sob suas mãos, naquela noite em Dente dourado, onde finalmente aceitou o amor que sentia. O toque macio e quente dele dançando em seu corpo na estalagem do Oeste. O abraço que dividiram quando ele voltou ao lar, após o sequestro de Ramsay. O Toque das roupas molhadas quando se amaram na cabana atrás das brumas do Avalon. E o sorriso sincero e devoto dele quando acordou...

Soltou o aperto no pescoço enquanto o agarrou pelo colarinho. Ele já havia desmaiado, mas ainda respirava. Sentiu os pés tocarem o solo quando o redemoinho de vento cessou e os objetos despencaram de uma vez.

Soltou o corpo ainda mole de Ramsay no chão, quando os soldados nortenhos se levantavam e corriam ao seu encontro.

Procurou por Rhaegor, preocupada, se lembrando que ele estava ferido, e logo o avistou ao horizonte voando em círculos, a esperando.

— Vossa Graça, você está bem? – perguntou Lord Umber, o primeiro a aproximar, seguido de outros senhores e soldados menores que se posicionavam e miravam flechas para cima do muro, protegendo o perímetro.

— Sim, estou. Sei que estão confusos com o que viram, mas quero que saibam que podem confiar em mim. Jamais usaria meus dons para a tirania ou para a desgraça de meu povo. Peço desculpas pelo meu descontrole emocional hoje, mas a imagem de meus primos pendurados no muro, nublou meus pensamentos. Mas esse homem... – apontou para Ramsay que retomava a consciência no chão — terá um julgamento real sobre seus crimes. Somos melhores que a tirania de Snow ou de Tywin. A perversidade de Joffrey, ou a loucura de Aerys, meu avô... Que a era da tirania seja apenas uma lembrança incômoda agora. Prendam-no!

Ramsay tossia e sorria friamente, e os senhores se ajoelharam em sinal de respeito à Rainha.

— Não se ajoelhem! Temos um castelo para resgatar. Por Lady Catelyn, Arya e Sansa, que estão vivas. E pela memória do Rei do norte, por Bran, Rickon e Ned Stark. Que todos voltem para casa hoje.

Naquele instante Rhaegor pousou mais uma vez, dessa vez em frente ao portão principal, e os homens abaixaram o olhar para a luz que brotou das suas chamas que botavam o portão principal abaixo.

=^=

Arthur estava posicionado ao lado de Oberyn, e sentia o coração palpitar forte com a antecipação da batalha. Respirou fundo mais uma vez, e retirou o elmo para discursar para seus homens.

— Meu pai sempre me contou histórias sobre cavaleiros e seus épicos discursos pré-batalha. Tudo parecia tão mágico e grandioso naquela época. Lembro de estar no pátio de treinos, levantando a espada para cima, enquanto me colocava nessas histórias e sentia uma euforia envolver meu corpo inteiro enquanto atacava o espantalho de treinos. Mas sinto decepcioná-los, pois a única coisa que sinto nesse momento, é que minha armadura é mais pesada do que me lembrava, e meus pés doem dentro dessas merdas de botas.

Os homens riram descontraídos.

— Isso é uma grande besteira! Títulos, posses, todos nós sangramos o mesmo tom de vermelho quando a lâmina atravessa a carne. Acreditem, eu já vi de perto.

Ouviu os homens concordarem, enquanto Arthur andava de um lado para o outro montado em Baelion.

— Porém, hoje, meus amigos... – disse reconhecendo alguns rostos na multidão os cumprimentando com um aceno de cabeça – estamos aqui, juntos. Não porque gostamos de estarmos longe de casa, longe da nossa família, e com a incerteza de vê-los novamente. Não... hoje estamos aqui, na defesa de um ideal. Rei Robert só se importava com vinho, e prostitutas. – os homens concordaram – Rei Joffrey, era tão cruel, quanto idiota. Stannis Baratheon teria aniquilado metade da campina, com a ajuda de sua feiticeira vermelha, apenas para se sentar naquele maldito trono. – Ouviu uns grunhidos de concordância. — E meu pai, foi o melhor guerreiro, mas o pior líder, que conheci.

Arthur continuou

— Eu não sou perfeito, nem me considero um bom rei... – nesse momento ouviu os grunhidos de negação – Eu jamais pedi isso. Jamais! Eu queria apenas viver em paz com minha mulher, e não sei se vocês notaram ultimamente, é a mais bela mulher que westeros já conheceu, então eu gosto da companhia dela – ouviu risadas de confirmação. – Mas aqui estou, cumprindo meu dever, por amor à minha mulher, ao meu filho, e ao meu povo. Os ideais que criamos juntos com a távola redonda, serão extintos se aquele maldito homem tomar o poder. – disse apontando para a direção do exército Lannister. É isso o que vocês querem?

Arthur ouviu uma sonora negação de seus homens.

— É isso o que vocês querem? — perguntou mais alto.

A negação ficou ainda mais forte.

— Eu não peço para que vocês lutem por mim essa noite. Eu sou apenas um homem. Peço que vocês lutem, para mantermos viva a chama da liberdade em Westeros. Que ampliemos a távola. Que o povo ainda tenha o poder de escolher seus conselheiros, os seus representantes. Que a sua voz seja ouvida, pois é à vocês que servimos, e não o contrário. Nunca mais a tirania imperará sobre Westeros! Liberdade!

Nesse momento, Arthur ouviu uma explosão de euforia dos soldados, que agitavam lanças, espadas e escudos, enquanto gritavam o seu nome.

Arthur olhou uma última vez para cima, em uma inútil procura por ela, e tocou seu corcel de guerra Baelion para avançar e puxar a grande massa de soldados atrás dele. Oberyn estava ao seu lado, com um semblante concentrado, e ele sabia que seu amigo até morreria se fosse preciso, para cumprir a promessa por sua irmã.

Quando o exército Lannister surgiu no horizonte, preparados para o ataque, Arthur observou as defesas dos inimigos se movimentando e formando uma parede de escudos na largura da planície, de forma compacta de onde terminavam as árvores de um lado, até onde começavam as do outro lado.

O acesso pela mata seria uma armadilha, Arthur sabia, então era importante um ataque feroz para romper a parede e não se deixarem encurralar pelas laterais.

O choque veio com brutalidade, e as lanças dornesas já estavam preparadas, enquanto Arthur se mantinha atrás da própria parede de escudos, e atingia alguns soldados descuidados ao seu alcance.

Na linha de frente, a brutalidade dornesa compensava com a agilidade dos mercenários, mas a massa dos inimigos já conseguia se movimentar, empurrando para trás o exército real.

— Empurrem para frente, travem! Espetem! – Arthur gritava a todo momento, mas naquele instante algo fez a parede de escudos inimiga afrouxar, e começar a se romper.

Ouviu gritos de dor de dentro da massa inimiga, mas os escudos, ainda erguidos, o impediam de ver o que acontecia, mas não poderiam perder tempo.

— Empurrem, agora! Empurrem! – gritava Arthur, enquanto assistia a quebra da parede de escudos Lannister, e um rosnado feroz no meio da multidão, seguido de um choro de lobo sendo atingido.

=^=

Com a rendição de Ramsay, e a destruição do portão de Winterfell pelo fogo de Rhaegor, foi fácil tomar o castelo. Os homens de Ramsay, em sua maioria mercenários negociados com Tywin, se renderam facilmente.

Sentia-se exausta. A quantidade de energia que usou naquele descontrole de seus poderes, a deixou sem forças até para caminhar, e precisou da ajuda de seus homens para que a levassem para seu antigo aposento em Winterfell, onde adormeceu por muitas horas.

Robar Royce tentou avisá-la sobre a investida Lannister no Oeste e o iminente combate no sul, mas Elaene estava completamente fora de si, e permaneceu dormindo por quase dois dias inteiros, enquanto seus aliados reconstruíam Winterfell, e cuidavam dos feridos.

Acordou com uma voz familiar, e um leve toque nos ombros.

Arya

— Elaene?

Acordou em um pulo, ainda zonza, e abraçou sua lobinha com força enquanto despertava.

— Você está viva!

— Sim... – respondeu Arya, retribuindo o abraço.

Elaene soltou o abraço e segurou o rosto da amiga entre as mãos.

— Eu sinto tanto, Arya. Vim o mais rápido que pude! Eu sinto muito – disse enquanto sentia as lágrimas rolarem descontroladamente. – Eu jamais poderia imaginar que Theon nos trairia. Ramsay deveria cercar algum castelo nortenho, e não o contrário. Eu sinto muito, eu sinto tanto!

— Eu sei, Elaene. Obrigada por salvar minha mãe. Eu sou grata por isso, ouviu? – Arya segurou sua mão firme para chamar sua atenção. — Agora quero que me escute. Tywin tomou Rochedo Casterly.

— O quê?

— Ele avançou com seus mercenários em direção à Campina. Arthur movimentava o exército Real para segui-la até aqui, mas virou-se imediatamente a tempo de evitar que o Lannister tomasse Camelot e estratégicas casas da Campina e nas Terras fluviais.

Aquelas palavras caíram como uma bomba em Elaene. Ela pensava que estivesse salvo Arthur de seu destino, mas se tivesse interpretado errado seus sonhos, ela apenas ajudou a selá-lo. Sua ida furtiva para o Norte, jogou Arthur de frente para os leões.

Sentiu o coração apertar com força, e se contorceu na cama.

— Não! Por favor, não! Ele estava a salvo.

— Arthur é um grande guerreiro, mas você tem um Dragão. Vá até a Campina, e resgate o Rei, Elê.

Há muito tempo não ouvia aquele apelido, e olhar ao redor, aquelas paredes aquecidas por águas termais, trouxe uma nostalgia que lhe deu forças.