Queen of ice and fire

69 A batalha final - parte II


Notas iniciais
Boa leitura. O mais sincero "obrigada" que possa existir, para você que chegou até aqui. Obrigada pela leitura e a espera paciente, pelo carinho de um review, e pela gratidão de uma recomendação. Vocês são responsáveis pela minha dedicação e inspiração. Amo vcs. Até breve!

Arthur sentia suor e o sangue dos inimigos escorrendo pela sua fronte, então usou as costas da mão para secar, sentindo o metal frio contra a testa.

Olhou ao redor, e sentiu a euforia do sucesso, enquanto assistia os Lannisters sendo varridos. Alguns moribundos gemiam de dor, e Arthur os examinava, enquanto chamava ajuda para salvá-los.

Olhou para o lado, além de uma pedra, por onde se estendia a mata, e ouviu a voz de alguém o chamando pelo nome. Franziu a testa, tentando identificar de onde vinha o som.

=^=

Elaene podia sentia os sinais de cansaço de Rhaegor e dela. Porém, não poderia se dar ao luxo de descansarem. Deveriam chegar a tempo, e evitar o destino que por tanto tempo previu em seus pesadelos. Estavam muito próximos, e já podia identificar o ponto de batalha no horizonte.

Quando sobrevoou o campo, identificou o exército Lannister rendido perto do rio, e suspirou ao mesmo tempo irritada por não chegar a tempo, mas aliviada pela vitória de Arthur. Ele estava a salvo, ela sentia. Mas ainda não via sinais de Arthur de onde estavam, deu mais uma volta, na esperança de identifica-lo.

=^=

Arthur continuou a entrar mata adentro, reconhecendo aquela voz. Era hipnótica, convidativa, como se estivesse à beira de um penhasco, e a vertigem o instigasse a pular.

Em meio a escuridão, sentiu um vulto atrás de si, e quando se virou preparado para golpear, os estranhos olhos não pertenciam à ele, que tanto conhecia, e que viu crescer. Seus olhos estavam azuis em tom de gelo, onde um dia foram escuros, e brilhavam forte em meio à escuridão.

Teve tempo apenas para sussurrar seu nome, enquanto abaixava a guarda.

— Lancelot...

O Golpe veio forte e frio. Arthur olhou assustado quando Lancelot o golpeou em cheio na barriga, e a lâmina beijava com força seu abdômen.

“Por quê?

=^=

Do alto de onde estava, sentiu o golpe frio e duro na barriga dele, e sabia que Rhaegor também sentiu. Elaene gritou em dor, enquanto o dragão rugia e despencava do alto. Sentiu as árvores baterem e amortecerem o impacto com o solo.

Assim que se deu conta de que ele fora realmente atingido, Elaene berrou com tanta força, que ouviu os raios se projetando do céu até o solo, assustando os homens na planície.

=^=

Arthur encarava Lancelot com um olhar de dor e tristeza. Mas, enfim, entendeu. Aquele não era mais seu irmão. Seu querido irmão e amigo, Lancelot. Os olhos azuis estavam longe quando o encarava, ainda com a lâmina estocada.

Devolveu uma estocada no peito de Lancelot, enquanto o segurava pelo colarinho, e notou os olhos azuis darem lugar os conhecidos e doces castanhos. Ele sorriu uma última vez mais, antes de despencar no chão sem vida, tirando a lâmina de Arthur, o fazendo berrar de dor.

No momento em que Lancelot caiu ao chão, morto, a magia que deu vida à Rhaegor se desfez. O dragão que estava deitado na mata, em dor por Arthur, se transformou em Rocha diante do olhar doloroso de Elaene.

Mas não havia tempo para lamento. Deveria encontrar Arthur. Ainda havia tempo. Ele estava vivo.

Correu pela mata em sua direção, mas o solo encharcado a fazia arrastar pelo caminho. Tentou usar seus poderes para abrir, mas eles não estavam mais lá, estava muito fraca. Nada. Não conseguia ao menos movimentar um galho.

Continuou a correr com o que restava de suas forças, e gritou a tempo de ver Arthur de joelhos com a mão apertando firmemente o ferimento.

— Arthur!!! – agachou ao seu lado, e o aninhou em seu colo enquanto constatava que havia chegado tarde demais. Falhara com ele.

— Não, não, não, não... – repetia como um mantar enquanto via a devassidão vermelha no abdômen de Arthur.

— Elaene... – disse Arthur com um fio de voz fraco.

— Eu vou te salvar, Arthur. Assim como me salvaste tantas vezes. Lembra? Eu vou te salvar. Eu não consigo te carregar, e estou sem meus poderes. Eu vou buscar ajuda.

— Elaene, por favor, não. Fique. Fique... – implorou Arthur segurando seu braço.

— O que eu faço, Arthur? Me diga... – Elaene estava aos prantos – Socorro! – começou a gritar por ajuda, desesperadamente.

Ele estava mal. Seu rosto, tão belo, estava muito pálido, e seus lábios possuíam um tom quase branco.

— É tarde demais, Elaene. – disse calmamente e Elaene se desesperou ainda mais.

— O que diabos está dizendo, Arthur? Socorro! – continuou a gritar na esperança de que alguém ouvisse.

— Escute, Elaene. – engoliu a saliva com dificuldade para continuar enquanto a fazia encará-lo – Você foi a melhor coisa que me aconteceu.

— Não, Arthur. Eu imploro, não se despeça de mim. – pedia enquanto limpava o suor gelado da testa dele, afastando os fios teimosos que caiam nos olhos.

— Eu não mudaria nada do que vivemos. Nada.

— Fique, Arthur. Você prometeu que sempre voltaria. Fique, por favor... – ainda pedia, mas dessa vez em um fio de voz.

— Eu queria que tivéssemos ficados na nossa cabana atrás das Brumas do Avalon, para sempre. Teríamos sido felizes, Elaene.

— E nós fomos felizes. Muito, Arthur! Jamais pensei que poderia ser tão feliz como fui com você. – disse enquanto encostava a testa na dele, notando o quão gelado ele estava.

— Eu o amo, Pendragon. Eu não merecia sua devoção, e nem o seu amor. – acariciou a cicatriz no rosto de Arthur, aquela maior prova do amor dele. – então eu digo do fundo do meu coração: obrigada, Arthur! Por me fazer tão feliz, mesmo quando eu não merecia.

Arthur tossiu fracamente, e Elaene sentiu os olhos dele pesarem.

— Se vivesse mil vidas, em todas elas eu faria igual. Eu te amo, Elaene.

Sentiu a vida se esvair do corpo de seu amado, e depositou um último beijo em seus lábios.

— Vá, meu amor. Seus antepassados te chamam. Vá. Mas volte, você prometeu. Volte para mim, Arthur.

=^=

Oberyn procurava Arthur para entregar o tão sonhado prêmio que estava em um humilde saco de linho. Um dos oficiais disse ter visto Arthur entrar na mata a procura de alguém, mas ele não voltou. E nem Elaene, que a pouco tempo circulava pelo exército com Rhaegor.

Quando tentava refazer o caminho percorrido por Arthur, ouviu os berros de Elaene ao longe, e correu à sua procura.

Então a localizou, sentada na lama, com Arthur deitado em seu colo, e logo ao lado, reconheceu o corpo de Lancelot.

— Elaene! O que aconteceu?

Quando a encarou, seu rosto estava em ruínas. Havia lágrimas e muita dor. Agora identificou o motivo.

O Rei Arthur estava morto. Seu amigo estava morto. Seu irmão de luta estava morto.

Ajoelhou-se ao lado de Arthur e beijou sua mão enquanto sentia o gosto salgado das próprias lágrimas.

=^=

Elaene não quis que levassem Arthur para Porto Real. Lá não era o seu lar. Lá não era onde Arthur desejava fervorosamente envelhecer e ser feliz. Não era lá.

Com a Ajuda de Oberyn, trouxeram Arthur à beira do rio Avalon, quando a alvorada já trazia as pesadas brumas.

Enfeitou o pequeno barco com flores de Camelot, a eterna morada de seu amor, e Oberyn o deitou delicadamente entre elas.

Mesmo sem vida, pálido e gelado, ele estava lindo. Seu Arthur. Inclinou-se para depositar outro beijo, mas agora aquele corpo era apenas a antiga morada dele, e não controlou a avalanche de lágrimas que voltou a cair.

Tocou a testa dele, em um último adeus.

Oberyn sentia-se dilacerado, tão quanto sentiu-se da morte de sua querida irmã. Pegou a mão de Elaene que tocava a testa de Arthur e puxou para um forte abraço de conforto.

Distanciou-se, e olhou nos olhos devastados da rainha.

Ela entendeu o que ele dizia. Estava na hora.

Com um empurrão, Oberyn arrastou o barco para dentro da correnteza, e viram ele pela última vez, por dentro das Brumas de Avalon.

=^=

Elaene encontrou Excalibur manchada pelo sangue de Lancelot. Ela julgou que aquela espada pertencia à Arthur, e apenas à ele. Ninguém poderia portá-la. Nem mesmo seu filho.

Procurou o caminho que havia percorrido, e encontrou a rocha que um dia fora o seu querido Rhaegor. Subiu no topo, e usou o que restava de sua magia para fincar a espada dentro da pedra. Somente seu amado Arthur teria o poder de tirá-la dali.

=^=

Muito tempo depois – Porto Real

Eleane assistia à coroação do galante Merlin Pendragon, como o novo Rei de Westeros, muito orgulhosa. Muitos anos haviam se passado desde quando Arthur se foi, e ela sabia que ele teria se orgulhado dele.

O jovem Merlin cresceu cercado por grandes amigos: Oberyn, Gwen, Loras, Jon. E até mesmo aquele cavaleiro campeão de justas chamado Theodore, que havia se tornado grande amigo de seu filho, e que Elaene sabia muito bem que se tratava daquele garotinho de cachos dourados que resgatou há muitos aos atrás, daquela fortaleza.

O reino há muito tempo estava em paz, e o povo satisfeito pela melhor era que Westeros conheceu. A távola redonda se desenvolveu, e surgiu o primeiro parlamento popular da história de Westeros. As colheitas estavam em alta e as desigualdades entre nobres e plebeus diminuíam cada vez mais.

Naquela tarde, recebera uma carta de sua grande amiga, Arya Stark. Há muitos anos, e diante da morte de todos os herdeiros homens da família Stark, Elaene assinou um decreto real, nomeando Arya senhora de Winterfell, para que a família Stark pudesse resistir e existir, e os filhos de Arya levavam o seu sobrenome, e não de seu marido Umber.

Suspirou satisfeita dobrando a carta, quando Merlin entrou em seu quarto.

— Minha mãe, está a cada dia mais bela. – disse depositado um sapeca beijo em sua bochecha, fazendo ela rir.

— E você, está a cada dia mais conquistador – disse dando um leve tapa no ombro dele.

— Assim você me ofende mãe... – disse cinicamente, tentando fazer Elaene rir mais uma vez, antes de perguntar o que lhe atormentava.

— Mãe, me diga, por que chorou tanto ao ouvir o trovador tocar a canção da Valíria?

Ela se sentiu desconcertada.

— Não foi nada demais, meu filho. Você sabe como mulheres são choronas...

— Não, mãe. Você não é chorona. Você só chora quando se lembra do pai.

Mesmo agora, Elaene sentia o bolo se formar na garganta,

— Por que nunca fala sobre ele comigo, mãe?

Elaene levantou-se da cama, sem rumo.

— Ora essa, Merlin. Oberyn, Loras, Jon, tantos amigos contam tantas histórias sobre seu pai...

— Não, mãe. Eu quero saber de ti. Eu te amo tanto. Quero te consolar, amenizar sua dor. Você é minha melhor amiga. Fale comigo sobre meu pai, mãe. Ainda não te curastes, não é?

Elaene respirou fundo, e fechou os olhos tomando coragem para abrir aquela caixinha dentro de si.

— Eu nunca vou me curar de seu pai, Merlin. Nunca. – disse o olhando nos olhos à distância. – Arthur Pendragon foi o melhor homem que esse mundo já viu, se orgulhe muito dele.

— Como ele era? — perguntou Merlin com olhos curiosos.

Elaene suspirou para continuar

— Seu pai emitia um magnetismo que ninguém conseguia se desviar. Quando fecho os olhos, ainda me lembro a primeira vez que encontrei o seu olhar em Winterfell. Você sabe... eu, na época, mantinha um relacionamento muito belo e puro com Robb Stark, mas mesmo assim, aqueles olhos me prenderam, pois era assim que seu pai era. Um olhar tão doce e belo, uma mistura de humildade e postura régia. Quando entrava em um salão, todos os rostos se viravam para ele, e quando falava, todos o ouviam com atenção. Sua voz era gentil e baixa, e quando cantava Merlin, encantava a todos que o ouviam. — disse suspirando.

Sentou-se ao lado do filho e pegou sua mão.

— A música que o trovador cantou hoje, foi uma canção que teu pai cantou para mim, em uma estalagem pouco antes de sermos raptados por Ramsay Snow. Eu juro que fecho meus olhos, e estou lá mais uma vez, ouvindo Arthur tocar e cantar para mim. – ela fechou os olhos e não viu os olhos de Merlim se encherem de lágrimas.

— Eu não lembro dele, mas sei que o amo muito, e sinto sua falta. Como isso é possível, mãe?

Elaene o abraçou com força, o aninhando no peito.

— Eu sei, filho. Não há sequer um dia que não acorde e durma pensando em teu pai. Fomos privilegiados pelo amor dele, e disso, nem a morte nos separa.

Elaene começou a cantar a canção de ninar que Arthur tanto cantava para Merlim, até que as lágrimas do rapaz cessassem, e enfim, estivesse em paz, ainda que com a eterna saudades que nunca o abandonaria.

Mas havia gratidão. E amor.

EPÍLOGO

Havia chegado a hora, ela sabia. Merlin era um homem feito, um bom rei, com excelentes amigos e conselheiros, e uma bela e promissora noiva. Queria ficar e ver sua neta nascer, mas estava cansada. Já era hora.

Partiu em segredo para Camelot, e atravessou a mata fazendo o caminho que tanto conhecia, mas não antes de se despedir de Rhaegor, a tão conhecida pedra que agora abrigava Excalibur.

Respirou fundo, sentindo o agradável cheiro das margens do rio, e olhando a névoa pesada.

Molhou os pés e entrou na água até a altura de seus joelhos, e viu a figura se aproximar pelas brumas, remando em uma pequena e simples balsa.

Quando atravessou, estava tão belo como jamais esteve um dia, e lhe sorria gentilmente, enquanto oferecia a mão.

Com lágrimas suspensas, Elaene aceitou o toque dele, e subiu.

Estavam em casa.

Ele beijou levemente seus lábios, enquanto desapareciam para sempre entre as Brumas do Avalon.

“Você prometeu que sempre voltaria”

FIM

Notas finais
Por favor, deixem seu recado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!