Quebranto.
36 Succubus.
Notas iniciais
Só intriga pra atiçar a curiosidade de vocês, kkk!
Espero que gostem, e boa leitura! Capítulo dedicado à Mare, minha fofa que sempre me impulsiona a escrever mais, e descobre pontos positivos que às vezes nem eu percebo! Você me ajuda muito, querida!
Victoria.
Quando vi a cara de Diogo, senti que Dimas estava brincando com fogo. Olhando para a confusão, mas afastados do grupo, Mozart, Gabriel, Ana e Tânia pareciam aflitos e temerosos. Hugo e Ricardo ainda conversavam no gramado e Diana parecia entretida em uma conversa com Nanda, sem perceber o clima estranho que se instalava no acampamento. Aproximei-me de meu namorado, e ele nem olhou na minha direção, embora tenha suspirado quando o abracei por trás, preocupada. Sabrina ainda dialogava com Dimas, com o rosto na altura do dele, pela janela do veículo. Apesar de aparentemente calma, ela estava bem vermelha, e seu rosto extremamente branco estava rosado. Provavelmente, o homem estava conseguindo irritá-la. Jonas parecia aliviado com a minha presença, mas fez um sinal negativo para mim por cima do ombro de Diogo. Ele parecia sentir que aquilo acabaria mal. O que de fato, aconteceu.
Visivelmente frustrada e estressada com aquela situação, Sabrina gritou que Dimas era ridículo, e bateu a mão esquerda contra o vidro da janela pela qual os dois estavam conversando. O vidro trincou, e ela cortou a palma da mão, o que ocasionou uma torrente de palavrões no mínimo ignóbeis, destinados ao homem em estado de fúria. Ele, no entanto, parecia assustado e revoltado com a atitude da garota, e começou a xingá-la de volta. No limiar da situação, quente como estava, Diogo disparou para o alto, calando a todos com um tiro antes que qualquer outro de nós pensasse em fazer alguma coisa. Aquilo sempre funcionava quando era ele quem fazia. Eu sabia que se fosse tentar a sorte em seu lugar, provavelmente acabaria sendo atingida pelo meu próprio disparo. No fim, todos estavam olhando para Diogo, enquanto Dimas ainda tinha os olhos histéricos e inquietos.
– Chega de palhaçada! – gritou Diogo. – O momento pra dar ataque acabou. Tá ouvindo, Dimas? Se você não sair dessa porra desse carro, eu vou te tirar daí à força. Ninguém aqui vai te deixar ir embora com um dos nossos carros, e muito menos com nossa comida. Ou você tenta sobreviver com a gente até a cidade mais próxima, ou vai embora sozinho. Mas sem levar nada. A escolha é sua.
– Sabe qual é a minha escolha? – gritou o pobre homem, fora de si. – Ficar longe de gente amaldiçoada que nem vocês. Por culpa daquela garota – ele apontou para Nanda, que finalmente havia notado a confusão. – Acabamos saindo daqui mais tarde, e minha Clara morreu! A Carolina tem razão! Essa ruiva é a pé-frio aqui! – não fossem só os gritos e a histeria, agora ele estava concordando com Carol. O pobre homem devia estar mesmo louco. Nem Carol concordava com ela mesma.
– Escuta Dimas, vamos tentar resolver isso calmamente. É só questão de conversar, e vamos poder... – parei minha frase do meio do caminho. Quando me aproximei dele, o homem apontou o dedo indicador em riste na minha direção, em estado de nervos.
– Você! Sua... Abominação! – ele disparou, e apenas uma palavra foi o suficiente para me derrubar completamente. Eu sabia que era questão de tempo até alguém me tratar mal por ter sobrevivido ao vírus. Só não esperava que uma confirmação viesse tão rápida. – Você e esse careca aí são dois mortos-vivos desgraçados, pervertidos e demoníacos! Não são humanos! E você, seu merdinha... – ele acrescentou, virando-se para Diogo. – Devia sentir vergonha. Seu fodedor de puta morta! – Dimas não esperou que os efeitos da bomba que lançara caíssem sobre nós. Acelerando com o carro, ele arrancou repentinamente. Um terrível erro.
Sabrina jogou-se para o lado, desviando do veículo desgovernado. Jonas parecia estático com o que acabáramos do ouvir, enquanto todos estavam chocados demais para reagir. A única defesa ativada por nós, foi a de sair da frente daquele homem transtornado, tentando escapar de sua total falta de controle e habilidade ao volante. Em dado momento, quando já estava próximo à estrada outra vez, Dimas jogou o carro na direção de Fernanda. Com um grito estridente, minha amiga paralisou, em choque. Para salvá-la, Diana a empurrou e ficou na linha de fogo. Por sua vez, Gabriel puxou a mulher mais velha consigo, enquanto caía e rolava com ela pelo gramado. Os cabelos curtos de Diana haviam crescido até pouco abaixo dos ombros, e seus fios grisalhos revolveram-se ao redor de seu rosto, enquanto deitava-se no chão. Dimas estava prestes a escapar, quando uma dor lancinante quase me deixou cega. Surpresa, senti a presença de alguém que eu julgara derrotada.
Ora essa, não posso descansar nem por um dia, que esses loucos aparecem de novo. Nós somos mesmo muito interessantes, hein Vicky. Sempre atraímos a opção mais elaborada do cardápio de doentes do mundo. Sorte pra nós, irmã...
Com movimentos mais precisos do que eu jamais poderia realizar, Nora deu uma banda em Diogo, que caiu estatelado no chão, de costas. Ele parecia chocado tanto com a agressão, quanto com a presença de Nora. Ela segurou as duas mãos de meu namorado com uma das suas, e arrancou a arma que ele enfiara por dentro da calça, com violência exagerada. Virando-se na direção do uno que se afastava, Nora disparou duas vezes. Ela não temia causar um acidente. Sabia que acertara em cheio, e que o carro cairia de volta no barranco, com grandes chances de ficar intocado. Ou ao menos, passível de restauração. Triunfante, ela viu o carro continuar desgovernado por alguns instantes, até que se embrenhou no matagal e acabou parando, em meio à vegetação. Através de seus olhos, vi Hugo e Ricardo se aproximando de nós. Os gêmeos haviam despertado, e agora estavam sendo acolhidos por Otávio e Carol, que pareciam alarmados. Ao lado de Nanda e Diana, Gabriel ainda gemia no chão, agarrando o próprio braço. Tânia correu em sua direção, enquanto Mozart e Ana foram até o carro alvejado por Nora. Quieta, ela aguardou. Quando Ana retornou, sua expressão estava sombria, mas não abalada. Ela fitou Diogo nos olhos, e assentiu. Ele havia entendido. De modo estranho, Mozart pareceu retrair-se depois de perceber a morte de Dimas, e ele simplesmente afastou-se, de cara feia para Nora. Tentei usar o mesmo truque da igreja para assumir o controle, mas minha gêmea má resistiu bravamente. Ela não estava indo a lugar algum.
– Por que fez isso? — indagou Ricardo, fitando Nora com perplexidade e espanto.
– Porque era preciso. Porque eu podia. Porque ele tentou matar quem me agrada. Você escolhe. — rebateu Nora, impassível.
– O importante agora é que não podemos mais simplesmente ir embora. — interferiu Hugo, quebrando a tensão entre o líder do grupo e a Inumana. Nora estava começando a se irritar com Rico, pelo modo como comprimia meus lábios, e mudava o peso de meu corpo sobre os meus pés. — Temos que cuidar do corpo de Dimas, e.. hér... Dar a ele um ritual apropriado, pra que fique perto de Clara. Independente do que ele possa ter feito. — o jovem acrescentou, fitando Nora, Diogo e Ricardo. Desafiando-nos com sua retidão. Meu coração enterneceu ao notar a gentileza e a bondade de Hugo. Lembrei-me de um tempo em que eu própria era assim. Pura e boba, com meu TOC e meu péssimo senso de direção. Dava para notar o quanto eu combinava com o mundo atual, para não dizer ao contrário. Acredito que, se para meu próprio mal eu tivesse sido pego de surpresa pelo Apocalipse Zumbi, e não tivesse mudado meu jeito de ser, realmente estaria morta, mesmo que Jonas houvesse me salvado depois.
– Você está sugerindo que devemos passar mais uma noite por aqui, Primeiro Esposo? — provocou Nora, me enervando profundamente. Eu vi como ela machucou Hugo, e Rico também.
– Sim, Nora. Se você não tivesse o dedo tão solto, poderíamos ir embora. Agora, vamos ter que enterrar um homem e arrumar os tiros que você deu no carro. — rebateu o jovem, sem se acorvadar. Mesmo Nora se surpreendeu. — Sabe, espero que a Vicky volte logo. Ela é muito mais original do que você. — destilou, ácido. Enquanto Nora remoía-se de raiva, o rapaz afastou-se, seguido por Rico.
O clima logo ficou tenso. O silêncio estendeu-se preguiçosamente sobre a noite, como um deus pagão ocioso. Todos olhavam-me de soslaio. Fitavam Nora, tive de me corrigir. Estavam todos embasbacados com a facilidade que ela tivera em matar um ser humano. E, mesmo que eu já tivesse visto coisas como os bandidos motociclistas de dias atrás, ou Arlindo, eu ainda acreditava que a humanidade poderia ser salva, se todos colaborássemos. Matar alguém, para mim, era muito extremo. E doloroso, também. Frustrada e aborrecida, Nora afastou-se do grupo. Nem mesmo Diogo gostava dela, principalmente depois que ela o havia ameaçado. E era, de fato, uma mudança brusca para mim, assistir até mesmo meu melhor amigo, Otávio, virar o rosto para mim. Mesmo que eles estivessem corretos em perceber que não era realmente eu naquele momento, feriu-me vê-los de dentro da minha prisão mental, sem poder fazer nada para tranquilizá-los. Dentre todos no acampamento, Sabrina e Gabriel pareciam os mais chocados. Agora, eles e Tânia eram tudo o que restava do grupo de Saulo. Provavelmente eles seriam quem pior tolerariam aquele ato de violência, mas não foram. Pois, apesar de louca, Nora era tão perspicaz quanto uma raposa. Ela notou, sob os muitos olhares de medo e suspeita, um único olhar de ódio e até mesmo, vaga satisfação com a morte de Dimas... E ele vinha de... Mozart?
Intrigada, percebi que sabíamos muito pouco sobre aquele rapaz. E o modo como ele se tornara cada vez mais calado, não parecia nada bom. Entretanto, ele mantinha-se pacífico e decente com todos, sorrindo e tratando-nos com imensa cortesia. Talvez, imensa demais... O fato, era que eu não levaria o julgamento de Nora tão à sério. Céus, por ela, eu teria matado Carolina ao descobrir que ela havia seduzido Luca. Que, verdade seja dita, estava mais do que feliz em se deixar seduzir. Não devemos santificar os mortos. Suspirando, tentei mais uma vez tomar o controle, e obriguei Nora a parar de andar, quando ela passava ao lado da ambulância de Tânia, que acabava de enfaixar o braço ferido de Gabriel, acompanhada de perto por Nanda, que parecia preocupada com o rapaz. Três cabeças viraram-se para encarar-me ao mesmo tempo. Todos inseguros, e cautelosos. Nora tentou chiar um palavrão, protestando contra minhas oposições ao seu comando. Lembrei-me de todas as características fortes em minha personalidade, que me faziam diferente dela. Geralmente, aquilo dava certo, mas como um elástico que perde seu poder de tração, eu sentia aquele truque ficando velho demais, para continuar a contê-la. Levei um susto quando uma mão tocou a minha. Esperançosa, virei-me esperando por Diogo. Mas era Jonas quem sorria, tanto para mim, quanto para Nora.
– Hey, Nora. Por favor, deixe a Vicky voltar, sim? — ele sorriu, simpático, e senti meus lábios se curvarem num sorriso selvagem.
– Oh sim. Embora eu possa vir a cobrar por isso, no futuro. — Jonas nada respondeu, apenas sorriu, intrigado. Ele parecia realmente afetado por aquele sorriso. Odiei Nora por brincar com ele, e notei que Diogo estava olhando-nos, de longe. Aparentemente, seus cochichos com Ricardo haviam sido interrompidos quando Jonas chegou perto demais. Ele estava começando a caminhar em nossa direção, mas então, como se amarras de couro invisível liberassem meus braços, caí de joelhos de frente para meu amigo, e recobrei as faculdades totais de meu corpo.
– Victoria. — Diogo chamou-me, e virei-me para ele sorrindo. Ele agachou-se ao meu lado, sustentando-me pelos ombros. E então, me ergueu, com urgência. Senti certo desânimo no olhar de Jonas, e lamentei profundamente, desconsolando-me. Eu não queria que ele ficasse com Carol, principalmente porque sabia que ela não gostava dele. Mas também não podia ser dele. O que eu poderia fazer, além de magoá-lo, caso tentasse ser alguém que eu não era? Esse tipo de jogo era para garotas muito mais maliciosas do que eu. Talvez Nora conseguisse. Eu não. — Obrigado pela ajuda, Johnny. Eu assumo daqui.
– Se precisar de mim, estou aqui, Vicky. — sorri para Jonas e murmurei um "obrigada", realmente cansada. Sempre que Nora fazia a festa, deixava o salão de eventos inutilizado.
Acomodada no banco da frente da camionete que eu dividia com Diogo durante a viagem, não senti que os sonhos poderiam ser uma deliciosa tentação. Até, é claro, que eu estava em um gramado brilhante, tão verde quanto as gemas de jade que certa vez eu vislumbrara, em um passeio ao Museu da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Meus pais estavam realmente felizes naquele dia, e Carlos era tão pequenininho... Silvia havia tido trabalho para nos vigiar, impossíveis que éramos, correndo e querendo tocar nas estátuas e nos animais empalhados. Lembranças vagas, que agora reuniam-se no turbilhão agitado de minha psique comprometida. Em meu sonho, eu via um campo verdejante. Mas eu não estava sozinha. Nora estava lá, um duplo meu, e também Diogo e Jonas, olhando em expectativa para nós duas. Ansiosa por alguma razão desconhecida, abracei-me com força diante de uma ventania profunda, que reverberou por todo o meu corpo, acompanhada por duas trovoadas demoníacas, que sacudiram as bases do céu, riscando-o com suas garras.
Meu primeiro instinto, foi o de me afastar de Nora. Contudo, ela fitava-me com um olhar que não podia ser coisa boa. Aflita, tentei chegar ao lado de Diogo, mas ela copiou meus movimentos, mas na direção oposta. Confusa, movi minha perna esquerda, o vento frio arrepiando parte de minhas coxas e minhas panturrilhas, descobertas pela saia negra. Logo, minha gêmea indesejada repetiu o gesto. Chocada e desafiada, dei um passo na direção de Diogo. Ela se aproximou um passo a mais de Jonas. E a cada movimento que eu fazia, mais ela me irritava, e de alguma forma, eu sabia que devia mantê-la afastada de Jonas. Era errado, e ele merecia mais do que ser usado. Nervosa e sem chão, ajoelhei-me na grama, e comecei a chorar. Ao contrário de mim, Nora sorria de maneira plácida, encarando meu penar com perturbadora satisfação. Ela parecia radiante. Prestes a implorar por ajuda, deparei-me com uma mão em meu ombro. Mas não uma mão comum. Esta, pingava sangue. Horrorizada, ergui minha visão até o conhecido rosto de Luca, que envergava a palidez da morte, e a crueldade de seus olhos modificados. Um preto, um branco. Como os meus. Fora daquela forma que eu o vira pela última vez, antes de sua morte. Eu não podia suportar aquilo, então escondi o rosto entre as mãos.
Por um tempo que pareceu incontável, escondi-me. Mas quando finalmente retirei os dedos, gritei ao notar o rosto de Luca a centímetros do meu. O campo havia desaparecido, bem como Nora, Diogo e mesmo Jonas. Segurando meu rosto dos dois lados, Luca aproximou seus olhos mortos de mim.
– Esqueça os dois, Vicky... Você sempre terá a mim... — e antes que ele pudesse me beijar com seus lábios pútridos, acordei gritando e debatendo-me nos braços de Diogo.
– Vicky! Cristo, o que aconteceu? — Diogo abraçou-me forte, e escondi o rosto em seu peito, molhando sua camiseta preta com minhas lágrimas. Era como se uma mão de ferro se fechasse em torno de meu coração, sufocando-me. Senti as intenções de Nora cada vez mais fortes em meu subconsciente, e eu sabia que não seria suficientemente capaz par mantê-la longe. Suspirei, e a dor mental ampliou-se. Além do pesadelo, provavelmente provocado por ela nos recôncavos mais obscuros da minha mente, agora eu também sentia seu oportunismo. Cansada, rendi-me mais uma vez. O que ela queria tão desesperadamente, que precisava tomar o controle de modo tão canalha? Fosse o que fosse, eu acabaria descobrindo do pior jeito.
Novamente no comando, Nora retesou-se em meio ao beijo de Diogo, que tentava consolar-me. Ela mordeu o lábio inferior dele com força, e meu namorado xingou um palavrão enquanto Nora se afastava com um sorriso safado no rosto. Ele estava pálido e muito irritado. Lembro-me de ter visto Diogo furioso outras vezes, mas nunca daquela forma. Eu sabia que mais do que a todos, ele odiava Nora. Odiava o que ela fazia comigo, e o modo como se interpunha entre nós. E eu, odiava-me por não ser forte o suficiente para detê-la. Mas... Como deter alguém que vive dentro de você? Um tipo de entidade, que conhece todas as suas fraquezas e temores, deixando-o mais forte, porém cativo. Aquilo era injusto, e doloroso. Eu podia ver tudo o que ocorria enquanto Nora estava no controle, não havia apagão algum. Apesar de ter sido salva, e sobrevivido à mordida dos zumbis, aquele vírus de alguma forma desencadeara algo dentro de mim. Algo que assustava-me até as entranhas. Nenhum devaneio anterior preparara-me para tamanho medo.
De uma forma ou de outra, eu sabia que pelo menos por algum tempo, eu não poderia fazer nada. Só restava-me acompanhar o andar rebolado de Nora, enquanto ela afastava-se da camionete em direção à pequena fogueira abafada por pedras, rodeada por alguns de meus amigos. Considerei se ela fingiria ser eu. À exceção de Diogo e Otto, ninguém mais saberia reconhecê-la. Com uma angústia crescente, implorei que pudesse ver o rosto de Diogo naquele momento. Sentindo meu desejo, Nora virou a cabeça sobre o ombro esquerdo, e focalizou Diogo enquanto ele passava a mão sobre o rosto, bagunçando os cabelos. Cobrindo os olhos com o antebraço, ele bufou e forçou os olhos a fecharem-se. Ele parecia devastado. Nora sorriu mais uma vez, e continuou sua caminhada perversa. Como a pior das súcubos...
Carolina.
Jonas estava lindo em sua camisa de mangas compridas branca. Ele a trocara mais cedo, logo depois do enterro de Dimas. Fernanda fora fofa como sempre, colocando uma cruz idênticas às de Madeline, Eloá e Clara sobre sua cova. Ela podia enganar a todos com sua ingenuidade, mas não a mim. Eu sabia que havia algo por trás daquela benevolência ruiva. Ninguém era tão bonzinho o tempo inteiro. Principalmente num mundo como o nosso. A maioria de nós havia se recolhido após o enterro, incluindo Ricardo, que parecia um bagaço. Hugo decidira ficar um pouco mais junto conosco, enquanto dividíamos uma garrafa de uísque Green Label. Jonas acendera uma fogueira mais cedo, que fora parcialmente coberta com pedras por Gabriel e Mozart, para que nada fosse atraído pelas labaredas. A noite estava quente e abafada, e eu agradecia por ainda não termos seguido viagem. Eu realmente podia notar os olhares de Jonas o dia todo, e estava realmente bem vestida naquela ocasião. Já que não havia muito o que se pudesse fazer quanto às questões mais óbvias de higiene e estética, eu havia colocado um vestido longo negro, no mesmo tom dos meus cabelos de breu. Eles estavam enormes agora, já passavam da minha cintura, lisos como uma cortina de ébano. Eu amava meus cabelos, e o modo como eles eram sedosos independente dos maus-tratos, também. Simplesmente, algumas garotas haviam nascido para ser belas. Eu não podia dizer que era um fardo pesado.
Bebendo da mesma garrafa que todos, lambi sensualmente a ponta do frasco de vidro, observando satisfeita enquanto os olhos de Johnny escureciam de desejo. Ninguém mais notara minha provocação, exceto Hugo, que parecia desconfortável. Que lindinho, nem parecia que todos o havíamos pego fodendo com Rico. Suspirando entediada, encarei minhas unhas crescidas e sujas. Nem pareciam ter sido feitas algum dia. Frustrante. Estávamos ali Gabriel, Hugo, Mozart, Jonas, Fernanda, Tânia e eu. O resto ou estava dormindo, ou fazendo algo muito mais interessante do que se embebedar num território hostil.
– Eu juro, se mais alguém morrer, vou surtar! — garantiu-nos Gabriel, com o rosto afogueado pelo álcool. Ele estava olhando constantemente para a ruiva, dividindo suas atenções entre Nanda e eu. Sorri de volta para ele, meu melhor sorriso mela cueca. Ele gaguejou enquanto se preparava para dizer mais alguma coisa, e tossiu forte. Fernanda pareceu irritadíssima, e desviou o olhar. Eu ganhei a noite, vadia. Mirando Jonas, percebi que ele estava vidrado em mim. Desconcertante, até. Mas muito bom.
– Não vejo a hora de sairmos desta estrada terrível. — comentou Tânia, aparentemente a única sã ali. Por mim, teríamos ido embora logo depois do acidente de Maddie. Nem esperaria por ninguém, se Otto e Ana não estivessem com o grupo que havia se separado de nós. Acenei em concordância com ela, enquanto Jonas sorria diante de minha fragilidade. Aparente, pelo menos.
– Não se preocupem, senhoras. Rico mandou levantarmos tudo assim que o galo cantar, amanhã. — ele sabia ser gostoso, o careca. Rindo comigo mesma, analisei a vista amplamente, focando seus braços fortes, quase estourando o tecido fino e branco. Suas calças jeans desbotadas pareciam apertadas demais nas coxas, enquanto ele se sentava em frente a mim. Acabei perdendo meu olhar no zíper de jeans, e então percebi que ele havia captado meu olhar. Pela primeira vez em muito tempo, corei de verdade. Johnny abriu um enorme sorriso, e se espreguiçou casualmente, remexendo-se. Safado, estava me provocando. Revirei os olhos e sorri para Gabriel mais uma vez. Nem pensar que daria sossego à Fernanda. Ela teria que me pedir desculpas por me chamar de piranha. Eu a perturbaria até que fizesse. — Sabe, não sei como ainda não encontramos zumbis. Nenhuma horda apareceu, nem mesmo depois de todos os tiros que demos.
– Bem, não acredito que urubus zumbificados sejam algo menos perigoso. — riu Hugo, olhando para Nanda calorosamente. — Além disso, às vezes penso que lidarmos com nossas diferenças e convivermos juntos, é até mais perigoso do que os mortos. — ele sorriu para Jonas, que anuiu silenciosamente. — Não se preocupem, pessoal. Temos que agradecer por uma boa notícia. Se Deus permitir, amanhã estaremos mais uma vez à caminho de Búzios. Aí, quem sabe você não tenha seus zumbis, Jonas? Portanto, não bebam muito e preparem-se. Falta pouco agora. Já enfrentamos trevas demais, pra desistir no meio cinzento. — Hugo levantou-se, e pareceu pela primeira vez, ter a idade que tinha. Ele era mais velho do que eu, por exemplo, mas sua aparência jovial e sua ingenuidade o tornavam ainda mais belo e novo. Um desperdício de homem, assim como Ricardo. Mas agora, ele parecia investido de autoridade sobre nós, como se fosse uma fodida abelha rainha falando. Suspirando, ele seguiu na direção da van, onde Ricardo estava dormindo com as crianças.
Não demorou até que Tânia começasse a nos contar suas histórias da juventude, e enquanto Mozart, Gabriel e Fernanda bebiam suas palavras com fascínio, eu e Jonas prosseguimos com nosso joguinho pervertido. As bordas de meu vestido de algodão roçavam na grama amarelada, enquanto eu movia as pernas discretamente, cruzando-as em minha cadeira de praia. Jonas estava sentado em um caixote de madeira, e parecia ansioso e inquieto, devorando minhas ações com seu olhar caloroso. Ele estava nas minhas finas e graciosas mãos. E realmente, eu estava grata por Victoria ter retornado da morte trazendo esse deus grego com ela. Nervosa, olhei para os outros, mas eles haviam praticamente virado as costas para nós, enquanto trocavam experiências. Ninguém estava prestando atenção. Menos Gabriel, que vez ou outra olhava pra mim. Garotinho irritante, e sem vergonha, como todos os homens. Estava caído por Nanda, mas mesmo assim tentando ver se conseguia algo mais imediato comigo. Patético. Pisquei pra ele, e virei-me para Jonas, levantando-me em seguida.
Surpreso, ele arqueou uma sobrancelha. Eu bocejei e concentrei-me para que algumas lágrimas viessem aos meus olhos. Abençoados cursos de teatro. Chorar sem vontade era uma arma valiosa e insubstituível. Com um olhar desolado, fitei os nossos veículos, estacionados ao redor. Sequei meus olhos exageradamente, e sorri para ele. Alisei meus cabelos, colocando-os do lado direito do meu pescoço, e puxei levemente o vestido para cima, pra que ele não atrapalhasse minha caminhada. Deixei-o na altura dos tornozelos, revelando as botas de salto fino que eu estava usando. Me senti uma gótica com aquela roupa, mas o negro era mesmo interessante. Estava curtindo aquele estilo novo. Parecia inusitado, e exótico.
– Bem, acho que vou dormir. — falei, apenas para ele. Mas Gabriel notou, e os outros por tabela. — Dia cansativo, esse calor é opressivo. Não vejo a hora de irmos embora.
– Quer companhia, Carol? Eu posso te ajudar a andar com esses saltos. — sugeriu Gabriel, todo sorrisos.
– Oh, querido, não quero atrapalhar sua conversa. — eu sorri de volta, maravilhada com a raiva de Nanda. Ora, eu não pedi nada ao seu cachorrinho, querida. Alimente-o melhor. Repreendi, mentalmente. — Além disso, você está se divertindo aí. Creio que Jonas pode me ajudar, não é? — indaguei, olhando para o meu alvo primário.
– Com toda certeza, madame! — garantiu-me ele, com uma reverência engraçada e teatral. Acabei rindo sinceramente. Ele era um cara legal. Pena que eu não conseguia me apaixonar por ele de verdade. Ia ser um namorado incrível. Mas escudo também estava bom. Pelo menos não seria nenhum sacrifício ir para a cama com ele.
Seguimos bem próximos, até que nos afastamos um pouco do grupo. Eu realmente achei que ele fosse me deixar ir dormir ilesa, mas quando contornamos a ambulância, onde Ana e Sabrina deviam estar dando uma festinha, ele empurrou-me contra a lataria do veículo branco, e tascou um beijo com gosto de uísque na minha boca. Eu levei um susto, e abri a boca por reflexo, permitindo que sua língua invadisse meus lábios e explorasse minha boca, convidando a minha própria a dançar com a dele. Fechei meus olhos em seguida, rendendo-me completamente. Coloquei um dos braços ao redor do seu pescoço, e ele puxou-me contra seu corpo enorme, espremendo-me contra seu peitoral. Jonas esfregou-se em mim, e senti sua ereção contra meu quadril. Acabei deixando escapar uma risada divertida, enquanto ele beijava meu pescoço, minhas orelhas e minha garganta.
– Estou querendo fazer isso há muito tempo... — ele confessou, respirando rápido quando nos separamos em buscar de ar. Eu ri com a ansiedade de uma menininha da oitava série. Eu odiava me fazer de idiota, nunca havia precisado disso com Luca. O pensamento me fez ter saudade dele, e vi horrorizada uma brecha abrindo em minha armadura. Desta vez, as lágrimas que vieram aos meus olhos foram de verdade. Aquele garoto tinha sido o amor da minha vida. Será que minha ficha não tinha caído? Coloquei a mão na boca, espantada. Nem mesmo eu própria tinha percebido o quanto estava vulnerável e desesperada com a morte dele. Como a ausência de alguém poderia mexer tanto conosco? — Hey, está triste? Eu te vi chorando na fogueira, mas pensei que fosse só o sono...
– É Luca. — desabafei, notando que provavelmente nenhum dos meus amigos aceitaria me ouvir falando de bom grado de como eu amava o namorado da minha melhor amiga. Ou ex-melhor amiga, já que agora ela parecia só pensar em Fernanda e Ana. — Estávamos juntos, quando ele morreu. Isso mexeu muito comigo. E como você já deve ter ficado sabendo, é complicado pra mim falar disso com o resto dos nossos amigos. Eles simplesmente não entenderiam...
– Eu sei. — tranquilizou-me. — Eu também percebo o modo como alguns deles olham pra mim, Carol. Com julgamento. A verdade, é que eles temem o Inumano. Principalmente quem viu o que aqueles de nós que não conseguiram controlar o vírus, podem fazer. De alguma forma, eu e Victoria não nos tornamos monstros, como os outros. Ouso dizer que eu me adaptei melhor até mesmo do que ela, já que não tenho nenhuma personalidade psicótica, pelo que me lembro. — riu, e seu sorriso aqueceu meu peito. Jonas era lindo. Ah, como seria bom e fácil se apaixonar por ele! Porque eu não podia? — E quanto ao que rolou com o Luca, fique em paz. Ele fez o possível para tornar sua morte significativa. Isso, porque ele também te amava, e se importava com seus amigos. O suficiente para morrer tentando mantê-los seguros.
– É verdade, e mesmo que eu sofra, sei que preciso seguir em frente. Sei que é o que ele gostaria que eu fizesse. — admiti, sorrindo sem jeito. De alguma forma, percebi que não precisava mais atuar. Eu estava realmente precisando de conforto. Ridícula e manipuladora, eu sei que sou. Agora, emotiva, era novidade.
Jonas me abraçou, beijando-me profundamente. Seus dedos, afundaram-se em meu couro cabeludo, envolvendo-me em seus braços de mármore sólido. Seu cheiro, apesar do suor e da bebida, não era ruim. Fato que me surpreendeu já que eu o considerara erroneamente, um troglodita. Ele era dócil, ansioso por dominação, e muito delicado comigo. Meu corpo era relativamente pequeno comparado ao seu, então acabei ficando nas pontas dos pés para beijá-lo, e quanto suas mãos envolveram minha cintura, senti-me compreendida e desejada. Protegida. A salvo. A sensualidade de antes, havia sido substituída por conforto e amabilidade. Era como se uma aura cor de rosa nos rodeasse, e eu estava adorando. Suas mãos desceram pelo meu vestido, e ele tocou minha bunda. Oh, então seu tesão ainda estava por aí em algum lugar.
– Não vamos fazer sexo hoje. — anunciei, com um olhar divertido. — Não estando sujos desse jeito. E também, um chuveiro é parte essencial do que eu pretendo fazer com você...
– Senhorita, você tem argumentos poderosos. — reconheceu Jonas, seus olhos baços de luxúria. Ele mergulhou o rosto em meu pescoço, cheirando meus cabelos. — Deliciosa...
– Eu discordo. — uma voz cortante fez-se ouvir. Confusa, empurrei Jonas levemente, separando-me dele.
Olhando para nós, jazia Nora. E seus olhos, não eram nada amigáveis.
Victoria.
Suspirei profundamente quando vi Carolina na companhia de Jonas. Ela havia conseguido. Não pude evitar o leve ressentimento em meu peito, apesar de ambos serem livres e desimpedidos. É claro que Nora, era muito mais literal. Senti potentes ondas de raiva emanando dela, enquanto meus punhos se fechavam fortemente. Então eu entendi tudo. Nora estava interessada em Jonas. Oh, Deus... O que seria de Carol? Eu não percebera direito, mas aquilo estava rolando o dia inteiro. O que era pior, é que eu estava com ciúmes de mim mesma! Nora não podia gostar de alguém. A maldita era um pedaço de mim! Não tinha direito à autonomia. Mas então, súbita uma revelação me ocorreu. Nora, era constituída dos fragmentos do meu subconsciente. Então, se ela gostava de Jonas, em algum lugar da minha mente perturbada, eu devia gostar dele também. Maldição. Ela havia dado em cima de Diogo, e teria ido pra cama com ele. Nora não é alguém dentro de mim. Sou eu mesma. Só que perversa, e extremamente egoísta. Maldição dupla. Carolina estava perdida.
Eu era o olho branco. E Nora, o negro. Avançando em direção à Jonas, vi abismada enquanto ele protegia uma pálida Carolina com seu corpo, enquanto parecia genuinamente preocupado comigo. Eu me preocuparia mais com ele mesmo. Nora pareceu confusa por um momento. Ela esperava o quê? Que Jonas permitisse que ela ferisse Carol? Pobre tola. Ele jamais faria isso.
– Jonas, será que podemos conversar? — pediu Nora, e meu sangue gelou. Ela estava imitando a minha voz!
– Vicky? — indagou Johnny, e ela fez que sim, com a cabeça. Xinguei-a com veemência, mas a cretina me ignorou. — Hey Carol, vou conversar com ela um pouquinho. Melhor você descansar. — ele beijou-a novamente, e o sangue de Nora ferveu. O meu também, um pouquinho. Carolina sorriu para ele, e depois para mim, insegura. Nora sorriu de volta, mas sua imitação pareceu falha mesmo pra mim. Felizmente, Carol engoliu. Ela se retirou, mas quando estava passando ao lado de Nora, que ela julgava ser eu, levei um susto. Nora agarrou o seu pescoço com a mão direita e a expressão de choque de Carol espelhou a de Jonas.
– Eu poderia matá-la como se estivesse expremendo um maldito patê de presunto. Ou melhor, de galinha... — considerou Nora, abandonando seu fingimento. — Surpresos? É, Nora falando. E vou deixar uma coisa clara: Esse homem é meu, vadia. Chegue perto, e eu te mato. Ok? — Carol estava chorando. Ela concordou fracamente, e Nora a soltou. Jonas parecia horrorizado. Minha amiga caiu de joelhos no chão, tossindo e soluçando.
– Nora, que loucura é essa? — chocou-se Johnny, estupefato. — Eu jamais seria seu!
E ouvindo essas palavras, Nora levou um choque tão profundo, que a enfraqueceu. Senti-me forte o suficiente para fazê-la se afastar de Carol. E com dois passos incertos, minha personalidade perversa deixou-a em paz. Infelizmente, aquilo era tudo o que eu podia fazer no momento. Mas aquilo não estava acabado.
– Como assim? Você gosta de mim. — disse Nora, sem conseguir processar a informação.
– Eu gosto da Victoria. Não de você. Você é o que há de pior nela, todos os erros e frustrações contidos, se libertam na sua manifestação. E mesmo assim, ela está se esforçando para controlá-la. E agora, eu também gosto da Carol. Ninguém vai fazer mal a ela. — oh, Jonas! Carol o agarrou direitinho. Nora virou-se para ela, e minha amiga estava sorrindo para Jonas, calorosamente. Havia algo real ali. Não paixão ou desejo, mas provavelmente amizade. Menos mau. Ainda assim, admito ter gostado de saber que Jonas gostava do meu eu oficial. Contudo, Nora estava possessa. — Por favor, deixe a Vicky em paz. Você a está machucando. — pediu Jonas.
E talvez porque não pudesse mais suportar ser rejeitada, Nora deu-se por vencida. Caí de bunda no gramado, exausta e chocada. Meus olhos piscavam sem parar, vibrando em desespero, até que lágrimas molhavam meu rosto. Olhei para Carol e sussurrei um "desculpe", diante do qual ela sorriu e rebateu com um "não por isso". Jonas estava ao meu lado em um segundo, indo verificar Carol em seguida. Os dois se ergueram do chão, mas eu parecia feita de borracha. Quando me perguntei o motivo para ambos terem paralizado, olhei para trás. Diogo parecia comovido e mortificado, enquanto me olhava com uma expressão pesada. Senti tristeza só de vê-lo daquele jeito. Era mais do que eu poderia suportar. Eu não sabia nem a quanto tempo ele estava ouvindo! Ergui meus braços na sua direção, como um estúpido bebê chorão faria. Para meu alívio, ele correu na minha direção e me pegou no colo. Chorei contra seu cangote, e ele me apertou firme contra seu corpo. Tive pena dele. Ninguém deveria aturar uma louca como eu. Eu não aguentava mais aquela luta constante.
– Me perdoe Dygo... — murmurei, chamando-o com meu apelido especial.
– Quieta, Victoria. Vamos dormir. Nunca me peça desculpas pelo que faz parte de você. Vamos descobrir um jeito de controlar Nora, você vai ver, minha loira... — prometeu-me ele, e sorri enquanto escondia meu rosto em sua roupa. Ele cheirava à couro como a camionete, e tinha também cheiro de Diogo, cheiro de seu suor. E o meu cheiro estava nele. Ele era meu. Diogo era real. Ele era seguro. — Obrigado por ajudar, Jonas. Por mais que eu queira te arrebentar pelo que acabei de ouvir. — sem esperar resposta, Diogo virou-se na direção de nosso carro. Agora, Jonas havia dito em voz alta que estava apaixonado por mim. Diogo já desconfiava, mas agora que sabia, ficaria insuportável com relação à ele. Acredito que ele não estava nada contente por saber que Nora — ou seja, eu — nos sentíamos atraídas por Jonas. O que ele diria, quando eu acordasse? u queria mesmo saber?
Ah, inferno!
Notas finais
Digam o que acharam, foi particularmente divertido escrever esse capítulo! Vou me esforçar pra demorar menos com o próximo! Bjs a todos! Ah, e quem quiser favoritar a fic, me deixaria muuuuuito feliz! Bye!
Kisses by DroppingPieces!
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