Quebranto.
9 Não há refúgio.
Notas iniciais
:B
– Acho que o tablet não quebrou... – disse Ana, na traseira da camionete. Ela estava retirando a capa de chuva da mochila onde guardara os aparelhos eletrônicos e o resto de comida que ainda tínhamos.
– Vocês tem um tablet? Isso é muito bom. Na nossa comunidade, ficamos isolados das casas com computadores. Seu tablet pode ser o único meio de nos comunicarmos com o mundo exterior. – admirou-se Eloá.
– Pelo menos não arriscamos nossas vidas por nada. – resmungou Diogo, mal-humorado. Seu ombros largos e fortes pareciam pertencer a uma máquina de guerra.
– Nós os salvamos porque era o certo a se fazer. – declarou Armando, repreendendo o outro. – Essa loucura não muda nada. Ainda somos gente decente. – “Como é bom ouvir isso”, pensei, considerando que era a primeira vez que alguém falava em moralidade desde o início daquele caos todo.
– Onde vocês estão escondidos? – indagou Otto, curioso.
– Estamos no alto de um morro, na parte mais alta e íngreme da Favela do Trocado. É uma comunidade carente de Cabo Frio*, mas muito útil para se refugiar dos errantes, pois parece que eles têm dificuldade em subir morros tão inclinados. A maioria só chega na metade, aí conseguimos mata-los com facilidade. Você vai entender melhor quando chegarmos lá. – contou Armando, enquanto Ulisses limpava uma pistola de aspecto envelhecido.
Continuamos a seguir viagem através do centro da cidade, logo deixando o ambiente urbano em benefício de outro, com aparência mais rural e precária. Haviam estradinhas de terra batida, e regiões verdes crescendo livremente. As moradias também decaíam conforme íamos afastando-nos da área infestada por errantes. Alguns zumbis tentavam seguir o veículo, sendo logo deixados para trás. Não havia sinal de vida em local algum, e em algumas casas, era possível avistar o movimento de um ou outro monstro, letárgico. Senti o ar daquela manhã carregado com uma brisa fria e salinizada. A caminhonete deslizava no chão de terra, e fazia curvas velozes sob a direção firme de Armando, que parecia decidido a chegar a um local seguro o mais depressa possível. Nossa conversa seguiu fluindo por alguns minutos, nos quais Ulisses nos contou que o morro para o qual nos dirigíamos ficava próximo a um lago de água doce, de onde a população estava tirando peixes e rãs, para consumo. Era arriscado descer ao nível da água, e só os pescadores mais experientes e o grupo que havia nos encontrado se arriscava a tanto. Minha curiosidade só aumentava, até que avistamos uma horda de errantes.
Aglomerados em meio a residências carentes e comércios mal conservados, os zumbis se mexiam de um lado para o outro, tentando subir o morro que levava às casas mais altas, iluminadas com energia elétrica. De onde estávamos, era possível ver algumas pessoas comuns no alto da favela. Eles comemoravam e acenavam para nós. Barricadas semelhantes às empregadas pelo tráfico para impedir o avanço da polícia, barravam os andarilhos mais bem conservados, que de algum modo ainda mantinham forças para subir a ladeira. Atropelando algumas das criaturas, Armando não vacilou enquanto subia o morro. Logo, o veículo parou. Não muito distante alguns cadáveres tentavam se aproximar de nós. Havíamos sido avisados de que nenhum veículo passava da metade do morro, e de que precisaríamos terminar o trajeto a pé. Mesmo assim, o ponto no qual estávamos, era de difícil acesso para a maioria das criaturas, e mesmo para mim, não parecia tão perigoso. Senti um solavanco quando Diogo me puxou para fora do banco do carona. Vi que Luca o observava de perto, com uma expressão irritada. Era possível antever problemas, entre aqueles dois.
Empalando um zumbi bem no olho, Eloá abriu passagem para meus amigos, que a seguiam de perto. Algumas pessoas desceram do morro para ajudar, cerca de umas quatro. Uma menina ruiva de aparência juvenil, um homem bonito de meia-idade, um negro troncudo como Diogo, e com uma expressão determinada, além de uma mulher negra e magra, muito bonita. Eles golpearam os poucos mortos com forças o suficiente para tentar nos matar, e abriram caminho entre a barricada de pneus e ferro-velho, improvisada no que parecia ser um tipo de proteção final contra monstros. Tropecei em um escapamento de moto solto, e ouvi Diogo bufar incomodado, enquanto mantinha um aperto forte em minha mão. Curiosamente, ele estava de cara amarrada e mandíbulas tensas. Seu rosto só relaxou quando eu havia passado pela barreira. Completamente molhada, olhei ao redor. De algumas casas mais habitáveis, algumas pessoas expiavam o nosso grupo. Contei umas dez, mas eu sabia que devia haver mais. A menina ruiva alisava o braço com o qual havia golpeado os andarilhos. Era óbvio que ele estava lidando tão bem com a situação quanto eu. Rolou uma identificação imediata. Sorri para ela quando me entregou um cobertor, e caminhamos juntas até o ponto mais alto do morro, que se subdividia em becos e vielas, todos lacrados pelos homens de Armando. Eu suspeitava de que ele fosse traficante, mas todos diziam ser apenas pescadores. Sinceramente, naquela altura do campeonato eu não dava à mínima, desde que não fosse devorada.
Trocando olhares constantes, eu e meus amigos caminhamos a passos lentos pela ladeira, notando a maior casa da região. Era a Associação de Moradores, que agora servia como um tipo de quartel-general, ou algo assim. Armando entrou na frente, e o seguimos, sendo escoltados por Eloá, Ulisses e Diogo. A menina ruiva também estava ali, e logo surgiu com cinco toalhas de banho, para que nos secássemos. Ela era muito bonita, e tinha curvas generosas para a aparente idade. Usava um vestido amarelo de linho simples, e um crucifixo de madeira enorme, que se emoldurava em seus seios com uma imagem de Jesus em martírio. Seus cabelos, cor de fogo, permaneciam soltos em generosas mechas que se ondulavam nas pontas. Seus olhos eram azuis, quase cristalinos. Parecia uma irmã gêmea de Luca, só que mais bonita. Certamente, ela tinha um poder feminino intimidante. Devia ter sido muito cobiçada antes de o mundo acabar. Fomos guiados até uma salinha, onde havia um escritório simples. Para nossa surpresa, o local tinha ar-condicionado em funcionamento, o que por si só era uma delícia inusitada, naqueles tempos. Armando sentou-se numa cadeia acolchoada, e se virou para nós. Todos fizeram alguns minutos de silêncio, nos quais parecíamos agradecer por estarmos vivos. Os suspiros de alívio e as respirações profundas demonstravam isto.
– Bem, sei que parece estranho, mas trouxe vocês até aqui para explicar nossas regras, e o quê fazemos para nos mantermos vivos. – começou Armando. – Depois, se todos concordarem com nossos termos receberão um lugar para ficar. – explicou com serenidade. – Bem, primeiro, é nossa maior regra nunca ultrapassar nem violar as barricadas. Elas são nossa proteção, e ninguém deve danificar uma delas sem permissão coletiva. Se alguém for apanhado fazendo isso, terá de ir embora. Segundo, ninguém anda sozinho. Em terceiro, toda comida e roupas, são divididas entre todos. Objetos pessoais e eletrônicos podem ser mantidos. Em quarto, ninguém que não tenha treinamento, nem consentimento do povo, pode portar uma arma. Brigas entre moradores devem ser evitadas ao máximo, e é de suma-importância colaborar de alguma forma. Seja nos grupos de busca e de proteção, ou nas tarefas domésticas e na limpeza. Fui claro? – concordamos com a cabeça, como se estivéssemos na escola novamente. – Ótimo. Se estiverem de acordo com tudo, Fernanda vai mostrar-lhes a residência onde ficarão abrigados. Ela é a única moradora atual, e vão dividir o lugar com ela.
– Eu estou de acordo. – me ouvi falando, com um sorriso fraco.
– Idem. Acho que aceitamos todos, as condições daqui. – ajuntou Luca, recebendo olhares de concordância dos demais.
Sorrindo, a ruiva de nome Fernanda nos guiou pelo povoado. Minha impressão inicial se mostrou menos verdadeira do que eu esperava. Além dos rostos que eu já havia notado, havia pouquíssimos desconhecidos. O grupo de Armando não era tão grande quanto eu pensara. Segundo Fernanda, que parecia cantar ao usar sua voz baixa e etérea, somente vinte e quatro pessoas haviam conseguido se reunir no alto do morro. A maioria nem morava no lugar, antes da infecção. Com o surto da “gripe do urso”, todos os moradores tinham sido evacuados para o centro pela prefeitura, e poucos tinham ficado. Desse grupo, não restara nenhum sobrevivente depois que os zumbis haviam começado a se levantar. Todos haviam se reunido, e sob a orientação de Armando que era líder dos pescadores, tinham resistido.
– Grande parte do pessoal chegou aqui com o Armando. Alguns outros foram sendo salvos. Tivemos alguns casos de mordidas escondidas e de gente querendo dominar os outros, e as regras acabaram sendo criadas. Pelo Armando, e pelo Dr. Shepard. – contou-nos Fernanda, enquanto andava um pouco à frente de nós.
– Doutor Shepard? – indagou Otto, esperando que a jovem terminasse a frase.
– Sim. Ele é um dentista muito rico. Trabalhava em um consultório no centro do Rio de Janeiro, mas sempre vinha passar dezembro em Cabo Frio, com a mãe dele, que mora numa mansão perto do centro, num desses condomínios de veraneio luxuosos. Como o pai dele fazia antes de morrer, Ricardo Shepard também atendia a população mais carente durante as férias. Estava preso com duas crianças numa loja de conveniências, quando Armando os encontrou. Desde então, ele ajuda a organizar as coisas por aqui. Devemos encontra-lo no jantar. Ah, e não se sintam obrigados a agir formalmente. Podem me chamar de Nanda. – pediu a menina. Era estranho encontrar alguém tão calmo e sorridente, principalmente quando em minha mente só se passava dor e morte.
– E sobre a mãe do doutor? Ela morreu? – me perguntei o motivo da curiosidade de Otávio. Até que me lembrei de que meu amigo adorava pensar em problemas de outras pessoas, quando estava desesperado com os seus.
– Ninguém sabe. Ricardo planeja chegar até sua casa, mas é mais um sonho do que um plano. Além dos perigos da viagem, com os monstros, ele é muito necessário aqui. Mesmo não sendo médico, é a única pessoa que tem noções de primeiros socorros, e de como limpar e cuidar de ferimentos ou doenças simples. – Nanda parecia distraída enquanto falava, ignorando algumas casas lacradas com madeira nas portas. – Pronto, é essa aqui.
A casa que ela nos mostrou era até bonita, de certa forma. Tinha dois andares, com pintura em tinta verde-claro do lado de fora. O portão era de madeira, e tinha um olho-mágico. A fechadura estava arrombada, e o caminho até a residência revelava um chão limpo e todo de ardósia. A varanda da casa era bem arejada, e havia uma profusão de plantas no quintal, incluindo uma samambaia que ameaçava tomar conta do local. Entramos na casa, e ela tinha um cheiro forte de lavanda, que subia dos incensos acesos nos cantos dos cômodos. Provavelmente, o intuito de Fernanda era mascarar o cheiro de lixo e morte que tomava conta do acampamento improvisado. Largando a única mochila que sobrevivera ao nosso trajeto sobre o sofá, Ana deixou-se afundar na mobília. Havíamos entregado os poucos saquinhos de biscoitos e umas três latinhas de soda para Armando, que prometeu entregar as besteiras para as crianças. Nossa preocupação real, era estar em segurança, e ao menos por um tempo, parecia que estávamos conseguindo.
– Pessoal, tem um chuveiro aqui embaixo, e outro no segundo andar. Sei que vocês devem estar querendo tirar esse cheiro de água salgada e suja do corpo, então pensei em separar umas roupas pra vocês enquanto se limpam. Uma amiga minha, Cristina, ajuda na distribuição de itens, vou pedir pra ela vir até aqui. Sintam-se em casa. Ela é de vocês também, agora. – declarou Nanda, praticamente esvoaçando para fora da sala. Ficamos nos olhando por um tempo, e notei que nenhum de nós tinha conversado, desde nossa última correria.
– Sei que o clima está estranho, então vou falar. – começou Carolina. – Vicky, sei que você anda estranha comigo. Entendo que os efeitos dos seus remédios passaram, mas não é justo que me culpe pelo fim do mundo! Sei que pessoas como você, quando em forte stress, descontam tudo em que estiver mais próximo, mas não dá pra ficar desse jeito. Nossa vida está em jogo. – sei que não foi a intenção de Carol, mas o modo como ela se referiu a mim e meu TOC, como se eu fosse doente mental, me fez ferver o sangue. Otto me olhou na hora, ciente de que eu não suportaria muito mais.
– Bem, é uma pena que você esteja magoada. Mas certamente, não decidi simplesmente ser desagradável com você. Céus, eu até lidei muito bem com toda essa merda! A mulher que ajudou a me criar está morta, minha madrinha, mãe do Otto, está morta também! E eu nem surtei até agora! Fodam-se os remédios! O que está me deixando fodida da cabeça é esse monte de mortos malditos que não ficam mortos. É o medo de morrer despedaçada, a qualquer hora. Nossa, quando eu ia imaginar que ia pular de um barco pesqueiro e nadar numa água cheia de bichos, pra salvar minha vida? Eu não tenho as mesmas vantagens que vocês. Compreender esse excesso de informações é difícil, principalmente sem meus remédios. Eu fico pensando em contar, e em limpar o tempo todo! Deus, esses cadáveres me dão tanto nojo, que me paralisam! – desabafei. – Não levem pelo lado pessoal. Mas não vou aturar ser tratada como uma anormal. Estou me esforçando aqui. E escapei tão bem quanto vocês. Não sou uma inútil. – meus amigos tinham expressões solidárias. Pareciam todos devastados e cansados.
Não suportando mais aquilo, corri para o segundo andar, pisando forte no chão de tábuas. Abri uma gaveta no armário do banheiro, que continha algumas toalhas de banho. Peguei uma, e joguei sobre o sanitário. Entrei no Box, e liguei a água no frio mesmo. Esfreguei o corpo com um sabonete de glicerina largado por ali, contente por estar me livrando do cheiro de água suja. O pedaço de sabonete era bem pequeno, um claro método de economia. Resolvi limpar com força apenas as partes mais importantes, e saí dali. Tive de esfregar o cabelo com um shampoo de criança, e ele parecia uma palha infértil. Suspirando, sequei-me rápido, e enrolei a toalha sob os braços. Encontrei com Ana ao sair do banheiro, e trocamos um abraço solidário. Ela deu uma risadinha, e passou por mim fechando a porta atrás de si. Havia um único corredor no segundo andar. Através dele, cinco portas davam para os quartos da residência. Eram quatro para solteiros, e um para casal. Fernanda ocupava o quarto no fim do corredor, e teríamos de nos virar com os restantes.
– O pessoal imaginou que talvez quiséssemos ficar juntos. – comentou Luca. – Eu disse que ia ter que falar contigo, primeiro. – ele tinha um tom de voz magoado. E eu dera muitos motivos para que ele se sentisse assim, bem sabia.
– Você ainda quer dormir comigo? – perguntei insegura. – Acho que não fui uma boa namorada nos últimos dias. – admiti, com lágrimas ardendo nos olhos. Meus amigos eram tudo que eu tinha, e eu estava ficando louca justamente com eles.
– Mas que ideia estúpida é essa?! – exasperou-se Luca, se aproximando num átimo. Voltei-me para encará-lo, e percebi que estava apenas de toalha, exibindo seu abdômen levemente definido, e sua pele branca como mármore, salpicada de sardas ruivas, e gotículas de água. Ele me abraçou de frente, e envolvi seu pescoço com meus braços, escondendo o rosto na curva de seu pescoço. – Você está sofrendo. Eu seria um canalha se te privasse do luto pela Silvia. Além disso, estou feliz por te abraçar de novo. Você nem parecia consigo mesma nesses dias de dor. Era como se víssemos uma versão mais sombria do coração do nosso grupo. Você é o elo que nos mantém unidos, com seu instinto maternal. Não perca isso. Eu te amo tanto... – não deixei que ele terminasse. Erguendo meu rosto, dei o beijo mais salgado que experimentara em toda a minha vida. As mãos fortes de Luca me puxaram para mais perto, e minha toalha se soltou, me deixando nua no meio do corredor.
– Ai, merda! – me desesperei, pegando a peça de algodão novamente. Luca estava rindo. – Quando a Nanda vai chegar com roupas? – reclamei, bem na hora em que ouvi passos na casa. – Deve ser ela, vou buscar algo pra gente... – estava descendo a escada quando Luca segurou meu braço, ainda sorrindo.
– É o Diogo, com roupas. – ele estava olhando por uma janela ao nosso lado. – Deixe que eu desça. Não quero você só de toalha perto daquele marombado. Ele fica te comendo com os olhos. – resmungou, descendo na minha frente. Revirei os olhos, ciente de que ele cismaria com o cara desde o momento em que havíamos sido salvos.
Abri a porta dos quartos, até achar o de casal. Entrei, e me sentei na cama. Uma escrivaninha intocada revelava fotos empoeiradas e objetos revirados dos antigos moradores. Uma família grande, de quatro filhos. O casal que dormira ali antes de nós era muito belo. Um homem de cabelos grisalhos e pele branca, e uma mulher um pouco mais nova, negra e com lindos olhos negros. Os filhos eram uma grande mistura, mas todos bonitos. Escutei passos no corredor, até que Luca abriu a porta. Ele ainda estava de toalha, mas tinha uma bolsa de viagem nas mãos. Sem dizer nada, ele sentou-se ao meu lado, e abriu a bolsa, mostrando roupas masculinas e femininas.
– Não são bonitas nem de marca como as que tínhamos, mas acho que é melhor que nada. – comentou Luca, levemente deprimido.
– Vamos dar um jeito de deixar essas roupas lindas. – falei, sem muita convicção. – Sabe, antes de colocar roupas, pensei em uma atividade na qual elas não são necessárias... – sugeri, alisando o peito de Luca. Ele pareceu surpreso por eu ter tomado a iniciativa, mas não perderia a oportunidade, como eu bem imaginava.
Deitamo-nos sabendo que, mesmo que por pouco tempo, teríamos um mundo só nosso. Encontrar no corpo dele meu refúgio era o máximo que eu podia fazer para afastar a urgência de nossa realidade. Apesar de não ter certeza sobre o amanhã, tinha certeza do que queria naquela hora. E quando senti o corpo de Luca totalmente conectado ao meu, mesmo sem preservativos, não tive medo. A expectativa de vida mundial caía a cada minuto. E, se eu morreria terrível e dolorosamente, porque não aproveitar um pouco a estrada para o inferno?
Notas finais
Dropping. ^^
*A Favela do Trocado é uma comunidade fictícia, não existe na cidade de Cabo Frio real. Pelo menos, não que eu saiba... :B
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