Quebrando As Regras - Scorose
4 Conversa
Regra 4: Uma Weasley não fala de sua vida para um Malfoy.
Rose limpava as mesas pela terceira vez naquele dia, não havia muito oque fazer, havia apenas cinco clientes no bar e todos estavam muito ocupados com suas bebidas, Scorpio a observava atentamente esperando seu primeiro deslize, mas ela não iria dar este gostinho a ele.
Se Scorpio podia ser teimoso em insistir que ela só ficaria aquela noite por que o filho de Ana talvez precisasse, ela podia sermais e persistir com seu plano de ficar ali por um período de tempo maior.
Um senhor sentado só em uma das mesas levantou a mão e Scorpio viu Rose ir atendê-lo, ela sorria enquanto ouvia o pedido e o anotava num pequeno bloco, assim como Tom e Bob, ele parecia agir de forma mais educada que o normal. Como ela fazia isso? Era como se enfeitiçasse todos a sua volta, ela não era uma princesa e sim uma bruxa. Scorpio deu um sorriso torto devido aironia da sua conclusão. Era óbvio que Rose Weasley era uma bruxa, assim como ele.
Alguns homens até lançaram olhares mais cobiçosos a Rose, mas nadaalém disso, ao mesmo tempo em que ela atraia, parecia impor um respeito muito útil, ela era educada mas sem dar muita liberdade para aproximações mais intimas, até os mais “empolgados” se comportaram, o que tranquilizou Scorpio, não queria confusões, estava ali justamente para fugir delas.
Assim a noite correu tranquila, mesmo nos momentos mais agitados eles conseguiram cuidar de tudo. Rose achou a músicatediosa, mas ela preferiu não comentar, talvez Scorpio se ofendesse e isso era algo que não queria ver, afinal ainda precisava convencê-lo a permitir que ela ficasse mais de uma noite, pelo menos até que tivesse outra opção.
O bar esvaziou cedo e Scorpio resolveu fechar. Com a ajuda de Rose o serviço de limpeza fluía bem mais rápido do que na noite anterior, mas eles pouco falavam, só o necessário. Scorpio fingia que nada havia acontecido, e Rose não tentou tocar no assunto, era como se a cena no estoque tivesse acontecido entre outras pessoas e não eles.
Quando faltava apenas o balcão, eles se dividiram esfregando um de cada lado até que finalmente se encontraram no centro. Scorpio finalmente falou, colocando o pano que usava de lado:
– Já que você vai realmente dormir aqui hoje, acho que tenho o direito de saber.
– Oque? – perguntou ela curiosa.
– Como você veio parar aqui e porque.
Rose pensou em dizer não, afinal ele não tinha nada a ver com sua vida, mas na verdade também achava que ele devia saber, desejava lhe contar a verdade, não tinha ninguém com quem conversaralém dele.Então respirou fundo e começou a contar sua história:
– Não sei se você se lembra, mas na época em que estudávamos em Hogwartseu namorava um cara, o...
– O idiota do Ian. Sei.
Rose o olhou brava pela intromissão e pela ofensa a Ian, ela não o amava, mas ele havia sido um bom amigo. Scorpio percebeu e completou rápido:
– Disputas dequadribol – e deu um sorriso de lado.
– Continuando de onde você me interrompeu – falou Rose mostrando seu desagrado e lançando a ele um olhar que dizia para não interromper mais – Nós namorávamos e então há alguns meses ele me pediu em casamento, na hora me pareceu certo aceitar, então eu disse sim e íamos nos casar na tarde de ontem...
– Aí você fugiu?
Rose respirou fundo, tentando não se irritar com a nova interrupção, não gostava que a interrompessem.
– Isso -concordou — Horas antes percebi que era loucura...
– Bota loucura nisso! Casar com o Ian? Na verdade beira a idiotice – falou Scorpio meio amargo, oque fazia sua voz soar arrastada e irônica.
– Será que dá pra você evitar as ofensas e o sarcasmo?
– Na verdade não – ele mantinha o mesmo tom – É meio difícil, sabe?
– Claro, já estava começando a esquecer de que isso faz parte do seu jeito de ser – disse Rose se recordando das poucas vezes em que estivera perto o suficiente para que pudesse vê-lo destilar seu veneno.
– Fico feliz que tenha lembrado – disse ele com um sorriso falso, na realidade não se orgulhava disso, mas talvez fosse melhor deixa-la achando que ele era o mesmo moleque de antes – Continue – e gesticulou a incitando a continuar.
– Estávamos com tudo pronto, o lugar, o Buffet, as damas e tudo o mais, acho que os convidados já haviam até chegado quando percebi....
– Que o Ian é um panaca?
– Para Scorpio! – ralhou Rose – Você quer que eu conte ou não?
– Que foi? Não fiz nada! – falou ele se fazendo de inocente.
– Você fica me interrompendo e já é a terceira vez que ofende o Ian!– disse como se brigasse, mas assim como Scorpio, ela ria.
– Desculpa, é que não resisto – falou ele ainda rindo – Mas prometo não interromper mais, pelas calças usadas de Merlin.
Rose revirou os olhos.
– Percebi a loucura daquilo tudo, não porque o Ian não prestasse ou algo do tipo, mas sim porque o que sentíamos um pelo outro era só amizade e não amor ou pelo menos paixão...
– Mas até onde eu sei amigos não pedem amigas em casamento -falou ele como se dissesse que um mais um é dois — E elas muito menos dizem sim a não ser que haja um sentimento além da amizade.
– Verdade, mas nós fizemos isso porque era oque parecia certo – Rose ignorou a nova interrupção.
– Pra mim parece loucura ou idiotice. Repito: o Ian é um idiota! Não me parece certo pedir em casamento alguém de quem não se gosta.
– É, acho que de acordo com seus pensamentos EU sou uma idiota também, afinal eu disse sim – Rose falava sem nenhum ressentimento e sim como se concordasse.
– Desculpa, não queria te ofender, mas isso me parece tolice. Porque dizer sim a um cara pelo qual você não sente nada? – Scorpio se sentia aliviado por Rose não gostar realmente de Ian, talvez porque achasse o cara realmente um idiota, mas no fundo sentia que havia algo mais.
– Acho que fiz isso porque era oque todos queriam e esperavam que eu fizesse... Pode parecer bobagem, mas eu me importo com minha família, então acabei fazendo oque eu acreditava que os faria felizes...
– Mas e a sua felicidade? – interrompeu ele, de novo.
– Acho que a coloquei em segundo plano, pelo menos até ontem, quando finalmente...
– Percebeu a IDIOTICE que estava fazendo.
– É Scorpio, até que eu percebi a idiotice do que estava fazendo. Agora pretendo dar um jeito na minha vida, me virar sozinha, sem ninguém ao meu lado para decidir por mimou ...
– E eu achava que minha família era difícil!
Ela deu um sorriso amargo e balançou a cabeça.
– Minha família é maravilhosa Scorpio, não posso culpa-los, acho que o problema sou eu. Sempre quis corresponder às expectativas que eu acreditava que eles tinham sobre mim, então passei a agir de acordo com o que pareceria melhor a eles.
– Hum, entendo – falou ele olhando o tampo do balcão.
– Não Malfoy, você não entende...
– Entendo sim, mas agora acho melhor irmos dormir – encerrou ele, evitando que a conversa se profundasse ainda mais.
Rose não entendeu como Scorpio poderia compreendê-la, mas não disse nada. Eles terminaram a limpeza e subiram para a casa, já eram 3 da manhã, Scorpio apontou para Rose uma porta pela qual ela não se interessara antes e disse:
– Você vai dormir ali, já coloquei roupas de cama e banho limpas.
– Ok – concordou Rose com minhoquinhas em sua cabeça.
Antes que ela pudesse perguntar oque a intrigava ele se fechou em seu quarto. Ela foi até a porta que ele indicou e abriu, a cama estava coberta com uma colcha limpa, um lençol juntamente com uma toalha estavam na sua beirada.
Resolveu deixar suas duvidas e questionamentos para a manhã seguinte, estava cansada, mas feliz, fizera algo por si mesma sem se perguntar oque pensariam, sorriu e finalmente permitiu que as lembranças daquela manhã a invadissem. Dormiu com a sensação das mãos de Scorpio deslizando por suas coxas.
No quarto ao lado Scorpio sorriu ao lembrar de Rose dizendo que nunca gostara de Ian de verdade e depois começou a pensar em como as vezes fazemos tolices em nome do que achamos certo.
Ele mesmo havia bancado o idiota por tanto tempo, sem perceber que entristecia quem mais queria orgulhar, que se tornava alguém que não era. Por tanto tempo tentara ser Scorpio, o filho do ex-comensal que não percebera que seu pai sempre desejara que ele fosse diferente, na verdade melhor do que ele havia sido.
Precisara parar ali para se dar conta de tudo, para se encontrar, assim como Rose fazia agora. Pensar nela o fez sorrir, sorriso que ele fechou em seguida e se forçou a dormir.
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