Que O Jogo Comece...

40 Uma nova perda


Notas iniciais
Oie leitores lindos do meu coração! Estou aqui novamente depois de quase uma semana sem postar me desculpando por isso. Tive algo como que um bloqueio mental, não estava conseguindo me concentrar para escrever. Talvez seja o meu subconsciente não querendo que o final da fic se aproxime mais. :/
Mas bom... Esse Cap. também é triste. Ele é P.O.V. Amy e P.O.V. Nathaniel.
Eu sei que vocês já devem estar pensando: "Mas que droga! A autora diz que a fic está acabando mas eles nunca ficam juntos!" Pois é... Mas eu não quero dizer quando isso ocorrerá, ok? Quero que seja surpresa(é no próximo Cap, gente *-----*).
Espero que gostem desse Cap. apesar de tudo. ^^
Boa leitura meus lindos! *-----*

P.O.V. Amy

Depois de ter aquela conversa com a Cheryl eu fui até o meu quarto e tomei um banho frio demorado. Enxuguei-me, saí do banheiro e sequei meus cabelos com secador depois de me vestir. O tempo todo eu só pensava no Nathaniel e em tudo o que a Cheryl havia me dito. Distraí-me mergulhada em meus pensamentos e acabei me atrasando para almoçar. Subi ao meu quarto novamente e terminei de me arrumar. Quando eu saí de casa, o Nathaniel já tinha saído para o colégio. Eu fui caminhando até o colégio, podia ter pedido para o meu pai me levar, assim eu não entraria no segundo período, mas eu queria sentir o vento contra o meu rosto por um tempo.

Quando eu cheguei ao colégio fui até a direção pegar a autorização para entrar no segundo período e depois fiquei sentada na rampa perto das quadras e da árvore, onde eu e o Nathaniel ficávamos sentados conversando antes. Eu sentia falta disso, de quando ele simplesmente me tomava nos braços dele e começava a me acariciar. Eu acabei sorrindo sozinha olhando para o chão.

Logo que o sinal soou, eu fui até a minha sala em passos vagarosos. Mostrei a autorização para o professor e sentei-me em uma das classes do fundo.

— Tudo bem, Am? – era a Jen que sussurrava. Eu dei um meio sorriso.

— Depois te conto. – eu disse da mesma forma. Ela afirmou com um gesto de cabeça.

A aula passou e no pequeno intervalo entre a troca de professores eu contei tudo à Jen. E eu disse a ela que iria aceitar namorar o Nathaniel, eu não aguentava mais ficar longe dele.

— Se você está certa de que é o melhor para você, Amy... Eu espero que sejam muito felizes. – ela disse e me abraçou. – Sabe que apesar de tudo eu sempre torci por vocês, não é? Eu só não gostava de te ver sofrendo por causa dele. – ela disse enquanto ainda me abraçava. Eu sorri.

— Eu sei. – eu disse ainda sorrindo e ela logo me soltou.

A professora chegou e a aula começou. Minutos antes do intervalo eu pedi à professora para ir ao banheiro, mas na verdade eu só queria sair da sala para esperar o Nathaniel na frente da sala dele. Logo que o sinal soou os colegas do Nathaniel começaram a sair da sala. Alguns deles eram uns dos que tinham me chamado para sair depois do baile, os quais eu havia dispensado. Eles olharam para mim com malícia e alguns se atreveram a falar comigo, mas eu não dei atenção. Eu queria falar com o Nathaniel, mesmo que eu não soubesse exatamente o que iria dizer. Logo eu vi o Simon saindo da sala.

— Oi, Simon. O Nathaniel já saiu para o intervalo? – eu perguntei ainda olhando para a sala, para tentar encontrar o Nathaniel.

— Oi, senhorita! O Nathaniel foi chamado no SOE e disseram para ele ir para casa. Mas eu não sei o que aconteceu. – ele esclareceu. – E viu a Cherry? – ele perguntou.

— Não aqui no colégio. Eu cheguei atrasada. – eu expliquei.

— Eu vou procurar por ela, então. Quer vir comigo? – ele perguntou para não me deixar sozinha ali.

— Claro. – eu disse e o segui.

Nós procuramos a Cheryl por todo o colégio, mas não a encontramos. De repente o celular do Simon tocou.

— É uma mensagem da Cherry. – ele disse verificando a mensagem. – Ela disse que teve que sair do colégio, mas que ainda não disseram para ela o que aconteceu.

— Normalmente eles avisam o motivo. – eu disse como que para mim mesma.

— A não ser que seja algo muito grave. – o Simon continuou. Ele tinha razão. Eu fiquei apreensiva com tudo isso.

O intervalo acabou e nós voltamos para nossas respectivas salas. Eu não deixei de pensar por um segundo sequer no Nathaniel. O que teria acontecido?

A aula acabou eu saí apressada. Fui até a minha casa a passos largos.

Quando eu cheguei em casa vi a minha mãe colocando uns brincos singelos de ouro. Minha mãe normalmente não usava brincos. Eu fiquei ainda mais apreensiva quando vi que ela estava vestida... Para um enterro. Embora ela não estivesse totalmente de preto pela roupa e o semblante da minha mãe era só isso que eu poderia supor.

— O que aconteceu, mãe? – eu perguntei nervosa colocando minha bolsa em cima do sofá da sala. A minha mãe olhou para mim com uma expressão triste.

— Eu e o seu pai vamos... Ao enterro do James. – a minha mãe disse com consternação.

— O senhor Collins...? – eu disse me sentando no sofá devagar. – Então era isso? – eu continuei como num sussurro. – Como está o papai, mamãe? Eles eram melhores amigos, não eram? – eu perguntei olhando para a minha mãe.

— Seu pai está muito deprimido. – minha mãe disse com pesar.

— Eu também vou. – eu disse me levantando do sofá e indo até a escada. – Desço em dois minutos. – continuei.

Eu nem imaginava como ele estaria se sentindo. Depois de tantas coisas ruins acontecerem com ele, ele perde o pai. E mesmo que ele estivesse durante um bom tempo afastado do pai dele, eu sabia que ele o amava. Eu precisava abraçá-lo, eu tinha que consolá-lo. As lágrimas já escorriam pelo meu rosto, eu as enxugava enquanto procurava uma roupa simples e discreta. A maioria das minhas roupas era assim, mas essa era uma situação diferente.

Eu apanhei um vestido Meia Manga preto, que ia até os joelhos e o vesti rapidamente, colocando logo após, um colar com aparência antiga. Coloquei umas sapatilhas de veludo preto sem detalhes e desci para a sala de estar.

Minha mãe estava na sala de estar com meu pai, o Nicholas ainda estava na faculdade. Eu abracei meu pai, que estava abatido com tudo isso e fomos até o carro.

Nós chegamos rápido ao cemitério, mesmo que tenha parecido uma eternidade devido a eu estar muito nervosa.

Quando nós chegamos lá eu pude ver algumas pessoas já reunidas. Eu vi o Nathaniel de longe, tinham várias pessoas indo até ele e a mãe dele, aparentemente prestando condolências. Eu fui caminhando depressa até ele, indo à frente dos meus pais. Meus olhos já estavam cheios de lágrimas novamente por ver a angústia no rosto dele.

P.O.V. Nathaniel.

Mais de uma semana já tinha se passado desde que a Amy tinha me pedido um tempo para pensar no meu pedido, era dia vinte e dois de Maio. Era difícil estar longe da Amy, nós parecíamos cada vez mais distante. Embora fôssemos vizinhos, eu nem mesmo podia conversar com ela, afinal, ela queria ficar sozinha e eu tinha dito que esperaria o tempo que fosse necessário.

Eu passava meu tempo estudando para o vestibular, na sala de musculação ou jogando vídeo-game. Eu mesmo não acreditava em quanto a minha vida tinha mudado desde que eu aceitei essa aposta. Eu tinha parado de ir a festas, não bebia tanto quanto antes e o mais incrível... Não fazia sexo há vinte e seis dias. Tinha me libertado quase que completamente dos meus vícios.

Devia ser seis horas da tarde quando eu atendi a porta. Era a Cheryl.

— Oi, gostoso! – ela disse me abraçando.

— Oi, Cherry. –eu disse a envolvendo também. – Como estão meus tios? – eu perguntei.

— Estão bem. E os meus? – ela perguntou se sentando em uma cadeira.

— Estão bem também. – eu respondi breve.

— Sabe por que eu vim aqui, não é? – ela me perguntou com os olhos semicerrados.

— Talvez. Mas eu quero ouvir você perguntar. – eu disse. É claro que eu sabia, a Cheryl é sempre previsível.

— Até quando vai deixar essa situação como está, Nate? Já pensou na hipótese de Amy não ter coragem de te vir falar com você? Ela não aceitou namorar com você na hora em que você fez o pedido por medo, você sabe que ela sempre foi apaixonada por você. Ela te olha do mesmo jeito que olhava há quatro, três, anos atrás. Até quando vocês vão ficar afastados? Os dois estão sofrendo. – ela tinha razão, mas eu tinha dado a minha palavra a Amy, eu não queria pressioná-la.

— Eu não posso, Cherry. Eu disse que esperaria o tempo necessário. Eu não quero que ela sinta que eu estou a apressando na escolha dela. – eu disse me sentando também.

— É... Tem isso. – ela disse como se estivesse arquitetando um dos planos dela. – Tudo bem, então. – ela disse se levantando e sorrindo.

— O que vai fazer, Cheryl? — eu perguntei levantando e chegando mais perto dela.

— Nada. – ela disse como se fosse mesmo verdade. – Mas eu já tenho que ir embora, só passei aqui para saber como vocês estão. – ela disse se dirigindo a porta.

— Acha mesmo que consegue mentir para mim? – eu sorri olhando para ela. Sempre a Cheryl.

— Está me chamando de mentirosa?! – ela colocou a mão no peito, se fazendo de ofendida. – Agora mesmo que eu vou embora! – ela disse saindo porta afora ainda fingindo. Eu apenas sorria de canto a vendo sair.

Depois que a Cheryl foi embora eu fui para o meu quarto e fiquei um tempo deitado na cama olhando para o teto e pensando na Amy. A Cheryl tinha razão. Mas como eu poderia falar com ela? Eu não queria que a Amy se sentisse pressionada por mim, mas eu tinha que falar com ela. Se até o final do dia de amanhã ela não viesse falar comigo eu iria conversar com ela.

Eu desci para jantar e achei estranho o meu pai não ter descido também.

— O pai não vai jantar? – eu perguntei à minha mãe.

— O seu pai não está se sentindo muito bem. – a minha mãe explicou.

— Ele piorou? – eu perguntei. Eu sabia que meu já não se sentia muito bem há um tempo, mas ultimamente estava pior.

— Não é nada que você deva se preocupar, filho. – minha mãe tentou expressar um sorriso. – Seu pai só está cansado por causa do trabalho, ele vai ficar bem rapidamente. – ela disse da mesma forma. Eu não disse nada, apenas afirmei com a cabeça e continuei jantando. A minha mãe parecia preocupada. Nós terminamos de jantar e a minha mãe foi lavar a louça. Eu subi a escada e fui até o quarto dos meus pais. Eu bati na porta, mas meu pai não respondeu. Eu abri a porta mesmo assim e vi o meu pai deitado na cama, ele estava dormindo. Eu não quis incomodá-lo. Ele realmente não parecia bem.

Eu fui até o meu quarto e me preparei para dormir. Deitei-me na cama e rápido adormeci.

No dia seguinte eu acordei tarde. Tomei banho, me enxuguei e me vesti. Desci para almoçar e novamente meu pai não estava sentado à mesa. Terminei de almoçar e fui terminar de me arrumar para o colégio. Ates de sair para a aula eu fui até o quarto dos meus pais, meu pai não estava lá, mas mesmo assim eu não perguntei para a minha mãe sobre isso, ele devia ter melhorado e ido trabalhar.

Eu saí de casa, entrei no meu carro e dirigi até o colégio. Cheguei rápido e logo o sinal soou.

O primeiro período nem tinha terminado quando me chamaram no SOE. Eles me disseram que eu devia pegar meu material escolar e voltar para casa, mas não me disseram o motivo, apenas que lá me explicariam tudo.

Eu voltei para a sala e comecei a juntar meu material.

— O que era? – o Simon me perguntou.

— Disseram para eu voltar para casa, mas não disseram por que. – eu expliquei. Terminei de colocar os livros na minha mochila e saí da sala rapidamente. Alguma coisa grave tinha acontecido. Eu dirigi rápido até a minha casa e quem estava lá não era a minha mãe, era a minha tia Rose, a mãe da Cheryl.

— O que houve, tia? – eu perguntei preocupado.

— Nathaniel, querido... Nós tentamos não te preocupar, mas agora você tem que saber. – ela começou pedindo que eu sentasse no sofá. – Seu pai... Há um tempo não se sentia muito bem. Você sabe, não é? — ela me perguntou com cuidado.

— Sim, eu sei. – eu disse. Eu queria que ela me dissesse logo.

— Seu pai sentia dores às vezes, mas ele normalmente suportava e você sabe como seu pai é, ele não quis dizer isso para ninguém. Ele achou que ia melhorar logo, mas as dores se tornaram mais fortes a cada dia até que ele foi obrigado pelo seu tio a ir ao médico. – eu ouvia cada palavra atentamente. Ela estava explicando demais, como se quisesse adiar uma notícia.

— Tia, pode falar. – eu disse firme. Eu precisava saber seja lá o que fosse.

Ela respirou fundo me olhando com pesar. – Na consulta, depois de alguns exames, seu pai descobriu estar com câncer no pâncreas, Nathaniel... – eu fiquei estático, mesmo que eu já imaginasse algo dessa intensidade. –... Seu pai está em um estado muito delicado. — a minha tia continuou.

— Onde o meu pai está? – eu perguntei me levantando rápido do sofá.

— No hospital Saint Seller, eu te guio até lá. – a minha tia disse. Eu deixei minha mochila em cima do sofá e saí de casa indo até o meu carro.

A tia Rose me guiou até o hospital e chegando lá eu vi minha mãe no corredor chorando. Eu a abracei muito forte e ela chorou ainda mais. Eu sempre odiei ver a minha mãe chorar. Depois de um tempo meu tio saiu da sala e eu soltei a minha mãe, que logo foi abraçada pela minha tia.

Eu entrei na sala onde o meu pai estava, ele tinha uma aparência péssima.

— Pai... – eu disse me sentando em uma cadeira perto da cama onde ele estava deitado. -... Por que não me contaram antes? – eu perguntei o olhando.

— Nós não queríamos te preocupar. – ele disse com a mesma frieza de sempre.

— Como o senhor se sente? – eu perguntei sentindo a minha garganta seca.

— Morrendo. – ele disse simplesmente. – Mas eu precisava conversar com você, Nathaniel. – ele disse erguendo mais o tronco na cama e se sentando fazendo uma expressão de dor. – Nathaniel... Desculpe-me por não ter sido um bom pai para você. – ele disse agora olhando para mim. — Eu sei o que eu disse há alguns anos, mas eu quero que saiba que eu sempre te considerei meu filho, apesar de tudo. Hoje eu sei que estava errado o jeito como eu agia com você, mas eu fui criado assim, eu só queria o melhor para você. – eu não queria, mas os meus olhos se enchiam de lágrimas enquanto eu escutava o meu pai falando. – E eu quero que seja forte agora pela sua mãe. Eu nunca soube o que ela viu em mim. – ele sorriu olhando para o nada. – Mas eu sei que a sua mãe me ama e eu preciso que seja forte por ela. – meu pai continuou.

— Pai, o senhor não vai morrer agora. – eu disse, mas na verdade, eu queria convencer era a mim mesmo.

— Eu tenho mais algumas horas apenas. Mas eu vou morrer em paz se souber que você pode me perdoar mesmo que leve um tempo e que eu posso contar com você para ajudar a sua mãe. – meu pai disse sério. Eu não sabia o que dizer, então apenas afirmei com a cabeça enquanto o olhava e algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto. – Eu te amo, filho. — meu pai colocou a mão dele sobre a minha e eu o abracei, com cuidado para não machucá-lo. Eu não sei há quantos anos eu não o abraçava.

— Eu também te amo, pai. – eu disse enquanto o abraçava.

Eu fiquei conversando com o meu pai sobre muitas coisas, até mesmo sobre a Amy e a faculdade, já que ele perguntou. Ele disse que me apoiava em ambas às coisas. Depois de um tempo a minha mãe entrou na sala ainda chorando, mas tentando conter as lágrimas por causa do meu pai. Nós três conversamos mais e o meu pai parecia mais fraco a cada segundo. Meu pai optou por não fazer o tratamento, já que o estado dele agravado. E ele infelizmente tinha razão. Ele tinha apenas algumas horas, as que passaram muito rápido.

Eu tentava não permitir que as lágrimas caíssem, já que o meu pai me pediu para eu ser forte pela minha mãe, mas era impossível segurar as lágrimas. Eu abraçava a minha mãe tentando confortá-la, mas eu mesmo ainda não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu amava o meu pai, eu não imaginava perdê-lo agora.

O velório do meu pai foi feito em pouco tempo. Várias pessoas vinham me dar os pêsames, alguns eu nem conhecia. Eu tinha vontade de chorar, mas não tinha mais lágrimas. Meu corpo estava pesado, era como se eu pensasse em várias coisas ao mesmo tempo, mas também em nada. Eu só ficava parado lá, olhando para o corpo antes forte do meu pai parecendo tão frágil. Eu via a minha mãe aos prantos e isso me deixava mais deprimido ainda. A verdade é que... Eu não queria acreditar que o meu pai tinha morrido.

Meu pai tinha pedido para o meu tio que o velório e o enterro dele fossem feitos rapidamente e que fossem breves, para diminuir a dor da minha mãe. O meu tio cumpriu o desejo do meu pai. Então em pouco tempo o enterro do meu pai estava sendo realizado.

Era como uma tortura. Todas aquelas pessoas em pranto vindo me dar os pêsames, me lembrando repetidamente da morte do meu pai, como se eu já não estivesse sofrendo o suficiente por perdê-lo.

— Meus pêsames pelo seu pai, Nathaniel. – era o Tyler. – Eu imagino o quanto deve estar sendo difícil para você, por isso te dou mais uma semana no prazo da aposta. Até o dia dois de Junho. – ele disse sorrindo cínico. Era inacreditável. Meu pai morre e ele vem me falar de aposta?! Só podia ser brincadeira, eu não tive reação no momento.

Eu estava com as mãos nos bolsos da minha calça social quando senti alguém vir rápido na minha direção e me abraçar. Como eu precisava daquele abraço... Era a Amy. A sentir já me ajudou, sem nem mesmo ser necessário que ela dissesse uma palavra. Eu a envolvi com meus braços também. – Não precisa ser forte agora, Nathaniel. – ela disse como um sussurro perto do meu ouvido, me abraçando mais forte. Eu tinha agüentado até aquele momento a pedido do meu pai, mas eu não conseguia ser tão forte quanto eu queria. Inevitavelmente as lágrimas voltaram a escorrer pelo meu rosto, mas dessa vez, eu me sentia melhor, mais leve. A Amy ficou me abraçando por muito tempo. Ela acariciava as minhas costas com as mãos dela e deitava a cabeça no meu peito, como se quisesse escutar meu coração batendo rápido. Ela conseguiu me acalmar aos poucos com aquele conforto que ninguém mais poderia me oferecer.

Na cerimônia fúnebre a Amy me abraçava de lado, com o braço direito dela passando pela minha cintura. Eu segurei a mão dela com a minha mão direita, entrelaçando nossos dedos. A Amy se encostava a mim, me acariciando e afagando enquanto eu a envolvia pela cintura com o meu braço esquerdo. A dor parecia ser menor quando a Amy estava junto comigo.

Quando a cerimônia fúnebre acabou, os meus tios e a Cheryl levaram a minha mãe para casa a confortando. Eu não queria voltar para casa, mas não queria ficar no cemitério. A Amy tinha ficado comigo o tempo todo me consolando. Ela segurou a minha mão e me fez segui-la. Ela me levou até um parque que tinha perto do cemitério.

Nós nos sentamos em um dos bancos e ela me abraçou de lado, eu não sei dizer o que eu sentia quando ela me abraçava, mas o abraço dela era sempre o melhor. Ela pediu que eu deitasse a minha cabeça no colo dela, eu o fiz. Ela começou a acariciar a minha cabeça, passando os dedos dela entre os meus cabelos, aquilo era muito bom. Eu fechei meus olhos a escutando.

— Como se sente agora? – a Amy perguntou ainda me acariciando.

— Bem melhor. – eu disse aproveitando o carinho dela. Era verdade, eu já me sentia bem melhor do que antes.

— Você e o seu pai fizeram as pazes, não é? – ela perguntou com cautela.

— Sim, um pouco antes de ele morrer. – eu respondi.

— Fico feliz por vocês. – ela disse meiga acariciando minha cabeça ainda mais suave.

— Eu também. – eu sorri. – Meu pai disse que sempre me considerou como filho. Isso é importante para mim, já que eu sempre o considerei como pai. Mesmo eu sendo adotado... Para mim ele era o meu pai. — eu continuei. Eu tinha esquecido que nunca tinha contado para a Amy sobre eu ser adotado. – Já sabia que eu era adotado, Am? – eu perguntei a ela.

— Para falar a verdade... Eu já sabia, Nathaniel. – ela disse. Eu sabia quem era a única pessoa que podia ter contado para ela.

— A Cheryl te contou? – eu perguntei levemente sorrindo de canto.

— Sim. Como sabia? – ela perguntou intrigada.

— Eu conheço a prima que tenho. – eu disse com um meio sorriso. – O que mais ela te contou, Am? – eu perguntei olhando para a Amy.

— A Cheryl... Contou-me tudo. – ela disse olhando em meus olhos.

— Tudo? – eu perguntei ainda a observando. Ela afirmou.

– Mas... Eu queria ouvir de você, Nathaniel. Queria que contasse para mim tudo sobre você. – ela disse docilmente ainda me admirando e acariciando. – Mas só se você se sentir bem, é claro. – ela continuou. Eu sorri a observando.

— É claro, Am. – eu disse sorrindo para ela. Eu não gostava de falar sobre mim, ainda mais sobre o meu passado que não é exatamente um dos mais felizes. Mas eu queria que ela me conhecesse e se ela se interessava em saber mais sobre mim, eu iria contar tudo o que ela quisesse saber.

P.O.V. Amy

Eu fiz tudo o que pude para consolá-lo. Tentei deixá-lo à vontade no parque, queria que ele se sentisse bem para conversar sobre o pai dele comigo, eu sabia que ele precisava conversar com alguém sobre o que estava acontecendo agora. Eu ouvi atentamente enquanto ele falava a respeito do pai dele e fiquei feliz quando ele perguntou se eu sabia que ele era adotado. Eu queria ouvi-lo falar sobre o que ele passou e sobre o que ele sentia, queria entendê-lo, ajudá-lo. E queria saber que ele confiava em mim o suficiente para me deixar conhecê-lo.

Ele foi me contando aos poucos tudo sobre ele, todas as coisas que a Cheryl havia me dito e algumas que ela também não tinha mencionado. Meus olhos se enchiam de lágrimas ao ver aquela expressão contristada no rosto dele e os olhos dele marejados enquanto ele contava suas lembranças com muito sentimento. Eu o ouvia atentamente, prestando muita atenção em cada palavra que ele proferia.

Eu continuei o confortando enquanto o acariciava, eu queria saber exatamente o que dizer para ele, mas eu não sabia, então somente o agradava com toques delicados entre os cabelos dele. Quando ele terminou de me contar tudo sobre ele, nós ainda continuamos durante um tempo do jeito que estávamos no banco. Eu não queria que ele saísse do meu colo e ele também não queria sair. Eu continuei o afagando durante um tempo. Ele sorria para mim, que sorria para ele. Eu o sentia melhor do que antes, mas eu ainda via a tristeza nos olhos dele.

Nós saímos do parque e fomos em um meio abraço em direção ao carro do Nathaniel, que estava estacionado perto do cemitério. Ele dirigiu até a nossa rua e então saímos do carro.

— Muito obrigado. Não sabe o quanto me ajudou, Am. – o Nathaniel disse enquanto tocava o meu rosto com a mão direita e me acariciava com o polegar.

— Não tem que me agradecer, eu queria ter te ajudado mais. – eu disse segurando a mão dele e a levando até meus lábios, beijando-a carinhosamente. Ele sorriu me observando e me puxou para um abraço. Eu sentia que ele ainda precisava de mim, eu não queria deixá-lo sozinho.

— Te vejo amanhã, Am? – ele perguntou baixo no meio do nosso abraço.

— Não, Nathaniel, eu... – eu comecei, mas ele não me deixou terminar e me abraçou mais forte.

— Me desculpa, Am, eu não queria... – agora eu o interrompi.

-... Eu não quero te deixar sozinho. Você disse que eu podia dormir com você quando eu quisesse. – eu disse também o envolvendo mais forte. Eu o senti respirando fundo. – Eu posso dormir com você, Nathaniel? – eu perguntei com a cabeça encostada ao peito dele. Ele nos separou do abraço.

— É claro que pode, Am. – ele disse olhando para mim com um sorriso singelo. – Você vai à sua casa primeiro? – ele perguntou acariciando o meu rosto novamente.

— Sim, eu vou. – eu disse apreciando a carícia dele.

— Eu vou te esperar aqui. – ele disse parando de me acariciar.

— Não, você vai entrar comigo. – eu disse carinhosa segurando a mão dele e o conduzindo até a minha casa. Eu sei que nesse momento de perda não é bom deixá-lo sozinho. Eu abri a porta da minha casa e não vi ninguém no andar debaixo, eu achei estranho, mas subi mesmo assim, segurando ainda a mão do Nathaniel.

Eu entrei no meu quarto e peguei a minha bolsa e uma camisola mais conservadora da que a da última vez. Eu disse para o Nathaniel que eu ia avisar os meus pais e saí do meu quarto, indo até o quarto dos meus pais. A minha mãe estava no quarto e me deu permissão de dormir na casa do Nathaniel. Eu voltei ao meu quarto e o vi sorrindo de canto observando um porta-retrato que estava em cima da minha penteadeira.

— Nós já podemos ir. – eu disse o fazendo notar minha presença.

— Parece que não sou só eu que continuo com o mesmo sorriso. – ele disse se virando de frente para mim e chegando mais perto. Eu apenas sorri tímida com a lembrança dele. Ele colocou o braço dele sobre os meus ombros, eu o envolvi pela cintura.

Nós descemos a escada e saímos da minha casa, indo até a casa do Nathaniel.

Quando entramos na casa, os tios dele e a Cheryl estavam lá. A Sra. Collins já parecia mais calma, apesar de ainda estar apreensiva. Eu ainda não tinha transmitido meus sentimentos a ela, já que desde que eu cheguei à cerimônia fúnebre eu fiquei confortando o Nathaniel. Eu e o Nathaniel estávamos de mãos dadas. Eu o olhei nos olhos e soltei a mão dele, logo indo até a Sra. Collins, que estava sentada no sofá. Eu a abracei forte, como antes eu tinha abraçado o Nathaniel, ela precisava disso tanto quanto o Nathaniel precisava antes. Eu afagava a cabeça dela enquanto a abraçava e as lágrimas escorriam pelo rosto dela. – Eu sinto muito, Sra. Collins. – eu sentia mesmo.

— Eu também, querida. – a Sra. Collins disse quando nos afastamos do abraço. Eu enxuguei as lágrimas dela e o Nathaniel colocou a mão dele sobre o meu ombro direito. Eu me levantei e ele segurou a minha mão. Nós desejamos boa noite a todos e o Nathaniel me conduziu até o quarto dele.

Como da outra vez em que eu fui dormir na casa dele, ele entrou no banheiro e eu fiquei no quarto dele trocando de roupa. Ele saiu do banheiro e nos deitamos na cama. Eu o abraçava de lado, o envolvendo com meu braço direito enquanto a minha mão esquerda acariciava a cabeça dele. Nós conversamos durante um tempo, mas eu percebi que ele estava cansado. Eu desejei boa noite a ele e ele a mim. Eu continuei o acariciando até que ele adormeceu. Eu beijei o rosto dele e me encostei mais a ele, lembrando de tudo o que tinha acontecido. Eu logo adormeci também.

Quando me acordei no dia seguinte ele ainda estava dormindo. Eu me distanciei dele com cautela, ele precisava descansar. Eu fiquei o admirando dormir como eu fazia da janela do meu quarto e um sorriso inevitavelmente se formou no meu rosto. Eu passei minha mão direita entre os cabelos dele o beijei o rosto dele com cuidado para não acordá-lo. Eu ia sair da cama, mas eu percebi que ele se acordou, já que ele segurou o meu pulso esquerdo. Eu olhei para ele.

— Obrigado por cuidar de mim, Am. – ele disse segurando o meu pulso ainda de olhos fechados e com um leve sorriso nos lábios. Eu me aproximei dele novamente e sentada na cama eu acariciei o rosto dele, ele abriu os olhos.

— Eu já disse que não precisa me agradecer. – eu disse olhando nos olhos dele. Ele se sentou na cama olhando nos meus olhos, beijou minha testa segurando o meu rosto e depois me abraçou. Não foi necessário que disséssemos mais nada.

Depois disso, nós conversamos sentados na cama dele por um breve período de tempo e depois trocamos de roupa. Logo eu fui até a minha casa.

Eu tomei banho, me arrumei, desci e almocei. Como normalmente, eu subi ao meu quarto novamente e terminei de me arrumar, peguei minha bolsa e saí de casa. Eu logo vi o Nathaniel escorado no carro dele, me esperando. Ele tinha decidido ir à aula, apesar de tudo.

As coisas tinham voltado ao normal de novo, embora com essa tragédia com o pai do Nathaniel.

Eu e o Nathaniel estávamos próximos outra vez, até mais do que antes. Ele precisava de mim nesse momento e eu ficava feliz em poder consolá-lo.

Notas finais
E aí?! Sentiram pena do nathaniel de novo?! Eu imagino que sim. Esse garoto só sofre, coitado. :/
Bom, eu ficarei muito, mas muito feliz se vocês me mandarem reviews! *------*
Muito obrigada por tudo, meus fofos! Beijos! ^^
Dicas perfeitamente perfeitas de leitura:
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Te Beijar Ou Te Matar: https://fanfiction.com.br/historia/250509/Te_Beijar_Ou_Te_Matar_Segunda_Temporada
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When I See Your Face: https://fanfiction.com.br/historia/255061/When_I_See_Your_Face.
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Uma Nova Vida!:http://fanfiction.com.br/historia/249960/Uma_Nova_Vida/
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