Quase - Percabeth AU
2 Punição
POV Percy
— Expulsão! — exclamou o Sr. D na sala. — Era o que eu deveria fazer com os dois.
Expulsão?
— Opa, como assim expulsão? — Annabeth se levantou da cadeira num pulo. — Estamos no último ano! E eu preciso lembrar que temos a competição do clube de debate na semana que vem!
— Quem liga pra sua baboseira de debate? — retruquei. — Eu tenho competição de esgrima e natação. São duas modalidades!
— Olha só quem aprendeu a contar! — provocou Annabeth.
Eu já estava pronto para responder, se não fosse minha mãe segurando meu braço.
— Será que dá para os dois pararem por um minuto? — Sally pediu, com aquela calma perigosa.
— Estamos aqui pela terceira vez no ano por causa de mais uma briguinha de vocês — continuou Atena, com o olhar fixo na filha. — Sinceramente, Annabeth, como quer ir para a faculdade sendo tão infantil?
Annabeth se sentou imediatamente, como se tivesse levado um choque. As duas estavam lado a lado, do outro lado da sala.
Era impossível não perceber que eram mãe e filha: mesmos traços, mesmas expressões. Mas, diferente de Annabeth, o olhar de Atena era firme, quase impenetrável.
Eu sabia que ela era professora em uma universidade de Nova York e que as duas tinham recomeçado a vida ali cinco anos atrás, depois de saírem de São Francisco.
Atena havia criado Annabeth com dureza — e a filha parecia tanto ouvir quanto temer a mãe.
— Eu entendo que eles causam problemas, Dioniso — disse Paul, meu padrasto —, mas não acha expulsão um pouco radical?
Enquanto o lado de Annabeth tinha apenas ela e a mãe, o meu parecia uma comitiva de escola de samba. Minha mãe sentava ao meu lado, meu pai do outro, e Paul — meu padrasto e professor da escola — estava junto da minha mãe.
Apesar do divórcio, meus pais se davam muito bem. Diferente dos pais de Annabeth. E, para completar, Paul e meu pai, Poseidon, também se davam estranhamente bem.
— Bem, se não posso me livrar dos dois, pelo menos de um deles já seria suficiente — disse o diretor, olhando para mim e depois para Annabeth.
Não sei se foi impressão minha, mas o olhar dele demorou mais nela. Eu sabia o que aquilo significava. Não sou de me gabar, mas a família do meu pai era uma das mais ricas do país. O Sr. D sabia que meu tio, Zeus, tinha influência até com o governador. Seria um péssimo negócio expulsar o sobrinho do grande Zeus.
Enquanto Annabeth…Bem, os pais dela eram professores. Que mal poderiam fazer ao Sr. D?
— Nada disso! — minha mãe se pronunciou. — Se for para expulsar, então que expulse os dois.
— Mãe?!
— Sally?! — meu pai virou-se para ela.
Ela apenas cruzou os braços.
Fim da discussão.
Pelo visto, o mesmo pensamento que passou pela minha cabeça passou pela dela. E lá estava minha mãe, mais uma vez, defendendo Annabeth. Eu nunca tinha entendido o motivo, mas, dessa vez, eu concordava. Apesar de todas as brigas, eu não queria que Annabeth fosse expulsa.
Quero dizer… imagina só ter paz?
Quem disse que eu ia querer isso?
— Vocês me ouviram — continuou minha mãe. — Estamos criando Percy para ser um homem. Se ele errou, que seja punido. Justamente. Da mesma maneira que Annabeth.
— Vamos com calma, senhora Jackson — disse Quíron. — Tenho certeza de que podemos encontrar outra solução, não é, Sr. D?
— Sim, sim… — suspirou o diretor. — Mas o caos causado pelos seus filhos trouxe danos à escola. Mesas quebradas, janelas estilhaçadas e até um aluno na enfermaria.
— Quanto aos custos, o pai de Percy vai pagar — minha mãe disse, sorrindo.
— Eu pensei que você não quisesse o dinheiro da minha família — meu pai comentou, confuso.
— Não neste caso, querido. Dessa vez será útil.
Paul riu baixo.
— Desculpe, Sally — disse Atena —, mas não posso permitir que Poseidon arque com tudo. Eu me ofereço para dividir a dívida.
— Que isso, Atena! — respondeu meu pai. — Não precisa se preocupar, pode deixar comigo.
— Mas Annabeth também foi culpada. Não é justo.
— O Percy não é fácil também — disse minha mãe. — Pode deixar conosco. Eu insisto.
Atena assentiu timidamente, o que fez Annabeth olhar para a mãe surpresa.
Atena aceitar algo assim parecia uma grande novidade.
— E quanto à punição — disse o Sr. D, levantando-se com um sorriso que não prometia nada de bom —, eu tenho uma perfeita… se vocês estiverem de acordo.
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