Quase - Percabeth AU
4 Depois do Quase
POV Percy
Meu corpo agiu no automático quando se levantou e seguiu até o meu armário.
Enquanto isso, meu cérebro parecia ter sido derretido por ácido sulfúrico e meu coração corrido uns trinta quilômetros sem parar.
Para piorar, Take My Breath Away tocava no alto-falante. Definitivamente, aquilo não estava ajudando.
O que tinha acabado de acontecer? Eu ia mesmo, mesmo, beijar Annabeth Chase? E por que eu estava triste por não tê-la beijado? O que raios estava acontecendo comigo? Por que eu queria, naquele exato momento, correr atrás dela e terminar aquele beijo?
Nossos lábios tinham se tocado por cinco segundos e eu me sentia completamente… maluco.
Então um pensamento horrível me atingiu.E se eu sempre tivesse sentido isso por ela? E se aquele desejo estivesse adormecido dentro de mim esse tempo todo?
Respirei fundo depois de pegar minhas coisas no armário e segui em direção à saída.
Annabeth estava mais à frente, e eu acelerei o passo para alcançá-la.
— Annabeth — chamei, parando ao lado dela.
Ela nem diminuiu o ritmo.
— Por que está chamando meu nome? — disse com rispidez. — Nomes são para amigos e pessoas próximas. Você não é nenhum dos dois.
Se o que aconteceu no refeitório a tinha afetado de alguma forma, não transparecia nem um pouco. Ela estava igual a sempre. Será que só eu me sentia diferente?
— Hã…
— O que você quer, Cabeça de Alga? — ela perguntou. — Não posso perder o ônibus.
— Eu… hã… — engoli em seco. — Ia perguntar se você quer carona. Já está tarde.
Annabeth arqueou as sobrancelhas, como se eu tivesse acabado de dizer a pior asneira possível.
— Você bateu a cabeça? Desde quando você liga pra isso?
— Eu só pensei que poderia ser perigoso.
— Eu não quero e nem pretendo andar na sua moto velha, Jackson — respondeu. — Mas obrigada… eu acho.
E saiu andando. Mais uma vez, me deixando sozinho.
Fui até o estacionamento e peguei minha moto. Ao sair da escola, parei ao ver Annabeth de longe, no ponto de ônibus. Tirei o capacete para vê-la melhor.
Meu coração deu um salto quando ela virou em minha direção. Tudo o que meu cérebro idiota conseguiu pensar foi em acenar. Ela respondeu erguendo o dedo do meio e fechando ainda mais a cara. Provavelmente entendeu meu gesto como provocação.
Menos de um minuto depois, o ônibus virou a esquina e parou no ponto. Annabeth entrou e desapareceu sem sequer olhar para trás.
Coloquei o capacete novamente e acelerei com a moto, na esperança de que todo aquele sentimento novo fosse embora com o vento. Mas, no fundo, eu já sabia. Algumas coisas não desaparecem assim tão fácil.
O problema era que, por mais rápido que eu fosse, não existia velocidade suficiente para fugir do que eu estava começando a sentir por Annabeth Chase.
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