POV Percy


Meu corpo agiu no automático quando se levantou e seguiu até o meu armário.

Enquanto isso, meu cérebro parecia ter sido derretido por ácido sulfúrico e meu coração corrido uns trinta quilômetros sem parar.


Para piorar, Take My Breath Away tocava no alto-falante. Definitivamente, aquilo não estava ajudando.


O que tinha acabado de acontecer? Eu ia mesmo, mesmo, beijar Annabeth Chase? E por que eu estava triste por não tê-la beijado? O que raios estava acontecendo comigo? Por que eu queria, naquele exato momento, correr atrás dela e terminar aquele beijo?


Nossos lábios tinham se tocado por cinco segundos e eu me sentia completamente… maluco.


Então um pensamento horrível me atingiu.E se eu sempre tivesse sentido isso por ela? E se aquele desejo estivesse adormecido dentro de mim esse tempo todo?


Respirei fundo depois de pegar minhas coisas no armário e segui em direção à saída.

Annabeth estava mais à frente, e eu acelerei o passo para alcançá-la.


— Annabeth — chamei, parando ao lado dela.


Ela nem diminuiu o ritmo.


— Por que está chamando meu nome? — disse com rispidez. — Nomes são para amigos e pessoas próximas. Você não é nenhum dos dois.


Se o que aconteceu no refeitório a tinha afetado de alguma forma, não transparecia nem um pouco. Ela estava igual a sempre. Será que só eu me sentia diferente?


— Hã…


— O que você quer, Cabeça de Alga? — ela perguntou. — Não posso perder o ônibus.


— Eu… hã… — engoli em seco. — Ia perguntar se você quer carona. Já está tarde.


Annabeth arqueou as sobrancelhas, como se eu tivesse acabado de dizer a pior asneira possível.


— Você bateu a cabeça? Desde quando você liga pra isso?


— Eu só pensei que poderia ser perigoso.


— Eu não quero e nem pretendo andar na sua moto velha, Jackson — respondeu. — Mas obrigada… eu acho.


E saiu andando. Mais uma vez, me deixando sozinho.


Fui até o estacionamento e peguei minha moto. Ao sair da escola, parei ao ver Annabeth de longe, no ponto de ônibus. Tirei o capacete para vê-la melhor.


Meu coração deu um salto quando ela virou em minha direção. Tudo o que meu cérebro idiota conseguiu pensar foi em acenar. Ela respondeu erguendo o dedo do meio e fechando ainda mais a cara. Provavelmente entendeu meu gesto como provocação.


Menos de um minuto depois, o ônibus virou a esquina e parou no ponto. Annabeth entrou e desapareceu sem sequer olhar para trás.


Coloquei o capacete novamente e acelerei com a moto, na esperança de que todo aquele sentimento novo fosse embora com o vento. Mas, no fundo, eu já sabia. Algumas coisas não desaparecem assim tão fácil.

O problema era que, por mais rápido que eu fosse, não existia velocidade suficiente para fugir do que eu estava começando a sentir por Annabeth Chase.