Quase Normais

25 Predador de Perereka


Notas iniciais
DG: PODE ISSO PRODUÇAUM, 2 CAPÍTULOS EM 2 DIAS? 100OR NANA: Eu tenho prova amanha, fiquem felizes!! DG: Tá, ta, que seja, acho que vcs vão gostar desse cap, aproveiteeem~~ Kissus de paçoca Kissus de panda Até lá em baixo~~

Diário da Nick

Cuidado com festas quando você não sabe quem vai...

~~

Passei a metade da viagem refletindo e a outra metade dormindo...

Bem, acho que é a vida...

De toda forma, quando chegamos na escola, Pedro estava dormindo como uma pedra novamente, mas, dessa vez, eu não estava presa junto com ele. Os garotos do ônibus começaram a sair, isso incluía o presidente e o Logan.

Eu decidi esperar todo mundo sair para não ser morta por um bando de trogloditas, mesmo que, geralmente, me sinta horrível de passar tanto tempo em um local tão pequeno, apenas queria sair com paz, chegar no meu quarto, jogar as roupas na máquina de lavar e morrer na minha cama, o que não seria capaz, já que hoje é aniversário do Lucas, mas acho que consigo dormir por uma ou duas horas antes do povo chegar.

Meus fones em meus ouvidos repassavam músicas para uma provável nova história que eu estava planejando, enquanto arrumava minha bolsa que estava no meu pé e pegava meu travesseiro no banco. Olhei para Pedro, com os cabelos desalinhados sobre a face e o rosto amassado contra o travesseiro, dormindo de boca aberta.

Ele estava muito fofo, seus lábios vermelhos e meio rachados estavam me chamando, era tão tentador. Cutuquei sua bochecha macia na tentativa de acordá-lo, o que foi apenas um ato infame. — Pedro, Pedro, acorda... — murmurei, mas os olhos dele não se abriram.

— Que cheiro de Nick... — ele murmurou com um sorrisinho.

Aí vem a questão, ele me chamou de fedida? Acho que nunca iremos saber...

Me aproximei mais de seu rosto, seus lábios ainda me chamavam e eu nem percebi quando, sem querer, juntei-os com os meus.

Me separei rapidamente e coloquei a mão sobre minha boca. — Por que eu fiz isso? — me perguntei, peguei minhas coisas e corri para a porta do ônibus.

Quando desci as escadas, abraçada com meu travesseiro de fronha do pequeno príncipe, apenas vi Leo me encarando com uma cara de decepção. — Mas com o que vocês estão hoje?

— D-do que você está falando? — perguntei, revirado os olhos.

— Só pode ser fogo na tcheca! — certo, não foi bem isso que ele disse, mas foi o que quis dizer... — Vai ajudar a limpar as salas, vai pegar o mesmo castigo que eles, você e o Pedro!

— O que tem eu? — ele perguntou, descendo as escadas do busão. Ele estava de óculos e cabelos bagunçados e...

Nick, se controle, mulher!

— Você e a Nick. Vou ver com a diretora sobre o castigo de vocês, vão agora para a sala 3-a!

— Mas, o que foi que eu fiz?? — ele perguntou.

— Vão! — se estressou.

— Certo... — ele murmurou. — Mas onde eu deixo isso? — se referiu à mala e essas coisas.

— Peguem na coordenação depois de limparem tudo, vão, vão!

Nós demos de ombros e começamos a andar para o terceiro andar do prédio do ensino médio.

— Ei Nick, você sabe por que o Leo estava daquele jeito com a gente? — ele me perguntou.

— É... ele disse que... nós estávamos... — falei, procurando as palavras certas. — Atrasando o motorista...

— Ah... entendi.

E o silencio prevaleceu.

Ah não, ah não, por favor, me mata mas não deixa o assunto morrer!

NÃO DEIXA O ASSUNTO MORRER!

E, bem, o silencio continuou até chegarmos na sala.

Abri a porta assim, de boas, mó na inocência e só vejo uma Nana e um Lucas na maior pegação.

Minha irmã estava sentada na mesa do professor enquanto o Lucas estava em sua frente e a beijava, passando as mão nas curvas dela, enquanto a menina o trazia para mais perto pela nuca.

Acho que o Lucas nos ouviu, já que ele se desgrudou dos lábios dela e começou a escrever no quadro com uma carinha de inocência e um giz branco.

— Por que 2 + 7 = 29... — ele disse. Mas o pior é que, ao invés de escrever 7, ele escreveu 3!

— Lucas, somos nós, Nick e Pedro... — eu falei, com cara de tédio. — E, mesmo que não fosse a gente, não daria para disfarçar!

O mais engraçado, era que não dava pra não notar o volume do amiguinho do Lucas! Fiquei com vontade de rir, mas achei melhor ficar na minha.

— Nick! — Nana falou, saindo dos braços do Lucas e correndo para me abraçar.

— E Lucas, acho que você vai ter que arranjar um jeito de cobrir essa parte da frente! — Pedro gritou as últimas palavras, jogando o casaco que ele estava vestindo em cima de seu melhor amigo, acabando com toda a ilusão que eu havia criado de que aquilo não estava totalmente explicito. Nana olhou para Lucas e começou a se avermelhar, acho que, no fundo, ela não sabia se estava com vergonha ou se sentindo vitoriosa por fazer algum garoto se excitar por ela...

— Bem, tanto faz, ia perguntar por que vocês vieram parar aqui, mas acho que já está meio obvio... — falei, me soltando do abraço daquele resto de aborto e pegando uma vassoura. — De qualquer jeito, viemos ajudar vocês!

— Sei, e por que os senhores vieram parar aqui? — Nana me olhou maliciosa.

— Leo nos mandou aqui, dormimos no ônibus e acabamos atrasando o motorista...— o moreno falou na inocência.

No fundo dos olhos da Nana, percebi que ela estava lendo meus pensamentos...

Só não sei se isso é um lado bom ou ruim de ser gêmea...

Ela desceu os olhos para o anel no meu dedo, depois foi para a mão de Pedro, e então soltou mais um sorrisinho malicioso. — Que anéis são esses? Juras de amor na costa do mar? — ela perguntou rindo. Fiquei vermelha, não era verdade, bem, não completamente.

— Depois eu explico isso — murmurei e segui reto, começando a varrer. — A propósito, feliz aniversario, Lucas. Bem, acho que ele já está bem feliz, mas, bem, não custa deixar tudo um pouquinho mais clichê, certo? — ele se avermelhou, tinha pego a referencia.

— Ah, sim, gente, a Lia nos chamou para ir na casa dela hoje por causa do aniversário do Lucas, sabe? Com as pessoas mais intimas e tal... — Nana falou. Senti a mentira nas palavras dessa víbora, o que ela aprontou? Essa eu não sei...

Os meninos concordaram e se viraram para passar pano nas mesas da sala, enquanto eu e Nana varríamos lado a lado. Ela me cutucou com o cotovelo, me fazendo olhar pra ela.

Ela apontou com a cabeça pro Lucas e fez um gesto para a própria bunda, mexendo os lábios em um movimento de “abundancia”, se é que me entendem...

Apontei para o Pedro e sussurrei no ouvido no ouvido dela — Essa aqui também...

Nós nos encaramos, olhamos para os meninos, voltamos o olhar e começamos a rir bem alto. Os dois se viraram para nós.

— Qual é a piada? — Lucas perguntou, ainda não recuperado das palavras anteriores de Pedro.

— Nada não — respondi rindo e voltando a varrer.

Quando chegamos na última sala, Pedro estava reclamando que precisava ir embora pois a mãe dele estava ligando e essas coisas, então ele foi até a porta. — Espera! — gritei, fazendo todos os três olharem pra mim, que ainda estava com a vassoura ma mão. — Diga aonde você vai...

— Eu vou embora...? — ele perguntou retoricamente.

— Que eu vou varrendo...

— Que? — ele perguntou. — Nick, você ta bem?

— Vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo — cantarolei enquanto improvisava uma dancinha retardada e fazia careta.

— QUE MERDAAAA — Nana gritou, começando a rir e a sentar no chão.

— Por que você ta sentando no chão?! — Lucas perguntou.

— Por que eu não me aguento em pé quando eu começo a rir... — ficamos por um segundo em silencio, mas logo ela continuou. — EU, TU, NOIS BOTA NELAS! O BONDE CHEGOU COM AS PREDADOR DE PERERECA, SAPECA A PEPEKA, DIVIDE ESSA TCHECA...

Nós três a encaramos sem entender o que estava acontecendo, o que só vez ela se deitar no chão e a rir mais.

— É engraçado, porque ela mó tem essa carinha de criança inocente, mas olha as coisas que ela ouve — falei, o que só fez ela rir mais. — Para de riiiiiir!!

~~

Estávamos esperando o Lucas chegar para nos levar pra casa da Lia. Nana tinha feito deliniado gatinho em nós duas, eu estava com um batom vermelho fosco e a Nana com um vinho bem escuro.

Ela estava com um shorts de cintura alta azul claro, meia-calça preta um pouco transparente, uma blusa preta para dentro do shorts, uma blusa de flanela vermelha e preta longa e coturnos altos. Eu estava com um shorts de couro falso preto, uma blusa cinza larga com uma frase escrita, meus all stars brancos.

A Nana tava tipo, superproduzida e eu tava tipo...

“Oi, eu sou a Nick”

Acho que já sabemos quem gosta mais de se arrumar aqui...

De qualquer jeito, os meninos ligaram e nos mandaram descer, e assim fomos. Quando chegamos no carro do Lucas, ou melhor, no carro da mãe do Pedro, sabe, aquele carro esporte que sempre usamos.

Lucas saiu do carro e cumprimentou a Nana com um selinho. Ele estava com um jeans vermelho escuro, all stars pretos, uma camiseta preta de gola solta e a jaqueta que a Nana tinha roubada alguns meses atrás.

Quando foi que ele pegou isso de volta?

Revirei os olhos e entrei no banco de trás do carro, vendo um Pedro com o rosto iluminado pela luz do celular. — Oi — falei, sorrindo e colocando o cinto. Ele deu um pulo de susto no banco ao meu lado e me encarou. Suas bochechas começaram a corar, e eu me pergunto, só eu percebi isso?

— T-tchau... Qu-Quer dizer, desculpa, ou m-melhor... — ele bufou alto olhando para o teto e voltou a olhar pra mim. — Oi...

Eu comecei a rir. — O que foi? Parece que estava fazendo alguma coisa errada.

— Eu não fiz nada... — ele murmurou. Estava com um suéter azul escuro com mangas arregaçadas, jeans pretos, seu colar de pedrinha verde e seus típicos all stars rabiscados, mas seus cabelos estavam meio no estilo Lucas...

Ele estava muito bonito assim na verdade...

Por falar no demônio, conhecido por Lucas, ele e Nana entraram no carro e colocaram o cinto. Minha irmã colocou o endereço de Lia no GPS e assim a jornada começou.

— Ei, por que a festa vai ser na Casa da Lia afinal? — perguntei.

— É porque ela mora em casa, além disso, os pais dela estão viajando e essas coisas — minha irmã respondeu. Dei de ombros e me encostei no banco do carro, olhando para o teto.

Voltei o olhar para o Pedro, que estava novamente escrevendo algo em seu celular. Fiquei curiosa, mas nem toquei no assunto, cada um tem sua privacidade afinal de contas.

Chegamos, finalmente, na casa da Lia.

Caralho, a casa dela é gigante e estava com um monte de gente, música alta tocando, gente dançando do lado de fora e uma faixa gigante escrito algo como “Feliz aniversário Lucas!”

Era uma bela festa surpresa, tão surpresa que nem eu sabia que seria assim!

— O que você aprontou agora? — Lucas perguntou rindo.

— Nem eu sei — ela respondeu. — Eu realmente achei que era só nois... — ela deu de ombros e retirou o cinto, saindo do carro e esperando seu amado sair do mesmo. Eles deram as mãos e entraram na casa.

— Feliz aniversário, Lucas! — escutei uma cambada gritando, ainda do carro. Olhei para Pedro, ele me olhou, demos de ombros e entramos na festa.

Eu só lembro de um monte de gente gritando, música alta, dançar pra caralho e... E o resto está como uma nuvem preta...

—_____

Diário (muito másculo) do Lucas

Caralho, eu conheço aqueles caras ali!

Nossa, eu já peguei aquelas quatro meninas lá!

Eu já soquei a cara daquele filho da puta!

Caralho véi, de onde eu conheço tanta gente??!

Era tipo, dez horas da noite e já tinha gente bêbada fazendo merda. Vi uma cambada se pegando de um lado, umas surubas do outro e, antes que eu pudesse respirar, Nana me puxou.

Ela pegou no meu braço e começou a me levar para o andar de cima da casa.

Será que esse povo tá ligado que hoje é tipo, segunda feira?

E onde o Pedro e a Nick foram parar?! Eles tipo, sumiram antes mesmo de que eu entrar na casa!

Ah, com certeza vai dar merda...

Pelo menos não temos uma Nana gostosa e bêbada solta por aí...

Além disso, a Nick é inteligente, ela vai saber o que fazer... Né?

É, acho que sim, ela é a mais madura de todos nós aqui...

Por que estou falando isso como se estivesse tentando me convencer?

Chegamos no segundo andar e a Nana estava tentando achar um quarto vazio ou algo assim, o que não foi tão difícil já que ainda é cedo da noite. Ela me empurrou, fechou e trancou a porta, suspirando fundo.

AI CARALHO, É HOJE, PUTA MERDA!!!

— N-Nana... V-você quer m-mesmo isso agora? — por que eu estou gaguejando?! Eu já fiz isso antes, não é como se fosse muito diferente... eu acho...

Ela me olhou com uma cara inocente, tentando entender o que eu tinha falado. Ela se avermelhou — Ah, n-não era isso, é só que... — ela respondeu, balançando as mão em frente ao seu corpo. — Eu queria falar com você, sabe? Tipo, calmamente sem um monte de gente te puxando e sem vadias se jogando em você...

— Tá bom... — eu disse, me sentando na cama. Ela se aproximou de mim e me beijou, me empurrando mais para trás na cama. Tirei meus tênis e fiz isso ai mesmo, minha cara de quem vai perder oportunidade. Ela se separou e me encarou por um minuto. — Mas ué — eu disse sorrindo que nem um idiota.

Ela se ajoelhou, uma perna de cada lado dos meus quadris. — Resgate! — falou, se chacoalhando e fazendo algo que eu julgaria ser “tirar a calcinha do cu”.

— Meu Deus... — murmurei, revirando os olhos. — Você realmente sabe como estragar um clima.

— Ei, tirar a calcinha do cu é necessário! — ela deu a língua e eu voltei a beijá-la, puxando ainda mais a cintura dela para perto de mim, até que eu estivesse encostado na parede em uma posição parecida com a de hoje de manhã.

Ela colocou as mãos pequenas por de baixo da minha camiseta, passando-as pelo meu abdômen. Eu suspirei, muita tensão sexual.

Muita, muita, muita tensão sexual.

Senti meu membro pulsar.

Ah merda, ah merda, ah merda.

LUCAS JUNIOR, CARALHO, SE SEGURA.

EU SEI QUE VOCÊ TÁ NA SECA, MAS AGORA NÃO É HORA DE ME DEDURAR.

Ela se afastou de mim um pouco, ofegante e corada, meu Deus, que linda. — Muito rápido. — concordei com a cabeça, mas ela logo voltou a juntar nossos lábios da mesma forma que antes, isso se não mais rápido.

Empurrei-a um pouco pelos ombros. — Muito rápido — concordei, mas logo voei no pescoço dela, o que a fez soltar um gemido no meu ouvido.

Chega, aquilo era o cúmulo a excitação! Nunca fiquei tanto tempo na cama com uma garota sem tirar a roupa dela! Nós nos separamos e olhamos nos olhos um do outro. — Muito rápido — falamos juntos. Ela se afastou de mim e foi para o outro lado da cama.

Ótimo, agora parece que tem uma parte de mim faltando. Se essa porra é o amor, puta merda, como as pessoas aguentam?!

— Ei — ela falou, me fazendo virar pra ela. — Acho que a maior merda que eu já fiz foi começar a te namorar... Não consigo ficar sem te beijar por cinco segundos...

Eu comecei a rir. — Claro que a gente consegue.

— Certo, um minuto.

— Um minuto o que?

— Um minuto sem nos beijarmos — ela disse, cruzando os braços e olhando para a parede atrás de mim. Passaram uns quinze segundos e ela falou. — Foda-se, não da, é impossível! — e então, ela me puxou para cima dela, se deitando de baixo de mim e me puxando pela nuca.

Agradeci à todos os deuses que poderiam existir por ela ter desistido de esperar um minuto, se ela não me puxasse para ela, eu me jogaria.

Comecei a tirar minha jaqueta e a joguei no chão, Nana fez o mesmo com sua blusa de frio de flanela, revelando sua regata de tecido fino. Vi o sutiã dela, era o que eu tinha comprado.

Pronto, se fosse possível ficar ainda mais duro, lá estava eu, com a capacidade máxima!

Comecei a tirar a blusa dela, passando a mão em sua barriga e subindo para seus seios. Ouvi um gemido dela entre o beijo e suspirei com prazer. — Lu... cas... — ela murmurou entre suspiros.

Pronto.

Enlouqueci.

Tudo o que eu estava segurando chegou de uma vez enquanto eu tentava tirar minha camiseta com a ajuda dela. Comecei a desabotoar seu shorts , deixando a barriga dela exposta e relando pele na pele, me aquecendo por inteiro.

Lembram quando eu xinguei o amor? Era mentira, é bem mais gostoso com ele.

Coloquei minha mão por dentro do shorts dela, o abaixando um pouco e pagando em sua bunda. — Por que você inventou de vir de meia calça? — impliquei, tentando abaixa-la, mas me deparando com seus coturnos. Os tirei o mais rápido que pude e voltei para cima dela, que agora estava só com a lingerie que eu havia comprado pra ela.

Ela se avermelhou, colocando a mão no botão da minha calça enquanto eu a ajudava, ficando agora só de boxer. — Agora está justo — ela murmurou.

Fiquei a encarando. Aquele conjunto caiu muito bem nela. — Está ainda melhor do que eu imaginei... — pensei alto. Ela se avermelhou mais. — Mas deve ficar melhor ainda sem...

E foi nesse momento que eu escutei um grito, ele era tipo um: — Yaaaaaaahahaha!!

Encarei Nana, ela me encarou. — Isso foi...? — perguntei arqueando as sobrancelhas. Não, impossível, definitivamente não pode ser isso...

— Isso é a Nick... — ela murmurou. — Caralho, a Nick bebeu. Lucas, fudeu. Fudeu muito.

— O que?! — perguntei me levantando da cama. — Impossível, ela é responsável, ela não bebeu... — respondi tentando me convencer.

— Ela com certeza bebeu. Vem, vamos! — ela disse, começando a vestir seu shorts e sua camiseta, deixando a meia-calça e os coturnos no chão do quarto. Ela colocou sua blusa de flanela e abriu o armário, pegando um chinelo e o colocando.

— Como sabia que tinha chinelos aí?

— Aloo, casa de rico — ela disse, enquanto mexia os braços.

Peguei minha calça do chão e pensei um pouco. — Nana, eu não posso sair...

— O que? — ela perguntou. — Como assim? — fiz um movimento para baixo com os olhos, o que fez ela olhar também. — Mas de novo?!

— A culpa não é minha se você me deixa com um puta tesão! — gritei, tentando vestir minhas calças e colocando a camiseta, deixando o resto das coisas junto com os sapatos dela.

—__

Diário do Pedro

Eu estava no carro do Lucas, escrevendo o que estava sentindo no meu celular.

Certo, sei que isso é uma coisa muito de menininha, mas preciso desabafar em algum lugar e, nos últimos dias, minhas notas com senha têm sido o melhor lugar possível.

Estava escrevendo sobre o beijo que Nick tinha me dado hoje no ônibus, no qual eu, supostamente, estava dormindo.

Caralho, essa foi a pior piada que eu já fiz pra ver no que dá! Eu achei, sei lá, que ela ia me rabiscar, e então eu abriria os olhos para assustá-la nessa hora e, quando ela disse que era sobre atrasar o motorista eu sabia que ela não iria querer me contar!

Eai vem o pior, será que ela já fez isso antes algum dia? Era exatamente no que eu estava pensando quando ela me assustou ao entrar no carro.

Apenas sei que gaguejei algumas coisas retardadas e então ela riu e... Ai meu Deus, aquele sorriso branco com aquele batom vermelho e as roupas clássicas que ela usava, ela é tão linda...

Quando acordei de meus devaneios Lucas e Nana já tinham entrado e já estavam gritando sobre a dita como festa surpresa. Olhei para Nick com um sorriso amarelo. — Vamos entrar então? — ela perguntou.

— P-pode ser... — gaguejei novamente. PARA DE GAGUEJAR, INFELIZ!

Ela saiu do carro e esperou para que eu tivesse feito o mesmo, e então começou a conversar. — Eai, quantas pessoas você acha que conhece dessa festa?

— A julgar que eu conheço o Lucas? — perguntei retoricamente. — Acho que um terço, e você?

— Sei lá — ela riu. — Umas dezessete pessoas?

— Faz sentido — eu ri. E o silencio prevaleceu, ao menos, o som da música prevaleceu. Quando entramos em dupla, Logan pulou no nosso pescoço, com copos de festa.

— Oi genteee! — ele gritou. Seu rosto estava meio corado e ele ria de tudo. — Querem?

— O que é isso? — ela perguntou desconfiada.

— Qual é o problema, Nick? Ta com me-di-nho? — ele perguntou continuando a rir. Ela revirou os olhos, pegou o copo da mão dele e virou de uma só vez.

— Feliz? — Perguntou, irônica.

— NICKYYYY — ele gritou, dando pulinhos e se apoiando no ombro dela. — Você é mais macho que TODOS OS HOMENS DESSA FESTA! ENTENDERAM, SEUS PUTOS? — ele gritou, voltando a rir. Nick cambaleou um pouquinho e piscou forte algumas vezes, começando a sorrir.

— Nhaaaa~! — ela falou rindo e pulando de pé em pé. — ESSA MÚSICA! — e então ela saiu correndo na multidão. Ah merda...

Henrique chegou e fez um toca-aqui com o Logan, que estava bêbado de mais pra ter alguma reação — Valeu Logan, estava meio curioso pra saber como a Nick ficaria bêbada, mas você a conhece bem, né?

— Sabia que tinha algo a ver com esse idiota... — murmurei para mim mesmo. Só por falar mesmo, estava passando aquela música bem velha do bonde do Tigrão, sabe, aquela do “mãos para o alto novinha.”

E, após dar um olhar feio para o Henrique eu segui para o lado pra que Nick tinha fugido.

Eu passava por entre as pessoas e aquilo era um pouco desconfortante. Algumas me puxavam para me cumprimentar e eu acabava perdendo o foco que, no momento, era achar aquela menina bêbada. Mas, quando alguém bebe, o que ela faz? Ela procura mais pra beber.

Senti mãos na minha bunda, garotas que me puxavam para dançar, caras que tiravam uma com a minha cara, pessoas se pegando, mas nada daquela retardada.

Eu já tinha dado umas duas voltas pela casa (o que era muito ao levar pelo tamanho dela) e achei uma peça de roupa conhecida, mais especificamente, achei a blusa da Nick no chão.

Ai Deus, que merda que eu me meti agora?

Não muito longe da peça de roupa, em cima da bancada do bar, Nick estava dançando de todos os modos possíveis. Ela descia até o chão, rebolava, gritava e o pior, ela estava com mais dois caras fazendo isso, Henrique e Logan.

Certo, o Logan parecia uma prostituta, ele tinha tirado a camisa vermelha e estava praticamente transando com a parede, enquanto o idiota do Rique puxava Nick pela cintura e seguia os movimentos dela, passando a mão no corpo dela...

IDIOTA IMPURO NUNCA SERÁ PERDOADO!

— Nick! — falei, chamando a atenção dela, que se soltou do delinquente e sorriu para mim.

— Pey! Onde você estava?! — ela perguntou manhosa, pulando de cima do balcão para o meu colo, quase me fazendo cair. — Achei que você tinha ido embora para ficar com a puta da Alessandra! Como eu odeio essa menina! — ela forçou os dentre. — Só porque tem o rosto bonitinho e sarnento e olhos azuis piscina e... e peitos grandes e... EU ODEIO ELA!

— Nick, calma... O que caralhos tinha naquela bebida...? — perguntei para mim mesmo.

— Não sei, só sei que era muito boa e bebi umas três daquela! — ela voltou a sorrir e a música trocou, agora para aquela mais nova do “Predador de Perereca”— AE CARALHO, EU, TU, NOIS BOTA NELA! O BONDE CHEGO COM AS PREDADOR DE PERERECA! SAPECA A PEPEKA, DIVIDE ESSA TCHECA! — ela gritou enquanto corria pela casa cantando e rindo.

— Nick, sua blusa! — gritei, mas já era tarde, ela tinha voltado pra multidão. — Está cada vez pior...

E a caçada à Nick continuou, dessa vez, por bem menos tempo, já que eu encontrei ela na porta de um banheiro dando pulinhos de felicidade. — Yaaaaaaaaaa! — ela gritou rindo, bem, algo como isso. — MEU SHIPP É CANON CARALHO! EU POSSO MORRER FELIZ, PORRA! YAAAA!!

Ela ia voltar a correr, mas eu a segurei pela cintura e olhei para onde ela tinha olhado. Matheus e João estavam se pegando no banheiro.

O moreno em cima da bancada da pia e o loiro na frente dele, os dois já tirando a camiseta e passando a mão pelo corpo um do outro.

Pisquei forte e chacoalhei a cabeça, torcendo para estar alucinando, mas eu acho que não funcionou muito bem, já que eles só estavam se comendo mais.

Segurei a Nick da mesma forma que Lucas costuma carregar a Nana, sabe? Como um saco de batatas.

Diferente do que eu pensei que ela faria, ela não ficou se mexendo muito, apenas gritando coisas como: — PORRA, EU SEMPRE SOUBE! — e ria malignamente. — TIRE UMA FOTO DISSO PRA MIM, LOGAN, PORQUE ISSO SIM É SHIPP UNIVERSAL!

Continuei a andar, dessa vez fui para o lado da escada, na tentativa de prender a Nick em algum lugar para ela parar de fugir, e acabei encontrando a Nana descendo as escadas enquanto abotoava as pregas do shorts. — Nathalie?! — perguntei vendo uma luz no fim do túnel.

— Pedro? Nick?! Ai Deus, ela bebeu, né? — ela perguntou, chegando até nós dois.

— NANA! VOCÊ NÃO SABE O QUE EU VI! — ela gritou. — O MATHEUS E O JOÃO SE PEGANDOOO!! BABADUUUS MONAA!

— Apenas ignore — digo. — Mas... você não estava de meia-calça? E cadê o Lucas? — perguntei, olhando ao redor. Nana corou e Nick se contorceu pra olhar para a cara dela.

— KYAAAA! — a menina no meu ombro gritou enquanto ria. — ELES ESTAVAM TRANSANDUUUUUU!!

— Cala a boca, Nick! — Nana gritou, ainda mais vermelha. Pera, aquilo era verdade?

— Espera, o Lucas não desceu por que... Bem...? — apontei para minhas calças com os olhos e ela concordou com a cabeça timidamente. — Ah... faz sentido...

— Nhaaa~! Todos os meus shipps hoje são canons!! — Nick gritou. — Agora só falta eu e você, Pedro!

— Nick, fique quie... Espera, que? — perguntei. Ela se contorceu até se soltar do meu colo e se jogou em cima de mim, me jogando no chão com ela por cima e me beijando, colocando diretamente sua língua na minha boca. Senti o gosto de álcool com energético muito forte, enquanto ela passava as mãos pelo meu corpo, retirando minha camiseta sem que eu pudesse fazer algo pra protestar.

Quando percebi, os lábios dela estavam selados nos meus, mas ela estava dormindo.

POR QUE EU FUI GOSTAR DE UMA GAROTA ASSIM?!

— Eita — Nana falou, piscando umas duas vezes com uma cara de indignada. — Agora entendo como vocês se sentiram quando fiquei beijando o Lucas mais cedo na sala de aula. Eu me levantei, segurando a Nick de cavalinho, ainda sem camiseta, bem, nós dois sem camiseta. — Andou malhando?

— Lucas tem me ajudado — respondi sorrindo. — Mas então, vocês meio que...?

— Ah, não... — ela respondeu rindo. — Bem, foi quase, mas digamos que eu escutei a Nick bêbada... Q-quer dizer, não é como seu eu quisesse e tal, mas...

— Ta, tanto faz, só vamos para o quarto que vocês estavam pra tentar vestir essa praga... Por falar em vestir, pega aqui pra mim? — perguntei, me referindo às roupas no chão. Ela deu de ombros e pegou as roupas, começando a nos guiar para o quarto deles.

Lucas estava de cueca na cama, olhando para o teto. Coloquei a Nick sentada na cama e comecei a vesti-la.

— Por que você ainda não se trocou? — ela perguntou, cruzando os braços.

— É que toda vez que eu tento me levantar, minha mente fica voltando e voltando...

— Mas acho melhor você se arrumar logo — declaro, fazendo ele se levantar com um pulo. — Nick bebeu demais e agora tá morrendo, é bem provável que ela vomite tudo essa noite.

— Quando você entrou aqui? — ele perguntou tentando cobrir o próprio corpo com os braços.

— Certo Lucas, não é como se eu já não tivesse te visto só de cueca — ironizei e acabei de vesti-la, colocando minha blusa em mim em seguida e meu suéter na adormecida à minha frente. — Se troca logo e vamos para casa antes que mais merda aconteça.

— Certo... — ele murmurou se levantando e colocando sua roupa. Coloquei Nick em meu colo e segui para o lugar onde Lucas havia estacionado o carro. Coloquei ela no banco de trás e passei o cinto sobre seu corpo.

Escutei ela rindo e vi seus olhos castanhos abrindo lentamente. — Nossa, está igualzinho antes, mas dessa vez a bêbada sou eu.

— O que quer dizer? — perguntei não entendendo.

— Você sabe, um de nós dois bebe álcool por uma razão idiota, daí começa a correr bêbado pela festa e acaba beijando o outro, é igualzinho da última vez — seu sorriso inocente enquanto falava essas palavras era extremamente fofo. — O mesmo bater de dentes, os mesmos lábios adocicados, as mesmas mordidas na língua de uma pessoa que não sabe beijar, mas bem, na última você bebeu bem menos que eu — ela voltou a rir. Me aproximei dela e lhe beijei, dessa vez do jeito certo e lento, enquanto ela adormecia novamente.

Escutei um assobio atrás de mim, esperando que fosse Lucas, mas eu acho que estava meio errado. — Sabe que ainda não desistirei dela, né? — Henrique falou.

— Eu sei, mas eu também não vou — declarei, fechando a porta da Nick. — Até mais, delinquente.

— Espero que não, nerdzinho retardado — revirei os olhos e entrei no carro, esperando que o casal assumido viesse logo.

~~

Liguei para minha casa e disse que dormiria na casa do Lucas, mas, na verdade, eu dormi na casa das gêmeas. Me sentiria culpado sabendo que a Nathalie teria de cuidar de toda a rejeição que o estomago de Nick provocasse, então dormi lá. Nana e Lucas ficaram na cama da Nana e eu fiquei acordado vendo algo na TV e levantando sempre que Nick corria para o banheiro para vomitar.

Sei lá, achei o certo a se fazer.

Notas finais
DG: Eai, quem mais teve a reação da Nick quando o shipp Jatheus aconteceu?? Nana: na hora q vc me mandou essa ideia eu pirei véi :v DG: Sei que poderia ter sido descrito de um modo melhor, porem, era pov do Pedro, minha gente, Pedro é trouxa :v Espero que tenham gostado~~ Se ficarmos muito tempo sem postar, culpem a escola... e a Nana Kissus de paçoca, Kissus de pandas, flwwss