Quase Normais
20 Pobre Seja meu Pescoço
Notas iniciais
Diário da Nath
Aposto que sas coisas não acontecem com a Nick!
~~
Acordei de manha com o sol batendo direto na minha cara.
Quem foi que deixou a merda da janela aberta?!
Me levantei pra fechar a janela lá, ou melhor, só tentei. Quando fiz força pra cima, percebi braços ao redor da minha cintura, me puxando mais pra baixo e impedindo que eu me levantasse, e que (na verdade) eu nem estava no meu quarto!
Pera, tem um Lucas aqui... e é o quarto dele...
Como eu vim parar aqui? Bem, não interessa agora. Me mexi pra tentar me soltar mas os braços fortes me abraçaram mais ainda. – Para de se mexer que eu quero dormir! – Lucas falou sonolento.
– Mas eu preciso sair! – Falei me mexendo mais, até que ele me puxou para baixo dele.
– Será que vou ter que te ensinar a ficar calada? – O moreno falou num tom ameaçador.
Agora que parei para olhar Lucas estava sem camisa e... como assim ele dormiu de cueca?! Quer dizer... minha situação não estava tão diferente, eu tinha planeja de dormir com uma blusa do Lucas, que ficou um vestido em mim então dormi sem shorts, mas o que acontece é que a blusa subiu.
– O-o que vo-vo-você está falando? – Falei gaguejando e antes que eu pudesse perceber Lucas estava com uma mão na minha coxa e uma na minha nuca e começou a se aproximar.
– Fique quieta senão eu posso errar o caminho do seu pescoço para a sua boca! — ele começou a me beijar no pescoço, com mordidas e lambidas também, me deixando cada vez mais estremecida e tentando sair de lá. Gemi um pouco quando ele chupou uma parte e tentei empurrá-lo com o pé, mas não estava dando certo.
Como estávamos na diagonal na cama, só me restou uma esperança, o golpe anti-Lucas. Posicionei meu pé na barriga dele e empurrei com todas as minhas forças. Teria sido o melhor golpe da minha vida se o puto não tivesse me segurado para que eu caísse junto com ele. Resultado?
Nós dois no colchão de solteiro que tinha sido colocado no quarto no dia anterior, ele caído e me segurando pelos pulsos e eu sentada no colo dele e sendo puxada para ele. — Parece que o jogo virou, não é mesmo? — declarou.
— C-cala a boca, e me solta! — me remexi sem conseguir me soltar e tive que optar por fazer algo fora da minha zona de conforto. Me deitei em cima dele e lambi seu pescoço, ele estremeceu mas não foi o suficiente. Aproximei da orelha dele e sussurrei — Você sabe que fica lindo vermelhinho, né? — foi aí que ele ficou vermelho dos pés à cabeça e acabou me soltando sem querer. Me levantei com pressa e me tranquei no banheiro.
Respirei fundo, olhando para o espelho e tirei minha blusa, ou melhor, a blusa do Lucas, e procurei o uniforme que tinha sido usado no dia anterior. Me vesti e escovei o cabelo, olhei em volta e tinha cinco escovas de dente, uma de cada cor. Entreabri a porta.
— Lucas, onde tem escova nova? — perguntei.
— Usa a minha mesmo — respondeu brincado e com sono. Revirei os olhos.
— Eu uso o dedo mesmo! — bati a porta e comecei a “escovar” meus dentes com o dedo até sentir o mal hálito partir. Saí do cômodo e olhei no relógio da parede do corredor... Corri até o quarto do Lucas — LUCAS, acorda caralho, já são quase nove horas!
— Eh? A gente não pode faltar? — perguntou virando o rosto. Ele me olhou de cima a baixo, notando o uniforme.
— Anda logo! — briguei puxando-o para o banheiro e o empurrando lá. — Se você não sair em quinze minutos eu vou sem você!
Os minutos passaram e Lucas saiu de toalha de dentro do banheiro, na cintura. Água escorrendo no corpo imensamente bonito dele estava quase me dando um sangramento nasal. Tampei a cara quando ele percebeu que eu estava ficando vermelha — Que merda de mania é essa sua de sair só de toalha?
— Hum, você tem a opção de olhar ou não — respondeu se espreguiçando. — Além disso é minha casa mesmo — ele foi para o quarto e se trocou enquanto eu esperava do lado de fora. Aquela imagem sexy na minha cabeça... Que merda! — O que você ta fazendo?
— Ham? — aí que eu percebi que estava mexendo em meus cabelos, batendo na minha cabeça e tentando mudar o pensamento. — N-nada... — e passou do meu lado dando de ombros. Espera, ele ta sem camisa? Mas a gente vai pra escola! — Por que você ta sem camisa?
— Ta no varal...? — falou de uma maneira obvia que me deu uma pequena sensação de dejavú. Certo, faz sentido. Ele foi lá e voltou abotoando a camisa com a gravata sem o nó ao redor do pescoço. Me sentei no sofá.
Droga, estou começando a imaginar coisas que não deveria.
Saiam da minha mente, pensamentos impuros!!
Enquanto me distraía com isso, Lucas se arrumou e chegou por trás, colocando a mão na minha gravata azul escura e arrumando-a — O que você...?
— Está toda errada, deixa eu arrumar — ele se aproximou respirando no meu pescoço.
— É qu-que a Nick que arruma minha gravata. Não sei fazer isso — senti um arrepio pela minha espinha e vi as mãos dele descerem. — O que... Han?!
— Pelo jeito você não sabe abotoar camisa também — abriu um botão e dirigiu a mão para o outro e logo eu a afastei.
— Eu faço isso sozinha!
— Claro — ironizou. — Posso ver como você sabe se vestir.
— Tsk, cala a boca — desabotoei os de baixo até chegar no errado e arrumei a roupa. Eu já estava de costas pra ele mesmo. Suspirei alto e coloquei a mão no pescoço e acabei sentindo uma dor ali. Os beijos do Lucas. — Ei, ta marcado? — perguntei esticando o pescoço.
— Marcado de que? — perguntou revirando os olhos.
— Então não ta? — ele fez que não. — Que bom. Vamos! — e saímos da casa, indo a pé até a escola. Chegamos no meio da segunda aula e fomos na sala da orientadora, que no caso é muito legal.
Ela é baixinha e morena, com cabelos curtos e meio gordinha, sempre bem arrumada. Lucas adentrou a sala de paredes acinzentadas com duas poltronas pretas e uma mesa organizada e com um computador consideravelmente velho. — Bom dia Rúbia... — o mais alto falou. Ela levantou o olhar do seu computador para nós.
— Ai meu Deus, dê-me paciência. O que vocês dois estão fazendo aqui? — perguntou abaixando a cabeça.
— A gente acabou de chegar... — falei olhando para a estante de livros velhos.
— Não quero nem saber por quê. Vão para a biblioteca e subam na terceira aula, não vou deixar vocês atrapalharem o Leandro — ela declarou. Comemorei mentalmente.
Odeio o Leandro.
Eu e Lucas saímos da sala, acenando, e fomos para a biblioteca. Fiquei falando com a bibliotecária e descobri que ela é bem legal! Ela me recomendou alguns livros e eu recomendei pra ela. Senti-me observada por Lucas todo o tempo, aquilo estava me dando medo. Nosso sinal bateu e saímos correndo até a sala, afobados.
Nossa, acho que ninguém além da Nick usa essa palavra. Na troca de professores, os alunos estavam todos andando pela sala e conversando, fazendo as merdas que todos fazem, mas quando adentramos a sala, todo mundo parou o que estava fazendo e olhou para a gente.
Tipo assim, TODO MUNDO.
Me sentei em meu lugar e Lucas foi para o dele, metade da sala o olhava, metade me olhava, todos com cara de curiosidade, como se dissessem “seus safrados”.
Thiago me cutucou, me virei e ele começou:
— O que vocês estavam fazendo?
— Hum? Nada, eu e ele só chegamos na mesma hora.
— Então o que é isso no seu pescoço? — arregalei os olhos e dei um sorrisinho.
— N-não tem nada no meu pescoço...
— Espera — ele se virou para a garota de trás e pediu um espelho, que foi bem dado. — Olha aqui — me aproximei, tirando os cabelos e...
— Meu Deus, eu vou matar o Lucas — mandei um olhar matador para ele, que nem percebeu.
— Há! E então, como foi a night? — se apoiou com as mãos no queixo.
— Normal, eu durmi — falei mostrando o polegar. O professor entrou na sala, me fazendo eu me virar para frente. Merda, eu não trouxe base! Como que eu vou esconder isso?
Eu posso pedir uma echarpe pra uma garota...
Não, não gosto disso.
Vou esconder com o cabelo mesmo. Olhei para o quadro.
Não! Química não! Rápido, ativar arma cósmica anti-química!
–-uma aula de química depois—
Intervalo!
Ué, cadê o Lucas?
Olhei para os lados e o vi, com os populares do fundão. Tinha algumas garotas meio putas, umas mais legais, os populares bonitos, bagunceiros e um Lucas. Tipo, no meio, se socializando. Parecendo um titã perto de um monte de gente de estatura normal.
Revirei os olhos e passei reto, tentando ir para outro lugar, mas — Nana, vem cá — ele chamou.
— Não, não quero — falei curta e grossa.
— Por que?
— Ta meio cheio aí pra mim.
— Vem logo! — brigou.
— Não quero! — e assim começou uma guerra de olhares. Se estivéssemos em um filme sairiam até faíscas. Por um segundo pensei naquelas musicas de velho-oeste. Lucas se levantou e eu recuei, tentando correr, mas ele pegou na minha cintura e me puxou para perto dos outros populares, se sentando e me colocando no colo dele a força.
— E, Lucas, pegando todas — um garoto cujo nome eu desconhecia falou. Senti todos olhando para mim. Tinha até gente do terceirão véi! Que porra eu to fazendo aqui??
— Até quando a garota não quer ficar com ele — outro falou. Ouvi várias risadas, bonitinhas, enjoativas e másculas, mas nenhuma estridente como as verdadeiras gargalhadas. Bem bosta.
— De qualquer jeito, o que era aquilo que vocês estavam falando? — Lucas perguntou impaciente.
— Ah, pera — uma garota chegou praticamente encoxando outro garoto e fazendo um negocio mó loco no joelho dele, que ficou com trimilique. — Tá, dizem que se a pessoa tem essa reação quando você faz isso nela, é por que ela sente tesão por você.
Espera, o que? Onde demônios esse puto me meteu agora?
— Ah, entendi — falou pensativo. Ele colocou a mão no meu joelho e começou a abrir os dedos, devagar. Uma tremedeira percorreu minha espinha e, bem, já entenderam. O mais alto me olhou malicioso.
— Não tem nada a ver! — falei triste — Me falaram que esse negocio é de inveja!
— Certo, e com quantos anos te falaram isso? — um garoto me perguntou.
Contei nos dedos, olhando para baixo e fiquei meio vermelha —... dez...
Todos olharam pra mim. Fiquei mais vermelha e tentei escapar do colo do Lucas, mas não deu certo, então revirei os olhos e cruzei os braços — Bem que você disse Lucas, ela é uma fofa — o mesmo garoto de antes me perguntou.
— Eu sei de um negocio que minha irmã sempre fazia em mim... — o gigante começou, mas foi interrompido por uma menina consideravelmente puta, mas que parecia legal.
— É mais algum tipo de tortura?
— É algo assim — respondeu com um sorriso. Ele subiu a mão um pouco para minha coxa e apertou em um lugar que me fez pular e quase cair, mas ele me segurou.
— Que porra é essa?! — perguntei me levantando e distanciando antes que ele me segurasse.
— Nem eu sei.
— Mas por que me usou como demonstração para um público?!
— Por que não quero apertar coxas de garotas que não sejam você — me respondeu de uma forma que seria consideravelmente fofa se ele não estivesse falando sobre coxas. Bem, acabei ficando vermelha e saí correndo de lá.
Nos corredores da escola, perto da cantina, tem algumas máquinas de doces e bebidas e, em uma delas que fica quase encostada na parede, tem um vãozinho que poucas pessoas cabem. Entrei lá e fiquei mexendo no celular. Lucas brotou na minha frente.
— Ah, vem, sai daí — falou me dando a mão, que eu recusei com um tapa.
— Não vou sair.
— Por quê?
— Porque parece que você quer mostrar pra todo mundo que você consegue, sei lá, me deixar apaixonada e é como se você recebesse um troféu que ninguém mais vai conseguir. E que você vai se mostrar para todos com essa conquista...
— Mano, você acha que eu arrumaria a roupa de qualquer garota? — fiquei em silencio. — Sabe, meu eu do ano passado até tiraria a roupa delas, mas se alguma me mandasse arrumar, o máximo que eu faria é mandá-las procurar no youtube. E eu só queria te tocar, e aquilo foi uma desculpa para te tocar... Você fica sempre com outros garotos, tipo o Thiago e o Matheus, o João e até o Pedro, mas você recusa qualquer tipo de ação vinda de mim. Por quê?
Porra, o feitiço virou contra o feiticeiro! — E-eu tenho medo de, sabe, me machucar...
— E eles não vão? Tipo, virar as costas pra você depois de tudo?
— Mas eu não penso neles desse jeito — Lucas colocou a cabeça na fresta e tentou passar uma parte de seu corpo grande.
— Que jeito?
— V-você sabe — fui mais pra trás e comecei a brincar com os dedos.
— Sei?
— Te falei ontem...
— Então repete — fiquei muito vermelha. — E-eu gosto de v-você... — falei tudo baixinho e de cabeça baixa.
— Eu não ouvi direito — falou cantado.
— Ouviu sim!
— Ta, vem cá — ele puxou meu braço e me abraçou, soterrando minha cabeça no seu peitoral.
— PERA AÍ — empurrei Lucas. — Lembrei de uma coisa!
— Que?
— Você falou que meu pescoço não estava marcado, mas está! — ele abriu a boca na tentativa de falar algo, mas nada saia. — Agora parece que me deram um cupão no pescoço!
— Mas não foi isso? — falou com cara inocente e me deixou vermelha. Empurrei a cara dele e me levantei, andando até a escadaria.
— Ah, vai me dizer que não foi bom — cruzou os braços indo do meu lado. Fiz uma cara meio estranha e nenhuma palavra formada saia da minha boca. — Se foi tão ruim, me da um para eu aprender — Fiquei vermelha e continuei a caminhar, sem dar ouvidos a ele. — Certo, não precisa ser agora, pode ser depois.
O sinal tocou e eu fiz a mesma coisa que sempre faço. Não prestei atenção na aula. Em nenhuma aula.
Com esse meio tempo que se passou, o ultimo sinal tocou e eu arrumei meus materiais para ir para a sala de música. Lucas não parara de me irritar em todos os horários possíveis, inclusive agora, que andávamos pelo pátio indo para o clube.
— Mano, só um beijo não vai te fazer mal. Tipo, você já me beijou antes, não vai morrer — ele usava todos os argumentos possíveis pra em convencer.
— Eu não vou Lucas, não aqui. E nem depois se eu puder evitar — declarei abaixando a cabeça. Ele colocou a mão no meu queixo e o ergueu, depois se abaixou um pouco e foi fechando os olhos. Ouvi um barulho de flash e o empurrei, me virando para onde estava o som. Uma garota de cabelos azuis presos em um coque desfiado, olhos verdes e óculos vermelhos, estava segurando uma câmera na nossa direção, depois se virou com velocidade para a garota do seu lado.
— Sabe, eu caí de uma árvore hoje — ela declarou, com uma voz um tanto fofa e o rosto serio. Lucas estava observando-a também.
— Por que você subiu em uma árvore? — a morena de olhos castanhos perguntou, com a mão no rosto e tom de decepção.
— Ah, eu estava tirando foto... da... — ela virou o olhar para a gente, depois voltou para a amiga— Paisagem.
Eu e Lucas nos entreolhamos, olhamos para ela e voltamos ao nosso caminho.
Basicamente, Não fizemos nada. Murilo faltou hoje, Isa ainda está nas olimpíadas, o que nos restou foi ir pra casa. E como todo bom e velho Lucas...
Ele me seguiu.
O caminho foi uma merda. Posso resumir em três palavras.
Pedido de beijo.
Quanto mais ele me pede menos vontade eu tenho de fazer isso. Ta vendo? Eu digo pro moleque que eu gosto dele e fica aqui ó, na minha cola.
Depois de quinze minutos andando, que mais pareciam quinze horas já que um certo gigante ficava tentando agarrar minha mão...
N-não que eu não quisesse mas... Sei lá, eu não queria um relacionamento tão rápido...
E sei que é frescura mas ele nem me pediu direito...
Queria perguntar pra Nick o que fazer... Sei que ela nunca teve namorado mas ela entende de garotos...
Senti um baque me parar e voltei com tudo para trás — Você está dormindo mesmo em... Já chegamos.
— Ah, verdade... — falei sonhando acordada. Fui entrando, dando oi para o porteiro e indo até o elevador, apertando meu andar. Nem percebi que estava sendo seguida por um garoto alto de cabelos negros que me observava, tentando descobrir o que me deixava inquieta.
Entrei na casa com a minha chave vermelha e preta, deixei meus sapatos no canto da casa e me joguei no sofá, murmurando alguma coisa contra a almofada. Lucas falou alguma coisa que eu não ouvi porque meus pensamentos estavam mais altos.
Senti um peso enorme em cima de mim e fui esmagada contra as almofadas. Meu cabelo foi tirado da minha nuca e ele passou o nariz lá, levemente e depois pousou seus lábios ali. Estremeci.
— Nana, você gosta de mim mesmo, ou você só falou por falar? — ele buscou minha mão e tentou entrelaçar nossos dedos. Não quis desviar.
— Eu queria não me apaixonar, mas você vem e faz essas merdas pra cima de mim. Daí eu não consigo prestar atenção em nada além de você e bugo todo o meu pensamento. Depois vai lá, faz coisas que não deveria fazer e eu fico brava, você vem e inventa de ser fofo. Vá cagar!
— Bem, tudo que eu entendi foi “apaixonar”, “além de você” e “vá cagar” — ele declarou com um riso. — Mas acho que eu entendi.
Ficamos em silencio e ele me abraçou, consegui ouvir os batimentos rápidos do coração dele. O maldito não está mentindo. Droga, não quero me apaixonar por ele...
Mais do que já estou...
— Eu gosto muito de você, Nana — declarou baixinho e me deu um beijo na nuca. Antes que eu percebesse ele tinha dormido enquanto me aninhava.
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Droga... Ele não me ajuda muito com o meu plano...
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