Quase Normais

21 EU Sou Muito Azarado!


Notas iniciais
DG: *leva pedrada na cara* Podem dar mais, to pouco me fodendo, se estão mal, vão discutir com a minha escola que nem semana do saco cheio deu ;u; To postando sozinha pq a Nana já foi dormir, então curtam aí e me respondam algo MUITO IMPORTANTE nos comentarios, pfvr

Diário da Nick

Tome cuidado ao jogar Just Dance com garotos.

~~

Ontem foi quinta-feira e nada de interessante aconteceu. Os meninos foram todos competir e eu fiquei sozinha, buscando algo para fazer no hotel. Acabei por ficar na sala de descanso com meu celular, escrevendo histórias que apenas Nana conhece.

Por falar nisso, como será que ela está? Estou, pessoalmente, me sentindo meio solitária...

Se bem que isso deve ser normal quando você nunca saiu do lado da pessoa e do nada tem que ficar uma semana sem ela...

Que seja, de qualquer modo, hoje é sexta e são as semifinais. Eu já passei com a pontuação mais alta até agora, então não tenho jogo. Já o Pedro só passará para a final se ninguém conseguir um placar melhor que o dele até o fim do dia. Sabe, aquele jogo com a Lote e os dois jogos que ele teve ontem lhe deram pontos o suficiente pra ficar em segundo no placar.

Já o Logan e o presidente vão ambos jogar hoje. Por esse fato, os dois já saíram e eu estou tomando banho, mas tem um problema...

Eu esqueci minhas roupas do lado de fora...

Sequei meus cabelos com a toalha enrolada na minha cintura, me encostei na bancada e comecei a pensar.

Que porra que eu fiz? Como demônios eu esqueci a merda da roupa do lado de fora?

Respirei fundo, segurei a toalha mais firme ainda. Ela cobria minhas partes intimas, costas, barriga e tal, mas minhas pernas estava praticamente nuas. Abri uma frestinha na porta e vi Pedro olhando para cima com um olhar pensativo.

— Pedro, fica virado pra parede — declarei baixo. Ele virou o olhar para a porta do banheiro.

— O que? Por quê?

— E-eu esqueci minha roupa do lado de fora — quando acabei de falar, ouvi um baque que me deixou assustada. A cortina que estava aberta se fechou e Pedro tinha sumido.

— P-pode vir... — ele declarou.

— Mas, onde você ta?!

— Eu... caí da cama — soltei um riso preso e saí do banheiro bem rapidinho, indo em direção à minha mala no guarda-roupa. Coloquei minha calcinha enquanto a toalha ainda estava presa a mim. Não que eu não confie no Pedro, mas vai que, né? Coloquei o shorts rapidão, pendurei a toalha nos meus ombros, coloquei o sutiã e uma blusa branca com o símbolo do moustache na área dos seios. — Posso levantar agora?

— Pode — ele se levantou e ficou me olhando. — O que foi?

— Você se trocou aqui? — fiz que sim e andei até o banheiro. — Sabia que podia ter pego suas roupas e se trocado no banheiro, né?

— Ah... É verdade — dei de ombros e estendi a toalha no box. Voltei ao quarto e me sentei na minha cama. — Que foi? — ele estava me encarando.

— Você não vai me dar meu beijo, né? — murmurou desviando o olhar. — Tudo bem, você nem deve gostar de mim assim... — a ultima parte foi falada ainda mais baixo. Quase protestei, mas não era o momento... Não ainda...

— Quer ir na piscina? Tem previsão de sol hoje! — falei com um sorriso, me levantando e sentando na cama dele com ele.

— Não to com vontade — ele se deitou e eu me deitei encostando no peito dele.

— Vamoooos! Vamos, vamos! Quero ir na piscina! — empurrei-o com a cabeça e comecei a fazer o que aprendi em muitos anos de treinamento com a Nana. Irritar pessoas. Comecei a cutucá-lo com os dois indicadores — Pey, Pey, Pey, Pey....

— De onde demônios você tirou esse apelido? — perguntou erguendo a cabeça. Ergui a minha também e me encostei de bruço nele e o olhei nos olhos com um sorrisinho envergonhado.

— Ah, eu não posso, né? Aquela menina a... — comecei a estalar os dedos pra lembrar. — Andressa! Isso, ela usa esse apelido com você.

— A Alessandra...? — fez cara de dúvida arqueando uma sobrancelha.

— Essa mesma! — Falei me deitando nele e brincando com o colar com de uma pedrinha verde que estava no pescoço dele, presa em um cordão preto. — É que ela te chama assim, mas vocês se conhecem há tempos, né? Deve ser mais natural. Não estou acostumada a usar apelidos.

— E pra que Nick, então? — perguntou com um sorriso.

— Sei lá, Nana e Nick, quatro letras cada, uma dupla implacável. É isso que eu penso. Mas as únicas pessoas em quem uso apelidos são a Nana, seu irmão, a irmãzinha do Lucas e o Logan de vez em quando.

— Ah, você conhece metade deles a menos tempo que me conhece! Pode usar Pey comigo, vai — falou meio irritado e mostrando a língua.

— Mas a Alessandra já te chama assim, ela vai ficar brava... — ele me abraçou pela cintura.

— Sei lá, eu não gosto muito desse apelido, mas quando você fala me deixa até que feliz — ele sorriu.

— Okay... Pey... — ele cobriu meus olhos, mas consegui ver que ele tinha corado. Afagou meus cabelos e se levantou, indo até a mala dele.

— Se troca aqui que eu vou no banheiro. Bate na porta quando estiver pronta — ele pegou uma bermuda e foi para dentro do cômodo. Respirei fundo ainda deitada na cama, levantei-me e fui até a minha mala e peguei meu biquíni. Ele era xadrez em vermelho, branco e preto, fora isso, um biquíni normal. Peguei meu protetor também e dei três batidas fracas na porta. O moreno logo saiu, com uma bermuda preta de banho e sem camisa.

Olhei-o de cima à baixo... Ele andou malhando? Parece que teve algum progresso... Que seja!

Parei de fitá-lo e mordi o lábio inferior, tirando um resquício de pele morta. Coloquei meus chinelos e uma saia de saída de banho, logo saindo pela porta da frente do quarto. Pedro calçou os chinelos, pegou uma blusa e me seguiu.

Um caminho até a piscina depois, peguei uma toalha na recepção e coloquei em uma espreguiçadeira. Me sentei nela e comecei a passar protetor nos braços, ombros, cara, barriga, seios...

QUE FOI? Eu me queimo fácil!

Fui passar nas costas mas, como devem imaginar, eu não alcancei!

E eu não vou pedir pro Pedro passar nem a pau! Eu me viro!

A parte de cima foi de boas, meu problema era pra passar mais pra baixo. Um garoto loiro com um alargador pequeno e um corpo bem bonito por sinal chegou em mim.

— Eai, gata. Quer ajuda? — ele piscou um dos olhos castanhos com um sorriso maroto. Olhei para os lados.

— Você está falando comigo? — perguntei apontando para mim mesma.

— Consegue ver outra garota de belos olhos castanhos por aí? — ele passou a mão nos cabelos e sorriu mais galanteador ainda.

Sorri meio desconfiada e fechei um pouco os olhos — Não, mas, sei lá. Garotos não costumam me paquerar...

— Imagino o porque — respondeu olhando para trás de mim. — Quem é o nanico?

Olhei para a mesma direção e tinha um Pedro frustrado com olhar flamejante — Quem está chamando de nanico? — se aproximou bravo. Bem, Pedro não é tão baixo, mas perto de um garoto de um e oitenta e cinco ele podia ser considerado bem baixinho.

— Olha, de onde vem essa voz? Consigo escutá-la, mas não vejo nada — o mais alto zombou. Pedro deu uma bicuda na canela do louro, que se agachou com dor. — Você tem demência?

— Olha, parece que estamos da mesma altura agora — Pedro segurou o louro pelo colar de concha e o encarou nos olhos. — Pode dar em cima de qualquer garota nessa piscina, mas se você olhar para ela novamente, acho melhor você se preparar para ver o nascer do sol num hospital — o moreno o soltou e veio atrás de mim, arrancando o protetor das minhas mãos e passando nas minhas costas. Fiquei vermelha de vergonha. Em questão de segundos todos naquela área estavam olhando a confusão, então dei graças a Deus quando Pedro parou de brigar com ele.

O mais alto me olhou e eu dei de ombros, depois ele revirou os olhos e saiu do local. Presumi que ele estaria indo de volta para o quarto ou para a praia que ficava há uns três quilômetros dali.

— O-obrigada... — murmurei de cabeça baixa.

— O que é que da em você pensando que nenhum garoto vai te paquerar? Você vem com essa cara de inocente e toda linda, depois um cara vem falar com você e você fica tipo “Ah, você está falando comigo?” É claro que ele está falando com você! — ele encostou a cabeça na minha nuca e suspirou alto. — Desculpe, fiquei irritado.

Fiz que não com a cabeça — Tudo bem, a culpa é minha. É que até esse ano nenhum garoto nunca me olhou com “esses olhos”. Até porque, tem muita garota melhor que eu — revirei os olhos com um sorriso.

— Se quer saber, pra mim você é a melhor, mesmo que muitos não pensem assim! Você não é burra, sabe que eu gosto de você, eu já dei muitos sinais claros disso!

— Você está errado. Você não gosta de mim, merece algo melhor que eu — deitei minha cabeça na cabeça dele. — Sabe, você é um fofo e tem a personalidade perfeita pra muitas garotas, pode arranjar algo melhor que eu...

— Como vou conseguir algo melhor que a minha perfeição?! — ele levantou a cabeça e a posicionou na frente da minha, aproximando nossos rostos. Ele foi fechando os olhos e chegando mais perto e eu fiz o mesmo, mas...

— Nicole? É você?! — abri os olhos super rápido e me afastei do Pedro, olhando para a pessoa que tinha aquela voz. A reconheceria em qualquer lugar do mundo.

— Tio Jonas?! — me levantei da espreguiçadeira e dei de cara com um garoto alto, definido, de pele morena, olhos castanhos e cabelos da mesma cor e meio encaracolados. Sai correndo na direção dele e lhe dei um abraço apertado. — Caralho, quanto tempo!

É, a maior parte das garotas não soltaria essa palavra a ver um melhor amigo de infância, mas essa lei não se aplica à Nick’s.

— VÉI! Você ta muito gostosa, o que aconteceu com aquela tábua que parecia um moleque? — perguntou bagunçando meus cabelos e me erguendo do chão.

— Nem eu sei! Acordei um dia aí e fiquei assim — começamos a rir juntos das trouxisses que fizemos. Jonathan é dois anos mais velho que eu, agora ele faz faculdade mas foi meu veterano e melhor amigo por muitos anos.

A gente já fez tanta merda juntos...

Ele me colocou no chão e mirou o olhar para o Pedro, que estava com um olhar de “que porra que ta acontecendo aqui?”

— Quem é? — Jonas me perguntou, sem me soltar do abraço.

— Tio Jonas, esse é Pedro, meu colega de quarto — apontei Pedro para Jonas e de Jonas pra Pedro. — Pedro, esse é o Tio Jonas, um velho amigo de infância.

— Hum — o mais baixo murmurou.

— Colega de quarto, né, Nick? To sabendo desses seus rolos aí — dei-lhe a língua.

— Bela merda, como se já não tivesse dividido quarto com você no campeonato nacional de xadrez sub 18. Lembra quem ganhou? Eu ganhei!

— Ah, vá cagar — ele declarou me empurrando na piscina sem dó nem pena. Fui para cima da água o mais rápido que pude.

— Filho da puta, quer que eu me afogue? — falei respirando fundo.

— Calma, eu te joguei onde você da pé — ele falou dando de ombros. — De qualquer jeito, tenho que ir. Passou pras finais, né?

— Sem sombra de dúvidas, e você?

— O sub 25 é mais difícil, estou esperando os resultados para amanha. Vou sair pra correr, falou Nick!

Bati continência com os dois dedos — Falou, tio Jonas! — e assim o moreno saiu prédio afora. Soltei um sorriso de lado, faz meio ano que não vejo esse idiota. Olhei para Pedro que estava encostado na cadeira com cara de poucos amigos. — Você não vai nadar? — perguntei indo para a beira.

— Perdi a vontade de repente... — ele declarou. Fui até a escadinha, subi e me agachei do seu lado enquanto cutucava-o.

— O que você quer pra entrar? — ele abriu um dos olhos verdes.

— Sabe no domingo, o dia de folga? — fiz que sim com a cabeça. — Quero que você fique comigo. A sós.

— Eh? Por mim tudo bem, o único problema é o Logan, ele provavelmente vai querer ficar com a gente...

— Ele tem o presidente, não precisa de nós — ele colocou a mão em cima da minha e se aproximou me dando um beijo na bochecha. Corei e fiz que sim. Só faltava sair fumaça da minha cabeça, de verdade. Ele sorriu — Vamos então! — e me puxou para a piscina com ele.

Diário do Pedro

Essa história de diário é muito de menina, não posso mudar pra outra coisa? Sei lá, caderno, narração, bloco de notas, até mesmo fixario... Ah, já começou?

Certo, na hora que aquele garoto começou a paquerar a Nick, um fervor percorreu todo o meu corpo. Se eu tivesse uma arma agora, fosse ela branca ou de fogo, com certeza eu não teria pensado duas vezes antes de matá-lo.

Sou ciumento mesmo, problemas com isso?

Bem, ela nem é minha namorada, mas isso não vem ao caso! O que vem ao caso é que eu sou a fim dela e tem um menino a paquerando.

Pensem comigo, se a garota que você gosta está sendo paquerada, você vai ficar com raiva, não vai? Lógico que vai, o ser humano é assim!

Antes que eu percebesse, já havia me levantando, batido boca e chutado a canela dele. Eu apenas lembrava que ele tinha me chamado de nanico e aquilo fora a gota d’água. — Você tem demência?

— Olha, parece que estamos da mesma altura agora — Segurei aquele puto por seu colar de concha. — Pode dar em cima de qualquer garota nessa piscina, mas se você olhar para ela novamente, acho melhor você se preparar para ver o nascer do sol num hospital — declarei com um sorrisinho mafioso. Soltei-o, parei de sorrir e me virei, arrancando o protetor das mãos da Nick (que já estavam brancas) e me sentando de pernas cruzadas atrás dela na espreguiçadeira.

Ela me agradeceu com vergonha e eu comecei a passar nela enquanto dava um sermão, novamente falando coisas que nem eu mesmo estava prestando atenção. Desculpei-me e encostei da nuca dela. Ela deitou a cabeça em cima da minha enquanto conversávamos e todo aquele clima (que pelo visto só estava na minha cabeça mesmo) resultou em um quase-beijo que foi arruinado pelo chamado de um cara.

Ela se afastou do meu “beijo” pra abraçá-lo e eu fiquei lá, tipo, sem palavras e “deixado no bote”...

Eles começaram a conversar e ele chamou ela de gostosa!

De gostosa!

Depois disso só passei a prestar atenção na conversa quando ela foi empurrada para dentro da piscina. Me deitei na espreguiçadeira e fechei os olhos, tentando prestar atenção em outra coisa, o que por sinal foi bem inútil já que a cena dela se espremendo contra ele ficou pairando na minha cabeça.

Depois de um tempo, ouvi Nick falar: — Você não vai nadar?

— Perdi a vontade de repente... — menti com descaso.

— O que você quer pra entrar? — abri um dos olhos e encare-a profundamente. O que eu quero? Sinceramente eu quero um beijo, mas ela vai fazer igual ontem, além de que isso pode deixá-la desconfortável...

— Sabe no domingo, o dia de folga? — ela concordou com a cabeça. — Quero que você fique comigo. A sós.

— Eh? Por mim tudo bem, o único problema é o Logan, ele provavelmente vai querer ficar com a gente... — declarou olhando para cima, uma mania que ela tem quando esta pensando. Acho que é de família, já que a Nana faz a mesma coisa.

— Ele tem o presidente, não precisa de nós — coloquei a mão em cima da dela e dei um beijo na sua bochecha. Ela começou a corar e eu sorri. — Vamos então! — e entrei na piscina com ela.

Ficamos uns 45 minutos lá e fomos à sala de jogos. Não tinha praticamente nenhuma pessoa lá, só umas duas garotas e três garotos, os meninos no Play Station e as garotas jogando pebolim. Vi um X-box com kinect que estava já com o jogo Just Dance.

Nós nos entreolhamos e demos de ombro. Melhor do que nada. — Qual musica? — perguntei com um sorriso.

— Tem que ser algo zoado... Já sei! — ela passou com o controle por um monte de músicas até chegar em uma que tenho até vergonha de lembrar até hoje. Bailando.

O caralho de musica! Tipo, não dá pra eu dançar isso, eu só jogo Just Dance com o Lucas, e adivinhem, eu sou sempre a garota!

Nick se posicionou do lado direito, também conhecido como o lado do personagem masculino. — Nick?

— Ah, desculpa, é força do habito — ela foi para o lado.

— N-não, não tem problema, é melhor pra mim — ela me olhou com duvida. — Eu jogo isso com o Lucas desde os 13 anos de idade, já deve imaginar quem fez o papel de garota nas danças em dupla. E eu joguei com a mãe dele também, e eu fui a mulher — ela começou a rir muito alto. — Para!

— Desculpa, é que eu faço a mesma coisa com a Nana, mas eu sempre sou o menino porque sou mais alta e tal. Que bom que você concorda então — ela sorriu e me puxou pro lado esquerdo.

Foi o start, o pesadelo da minha vida. Não acredito que eu to dançando essa musica com a menina que eu gosto e ela é o garoto!

Essa frase não fez sentido nenhum, mas está tudo bem.

Só que essa dança tem umas partes que o personagem supostamente masculino quase se enrola na feminina e, bem, ou ela não queria perder ou adorava me deixar constrangido.

Agora imaginem a cena, um garoto não muito alto mas também não muito baixo imitando uma dançarina espanhola que sabe rebolar e uma garota alta pra idade que estava guiando o menino como o homem da dança.

E... a Nick venceu...

— Injustiça! Meu rebolado foi bem melhor — falei bravo e meio cômico.

— Seu rebolado foi lindo, mas você ficava parado toda vez que eu colocava a mão em você, então perdeu um monte de pontos por isso — ela declarou com um sorriso.

— Revanche! — falei pegando o controle e colocando na musica Me And My Broken Heart. — Agora vamos nos papeis certo.

— Mas a gente já está jogando nos papeis certos — ela falou com um sorriso.

— Você me entendeu, você é a garota e eu o garoto — dei start na musica e fui ao lado dela.

Já começamos mal! Nos primeiros segundos tem que dar umas duas voltas pra se separar e eu acabei batendo no braço da Nick. Ela murmurou de dor e eu me desculpei.

A GENTE PARECIA DOIS PATOS DESENGONÇADOS COM DUAS PATAS ESQUERDAS QUE ACABARAM DE BEBER UM BARRIL DE VINHO.

SEM CONTAR QUE SOMOS MANCOS!

Foi soco na cara, e chute na canela, pisão no pé, passei a mão no corpo dela sem querer e levei um tapa na cara, cotovelada no braço, o que mais?

A dança acabou e estávamos dando graças a Deus por termos saído inteiros. Ela se jogou no chão pra se sentar e ficou lá, morrendo. Me sentei do lado dela.

— Como? — ela perguntou — Como a gente faz os papeis invertidos tudo bonitinho, aí vai fazer o certo e da merda! Como isso é possível?

— Sei lá, fomos feitos pra dançar invertidamente — falei.

— Você acabou de falar que eu sou o macho da relação e você a fêmea — ela me respondeu com um sorriso e se levantou.

— Eh... disse não — me levantei e foi ao lado dela. Fomos andando até o elevador — Já vamos então?

— Ah, é que a Nana tinha combinado de fazer chamada pelo FaceTime hoje mais tarde, mas meu celular ta sem bateria então eles provavelmente vão ligar no seu — o elevador chegou. Entramos nele e ela apertou o botão.

— Mais tarde que horas? — perguntei.

— Sei lá, são a Nana e o Lucas, eles são imprevisíveis...

— E inconvenientes também — completei. Chegamos no nosso andar e fomos até o nosso quarto. Ela já foi entrando no banheiro pra ser a primeira a tomar banho, e já ia esquecendo a roupa de novo. Bati lá na porta — Você esqueceu sua roupa de novo!

— Verdade — ela falou saindo do banheiro, pegando roupas na mala e voltando pra lá. — Valeu por avisar — ouvi o barulho da tranca e o do chuveiro. Me deitei na cama de solteiro mas logo ouvi o som do meu toque de celular. Bufei e me levantei, peguei o aparelho e era a Nana ligando. Atendi.

— Alo? Ta me escutando? — Lucas perguntou praticamente gritando.

— Não, não, Lucas. Não consigo escutar você gritando do outro lado da chamada — revirei os olhos e me taquei de volta na cama. Percebi que eles estavam na casa do Lucas e que Nana estava com uma blusa dele. — O que vocês estavam fazendo?

— Sexo — Lucas falou sem expressão.

— Comendo — Nana mostrou um pacote de Ruffles grande. — Eai, cadê a Nick?

— Tomando banho — me estiquei um pouco mais. — Mas, como está aí? Tipo, escola, pessoas, vocês...

— Ela está me amando profundamente desde que me declarei da forma mais linda para ela — ele disse.

— Em outras palavras, ele ficou doente, botou as palavras e atitudes pra fora e agora estamos meio que ficando pra ver se da certo — a baixinha completou colocando mais uma batata na boca. — Mas estou mais interessada em vocês. Está sem camisa, né? Safrado, acha que não vejo suas zoeiras.

— A gente tava na piscina...?

— Impossível, a Nick não sabe nadar! Ela não vai no fundo nem a pau! — ela me mostrou a língua como se me pegasse em flagrante.

Ah, então foi por isso que ela ficava no meu ombro e não queria sair de onde dava pé. — Teve um garoto que jogou ela na água... — me lembrei do elogio com possível cantada que ele havia dado na Nick e acabei revirando os olhos.

— Que foi, trouxão? — a baixinha perguntou.

— Ah, é que esse cara que jogou ela na água parecia já conhecer ela. O nome era alguma coisa com J... Acho que era Jonas, alguma coisa assim...

— Ah, o tio Jonas ta aí?! Nossa, faz uma década que não vejo ele, como ele está?

— Bem... — respondi.

— Véi, ele cantou a Nick ou elogiou ela, né? — Lucas falou. Congelei. Ele me conhece bem.

— T-talvez, por que? O que isso tem a ver? — os dois do outro lado se entreolharam.

— Nada não — disseram juntos com sorrisinhos no rosto.

— Jerônimooo! — ouvi Nick gritar. Me virei pro lugar onde ouvi, mas só a vi pulando em cima de mim e caindo deitada. Derrubei meu celular na cama e ele se perdeu enquanto ela rolava até ficar do meu lado. — Cheguei!

— Eu percebi — declarei me virando pra ela. — Machucou, sabia?

— Você é muito moça — ela respondeu mostrando a língua. — Cadê seu celular?

— Boa pergunta... — respondi. Me virei para o lado de fora e procurei de baixo do colchão. Ele estava do lado da Nick, no chão. Me inclinei mais pra passar o braço por de baixo da cama, mas é claro que essa idéia de girico não daria certo. Caí com tudo da cama. — Ai...

— O que aconteceu aí? Um terremeto? — Nana perguntou alto.

— Pedro, você ta bem?! — Nick me perguntou, se inclinando para o lado que eu estava.

— Acho que sim... — murmurei. Ela me deu a mão e eu a puxei para baixo, fazendo ela cair em cima de mim. Fiquei olhando nos olhos dela, até que a voz que saia do celular falou.

— Mais um? Ta ruim de ficar sem cair da cama hoje? —era Lucas. Passei por cima da Nick, prendendo ela ali mesmo e pegando meu celular, passando a mão por de baixo da cama. Quando o trouxe de volta, Nana e Lucas estavam me olhando com duvida. — Cadê a Nick?

— Longa historia... — saí de cima dela e ficamos no chão mesmo, conversando, já que a preguiça nos impedia de levantar. Depois de mais ou menos uma hora conversando, eles desligaram.

— Tchau, usem camisinha! — essas foram as ultimas palavras do meu melhor amigo.

Revirei os olhos e me levantei com preguiça, dando a mão pra ela se levantar também, e assim o fez. Me joguei na minha cama e fiquei encarando o teto.

Ela começou a me cutucar, mandando eu ir tomar banho, o fiz sem pestanejar, mas logo voltei pra minha cama. Ela deitou junto comigo. — Que foi? Você parece meio estranho.

— Ah, sei lá, estou só pensando — ela soltou um sorriso. De certa forma, parece que ela ama saber os pensamentos dos outros, não como curiosidade ou para contar para os outros, e sim para discutir sobre eles. Falando em metáforas e usando palavras mais complicadas, isso deixa ela feliz e, pessoalmente, acho isso muito fofo, engraçado? Nem sei, só sei que é legal com ela.

— Em que? — me perguntou feliz.

— Eu também não sei. São tantas coisas para pensar que nenhuma fica sozinha na minha cabeça — sorri e me virei pra ela. Ficamos nos encarando por alguns minutos até minha voz quebrar o silencio. — Ei, você gosta de mim?

Ela sorriu, sem mostrar os dentes e com cara de sono. Ela fica tão bonita assim — Eu não sei. Mas, algum dia, você vai ter certeza da resposta, é só esperar — ela fechou os olhos e eu me levantei, ficando ajoelhado na cama e colocando um braço de cada lado dela.

— Me responde direito! Isso não é momento pra filosofar! — briguei.

— Não vou falar! — ela declarou.

— Ah é? — duvidei e ela fez que sim com a cabeça. Comecei a fazer cócegas nela e ela ria sem parar, enquanto batia os pés na cama e tentava me afastar. Como ela percebeu que não conseguiria, ela revidou fogo com fogo, fazendo cócegas em mim de volta.

Nós dois ficamos deitados um virado para o outro e fazendo cócegas. Teve uma hora que ela quase caiu da cama e eu a segurei pela cintura, a trazendo para perto de mim. Olhamos brevemente para os olhos de cada um. Seus olhos cor de chocolate me deixavam feliz. Eu queria beijá-la, ali, naquele momento.

Finalmente, tomei coragem para me aproximar dela. Passei a mão em seu rosto e cabelos curtos. Já podia até sentir sua respiração mas...

Ouvi a porta sendo aberta — Ah, eu não acredito que eu perdi! Não vou pra final! Fiquei em fucking terceiro lugar, que merda! E ainda por cima...

Nós dois olhamos para o garoto de cabelos negros. Senti o sangue em meu rosto, subindo e subindo até que...

— Esperem, fiquem assim! — Logan gritou, pegou o celular do bolso do jeans preto e tirou uma foto. Me separei da Nick rapidamente e levante-me da minha cama.

~~

Nick desmaiou de sono um pouco depois, me deixando com um Logan maníaco querendo saber tudo de algo que nem tinha acontecido...

Eu sou muito azarado!

Notas finais
ESCOLHAM: VOCÊS QUEREM QUE O PEDRO VÁ NAS FINAIS CONTRA A NICK? SIM OU NÃO? DG: se teve algum erro ortografico, desculpem, li e reli enquanto escrevia, mas sempre acaba passando um... Kissus de paçoca *espreguiça* e até o proximo~