Quase Normais

15 Musiquinhas da Infância


Notas iniciais
Dg: Saiu cedo hoje *espreguiça* Nana: to com fome, meu China n'box não chega nunca... Ah, opa, já começou? DG: Troxona... Nana: É, bem, foi dificil escrever esse cap, pq as ideias... EI, DG, AQUILO ALI FOI UMA IDEIA?! DG: IDEIA?! CADE? PEGA ELA, PEGA ELA!! ~fumacinha~

Diário da Nick

Algumas pessoas podem ser assustadoramente assustadoras.

~~

Meu Deus, eu vou definitivamente ficar louca!

Eu não sei se gosto do Rique, sabe, ele é meu amigo!

Mas e se eu disser que não?

Ele vai deixar essa amizade de lado?

Eu nunca tinha pensado que ele fosse gostar de mim!

Desde o ano retrasado eu fui considerada: a garota misteriosa que, de uma forma inacreditavelmente aleatória consegue chamar mais atenção das garotas, sendo “A Príncipe da escola”.

A PRINCIPE MANO!

Sabem quantas declarações de garotas eu já recebi? Isso pra mim já é comum!

Mas de garotos? Não sei... É estranho, inesperado...

QUE SEJA! Preciso prestar atenção na aula de inglês!

Nessa escola, eles dividem a sala entre intermediário e avançado, estando eu, a Nana, o Lucas, o Pedro, Lia e Matheus no avançado.

Essa também é a única aula que posso sentar perto da minha irmã, por falar nela, o que será que esta acontecendo?

Ela esta com a cabeça apoiada na mão direita e meio virada pro Lucas, observando-o...

Ela tacou a própria cara contra a mesa e mexe-la com pressa, me fazendo pular de susto. O que foi que aconteceu?! Acho que a droga da telepatia não funciona mais!

Ouvi um ronco baixo da baixinha na minha frente.

Ela dormiu...

Por isso a telepatia não funciona!

Ah! Minha vidaaaaaaa...

Por que a aula de Inglês demora tanto pra passar?

Senti uma dor aguda na minha cabeça, me tirando dos meus devaneios. Olhei para Lucas que estava virado pra mim segurando uma régua — Presta atenção na aula!

— Fala isso pra menina da frente! — murmurei me referindo a essa coisinha aqui.

— Nick, fique quieta — o professor me repreendeu.

— Mas foi o Lucas! — me defendi.

— Fique quieta, Nick e faça a atividade — repetiu.

— Mas eu já acabei!

— Então apenas fique quieta como sua irmã — se virou de costas pra mim e foi escrever as respostas no quadro. Com o professor Leandro eu acho melhor nem falar nada, não tem quem me odeie tanto igual ele!

Lucas bateu com a régua na coxa da Nana, fazendo-a acordar, olhando para os lados, sem saber o que a atingiu. Depois ela olhou para os lados e parou em Lucas, que estava rindo com a régua na mão.

— Ei! — ela falou, pegando a régua dele e batendo em sua coxa.

— Ai! — Lucas gritou.

— Depois o professor fala que só eu converso e faço bagunça — murmurei mexendo em minha franja.

— E faz mesmo, sua barraqueira — Lucas falou rindo.

— Eu to mó quietinha enquanto vocês tão aí, mó no fight!

— Ehh...... Cala a boca — Nana completou, batendo a régua no meu braço.

— Ai — reclamei um pouco mais baixo que Lucas, esfregando a batida.

— Nick,já não mandei ficar quieta? — o professor falou, se virando para mim com um olhar de repreensão.

Abaixei a cabeça, ouvindo as risadas de Nana e Lucas.

Logo após a aula de inglês, o sinal para o intervalo soou, fazendo alguns alunos saírem correndo desesperados para não pegar fila na cantina. Fui com minha irmã e Lia para de baixo da árvore.

Sim, desde aquele incidente, a gente só têm sentado aqui. Gabi chegou um pouco depois. Ela é boa em inglês, mas escolheu espanhol como segunda língua.

Ela olhou em volta — Ei, sabe o que isso me lembra? — ela falou.

— O que? — Nana perguntou, mordendo o oniguiri que tinha feito hoje de manha. Ela insistiu.

— Sentado debaixo da mangueira, debaixo de uma enorme mangueira! Sentado eu parei pra pensar, em um beija-flor que veio me cumprimentar — ela cantava junto com a Nana. Bem nessa parte, o Pedro apareceu.

— O que vocês estão falando? — ele perguntou colocando um pedaço de bolo de morango na boca.

— Da um pedaço aí, beija-flor — Nana falou se jogando pra perto dele e roubando um pedaço com o garfo que ele estava segurando.

— Beija-flor? — perguntou para o além.

— É que você chegou bem nessa parte da música — ela respondeu com a boca cheia de bolo.

— Está sujo, sua tonta — Lucas falou passando o dedo perto da boca dela e lambendo. Nana nem corou, já estamos até acostumados com isso.

Sentei-me no banco apoiando meu rosto com as minhas mãos enquanto eles continuavam conversando. Nana saiu do montinho e foi me puxando pelo pulso até a biblioteca — Nana, o que esta fazendo?

— Você me parecia mal, então pensei que não quisesse ficar no montinho — me respondeu com um sorriso franco. Fomos até o fundo de um dos corredores de prateleiras e nos sentamos lá. — Vai, desembucha! — apertou minhas bochechas, que por acaso não possuem nem metade da elasticidade e fofura das dela.

— Bem... Rique se declarou pra mim — falei com a mão na cabeça e um sorriso disfarçado. Ela arregalou os olhos.

— Quando isso?

— Ontem...

— E não tinha me contado?! Sua falsa! Puta! Você me odeia!

— Desculpa... — falei baixinho — É que eu ainda estou processando isso. Você sabe que sempre tive mais “fama” com as garotas, então alguém como ele falar isso do nada, ainda não tinha cogitado essa idéia.

— Pode até ser, mas você já se sentiu atraída por algum garoto, né? — ela me perguntou. Por um segundo a imagem de Pedro no guarda roupa apareceu em minha mente.

— Bem, sim — falei com um sorrisinho, enquanto sentia minhas bochechas ficarem meio vermelhas. — Mas eu não sei se pode ser considerado gostar...

— Você fica vermelha quando conversa com ele?

— Bem, não, eu acho...

— A imagem dele aparece na sua cabeça do nada, ou você sentiu ciúmes em vê-lo com outras garotas?

— Sim.

— Já sentiu alguma revirada no estomago enquanto estava sozinha com ele, ou suas mãos começaram a suar?

— Sim.

— Esse menino é o Pedro? — fiquei vermelha. Maldita telepatia!

— T-talvez...

— Sinto-lhe dizer, mas, você está com os sintomas de paixonite! — ela falou, pulando em cima de mim e voltando a apertar minhas bochechas.

— P-para! Eu já falei que não tenho certeza! Além disso, com garotas fofas como você e a Lia, ele definitivamente não iria gostar de mim.

— Se recomponha-se mulher! — me balançou pelos ombros.

— “Se... recomponha-se?” — falei com a cabeça tombada para o lado. — Acho que você formulou a frase do jeito errado...

— Foi proposital — empinou o nariz. — Além disso, por que acha que ele não gostaria de você? Vai que ele gosta de garotas trouxas, brutamontes e que seriam, sem duvidas, seme de Yuri?

— Primeiramente, esse mundo não é apenas mais uma de minhas histórias! Eu não posso controlar o que os personagens querem ou sentem. Em segundo lugar, se esse mundo fosse uma história, eu definitivamente não seria a protagonista! — falei contando as razoes nos dedos — Além disso, é muito fácil pra você falar, mas definitivamente não deve ter problemas com isso. Você é baixinha, fofa, tem cabelos longos e bonitos, sabe tocar todos os instrumentos e ainda por cima é engraçada. E eu? Sou só uma menina inteligente que fica desenhando como se fosse adiantar alguma coisa — o sinal tocou. Levantei-me e dei a mão para minha irmã. — Sabe, vou pensar melhor na proposta de Rique, quando eu decidir eu te falo, agora vamos logo antes que a Ana Flávia nos crucifique.

Ela assistiu com a cabeça e fomos até a sala de aula.

Chegando lá, conversei um pouco com as meninas e os garotos do fundão, só expliquei uma parte da matéria que eles não tinham entendido e me sentei no meu lugar, que tinha um papel sobrado em cima.

“Quem disse que ele não gosta de garotas inteligentes? Além disso, você é engraçada”

Sorri sozinha. Tenho sorte de tê-la como irmã... Mas nunca vou admitir isso pra ela.

— Gente! Queria decidir quem vão ser o presidente e o vice da sala. Algum voto? — a professora falou com pressa. Na hora eu não prestei atenção, pois estava muito ocupada procurando pontas duplas no meu cabelo.

— Voto na Nick! — Nana gritou se levantando da cadeira e me fazendo dar um pulo de susto.

— Eu também — Lucas falou fazendo o mesmo. — Ela é minha amiga mais responsável, conversa com todo mundo e faz bolos muito gostosos!

— Voto nela também — Pedro e Rique falaram juntos se levantando, depois se olharam e voltaram o olhar pra frente.

Quando percebi, meu nome já estava escrito como presidente...

Eu nem sei mais quem votou em mim como presidente... Ótimo, mais um cargo, vou colocar isso no meu cronograma...

Digo, se eu tivesse um...

Os outros horários passaram mais rápido que pude calcular, e quando me toquei eu já estava no clube de xadrez enquanto o presidente do clube e o treinador davam um chamado “recado importante”. — Então, preciso que tragam isso assinado o mais rápido possível, na sexta a tarde a gente sai. No sábado da outra semana será as finais e chegaremos aqui na segunda à tarde pra vocês poderem aproveitar a cidade também. — o presidente, ruivo, alto de pele clara, olhos castanhos e algumas sardas pela face, explicava sobre toda a viagem.

Levantei minha mão — Julio, não tenho pra quem mandar assinar! — falei com voz meio monótona.

— Como assim? — perguntou com um olhar estranho.

— Moro só com a minha irmã...

— Então seus pais vão ter que ligar na escola para avisar que pode vir.

— Vai ser meio complicado... — coloquei a mão na nuca e sorri um pouco.

— Por que?

— Eles moram lá na Coréia... — ele bateu a mão direita na testa.

— Então só pede pra algum responsável assinar — responsável....

Tem o Iago, o Patrocinio, o Alfeu, a tia da limpeza, a moça da padaria, Leo, grande Leo...

— Acho que eu não tenho nenhum responsável — falei. Pedro tirou o papel azul da minha mão.

— Deixa que minha mãe assina — falou guardando o papel no bolso do blazer escolar e revirando os olhos. — Você ta livre depois da aula, né? Sim, você ta. Combinado então.

Julio nos olhava com uma cara meio noiada — Vocês são namorados?

— Hum? Não, por quê? — Perguntei me virando pra ele.

— Deixa, é que parece. Vocês ficam fofinhos juntos — ele disse e voltou a explicar. Não moço, não.

Eles acabaram de explicar sobre a viagem e nos liberaram. Fomos até a sala do clube de música para chamar o Lucas e a Nana, mas eles disseram que precisavam ensaiar mais, vai saber o porque. Fomos só nós dois andando pela rua, comecei a cantar a música da chapeuzinho vermelho na minha versão.

— Pela rua fora, eu vou bem acompanhada. Levar essa autorização para a mãe do Pedro! Ela não mora longe e o caminho não é nem deserto, mas pode ser que um projeto de Lucas passe aqui por perto! — fui murmurando a melodia de olhos fechados e, sem prestar atenção, apenas ouvi um grito:

— Cuidado! — Pedro gritou me puxando para si enquanto um carro passava em alta velocidade, arrastando um pouco de poeira e fazendo um vento forte soprar.

— Meu Deus... O que foi isso? — perguntei pra mim mesma, percebendo que Pedro estava sentado em baixo de mim, abraçando minha cintura, enquanto eu tentava processar tudo que estava acontecendo. Virei meu rosto para trás, conseguindo vê-lo — O-obrigada...

— Idiota preste mais atenção! — ele gritou apertando o abraço. — O que eu iria fazer se você tivesse sido atropelada?

— C-calma. Eu estou bem, vê? — falei me levantando e dando um giro para que ele me inspecionasse.

— Tonta — ele abraçou minhas pernas. — Nunca mais faça isso!

Soltei um sorrisinho e dei a mão para ele se levantar. Foi o que ele fez, mas não a soltou. E se minha mão suar?! Droga! Olhei para ele e percebi que ele também estava nervoso.

Fomos andando até a casa dele de mãos dadas mesmo... Como a Nana faz isso tão naturalmente?!

Entrei, já recebendo os dois pares de olhos da última vez, sendo eles de Matt e So — Mãe, cheguei! — Pedro gritou me puxando para dentro. — Preciso da sua ajuda!

— Já vou, já vou! — a mulher loira de olhos verdes claros saiu do quarto que ficava no fim do corredor. Ela usava uma roupa social e estava colocando brincos para sair. — Filho, você não vai virar homem só porque trouxe uma menina aqui pra casa.

— Não é isso! — ele gritou tirando os papeis do bolso. — Fui convocado pra um campeonato de xadrez e a Nick também, mas ela mora só com a irmã e...

— Ah, então essa é a Nick? Olá querida! — ela falou chegando em mim e apertando minha mão. — Matt e Pedro me falam bastante sobre você!

Antes que me perguntem, não. Eu nunca tinha visto ela. Soltei um sorrisinho olhando para o menor, que estava jogando vídeo game com a irmã de Lucas.

— É ótimo conhecê-la também — falei, notando o olhar dela para todo o meu corpo, como se fizesse uma inspeção rápida. Engoli em seco.

— De qualquer jeito mãe, preciso que assine esse papel como responsável por mim e pela Nick nessa viagem.

— Mas por que eu tenho que assinar por ela? — a loira falou — Os pais dela não deixaram ela ir? Se for algo contra a vontade deles, saiba que não vou assinar nada!

— Mãe, acabei de falar que ela mora só com a irmã e que os pais dela estão morando na Coréia — Pedro falou novamente.

— Certo, então a mamãe vai assinar isso aqui rapidinho que já estou saindo — Pedro assentiu e me puxou até seu quarto.

— Desculpe por isso, nunca trago meninas aqui — falou entrando no quarto e fechando a porta. Ainda estava de mãos dadas com ele.

— Eh, Pedro... — Falei balançando nossas mãos.

— Ah, desculpa. Eu não tinha percebido — ele soltou-a com um sorriso e se sentou na cadeira da escrivaninha.

— Vou me trocar — falei saindo do quarto e indo até o banheiro. Coloquei uma blusa do homem-de-ferro, um shorts jeans branco e saí do banheiro. Entrei no quarto e me joguei na cama dele.

— O que está fazendo? — perguntou com um sorriso.

— Estou cansada. Não consegui dormir direito — me espreguicei e senti a cama afundar do meu lado, ele estava se deitando lá. Fui mais para o lado, dando-o espaço.

— O que aconteceu? — me perguntou.

— Coisas que não andam me deixando dormir, conjecturas que não me permitem pensar em outras conjecturas e pessoas que me culpam por tudo.

— E o que pretende fazer quanto a isso? — ele me perguntou. É tão gostoso conversar com o Pedro, ele entra dentro dos enigmas criados e gosta deles. A maior parte das pessoas não.

— Não faço a menor das idéias — soltei um sorriso, me virando pra ele na cama. — Por que deseja saber?

— Hipoteticamente falando, descobrir por que anda tão desatenta desde hoje cedo, mas vejo que agora eu terei de ser o observador — ele se virou pra mim. Me perdi no seus olhos verdes, quis ficar olhando para eles o máximo de tempo possível. Cílios pequenos, olhos meio puxados e meio retos, sobrancelhas nem tão definidas, íris meio claras nas pontas e bem escuras no centro... Chega, deixa eu me levantar antes que eu acabe dando um beijo perto dos olhos dele sem nem perceber.

— Vamos, tenho que ir pro trabalho — saí da cama e esperei-o na porta. Ele se levantou com toda a moleza do mundo e veio até mim, fomos andando até o café.

Chegando lá, ele se sentou em uma mesa aleatória enquanto eu me trocava. Me olhei no espelho, é sempre estranho vestir isso. Pareço mais... Sei lá, fofa?

Não, fofa não...

Sempre que tocam na palavra “fofa”, a única imagem que vem na minha cabeça é a da Nana, já que ela fica fofa mesmo sendo grotesca...

Só não sei como...

Balancei a cabeça para os lados e saí do vestiário.

Atendi alguns casais, alguns garotos e até universitários que levavam seus notbooks para trabalhar ou fazer pesquisas da universidade. Servia cafés, sorvetes, sobremesas, todos os pratos personalizados da casa.

É divertido quando pedem pra eu personalizar, só falta ficar duas horas enfeitando as comidas com desenhos e frases.

Toda vez que passo pela mesa de Pedro viro os olhos para ele. Esta sempre mexendo no celular, não sei se fico feliz ou triste com isso...

Fui servi-lo... Que foi? Eu também quero atenção...

— Alguma coisa, mestre? — perguntei segurando a bandeja contra meu corpo.

Ele ficou me olhando de cima a baixo, me deixando envergonhada.

EU NÃO DEVIA TER FEITO ISSO JULIANA!

— Nick... Você fica fofa com essa roupa — ele falou apoiando o rosto com a mão. Corei muito, como eu desejaria enterrar a cara nessa bandeja agora. Vi que ele arregalou os olhos — Que foi? Eu... disse isso em voz alta? — Balancei a cabeça afirmativamente. — Merda, fazer o que, né? É a verdade...

Apenas saí daquela mesa como se nada tivesse acontecido e fui servir os outros, tentei não olhar nos olhos dele.

Eu não sou fofa, não faz sentido ele ter falado aquilo!!

Deixa, deixa ir...

LERIGOU

Precisei falar isso...

Meu turno acabou, coloquei a roupa de antes e fui me encontrar com o garoto estranho lá.

Fomos andando até a casa dele. Eu to com tanta vergonha!

Garotos não me chamam de fofa!

Aprendam uma coisa:

Protagonista = Nana

Coadjuvante = Nick

Entenderam?! Não posso ter meus egos cheios!

Depois de uma caminhada de cinco minutos que mais pareceram cinco horas, chegamos na casa dele. Sophia e Matt estavam jogando no chão com mais uma garota de cabelos negros cacheados.

— Ah, oi Pey! Finalmente você... — ela falou, se virando para a porta de entrada. Seu nariz era bonito, com algumas sardas, olhos claros e covinhas que se formavam no canto da boca. Deve ser irmã do Lucas — ...voltou.

— Oi Ale. Essa é a Nick, você já conhece né? — Pedro falou apontando pra mim com a cabeça. Acenei com um sorrisinho, mas ela fechou totalmente a cara pra mim, me inspecionando com olhos incrivelmente verdes, me encolhendo com sua grandeza. Ela se levantou, andou em nossa direção e saiu puxando Pedro até a casa do lado. Estremeci.

— O que foi isso? — perguntei para as duas crianças.

— Eu moro com ela há nove anos e ainda não sei — Sophia falou sem tirar os olhos da televisão. Dei de ombros e fui pegar minha bolsa no quarto do Pedro. Peguei-a e voltei para a sala.

— Acho que eu vou indo embora, Matt, pede pro seu irmão me dar a autorização amanha? — falei indo para a porta.

— Okay! — respondeu ainda jogando.

Comecei a voltar a pé pra casa, mas dessa vez sozinha...

Falando nisso, acho que eu nunca voltei sozinha pra casa...

Qual era o caminho de casa mesmo? Ah merda... Ei, aquele ali não é o...

— Lucas!! — saí correndo e o abracei.

— O que? Nick? Você ta traindo o Pedro? — ele me perguntou paralisado.

— Não é isso, eu estava perdida! — falei com um sorriso falso enquanto o soltava — Achei que eu fosse morrer!

— Mano, por que ele te deixou voltar sozinha?

— Ele não deixou, ele foi raptado.

— Que? Como assim?! O que aconteceu?!

— Véi, ele foi raptado pela sua irmã. Alessandra, eu acho — falei me espreguiçando.

— Essa puta... — ele murmurou.

— De qualquer jeito, me leva até em casa? Eu não sei o caminho... — perguntei brincando com os dedos.

— Okay, mas só para estuprar a Nana.

— Que? — perguntei com a mão no peito. — Olha com quem eu estou andando.

— Certo, eu só te deixo lá então... Além disso, eu já tava com ela a tarde inteira mesmo.

Fomos andando até em casa. Ele foi me perguntando algumas coisas básicas que ainda não sabia, assim como eu.

Descobri que a mãe dele era uma atriz de teatro (mas agora é empresária de bandas), então está sempre viajando, que seu aniversário é dia 21 de maio, então ele ainda não tem realmente 17 anos, apenas se considera com...

Pera!

Ele ficou com ela a tarde inteira?

Pera de novo!

A Alessandra chamou o Pedro de Pey?

Mano, to muito pouco perceptiva hoje... Preciso dormir.

~~

Lucas me deixou em casa e foi embora logo em seguida. Nana foi dormir tarde porque estava vendo hora de aventura e eu simplesmente desmaiei na cama. Pensei em Ale, em Pedro, Rique, respostas, perguntas, enigmas, o que sou e não sou capaz... Quando me toquei eu já havia dormido.

Notas finais
NANA: lembra da ideia do começo? então, ela fugiu ;u; Dg: Sem problemas, sem problemas, pro proximo cap nós já capturamos algumas! Nana: Ideias pra mim são como pokemons! Se eu ver uma eu capturo! DG: WTF?! uahsuahs graaande Pianovsky Nana: Mano, que saco, não consigo colocar o espelho do the sims no lugar certo! Kissus de paçoca Kissus de panda e até :3