Quase Normais
16 Party Animal
Notas iniciais
Diário da Nath
Não me lembro de nada pra colocar aqui...
~~
Ontem não teve nada. Por que?
Porque ontem foi terça-feira, e nunca acontece nada na terça.
De qualquer jeito, estou amando essa escola.
Como a partir de sexta muitos grupos vão viajar, eles planejaram deixar todo mundo sem aula na quinta e na sexta, para arrumarem o necessário e tal, além disso, eles também convidaram todos do colégio para um lual hoje a noite!
Finalmente cara! Uma folga decente!
E mais, os clubes de música vão tocar para arrecadar fundos e para oportunidade de emprego, como em cafés e matines.
Como estamos treinando desde o começo das aulas, vamos com certeza ganhar! Não quero premio que não seja o primeiro lugar!
Mas antes que pudesse fantasiar mais sobre essa noite, senti uma livrada na minha cabeça — o sonho estava bom? — Thiago me perguntou com um sorrisinho brilhante.
— Ehh, por que me acordou? — perguntei manhosa, me espreguiçando na carteira.
— Por causa da matéria — ele falou apontando a cabeça para o quadro.
Aquele putinho estava completamente preenchido de formas geométricas, cálculos, báskara, radical, potenciação e mais aquele monte de macumba que não vai servir para nada na minha vida já que existem calculadoras e...
Nick’s hehe — Ihh, agora já foi — respondi dando de ombros. — Mudando de assunto, vai no lual hoje?
— Lógico, não perderia a chance de te ouvir tocar! — fiquei meio vermelha e acabei derrubando meu estojo.
— Merda — declarei, me abaixando para pegar minhas coisas e já derrubando os cadernos e a garrafinha também — Merda de novo...
— Você é bem desastrada em, Nana? — ouvi Lucas gritar do outro lado da sala.
— Ah, vai estudar ao invés de stalkear os outros, seu gigante! — gritei colocando as coisas em cima da mesa.
— Olha quem fala em estudar! — retrucou.
— É pra isso que eu tenho a Nick! E mais, você fica me observando durante a aula?! — gritei.
— Isso é trabalho do Pedro — respondeu com olhos fechados e um sorriso.
— Não me meta nessa briga de casal, não! — Pedro gritou de volta.
— Calem a boca e me deixem prestar atenção na droga da equação! — Nick gritou brava olhando para Pedro.
— Mas ta na troca de aulas — ouvi Rique dizer com um sorriso.
— @#%$! — Nick berrou de volta, tacando o caderno da mesa. Esse palavrão foi colocado de uma maneira muito pesada para escrever em meu diário.
Lucas se levantou e veio até minha carteira, colocando uma caneta em meu estojo — Daí suas coisas vão pro outro lado da sala e não sabe porque perde! E é pra ir às cinco e meia.
— Ta, ta, ta! — reclamei revirando os olhos.
— Se der cinco e dez e você ainda não tiver saído de casa, eu vou te buscar com um carrinho de golfe! E não importa com qual roupa você esteja! — repetiu indo para seu lugar.
Mano... quero um abraço do Lucas... Acho que é porque ele é gigante...
Mas eu não vou pedir um abraço pra ele, né?
Ah, foda-se! Como minha mãe costuma dizer, só se vive uma vez — Lucaaas — gritei manhosa.
— Que é? — respondeu seco.
— Você esqueceu uma coisa...
— O que? Minha dignidade? Porque eu a perdi quando decidi cantá-la em alemão!
— Não! Meu abraço!
— Awn... O que você quer? — falou mudando o tom de voz, de doce para seco.
— Eu só queria um abraço de um gigante, mas se você não quer me dar, posso pedir pro Thiago... — falei. Sim, isso é uma chantagem, mas foda-se!
Ele deu meia volta, vindo em minha direção — Certo, já to indo! Não sai daí!
Abri um sorriso. Ele veio e me deu um abraço que me enterrou inteira. É tão gostoso! Esse cheiro de baunilha com um tronco grande que me cobre inteira, é tão bom!
— Aí! — falou me soltando. Olhei para o lado e tinha um professor de geografia com um caderno na mão.
— Vão se sentar antes que eu os mande pra sala da coordenadora! — Lucas fez uma cara insatisfeita, me deu um beijo na bochecha e saiu. Fiquei vermelha — Depois falam que não estão namorando! Não é estranho dar um beijo na bochecha, mas é estranha essa sua reação...
— Vai dar sua aula, vai — falei indo pro meu lugar.
— Não adianta fugir, uma hora a verdade chegara — ele falou ajeitando os óculos.
— Você está me dando medo professor...
O professor deu de ombros e foi passar a matéria no quadro. Como era o último horário, acabei tentando desenhar...
Só tentando mesmo...
Que é? Eu não tenho esse dom da Nick, me desculpe!
O sinal bateu e fiquei esperando todo mundo sair antes de mim. Faço isso bastante até. Quando percebi, apenas eu, Pedro e Rique estávamos na sala.
Saí de lá, mas me manti na porta da sala para ouvir o máximo possível.
— O que você queria, Henrique? — Pedro falou em um tom que eu nunca havia escutado antes.
— Ah, qual é, Pedro. Eu sei que você ouviu minha declaração para Nick aquele dia no shopping — ouvi sons de passos e dei uma espiada rápida. Rique estava tentando amedrontar Pedro de cima e prende-lo em um local sem saída para o olhar. Shippei por um segundo, mas logo eliminei aquela idéia.
— E o que isso tem a ver comigo? — Pedro se fez de inocente.
— Sei que você gosta dela, mas não quero que interfira nos pensamentos e atos dela. Não é porque você tem a Nick nas palmas das mãos que deixarei que ganhe.
— É claro que interferirei. Ela será minha nem que tenha que jogar sujo para isso — Pedro concluiu me fazendo arrepiar.
— O mesmo por mim — Rique concretizou. — E Nana...
— Ih... — falei entrando na sala.
— Não ouse contar isso para a Nick — eles falaram juntos e com chamas nos olhos.
— Caso contrario, algumas fotos irão vazar — Pedro falou.
— Que fotos?! — perguntei arregalando os olhos.
— Fotos suas com o Lucas — Henrique completou. — Todos já pensam que são namorados, mas se quiser confirmar as hipóteses deles...
— Certo, certo! Não vou contar pra ninguém! — falei com cara de choro e os vi saindo da sala de aula. Me sentei na mesa do professor e comecei a raciocinar.
Então, tanto Pedro quanto Rique gostam da Nick. Rique já se declarou, mas Pedro já a beijou.
Agora que parei pra pensar, minha irmã é mais lerda que um jegue subindo um morro com bagagem nas costas...
Mas será que se o Lucas agisse desse jeito eu perceberia que ele gosta de mim?
Provavelmente, eu nem precisei ouvir da boca do Pedro pra saber que ele gosta da Nick...
O que aconteceria se eu gostasse do Lucas? Bem, não que eu não goste, até porque aquele quase beijo foi bem importante pra mim...
Se não fosse por aquele maldito sinal essas coisas não estariam na minha cabeça agora!!
Ouvi sons de passos ecoando pelo corredor, correndo e cortando meus pensamentos. — NANAAA! CADE VOCÊ?!
Eita porra, esqueci totalmente do clube...
Saí de cima da mesa e fui até o corredor, e bem quando eu saí, vi um gigante trombando em mim.
Mas quem é que cai? O gigante que não é!
Estava no meio do caminho até o chão, me preparando psicologicamente para cair, quando senti dois braços grandes me agarrando. Abri os olhos e eu estava a pouco de não cair, enquanto Lucas me puxava para cima.
— Sorte sua que você é leve, se não, nós dois estaríamos no chão agora — ele falou com um sorriso. Fiquei vermelha e me ajeitei, depois fui seguindo pelo caminho da sala de música sem me pronunciar.
Merda, meu coração está batendo mais rápido. Deve ter sido o susto...
Lucas também não falou muita coisa enquanto íamos para a sala. Isso é estranho, acho que ele percebeu que eu estou meio desconfortável...
Ah, ele é o Lucas! Não devia me sentir desconfortável com esse tipo de coisa!
Chegamos lá, discutimos com Murilo que músicas íamos tocar e vamos ter que usar o vocal do Lucas, já que a Isa está na caravana com a mãe...
Aproveitamos e pegamos uma música com vocal masculino, e que todos já tínhamos ensaiado.
Deu três horas e nos separamos. Lucas me deixou em casa e disse que viria nos buscar às cinco e dez. Eu não recusaria uma caroninha grátis...
Minha irmã estava de baixo do cobertor, com pipoca e uma televisão ligada em Gravity Falls. Ela é team Gravity e eu sou team Steven, mas nós duas curtimos o programa da outra.
— Ah! Por que o Dipper não fica logo com a Pacífica?! — ela reclamou enfiando uma mãozada de pipoca na boca.
— Mano, por que você está aí e não se arrumando? — perguntei fechando a porta.
— Ham? Arrumar pra que? Mano, ta passando maratona de Gravity Falls, não preciso de mais nada! — me respondeu sem tirar os olhos da TV.
— Sei lá, se arrumar pro lual de hoje à noite?
— Lual? Que lual?
— Os professores avisaram dele ontem de manha, depois do intervalo, na aula de matemática — sua mão que estava cheia de pipoca se abriu, derrubando tudo no sofá.
— Você só me avisa agora?
— MAS VOCÊ JÁ DEVERIA SABER! — gritei por fim, tirando meus coturnos e os jogando perto da parede.
— Certo, certo! Coloca minha maratona pra gravar então, vou tomar banho! — declarou por fim, enquanto se levantava do sofá rosa claro e ia até o banheiro.
— Minha irmã tem demência — falei para mim mesma, colocando os desenhos dela pra gravar e arrumando o sofá. Fui no meu quarto e fiquei olhando para meu guarda roupa aberto. — Não tenho nada para vestir... — declarei, fechando-o e indo até o armário de minha irmã. — Ainda por cima tenho que separar duas roupas, uma pro show e outra para ficar de bobeira na praia... Me deitei na minha cama e fiquei olhando para o teto.
Já sei! Me levantei e abri meu armário novamente. Peguei um top branco, uma blusa regata meio aberta preta escrito “you can’t sit with us”, uma calça rasgada preta, coturnos, toca preta, uma pulseira de camadas bege e dourada e uma gargantilha. Nick entrou no quarto só de toalha. — Vai tomar banho agora, sua fedida.
— Nossa, belo xingamento, acalme-se jovem, vai acabar ofendendo alguém — falei com as mãos para o alto.
— Haha, agora é serio, vai logo tomar um banho — mostrou a língua. Revirei os olhos e fiz o que ela mandou.
Tomei um bom banho, lavei os cabelos, sequei-os (mesmo com a maior preguiça do mundo), e fui até meu quarto só com uma toalha. Vi Nick vestida com uma blusa inteira branca escrita “Bitch please, I’m riding an unicorn”, um shorts jeans azul, uma pulseira dupla com um filtro de sonhos e all stars brancos.
— Mano, olha a roupa que você usa pra ir pra praia... — ela revirou os olhos. Abri minha gaveta de lingeries — Não, não, não!
— Que foi, jumenta? — ela perguntou arrumando uma mochila com toalha de praia e esses troços aí.
— Você está de brincadeira que a única lingerie limpa é a do Lucas — Nick começou a rir.
— É isso que da não ter empregada.
— Mas você é maid... — ela me cortou.
— Isso não vem ao caso. Suas outras roupas intimas estão secando, usa essa mesmo, e um top por cima.
— Que bom que eu já ia usar um top mesmo — revirei os olhos e comecei a me trocar, sim, eu coloquei aquele sutiã mesmo. Coloquei a roupa que tinha separado antes e voltei a olhar o armário.
— Vai separar mais uma? — fiz que sim — Que bom, se não eu é que reclamaria da sua roupa.
Peguei um shorts claro, uma blusa branca com “Into The Wild” escrito em preto, um colar triplo, bolsa franjada e rasteirinhas, taquei tudo dentro da mochila de minha irmã, que por sinal já havia saído do quarto e estava no banheiro...
Passando maquiagem?!
— Nick, você está bem? — falei chegando de fininho na porta do banheiro. Ela deu um pulo para trás, borrando o rímel que tentava passar.
— C-claro! E-eu só estava vendo... Sabe, nossa professora de artes falou que a maquiagem é uma forma de arte também! Queria testar...
— Nick, quer que eu te ajude? — perguntei enquanto ela fazia uma cara de derrotada e afirmava com a cabeça. Tirei o que ela já tinha passado e fui passando algo mais simples. Base, pó, sombra e acabei o delineador de um olho.
— Nossa, como você faz isso?! Eu demoraria umas quinze horas e ainda ficaria tudo errado!
— Prática, minha cara, prática. Agora fecha o outro olho pra eu poder acabar isso!
— Okay... — ela respondeu fechando os olhos.
Awn... Essa nanica esta crescendo...
Passei nela o rímel também e falei pra ela guardar um batom na minha bolsa que estava dentro da mochila dela... Complicado, mas é isso.
Fiz maquiagem em mim também e fomos saindo de casa.
Como prometido, eram cinco e dez e Lucas estava com Pedro na frente de nossa casa. Mas não tinha nenhum carrinho de golfe...
Droga!
Lucas soltou aqueles típicos assovios de quando querem cantar uma garota, me deixando vermelha. — O que foi?
— Nada, você só está bonita de mais... — ele falou me olhando de cima a baixo. — Você está realmente bonita de mais... Volta agora pra casa e coloca uma burca!
— Que?! — perguntei assustada indo para trás de Nick, que estava completamente corada. Olhei para Pedro que estava olhando-a no mesmo estado.
— Você está de maquiagem? — perguntou olhando para ela, que fez que sim com a cabeça — Está tão bonita... — Nick ficou mais vermelha e os três pares de olhos se dirigiram a ele. — Falei isso em voz alta? — perguntou. Concordamos com a cabeça e ele virou o rosto.
— Espera, estou sentindo falta de algo — falei saindo de trás da Nick. — Lucas, vem aqui...— ele me olhou meio estranho. — Que você tem menino? Só vem aqui — ele se dirigiu a mim e eu o abaixei até ficar da minha altura, sentindo o cheiro do pescoço dele.
— O que você... — perguntou meio vermelho.
— Ah, pobre Lucas, mal sabe que não irá conseguir camuflar o cheiro de baunilha com perfume masculino — o soltei e voltei para o lado da Nick.
Olhando melhor, Lucas estava com uma calça jeans preta também, uma camisa, até os cotovelos azul escura, escrito atrás e em branco “IDIOT”, tênis preto e um bracelete prateado. Pedro estava com jeans azuis meio rasgados, uma camiseta branca do Rolling Stones, uma corrente com uma âncora, uma jaqueta azul escura, seus óculos e all stars verdes.
Lucas apertou um botãozinho e vi as luzes de um carro esporte piscar — Que porra é essa Lucas? — perguntei olhando-o — Se você disser que tem esse carro desde sempre, eu vou te matar por nos fazer andar de ônibus.
— É o carro da mãe do Pedro, sabe, ela confia em mim, já que o pai dele não podia emprestar — respondeu com nariz empinado. O carro era prateado e tinha teto removível.
— E eu vou na frente — Pedro declarou se dirigindo ao automóvel.
— Não, não — Lucas segurou o gorro de seu casaco. — A Nana vai na frente.
— O que? Por que?! — ele perguntou com um sorriso falso.
— É porque, com a Nana do meu lado, eu posso dar umas olhadinhas — ele piscou para Pedro, que revirou os olhos e entrou derrotado no banco de trás. Ah, merda.
Nick entrou no banco de trás também, colocou o cinto e se preparou para morrer nas mãos de Lucas dirigindo. Engoli em seco e fiz o mesmo, entrando no banco da frente.
Lucas foi para o banco do motorista, colocou as chaves, girou-as e deu a partida começando a andar, coloquei a mão no pulso dele — Vai devagar, vai devagar, vai devagar!! — gritei.
— Nana, não passamos nem dos dez quilômetros por hora — me respondeu.
— Eh, não? — perguntei olhando pros lados e soltando-o.
— Apenas se acalme e deixa que eu cuido disso. Já dirigi muitas vezes, não precisa ficar com medo — revirou os olhos.
— Certo...
Minha atenção se virava, do Lucas pra rua. Do Lucas, pra rua. Do Lucas pra rua. Mas teve uma hora em que a visão foi para Lucas e não saiu mais de lá. Fiquei inspecionando-o, para ver se ele fazia tudo certo.
E era só pra isso mesmo! Eu juro que não ficava olhando seus braços e... seu cabelo e... suas mãos, seus lábios...
Quando percebi ele estava me olhando com o canto dos olhos e sorrindo. — A pista! OLHA PRA PISTA! EU VOU MORRER, EU VOU MORRER, EU VOU MORRER!— gritei histérica, fazendo a visão dele se voltar para a rua. Olhei para o banco de trás onde a Nick estava assustada com meu tom de voz, mas ainda olhava na direção oposta de Pedro, que a observava achando que ninguém via...
— Ai, você devia ter visto sua cara, gatinha — Lucas falou, fazendo que eu me virasse pra ele.
— Você me chamou do que? — falei franzindo o cenho.
— Gatinha — ele deu de ombros. — Qual é, você não achou que eu iria te deixar bonita assim e à mercê de animais selvagens que podem te puxar para um beijo, não é? Por isso, vou te chamar assim até o fim da noite, pareceremos namorados e você estará sã e salva.
Revirei os olhos. Sei como é o Lucas, melhor concordar de uma vez do que ficar discutindo.
Chegamos na praia. Ela ficava na cidade vizinha, mas era até que perto. Já pegamos os horários das bandas e saímos correndo em busca de Murilo. Nesse meio tempo, acabamos deixando Nick e Pedro sozinhos...
— Boa sorte Pedro, não perca pro Rique! — foi o que sussurrei no seu ouvido antes de deixá-los.
Encontramos o Murilo e fomos para o Backstage do showzinho. Fomos a segunda banda a subir no palco, estava com um frio na barriga, mas eu sei que Lucas e Murilo também estavam, o jeito é engolir essas borboletas e fingir que estamos na sala de ensaio.
Comecei com acordes de violão ao invés de guitarra, já que é uma música mais acústica, mas Lucas logo começou a cantar.
(Voodoo doll- 5 Seconds of Summer)
I don't even like you,
Why'd you want to go and make me feel this way?
And I don't understand what's happened,
I keep saying things I never say.
I can feel you watching
Even when you're nowhere to be seen,
I can feel you touching
Even when you're far away from me.
Tell me where you're hiding your voodoo doll
'Cause I can't control myself,
I don't wanna stay, wanna run away
But I'm trapped under your spell.
And it hurts in my head and my heart and my chest,
And I'm having trouble catching my breath.
Won't you please stop loving me to death?
I don't even see my friends no more,
'Cause I keep hanging out with you.
I don't know how you kept me up all night,
Or how I got this tattoo.
I can feel you watching
Even when you're nowhere to be seen,
I can feel you touching
Even when you're far away from me.
Tell me where you're hiding your voodoo doll
'Cause I can't control myself,
I don't wanna stay, wanna run away
But I'm trapped under your spell.
And it hurts in my head and my heart and my chest,
And I'm having trouble catching my breath.
Won't you please stop loving me to death?
Every time you're near me,
Suddenly my heart begins to race.
Every time I leave,
I don't know why my heart begins to break.
Tell me where you're hiding your voodoo doll
'Cause I can't control myself,
I don't wanna stay, wanna run away
But I'm trapped under your spell.
And it hurts in my head and my heart and my chest,
And I'm having trouble catching my breath.
Won't you please stop loving me to death?
Achei engraçado, porque fui eu quem cantei as partes do Michael, mas o Lucas é que estava usando a camisa dele...
Aplaudiram-nos bastante enquanto saíamos do palco. Fiquei realmente com vergonha então acabei correndo o máximo possível, com Murilo na minha frente e Lucas atrás de mim. Descemos as escadinhas do palco, eu comecei a pular de alegria e a abraçar os dois nas pontas dos pés.
— Eu consegui!! Eu não errei nada! NADA!! — comemoramos por um tempo e fomos andar enquanto os resultados não saíam.
— Ei, aquela guitarrista que tocava violão não era muito gostosa? — ouvimos um grupo de garotos aleatório declarar.
Lucas me olhou com um falso sorriso — Talvez não estejam falando da gente — tentei acalmá-lo.
— Qual? Aquela da banda que tocou VooDoo Doll? — outro do grupo perguntou.
— Essa mesma! Ela era mó bonita, e tinha uns peitos! — outro falou. Lucas olhou-os como se pudesse matá-los, mas eu o segurei pelo braço e o tirei de lá.
— Eu falei que iam ficar te cantando! — Declarou quando chegamos em um banco com poucas pessoas ao redor.
— Não me cantaram, só me... Eh... Elogiaram...? Eu acho... — falei dando de ombros. — Além disso, você também pode ser cantado aqui, e o Murilo... Cadê ele, por falar nisso?— perguntei olhando ao redor e não vendo o loiro, mas depois vi uma onda de garotas e deduzi que ele estava lá dentro. Dei de ombros, ele se vira — Vem, vamos achar a Nick e o Pedro antes que eles comecem a se pegar e se esqueçam de nós.
— Qual é, do jeito passivo que é o Pedro, demoraria até eles começarem a fazer esse tipo de coisa — respondeu se levantando e me abraçando de lado. — Só uma cápsula de proteção, não se zangue.
— Tanto faz — respondi revirando os olhos. Começamos a andar pela multidão, encontramos Nick conversando com Thiago sobre matérias escolares... Cara, estamos num lual e eles estão falando de matemática.... O que tem de errado com esse povo?
— Nick, onde ta o Pedro? — Lucas perguntou sem me soltar.
— Eu não sei — ela respondeu meio derrotada. — Ele saiu com o Rique e não voltou mais...
Olhei para o Lucas com uma cara de “vai dar merda.”
Ele me respondeu com um “Eu sei, o que fazemos?”
“Devemos procurá-los...”
“Certo” — Nick, vamos ficar perto do palco para quando a premiação começar — Lucas disse.
— Okay, se achar o Pedro e o Rique, avisem que não saímos daqui... — ela respondeu preocupada. Fiz que sim com a cabeça e saí de lá.
Fomos procurando os dois desaparecidos, mas o tempo passou e nada. As premiações começaram e ficamos, como eu esperava, em primeiro lugar!
Adoro ficar em primeiro lugar!
Nhyahahahahaha!
A partir daqui, quem assume é um DJ que eles contrataram até, sei lá, até as seis horas da manha. Fui até o carro com o Lucas, já que eu ia pegar a mochila da Nick (que tinha tudo), enquanto ele levava o carro para mais perto da praia, já que íamos colocar algumas coisas lá.
Fui me trocar enquanto ele estacionava. Coloquei minha muda de roupa e voltei para a praia, colocando uma toalha grande que Nick tinha deixado na bolsa, e me sentando lá. Ele chegou e se sentou do meu lado.
— Não fique nem um segundo longe de mim, okay? — perguntou serio.
— Por que? Isso é uma festa! — falei.
— Vai que garotos como aqueles aparecem de novo! — revirei os olhos e me levantei. — Onde você vai?! — gritou pra mim enquanto eu adentrava o local.
— Procurar a Nick! — declarei acenando e saindo. Preciso de um tempo sozinha de vez em quando.
Procurei nas barraquinhas de churros, quiosques de pasteis, bebedouros, banheiros, mas nada de Nick, até que avistei uma cabeleira morena que me parecia familiar. — Hey, Pedro!
— Ah, Nana — ele falou se virando. — Que bom que te achei, você viu a Nick?
— Eu ia perguntar a mesma coisa — falei, nós dois abaixamos a cabeça derrotados. — O que você esta bebendo? — falei ao perceber o copo na mão dele.
— Hum? A bebida que eles servem aqui. É muito boa, pega um pouco — ele disse me dando o copo dele. Experimentei, era um gosto de maçã verde, eu acho, sei que era muito gostoso e que eu queria mais.
— Onde você pegou isso? — perguntei devolvendo o copo.
— Peguei lá naquele quiosque — ele falou apontando com o polegar e eu saí em disparada pra lá.
Depois de alguns copos, minhas pernas estavam meio bambas e parecia que tudo girava. Eu conversava com qualquer estranho que aparecia na minha frente e ficava o tempo inteiro mexendo na franja do meu cabelo com o indicador esquerdo e com os olhos vesgos para frente. Não sei como, mas eu acabei chegando na beira do mar, e estava toda saltitante pela a areia.
— Onde está aquele gostoso... quer dizer, vagabundo do Lucas? Hehe... Ele não deve estar longe... — falava pra mim mesma, enquanto fazia biquinho e ria de tudo.
Continuei andando, e vi um projeto de vadia conversando (lê-se, se jogando) no meu titã-gostoso-comedor-de-batatas-no-banheiro... Eu disse meu? Ah, foda-se, ele é meu mesmo!
Minha cabeça começou a girar mais, e eu só me vi empurrando aquela vadia e fazendo a coisa mais sensata naquele momento...
Que eu não lembro o que foi, só sei que na hora me pareceu totalmente certo...
Diário da Nick
Não sei o que tive na cabeça de passar maquiagem!
Estou no carro, do lado de Pedro, cada um com o rosto virado para um lado e sem que uma única palavra saia de cada uma das bocas. Apenas o som do rádio e as constantes reclamações de Nana sobre Lucas poder nos matar ecoavam no carro.
Senti um cutucão na minha coxa, o que me fez acordar de devaneios aleatórios e, subitamente, olhar para Pedro, que estava me entregando um celular e depois voltando para o lugar.
“Ei, você está bem? O que está fazendo?” era o que estava digitado nas notas.
“Estou bem sim, e só pensando, por que?” escrevi, devolvendo o aparelho eletrônico.
“Sei lá, você geralmente fica fazendo caretas quando esta pensando seriamente em algo, mas parecia estar dormindo agora a pouco.”
“Como você sabe que faço careta?! >///<”
“Normal, passei tempo o bastante com você para saber”
“Estava assim porque não estou acostumada a escutar elogios vindos de garotos...”
Devolvi o celular pra ele, mas acabei pulando de susto quando escutei a Nana do nada: — A pista! OLHA PRA PISTA! EU VOU MORRER, EU VOU MORRER, EU VOU MORRER!— foi exatamente isso que ela berrou. Virei a cara novamente para a estrada, e fiquei daquele jeito até chegarmos.
Lá, antes que eu e Pedro percebêssemos, Lucas e Nana já tinham ido procurar o Murilo, nos deixando sozinhos.
— Vamos dar uma olhadinha por aí então — falei para Pedro, que escondia as mãos nos bolsos do casaco.
— Pode ser — me respondeu e começou a andar na minha frente. Fiquei no mesmo ritmo, alguns passos atrás dele. Nana não me contou que música eles iriam tocar, espero que seja alguma que eu saiba a letra, afinal, eu não sou muito do tipo que fica de olho em todos os lançamentos das bandas e tal e... — Quer entrar no mar depois? — ele me perguntou, me fazendo chacoalhar a cabeça e acordar para a vida.
— Bem, eu... não gosto muito de mar... Prefiro ficar em uma sombra com meu caderno de desenhos e um lápis 2B — falei meio nervosa, colocando a mão na nuca.
— Mas não tem sol, nem sombra — me respondeu rindo. — Vamos, só por os pés não vai te matar!
— Ta bom... Eu acho...— respondi com a cabeça abaixada, quando vi uma multidão de garotas correndo e quase atropelando o Pedro, mas eu o parei antes que algo ruim acontecesse.
— Kyaa! O Vamos, vamos! Lucas já vai tocar! — uma delas gritou, arrastando consigo a multidão.
— Mas quem é Lucas? — outra perguntou, parecia ser só uma amiga que foi arrastada para aquela algazarra. Lembro-me muito bem de seus cabelos negros cacheados, sua pele morena e por ser relativamente mais alta que as outras.
— É um veterano do segundo ano! Ele é presidente do clube de música, e é muito gato! — mais uma respondeu. — Infelizmente, ouvi que ele já tem namorada...
— Então pra que tudo isso?! — a morena perguntou sendo levada para longe.
Namorada... Espero que não estejam se referindo a Nana...
Eu e Pedro nos olhamos, correndo para o lado das garotas, já que queríamos ver o show também.
Nos posicionamos em um lugar perto do palco e ouvimos a apresentação da primeira banda. Eles tocavam bem, mas eu ainda esperava pela minha irmã. Senti ser abraçada pelo pescoço, me virando e vendo uma cabeleira negra seguida por olhos castanhos claros. — Ah, oi Rique — falei sorrindo.
— Você... está muito bonita! Nossa, nunca tinha te visto de maquiagem, a Nana te ajudou? — fiz que sim — Legal! Ela parece ser uma boa irmã!
Fui dar uma resposta, mas Pedro me puxou para perto dele — Oi pra você também, Henrique.
— Oi Pedro — o de olhos castanhos claros respondeu. Um clima tenso pairou pelo ar, até eu me soltar de Pedro e ir falar com Thiago.
— O que está acontecendo ali? — perguntei apontando com o polegar.
— Também não sei, eu esperava que você me falasse — falou derrotado. A banda da minha irmã foi chamada, e ela entrou com o violão vermelho que por alguns meses estava aposentado. Eles tocaram Voodoo Doll, que por sorte eu sabia de cor.
Não sou fanática por 5SOS, mas eles têm musicas que não enjoam tão facilmente. Acompanhei a música toda com um remexer de cabeça e a voz baixa.
Quando acabaram, vi que Pedro e Rique tinham sumido, e eu suspirei alta, com a mesma derrota de antes.
—Hey, o que aconteceu? — Thiago perguntou afagando meus cabelos, o que não foi tão difícil, já que ele é da mesma altura que Lucas.
— Eu não sei... — respondi abaixando a cabeça. — As ações de Pedro e a declaração de Henrique, é tudo muito rápido e estranho pra mim...
— Bem, sou suspeito por ser do Team Ricky, mas eu acho que você deve fazer o que seu coração manda. Nossa, falei algo realmente gay agora...
— É, você falou algo realmente gay — respondi rindo. — Você sabe que isso não contara pontos com a Nana, né? — ele fez que sim, dando de ombros. — Obrigada de qualquer jeito...
Continuamos conversando enquanto algumas bandas tocavam, até que Nana e Lucas chegaram em nós, nos perguntando de Pedro, que havia simplesmente sumido. Lucas estava com uma cara de resto de aborto que só por Deus mesmo...
Depois de um tempo, eles deram meia volta e foram de volta para o palco. Nesse meio tempo, re-avistei a morena de mais cedo e vi Matheus e João...
Esses dois estão sempre juntos e depois não querem ser shippados, e eles nunca olham para outras garotas, dividem comida, fazem cócegas um no outro. Preciso conversar com a Nana sobre um plano maléfico pra fazer os dois se beijarem ainda...
Na premiação, a banda do Lucas pegou o primeiro lugar, seguido por uma que só tinha uma menina no vocal e um garoto no violão e outra que era uma banda completa. Fiquei feliz pela minha irmã, mas eu ainda precisava encontrar Pedro, então me dividi com Thiago para procurarmos pistas...
Hehe, momento Scooby Doo...
Fiquei uns quinze minutos andando pela festa sem encontrar ninguém! Cade o povo da minha sala? Meus amigos? Minha irmã? MEUS SHIPS?
Avistei Lucas num quiosque de bebidas e dei graças a Deus por ter encontrado alguém, depois fui em sua direção — Finalmente alguém! — falei ofegante.
— Nick?! Você viu a Nana?!— ele me perguntou preocupado, pegando um copo de bebida.
— Não, mas e você, notícias do Pedro? — perguntei pegando um copo também. Ele fez que não e, quando foi colocar na boca, trouxe o copo de volta para a mesa, me dando um susto.
— Não bebe isso — me falou, tirando o copo da minha mão.
— O que? Porque? — perguntei.
— Está batizado — falou colocando o meu copo na mesa. Olhei-o com dúvida — Quis dizer que eles batizaram, colocaram bebida alcoólica junto com o que for que seja isso.
— Ah! — falei anotando isso mentalmente, mas me lembrei de algo não muito confortável... — Acho melhor encontrarmos logo a Nana. Ela não é nem um pouco tolerante a álcool.
— O Pedro também... Ah merda... — ele falou, batendo a mão na testa. — Eles vão acabar fazendo alguma besteira... Olha, vou procurá-los por aqui, e você vai por ali — me disse apontando pra duas áreas opostas. — Se encontrar algum deles, vá direto pra praia e espere na toalha perto do carro.
— Okay! — falei indo pra direção que ele mandou.
Bem, se eu estivesse bêbada, pra onde eu iria?
Aí é que está, eu não faço a menor idéia!
Saí, simplesmente andando e me espremendo pelos diversos corpos que se moviam naquele lugar que já não me parecia mais tão convidativo.
Casais se pegando, garotas sendo cantadas, meninos bebendo sem se importarem com o provável gosto de álcool e a ressaca que teriam que aguentar no dia seguinte.
Tinha até gente bebendo cerveja direto da latinha! Onde é eu estão os tais “adultos responsáveis” que deixam um bando de adolescentes sozinhos até seis horas da manha?!
— Ei, olha aquela gata — ouvi um garoto falar. Nem me importei, meu objetivo naquele momento era encontrar o Pedro ou a Nana.
— Hum? Ela é meio alta, não acha? — outro respondeu o primeiro.
— Mas ela é bonita, e ser alta só faz com que ela se pareça com uma modelo — o primeiro falou, chegando perto de mim. — Eai, gata? Quer companhia?
— N-na verdade, estou procurando alguém — falei com um sorriso tímido enquanto andava de costas para longe do garoto.
— Eh? Quem seria cruel a ponto de deixar uma menina tão bonita sozinha? — ele me alcançou e segurou meu pulso. Senti algo me puxar pela cintura e fechei os olhos. Eu estava morrendo de medo, okay?
Um monte de garotos selvagens em uma festa com bebida alcoólica e eu lá, uma simples menina que estava procurando os amigos! Só podia dar merda!
Ao perceber que nada tinha acontecido, abri os olhos lentamente — Pedro?!
Ele estava meio vermelho e com os olhos vidrados nos garotos de antes. Ouvi-o rosnar...
Espera, o que? Rosnar?
— Acho que ela achou o que estava procurando, não é? — falou com um tom intimidador, fazendo os outros garotos saírem falando coisas como “Que desperdício!” ou “Até um nanico é melhor do que a gente!”
— Você rosnou? — perguntei com um pouco de, sei lá, medo? Eu realmente não sei o que fazer ao ouvir alguém rosnar.
— A culpa foi deles por darem em cima de quem é meu — falou me puxando até algum canto da festa.
Chegamos perto dos banheiros e ele estava me abraçando ainda. — Você está bem? — perguntei colocando a mão na testa dele, que estava incrivelmente quente. — Você bebeu muito?!
— Mas eu não bebo... Só no ano novo... — falou se aproximando de mim e me dando um beijo de surpresa. Seus braços em minha cintura me apertaram e eu acabei passando minhas mãos na nuca dele, brincando com alguns fios de cabelo enquanto ele procurava espaço na minha boca, sempre com algum bater de dentes.
Tinha gosto de champanhe, mas também de maça verde e um pouco de churros, realmente estranho, mas bom...
Ele nos separou e começou a descer a cabeça, realmente achei que ele iria me dar um beijo no pescoço, mas ele só estava quase desmaiando mesmo. — Dê-me paciência! Ao menos fique acordado até chegar no carro! — gritei dando um peteleco nele, que levantou a cabeça com pressa e assentiu.
Fomos até a praia, onde Lucas havia deixado o carro, mas estava muito difícil de achar. Ele tirou os sapatos e começou a pular na água de roupa e tudo, mas antes que ele entrasse por completo, acabei segurando-o e o puxando para fora, mesmo com ele reclamando.
Encontrei o carro, e a toalha que eu tinha separado mais cedo estava ajeitada no chão com minha mochila em cima. Me sentei lá, e antes que eu pudesse perceber, reclamar ou raciocinar, Pedro já estava com a cabeça no meu colo, dormindo.
O cabelo dele... Parece tão macio... e é tão escuro perto da pele...
Comecei a fazer cafuné nele, que logo abriu um sorrisinho — O cafuné da Nick é bom...— ele murmurou em um tom que consegui escutar. Continuei a afagar os cabelos dele até que acordasse.
Diário do Lucas
A Nana está demorando muito pra voltar!
Algum garoto deve ter cantado ela, ou pior, beijado ela!
Não! Não suporto que façam algo com minha nanica! Ela é só minha.
Ah, por enquanto eu preciso tirar essa garota chata, grudenta e insuportável de cima de mim!
— O menina, eu tenho namorada! — menti com raiva, tentando soltar meu braço dos braços (lê-se seios) dela!
— Ah, não tem problema, eu não tenho ciúmes! — ela falou com uma voz doce incrivelmente irritante. Shorts muito curtos, havaianas e uma blusa com um decote que vai até o umbigo e seus cabelos tingidos de rosa! Definitivamente, a puta de carteirinha do terceiro ano, Katy! Ela não saí do meu pé desde que me conheceu ano passado! Ela é muito chataaaa!
— Sabe, eu não quero traí-la, então, se me da licença — continuei tentando me soltar dela, o que foi infame, mas logo minha angústia passou com a chegada de uma baixinha invocada, que empurrou o corpo da Katy para o lado. — Nana! O que voc-
Antes que eu acabasse de falar, ela puxou minha nuca para a altura dela, e me beijando intensamente.
Espera, ela está me beijando?
Aee porra! Depois de tanto tempo! ISSO!
Coloquei meus braços na cintura dela, a puxando para cima.
Sua língua estava na minha boca antes que eu pudesse ter dado passagem, e cada vez que tentava recuperar ar, ela me puxava mais pra baixo, me deixando sem oxigênio.
Oxigênio é para os fracos! Pelo menos eu tive o que merecia!
Mas espera... o hálito dela era de...
Bebida?
Ah, merda! ELA TA BÊBADA!
Eu vou me odiar tanto por isso depois, mas não separei o beijo.
EU PRECISAVA DESSE BEIJO HÁ MUITO TEMPO!
Mas... assim eu vou estar me apoderando da situação...
Sua boca se soltou da minha. Droga, deveria ter aproveitado mais, não sei quando vou ganhar um desses de novo!
— Lucaaaas! — a vadia lá gritou. — Por queee?!
— Bem... essa é minha namorada — falei com um sorriso, esperando que a Nana bêbada entrasse na atuação.
— É exatamente como ele disse — ela falou me abraçando mais e me puxando para baixo. — Se tentar algo com o meu gigante, vai receber um soco que vai levar remoldar todas essas plásticas! — Katy colocou a mão no nariz e saiu correndo. Nana começou a rir e a cair no chão, mas eu a segurei antes do impacto.
Ela desmaiou do mesmo jeito.
Carreguei-a no estilo noiva até o carro, onde vi Nick fazendo cafuné no Pedro adormecido, que estava com um pouco de marcas de batom perto da boca...
— Safrados... — falei chegando perto deles e colocando a Nana no banco do passageiro com o cinto de segurança.
— Não pense que estamos tão diferentes de você! Consigo ver essas marcas de batom vermelho na sua boca, sem falar que seu cabelo está todo bagunçado! — revirei os olhos e acordei Pedro, cutucando-o com o pé. Ele levantou todo lesado e entrou no carro, voltando a dormir.
— Se vira pra colocar o cinto nele — falei dando de ombros.
Pera...
NÃO ERA PARA AQUELA NANICA IDIOTA TER ME BEIJADO!
NÃO FOI ASSIM QUE EU PLANEJEI!
Era pra ter sido um momento de encaração, aproximação e PAM!
O beijo!
Com fogos de artifício estourando atrás, sem contar que era pra ser um beijo inicialmente calmo e depois mais desesperado!
E de preferência, queria ela sóbria!
Por falar nisso... Ela não vai se lembrar de nada amanha...
— MERDA! — Gritei entrando no carro e assustando a Nick.
— Que foi, peste?! — me perguntou, guardando a toalha e colocando a mochila no banco de trás, entrando em seguida.
— Nana bêbada é igual à nana sóbria amanha multiplicado por sem lembranças do beijo! — gritei fazendo manha e colocando o cinto. Nick o colocou também.
— Isso não fez nenhum sentido — me falou, fechando a porta e me permitindo começar a dirigir.
— Vai fazer quando Pedro não se lembrar que se beijaram amanha! — respondi com raiva. Olhei sua cara no retrovisor, indignação com vergonha e medo, tudo mesclado em uma Nick. — Por falar nisso, como foi o beijo de vocês?
Ela ficou ainda mais vermelha. — É uma longa história...
~~
Resumindo a noite com a madrugada, o beijo deles foi mais assustador/ bugado e ao mesmo tempo melhor que o nosso, menos pelo fato de Pedro ter praticamente desmaiado na melhor parte... Coitada da Nick pra ter que aguentar um mongo que nem o Pedro!
Deixei as meninas na casa delas, eu carreguei a Nana e Nick foi andando.
Também tive que levar um Pedro desmaiado pra casa...
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