Quase Normais

11 Entre Amor, Armários e Pockys


Notas iniciais
Dg: Se vocês não gostarem desse, só por meu Deus, foi dificil/constrangedor escrever o fim dele. Particularmente gostei do meio, da história de um personagem ai, mas também gostei muito do fim. Nana: o que percebi nesse capitulo foi, o Lucas é um tsundere mano... Isso tava planejado? Dg: não que eu me lembre... Kissus de paçoca, Kissus de pandas e leiam direitinho

Diário da Nath

O que posso dizer é, o mundo gira, as mesas viram, as catracas rodam e tudo da voltas, cuidado com vinganças, pois a vingança da vingança pode ser pior do que a vingança.

~~

— Nath, acorda! — acordei com Nick me chacoalhando na cama.

— Eh? Mas é tão cedo! — falei como um zumbi, virando minha cara pro travesseiro.

— Bem — ela falou abrindo as cortinas — eu tinha esperanças que você acordasse antes das duas horas, mas não me deu escolha e tive que vir te acordar — ela completou.

— Você veio me acordar às duas horas da madrugada?! — perguntei virando o rosto e olhando pra ela.

— Mano, são três e meia da tarde — ela falou com uma cara poker face. — Agora vai logo se arrumar que as meninas vão chegar! — ela falou saindo do quarto. Me levantei com preguiça e lerdezagem, indo para o banheiro.

Tomei uma ducha, sequei o cabelo e saí de lá já com uma blusa que ia até o meio da minha coxa e uma legging preta. Ouvi as vozes de Isadora e da Gabi, que estavam na sala, sentadas no sofá.

— Ah, oi gente! — falei me espreguiçando. — Gabi, seu presente ta lá no meu quarto, em cima da cômoda. Pega lá quando quiser.

— Okay — ela respondeu com um sorriso. Bocejei — Pelo tempo que te conheço, você deve ter acabado de acordar.

— Gabi realmente nos conhece — Nick falou da cozinha enquanto montava o bolo. — Nana, pega o colchão de ar lá na despensa.

— Ta, ta! — falei indo pra dispensa e subindo nas prateleiras para alcançar a caixa do colchão. Peguei-a e desci. Olhei em volta — Acho que posso trancar a Nick e o Pedro aqui algum dia desses — falei pra mim mesma e saí de lá. Afastei o sofá mais pra trás e coloquei o colchão de casal lá, enchendo-o com a bomba de ar.

Lia entrou na casa sem bater — Cheguei! — falou extravagante, e quando foi fechar a porta, se tocou que não devia ter usado força, porque o som ecoou pelo andar inteiro.

— Percebemos — falei.

— É isso que da quando eu tento fazer uma entrada diferente — ela falou, colocou sua bolsa no chão e foi até a Gabi — Aqui seu presente — ela entregou uma caixinha. Gabi a abriu e tinha um colar do nome dela.

— Que lindo! Parece de ouro! — ela falou, tirando-o da caixinha e colocando no pescoço.

— E é — Lia afirmou. — Não sabia se você era alérgica, então peguei de ouro logo de uma vez.

— Que rica — falei ainda enchendo o colchão.

— E vocês não são não? — Ela respondeu.

— Bem... Classe media alta — Nick falou da cozinha.

— Tipo como? Nick, seus pais são um bioquímico e uma atriz — Lia falou — Me surpreende ninguém perceber que vocês são filhas deles. Pai japonês e mãe brasileira.

— Quem são seus pais? — Isadora perguntou.

— Akira Takako e Isis Branca Takako — Lia respondeu sem cerimônia.

— Eles são seus pais?! — Isadora perguntou.

— Bem... sim — Nick falou.

— Mas... nunca saiu em nenhum noticiário e eu sigo o Instagram da Isis! Como eu não sabia?! — a de cabelos tingidos falou tendo um treco.

— Bem... eles não queriam que fizéssemos parte do mundo dos adultos ainda — respondi.

— Além disso, não quero ganhar sucesso pelos meus pais, e sim por mim — Nick completou. — Por isso somos as melhores em quase tudo que fazemos.

— Verdade! A Nana é boa em esportes, toca quase todos os instrumentos e fala qualquer língua que possa imaginar. Já a Nick é boa em artes e lógica, sendo exatas ou psicológicas — Gabi falou contando nos dedos — Por falar na tia, ela é muito legal! Tem que conhecê-la algum dia!

Isadora ficou de queixo caído. Acabei de encher o colchão e me sentei no sofá. — Que seja — Lia disse — Mas uma festa do pijama não é uma festa do pijama sem pijama! — ela falou animada.

— Você nunca foi numa festa do pijama, né? — Nick perguntou.

— Não... — ela falou com voz de choro.

— Ta — Nick falou deixando o bolo na geladeira —, vamos lá vestir um pijaminha — ela falou segurando no braço de Lia a levando pro nosso quarto.

— Vamos lá por pijama também! — Gabi falou se levantando.

— Ta — falei fazendo o mesmo.

Eu acabo de tomar banho e por outra roupa e já me fazem vestir pijama de novo.

Devia ter ficado daquele jeito lá mesmo.

— Nick, cadê meu pijama de mais cedo? — falei entrando.

— Coloquei pra lavar — ela falou.

— Mano, era meu único pijama limpo! —respondi choramingando.

— Ah, agora já foi! Usa aquele top lá de academia que você nunca usou com um shorts qualquer — ela deu de ombros, colocando um shorts de pijama, mas ficando com a mesma blusa larga.

— Sua vaca! — falei pegando meu “pijama” e indo no banheiro. Me troquei lá e saí já “vestida.”

— Que magra! — Lia falou me olhando de cima a baixo. Ela usava uma camisola azul clara com um panda de capuz.

— N-não sou! — o meu era um top roxo escuro e um shorts de pijama preto que estava perdido na minha gaveta (sabe Deus porque).

— Costela-costela! — Nick berrou e cutucou minhas costelas me fazendo pular de aflição.

— Mano — Gabi falou e nós olhamos pra ela, ela estava com uma regata escrita “Let me Sleep” com um coelho desenhado, e um shorts listrado — a família de vocês é abençoada.

— Vocês têm muito peito! — Isa falou. Estava vestida com uma blusa verde do hulk e um shorts roxo. Eu e Nick olhamos para baixo.

— Não temos tanto! — falamos juntas. Elas reviraram os olhos.

— Se vocês me dão licença, vou pegar uma jaqueta pra não ser assediada aqui! — fui no meu quarto e peguei a jaqueta do Lu....

Qu-quer dizer, minha jaqueta!

Depois de estar vestida com a minha jaqueta, fui lá pra sala. Péssima escolha. Tinha quatro garotas jogadas no sofá e no colchão, tanto de ponta cabeça quanto em posição normal — O que a gente faaaz? — Gabi perguntou.

— Sei lá, porque a gente não fica conversando até dar mais tarde, pra pedirmos comida? — Isa falou.

— Tive uma idéia! Vamos brincar de “Eu prefiro”? — Lia perguntou.

— Pode ser, mas não vale mentir — Gabi disse se levantando do sofá e sentando na cama. — Primeiro, o juramento. Tudo que acontece aqui, fica aqui — ela falou e bateu a mão direita no chão. Eu e as outras fizemos o mesmo.

— Eu começo! — a de cabelos coloridos falou —Você prefere morrer na friendzone do seu amor platônico e unilateral, ou descobrir que seu amor platônico é gay? — ela começou a rir.

— Eu escolho a segunda opção — falei — porque na primeira eu ainda teria esperança, na segunda não, ele gostaria de machos e só.

— Descobrir que é gay, porque assim ele seria meu amigo e divariamos juntos — Lia falou.

— Descobrir que é gay também — Nick disse — Não quero morrer na friendzone amando alguém que nunca vai me amar. Prefiro que seja gay!

— Sei lá, acho que os dois têm seus pontos bons e ruins — Isa falou — Tipo, acho que eu pegaria a primeira, porque mesmo que ele não me amasse desse jeito, ele continuaria sendo meu amigo, então eu continuaria com alguma atenção dele — nós três a olhamos. Isadora parece uma criançona, mas muitas vezes pensa como adulta.

A campainha de casa tocou. — Vai lá atender Nana! — Nick me falou.

— Por que?!

— Porque eu fiz o bolo!

— O que isso tem a ver?!— perguntei.

— Só vai logo! — retrucou. Bufei e me levantei, indo abrir a porta. Quando eu abri, me deparei com uma visão do inferno.

— Ei! Essa não é minha jaqueta?! — Lucas falou. Ele estava com Pedro e cada um tinha uma mochila com cada um deles. Bati a porta na cara deles.

— Quem era? — Lia perguntou.

— Ninguém importante — falei voltando a me sentar.

— Não é assim que tratam as visitas! — Lucas falou batendo forte na porta. Nick bufou e foi para a porta, abrindo-a.

— Por que vocês estão aqui? — ela perguntou.

— Não é porque a gente ouviu a conversa atrás da árvore — Lucas afirmou. — E... não é porque o Pedro queria ver você de lingerie.

—Que? — Pedro falou.

— Ta, ta! Entra logo, ta? — Nick falou, chamando-os pra dentro.

— Mas por que as bolsas? — Isadora perguntou.

— Ué, a gente vai dormir aqui — Lucas falou — E mais uma coisa, Nana, devolve minha jaqueta! — Ele gritou. Eu tinha fechado a jaqueta pra não ficar vulgar. Peitos grandes trazem problema, ta? Ele foi pra cima de mim e eu tentei correr, mas ele segurou minha cintura por trás.

— M-mas eu não posso, de verdade! — falei tentando sair. Fiquei vermelha.

— Lucas, seu pervertido! — Lia gritou — Ela não pode mesmo!

— Como assim não pode? — ele perguntou abrindo o zipper. Ele ficou olhando por um tempo e depois o fechou e me soltou — Certo, me devolve depois.

— Você poderia não ter aberto, né?! — gritei corada, ele corou também.

— Eu lá ia saber que você estava de sutiã? — ele retrucou.

— Não é sutiã, é top!

— Da na mesma! — ele franziu o cenho.

— Da não! Top se usa pra ir pra academia, já sutiã fica em baixo da roupa! — briguei.

— Se for assim, devolve minha jaqueta!

— Eh... quer dizer, é sutiã mesmo — falei e me distanciei. — Pelo menos vocês trouxeram o dinheiro?

— Claro, a gente ouviu a conversa inteira — Lucas falou.

— Que seja — Pedro revirou os olhos — Aqui Gabi, não sabia do que você gostava, mas pode trocar se quiser — ele falou entregando um pacote com embrulho roxo.

— Bem, eu também não sabia direito do que você gostava, mas sabia que você não resistiria a uma coisa — Lucas disse se achando.

— O que, Lucas? — Gabi falou em tom desapontador.

— Eu mesmo! — falou extravagante — Mas eu não poderia me dar pra você, já que esse é o presente da Nana.

— Não me mete nisso — falei.

— Então, eu vou te dar, isso! — ele falou tirando uma foto de si mesmo de dentro do bolso da calça.

— O que é isso? — a aniversariante perguntou com uma cara bem “poker face”

— É uma foto minha, né!

— Eu passo — ela disse devolvendo a foto.

— Ehh? — ele disse decepcionado— Sorte a sua que era zoeira! Mas como eu realmente não sabia o que te dar, trouxe dinheiro — ele tirou uma nota de cinqüenta reais e deu pra ela.

— Tipo aquelas vovozinhas que não conhecem o neto? — Isadora disse, fazendo o maior se irritar.

— Está me comparando com uma vovó? — ela fez que sim — Eu sou o presidente do clube, você tem que me respeitar... e chamar de senpai!

— Por que vou te chamar de senpai se você está no mesmo ano que eu? — Isadora perguntou.

— Porque meu sonho é alguém me falar “notice me Senpai” — ele falou triste.

— Por que você não pede pra Nana fazer isso? — Lia observou.

— Você faria isso por mim? — Lucas me perguntou. Olhei para as meninas, depois para Lucas.

— Não — falei seca. — To com fome, vamos pedir a pizza? — falei me esticando. Nick deu de ombros em um “pode ser”

— Você quer do que, Gabi? —minha irmã perguntou.

— Pode ser de calabresa — ela deu de ombros.

Nick pegou o celular e foi no quarto procurar o numero da pizzaria. Lucas empurrou Pedro pra dentro do mesmo cômodo e fechou a porta. Olhei-o com dúvida — Que foi?

— Nada, deixa pra lá — falei me distanciando, e indo conversar com a Gabi. — Ei Gabi,você ta gostando de alguém?

— Que raios de pergunta foi essa? — ela me perguntou franzindo o cenho.

— Hum, então você ta, né? Quem é? — perguntei cutucando-a.

— Ninguém.

— Do Lucas então? Bom saber.

— Por que raios eu iria gostar do Lucas?

— Ei! — ele disse — Eu consigo ouvir, ta? — Nick e Pedro saíram do quarto. — E muita gente gosta de mim, ta. Tenho todos os motivos para uma garota gostar de mim.

— Tipo o que? — Gabi perguntou com uma sobrancelha arqueada.

— Sei lá, alem do fato de eu ser lindo, gostoso, com voz bonita, sou boa pinta e ainda toco baixo — ele disse de nariz empinado. — Sem falar que sou galanteador e ainda falo alemão.

— Não Lucas — Nick disse — Você não sabe falar alemão. Você confundiu “você é muito linda” com “eu como batatas no banheiro.” Você, definitivamente, não fala alemão.

— Foi um erro de calculo! — tentou se defender.

— Não tem como confundir “você é muito linda” com “eu como batatas no banheiro”, definitivamente — falei.

— É que eu estava hipnotizado com tamanha beleza — ele falou piscando um olho pra mim.


— Conta outra — falei. — De qualquer jeito, vamos fazer alguma coisa até a pizza chegar!

— Vamos brincar de verdade ou consequêcia? — Nick perguntou com os olhos brilhando.

— Vamos, vamos! Vai ser legal! — Lia falou do mesmo jeito.

Quando percebi, geral já estava sentado no chão. Comecei a olhar um lugar bom pra eu não me fuder. Do lado do Lucas! Corri pra lá — Você realmente não agüenta ficar longe de mim, né?

— Estou apenas evitando que algo constrangedor aconteça.

— Tipo o que? — ele perguntou e eu dei de ombros — Sabia que se eu quisesse tirar a jaqueta de você eu já teria feito isso, né?

— Ehh... é por precaução — Nana disse.

— Ta, ta. O casal já parou? Podemos começar? — Pedro falou segurando a garrafa no meio da roda. Ele estava do lado na Nick e na frente de Lucas, enquanto Nick estava na minha frente.

— Começa logo! — Gabi falou dando um tapa na panturrilha do Pedro. Ele reclamou um pouco mas girou a garrafa. Caiu eu com a Isa.

— Quer o que? — perguntei. — Lembra que tem que pegar desafio no mínimo uma vez.

— Vai desafio então! — me respondeu convencida.

— Segura sal grosso com gelo na sua mão por três minutos — falei desinteressada.

— Quer que eu morra? Perca a mão? — Isa falou indignada, mas bufou e foi colocar sal com gelo na mão e se sentou na roda. — Me digam quando se passar três minutos.

~Um minuto e meio depois~

— NÃO DA MAAAAAIS! — Isadora falou abrindo a mão e deixando o gelo cair, e saiu correndo para o banheiro.

— Hoje perdemos uma soldada — Lucas falou — sorte que ela só canta.

— Tá, vamos continuar — Nick falou se espreguiçando. Pedro girou a garrafa de novo. Caiu na Gabi e na Lia.

— O que você quer? — Gabi perguntou.

— E- eu nunca brinquei disso antes — Lia falou. Olhamos pra ela com cara de quem não acreditava — A culpa não é minha!! Só quero saber o que tem pra escolher!

— Tsk, escolhe logo verdade que é o menos perigoso pra você. Ou desafio e eu te mando alguma coisa fácil — Gabi falou.

— V-vai desafio então — Lia falou.

— Pede uma xícara de açúcar na porta do lado — Olhamos para a Gabi com uma cara de “isso lá é desafio?” — Mano, precisei pegar algo fácil pra ela, coitada. Vai que ela fica traumatizada.

Ela pegou um moletom e foi lá na casa do lado, onde mora um universitário de vinte e um anos. Ela bateu na porta e o homem abriu a porta — Quem é você? — ele falou.

— E-e-eu... Amiga da N-Nana da porta ao l-lado — Lia falou ficando vermelha.

— O que você precisa? — ele perguntou com a mão na nuca.

— E-ela pediu uma xícara de açúcar.

— Certo, mas você não esqueceu a xícara igual a Nathalie, né? Ela sempre vem pedir coisa aqui e leva a xícara junto.

— Eu to ouvindo isso, Iago! — gritei da porta de casa. Ele a olhou com dúvida.

— Era verdade ou desafio — Lia falou entregando a xícara.

— Ah, sei — ele sorriu — Vou trazer então — entrou em casa e logo trouxe a xícara cheia de açúcar. — Nana, se puderem não incomodar, eu tenho que estudar pra um teste de amanha.

— Ta, ta, ta! — falei indo lá e puxando a loira comigo para perto de mim. — Viu? Não aconteceu nada!

— Ah, crianças — ele falou com um sorriso.

— Ei, nós só somos... — fiz o calculo nos dedos — Seis anos mais novas!

— Vamos logo pra dentro! — Lucas falou saindo do apartamento e segurando minha mão.

— Hum, oi Lucas — Iago falou acenando. Lucas acenou de volta.

— Vocês se conhecem? — perguntei desentendida.

— Vocês trazem ele e o Pedro pra cá quase todos os dias, claro que eu conheço ele! — Iago falou com a testa franzida.

— Ah, vamos logo! — falei e puxei o Lucas e a Lia pra dentro da casa. — Como vocês se conheceram?

— Ah, um dia eu e o Pedro estávamos vindo pra cá e encontramos ele. Ele perguntou se a gente tava indo pra sua casa e pediu pra devolver a xícara dele — Lucas disse olhando pra cima, sabe raios porque pra cima! Eu sou baixinha, tem que olhar pra baixo! — Por que você precisa tanto assim de farinha e açúcar.

— De certo só vou lá pra vê-lo, já que ele é meu vizinho gostosão — Falei voltando pra rodinha.

— Que? — Lucas perguntou — Está proibida de vê-lo!

— Vá caga — falei e me sentei, e ele se sentou do meu lado. Pedro girou a garrafa de novo. Caiu em mim e na Nick.

— O que quer, Nana? — ela perguntou.

— Já que estamos nessa ondinha de desafios, aproveita e manda um pra mim — falei sem pensar muito bem. Nunca me arrependi tanto. Nick e Pedro se olharam, soltando um sorrisinho sádico — Posso mudar de opção?

— Tarde de mais — ela disse — Vai ter que ficar presa dentro do armário com o Lucas por trinta minutos! Parece que o mundo da volta, né?

— Oh shit... Tudo culpa do Lucas — falei pra mim mesma. Bufei alto e fui até o armário do quarto. Lucas entrou primeiro mas... — Você é muito grande!

— Nem sou — ele disse de cara emburrada. Estava sentado com os joelhos dobrados e ocupava quase o lugar inteiro. — Talvez um pouco, mas você é pequenininha, você cabe — ele me puxou pelo pulso, me fazendo sentar no colo dele e abraçando minha cintura. Nick fechou a porta do armário.

— NICK! — gritei.

— Só se passaram 30 segundos — ela falou lá de fora.

— Merda — falei baixinho. Eu estava de costas pra ele, o que me preocupava já que estava muito vulnerável.

— Você me odeia tanto assim? — ele me perguntou.

— A questão não é essa — falei—, mas sim que estou presa num armário com um pervertido.

— Não sou pervertido — virei pra ele com uma cara que super acreditava (sintam a ironia, por favor) — Ta, quem sabe um pouco — ficamos quietos por alguns segundos — Nana, você não é trouxa, você sabe que eu gosto de você, por que sempre nega?

— Porque não é real — respondi olhando para cima. — Da ultima vez foi igual. Até a porra de armário foi igual! Só que não nesse.

— Como assim “não é real”?! Mano, meus dias têm se resumido em: pensar em você, olhar para outra garota pra parar de pensar em você e o meu plano ser frustrado por uma baixinha invocada! — ele falou encostando sua cabeça nas minhas costas. — E ela ainda vem e rouba minha jaqueta favorita!

— Não me leve a mal, mas eu não me sinto a vontade — falei — Não que você não me agrade, mas sempre que penso que pode ser como antes, eu hesito. E acho que a Nick já te contou a história. — o senti fazer que sim. — Então, não sei se com garotos é assim, mas é realmente difícil de superar esse tipo de coisa da pessoa que você mais confiava. Por isso que só me abro com a Nick, saímos do mesmo útero, se não puder confiar nela, não sei em quem mais posso.

— Sabe, eu não entendo essas coisas de traição ou de amor verdadeiro. Assim como também não entendo o quão difícil deve ter sido pra você, mas quero que confie em mim, e eu confiarei em você — ele me apertou mais.

— Você tem algo... Que é difícil se abrir? — perguntei.

— Bem, sim — ele falou com a voz fraca.

— Quer confiar em mim? — perguntei. Ele fez que sim com a cabeça.

— Você conheceu minha família, né? — ele começou — Meu pai, ele morreu muito cedo. Eu realmente era próximo dele, fazia quase tudo com ele e era o adulto mais importante na minha vida. Um dia, quando eu tinha oito anos e a Sophia tinha acabado de nascer, eu desobedeci a ele e a minha mãe. Estava tendo uma grande onda de assaltos no meu bairro, mas eu insistia em ir com meus amigos no parquinho lá perto, já que eu só tinha irmãs, eles eram muito importantes pra mim. Então, quando meus pais saíram, eu fugi de casa pra ir com eles, mas, enquanto brincávamos — senti uma lágrima rolar pelas minhas costas — um homem apareceu. Ele tinha um cachorrinho, e meu melhor amigo foi vê-lo. O homem segurou o pulso dele e tentou levá-lo para longe do parque, mas eu os segui. Quando o homem percebeu que eu estava os seguindo, ele me perseguiu também, mas meu pai apareceu, dando um soco na cara do homem, mas ele tinha uma arma e... Bem, já deve imaginar o resto. Eu e meu amigo ficamos cobertos de sangue, enquanto o homem corria floresta adentro. Meu amigo correu, mas eu fiquei perplexo, de joelhos no chão, passei o ano indo a psiquiatras e psicólogos, então não tive tempo de estudar e acabei repetindo. No ano seguinte, Pedro se mudou pro lado da minha casa, e a família feliz dele me dava inveja, eu o odiava, mas ele estava sempre próximo a mim. Eu me isolei das pessoas que conhecia, era solitário na escola e me destacava o mínimo possível, mas com treze, as meninas começaram a se assanhar em cima de mim, então me metia em muita confusão. Elas eram um meio de fugir da realidade e da culpa, mas ao mesmo tempo me trazia o mais perto possível delas. Quando entrei em uma briga, Pedro provou que não era só um visinho ou um colega de classe, ele foi meu amigo e me ajudou, mesmo que eu me sentisse um lixo, ele não se importou. Até hoje acho que, se eu não tivesse desobedecido meu pai, ele não teria morrido dessa forma. Mas teve seus lados positivos, eu conheci o Pedro, a Nick e você.

Virei meu corpo ao máximo e dei um abraço nele. Ele estava com o rosto vermelho, mas tentava sorrir. Aquilo me machucou.

Ver suas lágrimas e sua dor doíam em mim também.

— Cinco minutos! — a Nick gritou lá de fora.

— Desculpe, acabei chorando — ele falou esfregando os olhos, mas as lágrimas continuaram caindo. Limpei suas lágrimas e dei um beijo na bochecha dele. Ele se fez de surpreso e ao mesmo tempo perdido.

— É agora que você faz uma piadinha — falei. Ele sorriu.

— Bem que poderia ter sido na boca — falou com os olhos meio vermelhos.

— Quem sabe algum dia — falei me virando novamente e deitando a cabeça no seu peitoral. Ele chegou no meu pescoço e deu um beijo lá.

— Assim espero — me respondeu. Ficamos um tempo em silencio.

— Tempo! — gritou Nick, abrindo a porta de correr.

Saí do pequeno lugar, e fui seguida por Lucas. Nos sentamos na rodinha novamente, sem tocar no assunto do que tinha acontecido. Algumas rodadas passaram, a pizza chegou, mas não paramos de jogar.

Diário da Nick

— Queria saber o que esta acontecendo com os dois... — falei apoiando o rosto nas mãos.

— Todos nós queremos — Lia disse. Ficamos conversando por um tempo, até que a Nana e o Lucas estivessem liberados.

A pizza chegou, finalmente, e todos nós comemos e tal. Peguei as guloseimas como pokys e finis que tinha mandado os meninos comprarem no mercado no dia anterior e coloquei todos em um potinho perto da roda. A garrafa parou em mim e Lucas.

— Como ainda não escolhi, quero desafio — falei colocando um pocky na boca. Eu tinha sido a única que não tinha pedido desafio ainda, então, nada mais justo.

— Nick, faça o pocky game com o Pedro — Lucas falou. O doce caiu da minha boca, e depois de olhar pro Pedro, vi que ele estava totalmente vermelho. — Acho que é um desafio normal comparado ao aperto que eu e a sua irmã passamos lá no armário. Se não fosse por mim, sua irmã teria perdido o controle e me beijado por completo. Não que eu não quisesse isso, mas, dentro do armário é complicado.

— Não posso escolher outra coisa?! — perguntei, ignorando o resto do que Lucas tinha dito, porque na minha cabeça só ecoava a frase “Pocky game com o Pedro.”

— Nada mais justo! — Nana falou.

— Como assim?! Vocês não tiveram que fazer nada de mais lá dentro! — falei.

— Eu quase fui estuprada! — Nana falou.

— Certo, certo! Vocês ganharam, me da logo essa bosta! — falei pegando um pocky e colocando uma ponta na boca do Pedro e a outra na minha. Eu tentava desviar o olhar, mas ele segurou meu rosto para frente e foi mordendo. Algo dentro de mim queria aquilo, eu acabei mordendo também, e indo pra frente. Por alguns segundos, me vidrei nos seus olhos claros, como hipnose. Ele fez o mesmo comigo, mas sem agüentarmos mais daquela maldita pressão, ele mordeu o ultimo pedaço.

Os lábios dele se encontraram com os meus, eram maios e frios. Sem querer, eu acabei abrindo a boca no mesmo tempo que ele, fazendo nossos dentes baterem. Ele invadiu minha boca e aquilo era um pouco, se não dizer, muito desconfortável e embaraçoso, mas de certa forma, era bom. O ar nos faltou, e assim nos separamos. Ele olhava para baixo e eu para cima, em direções opostas.

— Droga Pedro! Era pra ser um selinho ou um amasso sem língua! — Lucas falou em tom... animado ou, desconfortável, eu não conseguia adivinhar — Droga, até o Pedro beijou antes de mim, preciso correr atrás!

— Q-que seja! Vou p-pegar o bolo — falei me levantando e indo pra cozinha. Suspirei fundo e peguei o doce, levando-o pra mesa.

— Nana! — ouvi a voz de Lucas — Que tal ser agora aquele tal de beijo na boca que você falou?

— N-não! — ela respondeu com vergonha.

Deem me paciência, fui eu quem acabou de dar o primeiro beijo, sou eu quem esta com vergonha!

~~

Comemos o bolo e as meninas começaram a desmaiar de sono. Deixamos a Gabi, a Isa e a Lia no nosso quarto, mas pra decidir quem dormiria com quem foi o que realmente causou. No inicio, eu dormiria com a Nana e o Lucas com o Pedro, mas eles se recusaram dizendo que seria muito gay. Acabou por ficar a Nana e o Lucas no sofá e eu com o Pedro na cama, foi meio constrangedor, espero que esse beijo não mude muito no nosso relacionamento...

Notas finais
Nana: Todo mundo sabe que, eles falaram que seria gay, mas na verdade só queriam dormir junto com a Nick e a Nana :3 LUCAS: COMO FOI QUE EU PERDI PRO PEDRO?! PEDRO: TOMA TROUXA! ME DEVE DEZÃO! LUCAS: MERDA! DG: o que foi isso? Esses personagens tão começando a ficar muito assanhados. Nana: Lucas inocente, se eu pudesse, na hora que a Nana estava limpando as lagrimas dele, eu teria feito ela puxa-lo para um beijão. Mas, não foi dessa vez haha Kissus de paçoca, Kissus de pandas e até ~