Quase Normais
4 Charlie Charlie... você quer me fder?
Notas iniciais
Diário da Nick
Depois de hoje, nunca mais brinco de Charlie Charlie...
~~
Depois daquela "breve" discussão sobre seios e tanquinhos, os dois finalmente calaram a boca e fomos cozinhar. Eu e Nana íamos fazendo enquanto os dois moleques ficavam tentando roubar alguma coisa.
— Nossa, isso tá muito bom! Nick já pode se casar, já! — Lucas exclamou enquanto colocava uma garfada de macarrão na boca.
— Ei! Eu também ajudei! — Nana disse e eu acabei rindo.
— Mas não está claro? Ela fez quase tudo sozinha! — Começou, e depois que começam não param mais.
— N-não! Nana me ajudou bastante cortando as coisas! Ela só não é muito boa no fogão....— expliquei
— Certo, certo! Que seja! O que achou Pedro? — Lucas perguntou à ele. Estavam sentados os dois de um lado da mesa e nós duas do outro. Todos olhamos pra ele.
— Na verdade, está muito bom...— Ele corou e abri um sorriso... Não, o que estou fazendo? — Na verdade, só não entendi uma coisa, por que a Nana não é boa no fogão?
Eu olhei pra Nana... ela me olhou... ehhhhh....
— Bem... como vamos explicar isso? — eu perguntei
— S-sabe... lá estava eu, num dia frio, e decidi fazer leite quente.... E-eu... eu esqueci... — ela estava com muita vergonha e as palavras não saiam.
— Ela conseguiu esquecer a panela com fogo aceso — o Lucas começou a rir igual um não sei o que, e Pedro também soltou uma risada que tentava segurar.
— COMO UMA PESSOA É BURRA O BASTANTE PRA DEIXAR UMA PANELA DE LEITE NO FOGO?? — Lucas gritava e ria.
— A culpa não é minha se eu tenho déficit de atenção!!
— Você tem déficit de atenção? — Lucas perguntou surpreso.
— Serio que você não tinha percebido? — Pedro indignou.
— Tipo, quando a gente 'ta na aula de matemática e ela começa a olhar pro além e depois desvia o olhar do professor por conta de um mosquito?— Completei.
— M-mas é claro que eu tinha percebido! T-tenho cara de que? De trouxa? Para a sua informação eu recusei minha carta de Hogwarts, tá?
— Primeiramente, sim, você tem cara de trouxa, e é mais ainda por ter inventado que recusou uma carta de Hogwarts. Fala serio, nem o maior idiota do universo recusaria uma carta de Hogwarts — a Nana disse.
— Espera, surgiu outra dúvida. — Pedro falou— Se ela viaja tanto... como que ela está no colegial?
— Querido, isso é um mistério que nem mesmo os mais sábios desvendariam. Tentei entender durante anos e nunca achei uma explicação lógica — respondi.
Ficamos mais tempo rindo e conversando, mas decidimos fazer logo o trabalho. Na hora que passamos para a parte escrita....
— NÃO DEIXEM A NANA ESCREVEEEEER!! — Gritei. Eles olharam pra mim como se eu fosse louca — Já viram o caderno dela?? Vocês querem ganhar 0 né?
— Verdade, a letra dela é muito feia... — o Lucas ressaltou.
— Mas você nunca viu meu caderno...— Nana disse.
— Seu caderno não, mas seu diário....
Iiiiihh, deu merda!
— Espera, você leu meu diário??! — ela gritou. Vai dar merda, vai dar merda~~
— Claro, acha que eu não leria aquela parte que você disse que eu era delicia e que você gostava de mim?
—.... Mas... eu nunca escrevi nada assim...— ela falou.
— Quer apostar? Está escrito na folha de hoje! — enquanto isso só eu e o Pedro... vendo de longe a treta.
— Mas eu não... espera... — Nana saiu correndo pra gaveta de roupas intimas...
Roupas intimas o caralho!
É calcinha mesmo, algum problema manouu?
Ela abriu o diário bem rápido e começou a bater no Lucas. Peguei o diário do chão e li em voz alta...
—"Querido diário... O Lucas é tão gostoso que eu me sinto molhada toda vez que eu cito seu nome ahh... Seu delicia, me possua".... — Corei muito forte ao perceber que Pedro também tinha escutado.... Ahhh merda
Acabamos de fazer o trabalho e eu dei a idéia genial de jogarmos Charlie Charlie.
Lucas achou uma boa idéia e começou a preparar os bagulho lá. Já estava tudo pronto já, e só faltava a Nana pra sentar.
— A gente vai mesmo invocar o demônio?— ela se pronuncia.
— Sim, agora cala a boca e senta aí!— Lucas fala e puxa a menina para o seu colo, que logo se remexe até ficar do lado dele, e não em cima. — Charlie Charlie... você está aí?— O ponteiro se mexeu para o sim.
— Vamos mesmo fazer isso? — Pedro perguntou à Lucas.
— Por que, cara? Não vai acontecer nada mesmo!
— É, mas... — ele completou olhando para minha irmã. Lucas olhou para ela também. Estava encolhida.
Lucas a abraçou, fazendo com que ela encostasse a cabeça no peito dele — Se algo acontecer, eu a protejo!
— Atrevido.... Seria bem mais provável o capeta te levar e não a mim — ela falou. Lucas a apertou mais contra ele.
— Tá, vamos logo. Charlie Charlie.... A Nick e o Pedro devem se beijar agora? — Pedro corou e eu fiquei olhando pra ver se ele não iria soprar. O lápis não se mexeu nem um pouco — M-merda! — Lucas assoprou e o ponteiro foi no não. Depois ele inventou de ir arrumar com a mão e desmontou o negócio, colocando no sim. — V-viu? Até o Charlie apóia vocês. Se beijem logo!
Ele pegou minha cabeça e a de Pedro e começou a aproximá-las, o que não deu muito certo, por que eu segurei o braço dele antes que ele fizesse merda. — Hoje não, friend... — falei com olhar matador e ele nos soltou.
— Tsk, hoje não né? Vejamos então. Charlie Charlie... Nick e Pedro deviam ficar juntos sozinhos dentro do armário por meia hora?
O ponteiro se mexeu no sim
QUE PORRA É ESSA AÍ CHARLIE??
— Haha! Consegui! Então... Charlie Charlie... podemos parar de brincar?— o ponteiro se mexeu bem pouco, ainda no sim. Lucas desfez o bagulho lá de cigano macumbeiro lá. — Agora vou ter mais tempo pra ficar com um certo alguém. Mas antes....
Ele pegou eu e Pedro e nos colocou na frente do armário com porta de correr. Entramos para tentar nos ajeitar. Tentamos, inicialmente, cada um de um lado, com as pernas emboladas, mas não cabia. Então eu acabei por sentar no colo dele, se frente pra ele. Lucas fechou a porta.
Passou algum tempo sem falarmos nada, era meio constrangedor depois de tudo. Ouvimos um barulho.
— Vamos logo para a sala, ou quer ficar em um local que eles ouvirão seus gemidos?— Lucas falou.
— Na verdade, eu não quero nenhum dos dois!!
Eu e Pedro rimos. — Agora, nem sei quem está numa situação pior. Nós ou a Nana.
— Se fosse pra escolher uma, essa é a melhor. — falei sem de dar muita conta do que tinha dito, só percebi quando vi o rosto de Pedro ficar tão vermelho que dava pra ver no escuro. — Q-quer dizer, quem nesse mundo consegue aguentar o Lucas?
— EI, EU OUVI ISSO! — Lucas berrou do outro lado da porta.
— SOCORR~~ — Lucas tapou a boca da Nana antes que ela acabasse de falar....
OU SERÁ QUE ELE BEIJOU ELA??
— SÓ PRA VOCÊS SABEREM, FALTAM 25 MINUTOS! — Lucas falou. Dava para ouvir alguns resmungos gemidos, vindos de Nana.
É, ele só tapou a boca dela mesmo.
Eu e Pedro nos olhamos e rimos. — Sei lá, eu tenho dó de você — ele disse.
— Por quê?
— Porque quando se conhece o Lucas é impossível se livrar dele — eu ri.
— Também tenho dó de você. — ele se fez de desentendido— Sabe, é o mesmo com a Nana. Vai por mim, eu já tentei me livrar dela mais de uma vez. Parece que ela gruda no seu cérebro e é impossível não amá-la. É por isso que ela sempre recebia elogios de admiradores secretos no correio elegante.
— Awnn, não pera, você o que?? — a Nana disse
— Nana! Você está me traindo?? — Lucas indignou. A gente riu de novo. O silencio reinou novamente. — Faltam 20 minutos!
Pedro tentou uma espécie de contorcionismo para poder pegar seu celular. Nisso foram cotoveladas e joelhadas, e ele não conseguiu pegar! Já vi no que vai dar.
— N-Nick, pega meu celular pra mim? — ele me olhou como se aquilo dependesse de mim.
— Certo, certo! Onde está? — ele deu um sorriso inocente.
— No meu bolso de trás... — O olhei tipo: “sério isso?” Mas não tive muita opção. Fomos tentando um outro tipo de contorcionismo pra ver se eu conseguia pegar o celular. Eu meio que tive que me esparramar sobre ele, sem falar que tive que colocar a mão lá... sabe... naquele lugar lá é... na bunda dele, ta? Que droga! Finalmente consegui pegar o celular dele.
— Quinze minutos! — Lucas gritou.
—Que horas são? — perguntou.
— 17:42.... — Falei totalmente ofegante. Meu rosto e o seu estavam bem próximos. Por impulso, fui inspecionando e memorizando seus traços.
Seus cabelos desgrenhados e pele, agora avermelhada com sardas solitárias em algumas regiões e gotas de suor me atraiam, assim como seus olhos verdes escuros, que cintilavam como o brilho de muitas estrelas. Seu rosto não era nem muito fino e nem muito cheio, com um nariz muito perfeito e lábios finos.
Os lábios. Imaginei se eles eram tão macios quanto sua pele, se eram quentes ou ásperos. Senti vontade de encostar meus lábios ali. Parecia tão tentador....
Ele parecia me memorizar como fazia com ele. Sua boca entreaberta me convidava.
NÃO!
Minha consciência gritou, fazendo com que eu me afastasse um pouco dele, voltando para a realidade. Me arrumei em cima dele, mas acabei batendo a cabeça na prateleira de cima, fazendo com que um monte de CDs caíssem em cima da gente, inclusive um na cara do mesmo.
— Aaai... — Falamos juntos.
— Você está bem?— ele me perguntou colocando a mão na minha cabeça.
—Sim... Alguns parafusos a menos não têm problema... — ele riu— Mas e você? Se machucou?
— Bem... — ele disse pegando o cd que o atingira— Levando em conta que é do Paramore não tem problema, mas se fosse algum funk ou restart (sem ofensa pra quem gosta, mas....) aí seria outra história. — Ficamos mais um tempo em silencio. Ele olhou no celular. — 10 minutos. Fiquei pensando, quer ir no shopping amanha? Tipo, eu, você, a Nana e o Lucas?
— Por que os macacos também? — perguntei sem nem perceber.
— Se eles não fossem, achariam que seria um encontro.
Verdade. Eu nem se quer sou namorada dele. Onde estava na cabeça de sair com ele só nós dois? É claro que ele não iria querer... Não sei por que, mas sinto que seria melhor se ficássemos presos aqui por mais tempo. Nós nunca conseguimos conversar à sós, e agora que podemos nos resta menos de 10 minutos. ONDE ESTOU COM A CABEÇA?
Estou parecendo aquelas menininhas apaixonadas dos mangás e animes. Tenho que acordar pra vida!
— Claro, por que não? — disse sorrindo. Ele pegou o celular e foi mexer, mas eu tirei da mão dele e fui jogar Five Nights at Freddy’s. Quando um animatronic pulou, eu acabei pulando também, quase esmagando o menino em baixo de mim.
— Quanto tempo falta? — ele me perguntou.
— Uns 5 minutos. Quer fazer o que?— perguntei.
— Bem... Queria saber melhor por que vocês moram sozinhas...
— Os meu pais receberam uma promoção, e com isso se mudaram para a Coreia. Eles iam levar aqui, mas eu não conseguiria deixar a liberdade e conforto que eu tenho no Brasil, até por que não queria, assim como minha irmã. O nosso apartamento já é pago e eles pagam as contas de lá, mas querem que a gente cresça, conseqüentemente nós é que fazemos compras e pagamos o que usamos no Brasil, mas o dinheiro que eles deixaram para os primeiras duas semanas já esta acabando, então tenho que encontrar um emprego logo... Ah, desculpe, acabei falando de mais.
— Sabe, tem um M-maid café perto da minha casa e eu soube que eles estão precisando de novas funcionárias, se você estiver interessada eu posso te levar lá na segunda feira.
— SERIO?? CARALHO, EU SEMPRE QUIS TRABALHAR EM UM MAID CAFÉ! — acabei me empolgando e nem percebi... ele soltou um riso. Olhei no celular, faltavam dois minutos ainda.
Nós nem conversamos, acho que cada nós estava meio perdido no seu próprio mundo. Ele olhava as músicas dos CDs e conversava comigo sobre elas, mas eu apenas concordava enquanto memorizava seu rosto o Maximo possível para desenhá-lo assim que possível.
Os dois minutos se passaram e finalmente pudemos sair. Na hora que fui levantar acabei tropeçando no vento e caindo de cara no chão. Como se não bastasse isso, Pedro ainda caiu em cima de mim. A sorte foi que Nana e Lucas estavam dormindo na cama dela....
ESPERA.... Lucas... Nana... cama... o que eu perdi??
Seria até fofinho se Lucas não estivesse com a mão na bunda da nana.
Hoje é um dia cheio de bundas.
É bunda do Pedro, bunda da Nana.
Só bunda grande també...
O QUEE?? FALEI NADAA
NA-DA.
Ouvi um barulho que era um roçar na cama — O cheiro da Nana... é bom... — Lucas disse a apertando contra o corpo dele.
— Tive uma idéia... — Pedro falou — Nick, vai enchendo a banheira com água gelada e deixa o chuveiro aberto.
Fiz o que ele mandou.
Quando voltei pro quarto, Pedro estava colocando Lucas sobre suas costas quase sem dificuldades. Fiz o mesmo com a Nana.
— Sabe, o que a Nana tem contra o Lucas?— Pedro perguntou pra mim.
— O Lucas tem cara de playboy e age como um. Minha irmã odeia isso. Opressores, bullers, esse tipo de pessoa que se parece bastante com o Lucas.
— Entendo... mas... você acreditaria se eu dissesse que desde que ele a conheceu, não tem mais saído com nenhuma garota que não seja ela? Acredito que ele pegava no mínimo 3 garotas por semana, e mesmo que tenham um monte de garotas correndo atrás dele, ele sempre as dispensa. Ele nunca fez esse tipo de coisa, o conheço desde o sexto ano.
— Não acho inacreditável. Na verdade, consigo ver que muitos garotos fazem isso quando encontram alguém que realmente se valoriza, como a Nana. Ela nunca ligou sobre o que diziam dela... De qualquer jeito, já estamos aqui, deixo pra te contar isso depois.
Nos aproximamos da banheira e jogamos os dois lá, segurando para não rir. Meio que a Nana ficou entra as pernas do Lucas, e ela é bem pequena comparada a ele, então ficou fofamente engraçado. Até que soltasse a primeira palavra...
— Filha de uma quenga, sua puta!- ela tentou me puxar pra dentro da banheira, *falhamente. Ela foi a procura de um outro plano e tacou toda água que suas mãos conseguiam prender em cima de mim.
— Acho que você não deveria usar roupas brancas pra brincar com água, irmãzinha— ela falou com um olhar malicioso.
Olhei pra baixo e vi meu sutiã azul com listras brancas, embaixo de uma camiseta que deveria ser branca mas estava transparente à essa altura.
Pedro ficou muito vermelho, mas não desviou o olhar. Por um segundo senti vergonha, mas descartei essa idéia ao ver o estado da minha irmã.
— Olha quem fala sua peituda!!— gritei ao olhar a blusa dela que estava igual a minha.
Ela olhou pra baixo e tentou, falhamente, cobrir seus seios com os braços.
Sim usei a palavra falhamente de novo e se quiser uso mais vezes
Falhamente, falhamente, falhamente, falhamente, falhamente, falhamenteeeee
Tá, parei.
—Wou, nunca imaginei que fossem tão grandes!- Lucas falou olhando pra nana e depois pra mim.— Que família linda e que mãe de útero abençoado!
Só depois de um tempo percebi que ele também se referia a mim. Pedro ficou vermelho de orelha à orelha.
— Não se preocupe, Pedrinho, a Nick é toda sua. Eu já tenho a minha.— ele disse abraçando a Nana e colocando a cabeça nos seios dela.
Ela deu um tapa na cara dele.
— O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA? Tratando mulheres como objetos... É algum tipo de estúpido estranho? Não vê o quanto isso é ruim? EU. NÃO. SOU. PUTA. Se quiser uma vai pra um puteiro! E não se refira assim aos seios das pessoas! Você bem que poderia tentar disfarçar que nem o Pedro, mesmo que tenha falho nessa missão!
Ela se levanta, pega uma toalha e vai para o quarto, batendo os pés e a porta.
— O que acabou de acontecer? — Lucas me pergunta.
— É uma longa história. Apenas... não aja assim com ela. Ela não é um objeto que você possa manusear como quiser igual fazia com as outras que namorou. De qualquer forma, acho melhor vocês irem embora.... Desculpem por isso...
— Que nada! Antes de ir... posso me secar? — arregalo os olhos...
Verdade... ele está molhado.
— S-sim! Disfarça! Eu já tinha esquecido.... me desculpe... vou pegar uma toalha!
Saí correndo e peguei uma toalha pra ele, que se secou e logo foi na frente.
— A-a gente ainda vai no shopping amanha?— Pedro me perguntou quando estava na porta.
— Claro! Avisa o Lucas, tenho certeza que a megera vai estar calma amanha — nós rimos, ele me abraçou e foi com Lucas adiante.
Um abraço....
Já é alguma coisa...
~~
Nana não me deixou entrar no quarto e tive que dormir na sala. Não foi assim tão ruim, fiquei vendo reprise de Doctor Who na TV até o sono bater.
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