Quase Normais
5 Entre Filmes e Comida Japonesa
Notas iniciais
Se tem algo que aprendemos hoje, é que devemos sempre conferir nosso celular antes de sair de casa e nunca comer comida japonesa perto do Pedro...
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Diário da Nana
La estava eu, de boas, vendo Steven Universe de pijama, jogada no sofá.
Vi a Nick descendo rápido escada abaixo. Ela estava toda arrumada. Saia mano.
ELA TAVA DE SAIA.
Deu merda, é oficial.
— Você ta indo num encontro? — perguntei colocando uma mãozada de cereal na boca.
— Hum? Não. Pedro nos chamou pra ir no shopping hoje — ela me respondeu colocando all stars. — Eu não te avisei?
— Não...
— Ah sim, eu não te falei porque alguém se trancou no quarto. Agora vai se arrumar!
— Tá! — Fui pro quarto, coloquei uma calça jeans branca e uma blusa preta do Nirvana, com coturnos pretos. Depois que saí do quarto, minha irmã estava me esperando. Por falar em roupas, ela estava usando uma saia preta, com um moletom cinza do BatMan, all stars vermelhos e meias listradas que iam até o meio da coxa. Percebi que ela estava de rímel, com um pouco de batom também.
Hum to de olho nessa zuera.
Eu só passei um rímel memu e fofi-si.
—-
Chegando lá na entrada do cinema que, de acordo com minha irmã, era o ponto de encontro. Avistei Pedro e....
Lucas....
Devia ter ficado na cama hoje. Cruzei os braços em negação.
Fomos chegando perto e Lucas estava, de alguma forma, tímido. Não sei como, mas parecia arrependido...
Ignore isso, Nath. Com certeza é só encenação dele.
— Já decidiram que filme vamos ver? — Nick falou animada.
— Ah, estamos pensando em um de terror. Tudo bem pra vocês?— Pedro perguntou. Ele estava com um jeans preto, uma blusa cinza e uma jaqueta preta com azul, sem falar nos tênis pretos... Parando pra pensar... Não são as cores que a Nick gosta? Hummm...
Lucas estava com uma blusa cinza também. Com uma jaqueta de couro preta, jeans cinzas claros, uma touca e tênis da DC.
— Por mim tudo bem! — a Nick falou, mas depois pensou melhor q olhou pra mim. Olhei para Pedro que estava me pedindo com os olhos. Já sabia o que ele queria. Mas o problema é, se o Pedro quer ver filme de terror por causa da Nick, então eu vou ter que ficar com uma pessoa...
Já sei! Posso entrar antes e pegar o lugar de uma das pontas! Assim eles sentam no meio e....
Mas espera... É um filme de terror. Sempre que eu vejo filmes de terror eu fico grudada na Nick e em mais uma almofada! Impossível.
Mas ela está tão na do Pedro... Aaaaah!! O que eu faço???
— Pode ser, eu acho — Pedro me pareceu aliviado. Olhei para Lucas, esperando por uma piadinha sem graça, mas ele ficou, inesperadamente, quieto.
Se ele acha que tudo vai ficar normal como antes, ele que vá na fé!
Pedro e Lucas foram comprar os ingressos, e logo fomos na livraria. Falamos que íamos nas frente, mas fomos paradas por uns dois garotos.
— Hum, vocês são bonitas, estão acompanhadas? — um deles chegou, abraçando minha irmã pela cintura. Ele era loiro e tinha um alargador.
— N-na verdade sim — ela tentou responder.
— Estranho, não vejo mais ninguém — um moreno falou fazendo o mesmo que o outro e passando a mão na minha cintura. Minha irmã olhou pra trás e tinham dois garotos de olhares matadores. Ela puxou Pedro.
— E-ele é meu namorado! — ela falou e o abraçou, fazendo com que o louro se distanciasse. Pedro era uns 3 centímetros mais alto que Nick. Por falar nisso, essa pulta tem 1,67.
1,67 MANO! Estou cercada por gigantes!! ;-;
— E você? Também tem namorado? — o Lucas me olhou com esperança.
— Na verdade, não estou interessada em ninguém no momento — falei esse “ninguém” olhando bem nos olhos do Lucas, que se espantou, fazendo uma espécie de chama aparecer nos olhos negros dele.
— Então não ligara se te roubar um pouquinho dos seus amigos, né? — fiz uma cara de nojo quando ele aproximou seu rosto de mim.
— Na verdade, sim, eu ligaria sim. Pode me dar licença, eu estou ocupada agora — me soltei dele e fui tentar andar, mas ele me segurou pelo rosto. Mas depois olhou atrás de mim.
— Tem certeza que está sozinha? Pela cara do seu amiguinho não parece muito isso — virei-me para olhar Lucas, e ele estava quase estraçalhando o menino com os olhos. Ele me puxou e colocou a cabeça sobre a minha.
— Na verdade, ela está acompanhada sim, e se nos dá licença...
Ele começou a me puxar pra longe. Olhei para trás, Nick e Pedro estavam andando abraçados, pelo menos uma coisa fofa nisso tudo.
— O que está fazendo? Posso me defender sozinha!! — falei pra Lucas, tentando me soltar. Merda, esse gigante é forte.
— Como posso te deixar “se defender” com esse tamanico? — ele falou sem me olhar.
— Mas eu sou forte! — respondi.
— Como eu já disse, você é forte, mas é leve. Qualquer um pode te amarrar, pegar nos ombros e sair arrastando por aí. Você é uma garota, não posso deixar que faça isso com si mesma — ele concluiu. Calei a boca, pois de certa forma, concordava com ele. Ele continuou me arrastando até a livraria, e foi o mesmo que os outros ali atrás.
Quando chegamos lá, Lucas me soltou, assim como Pedro soltou a Nick.
Eu e ela fomos dar uma olhada nos livros de ficção. — Humm, namorados, né? — falei levantando as sobrancelhas.
— Qual é? Você sabe que é mentira — fiz cara de desgosto e voltei o olhar para os livros.
— Mas você e o Lucas, em? — ela me falou. — Viu o olhar que ele fez? Estava totalmente enciumado!
— Eu em! Você sabe porque eu não gosto do Lucas. Eles são todos iguais, esses meninos tontos que se acham. Você tem sorte de gostar do Pedro, ao menos ele é um bom garoto.
— Eu não sei se gosto dele... — ela falou se avermelhando.
— Ah, me poupe! E quanto ao “ele é meu namorado”? Por que não rolaria? Vocês são tipo “casal perfeito”, e tipo, “super-shipp”, tendeu?
— Ah, mas vocês são tão fofinhos! É tipo aquele anime, Toradora, sabe? Uma baixinha tsundere e um moleque alto! Além disso, vocês sempre estão trocando provocações... Por falar nisso, sabia que ele quase morre de vergonha quando elogiam-no? Tipo, ele fica super-vermelho.
— Serio? Interessante....... Pera, tsundere?? Toradora? Está falando que vamos nos casar no final? Me poupe!! — saí de perto dela e fui ver algum outro livro. Comecei a olhar as estantes, até que uma lombada me chamou atenção.
Puts...
Ela ta lá no alto...
Comecei a pular pra tentar pegar o livro, mas nada. Vi uma mão passando em cima de mim e se passando por todas as lombadas. — É esse? — Lucas me perguntou quando chegou à uma branca, escrito em vermelho “Trono de vidro – Coroa da meia-noite”. Acenei positivamente com a cabeça, ele tirou de lá e me deu, com um sorriso sincero.
Peguei o livro dele — Não sorria assim pra mim — falei normalmente e saí de lá, procurando um lugar calmo pra ir. Li os primeiros dois capítulos para matar a curiosidade que tenho passado desde que acabei o primeiro livro.
Senti uma mão no meu ombro e era a Nick — Vamos, temos que comprar pipoca. O filme já vai começar — assenti e saí, deixando o livro em cima da cadeira que eu estava. Fomos saindo, o que mais demorou pra chegar foi o Lucas.
Já no cinema, a gente comprou dois baldes de pipoca, do tipo, os baldões. Quando entramos na sala, fui descuidada e acabei pegando o meio ao invés da ponta. Que merda Nick! Vou matar essa pota quando chegarmos em casa!
Quando lembrei de desligar o celular, tive uma surpresa nada agradável. Uma foto. Eu, Lucas, dormindo, cama, mão na minha bunda.... O QUE FOI QUE EU PERDI?
Olhei para Lucas, que também estava olhando para a foto. Nick. Só pode ter sido obra dela. O que mais me surpreendeu é que Lucas estava totalmente vermelho. Parecia um farol, dava pra ver até no escuro. A Nick percebeu, pelo visto, que Lucas estava vermelho.
— O que foi que aconteceu?? — ela perguntou. Depois olhou no celular— Ahh... A Nana tem cheiro bom, né, Lucas?
Olhei para Lucas com um olhar matador, mas ele estava meio...
— B-bem... Eu fui te abraçar mas... eu, tipo... caí no sono..... — ele tentava explicar. Pensei em dar um tapa na cara dele, mas tem muita gente aqui. Depois faço isso.
O filme começou naquele típico clichê de um protagonista saindo do quarto por ter ouvido um barulho estranho. Pode parecer estranho, mas eu já estava me cagando. Mesmo assim me recusava à agarrar qualquer coisa durante o filme.
A cada barulho eu dava um gritinho e um pulinho ao mesmo tempo, agarrando minhas pernas e o que eu podia. Olhei para minha irmã e ela estava rindo dos personagens junto com Pedro. COMO ELES CONSEGUEM RIR DISSO??
Olhei para Lucas e ele parecia entediado. Ele me olhou, e depois pro casal do nosso lado, e voltou a olhar pra mim. Ele subiu o braço da poltrona e me abraçou, tampando meus olhos e apoiando minha cabeça no seu peitoral. Estava com tanto medo que nem liguei.
O filme acabou depois de um tempo, e eu nem percebi, mesmo que tenha saído de lá gritando Aleluia.
— Vamos no banheiro, ta? — Nick perguntou e saiu puxando Pedro. No começo eu fiquei de boas, mas me lembrei de uma coisa, Pedro nem é uma garota, por que ele foi com a maninha?
Inicialmente pensei em “coisas”, mas depois recebi uma mensagem da Nick no celular.
“Boa sorte (。・д・)ノ゙.*. ゙ ”
Olhei para Lucas que também tinha olhado o celular. Ele suspirou e guardou-o de volta. — Nathalie.... E-eu queria me desculpar.... — ele estava com vergonha e não me olhava nos olhos. — Eu sei que você não é esse tipo de menina que se joga em qualquer garoto por aí, e que não é desesperada... É só que... Ahh, é difícil!
— Não. Tudo bem. Também queria me desculpar — ele me olhou meio surpreso. — Eu passei por vários problemas com garotos feito você, então eu acho melhor manter alguma distancia. Mas você é legal e tals, então tenho um pouco de receio de te odiar.
— Como assim? — ele me perguntou.
— É que ele... Ah! Esquece. Vamos logo! — comecei a arrastá-lo por aí, apenas para passar o tempo e procurar aqueles dois pombinhos.
Diário da Nick
Depois de mandar a mensagem para a Nana e para o Lucas, espero que eles se resolvam.
— O que vamos fazer agora? — Pedro me perguntou.
— Nhya, quero ir no Hot’n Roll, vamos? — perguntei com um sorriso.
— Mas você acabou de comer!!
—Ehh... Cala a boca — falei e o arrastei até a praça de alimentação. Peguei praticamente só sushis, gyozas e um pouco de frango teriaki. Paguei – caia entre nós, caro pra porra!- e fui sentar na mesa que Pedro pegou. — Não vai comer nada?— perguntei.
— Acho que não — coloquei um sushi na boca. Eu amo sushiiiii! Pelo visto ele percebeu, levando em conta que riu um pouco. Comi mais um pouco, e quando peguei um de salmão com cream cheese ele abriu a boca.
— O que está fazendo? — perguntei.
— Ehh? Eu quero um! — ele falou e abriu a boca de novo.
— Então vá pegar!
— Não... É muito longe e eu vou ter que pagar. Por favor, só um pouco!
— Certo, só porque você vai ficar me atormentando... — ele sorriu, fechou os olhos e abriu a boca — E-ESPERE! Eu vou ter que te dar?? — ele assentiu com a cabeça. Fiquei um pouco vermelha, desviei o rosto e coloquei na boca dele.
— Awwn, olha que fofo esse casal! — uma menina exclamou. Olhei para ela, que estava com um garoto um pouco mais alto.
— Verdade... Bem que você poderia fazer isso de vez em quando... — ele falou. Ela se emburrou e o garoto deu um selinho nela. Fiquei ainda mais vermelha e tirei os palitinhos da boca dele rapidamente.
Peguei um gyoza, e quando estava indo colocar na boca, encarei o moreno que sorria com a boca aberta como se pedisse mais — Ahh! Vai se fuder!! — falei colocando o gyosa na sua boca e vendo sua expressão de alegre.
Acabamos de comer e fomos no *Magic Games. Essa bagacinha é tipo um “parque de diversões” dentro do shopping. É meio difícil de explicar, mas tipo assim, tem vários brinquedos e vídeo games pra se divertir com os amigos quando vai no shopping e tals. Pedro comprou uma fixa e foi inventar de jogar naquela bagacinha de urso de pelúcia com gancho.
— Qual você quer? — me perguntou convencido.
— Se for assim, quero um desse! — falei apontando para um gatinho de várias costuras. Achei ele bonitinho, mesmo que estranho.
— Você tem um gosto estranho, mas eu concordo que é legal — ele sorriu pra mim e tentou pegar.
Só tentou mesmo. Ele tentou duas vezes e não conseguiu.
— Esse negocio ta roubando! — ele falou.
— Não, você que noob mesmo — digo indiferente
— Ai!
— É só a verdade. Quantas você ainda tem? — perguntei
— Duas...
— Só preciso de uma! — falei pegando da mão dele. Posicionei da forma que sempre faço. Coloquei um tanto a mais para trás, e mais pra direita e...
— COMO VOCÊ FEZ ISSO?? — ele me perguntou apontando para o gatinho com cara de quem não acreditava.
— Segredo.... — falei encostando o urso nos meus lábios — Toma, acho que você precisa mais!
— Ei!! — ele reclamou mas pegou mesmo assim. — Eu vou pegar pra você naquela ali!— aquela máquina, minha maior inimiga.... Sabe as máquinas de pegar ursinhos, só que avançadas, que você tem que empilhar os quadradinhos até chegar no premio final? Então, ele falou que ia pegar um naquela bagaça!! — Vai escolhendo qual você vai querer.
— Certo, quero o Gato Cheshiere. Mas sabe que não estou pondo tanta confiança em você, né?
— Eu sei, mas essa eu consigo! — ele colocou a fixa, e quando fui perceber o maldito já estava com o gato na mão. — Não falei?
— C-como?
— Ué, segredo — ele riu e me deu o gato. Balancei a cabeça negativamente. Não acredito que ele falou isso!
Fomos no Looping, um brinquedo que tipo, acho que o nome fala tudo. Ele fica dando loopings de frente e de costas. Desejaria não ter comido tanto antes de inventar de ir nisso!
Também fomos no Just Dance e no Guitar Hero. Coloquei o gatinho que dei pra ele dentro da minha bolsa e o meu do lado de fora porque é muito grande...
Passamos mais um tempo conversando e jogando, até que ligamos pro Lucas e ele estava com a Nana na entrada. Comprei um Milk-shake, fui obrigada a dividi-lo com o Pedro e quando chegamos na entrada Nana e Lucas faziam o mesmo com sorvete. Acho que foi um bom dia pra sair de casa! E pelo visto a anã lá e o Lucas já estão se dando bem de novo.
~~
O resto do dia se resumiu em tomar banho, ver desenho e dormir. Mas temos que dizer que foi um ótimo dia.
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