Quase Normais
6 Baunilha é bom...
Notas iniciais
Diário da Nath
As pessoas são estranhas. Em um momento fofas, outro grossas, em um bonitas e no outro já nem tanto, em um legais e no outro... pervertidas...
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Era segunda de manha, e eu estava no banheiro, escovado os dentes.
Nick ainda não fez sua vingança, estou ficando preocupada...
Se bem que ela não é muito de se vingar mesmo, então foda-se!
Sai do banheiro, olhando para os lados por uma razão imensamente irrelevante, e fui para o quarto, dando uma olhada na minha estante. Vi lá o espaço para o livro que queria comprar. Quando cheguei na livraria depois já tinham levado o ultimo.
DEMOROU DUAS SEMANAS PRA ACHAR AQUELE EXEMPLAR!!
Droga, o jeito é começar a sair de casa sempre com dinheiro.
— Nanaaaa! Vamos logo se não a gente se atrasa! — minha irmã gritou da sala.
— Já estou indo!! — respondi enquanto erguia minhas meias até o meio da coxa, e saia de lá colocando os tênis.
–-
Quando entrei na sala, vi o Lucas com uma sacola na mão. Sentei no meu lugar e logo ele colocou a sacola na minha mesa. Estranhei.
— Bom dia! — ele falou com um sorriso.
— Bom... dia? — estranhei.
— É pra você!
— Eu percebi, mas... o que é isso?
— Abre para você ver — ele abriu ainda mais o sorriso. Isso está estranho.
— Não, eu em, vai que é uma bomba... — falei e ele parou de sorrir um pouco, olhou nos meus olhos e fez uma espécie de biquinho que não sei descrever.
— Não é uma bomba... — ele falou meio... fofo? O que está acontecendo Juliana? — Você vai gostar, é serio...
Revirei os olhos — Certo, certo. Eu abro! — ele abriu novamente um sorriso tímido e eu fui desembrulhando. ERA MEU LIVROOOO! Tinha um bilhete também. Guardei-o no meu estojo, me levantei e deu um abraço nele. Minha cabeça batia no seu peito e ele acariciou minha cabeça. — Valeeeu!! Eu queria muito esse livro!!
— Aff, Nathalie, volte pro seu lugar que hoje não é dia dos namorados para agarrar o Lucas assim — a professora Ana Flavia disse entrando na sala e fazendo várias pessoas rirem. Me sentei atrás da Nick e na frente da Gabi, com Lucas do meu lado, Pedro na frente dele e Lia atrás.
A professora começou a aula. Eu estava até prestando atenção até que...
Olha, um mosquito! Ooi~
Ele pousou na carteira do Lucas, e eu fiquei encarando-o. Depois subi o olhar para Lucas, que me parecia concentrado e, ao mesmo tempo, desesperado por não estar entendendo nada. Comecei a reparar no cabelo dele e em seus olhos escuros que estavam reluzindo por causa da iluminação.
Passei o olhar pela boca dele, tinha uma expressão de mau-humor com um pouco de desentendimento, e depois ele começou a falar sozinho e dei um sorriso. Que menino estranho...
— Como será que seria a sensação dos lábios dele no meu pescoço...? — pensei em voz alta, sem nem perceber que tinha falado ao invés de pensar. A professora olhou pra mim levantando uma sobrancelha.
— Desculpa, o que disse Nathalie? — ela me falou. Acordei do transe.
— Ham? Que? Nada.
— Então, pare de olhar pro Lucas e preste atenção na aula — ela me deu um sorriso, eu corei e ela se virou para o quadro. Olhei para Lucas que estava com uma cara meio maliciosa, mas um pouco vermelho também. Senti um cutucão.
— Ei, ei, ei... — me virei para Gabi — Eu ouvi isso — me disse fazendo uma cara maliciosa.
— Ehh... ouviu o que? — falei como se não soubesse de nada.
— “Ahh, como será que seria a sensação dos lábios dele no meu pescoço?” — ela falou com as mãos no rosto e uma cara de pervertida, tentando imitar minha voz.
— Ei! Eu não falei assim!! — resmunguei e percebi um papel dobrado sobre a minha mesa. Olhei para o lado, mas ninguém deu sinal de ter me enviado aquilo. Abri o bilhete.
“Se está tão curiosa sobre isso, poderíamos tentar algum dia”
Corei desajeitada, deixando o papel quase cair no chão. Olhei para Lucas e ele sorria maliciosamente. NÃO É MAIS FOFO!!
“SE FUDE!!” ~mandei de volta para ele.
Quando ele viu soltou um risinho sincero e mexeu os lábios em minha direção.
–Me obrigue- — ele fez com a boca, sem soltar voz.
Mostrei a língua pra ele. Vou matar esse ‘leke!!
Ele fez encenação de um beijo zoado e eu comecei a rir. A professora me olhou e eu fiz pose de séria.
— É, Nathalie, acho que eu deveria deixá-la longe do Lucas por um tempo — ela enunciou.
— Ótimo, agora a culpa é minha! O mundo esta conspirando contra mim! — reclamei. A professora começou a rir.
— Só você e a sua irmã mesmo pra causar tanta confusão! — A professora exclamou.
— Que? O que eu tenho a ver com isso? — Nick perguntou fazendo a sala rir.
— Bem, foi você que levou advertência na primeira semana de aula — Lucas relembrou-nos.
— M-mas foi tudo por culpa do Pedro! Se ele não tivesse derrubado meu bolo não teríamos sido mau-compreendidos! — ela se defendeu.
— C-claro que não! É tudo culpa do......... Lucas! — Pedro exclamou.
— Pera... que? — Lucas falou como se não tivesse entendido.
— Se você não inventasse de cantar a Nath em alemão nós nunca estaríamos numa dessas. Você é totalmente culpado — o moreno observou.
— Ah, vai dizer que você não queria conhecer a Nick? Até viu qual dos clubes ela estava só para stalkea-la! — Lucas gritou. Pedro corou e fez uma cara de “Ehhhh, sei de nada não parça”.
— Que? — Nick falou corada se virando pro Lucas.
— É, E TEM MAIS! Um dia... — Lucas tentou declarar, mas logo teve a boca tampada por Pedro.
— CONCORDO COM O PEDRO! O LUCAS É CULPADO POR TUDO ISSO! — confirmei.
O Lucas destampou a boca — Que?? Não era eu que estava pensando como seria sentir os lábios de alguém no meu pescoço!!
— Isso é uma história completamente diferente — afirmei corada. Pedro e Nick ficaram me olhando com uma cara de “O que foi que eu perdi?”
— Se bem que poderíamos descobrir isso na hora do intervalo — ele sorriu malicioso.
— Chega, chega! — a professora interrompeu antes que eu pudesse abrir a boca. — Lugar de acasalamento não é na escola! Agora, vamos voltar pra maté... — o sinal bateu — Certo, vocês venceram dessa vez. Mas antes, Nick, Pedro, Nath e Lucas, venham aqui que quero falar com vocês.
Ficamos com uma cara tipo “Ihh, sobrou pra nois...”
— Certo, a partir de amanha quero ver vocês assim, Nath na ponta da direita, Lucas na da esquerda, Pedro no fundo da direita e Nick na ponta da esquerda. Entendido?
— Mas a gente não fez nada! — Nick e Pedro falaram em uníssono. Awnt, que fofos.
— Não quero saber! Desculpe a palavra, mas vai dar merda se deixar vocês perto um do outro! É até bom, vão poder conhecer outras pessoas. Entendido?
— Taaa... — falamos juntos iguais a zumbis.
— Agora, vão sentar! — ela falou e saímos de lá, aproveitando nosso ultimo dia sentados um do lado do outro.
–-
Na hora do intervalo, fomos andar no pátio. Quando estávamos passando de baixo de uma árvore, o Lucas se jogou, sentando no chão do nada.
— O que você ta fazendo? — perguntei.
— Vamos! É legal sentar aqui! — ele respondeu.
— Quantos anos você tem por acaso? — Nick perguntou, mas se sentou no chão também.
— 17 — ele respondeu.
— SEU BURROOO!! TU REPROVOU DE ANO! — gritei batendo na cabeça dele, e vendo Pedro se sentar do lado de Nick.
— Eu não reprovei, entrei atrasado... — ele resmungou — Agora senta logo! — ele me puxou no colo dele, me segurou forte e deu um beijo no meu pescoço. Estremeci dos pés à cabeça. — Eai, a sensação foi boa? Matou a curiosidade?— me perguntou.
— Kyaaa! Me largue seu... seu... pervertido!! — falei tentando me levantar, mas ele estava me segurando forte.
— Só se você falar como foi a sensação — ele me apertou mais.
— Foi horrível! Pior beijo da minha vida! — gritei tentando me afastar.
— Humm, então acho que terei que fazer essa opinião mudar — ele disse me dando outro beijo. A sensação quente e macia dos seus lábios me trazia conforto... Não acredito que gostei disso!! Eu sou a pervertida?? Não! Definitivamente não! Deve ter droga na minha bolacha, só pode! — E agora? Foi melhor? — Fiquei quieta. Eu estava totalmente vermelha. Não sabia como dizer que tinha gostado daquilo. — Está tão quieta... Acho que vou ter que fazer de novo...
— Certo, certo, foi bom, foi bom!! Agora me solte! Eu não sou um brinquedinho para que faça o que quiser! — ele me soltou e eu me sentei do lado do Pedro, o mais longe possível do Lucas. Quando fui espiar, ele estava com cara séria me olhando.
— Eu te magoei? — ele me perguntou. Fiquei pensando um pouco — É que eu estava tão feliz que você demonstrou um sentimento por mim...
Cruzei os braços e inflei as bochechas — Eu não demonstrei sentimento nenhum. Era só uma curiosidade, do tipo, se vocês ficam curiosos para saber.... Se os peitos das meninas são macios.
— Ehh, nem todo menino pensa nisso...... — Pedro falou ficando vermelho e abaixando a cabeça.
— Pedro? Não sabia que você era... um pervertido — falei com cara de quem não acreditava, mas percebi que ele estava ainda mais vermelho — Se quer tanto saber, então descubra! — exclamei e empurrei-o na Nick. Ele caiu em cima dela com uma mão de cada lado, e ela se protegia com as mãos na região do peitoral dele. — Mierda! Meu plano deu errado... — falei de cara feia. Pedro se levantou e ajudou Nick a levantar, mas quando ela estava se sentando, Lucas a empurrou e ela sem querer se prensou no Pedro com os peitos dela. — ISSO! Bate Lucas!
Me levantei e dei um hi-five com ele. É assim que se faz! Minha irmã estava olhando furiosamente pra mim e para o Lucas, enquanto Pedro ficava olhando pro além como se não acreditasse que aconteceu isso.
— NANAAA... LUCAAS... EU VOU MATAR VOCÊS! — ela gritou com uma aura negra em volta. Lucas pegou na minha mão e nós saímos correndo para a sala de aula, já que o sinal já ia tocar, mas...
— Lucaaas... você é muito rápido... — reclamei
— Nem sou, você que é lerda com essas pernas curtas! — ele falou. Entramos na sala de aula, eu tropecei e acabe caindo no colo dele. Isso não o derrubou por que... bem... ele é uma muralha, mas ele me pegou nos ombros e ficou olhando nos meus olhos.
Por alguns segundos, viajei dentro de seus olhos negros-brilhantes como o céu estrelado. Meu olhar desceu para sua boca. Isso não vai prestar. Ele ia chegando mais perto e mais perto, e abrindo a boca lentamente. Fui fechando os olhos.
O sinal bateu.
A PORRINHA DO SINAL BATEU.
NUNCA SENTI TANTO ÓDIO DESSA MERDA DE SINAL EM TODA A MINHA VIDA!
Ele me soltou e, aos poucos, as pessoas foram entrando na sala. Eu estava muito corada e Lucas também. Não trocamos nenhum olhar ou ofensa durante as ultimas aulas.
O sinal do ultimo período tocou. Os meninos já haviam saído da sala, mas eu e Nick ainda estávamos arrumando o material.
— Ei... O que foi que aconteceu com você e o Lucas? — ela me perguntou. A imagem do quase beijo voltou para minha cabeça, me fazendo corar fortemente. Ela deu um sorriso malicioso — O que aconteceu, Nanazinha?
— Ehh... Nada... Nada. NADA! Não aconteceu nada — falei enquanto tacava todo meu material na bolsa.
— Quem nega de mais, esconde algo... — arrepiei — Mas, no problem, depois você me conta. — ela estava indo em direção a porta — Ah, sim. Vou procurar um emprego hoje depois do clube, então vá na minha frente. — Afirmei com a cabeça e ela saiu da sala.
Segui andando até o clube, sem pressa, não queria ser a primeira a chegar, mas quando cheguei, eu era realmente a última. Ao todo são três garotos e duas garotas, duas guitarras, um baixo, vocal e bateria.
— Impressão minha ou ta muito calor aqui? Tem problema se eu ligar o ar? — ele perguntou para os outros, que se fizeram de indiferentes. Ele ligou o ar e começou a falar — Bem, eu estava pensando se vocês não querem tocar em algum lugar nas sextas. Tipo em uma matinê ou em algo do tipo...
— Eu estou fora. Estou no terceiro colegial e não tenho tempo para isso. Além de tudo, só toco por tocar, não quero fazer nada nessa área. Desculpe. — disse o que era segundo guitarrista, saindo da sala.
— EU QUERO! — disse a Isadora, a vocalista — Parece ser interessante.
— Ahh, eu não sei não cara... não sou muito bom com platéia — disse o Murilo, baterista.
— Vamos, vamos!! Vai ser legal Murilo! — Isadora disse, balançando ele pelo braço.
— Tá... Acho que eu posso tentar... — Ele respondeu corado. Hummm... eu acho... Que o Murilo gosta da Isadora. Shipei.
— Essa idéia é muito legal e eu topo! — falei, e dei um espirro depois. — Que friiiio.
— Ah, pega minha blusa! — Lucas falou e me deu sua jaqueta. Passamos o resto do dia vendo lugares que poderíamos tocar. Foi bem divertido. Deixamos para ligar amanha para agendar um show, espero que tudo de certo!!
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Voltei para casa, sozinha, já que a Nick foi procurar um emprego... Por falar nisso, agora eu tenho um também, hehe. Deitei no sofá e me toquei que ainda estava com a jaqueta do Lucas. Coloquei a manga perto do meu rosto.
O Lucas... cheira a baunilha...
Ehh, se alguém ler isso, acho que acabo com a masculinidade dele.
Tirei a jaqueta e a abracei, caindo no sono no sofá mesmo.
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Acabei sonhando com aquela cena de quase beijo em campos com flores de baunilha... que estranho.
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