Quase Normais
7 Bambino... WTF?
Notas iniciais
Diário da Nick
Cinco e meia da tarde é realmente muito perigoso para uma menina andar sozinha na rua...
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— E-eles são grandes.... — Pedro murmurou olhando pra mim, que batia as palmas das mãos uma na outra. Olhei para ele, ai se olhar matasse.
— O que disse, Pedro? — perguntei com ironia.
— N-Nada! — Ele gritou, pegou na minha mão direita e saiu andando — Vamos logo, o sinal já vai bater... — seu rosto estava corado e virado para baixo. Andamos até a sala, mas quando chegamos lá a Nana e o Lucas estavam agindo muito estranhos.
Imaginei o que podia ter acontecido. Eu sei que eles não podem estar brigados porque a Nana fica de bico quando está com raiva e o Lucas fica todo atiçado quando briga com ela. Talvez eles....
Tenham se beijado!
Será?? Mano, agora eu to curiosa, preciso saber urgentemente!
Peguei meu celular e coloquei ele com a câmera frontal virada para Nana, que estava toda sonhadora e, ao mesmo tempo, hesitante. É definitivo! Se não for beijo eu não sei o que foi!
Criando várias teorias em minha cabeça e as rabiscando num sulfite que trouxe de casa, acabei desenhando os dois se beijando. Foi meio que automático! Quando me toquei, coloquei com tudo o desenho dentro do bolso. Quero muito saber o que aconteceu!
As últimas aulas se passaram (finalmente), e eu acabei enrolando o suficiente para poder conversar com a Nana quando todos já tivessem saído. Perguntei pra ela o que tinha acontecido mas ela se negou muitas vezes.
Definitivamente tem algo nisso, ela é a primeira que diz que quem nega muito tem algo a esconder. Vou perguntar melhor quando chegarmos em casa.
Hoje é segunda, o que significa clube de desenho.
Ando até a sala do clube, onde Gabriel e Lia estavam sentados em uma mesa para três. Peguei meu lugar e fui tirando meus lápis de dentro da bolsa.
Peguei um 2B e um 6B, comecei a desenhar. Era um garoto ajoelhado, segurando a cintura de uma bailarina. Não estava com muita criatividade, mas minha cabeça estava cheia de LuNa!
— Por que você demorou, Nicolezinha? Por acaso estava conversando com seu bambino? — Lia me perguntou, com uma cara meio maliciosa. Biel riu.
— Humm, então a Nick tem um namorado? Quem é? — o loiro disse.
— Ui, já ta com ciúmes Bielzinho? — a loura perguntou me fazendo rir.
— Primeiramente, eu estava conversando com a Nana — olhei para Lia —, e segundamente, bambino?
— Sei lá mano, ele é italiano, tendeu a piada? Bambino... Italiano... — ela falou fazendo mexendo as mãos como se estivesse tentando ligar uma coisa na outra.
— ... Que bosta — Biel disse me fazendo rir, mas levando um tapa na cabeça dado pela morena. — Por falar em “bambino”, o que foi toda aquela pegação entre sua irmã e o Lucas?
— Vai por mim, você não é o único que quer saber. Eu também estou assim, sabe? — falei mexendo a cabeça e os braços. Eles fizeram que não com a cabeça — Ah, deixa! Vocês não vão entender.
— Nossa, desculpa aí! — ele disse com sinal de rendição. Apenas peguei meu lápis e continuei a desenhar. O rosto de belos traços de Pedro veio em minha cabeça. Comecei a desenhar antes que perdesse o rosto da cabeça.
Primeiro fiz a lápis, com poucos detalhes, apenas para ser a base. Depois disso, passei à caneta uni-ball. Comecei a fazer as sombras e estava tudo indo muito bem, mas...
— O que está desenhando Nick? — Lia perguntou indo me ver desenhar. — Espera, esses traços....
— Ei! Esse parece muito o Pedro. Então — Biel olhou pra mim meio malicioso—, esse é o seu bambino? — eles riram e eu suspirei alto.
— Antes fosse, ele apenas tem traços bonitos pra se desenhar. Já tentaram? — perguntei me virando para eles. Lia pensou um pouco, mas pegou uma folha em branco e tentou imitar meu desenho.
— Pior que é verdade! É muito bom desenhar ele. Ah! Será que ele topa vir algum dia pra servir de base? — ela me respondeu. Olhei para Biel e ele estava meio receoso, mas deu de ombros.
— Eu duvido um pouco, ele é do clube de xadrez — ela deu de ombros e voltou a fazer o que estava fazendo antes, assim como eu e o Biel. Passou um tempo e olhei para o relógio, que marcava a hora que devia me encontrar com o Pedro — Ihh! Falou, gente. Tenho que ir — disse guardando o desenho numa pasta dentro da minha bolsa.
— Um encontro com seu bambino? — Biel brincou soltando risos.
— Talvez seja — falei mandando um beijo para os dois e os deixando perplexos enquanto acenava e saia da sala. Nem é bem um encontro, mas eles não precisam saber, vou deixá-los na dúvida.
Corri pelos corredores, indo para a sala de xadrez. Ele ainda não tinha saído, então decidi esperar sentada do lado da porta. Abri o desenho da Nana e do Lucas — O que será que aconteceu? — murmurei pra mim mesma, e senti um chute em minha cintura e logo vi o Pedro caindo com as pernas em cima de mim.
— Da onde você brotou?! — Pedro falou saindo de cima de mim e se sentando do meu lado no chão.
— Tá vendo esse vão? Então, eu era uma sementinha que o clube de jardinagem derrubou, eu acabei germinando e brotando aqui — falei com ironia. Pedro fez aquela risada forçada de quem não achou graça e se levantou, dando a mão pra mim.
Eu a segurei e me levantei também — Temos que achar Lucas agora. — ele falou.
— Lucas? O que ele tem a ver com isso? — falei meio desentendida.
— Ah, a gente nunca disse, né? Somos vizinhos a bastante tempo sem falar que nossas mães são amigas, por isso que sempre que vêem um, vêem o outro, entendeu? Somos como irmãos de criação. Acho que foi assim que simpatizamos com vocês — ele respondeu.
— Entendi! Que legal — dei um sorriso. Fomos para a quadra para encontrar o senhor pegador, mas ele já estava com uma garota de cabelos tingidos de rosa.
— Qual é? Eu sou bem mais gostosa! Por que você não deixa aquela menina simples de lado e vem comigo? Tenho certeza que posso te satisfazer bem mais do que ela — a garota falou. Sua voz era enjoativa, como se fizesse aquele tipo de voz só pra agradar os outros, mas não agradava nem um pouco. Era uma voz muito fina, com um tom que deveria ser amoroso ou talvez sexy.
— Eu não posso fazer isso Katy, não com ela — Lucas falou. Eu e Pedro só ficamos em silencio esperando no que daria.
— Não é isso que sua natureza diz — ela falou colocando a mão dentro da calça do maior, mas olhando surpresa pra ele logo depois. Olhei para Pedro, ele olhou pra mim e nós dois estávamos completamente corados. — P-por que você...? — a voz nojenta ecoou e me fez olhar pra lá de novo.
— Eu já disse, eu gosto da Nathalie, por isso essas coisas não funcionam mais comigo — ele disse e tirou a mão dela de lá.
— M-mas por que? Eu sou bem mais bonita e... — ela caiu de joelhos no chão.
— Eu também não sei, apenas sinto que não posso magoá-la mais. — ele andou em nossa direção, mas quando nos percebeu realmente e lembrou-se do que tinha dito, ficou completamente corado, e segurou nós dois pelos pulsos, nos tirando de lá.
— Lucas, eu te avisei para não brincar com fogo! O que está fazendo? — Pedro disse bravo.
— Desculpa, você sabe que fiz aquilo, mas não pensei que daria tanta treta assim! — Lucas tentou se defender. Eu estava boiando totalmente.
— Eu te avisei para desmentir, mas você nunca me ouve! — o moreno gritou.
— Espera! — falei — O que está acontecendo? — Lucas parou de andar — Desmentir? Treta? Avisou? Avisou o que?! — Pedro olhou para Lucas com seriedade.
— Certo, eu falo! — disse o alto — Alguns dias atrás, umas garotas chatas vieram pra cima de mim e eu disse que já tinha namorada, e que a namorada... Era sua irmã...
— VOCÊ DISSE O QUE? — gritei, metralhando-o com os olhos — Você tem problema? Se a Nathalie descobre o mundo explode e a galáxia é engolida por um buraco negro!
— É exatamente por isso que Lucas teve uma ótima ideia— Pedro ironizou. — Vamos, Lucas, diga qual foi sua ideia genial.
— TransformarNananaminhanamoradadeverdadeantesqueeladescubra — Lucas falou, mas falou tão rápido que eu nem entendi direito, mas eu já tinha uma certa ideia formada na cabeça.
— E como você vai conseguir isso? — Pedro falou com um tom de falsa animação.
— Vou seguir os conselhos da minha irmã mais velha, das minhas mais novas e da minha mãe! — ele falou, triunfante.
— Se for assim, você nunca ira conseguir — Pedro falou mostrando o polegar.
— Pelo menos eu já dei o primeiro passo! — ele disse vitorioso.
— E tropeçou no próprio pé — Pedro completou em fazendo soltar uma risada de deboche. Aí eu me lembrei.
— Pera, qual foi esse primeiro passo? — perguntei. Pedro também olhou para Lucas como se não soubesse. O gigante corou mais do que a Nana quando foi beijada por ele no pescoço.
— B-bem... eu.......... — ele ficava fazendo draminha — é uma longa história....
— Lucas, eu duvido que seja grande, por que se você ainda não me contou é porque isso aconteceu hoje — Pedro falou —, e o único momento que vocês tiveram sozinhos hoje foi...
— Certo! Certo! É que, a gente tava correndo, fugindo da Nick, daí ela tropeçou no ar e caiu em cima de mim e....... — ele, por alguma razão do universo que eu não sei explicar como, conseguiu ficar mais vermelho.
— Vocês se beijaram?! — perguntei com os olhos brilhando.
— B-bem... não... foi quase — ele falou todo tímido, nem parecia o Lucas que eu conheço.
— Merda! Meu shipp.... — falei entristecida. Os dois começaram a andar na minha frente e eu os alcancei.
— Por que está nos seguindo? — Lucas perguntou.
— Hum? O Pedro não falou que eu ia lá hoje? — Lucas fez que não — Bem, ele falou que tem um café perto da casa de vocês que está empregando gente, e como eu preciso de um emprego achei uma boa ideia.
— Certo, mas, esse café não é... — ele pensou um pouco e depois olhou malicioso para o Pedro — Maid-chan, né?
— C-cale-se! — ele disse e continuou a andar enquanto o Lucas ria.
–-
Andamos por alguns quarteirões até que paramos na frente de uma casa verde com porta marrom. Pedro foi até lá e abriu a porta.
— A gente não ia no café? — perguntei seguindo-o.
— É a intenção, mas vou deixar a bolsa aqui primeiro. Não quero ficar carregando — Ele me respondeu.
— Já volto! — Disse Lucas entrando na casa do lado.
— Posso deixar a minha também? — falei me dirigindo ao Pedro.
— Pode, só não esquece depois — fomos entrando. Sua casa era bonita e simples. A sala era média, com uma TV e um sofá preto que cabe umas quatro pessoas, com paredes neutras e piso de madeira, virando um pouco o olhar tinha uma porta e um corredor. Ele foi pelo segundo caminho, entrando em um quarto, o segui.
Era o quarto dele. Ele tacou a bolsa no chão e virou pra mim um pouco envergonhado — Desculpe a bagunça.
— Que nada! — respondi. O quarto nem estava tão bagunçado, só com o cobertos meio desarrumado na cama e uma escrivaninha meio desorganizada, com vários papeis e canetas espalhado e uma estante com vários livros. Na sua cama eu vi o gatinho que ganhei pra ele no sábado e os óculos que tinha usado na minha casa.
Ele pegou outra roupa no armário e foi no banheiro se trocar. Eu tinha trazido uma blusa e um jeans, aproveitei que ele saiu para me trocar. Já tinha colocado a calça e estava tirando a blusa quando vi Lucas entrando pela porta de olhos fechados.
— Vamos logo, antes que eles nos... — Lucas falou abrindo os olhos e me vendo sem camiseta, só com um sutiã de galáxia. Fiquei bem vermelha e me cobri com a camiseta. — Você está com uma guarda muito baixa, acho melhor tomar cuidado quando se está na casa de um garoto — Ele falou saindo do quarto. — Se troque logo, antes que Pedro apareça.
— Chamou? — Pedro disse entrando no quarto e eu fiquei ainda mais vermelha — Nick, o que aconteceu? Você ta bem? Está muito vermelha! — Ele foi chegando perto e nem percebeu, fui indo pra trás até cair na cama. Lucas limpou a garganta — Cara, você também não ta bem?
— Olha direito — Lucas falou com um tom de que aquilo era inacreditável, apontando a cabeça pra mim. Pedro voltou seu olhar e ficou totalmente vermelho, depois virou a cabeça pro Lucas — É, eu sei, agora vamos — e puxou Pedro para fora do quarto.
Comecei a rir, não sei porque, mas ri. Coloquei a camiseta, que era do Adventure Time e sai do quarto, vi duas crianças lá.
A garotinha era uma miniatura do Lucas, com cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e olhos azuis, um shorts e uma camiseta com um gatinho estampado, já o menininho era igual ao Pedro, com cabelos castanhos curtos e olhos verdes claros, de bermuda e camiseta do homem de ferro.
— Quem é você? — a menininha disse.
— Eu sou a Nicole, e você? — respondi de volta, com um sorriso.
— Ah! Você que é a namorada do Pedro? — a menininha falou com os olhos brilhando.
— Verdade, parece muito com a personalidade que o Lucas descreveu — o menino disse.
— N-não! Eu sou só uma amiga — falei corada mexendo as mãos.
— Mas você é igualzinha a menina da foto também! — o menino exclamou — Sabia que o Lucas tinha mentido só pra não mostrar que aquele resto de aborto ainda está encalhado. Por que uma menina bonita namoraria ele?
— Espera, foto? Que foto? — perguntei desentendida.
— Matt, So, o que estão fazendo? — Lucas perguntou entrando na sala junto com Pedro.
— Estamos conversando com a anteriormente dita “Namorada do Pedro” — o Matt disse fazendo aspas com os dedos e encarando Lucas.
— Mas acabamos de descobrir que era uma mentira! — So falou encarando o de cabelos negros.
— Quem disse que éramos namorados? — Pedro perguntou
— Você só pode estar de brincadeira! — Matt disse — Se não são namorado, primeiro, por que ela estava se trocando no seu quarto?
— Porque eu estava usando o banheiro — Pedro respondeu serio.
— SEGUNDAMENTE, por que você tem uma foto dela no seu celular? — o menininho respondeu, eu ri, não aguentei.
— Isso não vem ao caso agora, mas desde quando você sabe a senha do meu celular? — Pedro falou indignado.
— Sei lá mano, faz uns dois meses, quem sabe três... — continuei rindo. — Por que está rindo?
— É que me lembrou uma recente briga entre eu e minha irmã — falei me recordando de quando brigamos por causa de algo trouxa que aconteceu antes do começo das aulas.
— Certo, vamos logo que esses dois aí juntos são iguais a confusão — Pedro disse me puxando para fora, enquanto éramos seguidos por Lucas.
— Quem são eles? — falei quando estávamos um pouco longe da casa.
— A menininha, Sophia, é a mais nova das irmãs do Lucas, e o Matheus é meu irmão mais novo — Pedro respondeu.
— Quantas irmãs o Lucas tem? — perguntei franzindo o cenho.
— Tem três, a Giovana que é a mais velha e está fazendo arquitetura, a Alessandra que tem quatorze anos e a Sophia que tem nove. Ah sim, o pai do Lucas morreu quando a irmãzinha mais nova dele nasceu então ele sempre esteve cercado de garotas, por isso é tão bom sendo “o pegador” — ele falou. Continuamos andando até chegarmos no café, o Lucas tinha sumido.
Mereçu.
Entramos lá e as maids nos cumprimentaram com um sorriso e um “sejam bem vindos”, mas eu infelizmente não estava lá pra comer. Fui conversar com uma garota de cabelos ruivos cacheados e ela me mandou para o andar de cima, pra falar com a “chefia”.
A sala dela era toda fofinha, com poof’s e figure actions, sem falar em vários desenhos de maids e personagens aleatórios. A mulher parecia ter uns 20 anos, mas beirava os 30.
Era bem baixinha, loira e usava um vestido com gorro de coelho e meias listradas em rosa e branco. Me fez algumas perguntas, me mostrou meu uniforme, tirou minhas medidas e disse que eu poderia começar amanha. Sai de lá sorrindo e fui conversar com Pedro, enquanto íamos pra casa dele.
Entrei lá pra pegar minha mochila e ir embora, mas um certo ser chamado Lucas brotou me lembrando de algo que eu tinha esquecido.
— Nick! Você ainda não me falou! — ele disse me chacoalhando.
— Falei o que? — disse sem entender nada.
— Por que a Nana não quer gostar de miiiiiiim!! — ele completou.
— Tá! Eu conto! Vamos pro quarto do Pedro pra conversar.
— Ei! Conversar sobre o que? — Pedro gritou. Bufei e levei os dois para o quarto. Sentei na cama do Pedro encostando minhas costas na parede e os dois se sentaram no chão.
— É o seguinte — falei pegando o gatinho de pelúcia —, ano passado a Nana arranjou um namorado, e ela gostava de verdade dele, mas ele só gostava dela porque ela era bonita. Ela sempre fazia sempre que ele queria para que ele gostasse dela algum dia, mas ele nunca fazia nada em troca. Um dia ele foi jantar em casa e acabou arrumando confusão com meus pais, e sempre confrontava as amigas dela, até mesmo eu. Nessa época ela estava tão fissurada nele que não tinha mais olhos para nada. Um dia ele decidiu que estava na hora de fazer... aqueeeeelas coisas, mas ela não queria, mesmo que fosse pressionada. Então, ele aceitou, mas no dia seguinte, no fim da aula, era dia da Nana ficar pra arrumar as coisas, e quando ela passou pela escada para encontrá-lo, ele estava se agarrando com outra garota. Ele olhou nos olhos da minha irmã, mas continuou fazendo isso sem se importar. Ela chegou nele e o puxou dos braços da menina, dando um soco no nariz do mesmo e gritando coisas enquanto seus olhos pareciam cachoeiras, ela olhou para a garota e era uma de suas melhores amigas. Depois disso ela nunca mais falou com a garota e pegou trauma de garotos que ficam com muitas, por isso acho que, talvez, ela nunca consiga gostar de você desse jeito, mesmo que eu te shippe com ela e tal, mas é meio difícil que isso aconteça.
Os dois ficaram em completo silencio, em minha cabeça, Lucas estava pensando alguma forma de se redimir com minha irmã, de um modo que nunca tentara antes. Me senti curiosa. Andei até minha bolsa no canto do quarto — Onde você vai? — Lucas me perguntou.
— Vou dar uma passadinha ali na Coréia, é rapidinho, nem se preocupe — Falei com ironia — Vou pra casa, né? Não posso deixar a Nana sozinha por muito tempo, vai que ela bota fogo no micro-ondas.
— Eu te levo — Pedro falou se levantando.
— Ehh? Por que? — perguntei com cara de “cê ta doido mano?”
— É que ta muito tarde pra menina ficar andando desprotegida assim na rua — falou com voz zoada.
— Mas são cinco e meia... — respondi.
— É... Foda-se, vamos logo — ele falou me puxando para fora do quarto.
— Pera~! — Lucas falou correndo atrás da gente — Eu vou também!
— Por que? — eu e Pedro falamos juntos.
— Porque minha jaqueta está com a sua irmã — ele disse sorrindo — E, vai que vocês fazem algo indecente quando não estou olhando. Não posso deixar a Nick sozinha com esse pervertido. — completou me fazendo rir.
— Olha quem fala, senhor beijo no pescoço — Pedro se defendeu. Fomos conversando e rindo até em casa. Quando abri a porta, nós três tivemos a surpresa de uma Nana dormindo abraçada com uma jaqueta preta, murmurando coisas como “baunilha é bom”, vai entender, sa menina é estranha.
Lucas foi chegando perto e puxando a jaqueta lentamente, mas Nana abriu os olhos do nada, fazendo-o recuar pra trás. Ela saiu correndo com a jaqueta e se trancou no banheiro. Bati lá na porta.
— Sou eu Nana, sua trouxa — falei ouvindo o destrancar da porta.
— Queria o que? Você não berrou seu amado “Cheguei!” na hora que entrou em casa. Achei que fosse um ladrão. — se defendeu de braços cruzados, ela tinha colocado a jaqueta no corpo e ficava enorme nela — Por que eles estão aqui também?
— Nana, tão delicada quanto o coice de uma jumenta — Pedro falou com a mão no queixo — É que meninas como sua irmã não podem ficar andando sozinhas tão tarde. — Nana olhou pro relógio.
— Mano... são seis horas... — ela falou olhando pro relógio da sala. Eu ri e o Lucas também — E você, senhor risonho, por que está aqui?
— Vim buscar minha jaqueta, mas pelo visto tem alguém que já roubou ela de mim — ele falou e olhou para os peitos da minha irmã. Olhei pra lá também e ela tinha desabotoado a camisa até a metade quase, deixando o sutiã a mostra.
— Onde vocês... — Nana falou seguindo nosso olhar — Ah, foda-se, não tem nada que nunca tenham visto! — ela falou com uma mistura de sonolência e raiva. Me lembrei do incidente da banheira e concordei mentalmente. Ela foi até a sala e pegou o cardigã que estava no chão, e chegou no Lucas, entregando a peça de roupa — Aqui sua jaqueta.
— Essa não é minha jaqueta — Lucas falou
— Ah, é sim — minha irmã reforçou, recebendo um par de olhos debochantes — Se acha que não, prove. — Lucas colocou o cardigã e o fechou, ficou muito pequeno, tipo, ficava na metade da barriga dele.
— Viu? Não é minha jaqueta — ele disse. Minha irmã pegou no pulso dele e do Pedro, e os arrastou até a porta.
— Agora é! Até amanha — ela os empurrou e trancou a porta — Agora posso dormir — Ela cheirou a jaqueta do Lucas — Cheirinho de baunilha...
~~
Vamos apenas fingir que isso não foi estranho. Eu simplesmente tomei um banho e fui dormir, estava cansada e tenho que me preparar psicologicamente para amanha. Por falar em psicológico.... CARACA MANO, EU ESQUECI A MOCHILA NA CASA DO PEDRO! Acho que deixei cair quando ele foi me puxar pra fora. Deixa pra lá, amanha ele me entrega.
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