Quase Normais
8 Faz Sas Porr@ Não!
Notas iniciais
Diario da Nath
Quando os professores vão entender que nos mudar de lugar não vai mudar nada? Sabe, vamos continuar conversando do mesmo jeito.
~~
Nenhuma novidade de manha, como todas as manhas...
Tenho que dizer que quero logo uma vingança da Nick, é bem melhor que acordar com o despertador do celular.
Acho que sou masoquista... Isso não vem ao caso.
De qualquer forma, eu e Nick estávamos entrando na sala de aula, e eu já estava sentada no meu lugar de sempre, mas uma voz cortou meus pensamentos que estavam na bela parede branca.
— Nana, o que você ta fazendo? Esse é meu lugar — disse um menino aí que eu não lembrava o nome.
— Como assim? Eu sento aqui todos os dias — respondi.
— Mas a professora te mudou de lugar — ele franziu o cenho.
— Mudou? — ele fez que sim com a cabeça — Lembro disso não.
— Pior que mudou — disse um louro, que eu, particularmente, também não lembrava o nome — Agora você senta lá — ele disse apontando para a primeira carteira, lá na frente, na puta que pariu.
— É tão longe, nem consigo ver — peguei os óculos arredondados do menino moreno que chegou primeiro — ah, quantos anos será que terei que passar andando até chegar lá? — os dois começaram a rir. Tão achando o que? Que é uma piada? Eu vou morrer antes de chegar lá, vou ser atropelada por um gigante chamado Lucas sem nem chegar ao meu destino.
— Acho melhor você ir logo, daqui a pouco o professor chega.
— Nhaa... por favor, eu odeio a frente. Tem que prestar atenção, não pode conversar, não tem como fazer tarefa na hora da aula — deitei a cabeça na mesa enquanto reclamava.
— Mas Nana, é aula do Shêrbitsky — o loiro disse com a mão no meu ombro.
— ........ Quem? — perguntei. Eles deram um tapa na própria testa com cara de “Não man, não pode ce”.
— O professor de geografia, Nathalie — o moreno disse.
— Ah! O Shervisk! — exclamei levantando a cabeça, como se uma lâmpada se acendesse em cima da minha cabeça.
— Shêrbitsky... — eles falaram juntos.
— Ehh... Da na mesma — falei me levantando e pegando meus materiais. — Adeus, essa será a ultima vez que nos veremos — falei colocando a mão no ombro dos dois —, nunca mais poderei ver vocês novamente, por conta do meu lugar. Não poderei mais fazer viagens — disse indo embora, e logo comecei a cantar — “Estou indo embora, a mala já está lá fora...” — eles começaram a rir, enquanto eu saia andando de costas, e trombando no gigante que passava pelo local.
— O que você ta fazendo? — Lucas me perguntou estressadinho.
— Eh? Calma fror — ele revirou os olhos. — Estou apenas migrando pro meu lugar como uma humilde garotinha, me despedindo de pessoas que talvez nunca mais veja.
— Ta, ta! Vai logo pro seu lugar — ele falou com o mesmo tom de criança que não ganhou o que queria.
— Nossa “Castiel 2”, acho que alguém acordou de TPM hoje — exclamei.
— Cas o que? Ah, quer saber? Foda-se! — ele disse saindo.
— Nem liga, Nana — Pedro disse logo atrás de Lucas, e virando pra minha fileira. — Ele só está de ciuminho — eu ri. Pedro se virou para Lucas e ele estava mostrando o dedo do meio. Pedro deu de ombros e seguiu pro fim da fila. Segui ele e fui ver como estava minha irmã.
— Eh? O que você ta fazendo? — um menino de cabelos pretos espetados e com o uniforme desorganizado perguntou pra minha irmã.
— Revisando conteúdo — ela falou, sem tirar os olhos do caderno. Ele olhou pra mim com duvida, percebi olhos castanhos claros. Dei de ombros em sinal de “Não fala nada, ela é estranha mesmo.”
— E por que está fazendo isso? — ele perguntou se voltando pra ela.
— Por duas razoes — cheguei perto, com dúvida — A primeira é que a prova é na semana que vem, e eu não sou boa em geografia, e em segundo lugar, o professor falou que ia ter atividade avaliativa hoje, sem falar na apresentação dos trabalhos.
— Prova? — eu e o menino falamos juntos — Trabalho avaliativo? — Nick fez que sim e o professor entrou na sala.
— Nana, vai sentar. O professor chegou e ele não é muito seu fã — ela disse e eu concordei e sai correndo pro meu lugar.
— Ola, jovens — Shêrbitsky falou entrando na sala e me fazendo soltar um risinho. Jovens, acho que não vou me acostumar com isso. — Como já sabem, vamos ter uma atividade avaliativa hoje. Obrigado a todos os alunos que deixaram os trabalhos no meu armário — Olhei para Nick com desespero, mas ela fez que sim com a cabeça, o que queria dizer que tinha feito. Suspirei aliviada — A atividade vai ser em duplas, então vocês tem dois minutos pra escolher suas duplas.
Essa simples frase acordou a fera que estava adormecida dentro do termo “terça-feira de manha.”
Quando me levantei pra tentar formar dupla com minha irmã, veio uns cinco negos (lê-se nerds) me cercando. — Nana, você quer ir comigo? Terei certeza de que você não terá que fazer muita coisa.
— Vem comigo, vem comigo! Eu faço sozinho!
— Se for eu, vai tirar nota máxima.
— Gente, calma, eu sou péssima em geografia — falei tentando acalmar a manada.
— Foda-se, pelo menos vou poder falar pro meu pai que conversei com uma menina bonita— é... acho que a situação ta feia pra esses nerds. Mas eu ainda não quero ir com eles. Olhei pra minha irmã e a situação era quase a mesma. O que mudava era que a maior parte dos meninos eram rebeldes ou bonitos.
— A NICK VAI COMIGO! — os moleques lá gritavam, enquanto minha irmã fazia cara de quem não entedia.
— Claro que não! EU é que preciso de nota em geografia!
— CALEM-SE! — o menino de mais cedo disse empurrando uma carteira com força para perto da minha irmã, que se assustou, e sentando ali. — Eu sou o mais inteligente, então ela vai comigo.
— SE É O MAIS INTELIGENTE, VOCÊ NÃO PRECISA DELA!
— Ehh... Cala a boca! — ele falou se sentando.
Olhei pro professor que estava com uma cara de decepção. Acho que ele estava pensando algo tipo “devia ter sido advogado como minha mãe mandou, mas não, eu tinha que querer trabalhar com adolescentes!”
Senti meu braço sendo puxado. Ótimo!
É hoje que sou estuprada por um nerd!
— Ela vai comigo — Lucas disse me abraçando e colocando a cabeça em cima da minha.
— Ann... quem disse? — ele me apertou mais.
— Eu. — eu não consegui ver seu rosto, mas pela cara dos nerds, ele fazia algum tipo de olhar matador.
— Droga! Alto nível de afeto— um deles disse e todos se distanciaram.
— Como assim, “alto nível de afeto”? Ninguém aqui é amiguinho não! Sai Lucas — falei tentando sair dos braços dele.
— Uhrg, vamos logo — ele foi me puxando até o lugar dele, mas eu parei no meio do caminho.
— Não vou fazer dupla com você! Faz dupla com o Pedro.
— Pedro? Quem é Pedro? — ele me perguntou indignado.
— Pedro, seu amigo!
— Ah, tem a Nick, ele se vira — Lucas deu de ombros, mas logo olhamos para Pedro, que estava com uma cara de poucos amigos, e começou a olhar em volta pedindo pra alguém ir com ele. Depois olhou para a Nick e abaixou a cabeça meio tímido, e depois olhou pra nós.
— Professor, pode dupla de três? — Pedro perguntou lá de trás.
— Pode! — o professor falou com ignorância. Pedro nos olhou com brilho, mas Lucas virou pra uma menina qualquer.
— Ei, ta vendo aquele menino? — perguntou pra menina, que fez que sim — Ele é muito inteligente, legal, e é meu amigo. Faz dupla com ele?
— Ah, já que você ta pedindo! — ela falou feliz e foi atrás do Pedro. Ele nos olhou com decepção.
— Acho que ele queria ir com a gente — Falei.
— Queria? Ah, queria nada! Por que ele iria querer fazer parte do nosso grupo, ein? — Lucas respondeu.
— Por que ele é seu amigo? — falei com sobrancelhas arqueadas.
— Ah, foda-se! — ele falou me segurando pelo pulso e me arrastando até a mesa dele.
— Ei! Parem de namorico na sala — o professor falou.
— Mas não estamos “de namorico” — Lucas falou.
— Não, não! To vendo essas mãos dadas aí ó — ele falou.
— Mas eu to segurando no pulso dela — Lucas se defendeu, e depois segurou na minha mão pra demonstrar — Isso é ficar de mãos dadas!
— Agora estão! Já pra diretoria!— o adulto falou, e ao ver a reação do Lucas, começou a rir — Estou brincando! Mas é serio, sem namoro na escola. Vão fazer o trabalho.
Lucas ficou com um ar de desaforo e me levou até a carteira dele. Quando chegamos lá ele se sentou na carteira, sem prestar atenção em nada.
— Lucas... pode soltar minha mão? — perguntei tentando me livrar das mãos grandes dele.
— Ah... mas sua mão é tão pequena e quente, com dedos finos e bonitinhos — ele falou entrelaçando nossos dedos e olhando minha mão. Minhas unhas estavam pintadas de vermelho, mas o esmalte estava saindo. Achei ele fofo por um segundo.
Esqueça Nath, ele é só mais um Daniel...
Ele foi levar minha mão perto do rosto dele — O-o que você...? — perguntei, e ele beijou o canto da minha mão me deixando corada — Por que você fez isso?!
— Ah? É que tem cheiro de morango, queria saber se tinha gosto também — ele disse com um tom... fofo... — Mas seu pescoço também tem cheiro de morango e não tem gosto, deveria imaginar que não teria gosto também. — ele continuou brincando com meus dedos. Meu coração bateu rápido.
PERA AÍ CORAÇÃO.
FAZ SAS PORRA NÃO.
NÃO É LEGAL.
Comecei a encarar o Lucas, me perdi nos seus olhos negros, mas logo ouvi uma voz me acordando — Não falei pra não namorarem na sala de aula? — o professor falou nos dando um susto e fazendo Lucas soltar minha mão imediatamente.
Olhei pra minha irmã e ela e o carinha lá estavam rindo.
Acho que Pedro encontrou um concorrente.
Começamos a fazer o trabalho. Foi meio difícil já que geografia não é minha praia, mas Lucas surpreendentemente era muito bom nisso. As aulas se passaram, sendo química e matemática.
Pela primeira vez no ano, não teve treta na aula de matemática.
E eu acho que finalmente entendi aquela maldita equação desnecessária de báskara.
No intervalo eu aproveitei pra ir conversar com a Nick.... Que estava com os meninos do fundão.
Por que?
Eu também não sei.
— Nick.... — falei me aproximando. Ela estava rindo com eles. Isso está estranho, ela não é do tipo que confia com facilidade.
Nem do tipo que se socializa com os outros.
ELA É SUPER TÍMIDA!
— Já vou Nana! Até meninos — ela saiu de lá acenando. — Vamos?
— Não quer ficar mais com esses seus amigos? — falei inflando as bochechas.
— Que nada, ciuminhos! — ela falou e apertou minhas bochechas.
— É que não faz nem um dia que está com eles e já está nos trocando! — Lucas falou chegando por trás de mim.
— Eu nunca trocaria vocês, seu trouxa-comedor-de-batatas-no-banheiro — ela disse e riu. Eu ri também e Lucas ficou vermelho.
— Ainda não se esqueceram disso?!
— Nós nunca esqueceremos. Nunca — Nick disse e voltou a rir.
— Por que a reunião da demência começou sem mim? — Pedro falou se tacando na conversa.
— Porque as batatas à serem comidas no banheiro iriam acabar — respondi e comecei a rir.
— PAREM COM ISSO!! — Lucas disse ficando mais vermelho.
— Ta, que seja, que seja. Mas Nick, hoje você vai pra casa comigo? — perguntei com olhos brilhando.
— Não... Eu começo o trabalho hoje. Acho que ele vai ser de terça, quinta e sexta, mas ainda não vi com a minha chefe.
— Vai me deixar sozinha de novo? Está me trocando por dinheiro e por meninos de fundão. O que há com você?
— Quer vir também? — Lucas me perguntou como se super fizesse parte da conversa
— O que você tem a ver com isso, Lucas? — perguntei.
— É que o café onde ela trabalha é perto lá de casa, então ela deixa a bolsa lá pra ir pro trabalho — ele disse — Bem, na verdade ela deixa na casa do Pedro. Mas da na mesma.
— Pera aí, me desbuga, por favor — falei.
— Eu e o Pedro somos vizinhos, e o café onde a sua irmã trabalha é perto de casa. Por isso ela deixa a bolsa lá e vai trabalhar. Estou perguntando se quer ir ficar lá em casa enquanto ela está no café — Lucas explicou.
— Ah, pode ser. Melhor do que ficar sozinha em casa.
Diário da Nick
Chegando na sala de aula, fui para onde deve ser o lugar novo do Pedro, espero que ele não tenha esquecido minha bolsa.
Depois de um tempo ele chega junto com Lucas, e vai andando pro seu lugar, mas eu percebo que ele fica meio corado ao me ver.
— Mano, você ta bem? — pergunto encarando-o.
— Hum? Claro. O que foi? — ele me responde rapidamente.
— Minha bolsa. Eu deixei na sua casa ontem.
— Verdade, aqui. — ele me respondeu e entregou a bolsa, depois se sentou como seu eu não estivesse ali.
Que demônios de clima tenso é esse?
Suspiro alto e vou pro meu lugar, me lembrando que a primeira aula é de geografia.
Caralho...
Atividade avaliativa...
Abro minha bolsa sem demonstrar o quão desesperada eu estava, já que não tinha estudado ontem. Ahh... deu merda agora cara.
Comecei a usar minha tática de marcar palavras chaves, só pra revisar mesmo, quando chegou um menino de cabelo castanho espetado e olhos castanhos claros que quase enfiava a cabeça entre a apostila e meu rosto.
— Eh? O que você ta fazendo? — ele tinha uniforme bagunçado, mas uma voz surpreendentemente bonita.
— Revisando conteúdo — falei sem tirar os olhos do caderno, passando o grifa-texto e virando as páginas o mais rápido possível.
— E por que está fazendo isso? — ele perguntou.
— Por duas razoes — virei o olhar e percebi a Nana chegando perto. — A primeira é que a prova é na semana que vem, e eu não sou boa em geografia, e em segundo lugar, o professor falou que ia ter atividade avaliativa hoje, sem falar na apresentação dos trabalhos.
— Prova? — o menino e minha irmã falaram juntos — Trabalho avaliativo? — fiz que sim. Coitados, acho melhor eu não citar que estou tão desesperada quanto. O professor entrou na sala.
— Nana, vai sentar. O professor chegou e ele não é muito seu fã — falei ainda voltada para a apostila. Ela concordou com a cabeça e saiu o mais rápido possível do fundão. O menino se sentou do meu lado.
— É Nick, certo? — ele me perguntou, fiz que sim — Me passe as respostas depois.
— Como quiser, mas quando for fazer alguma prova importante ou se tratar de repetir de ano, será você, e não eu — respondi. Ele me olhou com uma cara indignada — Não pode me dizer que não é verdade porque não tem argumentos, que gracinha.
Os outros meninos que tinham chegado começaram a rir e fazer tipo “oooooooh.”
— O Henrique foi tirado por uma garota! — um deles disse.
— Parece que o mundo gira, não é mesmo! — outro exclamou.
— Inúteis — murmurava para mim mesma — no futuro, quando eu for líder de uma grande empresa de artes visuais e animação, eles vão estar me servindo cafezinho. — ria maldosamente.
— Eu ouvi isso! — Henrique disse batendo na minha cabeça.
— Pelo menos agora temos uma nerd no fundão — um aleatório disse. Aí uma frase ecoou.
“A atividade vai ser em duplas”
Isso é tudo que posso me lembrar da frase do professor. Num piscar de olhos eu estava rodeada de meninos de cabelo raspado de um lado só, ou dos dois com só uma parte em cima, e todos com uniformes bagunçados como se não tivessem tempo pra isso.
— EU VOU COM ELA! — eles falavam...
— SOU EU QUE PRECISO DE NOTA!
— EI! EU QUERO A GAROTA
— VOCÊ É MUITO BURRO, SÓ VAI ATRAPALHA-LA!
— CALEM-SE TODOS! — Henrique pegou a mesa e tacou-a do meu lado, me fazendo pular de susto — EU SOU O MAIS INTELIGENTE, ENTÃO EU QUE VOU.
Haha... hahaha... inocente. Ele é realmente ótimo (cof cof, péssimo) em usar argumentos
— Se é o mais inteligente então deveria fazer por si só — não sei quem disse, mas falou tudo.
— Cale-se! — ele berrou e se sentou do meu lado. Peguei o caderno e coloquei a apostila do lado, coloquei na pagina e fui colocando as respostas no caderno. — Cralho! Você é muito rápida!
— Humm — respondi com um murmurar. Só quero acabar logo com isso. Quando cheguei na quatro, eu parei por um instante. — Escreve o resto, ou ele vai pensar que fiz tudo sozinha. — me espreguicei.
— Mas eu não sei a resposta — ele falou.
— Inútil — repeti, agora deitando a cabeça na mesa. Olhei para Pedro, e ele estava meio solitário.
— O que está fazendo? — ele me perguntou seguindo minha visão — Ah, o Pedro. Aposto que ele está pensando que esqueceu de estudar e agora está fudido.
— Acho que ele está pensando algo mais “Ahh, que lugar de merda que eu peguei!” — falei como se fosse uma dublagem dele, com falsa animação — “só tem gente feia e ninguém quer fazer dupla comigo! Eu sou um idiota! Não devia ter sido um cuzão com a Nick” — soltei um riso — se fode aí, amigo.
— Pff, você é engraçada. — Henrique disse — Já sei, olha os nerds com a sua irmã.
— “Oin delicinha, quer aprender as funções básicas de PI?” — falei com uma voz escrota, sem tirar a cara da mesa.
— “Ah, senhor Nerd-chan! Eu já tenho um bofe” — ele falou tentando fazer voz de menina.
— “Qual é, sei que não sou nave, mas posso te levar pro espaço” — falei com voz zoada de novo.
— “Acho que você errou a cantada Nerd-chan” — eu ri. Vi Lucas puxando a Nana.
— Agora vai ficar legal, olha — ele olhou Lucas — “Eu irei te proteger, minha Hime!” — fiz voz de galanteador.
— “Awn... Lucas-senpai” — ele gemeu. Comecei a rir igual uma retardada.
— O que foi isso mano? — falei ainda rindo.
— Minha dublagem perfeita — ele disse, olhei pra cara dele — Você acha o que? Que eu sei fazer voz de menina?
— Poderia tentar fazer direito — respondi rindo.
— Olha, olha! Eles estão andando — ele falou. Lucas e Nana chegaram na carteira do garoto de cabelos negros, e ele estava segurando a mão dela — “Lucas-senpai... está segurando minha mão”
— “Acalme-se, Hime. Não farei nada que não queira”— voltei para a minha voz grossa e galanteadora.
— “Mas Lucas-senpai... Eu quero... Que você me possuaaa” — ele fez a voz escrota de menina.
— “Como queira minha Hime...” — falei e logo nós dois começamos a fazer barulho de beijo de língua e caímos na gargalhada — Mas que bosta!
— Acho que a gente tem um pouquiiinho de demência — ele falou com cara de retardado me fazendo voltar a rir — Até que você não é como eu esperava.
— Igualmente, “Hime-san” — falei e voltei a rir.
— Awwnn... Senpai! — ele disse e ficamos lá, nas nossas retardadices, enquanto o resto dos meninos nos olhava como se fossemos completos idiotas.
As aulas se passaram e eu acabei conversando bastante com os meninos, eles são até que legais no fim das contas. Na hora do intervalo eu saí da sala com eles e a Nana chegou de ciuminhos, trazendo a nossa “turminha da pesada.”
Enquanto ela foi conversar com Lucas, eu tentei falar com o Pedro.
Só tentei mesmo.
— Vei, por que você anda me evitando? — Perguntei.
— Eh? Eu não ando te evitando — ele respondeu andando e tentando me evitar.
— Se não está me evitando, então do que está fugindo? — falei seguindo-o.
— O fato é, por que eu te evitaria? Eu lá tenho motivos pra isso? — ele continuou andando, agora aumentando a velocidade.
— Eu vou saber?? — aumentei a velocidade também. — Se não estivesse me evitando, você teria pedido pra eu fazer dupla com você!
— Mas você estava se divertindo tanto com o coisinho lá, nem deve ter se lembrado de mim.
— O nome dele é Henrique, e eu não sei se você percebeu, mas ao menos ele teve iniciativa — continuei seguindo-o.
— Então vai lá com o Henrique! To pouco me fodendo — ele continuou andando.
— Tá com ciúmes? — apressei o passo.
— Eu? Claro que não! A única pessoa que está com ciúmes aqui é o Lucas.
— Quer saber? Cansei! — falei segurando no pulso dele e o prendendo na parede. Ele desviou o rosto corado — Ah, agora você virou ukezinho de BL?
— Ukezinho? BL? Que merda é essa?! — ele me perguntou me olhando nos olhos.
— Isso não vem ao caso — falei revirando os olhos. — Agora me fala logo, por que está me evitando?
— Eu não to te evitando porra! — ele berrou.
— Se você não estivesse, não estaríamos nessa cena de romance invertida! — ele corou mais ainda. — Por que está me evitando? — falei virando o rosto e me aproximando dele.
— Eu olhei sua bolsa, ta?! — ele disse cruzando os braços.
— Eh? E o que isso tem a ver? — perguntei sem sair da posição. Pensei um pouco — Ah! O desenho! E o que é que tem?
— Como assim “o que é que tem”?! Manos, você me desenhou — ele disse corado.
— A culpa não é minha se você tem traços bonitos! — me defendi — além disso, nem fui só eu que te desenhei. A Lia fez o mesmo.
— O que? Eu achei que você gostasse de mim! — ele falou indignado e eu comecei a rir. — O que foi? Não é impossível!
— Não é isso, é só que... Eu prefiro bad boys — falei zoando e ele fez uma cara bem “poker face”, me fazendo rir mais ainda.
— Vocês! — o inspetor disse — Já não falei pra não ficarem namorando no corredor?
— Ah, Leo, só porque eu tava com vontade de dar uns peguinhas — falei saindo da posição anterior — Brincadeira, mas porque você só vem brigar quando somos eu e o Pedro? A Nana e o Lucas estavam na pegação e ninguém apareceu, aí eu tento pegar um bolo e levo advertência.
— Porque... Eu shippo a Nana com o Lucas — ele disse. Eu fiquei com uma cara de “O queee?” — E ele é o Lucas, não importa quantas vezes você fale, ele nunca muda.
~~
As últimas aulas seguiram normalmente, acabei ficando bem amiga do Henrique na parte da manha.
~~Aviso~~
~Leia Notas Finais / Iniciais~
Fale com o autor