Deitei-me no sofá, acabado, alcançando mais uma garrafa da deliciosa Smirnoff Ice com a ponta de meus dedos e pegando o abridor de garrafas que estava em cima de minha barriga.


Bebi um pouco mais, deitado, com cuidado para não engasgar pateticamente.


Cara, como eu odiava a Liza.


Eu fiquei ali, pensando porque eu não podia ter recorrido a qualquer outra garota... A maioria delas sabem que uma noite e uma noite e ponto final. Não vão ficar correndo atrás do cara, principalmente quando sabem que ele é um sem cabeça que não quer relacionamento algum.


- Argh! – reclamei para o nada, ainda olhando para cima e levando a garrafa mais uma vez à boca.


Queria dormir, profundamente. Afundar-me num sonho onde eu tinha uma vida boa e feliz, com uma pessoa que eu amasse...


Não pareço uma garotinha pensando num príncipe encantado? Pois é... Você também seria assim se sua vida fosse como a minha.E, apesar de negarem, falarem que não querem casar, todo mundo quer estar perto de quem ama e viver felizes para a sempre. Sim, brega, eu assumo.


Ouvi algumas batidas na porta, no ritmo de uma melodia chata.


- Nate – cantou a voz do lado de fora da porta. Merda... Era a Liza. Devia estar trazendo as bebidas... O pai dela era dono de uma loja que vendia todo tipo de coisas importadas. Isso era bom, mas não naquele momento...


Eu não queria abrir a porta para ela...


Acabei levantando-me desanimado, deixando todas as garrafas de Smirnoff em cima da mesa, para dar bem na cara que eu não a queria ali, ela não era necessária. Abri a porta, olhando-a desinteressado.


- E aí? – perguntei, na minha típica má educação. Fala sério, já era uma hora da manhã, se ela realmente não estivesse tentando transar comigo me embebedando, por que estaria ali carregando uma garrafa cara de vodca? – O que tá fazendo aqui?


- Ah, Nate – ela reclamou, brincando, como se eu estivesse falando aquilo só para brincar, sendo que não estava – Eu queria te ver... – fez um muxoxo.


- Já me viu, vai embora – disse rapidamente, como se estivesse dando uma ordem.


- Ah, mas eu até trouxe algo para bebermos e...


- Já tenho o que beber – eu disse, arqueando as sobrancelhas, olhando-a com superioridade – É o seguinte, Liza... Você é gostosa e tudo o mais – ela meio que corou, se bem que eu achei que ela devia ter levado a mal aquele elogio irônico – Mas eu não queria que você viesse aqui hoje porque teria de contar uma coisa – eu menti, improvisando.


- O que é? – ela perguntou, um tanto desconfiada, entrando na minha casa sem pedir e colocando a garrafa em cima da mesa. Enquanto ela fazia isso, desabotoei um botão da minha calça.


- Tipo... Tem uma garota na minha cama nesse exato momento, tirando a roupa – disse eu, coçando minha cabeça, Liza arregalou os olhos – Se você quiser mesmo ficar aqui, a única coisa que poderemos fazer será um ménage... – sorri um tanto pervertido.


Ela ficou um tempo parada, olhando-me assustada, até pegar fôlego e aproximar-se dando um tapa na minha cara.


- Nunca mais olhe na minha cara, seu... Seu... – e saiu sem completar a frase, batendo com força na porta.


Por que todas as mulheres que eu conheço entram na minha casa e saem batendo a porta depois de me baterem?


Agarrei a garrafa de vodca que Liza esquecera ali e abri-a, retirando o lacre delae deitando-me no sofá novamente para beber da garrafa mesmo.


Já estava sentindo-me meio tonto quando ouvi mais uma pessoa bater na porta. Cara, aquele prédio devia ter uma campainha... Eu já estava me enjoando do tanto de batidas que as pessoas davam na porta.


Levantei-me, crendo que já não conseguia fazer um quatro com a minha perna. Acho que até seria capaz tropeçar em uma sombra no estado em que eu estava...


Abri a porta e vi a pessoa que eu menos queria que me visse no estado que eu estava.


Lá estava ele, o morador novo que havia me parecido tão... Lindo aquela hora no hall de entrada. Estava encostado na parede, usando um casaco preto que mais parecia um smoking menos social com uma blusa também preta por baixo. Estudava-me com seus olhos verdes e deixava seus cabelos ruivos caírem bagunçados, mesmo que parecessem estar de propósito daquela maneira.


- Olá – ele disse, parecendo calmo, afastei-me um pouco ao ver quão próximos estávamos.


- Oi – tá, não era normal eu falar daquele jeito. Se fosse qualquer outro pessoa eu perguntaria “O que você quer?”, mas não para ele. Ele parecia ter um efeito diferente sobre mim – Você precisa de alguma coisa? – perguntei, tentando dar uma de gostoso encostando-me no vão da porta, mas acabei não colocando a mão no lugar certo e quase caindo.


Ele tentou disfarçar a risada.


- É que... Eu estou com certo problema para achar algumas coisas do apartamento... Você poderia me ajudar?


- Que coisas? – perguntei. Tá, se ele não fosse um homem eu provavelmente acharia que era uma cantada.


- Os registros, o controlador de energia e tal – ele disse, fazendo um sinal como se aquilo não fosse importante. Cara, que vontade que me deu de falar: “Se vira”. Mas eu não podia, não para ele.


- Entra que eu te mostro daqui do meu apartamento – eu disse, tentando parecer desanimado, embora falhasse ao tentar não mostrar o quanto eu estava nervoso.


Aqui vai um resumo: O cara tinha uma Harley, ele devia ser um daqueles riquinhos filhinhos de papai que decidem fugir de casa por uma razão idiota, ele só usava roupas caras...


E o meu apartamento... O meu apartamento era uma merda.


Não era tão ruim, é claro. Minha mãe ganhava bem no trabalho que fazia (óbvio que ganhava, ela fazia bem pela cara que o síndico fazia toda vez que a via), mas gastava tudo em roupas e jóias para ela... Eu? Eu ganhava uma boa mesada e a gastava em bebidas.


Ele entrou, mas não olhava para nada no apartamento. Até estranhei quando o vi olhando para mim daquele jeito tão... fixo. Sabe? Sem desviar o olhar, como se não tivesse vergonha alguma de estar fazendo aquilo.


Tentei ignorar, mas eu estava com uma imensa vontade de corar como uma criancinha. Eu realmente tinha que parar de ser patético e... Gay daquele jeito.


Já bastava falar que o Mark era bonito e agora... Esse cara. Ele era uma daquelas pessoas que não passam despercebidas por qualquer lugar que passam. E eu só não era um mendigo bêbado porque minha mãe era uma santa (não em pureza, é claro, mas por me agüentar).


- Aqui fica o controlador de energia – eu disse apontando para um lugar atrás da porta do corredor, sem olhá-lo – É a única coisa que você deve saber – o olhei, apoiando-me na parede e cruzando meus braços – O resto é tudo o síndico que cuida... E, é sério, não o irrite – eu disse, ficando sério – Ele já desligou a água quente daqui de casa quando eu estava sozinho e pronto para tomar banho.


Ele riu.


- E o que você fez? – ele perguntou, me olhando como se estivesse realmente se interessado por aquilo.


- Eu gritei – respondi, sem nem saber por que tinha feito aquilo. Eu devia parecer uma menina mimada agora. Ele soltou mais uma risada – Estava um frio de -5° no dia, não ria – eu me entreguei.


- Ah, sim – agora ele parecia mais sério.


E agora, como quebrar aquele clima?


- Quer se sentar? – perguntei, indicando o sofá com um sorriso afetado. Eu tinha que levar um tapa na cara para acordar, que merda.


- Claro – sorriu ele, sentando-se com classe enquanto eu me jogava.


Alcancei a garrafa de vodca na mesa, tirando sua tampa e mostrando para ele.


- Quer?


- Pode beber primeiro – ele sorriu. Provavelmente já sabia que eu não usava copo e não via daquilo uma “porquice” como as garotas que geralmente vinham aqui.


Dei um grande gole, talvez tentando mostrar a ele que eu poderia agüentar aquilo, embora logo depois de fazer isso tenha sentido uma tontura imensa. Estendi a ele e ele deu um gole menor, até fazendo uma careta.


- Não bebe? – perguntei, talvez debochando um pouco dele. Ele riu.


- Bebo – sorriu ele – Só que vodca... Não estou tão acostumado com vodca. Prefiro um uísque...


Tá, ele era mesmo um maldito filhinho de papai. Mas seria uma boa me aproximar dele... Um cara mais velho que bebe uísque. Cara, eu iria poder beber o quanto quisesse...


- Mas vodca é bom também – ele completou – Só não é tão agradável quanto... – calou-se por um momento, como se repreendesse a si mesmo – Uísque.


- Ah – fingi compreender, tomando a garrafa da mão dele e dando mais um gole grande. Agora a tontura batera com tanta força que quase me fez cair para trás. Quase uma ova, caí mesmo, me desequilibrei, o que fez Nick olhar-me preocupado, já avançando com os olhos arregalados para ver o que tinha acontecido – Não, não foi nada – respondi, de olhos fechados, colocando uma de minhas mãos em frente ao meu corpo, fingindo estar bem.


- Por que não... Se deita? – ele perguntou e sua voz soou para mim como uma melodia.


- Não – tentei evitar, ainda bebendo um pouco mais do conteúdo na garrafa. Ele tirou a mesma de minhas mãos com delicadeza.


- Deite-se – ele sorriu, talvez me dando segurança. Nesse exato momento fechei meus olhos, caindo para trás. Mas aconteceu como se não fosse a bebida causando aquilo, era como se realmente fosse sua voz que me persuadira.


O que ele era, afinal, para ter todo aquele efeito sobre mim?



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A gente se esforçou para escrever a fic, esforce-se para deixar um review o/



N/a: Já repararam que os dois últimos capítulos tiveram nome de bebida...? Acho que eu e a HannahHell estamos deixando a história bastante... \"Regada à álcool\"... Mas é tão legal ver personagens bêbados *-*/apanha