Quarto Andar
4 Blood
Notas iniciais
Tudo nos pertence... '-'
Ele entreabriu os lábios fazendo um barulho engraçado enquanto respirava tanto pelo nariz quanto pela boca. Antes que eu pudesse perceber já sentia o cheiro de vodka que vinha do hálito dele. Estava muito perto, perto demais. Nossos lábios quase tocavam-se.Não, eu não posso, não está certo. Levantei-me e me afastei sem deixar de observá-lo, olhava-o com uma superioridade que o assustaria se ele acordasse. Droga, definitivamente não podia. Saí do apartamento e corri para onde estacionei minha moto; não que eu precise dela para andar pela cidade, mas o barulho do motor e o conforto de me locomover sentado ou invés de pé era muito bom.Eu preciso beber algo, algo que me saceie propriamente e para isso preciso achar a vítima perfeita.Estacionei na frente da praça central, uma praça que sempre estava cheia a qualquer hora, seja dia ou noite. Passei pelos adolescentes bêbados e os adultos que tentavam ser românticos fazendo piqueniques durante a noite, coisa que eu achava patética... Mas logo esqueci, pois minha visão foi fisgada para a porta do bar do outro lado da rua.Uma garota com os cabelos bem cuidados e brilhantes cambaleava pela calçada enquanto provavelmente limpava lágrimas com as costas das mãos. Ela era tão parecida com a garota que saiu correndo do apartamento do Nate, espera um pouco, essa É a tal da Liza.Sim, ela é perfeita. Sozinha, bêbada e indefesa; será ela. Caminhei a observando pelo canto dos olhos, ela chegou à esquina e virou, apenas a segui pelas sombras a espera do momento perfeito.Os passos dela ecoavam enquanto ela murmurava reclamações sem sentido concreto, murmúrios de desgosto jogados ao vento, se bem que algumas vezes pude ouvir um “Maldito Nate” ou alguma variação disso. Prendi minha respiração para não rir, essa garota estava mesmo com raiva dele. Nate, Nate... Tão novo já quebrando tantos corações...Na rua que estávamos havia apenas nós e alguns mendigos dormindo, era minha chance. Antes que ela raciocinasse parei na frente dela.-Hey! Sai da frente, gostosão – ela balbuciou tentando me empurrar, mas acertou apenas o ar do meu lado. Ela teria caído se eu não tivesse a segurado.-Sabe, não é seguro andar sozinha e bêbada durante a noite por ruas desertas – comecei. A empurrei até encostá-la na parede mais próxima, coloquei uma mão ao lado da cabeça dela e me aproximei até que meus lábios roçassem a orelha dela – você pode ser roubada, ou coisa pior.-Eu... O que você...? – ela balbuciava em meio aos arrepios que eu sabia que ela estava tendo.-Shhhhh, garota tolinha – a calei colocando meu indicador na frente da boca dela – talvez você precise aprender um pouco sobre os perigos da noite.Desci a cabeça até o pescoço dela, já conseguia sentir e ouvir perfeitamente a pulsação dela, o seu sangue correndo acelerado, seu coração batendo mais forte, apenas esperando. Era como se seu subconsciente soubesse o que eu era, o que iria fazer, mas não deixava que seu corpo percebesse. Ela se encostava a mim como uma prostituta. Oh, Nate, acho que roubei sua “namoradinha”.Sem mais enrolar, encostei meus dentes no pescoço dela e os forcei até perfurar sua pele.O sangue dela era entoxicante e forte, regado a decepção e álcool, com certeza ela foi uma ótima escolha. O álcool no sangue é muito mais agradável do que o mesmo puro.Cada gole aquecia meu corpo, mas eu não bebi muito, apenas o suficiente para me saciar. Ela ficou pálida, mas ainda deveria ter forças para andar. Quando me afastei um pouco ela me empurrou e começou a correr.A olhei se afastar, eu até poderia correr atrás dela e fazê-la se esquecer de mim, mas tenho certeza de que o álcool irá cuidar diss. Decidi voltar para a praça. Fechei o casaco para disfarçar o cheiro de sangue e passei as mãos nos lábios para limpar todos os indícios do mesmo no rosto.O vento fresco da noite bateu no meu rosto e o cheiro de grama molhada misturado com álcool e colônias baratas encheu meu nariz. Agora que me alimentei propriamente até a noite na cidade parecia mais simpática.Sentei na minha moto e a liguei, o motor fazia barulho suficiente para chamar a atenção das pessoas que passavam por mim.-Uau! Que moto linda – ouvi uma garota comentar para as amigas.
-O motorista é tão lindo quanto – uma delas respondeu rindo. Não deixei de sorrir para elas quando passaram por mim. Meus cabelos ruivos esvoaçando enquanto eu andava sem capacete. Nenhum guarda poderia me parar. E, se parasse, eu não ligaria. Eu usaria algum de meus encantos e ele logo me deixaria ir.Saí a alta velocidade, as luzes da cidade eram apenas borrões e as vozes eram impedidas de serem ouvidas pelo vento.Andar pela auto-estrada era muito confortável, podia acelerar o quanto desejasse e sentir a emoção da perigosamente alta velocidade em toda sua potência.Mas eventualmente o tempo tem que passar, o céu já começava a ganhar um tom meio arroxeado, isso indicava que era umas três e meia da manhã. Achei melhor voltar para meu apartamento, embora o nascer do sol estivesse longe eu sinto que estar naquele prédio será melhor.Estacionei a moto e ativei o alarme, com passos lentos e calmos entrei no prédio subindo as escadas sem pressa. No segundo andar, ouvi vozes e barulhos que eu preferia não ter ouvido, vindos da casa do síndico. Pelo jeito a mãe de Nate era mesmo muito boa no trabalho dela.Acho que eu vou ficar traumatizado por um bom tempo se continuar a ouvir isso, é melhor correr.Subi mais rápido até chegar ao meu apartamento entrei e liguei uma música num tom baixo, mas suficientemente alto para abafar os ruídos da casa do síndico.Fui até a janela e a abri, sentindo mais uma vez o vento gélido da madrugada e com ele escutei um barulho baixinho vindo do andar de baixo.Parecia algo como um grunhido, ou com uma tentativa falha de um rugido de leão, ou uma mistura bizarra dos dois. Prestei mais atenção na fonte daquele som, pelo jeito vinha do apartamento de Nate.Esses sons eram compassados e pareciam fazer parte da respiração do garoto, provavelmente era ele roncando. Não consegui me segurar e ri, esse garoto me surpreendia mais a cada minuto.Pelo menos os roncos dele eram mais agradáveis de ouvir do que os gemidos do síndico e da mãezinha do Nathaniel, acho que comparado com aquilo, aqueles roncos eram tão agradáveis quanto a música que tocava no meu apartamento.----------------------Ah, chegamos a um quarto capítulo...Com o Nick finalmente deixando bem claro o que ele é... Aposto que já tinha bastante gente que suspeitava, não é? 8DReviews não matam e nem engordam, não tiram pedaços.. Deixe um o/
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