Quarteto
2 Capítulo 2
Notas iniciais
No dia seguinte, ainda no hospital, Dohko servia a Shunrei um mingau de arroz bem ralinho. Estavam esperando a Dra Marika para dar à alta.
_Bom dia!- Como vai a nossa pequena paciente?
_Bom dia, doutora. Ela está melhorando, pelo menos não teve mais febre.-Respondeu Dohko.
_Que bom! Deixei a alta dela já prescrita e também uma receita de antibiótico, para a garganta. A enfermeira deve vir mais tarde entregá-la. Até mais, pequena! -Disse a doutora fazendo um carinho na cabeça de Shunrei.
_Até, doutora!- Disse Shunrei educadamente.
Ao chegarem em casa, Dohko levou a filha até o quarto.
_Papai, eu não vou à escola?- Perguntou Shunrei.
_Não, minha pequena. Você precisa ficar de repouso.
_Mas papai, hoje é o primeiro dia de aula!
_Eu sei minha filha, mas se você prometer ficar descansando hoje, amanhã eu a levarei à escola, está bem?
_Sim, papai. Eu prometo!- Respondeu Shunrei lançando-se ao pescoço do pai.
Shunrei passou o dia todo no quarto, Dohko serviu-lhe o almoço lá mesmo. Ela já tinha organizado todo seu material escolar. Era a primeira vez que ia freqüentar uma escola, estava muito ansiosa e curiosa para saber como era. Ela já conhecia algumas crianças da vila que também iriam estudar com ela.
Dohko organizou todas as verduras e legumes na carroça, pois levaria no dia seguinte para vender na feirinha de Rozan. Todos gostavam muito dos vegetais que ele cultivava, pois eram de primeira qualidade e ele ganhava muito bem com suas vendas. Uma parte deste dinheiro era para comprar um carro adequado para os trabalhos agrícolas e também para investir em produtos. Depois de organizar tudo, foi para casa preparar uma sopa de peixe com legumes que Shunrei adorava.
_Oi papai! -Disse Shunrei chegando na cozinha.
_Oi minha filha. Como passou a tarde?
_Muito entediada!
_Mas amanhã vai ser diferente, pois conheço uma menininha que vai começar a estudar e tarefas não vão lhe faltar. -Disse Dohko sorrindo e abraçando a filha.
_Êba! Vou à escola!-Gritou Shunrei de felicidade.
O dia mal nasceu e Shunrei já estava tomada banho e vestida com o uniforme.
_Papai, acorda! Você disse que iria me levar para a escola!
_Calma Shunrei! Temos muito tempo ainda. Disse Dohko bocejando e olhando para o relógio na cabeceira da cama.
Ele levantou, tomou banho, vestiu-se e foi para cozinha para preparar o café. Depois de comerem, ele arrumou os cabelos de Shunrei, fazendo uma trança de cada lado. Dohko nunca viu Shunrei tão contente quanto naquele primeiro dia de escola. Estava feliz por sua filha estar crescendo, mas não podia negar que também estava com o coração apertadinho. Educava Shunrei para ser o mais independente possível, mas nunca passara tanto tempo longe de sua pequena. Mesmo quando trabalhava na horta, ia sempre em casa e às vezes a levava junto, para se divertir na cachoeira e até mesmo ensinava-lhe um pouco do trabalho.
A escola que Shunrei iria estudar era a única do vilarejo. Uma escola grande. Havia um belo jardim a sua volta, era bem equipada. O ginásio esportivo era muito organizado, com materiais modernos e possuía até uma piscina. As séries iam até o ensino médio e eram separadas por andar. No térreo ficavam os alunos menores e a partir do primeiro andar, os alunos maiores. Os professores, eram homens, vinham de Pequim e ficavam hospedados num alojamento anexo a escola. O ensinamento, tanto para os que estavam começando como para os que estavam concluindo, era de primeiro mundo. Shunrei adorou a escola, era mais do que ela imaginava, brincou com seus coleguinhas conhecidos e com os novos também.
No fim do dia, os pais já estavam chegando para buscar seus filhos. Shunrei estava muito ansiosa para contar as coisas da escola a seu pai, mas ele estava atrasado, todos da sala dela já tinham ido embora. Shunrei estava sentada no jardim da frente quando um menino se aproximou.
_Oi, tudo bem?
_Tudo.
_Está esperando sua mãe?
_Não. Minha mãe mora lá no céu, agora ela é uma estrela! Estou esperando meu pai.
_Ah. Eu sou Ohko!Como você se chama?
_Eu sou Shunrei.
_Nome bonito! É seu primeiro dia na escola, Shunrei?
_Sim. Também é o seu?
_Não. Eu já tenho seis anos!- Disse Ohko apontando para si mesmo, todo confiante.
_Shunrei, você que ir brincar no parquinho ao lado?
_Mas o meu pai vai chegar a qualquer momento!
_Ora, a gente só vai brincar um pouquinho! — Insistiu o garoto.
_Está bem, vamos.
_ Ohko, sua mamãe chegou! -Disse o professor de Shunrei, que esperava alguém para pegar a menina.
_Ah!Tchau Shunrei. Amanhã brincaremos, tá?
_Tchau, Ohko. — Despediu-se Shunrei. Nesse momento, Dohko aparece no portão da escola.
_Papai! -Shunrei gritou correndo ao encontro do pai, dando-lhe um forte abraço.
_Oi, minha filha! Desculpe-me pela demora. Vamos para casa?
_Vamos sim, papai! Tenho muita coisa para lhe contar.
À noite, Dohko e Shunrei estavam jantando, a pequena contava-lhe tudo sobre a escola, os coleguinhas, o professor que, apesar de ser metódico, era muito legal. Dohko ouvia tudo com muita atenção, percebia como brilhavam os olhinhos de sua filha enquanto falava da escola.
No dia seguinte, Shunrei e Dohko levantaram-se, tomaram café, ele a deixou na escola e seguiu para feirinha.Estava ainda organizando tudo quando chegou a primeira cliente.
_Bom dia! -Saudou a mulher.
_Bom dia! — Respondeu ele erguendo a cabeça lentamente _ Mas, você é a Dra Marika, que atendeu minha filha no domingo!
_Sim, eu sou a Dra Kokoro Marika. — Disse Kokoro rindo
_ E o senhor?
_Eu sou Dohko, o pai da menina Shunrei! Disse Dohko estendendo a mão para a mulher.
_Oh, sim, estou me lembrando! E como vai a pequena?
_Ela está ótima! Está na escola agora.
_Ah, que bom! Eu vim aqui para comprar uns legumes, me disseram que havia um homem que vendia os melhores legumes da região. Por acaso, é o senhor?
_Bom, modestamente, sim! -Respondeu Dohko sorrindo.
Kokoro também sorriu e Dohko ficou admirado com a beleza de seu sorriso, pela primeira vez, desde a morte de Shun-Li, ele reparava numa mulher.
_Senhor Dohko...
_Pode me chamar de Dohko, apenas. -Disse ele encantado.
_Bom, Dohko, eu estou precisando de muita coisa, mas não posso levá-los agora, pois vou estar de plantão até as quatro horas.
_Se a senhora quiser, eu posso levar as suas compras até a sua casa!
_Mas eu não quero dar trabalho.
_Eu farei com todo o prazer, aliás, seria até um agradecimento por ter atendido minha filha.
_Ora, Dohko, não fiz mais que o meu dever de médica plantonista. Estou aqui para isso! Disse a doutora sorrindo.
_É só me dizer o endereço e eu levarei, pode escolher! Diante da insistência daquele belo homem, a doutora Kokoro não teve alternativa, separou suas compras e deu o endereço a Dohko.
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