Quarteto
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Shunrei estava brincando na sala com os coleguinhas. Pela janela ela viu um garoto de cabelos médios e negros, sendo molestado por mais três. O menino não reagia, mantinha sua feição sempre serena, apesar de não revidar, ele não demonstrava medo. Logo apareceu outro menino e começou a bater nos agressores.
_Ohko! – Sussurrou Shunrei.
Com medo, os três garotos correram.
_Shiryu, você não pode deixar eles te tratarem assim, tem que revidar! – Disse Ohko.
_Ohko, você bem sabe que não podemos revidar violência com violência. Se ignorarmos eles vão se cansar...
_Shiryu, você não tem jeito mesmo! Ainda bem que eu estou aqui para te ajudar. –Disse Ohko.
Shiryu sorriu para o amigo e abraçados entraram para as respectivas salas. Na sala de Shunrei, a brincadeira continuava.
_Crianças, vamos agora lanchar? –Disse o professor.
Shunrei estava sentada em uma mesinha com mais duas meninas. Uma das meninas levantou-se e foi sentar numa mesa do lado oposto, ficando apenas Shunrei e outra menininha.
_Você se chama Shunrei, não é?
_Sim. E você é a Shirah.
Shirah era uma chinesinha de cabelos castanhos escuros na altura dos ombros. Era muito frágil e tímida, por isso não tinha muitos coleguinhas.
_Shirah, você gostaria de ir brincar na minha casa domingo? A gente podia tomar banho de cachoeira!
_Eu não sei.
_É só falar com seus pais. Minha casa fica na montanha, bem próxima a cachoeira.
_Está bem, vou falar com meus pais. Eu posso levar meu irmão também?
_É claro que pode! Como ele se chama?
_Ohko.
_Você é a irmã do Ohko?!
_Sim. Você o conhece?
_Sim. Ele é muito valente, né? – Disse Shunrei se lembrando do episódio da briga dos garotos.
No final da tarde, Dohko estava esperando Shunrei na porta da escola, depois de pegá-la foi para a casa de Kokoro.
_Papai, eu convidei uma coleguinha para brincar comigo no domingo e ela disse que vai levar o irmão dela. Tudo bem?
_Mas é claro minha filha!
Dohko parou sua carroça no endereço indicado pela doutora. Já passava das cinco da tarde. Eles desceram e ele foi até um prédio de três andares. O apartamento da doutora ficava no segundo andar. Dohko tocou a campanhinha.
_Olá! –Disse a doutora ao abrir a porta.
_Trouxe suas compras!
_Entrem. Shunrei, como você estar?
_Eu estou bem, obrigado! Kokoro os levou até a cozinha e ofereceu-lhes um lanche. Shunrei viu a foto de uma menininha na porta da geladeira.
_Esse bebê é seu? – Perguntou curiosa Shunrei.
_Sim. Essa é minha filha Paradox.
_Então você é casada? – Perguntou Dohko com certo desapontamento.
_Não. Eu sou divorciada. Paradox está na casa dos meus pais no Japão, já que eu viria ainda me estabelecer aqui e também eu não sei como eles veriam uma mãe solteira.
_Eu entendo. – Disse Dohko.
_A senhora poderia passar o domingo com a gente, eu e meus colegas vamos tomar banho de cachoeira.
_Uau! Seria uma delícia, mas infelizmente vou viajar no domingo cedinho.
_Bom, nós já vamos doutora Marika. Muito obrigado pelo lanche e caso não venhamos a nos encontrar, faça uma boa viajem.– Despediu-se Dohko.
_Obrigada, Dohko!
A semana passou depressa, era domingo e Shunrei esperava ansiosamente por seus coleguinhas. Ela ouviu um barulho de carro chegando e correu para porta.
_Olá Dohko! – Cumprimentou o homem que dirigia o carro.
_Olá Dim.
_Trouxe essas crianças, parece que você vai ter um dia cheio, né? –Disse o homem rindo.
_É verdade, Dim. Mas eu gosto muito, sabe, Shunrei precisa também de se relacionar com pessoas da mesma faixa etária. Pode ir sossegado que eu vou cuidar bem deles.
_Crianças, ouviram o senhor Dohko, desçam e se divirtam. Ohko cuide de sua irmã, viu?
_Sim, papai. – Respondeu o menino
_Dohko, meu filho também trouxe um amiguinho dele, não tem problema, né?
_É claro que não! Vamos crianças, desçam e vamos nos divertir! – Disse Dohko todo animado.
As crianças entraram acompanhando Dohko. Logo que Shunrei os viu correu para abraçá-las.
_Shirah, Ohko!
_Shunrei! — Respondeu o casalzinho juntos.
_Shunrei, esse é o meu amigo Shiryu. Não tem problema ele ter vindo, né?
_Claro que não! Como vai Shiryu? Espero que goste de tomar banho de cachoeira!
_ Tudo bem, Shunrei. Eu adoro cachoeiras!
_Papai podemos ir agora? – Perguntou Shunrei
_É claro, minha filha! Vou pegar as cestas, um dos garotos poderia me ajudar?
_Eu o ajudo senhor. – Prontificou-se Shiryu.
Assim seguiram os cincos em direção a cachoeira. No caminho de bambuzais que dava para a margem do rio, Dohko pediu que fizessem silencio.
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