Notas iniciais
Boa noite, meus amores. Bom, primeiramente, que Deus esteja protegendo todos vocês nessa época tão complicada de nossas vidas. Rezo e creio que logo tudo se estabilizará e que tempos melhores virão. Segundo, é quando tudo parece despencar, já que somos comerciantes e estamos com as portas fechadas, que vem alguém com as palavras certas e transforma nosso dia. Por isso, Ana Carolina, que esse capítulo é dedicado totalmente a você. Me recomendou e me fez sorrir num dia muito, mas muito complicado. Te mandei MP, mas como o Nyah não tá notificando, fica complicado de ver, né? Muito, mas muito obrigada pelo carinho e pelas maravilhosas palavras. Então... Vamos ao capítulo, porque amo esse.

Bella

— Bom dia, bom dia...

Atravessei a sala de jantar, beijei meu pai e acenei para mamãe, que obviamente não aceitaria um carinho maior, pois estava cheirosa do banho recém- tomado e eu, certeza, exalava cheiro de animais e fazenda.

— Antony?

Sentei-me ao lado de Charlie já deixando que o cheiro delicioso do café inundasse meu ser.

Sem rodeios, enchi uma generosa xícara e apreciei a bebida quente descer pela garganta. Estava frio hoje.

— Responda seu pai, parece uma esfomeada, querida.

Renée baixou a própria xícara e me encarou por trás das lentes de seus óculos de leitura. Nada passava por ela, e isso ficou evidente quando levantou a sobrancelha pronta para me especular mais se não a distraísse logo.

— O deixei dormindo quando desci cedo para a ordenhadeira. Estava tão cansado ontem que nem acordou quando Jas o tirou do carro.

— Hum! Sua mãe me disse que o deixou com o... o... “o tal lá”. Posso saber por que não fui informado dessa decisão? Se não tinha ninguém para ficar com meu neto, era só ter me ligado, Isabella. E pode me dizer o porquê de Jasper não ter ficado com ele?

— Bom dia.

E se minha sorte já não estava lá essas coisas, piorou a níveis estratosféricos quando Emmett também apareceu vindo da lavoura.

Como eu estava em seu lugar, e nossa relação nada boa, se sentou ao lado de mamãe.

Seus olhos instantaneamente parando em mim, estava claro que ouvira a pergunta de meu pai.

— Antony ficou com o pai dele, papai. Por que faz isso comigo? O senhor sabe que estamos trabalhando numa aproximação. Disse que me apoiaria, Charlie. Não preciso de mais alguém me virando as costas, preciso?

Por incrível que pareça, nenhum dos dois falou nada. Papai só me avaliou mais intensamente, igualzinho a Renée.

Eles sabiam? Eu estava dando tanta bandeira assim? Não é possível!

Já Emmett abaixou a cabeça e encarou atentamente o pedaço de bolo que mamãe lhe entregara.

— Ei, baixe a guarda, mocinha! E é papai para você, não Charlie. E não estou te “desapoiando”...

Bebeu um grande gole de seu próprio café antes de voltar a me repreender.

— Só gostaria de saber, com antecedência, das decisões de vocês quando dizem a respeito a nossa família. Entendeu, Isabella?

— Desculpa, papai. Só estou tão cansada de, de... Ah, deixa para lá.

Esfreguei o rosto frustrada e já me arrependendo de ter entrado naquela hora, sabia que os encontraria na mesa.

— Bella, se acalme, querida. Seu pai só ficou curioso. Ninguém está bravo aqui, muito pelo contrário, estamos felizes e orgulhosos que esteja confiando mais nas pessoas. Não é, Charlie?

O “não é, Charlie” saiu de uma forma tão segura e cheia de determinação que só quem conhecia meus pais sabia que Renée o desafiava a contradizê-la. Charlie podia ser durão e até rígido demais, mas, ninguém podia duvidar de seu amor e respeito por minha mãe.

Eles se completavam e eu me orgulhava desse sentimento dos dois. A profissão de mamãe nunca fez meu pai sentir-se inferior a ela, pelo contrário, e Renée sempre fazia questão de lembrá-lo que se tinha um hospital para chamar de seu, era graças aos esforços braçais dele e de sua família.

— É isso. Agora coma. Estou achando que emagreceu.

Obedeci feliz pelo assunto não ter se estendido. Eles estavam me ajudando e eu os agradeceria sempre por isso.

— Quanto a Jasper...

— Ah, papai. Jas não disse que não podia ficar com Tony, só acho que não é obrigação dele. Quero que aproveite mais a vida. Ele não é nossa babá e já perdeu demais por minha culpa.

— Tá bom, meu amor. Não precisa se explicar por seu irmão converso com ele mais tarde. Aliás, ele ainda está dormindo?

Perguntou papai olhando intensamente para mamãe.

— É bem provável.

— Como posso ter criado três filhos tão diferentes? O mais velho e a caçula madrugam, já o do meio... Isso é culpa sua, Renée. Eu disse que devíamos ser mais rígidos com ele.

Mamãe fez de conta que não ouviu. Emmett escondeu a risada por trás da xícara de leite. Já eu fiz careta para Charlie, não que ele estive prestando atenção em mim, porque se tivesse...

— Cadê a minha mamãe? O Tony tá com fome.

Rolei os olhos para o pequeno ser meio acordado meio dormindo, despenteado e de pijama longo que vinha arrastando um coelho branco enorme pelas orelhas.

Deus! Aquele bicho estava imundo!

— Bom dia. Dormiu bem? É assim que cumprimenta o vovô e a vovó?

Antes de chegar a mim, beijou Renée e meu pai, e sem cerimônia deu os braços para que eu o sentasse em meu colo.

— E seu tio?

Instrui assim que o aconcheguei a mim.

— Bom dia, titio.

— Deus te abençoe, filhote. Tá tudo bem?

Antony não respondeu, só acenou afirmativamente com a cabeça, deixando óbvio que ainda não queria muita conversa.

A expressão de Emmett mudou para algo parecido com dor. Fazendo com que as palavras de Edward, ditas na noite anterior, voltassem imediatamente para mim.

— O que você quer comer?

— Só leite na dede... No copinho.

Manhoso deitou a cabeça no meu peito e fechou os olhos. Ele dormiria de novo sem nem reclamar que eu não o acordara para ajudar na ronda diária? E, se não me engano, ele quase disse que queria leite na mamadeira?

O que estava acontecendo?

— Vai dormir de novo? Vou com Thor dar uma olhada nas lavouras, para determinamos que dia começará a pulverização?

Com o mínimo esforço que lhe sobrava, puxou o bendito coelho para meu colo também, e se aconchegou mais a mim e a ele, antes de voltar a fechar os olhos e murmurar.

— Tony só vai “colchilar” um “polquinho”. Pode ir com Thor, mamãe. Ele é bonzinho.

— Aqui, querida.

Peguei de Renée o copo dele já com leite e chocolate, como gostava.

— Amor, tá doendo alguma coisa?

Ele negou já segurando o copo perto dos lábios.

— Cansado, mamãe. Com sono. Nós podemos levar o “Senor Olelhudo pala” o titio “Edwald” conhecer? Ele “dolme” pouco, igual a você. Acho que o “Senor Olelhudo” ajudaria. A mamãe “dolme” bem quando eu “emplesto” ele para você.

Charlie abaixou mais o jornal que tentava ler, e aguardou minha resposta.

Mamãe me observou com mais atenção. Emmett fechou as mãos em punho. Certeza de que não aprovava aquela conversa, mas, pelo menos não expressou sua opinião mal-educada de sempre.

— Tá bom, filhote. Falamos disso depois. Agora pode dormir. Descanse.

Beijei sua testa e fiquei observando-o por alguns segundos enquanto se rendia ao sono.

Como poderia odiar Edward se o melhor que fizera por mim estava em meus braços?

Aliás, pensando por outro lado, deveria ser eternamente grata. Só Deus sabe o que teria sido de nós se tivesse ficando sabendo de Antony antes do fatídico acidente.

Será que ele o aceitaria e o amaria? Ou será que me pressionaria para não levar adiante a gravidez?

Porque o Edward de hoje era apaixonante, e confesso, me deixava sem ar só de olhar. Só de pensar naquele beijo...

Porém o do passado era capaz de qualquer coisa por poder e reputação.

— Me dê ele aqui. E deixa que darei uma passada pelas lavouras. Seu irmão fez os projetos dos pivôs, estão no escritório. Dê uma estudada nele, faça as modificações e entrem num consenso do que é melhor para nós. Depois dêem uma pesquisada nos modelos de aviões pulverizadores, façam uma cotação e coloquem tudo no papel. Acho que sua avó está pensando em comprar um para as fazendas.

— Pai, a loja precisa de um de nós lá. Posso fazer isso que o senhor pede da cidade e...

— Vai fazer daqui. Vou acordar Jasper, ele vai pra cidade. Quero aproveitar a manhã com você e Antony. Há quanto tempo isso não acontece? Esse menino está cansado como um adulto. Será que não percebe isso? E você, Emmett, aprenda a usar a educação que te dei e converse antes de gritar. Porque aquela loja também é sua. E quando faz suas burradas tudo sobra para Bella e Jasper. Se continuarem se engalfinhando, eu vendo aquilo. Agora me dê esse menino aqui, vou colocá-lo na cama.

Sem margem para discussão. Aquele era Charlie e sua maneira de dizer “façam as pazes”.

— Sim, senhor.

Respondemos em uníssono, arrancando um riso baixo de Renée e a aprovação de um Charlie que já pegara Antony de mim e se afastava com ele nos braços.

O copo de leite, pela metade, esquecido em cima da mesa, por causa do sono profundo

— Oi, bom dia. Até que enfim, cunhada. Há dias que não te vejo. Está me evitando é?

Leah entrou ainda a tempo de beijar a testa de Antony e cumprimentar meu pai, depois veio até mim e foi impossível não tocar a barriga grande e proeminente.

— Não, você não.

Respondi sem perceber o que aquilo significava, mas... “O mal feito, feito está”.

— E como está esse bebê, hein? Não vai mesmo se mostrar? Precisamos pensar na decoração do seu quarto, sabia?

Alisei-a com carinho e fazendo voz doce. Eu amava Leah, e ela não tinha culpa por Emmett ser um idiota às vezes.

— Quem vê pensa que ela gosta disso, não é sogra?

— De moda ela até se esforça, querida, mas decoração... E deixa que vovó vai dar um jeito nessa parte. Marquei uma consulta e uma ultra com a nova obstetra para você na sexta à tarde.

— Sim senhora.

Revirei os olhos para as duas que ignoravam o meu senso de decoração.

O quê? Uma coisa era eu ter “aprendido” a usar vestidos e saltos, outra muito diferente era ser fútil e ficar louca por “coisas nada a ver”. Essa nunca seria Isabella Swan.

— Olá, marido. Levantou mais cedo do que o normal. Meus pés sentiram falta daquela massagem matinal. Deu formiga do seu lado na cama, foi?

Baixei os olhos quando se beijaram, com carinho. A intimidade era tanta que intimidava.

— Desculpe. Eu precisava dar uma olhada no trabalho dos pedreiros, não tive tempo ontem. Estamos na fase dos acabamentos, quero que tudo fique perfeito para você e nosso filho.

Ela se sentou ao lado dele e logo as mãos grandes também tocaram o ventre, com toda devoção.

De novo pensei em como Edward teria agido comigo grávida? Será que seria tão dedicado quanto meu irmão?

Não, bem provável que não.

— Tudo bem. Mas, hoje à noite quero massagem dobrada.

Sorriram conspiradores e foi demais para mim.

— Bom, a conversa está maravilhosa, mas preciso trabalhar. Beijos... Estarei no escritório.

Falei no geral, mas para que Emmett entendesse. Eu sabia que o que Charlie estava fazendo era à maneira dele de nos obrigar a conversar e fazer as pazes.

Era o segundo homem de minha vida que me alertava para isso.

Tá, eu confesso, fiquei até de madrugada estudando, novas formas de prevenções de doença animal, na biblioteca. Depois dormi por umas duas horas e levantei, enchendo minha manhã, até agora, para não pensar no que acontecera ontem à noite.

Deus! Eu havia cedido. Me rendido a sentimentos que eu sufocava a todo custo. Edward havia feito de novo, com seu jeito, seu charme e o dito, novo jeito de ser, me dobrara, eu caíra.

Literalmente sucumbira... E Deus... Como valera a pena! Era exatamente como eu me lembrava. Doce, forte, dominador, dono de mim. Com sabor e desejo de quero mais... E esse era o problema.

Eu não poderia querer mais, sabia onde isso tudo levava... Mas... Ele tinha mudado, não tinha? Eu poderia dar uma chance, não podia?

— Ei, aonde vai? Tá voando é?

— Jasper!

Dei um passo para trás, de susto ao cruzar com meu irmão no corredor.

— Uau! Dormiu mais do que a cama, mas tá com uma cara amarrotada e o cabelo tá um caos. Parece que foi atropelado por uma colheitadeira, irmão.

— Esse é o problema, irmãzinha. Não dormi. Passei a noite revirando de um lado para o outro.

As mãos dele foram para a cabeça, nervosas e sem rumo. E foi aí que entendi como o cabelo ficou naquele estado.

— O que foi? Está acontecendo algo?

Jasper estava um caos, isso era evidente.

— Eu não sei... Provavelmente aconteceu, mas...

Olhou para todos os lados. Vozes na sala de jantar e barulho das botas de Charlie no piso do quarto o refrearam.

— Podemos conversar quando chegarmos à cidade? Papai já me alertou que só vai depois do almoço. Preciso muito conversar, Bells. Preciso da sua ajuda.

Assustado com o jeito dele, abri os braços e o abriguei ali. Não fazia ideia do que se passava, mas devia ser sério porque Jasper estava desesperado.

— Tá. Vou adiantas as coisas aqui e nos falamos assim que eu deixar Antony na escola. Fique calmo, Jas. Seja o que for, você fará o certo. Não se desespere, irmão. Já passamos por coisas demais, tudo que vier daqui para frente é para nossa felicidade.

— Acredita mesmo nisso?

— Claro que acredito.

— Mesmo que o que me preocupa envolva uma Swan, que é dona do meu coração, e que tenhamos ultrapassado todos os limites da falta de cuidado?

Senti meu sangue gelar. Ele estava dizendo que, que?

— Jas...

— Por favor, por favor vamos conversar na cidade, só prometa que ficará do meu lado.

Ele clamou baixo e antes que eu pudesse responder, mamãe apareceu por ali e nos observou com aquela atenção de mãe, que tudo sabe.

— Filho, bom dia, precisa conversar? Você parece meio verde. Está doente?

A mão foi imediatamente para testa dele, checando, conferindo...

— Não, mãe. Está tudo bem. Só perdi o sono. Vou tomar um café forte e quente que passa.

Soltou-se de mim e a beijou no rosto antes de se afastar, fugindo dos olhos que tudo viam e decifravam.

Renée era a lince de nossa casa.

— Vocês e suas manias de se protegerem. Não estamos aqui para isso?

Dei de ombros e também me afastei, com medo de que visse em mim, mais do que queria falar.

— Relaxe, dona Renée. Ainda traremos problemas demais para essa casa.

E pelo que parece seria logo, logo.

Soprei um beijo e fechei a porta atrás de mim, pronta para avaliar o projeto que Emmett fizera para os pivôs das fazendas de vovó e da nossa. E nada para a Paraíso.

Acho que teria que conversar com tio Carlisle sobre isso, sairia mais prático e mais barato se ele resolvesse fazer isso agora também. Mas, o turrão do Emmett nunca daria o braço a torcer.

— Hum, então vamos ver isso.

Retirei a pasta de dentro da gaveta de documentos e me sentei na cadeira atrás da mesa.

O projeto era bom, quase perfeito. Precisava de pequenos ajustes, a análise de um engenheiro ambiental e um civil para as obras das barragens que alimentariam os pivôs. Eu também as mudaria de posição caso tio Carlisle decidisse pelo projeto agora. As colocaria acessível as três fazendas, mas, fora isso, estava perfeito. Emmett era inteligente e talentoso.

Meia hora depois e com três batidas leves na porta, ele colocou a cabeça para dentro e me questionou com ansiedade.

— Posso entrar? Avaliou?

Fiz sinal de afirmação e ele não se fez de rogado, entrou e se sentou na cadeira a minha frente.

— O projeto está bom, mas, eu falaria com os Cullen antes de finalizá-lo. Vovó vai nos mandar fazer isso assim que lhes mostrarmos o planejamento. Poderíamos adiantar as coisas.

Ele me olhou com mais atenção, depois respirou fundo, se levantou foi até a estante da parede norte da sala e pegou outra pasta e me entregou voltando a se sentar.

— Pensei nisso também. Sabia que ia propor e sei que vovó dirá a mesma coisa. Me adiantei.

Observei o segundo projeto já pronto, como se tio Carlisle tivesse topado. Emmett se adiantara, só faltavam às mesmas pequenas modificações do projeto anterior, mas as barragens já no lugar que eu imaginava para satisfazer a todos.

— Estou trabalhando na petição para o Instituto de Florestas, para a derrubada das árvores. Papai já tem uma reserva, intocada, da fazenda dos Weber em vista para comprar, preservar e colocar no lugar das terras que usaremos.

Esse era meu pai e minha família. Pecuaristas e agros-negociadores sim, mas respeitando a lei dos homens e o meio ambiente.

— Tá muito bom. Só precisamos conversar com os engenheiros. Acha que nossa equipe do Brasil cuida disso? Ou teremos que contratar outros aqui?

— Acho que uma equipe daqui seria mais fácil para a fiscalização das obras. O projeto é enorme, irmã.

— Certo. Vou marcar uma reunião com tio Carlisle e depois te aviso. Agora vamos falar do avião. Eu já tinha pensado a respeito e o modelo 802 da Air- Tractor me agrada. Apesar de ser mais usado em incêndios. A capacidade de carga dele é maior o que economizaria em dias o que gastamos quase um mês para fazer.

Ele arqueou a sobrancelha quando mudei repentinamente de assunto. Não queria saber a opinião dele a respeito da conversa que teríamos com Tio Carl, muito menos daria a chance dele mudar o rumo das coisas. Falaríamos somente de negócios, porque só assim não brigaríamos.

— Gosto desse modelo também. Mas, teremos que conversar com vovó, porque pelo que papai disse o investimento será dela, e é certo que perguntará aos Cullen a respeito, porque é evidente que também beneficiará a eles esse avião.

— Tá bom. Lembre de falar sobre isso no almoço de domingo. Bom que pegamos todos juntos e...

— Vai ter que fazer isso sozinha. Não posso comparecer aos almoços de domingo enquanto não for capaz de... me controlar, papai proibiu.

E então, pela primeira vez em dias, levantei minha cabeça dos papeis que analisava e do computador, para olhar meu irmão com mais atenção.

Emmett parecia exausto. Longe do homem alegre e dono do maior e mais bonito sorriso que eu conhecia.

— Bella, por favor... Sei que está fugindo de mim, que não quer me ouvir e assumo minha culpa nisso, mas...

Respirou fundo e esfregou os olhos com força. Se eu não o conhecesse tão bem, acharia que estava espantando lágrimas.

Mas, Emmett não chorava. Ele secava lágrimas. Mas chorar? Jamais!

— Me perdoe. Por favor, por favor, eu imploro. Não suporto essa vida sem você e Antony. Não me castigue dessa maneira, irmã. Eu imploro.

Os olhos ansiosos e tristes em minha direção, a mão estendida num pedido mudo para que a segurasse, no entanto...

Recostei-me na cadeira e puxei minhas mãos para meu colo. A nova Bella, que ele ajudou a criar não era tão flexível.

— Não precisamos disso, Emmett. A situação está melhor assim. Porque voltarmos a nos falar para depois você se irritar, quando ver Edward com Antony, e dizer coisas que só me magoam, está fora de cogitação. Eu nem posso me defender, porque me recuso a te magoar. Devo demais a você para isso. No entanto, não sou capacho de ninguém. Você me ensinou isso!

Exclamei o que pensava e não tinha muita coragem de falar-lhe.

— Eu sei, irmã. E está coberta de razão por pensar assim. Porém, Bella, para mim não está bom. Você é minha irmãzinha, quase que como uma filha. Eu sonhei e te amei assim que mamãe contou que ganharíamos uma irmãzinha. E Antony é... É meu filho, Bells. Eu o vi nascer, cuidei de cada cólica, com você, o ensinei a andar. O amo mais do que a mim mesmo. Vocês são meu tudo, irmã. Tenha piedade, me desculpe? Quero vocês de volta na minha vida.

Fiquei alguns segundos calada, pesando as possibilidades, o que era um baita de um egoísmo, porque aquele ali a minha frente era o meu querido irmão que deixava a cama da esposa para me segurar em noites de pesadelos.

— Você me machuca com essas dúvidas, Bella. Foi tão fácil perdoar o Cullen. Agora a mim, que sempre estive com você...

— Viu? É isso que me tira do sério. Essa implicância com os Cullen. Precisava mesmo disso, Emmett? Tinha que comparar uma coisa com a outra? Está sendo justo, Emm? Eu sofri na pele, aliás, sofro até hoje, mas você sabe, irmão, sempre soube o que se passa dentro de mim. E ainda tem Antony e o próprio Edward. Se Leah lhe tirasse a chance de ser pai o que faria?

Levantei-me e comecei a dar a volta para sair da sala, quando impedindo-me ele se colocou a minha frente, outra vez implorando.

— Não. Desculpe-me, você está certa. Não estou aqui para brigar e sim para me redimir. Prometo que vou parara de te julgar por suas escolhas com relação a eles. Prometo também, que não será mais vítima de meus gritos. Só não garanto que vá aceitar tão bem essa aproximação que estão propondo. Acho que tenho tantas feridas para serem curadas quanto você.

Chateada com toda aquela situação que afetava a mim e principalmente a Antony, baixei a guarda, e olha que era a segunda vez em menos de 24hs, e o abracei com força.

— Tudo bem, irmão. Ninguém está te obrigando a nada. Só volte a ser você mesmo e te ajudarei a encontrar o melhor nas pessoas, até naquelas que nos magoaram algum dia.

Os braços dele se fecharam a minha volta, quase me tirando do lugar devido a sua imensa altura perante a minha pequenês.

— Eu te amo, Bells. Nunca se esqueça disso. Eu te amo e tudo que faço é porque quero que seja feliz com alguém que te valorize e que saiba como nossa família é importante.

Não entendendo metade do que ele queria dizer, só pude concordar e repetir o que todos já sabiam.

— Também te amo, Emm. Antony e eu sentimos sua falta.

Edward

— Até que enfim, veio se confessar, meu filho?

Fechei a porta do escritório paroquial atrás de mim e só então estendi a mão para meu amigo e confidente de tantos anos. (Em meu mundo, graças a Deus, não existe o Coronavírus).

— Porque esse seu sorriso gigante e luminoso só pode ser prova de que cometeu um pecado, e dos grandes.

Se possível, sorri ainda mais, antes de me sentar a sua frente e relaxar. Eu estava feliz e ele teria que sobreviver com isso.

— Bom dia para você também, seu padre. E não, respondendo a sua pergunta, não vim para me confessar e sim para conversar com meu grande amigo.

— Hum.

Ele também se sentou, se recostando colocando uma perna sobre a outra e juntando as pontas dos dedos, mas não as palmas das mãos. Numa postura perfeita de padre.

Avaliando-me... Tentando adiantar, pela minha expressão, quais eram as novas. Marcus me conhecia quase tão bem, quanto Esme.

— Pela sua cara de bobão eu poderia dizer que tem tudo a ver com um garotinho loiro e sua mãe, que, aliás, voltou bonitona e vem sendo motivos de várias confissões nessa mesma sala.

De repente, eu sabia, minha boca se abriu num “O” perfeito. Somente não sei se de indignação ou surpresa.

— Está me contando segredos de confissões, padre? Isso não é pecado? Aposto que o bispo da sua paróquia vai adorar saber disso.

Provoquei de volta e voltei a sorrir impedindo que ele alcançasse seu principal objetivo, me provocar.

— Sabe Cullen, eu “disse o milagre, mas não disse os santos”, portanto, não infringi lei nenhuma. Agora pare de me enrolar. Tem certeza que não quer que eu pegue a batina?

Ainda se divertindo as minhas custas apontou para a roupa que usava para as confissões, impecavelmente dependurada perto dos armários na parede esquerda.

— Não, fica para uma próxima, seu padre. Agora eu preciso mesmo é conversar com um amigo que sabe de toda minha história.

— Esse sou eu. E acho que preciso ser recompensado em alguma época dessa vida, por ter ouvido lamentos e mais lamentos por anos. Talvez uma grande dança com sua Bella já baste, desde que seja num dia bem bonito em que ela estará usando um lindo vestido branco e você um terno comprido, estilo fraque, que o deixará parecidíssimo com um pinguim e que vou ter que me segurar demais para não gargalhar durante a cerimônia que predissera a festa.

Eu poderia visualizar cada cena e confesso, amei cada parte dela. Não mudaria uma linha se quer.

— Temos um acordo.

Acordei animado.

— Vou cobrar, pode apostar. Agora pare de enrolar e me diga o que aconteceu.

Deixei que as emoções do dia anterior voltassem com força total. Eu precisava falar daquilo com alguém. A primeira opção era Alice, óbvio, mas, a mulher estava tão estranha ontem à noite e se recusara a me contar o que se passava, que achei melhor deixar para expressar minha felicidade hoje.

E eis que aqui estou.

— Deus me deu dois presentes ontem, Marcus. Não sei o porquê e nem como. Já que fui um idiota. Contudo, recebi muito mais do que ousaria imaginar.

— Te disse um milhão de vezes, Deus é bom e compassivo. Ele já te perdoou pelos seus erros, é você que precisa se perdoar agora, porque, pelo que parece, até Isabella já fez isso, não é?

Ignorei a parte que ele me dava um sermão. Dessa vez não estava ali para aquilo.

— Bella sempre fora melhor do que eu, padre. Sempre estive tão envolto do meu egocentrismo que me recusava a ver isso na época, mas hoje percebo com clareza. É tão boa, tão caridosa... Não só me perdoou, como está deixando e influenciando uma aproximação com Antony. E eu juro, Marcus, estava pronto para me contentar com isso, ou então a esperar por anos e até implorar uma vida inteira para que me desse uma segunda oportunidade de reconquistar, pelo menos, um lugarzinho em sua vida. Mas, aí... Ela me surpreende, como sempre e buum! Me beija! E foi como se a terra voltasse a sua órbita original. Como se o ar voltasse a entrar em meus pulmões, limpo, aquecedor, vital. E agora não sei como viver sem isso mais. E esse é meu medo... De não ter significado o mesmo para ela. De hoje quando nos encontrarmos me ignorar ou até dizer que não significou nada e que não vai se repetir. Por Deus, Marcus! Eu vou enlouquecer!

Passei a mão pelos cabelos tornando-os uma bagunça ainda maior do que eram e arrancando uma grande porção no processo.

— Espera, não entendi direito. Foi você que a beijou? Forçou alguma coisa?

— Não! Por Deus!

Comentei horrorizado.

— Ela me beijou. Estávamos conversando. A intimidade se tornou insuportável. Confesso que tive que retirar forças do além para não puxá-la para mim e aí, assim como que me dando redenção, a mulher vai e me beija... Ela me beijou. Pensa em como me senti e como estou, meu amigo? E se hoje ela me renegar? Estou ficando louco aqui.

Marcus não sorriu, nem fez piadinha. Só me olhou intensamente como sempre fazia quando pensava na resposta certa para meus dilemas.

— Bom, a Isabella que eu conheço não faria isso. Porém, só conheço a versão antiga dela, essa nova ainda não me deu o prazer de uma visita, o que vou corrigir logo, logo. Enfim, a outra te trataria como se tivessem feito as pazes depois de te perdoar pela milésima burrice que cometera. Mas, pelo que me contou, é provável que essa te ignore mesmo.

— É esse o meu medo. De não me conter. O beijo me fez vivo de novo, padre. Foi exatamente como eu me lembrava, aliás, foi melhor. Minhas memórias embaçadas do passado não davam tanta importância para detalhes. E se depois de provar a doçura dela eu não conseguir mais ou não querer mais viver sem isso?

— Ah, e você pergunta isso para mim, um padre?

— Bem, eu tiraria minhas dúvidas com Alice, mas creio que ela esteja vivendo seu próprio inferno de dúvidas com a volta do seu Swan. Então, só me resta você...

— Talvez Rósalie possa...

— Não! Pode parar, Marcus. Meu limite rígido e você sabe disso. Esme pode vir aqui e lamentar todos os dias sobre esse assunto e implorar sua ajuda. Mas, não! Não coloque isso no meio de nossa amizade, porque eu me recuso.

— Você é um teimoso e tanto, Cullen. Precisa perdoar a sua irmã se quer mesmo ser alguém melhor para seu filho e a mulher que jura amar.

O bom de discutir com Marcus, é que em momento algum, ele levanta a voz.

É sereno sempre. Como se te batessem com penas de ganso. Você sabia que estava apanhando, mas não ficavam feridas nem cicatrizes.

— A mulher que amo ficará muito orgulhosa quando descobrir que, que... Aquela lá... Nunca mais será um problema. E se não tem um conselho bom para me dar...

— Senta aí.

Ameacei levantar, e só ameacei porque a advertência dele, veio como forma de ordem, o que tornava muito difícil de desobedecer.

— Esqueçamos Rósalie, por enquanto então. Mas, só para deixar registrado, você está errado. E quando Deus não nos mostra nossos erros pelo amor, ele infelizmente, mostra pela dor... Mas, voltando a Isabella... Não tem um jeito fácil, Edward. Como uma bula de remédio ou uma receita de bolo. Se ela fingir que nada aconteceu, o que é bem provável que acontecerá, aja como se tivesse acontecido sim. Se arrisque. Saia da zona de conforto e medo. Deixe seus sentimentos te guiar. Ela precisa saber que você a ama e está disposto a lutar. O pior que pode acontecer é ser estapeado ou esbofeteado, porque tirar Antony do seu convívio está evidente que não vai. Arrisque!

— Mas, e se...

— Ah, “e se, e se”, esqueça isso! Você viveu com esse lema por 4 anos. Seja homem agora! Mostre a essa mulher que você mudou. Que a ama e que vai fazer o que for preciso para tê-la de volta.

As palavras dele adentrando meu ser e fazendo com que a confiança voltasse a mim.

— Sabe, Marcus, para um celibatário você até que entende de assuntos do coração.

— Anos e anos de segredos de confissões trazem aprendizado, amigo. E olha, que teve uma época que achei que seríamos amigos de profissão. Agora, pelo que parece, Isabella está a um passo de “roubar um provável futuro homem de Deus”.

— Ah! Eu desisto. O bispo estava mesmo louco quando deixou que você passasse naqueles encontros vocacionais e depois fosse para o seminário.

— Suas cartas de referência diziam o contrário... Acho que nunca te agradeci por isso.

Sorrimos um para o outro. E então a conversa teve que ser encerrada porque Jéssica me ligou dizendo que meu paciente das nove havia chegado.

Todavia, minha missão ali estava cumprida. Havia divertido Marcus e ele me aliviado e aconselhado de meus dilemas. Era fato, eu tinha um grande amigo.

Jasper

— Pois não? Posso ajudá-lo em alguma coisa, senhor? Procura algo em especial? É para sua esposa ou sua mãe?

Uma questão que eu nunca entenderia: Por que atendentes eram tão curiosas?

O quê? Só porque estou numa boutique feminina tenho que querer algo para uma mulher? E se fosse para mim? E se meus hábitos noturnos... Ah, estou começando a divagar e isso é um sinal claro de nervosismo para Jasper Swan.

— Perdão, moça, mas eu gostaria de falar com Alice Cullen, por favor.

Outro que me deixava em dúvida: O que a aparência de uma pessoa contava? E olha que eu estava até arrumadinho: Calça de brim preta e camisa jeans (de uniforme da loja) e de botas marrons, nem era botina, era bota mesmo. E daí que eu trabalhava na administração? Uniforme é uniforme. Se ela me visse de manhã na fazenda... certeza de que se escandalizaria.

— Hum, a senhorita Cullen já chegou, mas ela não atende ninguém antes do almoço e especialmente hoje, não atenderá ninguém em horário nenhum, pediu para que não a interrompessem de maneira alguma.

— Eu entendo. Mas poderia dizer a ela que Jasper Swan está aqui. Aposto que me atenderá.

Para meu desgosto a mulher voltou a me olhar de cima abaixo para depois ser cínica. Juro que minha vontade foi de apertá-la pelo pescoço. Será que não percebia meu estado? Que o assunto era mais do que importante?

— Me perdoe, senhor Swan. Mas, terá que voltar depois. Quando ela diz que não quer ser interrompida por ninguém isso quer dizer ninguém, não há exceções para Swan algum.

— Ora sua, sua...

Eu ia perder a paciência, juro que ia, mas eis que me aparece a outra Cullen e me cala completamente.

— Pode deixar que eu termino aqui, Giana. Jasper é da família e, tenho certeza, que Alice o receberá. Pode ir, o depósito está precisando de uma bela arrumação. Pode deixar que as outras meninas e eu damos conta daqui da frente.

A mulher abriu a boca para argumentar, mas, uma vez Rósalie sempre Rósalie. A postura altiva, o corpo esguio, o cabelão comprido, liso e muito loiro. A maquiagem impecável. Os saltos enormes... Tudo nela demonstrava superioridade.

Dá para entender porque Emmett a amou tanto... Por outro lado, dá para entender porque ele se apaixonou pela simplicidade de Leah.

Rósalie não se parecia em nada conosco.

— É bom te ver, primo. Estava pensando a que horas apareceria por aqui, já que Alice está com uma cara de choro, que Deus nos acuda.

O “primo” fez a vendedora corar e instintivamente baixar a cabeça e sair.

É querida, para seu desprazer, somos parentes, e mesmo que não fosse era obrigação dela me tratar melhor.

— Perdão pela Giana, ela é boa vendedora. Contudo, trabalhar numa boutique, uma das únicas de Forks, subiu a sua cabeça.

E eu a entendia. A loja era linda. A arquitetura lembrava o prédio da clínica de Edward e certeza de que haviam sido construídos na mesma época, porque tinha muita coisa semelhante ali: os balcões em granito e pedra polida nos pés, o porcelanato brilhoso do chão, o formato futurista das luzes em led.

— Venha comigo. Alice está na sala dela.

Eu não dirigi uma palavra a ela, aliás, eram raras as vezes que me lembrava de Rósalie já ter falado comigo. Emmett e a implicância com Bella, sempre foram os centro de sua atenção em nossa família.

— Não precisa me acompanhar, basta mostrar a direção. Tenho certeza, de que tem coisas mais interessantes a fazer do que ser guia de um caipira.

Ela, que estava ao meu lado, mas um passo a frente, parou de imediato.

— Eu mereci isso, não foi?

Fiquei em silêncio, como diz vovó: “Quem cala concentre”.

— Jasper, eu, eu... Não sou a mesma.

Voltou-se para mim. Os intensos olhos de vovó Marie resplandecendo nela.

— Tenho consciência de que destruí minha família. Condeno-me por isso todos os dias. Em um único dia vi o amor de minha vida sumindo, junto com sua família, e meus irmãos me odiando para todo sempre. Hoje, anos depois, Alice me suporta porque somos obrigadas a trabalhar juntas, imposição de Esme, claro, porque se fosse por vontade própria... Rá!... Já meu irmão... Nunca mais se quer me olhou nos olhos, quanto mais me dirigir à palavra... E se não aprendi uma lição na época, o tempo se encarregou disso. Se deixarem, vou me redimir, Jasper. Isso se me deixarem aproximar, algum dia.

— Alice. Estou aqui para ver Alice.

O lamento dela não me abalou em nada. Eu conhecia, de camarote, os estragos de suas ações.

Ah, coitadinha, se sentia sozinha... Pensei irônico... Bem feito!

Isabella luta contra ansiedade e síndrome de abandono até hoje.

— Certo! Vá até o fim do corredor e suba as escadas. A sala dela é última porta a direita.

Respondeu rendida, os ombros caindo e parecendo mais velha e encurvada do que o normal.

Muito bem, se ela estava triste, nos estávamos reerguidos. Isso são as voltas que o mundo dá.

Esquecendo Rósalie e pensando única e exclusivamente no meu objetivo ali, atravessei o lugar para dar de encontro a escadas de madeira escura com corrimão de madeira nobre. Tudo de muito bom gosto.

O andar superior se abria para uma pequena sala, tipo recepção com sofás e uma pequena mesa de centro.

À esquerda e no fim de corredor, via-se o que parecia uma pequena cozinha, uma senhora circulava por ali, retirando alguma coisa da geladeira.

Seguindo o itinerário de Rósalie, virei para a direita, passando por duas outras portas fechadas até chegar à última.

Bati uma, duas, três vezes antes de uma voz baixa me deixar entrar.

— Rosie, eu disse que não queria falar com ninguém e...

Quando ela levantou os olhos, de algo que fingia ler em sua mesa, e viu de quem se tratava foi que tive ciência do que minha falta de reação ontem causara;

Alice estava pálida como papel e parecia mais triste do que nunca.

— Jasper, eu, eu...

Não deixei que falasse, era a minha vez.

Por isso, atravessei sua sala, dei a volta em sua mesa, sentei na ponta, tirei do bolso a caixinha que havia guardado a mais de quatro anos e coloquei na frente dela.

— Há tempos atrás, mesmo com nossa pouca idade, eu estava pronto para te pedir em casamento, quando nossa vida tomou outros rumos e tive que fazer uma escolha. Não posso dizer que me arrependo, porque dessa escolha saiu à sanidade de minha irmã e o amorzinho de minha vida, Antony. Porém, hoje, mais maduros, mais conscientes e prontos para assumir as rédeas de nossas vidas te pergunto: quer casar comigo?

Lágrimas escorriam dos olhos dela.

— Tem certeza? Nossas famílias, eles, eles...

— Vamos formar nossa própria família, Alice, e é a ela que devemos explicações. Além disso, somos maiores e responsáveis, esteja a meu lado e enfrentarei o mundo. Eu te amo, se lembra?

E então segundos depois ela já estava em meus braços bradando sim e sins para quem quisesse ouvir...

Notas finais
Bom para quem ainda não sabe, fiz um Instagran, só para falarmos de livros e Fanfics. Add lá, porque tem até spoilerzinhos de vez em quando: kodelcarla39 Comentem aqui, por favor...qual parte mais gostaram? Como acham que será o dias depois do beijo, para Bella? Aguardo ansiosamente. Beijos, se protejam e fiquem com Deus