Notas iniciais
Nyah, Tá de brincadeira comigo. Postei ontem a noite e não foi... Vamos ver agora...

Edward

— A visão!

Murmurei baixo puxando mais o lençol, que a cobria, para o lado. Deixando “o caminho livre” para que os primeiros raios de sol da manhã literalmente banhassem as costas do corpo nu, da minha noiva.

— Noiva!

Sussurrei ao mesmo tempo em que não resistia e beijava suas costas.

Ela disse sim. E eu tinha provas. Lindos anéis com meu nove gravado reluziam em seus dedos.

Eu havia conseguido tudo pelo que lutara desde que partiram.

— Linda!

Cochichei de novo. Quase não resistindo ao impulso de fotografá-la com o celular.

Ela estava perfeita sob meus domínios: nua, descabelada e exausta. Exatamente como eu jurei, em pensamento, que faria cada vez que me martirizava por não ter lhe dado a primeira vez dos sonhos.

— Dessa vez eu arrasei, Vida!

— Hum... Modesto...

Um sinal de sorriso brotava de seus lábios enquanto permanecia com os olhos fechados e se mantinha na mesma posição.

Danada! Estava acordada! Mas, tenho certeza de que isso acontecera agora a pouco. Porque conferi várias vezes, depois de nos saciarmos nos braços um do outro, Bella “apagou”. Ressonou com tranquilidade e nem se virou.

Os pesadelos? Nem deram sinais.

O que era ótimo. Porque, pelo que fiquei sabendo, eles são horrorosos e fazem um inferno em sua noite.

Mas, não nessa... Essa foi especial, a nossa noite dos sonhos.

— Posso ser?

Puxei sua mão para cima de uma das almofadas, para que os raios do sol a atingisse e causassem “o efeito”.

Enquanto isso, salpiquei mais beijos de boca aberta nas costas dela, que imediatamente responderam ao meu ataque, se arrepiando.

— Hum, acho que terei que experimentar outras noites para ter certeza de que arrasou mesmo.

Brincou ainda de olhos fechados.

— Posso apresentar a manhã, tarde e madrugadas para essa sua teoria?

Deu risinhos antes de acenar em concordância.

Ela estava feliz! Eu a havia feito feliz!

E só não sai correndo no meio da plantação fazendo uma dancinha da vitória, porque estava pelado. Não seria uma cena bonita de se ver, nem imaginar...

— Vamos levantar?

— Humm.

Resmungou algo inteligível quando subi a boca para sua nuca e orelha. Ela continuava cheirosa e linda mesmo descabelada e “gritando” a sexo bem feito... É, talvez eu seja mesmo meio modesto.

— Quero te levar para dentro antes que as pessoas comecem a chegar para trabalhar.

— Você tem trabalhadores aqui?

Sentou-se assustada segurando o lençol sobre os seios e olhando em todas as direções em busca de alguém.

— Alguns.

Levantou aquela sobrancelha perfeita para mim, fazendo com que eu sorrisse mais e revirasse os olhos.

— Um jardineiro, uma cozinheira, mais duas pessoas que cuidam da casa. Mas, não se preocupe, eles não moram aqui. Chegam de manhã e vão embora à tarde.

— Mas hoje é domingo.

Fez cara de indignação e condenação ao mesmo tempo. Por que quem em sã consciência obriga seus funcionários a trabalharem no fim de semana?

— É uma exceção, Minha Vida. Darei folgas dobradas a eles. Eu só precisava de ajuda no seu momento. Concordaram de muito bom grado em me ajudar. Acho que é o efeito Bella Swan nas pessoas.

Sentei-me também já a puxando para meus braços e beijando sua testa.

Por Deus! Como eu conseguiria passar os dias sem tocá-la a todo o momento agora? Eu sabia que seria meu fim quando isso acontecesse, eis que não errei.

— Tudo bem então.

A abracei mais apertado.

— Hummm, Bella Swan dizendo que precisamos descansar aos domingos? Quem é você e o que fez com minha noiva?

Noiva! A palavra deslizou, de novo, docemente pela minha garganta e eu quis, mais uma vez, gritar ao mundo o sim dela.

— Acho que ela ainda dorme em meio aos lençóis.

Deu de ombros e se encostou mais a mim quando os raios do sol nos atingiram em cheio no meio da tenda.

— É lindo!

— Se é! Eu sabia que esse seria o efeito.

Falávamos da mesma coisa e ao mesmo tempo não. Ela admirava o nascer do sol. Já eu estremecia de deslumbramento quando o astro rei tocou sua pele e enviou brilhos reluzentes para todos os lados, graças ao anel maior que reluzia em seu dedo.

Era disso que eu estava falando.

— Quando planejou os mínimos detalhes da casa imaginou que seria tão lindo assim?

— A principio não.

Beijei o anelar direito dela. Ela era minha!

— Eu só queria realizar seu sonho. Depois, com o avançar da construção fui vendo como era lindo a natureza fazer seu papel aqui. Então, passei a levantar mais cedo, todos os dias, para chegar aqui antes da equipe de construção para saber o que a casa ”conversaria” comigo dessa vez. E foi num dia assim que me vi tomado pela beleza do amanhecer. E me dei conta de que você não poderia perder aquilo. O sol tem sua magia natural, acho que porque aparece pouco em Forks. E o mesmo acontece com as tempestades como te disse ontem. Você precisa ver para entender do que estou falando. É um fenômeno!

— Quero ver.

— Claro que verá!

Porque não havia dúvidas de que a queria em nossa casa, para ontem.

— Acho que não queria que esse momento acabasse. Está tão bom aqui.

— Ele não vai acabar, Vida. Eu prometo. Isso é só o começo.

Para provar, a beijei com carinho. Passei o dedo por seu pescoço e acariciei com calma. Depois levei a mão ao cabelo e segurei sua cabeça no ângulo certo. Do jeito que minha boca tomasse a dela toda.

Eu dava e ela recebia.

Minha língua buscava espaço dentro dela. Eu queria agradá-la, satisfazê-la e tranquilizá-la sobre cada resposta positiva que disse para mim. Eu me certificaria de que Bella nunca se arrependesse de ter me perdoado.

— Linda...

Gemi quando sua mão puxou meu cabelo no intuito de nos aproximar mais. O que eu faria de bom grado se não estivéssemos onde estávamos.

— Quero te dar o mundo, Bella. Mas, definitivamente, precisamos sair daqui se não quiser mesmo ser vista pelos funcionários. Eles chegarão a qualquer momento.

Dei- lhe beijinhos molhados no ombro enquanto lamentava por não ter pensado melhor em como seria o “nosso acordar”.

— Ok!

Suspirou e não era um suspiro feliz.

— Você venceu. Vamos lá. Não se preocupe, Edward. Só acho que não estou pronta para sair de nossa bolha ainda.

Hum! Ela queria mais tempo.

Será que eu conseguiria nos dar esse presente sem causar a terceira guerra mundial com os Swan’s? Quem sabe? Não custava tentar. Aliás, acho que só precisava ligar para a pessoa certa.

— Aqui, vamos entrar e ver o que podemos fazer para realizar esse desejo.

Entreguei-lhe um roupão e ajudei-a a se vestir. Depois fiz o mesmo. Pegamos nossas roupas nos braços e caminhamos para fora.

— Hummm!

Deu um último olhar saudoso para trás antes de enfim se virar e me dar à alegria de abraçá-la enquanto caminhávamos rumo a nossa casa.

— Não se preocupe, alguém arrumará a bagunça. E no futuro podemos manter o lugar. Deixar... Sei lá, só o gramado. Como se fosse uma área verde para acamparmos com nossos filhos nas noites claras e claro... Depois, quando os colarmos na cama, fugirmos para o nosso tempo.

Ela sorriu de lado e eu não sabia se era para meus pensamentos libidinosos ou para o plural de filho.

— É uma ótima ideia. Só preciso estudar melhor os projetos em volta e decidir com você o que faremos depois de casados. Se quer investir em gado, cavalos ou só lavouras. Se vamos cuidar de tudo, nós mesmos, ou se vamos deixar as terras arrendadas com o seu pai como estão. Porque minha vida é meio corrida com a loja e os atendimentos na Sonho Azul, sem contar os atendimentos veterinários que são agendados pela loja. Tenho medo de não ter tempo. Vou precisar da sua ajuda com a contabilidade, à noite, quando chegar do hospital, porque...

Jesus! Eu me perdi em dois sentimentos: o primeiro de pavor por não ter contado a ela, ainda, sobre minha decisão. E o segundo, e mais completo, era o de plenitude pelos planos que ela fazia para nós, nossas terras, nossa vida.

— Vamos dar um jeito. Mas, acho que não queria que continuassem arrendadas. Queria que assumíssemos nossa vida. Sei que seu tempo é curto, ainda mais com a construção das barragens e implantação dos novos pivôs. Mas daremos um jeito. Vou pegar no engenheiro, amanhã mesmo, uma cópia das marcações e esboços que fizemos para o curral, as baias, o silo e os galpões dos equipamentos e estocagem de sementes, adubos e defensivos. Só preciso que decida onde fica melhor e certo, cada um, e começamos as construções.

Tagarelávamos enquanto caminhávamos abraçados. Ela prestava atenção e fazia observações.

— Ok! Só preciso conversar com Emm... Humpf! Bom, preciso dar uma estudada para relembrar as limitações entre cada construção. É muita coisa, Edward. Precisamos ir devagar. Não esqueça que temos as nossas partes nas barragens para pagar. Não podemos extrapolar. Não dá para “abraçar o mundo” de uma vez.

Ignorou o pequeno deslize ao citar o irmão e depois voltar atrás. Contudo, a chateação dela de não pode contar com ele, era clara. Eu precisava dar um jeito nisso. Bella e Emmett se amavam e eu não queria ser a razão de desentendimento entre eles.

— Você cuida dos projetos, eu cuido dos pagamentos.

— Mas, Edward...

— Nada de, mas, Mocinha. Estou a cinco anos me preparando para isso, Amor. Não toquei num centavo dos lucros do arredamento que Carlisle me passa todo ano. Eu sabia onde esse dinheiro seria investido.

Isso sem falar nos acertos que receberia por deixar de atender no hospital. Mas, essa parte deixei de lado. Não era hora de contar-lhe ainda.

— Tem sua parte nas barragens e nos pivôs e...

— Tenho isso em mente, Vida. Não se preocupe. Agora vamos entrar porque os empregados estão chegando.

Apontei para a van que acabava de apontar na estrada principal e que logo estaria aqui.

— Teimoso!

Murmurou assim que eu me afastava para que ela passasse pela porta e entrasse.

— Linda! Gostosa! Minha!

Bella

- Isso soou meio machista, você sabe.

O “bonito” sorriu daquele jeito meio safado de lado, como se confirmasse o que eu tinha acabado de dizer e nem se importasse.

Homens!

— Acho que Antony nos perdoará se fugirmos por mais algumas horas?

Guiou-nos para a cozinha. Inteligentemente, mudando os rumos de meus pensamentos sobre direitos das mulheres e coisa e tal...

— Acho que nem se importará. Já que hoje é dia da almoçar com dona Marie na Sonho Azul. Só precisamos ver a disponibilidade de Jasper. O que tem em mente?

Virei-me para encará-lo nos olhos. Tentando inutilmente desvendar o que planejava.

— Você e eu nus na cama o dia inteiro.

— Humpf! Para quem estava tão relutante, você está bem saidinho hoje, Cullen.

— Você “alimentou a fera, Swan”! Agora segure a barra. Além disso, não estou pronto para dividir nosso momento com os outros ainda. Importa-se?

Aproximou-se, segurou minha cintura, levantou e me sentou no balcão da cozinha.

— Claro que não! Só me passe o telefone, preciso falar com Jas, e o meu está perdido em algum lugar do segundo andar.

— Aqui.

Passou-me o aparelho e antes de se afastar, aproveitou a oportunidade, abaixou meu roupão, bem no ombro esquerdo e mordeu de leve.

— Ai!

— Perdão, Vida. Mas, é gostosa demais. Eu não resisto.

— Dá licença seu... Seu... Sem noção!

Empurrei-o para longe com os pés, porque obviamente que não teria condições de falar com meu irmão, quando a boca dele estava fazendo gracejos em mim.

— Ei, Bells. Caiu da cama?

Atendeu no terceiro toque.

— Você que dorme demais, preguiçoso. Além do mais, nem é tão cedo. Que horas são por falar nisso?

— Perdeu a noção do tempo né, Maninha?

— Ai, Jasper. Seja menos idiota.

Ele se divertia as minhas custas, isso era evidente.

— Ah, e você seja mais educada. Insultar seu irmãozinho lindo quando está prestes a pedir um favor não é legal. Bells. Posso dizer não, você sabe.

— Ah, como você...

— Não entra nessa, Bella. Ele vai dizer sim.

A voz sonolenta de Alice interrompeu meu raciocínio. Ela também ouvia nossa conversa.

Bom, se ela podia... Coloquei o telefone no balcão e acionei o viva voz para que Edward também participasse da conversa.

— Como sei que precisa de mim? Bom, o brilho dos seus anéis reluziram aqui. Clarearam meu quarto, por isso acordei cedo.

Edward, que acabara de retornar para mim, me entregou um grande como de água gelada, depois se aconchegou entre minhas pernas, ouvindo mais atentamente nossa interação.

— Mentira! Antony nos acordou querendo leite.

— Lice!

— O quê? É minha melhor amiga e meu irmão. Alguém precisa defendê-los. Estão anos na seca.

Edward fez cara feia e eu sorri para as rusguinhas deles. Porém, não pude deixar de olhar para minha mão e contemplar meus lindos anéis. Isso! Vocês não leram errado, meus anéis. Eu havia ganhado dois: um solitário que fora imediatamente para mão esquerda, diferente do que manda a tradição. Isso porque no anelar direito, o que simboliza o compromisso, ele reservara para uma aliança. Aliança mesmo, das de casamento. Bem parecida com a que coloquei no anelar direito dele segundos depois dele ter colocado no meu.

Edward não estava para brincadeiras. Disse que queria tudo direito e para ontem. E que a aliança era para deixar claro que as intenções dele eram sérias, reais e rápidas.

Afh!

— Não tenho culpa se não teve criatividade o bastante, Cunhado. Se eu fosse, você apressaria essa data aí ou levo sua irmã para a igreja antes de você.

— Não se atreva, Cullen. Eu cheguei primeiro. Mas se está tão apressado podemos pensar em um casamento duplo. Que tal?

— Nunca! Um tira a sorte do outro. Ainda mais que somos irmãos. Fora de cogitação. Pode até ser um dia depois, mas no mesmo dia não. Bella, não deixa esses malucos fazerem isso!

— Calma, Alice. Nada de casamento junto. Já entendemos e ninguém ousará contrariar uma grávida. Mas, será que agora podemos voltar ao assunto?

Cortei antes que acabássemos o dia marcando casamentos para a próxima semana.

Esses dois...

— Qual assunto? Ah, o que você implora para que cuide de Antony enquanto você e seu noivinho se esbaldam? Bom, vamos ver...

Idiota! Murmurei baixo. Edward escondeu o rosto em meu pescoço e gargalhou.

— Pode ser, irmãzinha. Mas, ficará me devendo dois favores. Por ontem e por hoje.

— Ei, não tive nada a ver com ontem. Devo-te só o de hoje.

— O outro é por minha conta, Jasper. Apesar de que, acho que não devo nada porque, afinal de contas, você estava com minha irmãzinha se divertindo muito.

— Deve sim, cunhadinho. Porque de irmã para irmã, você...

- Querem parar? Você vai ou não ficar com Antony?

— Adoro mulheres mandonas e você, Jas?

— Amo! Domar uma é meu passatempo favorito.

— Desisto!

Tentei, de novo, empurrar Edward. Porém o agarre dele em minha cintura ficou mais forte e seu olhos mais intensos, em minha boca, quando sorvi o restante da água de uma vez tentando me acalmar.

— Chega, Jas! Fale sério. Bella e Edward estão perdendo tempo.

— Tá bom, estressadinhas. Claro que fico com Tony, Bells. Nem precisava pedir. Pode se esbaldar ai.

Revirei os olhos e Edward segurou a risada. Era melhor calar porque se dar corda para Jasper, o assunto não acaba.

— Obrigada, irmão. Você é o melhor. Te amo e te devo mesmo uma. Prometo pagar quando o bebê de vocês chegar. Agora chame Antony que quero falar com ele.

— É, me adula mesmo. Ainda mais porque está brigada com Emmett. E sim, me deve, vou cobrar... TONY... ANTONY! Sua mãe no telefone.

Ele literalmente berrou.

— Garganta poderosa.

Edward brincou.

— Oi Mamãezinha, bom dia.

— Bom dia, Filhote. Dormiu bem?

— Sim. Tirando os roncos do titio, Jas, que dava para ouvir do meu quarto. Tony dormiu bem.

— Ei! Eu não ronco.

— Não, Antony, ele não ronca. Só respira como um porco.

Jasper deu um resmungo alto e meu filho e Alice riram de suas piadinhas. Eles estavam felizes e se dando muito bem.

— Muito bom. Mamãe fica feliz.

— Tony também. E você, mamãe? Dormiu? Não teve pesadelos?

Olhei para Edward e seu brilhante sorriso torto antes de respondê-lo.

— Não, Amor. Nada de pesadelos. Só belos sonhos e uma noite linda aqui na casa do papai.

— Nossa casa.

Murmurou me apertando mais junto a ele. Hábitos que precisam mudar. Para mim é complicado chamar algo de meu se eu não paguei por ele. E algo me dizia que falar em pagamento com ele, seria o mesmo que chamar para a briga.

— Graças a Deus! Mas, você já ta vindo, mamãezinha? Ou vamos nos encontrar na casa da bis-vovó? Tony tá com saudadinha.

— Humpf! Filho, é por isso que mamãe ligou. Papai e eu não vamos. Temos assuntos de adulto para resolver aqui e não dará tempo. Você pode ir com titio Jas.

Ele não respondeu e foi preciso um incentivo de Jasper para que me desse um retorno.

— Antony, responda seus pais. Eles estão esperando.

— Tony, não vai ver vocês? Eu, eu...

A voz dele se transformou. Baixou e um tom de choro já podia se ouvir.

— Ei, filho. É o papai aqui... Não precisa chorar. Se não quiser ir para a Sonho Azul não tem problema. Papai te pega aqui na estrada quando seus tios estiverem indo. Você vem para nossa casa ficar conosco. Não tem problema. Nós só achamos que você quisesse passar o dia com seus avôs.

Agradeci a Edward, com um aceno de cabeça. Aquele não era o plano original, porém eu não relaxaria sabendo que me filho se chateou por termos o deixado com os tios de novo.

— Mas, mas... Tony que ir. Tá com saudade do vovô e da vovó e da Mimosinha. Mas, “quelia” a mamãe dele “tabém”.

Tropeçou nas palavras, de ansiedade e nervoso, mostrando para mim o quanto aquela situação o afetara.

— Tudo bem, esquece! Mamãe e papai vão para o almoço. Encontramos-nos lá e...

— Não! Bells! Isso aqui é manha e você sabe. Ele nem sentiu sua falta à noite toda. E éramos só nós aqui. Acha que lá na fazenda ele sentirá? Por favor, né? Antony! Pare! Sua mãe está mudando os planos. Não faça isso!

— Jasper...

— Não, senhora! Ele precisa aprender que o mundo não gira entorno dele. Lembra do que a psicóloga falou? Alice me contou detalhes da conversa de “não irmãos” de ontem. Isso tem que parar! Dividir, irmã. Ele precisa aprender... Usar o ponto fraco de sua mãe, não é nada bonito, rapazinho.

— Mamãe...

Ele sussurrava agora.

— Estou aqui, filho.

— Tudo bem. Tony entende. Está com saudade, mas também quer ficar com o vovô Só “plomete que demolalá” à noite.

— Nós prometemos, Antony. O papai levará a mamãe para você a noite.

Edward respondeu por mim, olhando em meus olhos, me desafiando a contradizê-lo.

— Isso, filho. Aproveite o dia na fazenda sem mamãe. Te vejo a noite.

— Tá bom. Tony ama o papai e a mamãe.

— E nós amamos você, se cuida... E Jasper, obrigado!

— Me deve triplicado agora. E não fique preocupada. Ele já correu para o quarto para terminar de arrumar os brinquedos que levará.

— É mais forte do que eu. Estou aqui totalmente tentada a ir nesse bendito almoço.

— Nem sonhe, Swan. A distraia, Cunhado!

— Com prazer. Bom dia, Jas. Se cuidem e qualquer coisa, nos liguem.

— Sem dúvidas. Se divirtam.

Edward pegou o telefone de minhas mãos antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.

— Ele ficará bem, Bella. Não pense muito. Antony está acostumado a tê-la só para ele. Infelizmente, terá que aprender que não é assim. E não digo por mim, porque dividi-la com meu filho é motivo de orgulho para mim. Porém, ele não será a única criança dessa família. Os primos estão chegando e, se Deus quiser, e eu te convencer, teremos muitos filhos, e logo. Ele terá que superar o ciúme.

Eu sabia daquilo, claro que sabia. Sabia também, que mesmo que não tivesse dito, Tony estava um pouquinho mimado demais.

Contudo, quando a lembrança da vozinha triste dele vinha à mente...

— Vida...

— Ok.

Respirei fundo.

— Deixemos que nossos irmãos lidem com a ferinha. Agora faça aquela ligação que quero muito tomar banho e comer.

— Obrigado. Seu desejo é uma ordem.

Passei-lhe o telefone ignorando seu olhar especulativo. Superaria minhas paranoias e apreensões. Ele não precisava se preocupar. Além disso, Edward merecia um mimo por tanto carinho e cuidado. E convenhamos, passar um dia inteiro sozinha com aquele homem não era nenhum sacrifício.

— Me deseje sorte.

— Sorte!

Murmurei não fazendo à mínima ideia de para quem ele estava ligando.

— Oi. Bom dia.

Saudou alguém do outro lado da linha e devia ser muito conhecido meu também, porque imitou meu gesto, colocando a chamada no viva voz e descansando o aparelho no balcão, onde eu ainda estava.

— Oi? É assim que saúda sua avó, rapaz? Esqueceu sua educação nos corredores do meu hospital que você mal anda frequentando, não é? Olha que eu posso...

— Sua benção, avó mais linda do mundo.

Cortou-a e adulou ao mesmo tempo evitando assim que dona Marie já começasse uma conversa complicada e zangada.

Eu precisava ajudá-lo.

— Vozinha, sua benção. Está tudo bem com a senhora?

Cinco segundos, foi o tempo que ela ficou em silêncio processando o que acabara de ouvir.

— Ah, então “os ingratos” estão juntos? E pelo horário posso apostar que passaram a noite um na companhia do outro. Mas, é muita pouca-vergonha mesmo. Na minha época a gente casava primeiro. Preciso conversar seriamente com Charlie e Esme. Onde foi que eu errei, meu Deus?

Forcei a mão na boca, segurando uma risada. Edward não resistiu e gargalhou alto. Porque era evidente, pela entonação da voz dela, que vovó estava se divertindo fingindo nos dar uma bronca.

— É só isso? Vão rir e pronto?

— Não, vozinha, não vamos. Estamos te ligando para dizer, em primeira mão, não contamos para ninguém ainda, que vamos nos casar.

Mais uma vez ela ficou alguns segundos em silêncio. Parecia não acreditar nas palavras de Edward.

— O quê? Acho que escutei mal. Preciso mandar regular esse aparelho. Se eu tivesse alguns médicos competentes nessa família seria o céu.

Foi nossa vez de esperar um pouquinho. Conhecíamos dona Marie, agora, com certeza, ela tinha retirado o aparelho e o chacoalhado insanamente para ver se consertava.

— Deve estar quebrado...

Resmungou alto.

— Seu aparelho está bom, vovó. É exatamente isso que ouviu, Edward e eu vamos nos casar.

— A noite juntos foi uma comemoração?

— Foi, vó. A melhor comemoração porque nesse instante, estou admirado com o brilho do meu anel no dedo da neta mais linda que a senhora tem.

— Ela puxou a vó... Deus! Obrigada! Eu tenho tantas promessas para pagar. Diga a seu amigo Marcus para me visitar na segunda, querido. Quero saber o que as obras assistências dele precisam. E você tem muito que agradecer também, porque o coração dessa menina é bom.

Sim, ela falava sério. Dava para perceber que se emocionara e que certamente fizera mesmo algumas promessas para que Edward e eu nos acertássemos.

Dona Marie era uma peça! Quem há vê não dá nada por ela:

Baixinha, franzina, grisalha e com cara de vulnerável. Contudo, não se enganem... Mexa com um dos seus e a velhinha vira o bicho.

— Vou fazer melhor do que avisar a Marcus, vovó. Segunda, à tarde, buscarei a senhora aí e te levarei até ele. Assim aproveito e faço minha parte de agradecimentos direto na casa de Deus.

— Gostei dessa parte do plano, há anos que espero esse convite para passearmos juntos.

— Será o primeiro de muitos, prometo.

— Se eu fosse você parava de adular e ia direto ao ponto. Ela vai brigar de uma maneira ou de outra.

Brinquei sabendo que ele estava protelando e também porque precisava desviar a conversa. Eles faziam parecer que eu havia feito algo extra-ordinário, quando, na verdade, só deixei que meu coração falasse.

Amo Edward, isso é fato. Acabaria esquecendo o passado uma hora ou outra.

— Ah, eu sabia. Vocês dois não interromperiam as comemorações aí de graça para ligar para uma vozinha desamparada. Digam o que querem e digam logo.

Velhinha desamparada, sei...

— Ah vovó mais linda de todas, não diga isso. A senhora é mesmo a primeira pessoa, a saber, tirando Jasper e Alice, que estão tomando conta de Antony. E é certo que seria assim, é importante demais para nós. Não sei o que seria de mim se não tivesse trazido o Swan’s de volta. E é sabendo desse coração bom da senhora que gostaríamos que perdoasse e justificasse nossa ausência no almoço de hoje.

— O que Edward quer dizer, é que só a senhora é capaz de conter os gritos de Charlie quando perceber que não aparecerei, vó.

— Humpf, eu sabia. Adularam bastante para depois apunhalar. O dia de hoje é meu, Charlie não tem nada com isso.

Ela tinha razão.

— Sabemos disso, vovó. E prometemos que não irá se repetir. Edward e eu só queríamos curtir um pouquinho mais, um do outro, antes de enfrentar uma provável tempestade quando dermos a notícia.

Ela demorou um pouquinho para dar seu veredicto.

— Tudo bem. Por hoje eu perdôo. E não se preocupe com seu pai. O vejo todos os dias, sei como está sentindo sua falta. Ele aceitará tudo, desde que volte para perto de novo. Aproveitem aí que eu resolvo aqui;

— Ah, vovó, a senhora é a melhor.

— Eu sei. Só não ouse a magoar minha neta de novo. Ou eu mesma, “chuto sua bunda”, garoto.

— Combinado! Te amo, dona Marie.

— Mais do que céu, vovó.

Repeti a frase que dizia a ela, quando criança, e que representava o tamanho do meu amor.

— Certo, certo! E eu amo vocês. Agora vão se divertir, usem camisinha e Edward? Alimente essa garota com comida. Porque, ninguém sobrevive de amor.

E fim, desligou na nossa cara. Deixando-nos embasbacados e completamente atônitos para tamanho atrevimento.

— Quantos anos ela tem?

Edward perguntou e eu só dei de ombros e respondi uma verdade;

— Todos!

Porque aquela era dona Marie a toda poderosa da Sonho Azul e que comandava a vida de todos com a sabedoria de anos de experiência.

— Acha que minha mãe ou a sua serão assim quando chegarem à idade dela?

Acariciei seus cabelos entendendo sua preocupação, com nosso futuro em relação à educação de nossos filhos.

— Tenho mais medo de Charlie e Carlisle serem assim. Papai estraga tanto Antony.

Ele estremeceu antes de respirar fundo e fechar os olhos.

— Quer mesmo sofrer por antecedência? Achei que tínhamos planos para o dia e que isso incluía a gente sem roupa o tempo inteiro.

Provoquei me esfregando propositalmente em seu corpo abrindo mais meu roupão e o dele.

— Isabella, Isabella...

Sorriu de lado, mas logo colocou fim na brincadeira me beijando com força e demonstrando que suas intenções não eram nada inocentes.

— Linda demais, Vida!

Era uma mentira ou Edward não andava enxergando direito.

Eu estava um caos. Meu cabelo certeza, estavam pior que o emaranhado do ninho das galinhas. As poucas horas dormidas, deviam ser evidentes, pelo inchaço dos olhos.

Mas, ele não parecia se importar nenhum pouco porque, de novo, a boca procurou a minha encontrando-a receptiva e disposta a dar-lhe tudo o que reivindicasse.

— Por Deus, mulher!

Murmurou entre dentes quando travei minhas pernas em suas costas o prendendo a mim e causando mais fricção.

— Você me deixa maluco!

Atacou meu pescoço enquanto as mãos insanas passeavam por todo meu corpo e só pararam quando adentraram a roupa e pararam sobre meus seios já desnudos nesse momento.

— Perco a razão com você, Linda. Preciso me controlar mais.

— Controle para quê?

Respirou mais uma vez profundamente. E imediatamente se afastou sorrindo para a “faneca” de claro descontentamento que fiz, por ele ter se me deixado.

— Para cuidar de você primeiro antes de te trancar naquele quarto e só liberar a noite.

— Está cuidando. Então volte a boca para cá.

Levantei mais os ombros e cheguei para frente para que ele tivesse mais acesso a meu colo.

— Logo, Linda! “Muito logo”! Antes disso, seja boazinha e comporte-se. Banho ou café?

— Nenhum dos dois... Edward!

Gritei quando ele, sem esforço algum, me segurou nos braços e deu um tapinha em meu bumbum.

— Então eu decido: Banho, café e quarto. Nessa ordem. Vovó disse para eu cuidar de você. Então, seja boazinha que talvez, só talvez, eu lhe faça um agrado, com minha boca, lá debaixo do chuveiro.

Piscou de lado, brincalhão. E eu só pude ofegar de desejo, antecipação e alegria por finalmente estarmos vivendo o meu conto de fadas.

Dona Marie (numa participação mais do que especial)

— Como assim, Isabella, não vem? Isso é inadmissível. Vou resolver isso agora mesmo!

Ah, os filhos homens... Era divertido vê-los achando que mandam. Será que se eu desse um corretivo em Charlie, incluindo umas palmadas, o pai dele voltaria para puxar meu pé de madrugada?

Espero que não! Preciso casar meus netos antes de dar a missão por cumprida.

— Não vai a lugar nenhum! Faça o favor de sentar aí e não se levantar mais.

Apontei para o lado de Renée ao mesmo tempo em que fechava a expressão e estirava o dedo em riste.

— A senhora está senil se acha que vou deixar essa história assim. E muita falta de respeito por parte dela, conosco e com Benjamin. Ela não mora mais aqui e quando temos a oportunidade de matar a saudade, simplesmente não vem.

— Olha, olha... Se eu ouvir mais uma menção quanto a minha capacidade mental, juro que perco mesmo as “estribeiras” seu moleque atrevido. Falta de respeito é o que seu filho, mal educado, fez com sua filha. Se ela não está aqui deve-se demais a ele.

É, não era bonito acusar Emmett, ainda mais quando a esposa grávida estava a seu lado. Mas que culpa tenho eu se a mulher é estúpida o bastante para se deixar levar pelo papinho barato dele. Eu o teria deixado de lado por pelo menos até o bebê nascer. Porque ele merecia mesmo depois de ser tão idiota.

— E falta de respeito mesmo é você se dar ao trabalho de estragar o dia dela. Bella está feliz, com Edward! Aceite isso, porque será para sempre. Quanto a esse daí...

Fiz careta para aquele rapaz, metido a cowboy da cidade, que estava em minha casa sem ser convidado.

— É melhor que volte pelo mesmo caminho que veio. Não tem nada para ele aqui. Isabella sempre foi de Edward. E só dois bastardos, como você e Emmett, para não perceberem isso. Mas, se acham que deixarei que interfiram na vida deles, de novo, estão completamente enganados. Tentem... E juro que serei eu a financiar a fuga deles, com Antony, para o mais distante daqui. E eu juro, vocês nunca mais os verão!

— Mãe! Onde estão seus modos? A senhora não se atreveria.

— Perdidos juntos com os seus. Teste a minha paciência e a vida da sua filha... Quer pagar para ver?

É, garotinho teimoso, ali estava, o medo... Os olhos dele vacilaram por segundos, porque Charlie Swan sabia que eu não brincava em serviço.

Eu havia perdido minha vida quando partiram, ninguém colocaria meus amores em risco de novo. Edward, Isabella, Antony, Alice e Jasper seriam felizes. Nem que eu tivesse que forçá-los a isso.

— Mãe, por que não se acalma? Está corada e ofegando.

— Isso, sogra! Sente-se. Vou aferir sua pressão. Onde está o remédio?

Nossa troca mortal de olhares cessou, porque só depois da interferência de Esme e Renée foi que percebi que segurava a ponta da mesa com uma força desnecessária.

— Não vou tomar remédio nenhum, ele me dá sono. E quero aproveitar o dia com minha família. Carlisle, pegue uma dosesinha daquela aguardente de alambique que trouxe semana passada, quero experimentá-la.

— Mãe, não acho que seja certo.

— Estou bem, Esme. Renée pode confirmar isso. Só fiquei chateada e quero aliviar da melhor maneira.

Estendi o braço para que minha nora aferisse a pressão.

Carlisle já corria para fazer o que mandei.

— Isabella e Edward se amam. Vão se casar. Por que não vêem isso? Acham melhor ficar contra e perdê-la de vez? Vai mesmo pedir para que escolha?

Dirigi-me só a Charlie naquele momento.

— A filha de Esme fez isso e veja no que deu?

Uma Rósalie amargurada pelo restante de seus dias.

— A fazenda deles é a 2 km. Antony estará aqui todos os dias, praticamente. Se se opuser, o mínimo para onde irão é Forks, 30 km, Charlie. Seja razoável.

— Edward mudou, amigo. Posso te garantir isso.

Carlisle entregou uma dose generosa ao amigo e uma “mirradinha” para mim, aquele sovina.

Crispei as sobrancelhas em sua direção, levantei o copo e engoli tudo de uma vez, num impulso só.

— Se colocar com conta gotas fará isso o dia todo.

Ironizei. E ele encheu o pequeno copo dessa vez.

— Não quero perdê-la. Já estive tão perto disso tantas vezes. A senhora não entende.

Ali estava de novo. O olhar apavorada que meu filho pouco mostrava. É claro que eu o entendia. Por isso, diminui a distância entre nós e fechei os braços em volta de sua cabeça, acariciando seu cabelo e prendendo-o a mim. Confortando-o...

— Eu só ganhei quando entreguei Esme a Carlisle e você a Renée.

A imagem de cada neto veio à mente e não pude deixar de abrir um sorriso de gratidão a Deus por tudo que tenho a minha volta.

— Eu até gosto do garoto, vejo que ele mudou. Mas o medo dele machucá-la de novo... E ainda tem o maldito ciúme... Bella é minha garotinha, mãe.

— Nós aprenderemos a lhe dar com ele, papai. Pelo bem de nossa família, nós aprenderemos. Vovó está certa. Bella e Edward merecem mais uma chance. Vamos fazer isso? Preciso de Bells e Antony de volta. E se, por acaso não derem certo, estaremos aqui para ela de novo. Como sempre estivemos. Por favor, pai.

Oh, e não é que “o Banana” tinha aprendido alguma coisa? Emmett me surpreendia.

Agora só faltava “o encosto” voltar para o Brasil.

— Tudo bem. Vou me esforçar para concordar com tudo isso. Vou me acalmar. Mas, não pense que é fácil para um pai saber o que a filha caçula está fazendo nesse momento.

— Acredite, filho. Nunca é.

Sorri mais suspirando aliviada. Eu já havia preparado o terreno para Bella, Charlie não gritaria horrores quando visse o tal anel.

— OIÊÊÊ... BISVOVÓ, O SEU LINDÃO CHEGOU! TEM CARNINHA?

— Provavelmente estão fazendo mais desses, nesse exato instante. Quer notícia melhor? Olha que maravilha!

Sorri largamente para o resmungo de meu filho. Carlisle gargalhou.

Sim, eu os faria aceitar aquele amor, e seria hoje. Ou não me chamaria mais Marie Swan. E só para constar, amo meu nome!

Tânia

— Dona Tânia, a senhora tem certeza de que podemos trazer isso para cá? Não me parece certo guardar tanta gasolina num lugar só. Se isso explode...

Homem idiota! É claro que não podíamos fazer aquilo. Contudo, o combustível era essencial para o meu plano. E trazê-lo no início da noite de um domingo foi perfeito.

Ninguém dá a mínima para o que acontece num fim de domingo. Isso sem falar no porteiro apagado, de tão bêbado, na guarita do meu medíocre apartamento. Tudo facilitara minha vida naquele dia. A não, ser pelo falador e fedido “espécie” que eu tinha pagado para me ajudar a carregar os 50l de gasolina pura aqui para cima.

— Ah, não se preocupe com isso. Tenho autorização. Além disso, quase ninguém mora nesse lugar. A maioria dos apartamentos ou estão abandonados ou servem de depósitos, como esse aqui. Não vê, ninguém mora aqui?

Apontei para o lugar quase vazio, ignorando o único pedaço de espuma jogado no chão da sala. Que poderia muito bem servir de colchão, ou talvez de um catalisador para algo maior e quente, muito quente.

— Ok, se a senhora está falando. Eu já vou indo, esse foi o último.

Apontou para os 10 galões bem dispostos perto da decadente varanda do que um dia foi a imitação de uma sala de televisão.

— Obrigada pelo serviço. Se precisar de algo mais, te encontro no mesmo lugar sempre?

— Sim, senhora. Aquela praça é minha residência fixa.

Os olhos brilharam quando lhe entreguei uma nota de cem. Que certeza, não duraria nada alimentando o vício da bebida que seu odor denunciava.

— Certo! Pode ir agora. Vou ficar mais um tempo.

Abri a porta para que ele saísse.

— Dona Tânia, só mais uma pergunta, o que vai fazer com tudo isso?

A vontade de gritar que não era da conta dele, quase foi maior que meu autocontrole, porém eu não podia correr o risco dele comentando com alguém sobra à mulher mal-educada que estava estocando combustível numa área residencial.

— Ah, gosto de prevenir. Fiquei sabendo que essa semana terá uma alta nos preços. É um jeito de economizar, que aprendi com meu pai.

Como se Aro alguma vez tivesse economizado algo na vida... Humpf!

— Ah, essa é uma boa ideia. A senhora é inteligente.

Dei-lhe meu maior sorriso, falso. E de novo mirei a porta.

— Estou indo. Até mais e sempre que precisar é só...

Bati a porta na cara do intrometido antes que terminasse de falar, estava louca para apreciar minha arte e repassar mentalmente os últimos detalhes do meu delicioso e ardente plano. Que ficaria mais lindo ainda com o delicioso cheiro de vazamento vindo da cozinha.

Aquilo seria um belo estouro!

Bella

Nove horas da noite, foi quando a camionete deslizou pelo centro de Forks e parou de frente a loja e clínica.

As luzes de cima estavam acesas, Jasper, Alice e Antony já estavam em casa.

Edward os viu passando, na estrada, quando eu estava no banho, acho que o quinto do dia.

Era o sinal de que nosso momento perfeito chegara ao fim, era hora de voltar para a realidade.

— Tem certeza de que não quer mudar a data? 1 mês tá bom.

Segurou minhas mãos quando ameacei descer. Seus olhos estavam ansiosos e era óbvio que não se sentia a vontade de me deixar sair de nossa bolha.

— Dois meses, Lindo. Minha mãe merece um tempo de diferença entre o casamento de Jasper e o nosso.

— Poderia ser um casamento duplo mesmo. Posso convencer Alice. É só fazê-la acreditar que você não será a noiva mais bonita da noite. O que será uma grande mentira. Mas eu faria se significasse te vocês em casa mais rápido.

— Nada disso!

Segurei se rosto e beijei seus lábios com um selinho demorado.

— Casamentos duplos são mau agouro. Um tira a sorte do outro, sua irmã disse e ela entende dessas coisas. Além do mais, precisamos de móveis planejados para nosso quarto e de Antony. Nenhuma marcenaria fará isso em 1 mês. Seja paciente, Edward. Estamos do outro lado da rua.

Apontei para a clínica.

— Isso tudo é bobagem, superstições... Estão longe demais. Viciei. Quero dormir inalando seu cheiro todas as noites.

— Te compro um frasco do meu perfume.

— Bella...

Resmungou chateado por eu brincar quando era evidente que estava incomodado com a situação.

— Ok, desculpe. Vamos dar um jeito, Vida. Dois meses é o mínimo. Preciso organizar minha vida na universidade, aqui na loja, na construção das represas, nos preparar para a colheita, cuidar de detalhes de cerimônias e festa e...

— Tá bom, tá bom. Entendi. Dois meses. Só não sei como explicar isso aqui.

Colocou minha mão sobre seu peito.

— Vamos dormir no loft ou aqui. Podemos revezar. Encontraremos um jeito. Não se angustie. Sou sua. Agora mais ainda. Vamos curtir os últimos dias de namoro e noivado? Algo me diz que pode ser prazeroso e marcante.

— Tudo bem. Se prometer não mudar de ideia e...

Beijei-o com força e entusiasmo acariciando deliberadamente o tórax, umbigo e mamilos provocativamente.

— Continue com isso e não entramos, Linda. Podemos explorar Jasper por mais uma noite.

— Não, não podemos.

Dei um tapinha em sua mão quando tentou enfiá-la dentro do decote do vestido,

— Vamos entrar antes que seu filho perceba que chegamos e não descemos.

Dei-lhe e um último beijo e arrancando forças não sei de onde, me afastei e desci. Ou eu agia como adulta ou agia... Deixar-se seduzir sempre seria uma arma grande demais na mão dele.

— Desmancha prazeres.

Sussurrou emburrado, quando destravei o portão e subimos. No primeiro patamar da escada, o caos me atingiu.

Antony chorava a plenos pulmões.

— Antony! Isso é pirraça. Chega!

— Não!

A voz de Jasper era áspera e sem um pingo de paciência. Antony, também não facilitou, respondeu no mesmo tom. O que não era de seu feitio. Algo estava muito errado.

— Ei, boa noite. Temos um problema aqui.

Alertei de nossa presença assim que abri a porta. E a cena não poderia ser pior.

Jasper estava parado com o dedo em riste, em direção a meu filho, enquanto o mesmo, permanecia parado perto do corredor, descalço, descabelado e imundo.

Alice estava sentada no sofá e parecia bastante apreensiva com aquele embate.

Ninguém se moveu quando deram por nossa presença.

— Ah, que bom que chegou, Bells. Faça esse rapazinho teimoso ir para o banheiro. Olhe só esses pés.

As marcas das correias eram a única coisa vista em meio a uma mistura de marrom, vermelho e preto daqueles pezinhos.

— Filho, boa noite.

Edward chamou atenção para si, mas não obteve sucesso. Antony encarava o tio com uma expressão de irritação.

— Antony, primeiro cumprimente o papai. Depois peça desculpas a titio Jasper pelas grosserias e vá para o banheiro. Vou te ajudar logo em seguida, me deixe só guardar a bolsa e...

— Não! Tony não vai!

Só então virou-se para mim e o pai gritando e batendo os pés.

Levantei as sobrancelhas e apertei os olhos.

— O que disse?

Estava pronta para repetir as ordens e acrescentar um “Vá para o quarto e só saia de lá quando eu mandar”. Porém, ele foi mais rápido e usou do único argumento que me desarmava e que era raramente usado. Só mesmo em alguns momentos de birra, o que era literalmente o caso.

— Que Antony não vai tomar banho. Porque não quer ficar aqui. Titio “tlouxe” Tony sem Tony “queler”. Tony não gosta da cidade. Tony quer o vovô e a bis-vovó e não tem culpa se mamãe e titio Memmett ficam “bligando”. Não “quelo molar” aqui, “quelo” o vovô. Mamãe não tá sendo boa ou fazendo as coisas “dileito” e...

— Chega!

— Antony!

Jasper e Edward chamaram sua atenção ao mesmo tempo e foi só então ele percebeu que tinha me atingido.

Sua carinha foi de ira a arrependimento.

— Mamãe...

Edward

Droga! Como ele fez isso? É uma criança?

— Não! Fique aonde está.

Foi a vez dela levantar a mão em sua direção e o parar. Bella parecia chocada e seu olhar estava abatido. Se segurava para não chorar.

— Vou, vou...

Deu dois passos para trás.

— Edward, por favor, ajude-o com o banho, depois façam um lanche e... Coloque-o na cama. Vou...

Passou a mão pelos cabelos e virou as costas já alcançando os primeiros degraus. Parecia perdida, desnorteada. As palavras dele a feriram de uma maneira inexplicável.

— Bella!

— Amor!

— Mamãe!

Chamamos. Mas foi em vão. Ela não olhou para trás, não parou.

— Na loja, estarei na loja. Preciso organizar as coisas para amanhã, não se preocupem. Eu...

Correu, literalmente correu dali.

— Ah! Parabéns, rapazinho! Era isso que queria? Magoar sua mãe? Conseguiu! Arque com as consequências agora.

Jasper bateu palmas e foi um choque, quando me voltei para eles. Antony tinha os ombros caídos e os olhos já úmidos de lágrimas.

— Desculpa. Tony ficou “blavo”. Mamãezinha não “melecia”. Ela vai “cholar” e não vai “domir”. Tony foi “luim”. Não “quelia”.

— Esperto! Cuida que o filho é seu, Cullen. Bella está se correndo em dores nesse momento e provavelmente se martirizando por achar que não é uma boa mãe. Ela vai se culpar como o inferno agora. Ah, Antony...

Jasper se afastou rumo à cozinha. Raiva fumegava dele.

— Venha, vamos para o banho.

Empurrei-o rumo ao corredor.

— Seja firme!

Assenti para o murmúrio de Alice.

— Mamãe vai “cholar” o Tony não vai conseguir se desculpar.

— Disse coisas graves. Nunca fazemos uma mulher chorar, filho. Somos cavalheiros. Ainda mais mamãe... Ela se esforça muito. Criou você esse tempo todo sozinha. Não merecia palavras feias. E as brigas dela com titio Emmett foi por causa do papai, da família que queremos construir. Então tem a ver com você sim. Vai precisar se desculpar demais com ela. E ainda ficará de castigo para aprender a nunca mais levantar a voz para seu tio e sua mãe.

— Humpf! O papai não entende. Tony não vão conseguir se desculpar tão cedo. Mamãe tá chateada comigo. “Pala não cholar” perto de mim vai sumir. Tony não vai vê-la logo. Isso é muito “luim”.

— Ei, foi um momento difícil, mas vai passar. Vamos resolver isso.

Forcei seu corpinho para meus braços quando ele tapou o rostinho e chorou alto.

— O papai não entende...

E não entendia mesmo. Bella não fugiria. Ela só estava chateada. Falaria com ela e ele se desculparia amanhã.

Resolveríamos aquele pequeno embate.

Rósalie

Pura jogada de sorte, porque dizer que Deus estava do meu lado era a maior blasfêmia de todas, ainda mais para o que estava prestes a fazer.

— Bella!

Gritei quando a vi saindo apressada da garagem e rumando para a loja. Estava sozinha e parecia com pressa e... Chateada?

— Sim.

Parou e virou-se para mim. Assim que percebeu quem era fechou mais a expressão. Fúria parecia emanar dela.

— O que quer?

Falou áspera cruzando os braços por sobre os seios. Ela estava estranha.

— Está tudo bem?

Os olhos estavam vermelhos e com lágrimas escorrendo ao longo da bochecha. Ela pareceu triste e pequena.

Precisava mesmo de mais um fardo que eu colocaria sobre ela?

— Olha Rósalie, estou sem tempo para seus joguinhos. Porque não volta pro buraco de onde veio?

Apertei os dentes, eu merecia aquilo. Mas, não evitava de doer. Ela nunca me daria uma chance, nunca baixaria a guarda comigo.

— Porque tenho um assunto para falar contigo.

— Estou sem tempo. Agende um horário com minha secretária.

Andou mais um pouco para longe de mim. E quando passou perto das luzes da fachada algo brilhou em sua mão me chamando atenção.

Deus! Tânia ficaria louca!

— Ficou noiva? Escutei boatos de que estaria perdoando meu irmãozinho, mas não imaginei que seria tão sério e tão rápido. Está pensando em dar o golpe da barriga de novo? Já que da primeira vez não conseguiu.

Provoquei cruelmente, e em minha defesa digo que foi porque ela já abria a porta da loja, e certeza de que não me deixaria entrar. Eu precisava que me ouvisse. Não sabia se teria outra chance. E Tânia me mataria se não resolvesse logo essa parte do plano.

— Olha Rósalie, porque não cuida da sua vida? Deixe-nos em paz. Dei tanto o golpe da barriga que seu irmão só conhece nosso filho há poucos meses. Dá um tempo! Eu não movi um dedo na direção dele. Ele se arrastou para mim. Se acha que ainda não o mereço, discuta seu problema com ele.

— Ah, eu vou. Porque ele se arrastar para você é a maior das mentiras, já que a repulsa por suas escolhas continuam. E eu posso provar...

Abanei o maldito envelope, que Tânia me deu, como se fosse um leque.

— O que está dizendo?

Isso! Eu tinha sua atenção.

— Ele pode mesmo amá-la e querer que se casem, mas a situação não mudou. Você nunca estará à altura de meu irmão. Ele se envergonhava e ainda se envergonha.

— Mentira. Ele mudou.

Disse brava mirando minha mão como se a ameaça estivesse bem ali.

— Mesmo? Ele te convidou para acompanhá-lo nisso aqui?

Aproximei-me mais e estendi o papel para ela, que praticamente o arrancou de mim.

A expressão dela foi mudando à medida que se inteirava do que se passava.

— Bella! Rósalie, o que faz aqui?

Merda! Não era para ele estar aqui.

— Nada. Já estou indo. Só vim dar um presentinho a sua... Noiva.

Disse com desdém.

— Vá embora. Não queremos você perto de nós e...

— Você vai palestrar representando o hospital num evento farmacêutico em Port Ângeles na quinta?

Ela o interrompeu. E Edward pareceu aturdido com a pergunta.

— Vou. Minha mãe já tinha agendado isso e... Bells, o que foi?

Aflito, meu irmão quis se aproximar, mas ela recuou. Os olhos estavam mais assustados e marejados ainda.

— Não me contou, nem me convidou. Disse que me ama e não se importa com o que faço. Mas, vai a um evento importante e nem me contou. Exatamente como disse que seria no passado. Eu...

— Não. Deus! Amor, não te convidei porque você não gosta desses eventos e...

Esfregou os cabelos e num acesso de raiva se voltou para mim. Ódio emanava dele.

Era o fim. Ele nunca me perdoaria, agora era oficial.

— Quem disse que não gostou? Você nunca me perguntou. Poderia ter me contado. Eu adoraria ficar a seu lado. Não te envergonharia. Eu... Aprendi a me “arrumar” e... Chega! Vá para casa, Edward.

— Não! Bella! Espere. Precisamos conversar. Não fuja. Não é assim, Vida. Eu juro. Ela está fazendo de novo e você está caindo. Carinho...

— Não estou fugindo. Só... Preciso trabalhar e pensar. Só...

Puxou o braço que ele insistiu em segurar.

— Me deixe.

Deu uma última olhada para nós dois antes de entrar na loja escura e fechar a porta. Deixando-nos totalmente de fora de suas dores.

— Ahhhh! Inferno!

Edward gritou olhando para o céu e puxando os cabelos com uma violência exagerada.

— O que eu te fiz, Rósalie? Por que não me deixa em paz?

Eu queria abraçá-lo, confortá-lo e dizer que tudo ficaria bem. Porém...

— Mas, eu juro para você, que se esse seu planozinho atrapalhar minha vida e de Bella, não terá Esme nem Carlisle que te protegerão de mim. Eu te encontro até no inferno. E só não seguro seu pescoço nesse exato momento, porque tenho um filho para consolar. Porque se não...

Bateu o portão atrás de si e sumiu para dentro do prédio dos Swan’s.

Deixando-me sozinha na escuridão da noite e completamente arrependida por mais uma vez ter colocado especulações na mente de minha cunhada.

— Vadia, Rósalie. Você é uma vadia, estúpida e infeliz.

Murmurei para mim, porque era o que eu era mesmo.

Atônita e sem nem perceber o que fazia, disquei o número de Tânia. O mal já estava feito. Eu precisava concretizar minha parte no plano. Só assim teria paz.

— Sim, Rósalie.

— Pacote entregue, semente plantada.

— Oh, isso é bom. Espero que possamos colher os frutos daí. Porque o plano B realmente não é o mais criativo que tive e, posso ter exagerado em alguns detalhes quentes.

Notas finais
Fic nos momentos finais, meninas. Aproveitem... Beijinhos. Ah, e ainda colocando os comentários em dia, ok? Beijos.