Notas iniciais
Bom dia, meninas. Perdão pelo, sumiço. Mas, como todas sabem somos comerciantes e a partir de outubro minha vida vira uma bagunça. Bom, aproveitem o capítulo. Fanfic em seus momentos finais, então aproveitem.

Bella

A velocidade nunca foi minha amiga. Desde o acidente dirigir virou sinônimo de independência e não de prazer, que era o que eu tanto sentia.

Porém, agora não era tempo de pensar nisso, eu necessitava da rapidez. Sabia que o quanto antes chegasse a meu destino, mas rápido resolveria a situação.

Tânia queria a mim, eu sabia. Ela não era maluca, não faria a mal ao filho de Edward. Não, seu objetivo final era ele. Tenho certeza de que sabe se ferir Antony, tudo que ela almeja vai “por água abaixo”.

E se pensar por esse lado, o certo seria avisar a polícia e deixar que eles agissem. Certo?

Errado!

Saber que não pode ferir mortalmente é uma coisa, mas nada a impedirá de torturar psicologicamente e até fisicamente.

Por isso, aqui estava eu, a 150Km/h. Exigindo tudo da camionete. Em plena escuridão. Ignorando meus medos e clamando a Deus para chegar a tempo.

De segundo em segundo, olhava no retrovisor, em busca de faróis.

Mas, nada! E eu me sentia aliviada por isso. Se fora seguida, meu algoz não acompanhara meu ritmo. Eu o despistara.

— Estou chegando, filho. Espere só mais um pouquinho.

Murmurei ao cruzar os limites da cidade, quando as primeiras luzes indicando civilização, iluminaram meu painel, jogando para longe a sensação de pavor que a escuridão causa em mim.

— Aqui parece bom.

Voltei a murmurar ao avistar uma igreja, de construção antiga, com uma imensa praça, completamente vazia a frente.

Uma verdadeira cena de filme de suspense e terror.

— Chegou rápido! Você me surpreende, Isabella.

— Onde te encontro?

Cortei o assunto assim que atendeu. Não estava para brincadeira.

— Foi seguida?

Voltei e olhar pelo retrovisor e, com mais atenção em volta. Nada!

— Não! Endereço!

Fui mais enérgica. Ela precisava saber que eu tinha feito a minha parte, agora era a vez dela.

— Onde você está?

— Na praça de uma igreja grande, meio antiga. Bem na entrada de Port Ângeles.

— Hum. Está na Matriz “do Nazareno”. Desça do carro, deixe o telefone em cima do banco e vá até a parte detrás. Alguém vai te pegar lá. E não faça bobagem, Isabella. Estou a apreciar a garganta da sua cria nesse exato momento. Sabia que ele tem os traços só do Edward? Isso é bom.

Respirei pesadamente e fechei as mãos em punho contendo o terror e a raiva.

— Estou fazendo tudo que mandou, Tânia. Não toque nele. Porque se algo acontecer...

— Não está em condições de me ameaçar, queridinha. Agora faça o que eu mando. Antes que seja tarde demais.

E sem mais, ela desligou e não me coube outra alternativa a não ser fazer o que fora ordenado.

Desliguei os faróis, coloquei o celular no porta luvas, ainda no silencioso, peguei a bolsa joguei na parte detrás embaixo dos bancos da frente, tranquei tudo, guardei a chave no bolso e com um último suspiro para espantar a sensação ruim, me encaminhei para onde ela mandara.

O cenário era de arrepiar. Ninguém na rua, somente ao longe o barulho de algo que me pareceu um roncar de um motor, mas estava muito longe para distinguir.

O silêncio era quebrado por um piar agourento de uma coruja, e de meus passos vacilantes e apavorados. Eu odiava a solidão, ainda mais a noite.

— Ei, moça? Acredito que seja Isabella, sua irmã pediu para que te pegasse aqui.

Um motorista de serviço de aplicativo, devidamente identificado, parou ao lado da calçada, assim que coloquei os pés lá.

— Sou eu.

— Entre. Sua irmã disse que é nova na cidade. Ela já me passou o endereço. Vamos, te levarei até ela. E deu sorte por ser eu a atender ao chamado. Aquele bairro é muito perigoso. Ainda mais a essa hora da noite. Ainda bem que sou conhecido na região. Porque não são todos que se aventuram por aquelas bandas.

Entrei e fiquei quieta absorvendo a inundação de informações e qual a desculpa que Tânia havia dado para que ele me levasse ao destino.

— Você não é muito de falar, né?

Me olhou pelo espelho interno, avaliando. Porém, não me encolhi. Uma coisa era sentir medo, outra muito diferente era demonstrar.

— Estou cansada, foi uma viagem longa.

— Ah, eu imagino. E terminar com um pneu furado... ninguém merece. Eu já passei por isso quando...

Ele continuou o falatório e continuou. Eu só respondia com acenos e sorrisos esporádicos quando captava algumas palavras da conversa, de via de mão única, diga-se de passagem.

Minha atenção estava no lado de fora, tentando gravar o trajeto e o máximo de detalhes possível. Ainda não sabia o porquê, mas nunca desperdiçaria qualquer oportunidade em busca de um plano para nos tirar dessa.

— ... e ela também parecia perdida. Uma noite estranha para mulheres vagando sozinhas pela rua.

— Perdão, o que disse?

As últimas palavras do “falador ambulante” chamaram minha atenção.

— Você é desatenta, hein moça! Vai me dizer que não viu aquela loira bonita, do lado de fora de um carrão, parecendo totalmente confusa, no final da rua onde te peguei?

Encarei sua nuca em silêncio, tentando me concentrar naquela informação: Tânia estava ali? Então, por que não me pegou ela mesma?

Deus! O que a maluca estava tramando?

— Não vi. Estava preocupada demais com minha própria falta de sorte.

Falei já que ele, de novo, me encarava pelo espelho esperando uma resposta.

— Percebi.

E então, graças a Deus, resolveu ficar quieto quando notou que eu não estava mesmo afim de papo. Ligou o rádio, numa emissora qualquer, e acelerou mais. Se embrenhando por uma região da cidade que eu não conhecia.

Era tudo muito feio e escuro e sujo. Em sua maioria as construções pareciam enormes barracões que de certo serviam para depósitos ou oficinas de máquinas grandes e caminhões. Contudo, de vez em quando, salpicados por aqui e ali, era possível identificar alguns prédios residenciais, que de tão velhos, pareciam nem dar conta de sustentar seus próprios pesos. Quiçá servir de moradia para alguém.

— É aqui. Creio que aquela seja sua irmã.

Parou em frente ao mais decrépito de todos e apontou para uma figura meio parada em meio as sombras.

Sinceramente, acho que ele supôs ser uma mulher, porque eu só via um vulto tentando se esconder o máximo que podia. O que era totalmente aceitável se ela era mesmo a mulher que ele vira perto de onde me pegara.

— É ela sim. Obrigada!

— Foi um prazer. Se precisar que te levem a seu carro mais tarde é só me ligar. Até porque não achará muitos que se arriscam por aqui.

Acenei em concordância e peguei o cartão que me estendia.

— Pode entrar. Vou esperar até que passe pelo portão. Não confio muito nas pessoas daqui e ficarei com a consciência tranquila em saber que te deixei segura com sua família.

Ah, se ele imaginasse que eu estava indo rumo ao perigo.

— Muito obrigada.

Voltei a falar e acenei quando ultrapassei os limites do lugar. O vulto se aproximou e segurou meu braço sem cuidado, mas disfarçando o suficiente para que a pessoa, que ainda nos observava, não notasse nada.

— Ande, sem gracinhas ou...

Senti algo frio em minhas costelas, uma arma.

— Para as escadas. O elevador está desativado.

Subi, com ela em meu encalço, seis lances de escada, para logo chegar a um corredor mal iluminado.

— Pare!

Ordenou me empurrando para frente de uma porta que, com certeza, já viu dias melhores.

— Tenho um presentinho para você. Pulseiras do último lançamento da Tiffany.

Tirou do bolso abraçadeiras de plástico.

— Junte as mãos na frente do corpo.

Obedeci ignorando a dor quando apertou demais o objeto em meus pulsos. Tirando assim toda minha chance de movimento.

— Bom, muito bom! Agora podemos entrar.

Passou a minha frente e destrancou o lugar e então me deu passagem.

— Não vou te amordaçar, com fiz com o Pestinha. Porque, de qualquer maneira, ninguém ouviria se gritasse. Só o fiz com aquele ali, porque não aguentava mais os choramingos. Oh criatura mimada! Terei muito o que fazer quando me casar com Edward.

Eu sabia! Ela não faria nada com Antony, eu era seu objetivo final.

— Hum! Hum.

Por Deus! Meu coração quebrou ao olhar para o lado e ver Antony em um imundo colchão, no chão. As malditas abraçadeiras prendiam seus pés e mãos e em sua boca uma fita grossa o impedia de falar.

Os olhos, marejados e muito vermelhos, se arregalaram ao me notar ali.

— Filho! O que fez, sua maluca?

Corri para ele, porém antes de alcançá-lo fui chutada com violência nas pernas, caindo sem piedade.

— Olha lá como fala comigo. Posso acabar com isso num minuto.

Apontou a arma para meu filho. E eu, automaticamente, levantei as mãos em sinal de rendição.

— Tudo bem, calma! Não vou fazer nada, só... só quero chegar perto dele. Posso?

— Patética! Como Edward pôde me trocar por você? Criatura medíocre! Parece até um animal querendo lamber a cria. Ahhh, esqueci, você é um.

Fiquei em silêncio. Ela queria me provocar. Edward não havia a deixado por mim, fora exatamente o contrário. Só que eu não falaria isso. Não importava. Era uma situação arriscada demais para discutir casos amorosos. Eu não era uma adolescente apaixonada disposta a comprar qualquer briga por um homem.

Eu era mãe!

— Vai, vai logo.

Acenou com a arma.

— Só não seja mais burra do que é e não tente nada.

Em segundos diminui a distância que me separava dele.

— Oi, Pequeno.

Com dificuldade, por causa das mãos presas, o coloquei de pé e acariciei seu rostinho sujo e arranhado. Os olhos demonstravam tanta tristeza e medo que senti na alma sua dor.

— Deixa eu libertá-lo, Tânia? Está apertado demais. Vai ficar marcado. E ele está respirando com dificuldade, preciso liberar sua boca e...

— Ah, CALE-SE! EU ESTOU NO CONTROLE AQUI.

Gritou se aproximando perigosamente, passando o cano da arma em meu rosto.

Antony jogou o corpinho em mim, procurando proteção.

— Edward não...

Respirei fundo, não demonstrando um mínimo da apreensão que sentia me dominar.

— Edward não ficará feliz se ele estiver machucado, quando o entregar. É isso que pretende, não é? Dizer a ele que salvou Antony?

Plantei a ideia, vendo seus olhos brilharem perante a hipótese.

— Imagina em como ficará agradecido. Você somará pontos incalculáveis. Ele só precisa que o filho esteja bem, Tânia. Deixe-me soltá-lo? Prometo que o conterei. Que ficará quietinho ele...

— Não tente me manipular, Vadia.

Sussurrou colocando e apertando a arma em minha testa.

— Eu que dou as ordens aqui.

Assenti, em silêncio. Antony se fundiu mais em mim. E eu quis demais poder fechar os braços em sua volta, protegendo-o máximo que podia.

— Edward ficará comigo de um jeito ou de outro. Uma pena que não estará aqui para ver.

Atravessou o cômodo imundo e pegou uma faca deixada em cima de uma mesa maltratada pelo tempo.

— Mas, antes... você vai implorar muito, Isabella. E depois... Bom, depois falarei com seu papaizinho. Ele tem alguns dólares a nos devolver antes de recuperar suas cinzas.

Apontou para o outro lado do cômodo onde galões estavam armazenados. O líquido âmbar e o cheiro característico, fizeram arrepios subir por minha coluna.

Era combustível. Litros e mais litros de combustível.

— Pow! Ahh, vai ser tão divertido. Então por que não começamos logo com isso?

Voltou para meu lado com a faca em mãos. Ela estava louca, disso eu tinha certeza. Os olhos vidrados e com uma expressão psicótica que eu nunca tinha visto.

— Hummm, sabe qual dói mais? Duvidas, duvidas...

Pesou a arma e a faca. Cada uma em uma mão.

Deus! Ela me mataria. Eu sabia disso e não temia. Só prezava por Antony.

— Acho que essa.

Segurou a faca com mais afinco.

— Saia! Preciso de espaço.

Segurou meu cabelo e puxou, tentando me soltar de Antony.

— NÃO! PELO AMOR DE DEUS! DEIXE-O EM PAZ!

— Hum! Hum!

Me debati e Antony murmurou. Tentei chutá-la, porém parei quando encostou a maldita faca nele.

— CALADA, PORRA! OU VAI SE ARREPENDER! SE AFASTE! ISSO É QUE DÁ SER BOAZINHA!

Voltei a me abaixar e levantei as mãos em sinal de rendição. Ela tinha que se afastar dele.

— Isso! Muito bom. Agora pegue outras abraçadeiras ali na mesa e voltei para cá.

Lentamente, sem movimentos bruscos, fiz o que pediu. Ela não podia se assustar, a faca estava pressionando o pescoço de Antony.

— Muito bem, como uma cadelinha gentil. Agora sente e dobre os joelhos.

Segui as ordens. E quando me viu submissa, soltou Antony, pegou os novos objetos e prendeu meus pés.

— Isso! Como um porco pronto para o abate. Viu como sei coisas da sua alçada? Precisava aprender algumas para impressionar Edward. Agora estenda as mãos, Pestinha.

— Tânia, pelo amor de Deus eu...

— Mã, mã...

Antony tentava falar e eu me desesperava tentando fica de pé.

— EU MANDEI FICAR CALADA!

Gritou de novo, chegou mais perto e me empurrou com pé, fazendo assim com que me chocasse, de costas, com o chão.

A cabeça recebeu quase todo o impacto. E foi impossível não ver estrelas.

— Agora venha aqui, moleque.

Sem qualquer cuidado pegou as mãos de meu filho e sem pensar, pressionou a faca no material plástico. O soltando, graças a Deus.

— Vou ser mais gentil ainda, só para não reclamar com seu papai quando o encontrarmos.

E com violência arrancou a fita grossa que prendia sua boca.

Sangue minou no mesmo instante.

Ela havia macucado os lábios dele.

— Mamãe!

Fiz um esforço para me erguer nos joelhos e antes mesmo que conseguisse direito, seu corpinho se chocou ao meu.

— Shiii, shiii. Está tudo bem. Só ficar calmo que tudo ficará bem.

Passei os braços, com as mãos unidas, pelo seu pescoço. Instantaneamente, ele escondeu o rostinho em meus cabelos e chorou.

Chorou baixo e sofrido. E eu me quebrei em mais de mil pedaços por ser uma das culpadas de tamanha dor.

— O mantenha quieto, senão volto a amordaçá-lo e amarrar. E não faça burradas, Isabella. Tudo nesse lugar está de olho em você.

Apontou, de novo, a arma para minha cabeça e esperou até que eu assentisse. Depois, se afastou indo para algum lugar no cômodo ao lado. Deixou a porta aberta e a luz acesa, mostrando que se tentasse alguma coisa, ela veria.

— Está tudo bem. Tudo bem. Logo você estará fora daqui, Amor.

Voltei a segurá-lo com mais força, porque em meu íntimo, sabia que seria uma das últimas vezes que faria aquilo.

Porque não tinha a mínima possibilidade de sair dali com vida. Porém, contato que Antony sobrevivesse, eu não me importava. Edward cuidaria dele.

Edward

— Então?

Esme me segurou pelos ombros assim que Charlie e eu atravessamos a porta de entrada do apartamento dos Swan’s.

— Nada! Nem sinal de para onde foi. O celular toca e toca e ninguém atende.

— Ela fugiu! A maluca da sua filha fugiu e não nos deixou uma pista, sequer, de para onde estava indo.

Meu sogro gritou para Renée quando indagado também.

— Eu não entendendo. Ela, ela...

— Bella descobriu algo. Certeza!

Renée só o olhou como quem o mataria a qualquer momento.

Alice estava chorosa dependurada no braço do marido que foi quem me alertou para algo.

— Jasper tem razão. Por Deus! Eu sou um idiota!

Puxei os cabelos com violência e esfreguei o rosto irritado por me dar conta do tamanho da minha burrice.

— O que quer dizer, filho?

Carlisle entregou três xícaras fumegantes, as mulheres, de um chá, provavelmente calmante a julgar pelo cheiro, depois veio até mim e segurou minhas mãos impedindo que eu arrancasse o restante dos fios que me restavam.

— Ela recebeu uma mensagem. E só leu rapidamente. Percebi algo, claro que recebi. Porém, ela me enganou. Disse que era de Alice desejando boa noite, ou algo assim... depois disso ainda ficamos juntos e quietos, aguardando. Então esqueci, isso. Porra! Ela me fez acreditar que precisava de um banho, que estava exausta e quando eu, eu...

Lágrimas grossas escorriam de meus olhos e eu não sabia se era de angústia, raiva ou medo. Só de imaginar que há essa hora Tânia estava com minhas vidas em suas mãos e só Deus sabe o que tinha em mente.

— Eu não mandei mensagem.

Alice sussurrou baixinho em meio ao silêncio estarrecedor que a informação causou.

— É claro que não mandou! Ah Isabella! Quando eu te pegar...

Charlie ameaçou.

— Precisamos avisar a polícia. Edward, ligue para Tânia. Renée, continue insistindo no número da inconsequente.

Meu sogro vociferou ordens para todo lado.

— Tânia está inacessível. Venho tentando falar com ela desde que descobrimos que pegou Antony.

— Bella não atende também. E agora o celular até toca, o que nos dá a certeza de que chegou em algum lugar que dá área.

— Ok, tenente, avisaremos de maiores informações.

Todos obedeceram às ordens enquanto Charlie se encarregava da polícia, porém, ninguém teve maiores avanços.

— A diligencia policial que foi para Port Ângeles já chegou lá, inclusive acabaram de sair da casa dos Volturi. Aparentemente, Tânia não está. E sua família não tinha consciência do que tramava.

— E quem acredita nisso, pai?

— Os policias, Jasper. E baixe a voz. Não adianta se desesperar mais. Precisamos nos concentrar no problema.

— Então é isso? Minha filha e meu neto estão nas mãos de uma psicopata. E não temos a mínima ideia de onde então, nem o que a maluca quer em troca deles? Vamos ficar parados e esperar a tragédia acontecer?

Minha sogra não podia suportar a situação e talvez, junto com o marido e eu, éramos os únicos a ter certeza de que nada sairia bem daquela situação.

— O que mais podemos fazer? E eu sei que esperar não é o mais certo, mas... não sabemos o que Tânia disse a Bella. Se ao menos pudéssemos descobrir o teor da maldita mensagem.

— É isso! Tia Esme, você é uma gênia!

Jasper pulou de pé e começou a revirar os bolsos. Não encontrado o que precisava, correu para a cozinha e passou a buscar nas gavetas. Deixando todos atônitos e sem entender nada.

— Jas, o que está procurando?

Alice verbalizou nossas dúvidas.

— As chaves da loja. Onde está? Onde está? Emmett sempre coloca aqui e...

— Por que?

Ela continuou indagando, contudo, e com dificuldade, se colocou de pé e começou a ajudá-lo.

Eu não estava entendendo nada e não era o único. O restante de nossa família só os olhava de bocas abertas.

— Bella tem o aplicativo de conversa instalado do computador da sua sala. Sempre o usa para conversas com fornecedores e clientes. Enviar arquivos grandes pelo computador é mais fácil. Eu sempre brigo por ela fazer isso. Insisto que os funcionários da loja podem espioná-la a qualquer instante. Deus do céu, obrigada por minha irmã nunca me ouvir e... Onde está a maldita chave? Eu deixo a minha aqui também e...

— Achei!

Minha irmã gritou, depois de abrir todas as gavetas da cozinha, estendendo um chaveiro, em formato de vaca.

— Vamos!

Jasper disse para todos, mas para ninguém em especifico.

— Ajudem Alice nas escadas.

E foi o que nosso pai fez, porque era claro que minha irmã não ficaria para trás.

— Por aqui é mais rápido, pai.

Guiou e alertou quando Charlie se dirigia para o portão.

A entrada da garagem, que só eles tinham acesso, e já dava para os escritórios e consultórios ao fundo da loja.

— Mãe, desligue o alarme a senha é o mês e dia do aniversário de seus filhos, começando por Emmett e terminando em Bella.

Jasper não parava para respirar, ia ditando regras e apontando para as coisa e lugares. E só quando passamos por duas portas foi que adentramos o corredor longo e escuro que tanto almejávamos.

— Por aqui.

Apontou para a última porta que, com a graça de Deus estava destrancada.

— Agora falta pouco.

Se abaixou e passou a ligar o equipamento, enquanto nossa família se ajeitava ao redor da mesa.

Esme acendeu o restante das luzes, espantando um pouco do clima sombrio que nos rodeava.

— Por favor, Bella, por favor... que você não tenha deslogado, por favor...

Sussurrou baixinho como um clamor.

Jasper era de longe, juntamente comigo, o mais fora de controle de todos ali.

— Aqui.

Guiou o “cursor” para lugar certo assim que o sistema terminou a inicialização.

— Ahhh, irmã, como te amo por ser tão relapsa e teimosa.

E ali estava, o aplicativo abriu e as conversar apareceram, das mais recentes para as mais antigas.

— Essa!

Apontei para a primeira, de um número desconhecido e que não estava salvo em sua agenda, e que não era o que eu tinha, de Tânia.

— Merda! Merda! Foi Tânia mesmo.

Ignorei as conversas ao redor. A mente totalmente focada nas letras, que pareciam gritar em minha mente, esfregando em minha cara o quanto idiota sou.

“Isabella

Quer seu “filhote de demônio” de volta?

Venha, sozinha, para Port Ângeles.

Quando chegar, me ligue nesse número para receber as próximas instruções.

Conte para a polícia ou para alguém sobre essa mensagem, e devolvo Seu Pestinha em pedaços pequenos e finos.

Sua Amiga.

Tânia Cullen”

— O que está fazendo?

Perguntou Jasper já segurando minha mão enquanto eu buscava o celular no bolso.

— Discando no número, oras. Agora temos como falar com a maluca.

— É e também colocar ainda mais seu filho e Bella em perigo. Releia a mensagem, Cullen. Tânia vai acreditar que Bella contou para alguém. Vai agir primeiro e pensar nas consequências depois. Se acalme.

— NÂO! Não quero me acalmar, quero agir e agir agora. Vou para Port Angeles. Revirarei cada canto daquela cidade. Até encontrá-los.

Dei-lhes as costas, saí da loja, subi, outra vez as escadas até chegar ao apartamento, peguei as chaves da camionete e já corria de volta para a saída.

— Filho, espere. Não pode agir por impulso. É isso que Tânia quer.

— Não, mãe. Ela quer a mim. E eu me darei a ela.

Passei por eles, parados perto do portão de saída. Percebi também que Charlie e Jasper me acompanhavam.

— Deixe, Esme. Vou com eles. Não dá para ficarmos parados. Ligue para Emmett e avise. Faça com que todos cerquem sua mãe de cuidados. Ela não aguentará o baque de saber que a neta e o bisneto estão correndo risco.

Papai se despediu e Jasper e Charlie fizeram o mesmo com as respectivas companheiras, jurando se manterem seguros e em contato.

— Rosie, cuide de todos e... Rosie? Rosie?

Carlisle chamou mais alto e foi então que todos silenciaram e olharam uns para os outros.

— Onde essa menina se meteu?

— Eu não a vejo desde... desde... que Bella saiu.

Mamãe sussurrou a última parte.

— O carro dela não está aqui e...

Sem pensar, voltei a pegar o aparelho eletrônico e enfim, disquei o número que nem imaginava que ainda tinha.

— Alô, Edward? Ela está com eles, com os dois. Vou entrar e fazer com que saiam e...

— Pare! Está maluca.

Gritei já colocando o telefone no viva voz, facilitando a comunicação com todos que se fecharam a meu redor.

— Filha, se acalme. Nos diga onde está? Como chegar aí, chamaremos a polícia e...

— Não! Vocês não entendem, não teremos tempo. E se chamar a polícia e ela perceber, Bella e Antony não terão chance. Por isso vou entrar e...

— Não! Espere, Rosie. Não faça burrice. Estamos indo em meia hora nos encontramos. Não avisaremos as autoridades. Agiremos com cautela. Tânia não fará nada enquanto achar que está no controle. Espere, já estamos a caminho.

Acenei para minha mãe e apontei o carro para os que me acompanhariam.

— Não, Edward! Não podemos arriscar. Ela está maluca. Não agirá com coerência, se achar que matando Bella terá você, o fará sem piedade. Preciso entrar e...

— Não, Rósalie! Eu te proíbo. Já fez merda demais com seu irmão e Isabella. Se ele está mandando esperar, espere. Se mantenha escondida, para que Tânia não faça ideia de que sabemos mais do que ela imagina. Em meia hora chegamos aí e aí sim, discutiremos o melhor a fazer. E depois, com calma, conversaremos sobre suas atitudes de hoje.

— Paiii.

— Obedeça! Isso é uma ordem! Espere! Se eu chegar aí e não te encontrar, juro que será a última vez que nos verá ou ouvirá. Porque não há mínima probabilidade de a perdoamos de novo, se algo acontecer a Bella ou Antony.

— Pai...

— Chega! Estamos a segundos de adentrar a rodovia, perderemos o sinal. Espere, isso é uma ordem!

E quanto mais eu pisava no acelerador, mas implorava a Deus para que, pelo menos uma vez na vida, Rósalie Cullen ouvisse alguém.

Bella

— Mamãe, podemos ir pra casa agora? Tony está com fome.

Com dificuldade, me arrastei devagar, para mais perto da parede e encostei as costas doloridas na superfície.

Tudo doía. Porém, não arriscaria ficar de pé e procurar uma posição mais confortável. Irritar mais Tânia, não era uma opção.

— A mamãe ainda não sabe, Amor. Mas, vamos rezar para que seja logo. Talvez se você...

— ESTOU OUVINDO VOCÊS, ISABELLA. Por que não se calam antes que eu perca minha paciência?

A voz arrastar trovejou de algum lugar da casa, fazendo Antony se contorcer e se encolher mais para perto de mim.

— Mamãe, Tony que ir “embola”.

Chorou alto. Quebrando mais uma parte de mim. E, pela milésima vez, naquele dia, jurei que se saísse dali com vida, faria Tânia pagar por cada lágrima dele.

— ISABELLA, CONTROLE ESSE MOLEQUE. Ou eu o farei.

Baixou a voz ratificando a ameaça mais ainda.

— Mamãe...

Antony soluçou. E foi minha vez de colocar a mão sobre sua boca, enquanto o colocava de novo no colo.

— Shiii, Shiii, Bebê. Fecha os olhinhos. Dorme um pouquinho. Quando acordar as coisas estarão mais tranquilas.

Sussurrei em seu ouvido.

— Mas Tony tá com a barriguinha doendo de fome, mamãe. Não vai conseguir “dolmir”.

Me imitou, também falando baixinho para que a peçonha não ouvisse.

— Consegue sim, mamãe vai te ajudar.

Ele não retrucou. Estava exausto, era visível. Só precisava de um incentivo e foi o que eu fiz.

Apertei-o mais junto ao peito e fechei as mãos, ainda presas, em sua cabeça, enjaulando-o, como pérola numa concha, em meus braços.

— Não posso cantar, porque pode incomodar a moça. Então só preste atenção na melodia. Eu estou aqui, Amor. Logo você estará em casa, são e salvo. Só precisa relaxar e descansar.

Assim eu esperava...

E como bom garoto que era, fez exatamente o que pedi. Se entregou a meus murmúrios, de boca fechada, e logo estava ressonando tranquilo, como se nada pudesse atingi-lo.

E por um mínimo de segundo me permiti apreciar aquele momento. Tânia não estava as vistas, e eu aproveitei para sentir o calor de meu bebê em meus braços e ali, jurei, que o tiraria daquele lugar. Mesmo que eu não conseguisse, Antony conseguiria. Foi uma promessa.

Rósalie

Droga! Droga! Droga!

Onde estavam eles? Por que tanta demora? Só Deus sabe do que a Psicopata era capaz. E quanto mais demorávamos a agir, mais minha alma gelava de terror e medo do pior.

— Idiota! Isso é para aprender a pensar as coisas com calma. A culpa é sua.

Bati, com força, a cabeça contra o volante do carro. A verdade afundava suas garras afiadas, como adagas, em meu coração.

Caí direitinho no plano de Tânia! Tirei Edward de seu caminho arrancando de Antony a única oportunidade de proteção que ainda restava.

Em minha defesa, confesso que nunca imaginei que ela usaria uma criança.

Por Deus! Até as piores pessoas tinham limites, não tinham?

Pelo que parece, não era o caso de Tânia. Ela, sem pestanejar, usara o ponto fraco de nossa família.

E a culpa era toda minha. Como não fui capaz de prever? Como não pesei todas as alternativas?

Por Deus! Se algo acontecesse com o menino eu, eu...

— Putz!

Pulei de susto quando o toque do celular me arrancou da autocomiseração.

— Onde está? Adentramos a cidade agora.

A voz de meu pai, rouca e preocupada, caiu em meus ouvidos como um bálsamo calmante.

— Não sei. Não conheço essa parte.

Olhei para todos os lados sentindo um novo arrepio ao me dar conta da aparência do lugar.

— Vou mandar a localização. Quando estiverem próximos, mande Edward desligar os faróis. Ainda não há movimento algum, por aqui. E não podemos alertá-la de nada.

— Certo. Fique em segurança. Já estamos indo.

Desligou, sem mais despedidas.

Enviei a localização e logo guardei o celular e voltei a me abaixar, me escondendo.

O carro estava a uns trezentos metros da carcaça de prédio que Tânia entrara, em um beco. E eu implorava a Deus que me mantivesse “invisível” até que a ajuda chegasse.

Porque só Deus sabe o que seria de mim, se alguém mal intencionado desse por meu carro naquela região.

Eu era um prato feito para qualquer tipo de malfeitor. Porém, não abandonaria o posto, a não ser morta. Era a única salvação de Bella e Antony e daria tudo de mim por isso.

Eu devia isso a eles, eu devia a meu irmão.

— Idiota! Idiota!

Reclamei mais uma vez perante a estupidez de minhas ações de hoje cedo. Eu tinha que ter coberto todas as alternativas de Tânia.

Vivia em função disso.

Bem, claro, depois que acordei para vida e tomei consciência de que havia ajudado a acabar com minha família.

Eu nunca me perdoaria por tamanha estupidez. Onde eu estava com a cabeça que preferi seguir, acreditar e ajudar aquela maluca a destruir a vida de Edward?

Ahh, eu sei onde minha cabeça estava! Agora eu sei!

Estava presa em vingança em rancor. Eu simplesmente jogara em Bella toda culpa pelo fracasso e fim de meu relacionamento com Emmett. Nunca me dera conta do quanto mesquinha, egoísta e mimada eu era. Só tinha a certeza de jogar a culpa na irmãzinha do meu ex.

E eis que isso me moldou. Se eu tinha perdido o meu amor, era justo que ela perdesse o dela. E sim, amor dela, porque era óbvio que Bella amava Edward desde sempre e vice versa. A diferença era que ela sempre soube disso, já ele... Ah homens! Como podem ser tão gananciosos e manipuláveis assim?

Foi tão fácil trazer meu irmão pro meu lado. Seu passado trágico, meu aliado.

Foi tão fácil destroçar Bella. Igualzinho eu me sentia. Juro que não ouve sensação melhor de sentir quando a decepção pesou nos ombros dela ao ver Tânia e Edward juntos. Foi tão, tão... gostoso. A dor dela era palpável.

Mas... durou pouco!

Bella sumiu na mata, depois apareceu e os Swan’s se fecharam. E o desespero até ameaçou minha consciência na época, porém, dias depois Emmett, já com Leah e Jasper apareceram. E eu achei que tudo voltaria ao normal, porém Edward já estava transtornado com a falta de Bella e o silêncio dos nossos primos.

Alice? Por Deus! Jasper nem a olhava.

E quando eu achava que nada podia piorar, veio o acidente e logo após o desaparecimento dos Swan’s.

Cristo Jesus! Foi a prego que faltava para selar meu caixão.

Minha família definhou a olhos vistos.

Carlisle e Esme perderam seus melhores amigos, Alice perdeu Jasper e Bella e Edward?

Bom, ele perdeu tudo. E com minha ajuda.

Era um pesadelo. A única coisa que manteve uma “chaminha de esperança neles” foi saber que Bella saíra grávida daqui. E a fé de que um dia retornariam.

E quando isso, por milagre, aconteceu e eu vi meus irmãos se erguendo aos poucos, jurei que nada, mas nada mesmo atrapalharia essa felicidade de novo.

Não, não sou boa, como devem pensar depois desse relato. Nem de longe sonho, um dia, fazer parte do círculo deles, nem quero.

É melhor para eles e para mim que se mantenham a distância. Acredito que algumas pessoas não nasceram para esse “aconchego” familiar, e eu sou uma delas.

Contudo, não há consciência tranquila no mundo que me deixaria seguir com a vida, se não consertasse “a merda” que um dia ajudei a causar.

E eis então o motivo de eu estar aqui, as três horas da madrugada, num beco escuro e perigoso, vigiando um maldito prédio até que o socorro chegue.

Eu devia isso a eles. E pagaria. Porque não havia a mínima possibilidade de deixar aquela maluca acabar com os motivos da felicidade de meu irmão.

E então talvez, só talvez, quando tudo tivesse terminado, com Tânia presa, eu poderia deitar a cabeça no travesseiro e dormir com tranquilidade por pelo menos uma noite.

Eu teria paz, enfim.

— Ei!

— Ahhh!

Pulei em meu banco, quando um nervoso Edward bateu, com brusquidão, no vidro do carro, tirando-me das lembranças e assustando até a minha alma.

— Qual deles?

Nada de cumprimentos, nem saudações, de nenhum deles, mesmo que Carlisle demonstrasse alívio no semblante. O outro assunto era mais importante.

— Aquele!

Apontei para o lugar no meio do quarteirão a nossa frente.

— Acredito que estejam no último andar. É o único com uma luz acesa.

Edward não terminou de me ouvir, só virou as costas e tentou partir, antes de ser impedido pelo pai de Bella.

— Espere, Edward!

Notas finais
Bom, é isso. Acho que mais uns cinco capítulos e finalizámos. Amanhã começo a responder o comentário atrasados e assim que terminar já começo a escrever o próximo. Um beijinho a todas. Um 2023 recheado de benção e boa semana a todas! Carla Kodel