Notas iniciais
Bom dia, meninas! Passando rapidinho, como prometido. Aproveitem porque está acabando.

Edward

— Espere, Edward!

Respirei fundo e apertei os dentes em fôrma de controle, caso contrário partiria para a agressão com quem pelo menos ousasse falar comigo, quiçá me segurar, como Charlie estava fazendo.

— Não! Não vou esperar. Vocês não fazem ideia do que aquela maluca é capaz. Vou tirar Bella e Antony de lá agora, antes que ela resolva colocar em ação o que a mente doentia está tramando.

— Pelo Amor de Deus, calma, filho! Não podemos agir por impulso. Ela pode ficar nervosa e resolver acabar com tudo.

Os dedos de Charlie se fecharam com mais força em volta de mim, impedindo meus avanços. E sinceramente, ele me chamar de filho, fez com que eu travasse só por um segundo antes de voltar a realidade da situação.

— Serei cauteloso. Mas, não vou esperar mais. Ela pode se assustar é com a polícia quando chegarem aqui. É melhor pegá-la de surpresa.

— Cunhado, não dá para arriscar. Precisamos...

— Eu acho que Edward tem razão.

Toda a atenção se voltou para Ròsalie e nem Jasper, que tentava me convencer também, foi capaz de esconder a surpresa.

— Vocês só podem estar de brincadeira.

— Não, tio. Pense conosco, se Tânia perceber a polícia, não terá nada a perder. Saberá que acabou e que não sairá ilesa. E de um jeito ou de outro fará questão de nos atingir. Como dizem: “cairá atirando” e temo que não poupará a Bella e Antony. Porém, se usarmos a surpresa como aliada, poderá dar certo. Tiramos Antony sem maiores problemas. Na loucura dela, acha que pode fazer dele filho dela e Edward. E quanto a Bella, Edward pode ludibriá-la, convencendo-a de que Bella viva e livre sentirá muito mais em vê-los juntos do que morta. É tudo uma questão de calma e convencimento.

Todos ficaram em silêncio por um curto tempo, até que as mãos de tio Charlie me soltaram para encontrar seus cabelos.

Jasper virou-se de costas de tampou o rosto, frustrado.

— Eu não sei, filha. Pode ser uma má ideia. Se...

— Ela está certa, pai.

Por mais que me irritasse concordar com Rósie, a explicação e o plano dela faziam total sentido.

— Edward!

— Pai!

— Chega! Estamos perdendo um tempo precioso aqui. A polícia chagará a qualquer momento. E sim, Carlisle, infelizmente, seus filhos têm razão. Só há uma chance e não estou disposto a arriscar minha filha e meu neto. Então faremos assim...

Eu concordaria com tudo que Charlie propusesse, afinal, ele sabia o que eu estava sentindo e nunca bolaria nada que colocasse mais ainda Bella e Antony em risco.

Bella

Era madruga, eu sabia. As nuances do tempo mudavam devagar. A escuridão, do lado de fora, nunca me assustou tanto. Eu tinha medo dela ser minha companheira para sempre. Pois, pelo que parecia não havia perspectiva para mim.

— Hummm!

Antony gemeu, em meus braços, incomodado com a posição. Não fui capaz de encontrar outra melhor para seu sono. Então, infelizmente, meu colo teria que servir.

Tânia não havia aparecido mais. Não sabia se estava dormindo ou apenas me vigiando de alguma maneira, e no menor dos meus deslizes, findaria com tudo.

Eu, por outro lado, não havia “pregado os olhos” nem me mexido muito. Continuava sentada no chão e encostada na parede, protegendo e aquecendo Antony com meu corpo. Eu só queria segurá-lo enquanto podia.

Eu não estava desesperada. Machucada e sofrida sim, mas desequilibrada não.

Se caísse seria com classe, não daria a Tânia o gosto de se vangloriar dizendo que implorei. O que eu faria só pela vida de Antony.

Se ele ficasse bem, eu ficaria também.

Só lamento por ter demorando tanto a voltar a Forks.

Edward e eu perdemos um tempo precioso. Porém, agora era tarde para lamentar.

O mal feito, feito estava.

Por isso, fechei os olhos e tentei relaxar, não havia nada a ser feito. Eu estava sozinha. Ninguém sabia onde e muito menos, com quem. Então, a única solução era esperar e rezar por um milagre. Porque no momento, meu destino estava selado e só restava a mim, aceitar.

Há não ser que...

PALFT!

Um baque abafado, me fez empertigar o corpo e abrir os olhos, assustada.

— Shi, shi, shi.

Eu estava pronta para gritar quando um vulto na varando acenou freneticamente, pedindo por meu silêncio.

Acenei, com a cabeça, em concordância quando Edward? Sussurrou e fez sinal com os lábios pedindo que eu me acalmasse.

Depois passou as pernas pela mureta da sacada e se colocou de frente a porta que mal se sustentava em si, como tudo naquele lugar.

Imediatamente olhei para o corredor, observando se Tânia também ouvira algo. Aparentemente não. Tudo continuava silencioso e calmo.

— Onde ela está?

Perguntou movimentando os lábios devagar sem deixar que som algum saísse.

— Acho que no quarto.

Repeti seu gesto, enquanto apontava para o cômodo com a luz acesa.

— Fique calma!

Pediu de novo. E quase coloquei tudo a perder quando ele segurou o trinco e tentou forçar o objeto decrépito a abrir. O barulho soou mais alto do que deveria e eu quis gemer de medo da Louca ouvir.

— Devagar, pelo amor de Deus!

O repreendi. E voltamos a ficar quietos, vendo se ela reagiria de alguma forma.

— Vou tentar de novo. Me ajuda? Você poderia tossir?

— O quê?

— Tossir...

Ele fechou a mão e a colocou sobre a boca mostrando como, sem som, para que eu fizesse igual.

E eu entendi o que queria: abafar o ruído, que faria ao forçar a porta, com minha tosse.

— Ok. Mexi os lábios comprovando que havia entendido.

E então ele começou uma contagem, com os dedos, 1, 2, 3...

— Cof, cof, cof...

Comecei e aumentei o tom quando ele usou o ombro para dar impulso.

— COF, COF, COF.

— Estou te ouvindo, Isabella! Cale a boca antes que eu resolva ir aí e fazê-lo por você.

Edward, ainda segurando a porta, agora completamente aberta, e eu paramos de respirar por algum tempo, como medo de que até o som do ar entrando e saindo de nossos pulmões pudesse trazer Tânia até a sala e colocar todo plano dele a perder.

— Ela está armada. Tome cuidado.

Voltei a boquejar, quando ele deu os primeiros passos, incertos adentrando o espaço onde estávamos.

— Shiii.

Acenou de novo. Enquanto andava e olhava para a corredor afim de vigiar Tânia.

— Graças a Deus! Graças a Deus.

Sussurrou se abaixado e nos juntando num abraço.

— Eu achei que tivesse perdido vocês.

Por um segundo, só um, me permiti derreter em seus braços, me entorpecendo com seu cheiro e deixando que a esperança ameaçasse me dominar.

— Vai perder se não saímos daqui. Ela está louca e...

— Não! Não vou deixar, Vida. Vamos dar um jeito. Só preciso encontrar algo para cortar essas abraçadeiras.

— Ali.

Apontei para a cozinha. Porque não havia nada de corte as vistas. Ela havia levado a tesoura e a faca quando se recolheu.

— Já volto.

Devagar e silenciosamente, ele foi para o outro lugar, se é que aquilo poderia ser chamado de cozinha. Contudo, antes de começar a procurar seus olhos se prenderam em algo, que não fui capaz de identificar devido à minha posição.

Mas, alguma me disse que não era bom, porque logo Edward começou a rodar pelo lugar procurando o que havia ido buscar.

— Shiii.

Sussurrei quando ele abriu e fechou uma gaveta com um pouco mais de força causando um barulho ensurdecedor comparado ao tamanho do silêncio ao nosso redor.

— Isabellaaaa posso ouvir você, de novo. É melhor para todos que fique quieta, não quer me deixar irritada, quer?

Edward se esquivou para trás da geladeira e eu me fundi mais a parede, levando Antony comigo e rezando, a Deus, para que ela não viesse investigar a fonte do barulho.

— Por Deus!

Edward disse instantes depois, quando nada aconteceu. Então voltou a busca e não demorou muito para que encontrasse o que procurava.

— Estique o braço.

Obedeci com os olhos voltados para o corredor, com muito medo de que minha algoz voltasse.

— Perdão, minha Vida. Mil perdões, mas não há outra maneira de fazer isso.

Ele se referia ao atrito das abraçadeiras em meus pulsos. A faca, que encontrou, era daquelas de manteiga, ou seja, quase sem corte. Então demorou muito para que alcançasse o efeito desejado e ainda me feriu no processo.

Contudo, segurei os gemidos. Aquilo não era nada comparado ao que poderia nos acontecer.

— Só mais um pouquinho, mais um pouquinho e...

— Mamãe... o que... Papai!

— Não! Não.

Edward parou e colocou a mão tampando a boquinha de nosso filho, escutando se tínhamos alertado Tânia.

Segundos pareceram horas, minhas mãos estavam geladas e suor pingava da testa de Edward. Tony tinha os olhos estupefatos em nossa direção.

— Shiii.

Coloquei os dedos sobre meus lábios mostrando-o como precisava que ficasse quietinho.

Quando concordou com um aceno de cabeça o pai o soltou e voltou a tentar me livrar das braçadeiras.

— Graças a Deus!

Sussurrou Edward esfregando meus pulsos e já tirando Antony do meu colo.

— Vamos sair daqui.

Se colocou de pé e estendeu a mão me ajudando, já que tudo em mim doía devido a posição em que estava a mais de três horas e da maldita tenção do dia infernal.

Atravessamos o pequeno cômodo e paramos de frente a saída.

— Trancada!

Me afastei para que Edward tentasse.

— Droga! Não dá para arrombar. Ela foi trocada está nova e fará muito barulho se forçarmos.

— Podemos sair pela sacada, como você entrou.

— Não com Antony. É preciso saltar de uma sacada para outra.

— Edward, porque estão demorando tanto? Saiam daí.

Ah, santo Deus, era a voz do meu pai do outro lado.

— Trancada, sogro.

— Se afastem. Jasper vai arrebentar essa “merda”.

— Não! Pelo amor de Deus! Ela vai acordar.

Sussurrei o mais baixo possível e torcendo para que meu pai entendesse que precisava ser cuidadoso.

— Será um segundo, filha. Quebramos, vocês correm e tudo será resolvido antes que...

Porém, a sorte não estava mesmo do nosso lado, a frase de meu pai se perdeu em veio a barulhos de sirenes e movimentações do lado de fora.

— Droga! Não temos tempo. A polícia chegou. Ela acordará de qualquer maneira mesmo. Se afastem!

Fizemos o que Jasper pediu, porque era verdade, não tínhamos tempo, porque não há alma que conseguiria dormir perante tanto barulho.

E então o mundo veio abaixo com o grande “bum” causado pelo confronto do corpo de Jasper com a porta.

— De novo!

Ele gritou pela segunda vez até a que a porta cedesse em meio a tanta pressão.

— Graças a Deus. Vem Antony e...

— Ora, ora, ora... Família reunida.

Toda movimentação e palavras se perderam em meio ao pavor de ver a loira, de arma em punho, vindo em nossa direção.

Por puro instinto, virei o corpo, tampando Jasper, já com Antony nos braços, e papai ainda na soleira na porta.

Com a mão nas costas sinalizei para que meu irmão tirasse meu filho dali.

— Não! Um passo e o seu cérebro fará parte da nova pintura dessa casa, Isabella.

Não temi. Antony estaria seguro. Por isso, levantei as mãos, em sinal de obediência.

— Deixe Jasper e meu pai tirá-lo daqui. Ficarei, Tânia. Esse era seu propósito desde o início, não era? Me pegar. Estou aqui. Deixe-os ir. Você não vai querer traumatizar seu “futuro enteado”, não é? Edward não te perdoará por isso. Ele ama o filho. Aliás, ele já te disse que está comigo só por causa de Antony?

Edward

Jesus! Mesmo entendendo que Bella estava tentando distrair Tânia para tirar nosso filho dali, ainda era difícil de aceitar.

Eu queria atravessar o cômodo e apertar seu pescoço até que o ar deixasse seus pulmões, e era exatamente isso que teria feito, se não fosse a arma apontada diretamente para a cabeça de minha mulher.

— Não cairei no seu joguinho, Isabella. Edward não se colocaria em risco se não sentisse nada por você. Eu o conheço. Então, fique caladinha, ou isso terminará muito rápido.

— Não é um jogo, Tânia. Eu só quero que Antony saia ileso nisso. Você pode mandar Edward sair também e...

— Bella, chega! Sairemos daqui juntos.

A olhei irritado. Quando que em sã consciência eu a abandonaria?

— Mamãe, Tony quer...

— Ah, fique calado, Pestinha! Estou cansada dos seus choramingos. Aliás, calem-se todos vocês. Eu preciso pensar.

Putz! Os olhos vidrados faziam dela muito mais ameaçadora. E seus minutos de silêncio só aterrorizaram mais a situação.

— Saiam daqui! Tirem esse Merdinha daqui.

— Não! Mamãe, papai... Tony quer os pais dele.

— Tânia, pense com calma. A polícia está aí fora. O prédio está cercado. Não tem como você sair ilesa dessa. Deixe minha filha e Edward saírem e...

— CHEGA! SAIAM, SAIAM! SENTE-SE NA PORRA DO SOFÁ, ISABELLA! COLOQUE A PORTA NO LUGAR, EDWARD. AGORA!

A loucura dela atingiu o limite quando se aproximou demais perigosamente. Nunca tirando Bella da mira, o que ela sabia, era o ponto fraco de todos ali.

— Pai, por favor. Façam o que ela pede. Edward logo se juntará a vocês. Filho, vai ficar tudo bem. Mamãe te ama, tá? Não esquece.

— Bella!

— Mamãe...

Charlie e Antony imploraram e eu quis sacudir Bella, por sonhar, de novo, que eu sairia dali sem ela.

— AGORA! EDWARD!

A louca voltou a gritar e dessa vez segurou Bella pelo braço e encostou a arma em sua cabeça.

— Impossível que eu erre daqui e...

E então tudo virou uma loucura.

Rósalie, que ninguém viu, veio da varanda, por onde eu havia entrado pulando do apartamento vizinho, atravessou o lugar, correndo e segurou o braço de Tânia para cima, dando assim tempo para que Bella se soltasse.

— Corram! Não conseguirei segurá-la por muito tempo.

E não conseguiria mesmo, porque logo Tânia reagiu com a outra mão e só se via dois emaranhado de mexas loiras lutando e se contorcendo.

— VADIA! EU DEVIA TER ACABADO COM VOCÊ QUANDO TIVE A CHANCE. SABIA QUE NÃO ERA CONFIÁVEL. POR ISSO, A DEIXEI DE FORA DOS MEUS PLANOS. AH, MAS ISSO ACABA AGORA. VOU FAZÊ-LA SANGRAR, RÓSALIE. BEBEREI SEU SANGUE EM UMA TAÇA.

— Saiam! Edward, tire todos daqui.

Reagi. Soltei a porta que havia pegado obedecendo as ordens e logo corri para o lado de Bella.

— Vadia!

Tânia voltou a gritar quando Rósie bateu em seu punho, fazendo assim com que a arma caísse ao chão perto da cozinha.

Meu sangue gelou nessa hora.

— Bella, saia! Tem gasolina. Se a arma disparar tudo vai pelos ares. Charlie, Jasper tirem Antony daqui. Tio, leve a Bella.

— Não sem você.

— Estarei atrás de você, Vida. Deixe só ajudar Rósalie.

Bella já negava com a cabeça... linda, teimosa de uma figa... quando olhei para meu sogro e daquele nosso jeito de conversar sem precisar de palavras. Do jeito que só duas pessoas que amam intensamente a mesma pessoa sabem, ele veio para perto dela e a pegou no colo.

— NÃO! O quê? Pai, me coloque no chão! Eu não vou sair daqui. EDWARD!

Mas, era tarde demais. Meu sogro já seguia Jasper escada abaixo. E, impressionantemente aliviado, agora que meus amores estavam a salvo, me voltei para as duas mulheres que ainda travavam uma verdadeira briga atrás de mim.

— Solte! Larga!

Segurei Rósalie pelo braço e puxei a afastando da louca que a segurava pelos cabelos.

— Eu vou matar você! Juro que vou.

Segurei minha irmã com mais força até que a livrei do alcance de Tânia, nos puxando em direção a porta.

O que foi meu maior erro. Deveria ter pegado a arma primeiro.

— Ainda não acabou.

— Corre, Rosie.

Gritei quando estávamos muito perto da saída, longe do alcance da mira da arma, porém... Tânia não deixaria barato por termos estragado seu plano.

— Ahhh, se não ficará comigo, não ficará com ninguém, EDWARD!

— Não! Edward!

Porém era tarde demais, só coube a mim e Rósalie nos jogarmos e abaixarmos quando um estrondo atingiu nossa audição, e logo após escombros e muito fogo nos cercaram por todos os lados.

Era o fim! Tânia havia atirado nos galões de combustíveis que vi, mais cedo, empilhados na cozinha.

— Ah, Edward, me perdoe, irmão. Eu te amo.

Não ouve tempo para responder, a dor veio forte em minha cabeça e a escuridão ameaçou, se certificando que a inconsciência se aproximava.

Era o meu fim. Um fim amargo, mas aliviado por saber que Bella e Antony sobreviveriam.

Eu porém, não.

Rósalie

— Não! Edward! Acorde! Edward!

Notas finais
Lembrem-se, se torturarem e matarem a autora não tem fim da história... ; Sejam boazinhas! Bom Carnaval a todas e até o próximo!