Quando o passado não te deixa viver
16 Nos seus domínios
Notas iniciais
— Jake!
— Ei, linda! Quanto tempo.
Bella
— Muito tempo. Não te disse para parar com os anabolizantes, Black? Fazem mal para a saúde. Sabia?
Brinquei apertando seus bíceps e sentindo a textura e força.
Sabia que éramos observados e tentava, ao máximo ignorar. O coração batia descompassado a ponto de sair pela boca. As semelhanças e o reconhecimento do lugar eram tantos que nem parecia que havia se passado tanto tempo. Estava tudo exatamente igual.
— Veterinária, Swan? Tem certeza? Eu pedi um dos bons. Não médico de cachorrinho ou de curso a distância.
— Idiota! A médica de cachorrinho aqui, tem duas graduações. Veterinária e Engenharia Agronômica.
Passei a mão por seu ombro enquanto ele segurou minha cintura já me guiando para frente da casa, onde, os Cullen’s nos esperavam.
— “Cabeça vazia oficina do diabo”?
Ele me conhecia e como conhecia. Era Jacob ali. O meu amigo que sempre apoiou e torceu por tudo que eu quis fazer.
Crescemos juntos. Billy e Harry são irmãos e sempre fizeram questão de criar os filhos próximos. Então era frequente a presença de Jacob e sua irmã Rebecca, que atualmente trabalha na loja conosco, na Sonho Azul.
Leah e Seth sempre foram mais do que “os filhos dos funcionários”. Meus pais sempre os tiveram como afilhados, daí para incluir os irmãos Black nesse patamar, foi questão de tempo.
— Exatamente assim. Quando Antony nasceu, tudo se estabilizou e pude voltar para a faculdade. Recomecei Agronomia e logo descobri que eliminaria algumas matérias se fizesse Veterinária também. Então... Eis- me aqui.
— Faculdade particular?
— Muito particular. O processo de seleção para universidades no Brasil são complicados e muito diferentes daqui. Eu não tinha tempo... Precisava me ocupar.
Eu tinha certeza de que nossos espectadores ouviam nossa conversa, a distância era curta e todos nos olhavam com bastante atenção.
Encontrar Edward ali não foi surpresa. Para quem me perseguia, a casa dos pais era seu total domínio.
— Ok, então vamos testar se o dinheiro de seu pai foi bem empregado. Vamos às baias.
— Dinheiro do meu pai, “o seu nariz”! Sabe que sempre dei duro. Se ele pagou pelos meus estudos eu retribui a cada dia que levantava às quatro da manhã e dormia a uma da madrugada.
— Eu sei, desculpa. Foi uma brincadeira de mau gosto. Sei que odeia quando as pessoas supõem que tio Charlie a sustenta.
— Foi mesmo. Agora deixe de enrolar. Meu dia será longo. O que temos?
Peguei a maleta e uma pequena mochila no banco detrás da camionete.
— É a “Madona” principal matriz do estábulo, ela está prenha. A cria é muito grande e não consegue sozinha. Não encontro o veterinário da fazenda. Certeza que está dormindo em algum lugar. Bebida e mulher o fazem perder a hora.
— Certo! Vamos lá.
Demos a volta no carro e, ignorando meus instintos que me mandavam seguir em frente, parei em frente da casa bonita.
Um pouquinho de boa educação eu tinha que mostrar. Não queria que pensassem que não sou boa influência para Antony.
— Bom dia.
Escutei respostas curtas de todos, menos de Edward que tinha os olhos vidrados em mim. Sua expressão era indecifrável. Porém, nunca fui especialista em ler as pessoas. Acho que por isso me iludi tanto quando jovem.
— Vou com Jacob ver a égua. Emmett está para chegar também, preciso da ajuda dele. Por favor, o enviem para lá.
— Vamos tomar um café primeiro, querida? Íamos fazer isso agora? Por que não nos acompanha?
Esme quis ser cordial, porém, eu não estava ali para conversas, muito menos com eles.
— Não. Obrigada, senhora Cullen. Vim só fazer meu trabalho.
Ela fechou a expressão ao ouvir o modo como a tratei.
— Precisa de alguma coisa?
— Só preciso de Emmett, senhor Cullen. Por favor, o levem a mim assim que chegar.
Ele acenou em concordância, sua expressão também não foi das melhores para comigo.
— Podemos conversar por um minuto antes que você...
— Lamento, senhorita Cullen. Mas, se eu demorar posso colocar a matriz e o potro em perigo. Não tenho tempo.
Doeu. Deus! Como doeu!
Era Alice ali. A minha melhor amiga de sempre. Na nossa fuga eu perdera um namorado, que na verdade nunca fora meu.
Porém, Alice sempre foi um porto seguro. A irmã que nunca tive... Descobrir o que descobrimos, foi uma decepção. Eu não esperava... Ela sempre fora tão boa e...
— Vai entrar no estábulo, vestida assim? Os peões estão todos lá há essa hora. Aliás... Eu... Eu... Esse vestido parece desconfortável e... Não apropriado para quem vai se abaixar e levantar e... Digo... Digo...
Edward tirou-me de minhas divagações ao parecer confuso e nervoso enquanto remexia nos cabelos e me falava sobre o vestido.
Em meses, ou melhor, em anos, essa foi a primeira vez que tive vontade de gargalhar perante um gesto ou fala dele. Parecia tão desconcertado e com medo de se dirigir a mim.
Confesso, deu um pinguinho, bem minúsculuzinho, de pena. O que ele achava? Que eu fugiria, com Antony, a cada ameaça de decepção ou palavra mal falada por ele?
— Não se preocupe, senhor Cullen eu...
— Senhor Cullen é meu pai. Por favor, dá para parar de agir como se não nos conhecêssemos? Eu quero conversar, Bella. Pedir desculpas. Conhecer...
Jacob levantou as sobrancelhas e fez cara de abismado. E eu quis, muito, socar o Cullen e ele.
O minúsculo pingo de pena se esvaindo como água de enxurrada. Não Cullen, não é assim que se faz.
— Como eu ia dizendo, senhor Cullen filho, não se preocupe...
Virei-me totalmente para Jacob.
— Posso me trocar no alojamento?
— Claro que pode. Vamos.
Viramos as costas deixando uma família inteira embasbacada para trás.
— Doutora Swan? Não creio que seja apropriado que se troque no alojamento dos peões. Por que não acompanha minha filha? Ela pode te levar para se trocar aqui na casa grande.
Carlisle voltou a me indagar quando percebeu que já me dirigia, com Jacob, para os alojamentos. Ouvi-lo me tratar de doutora causou um aquecimento no peito. Era bom saber que sabiam quem eu era agora, pelo menos na área profissional.
— Não se preocupe, senhor Cullen. Eu sei me cuidar. Além do mais, Jacob estará lá para mim.
Sem pressa, ainda vi Edward fechar a mão e trincar os dentes, se contendo, antes de dar-lhes as costas e seguir caminho.
Edward
— Ela não vai facilitar. Nunca que vai. Deus! Nem parece a Bella. Está tão mudada.
— O sofrimento a mudou, irmã. Eu a mudei. Eu causei aquilo.
— É uma casca.
Esme conseguiu minha total atenção, enquanto via Bella e Jacob gargalhando, rumo aos alojamentos.
O ciúme me corroia. Eu só queria conversar, enquanto ele podia até tocá-la. Maldito, Black!
— Renée usa essa mesma técnica. Ela não me olhou por mais de três segundos, nos olhos. Tem medo do que pode revelar. Bella faz a mesma coisa. Dirigir-se a nós formalmente é um modo de dizer que não há laços e que ela não os quer. Está se protegendo, se escondendo.
— Não gostei.
— Nem eu.
Expus e Alice concordou.
— Ei!? Onde pensa que vão? Voltem imediatamente aqui.
Carlisle chamou quando percebeu que Alice e eu descíamos em direção as baias.
— O senhor acha mesmo que vou perder a chance de ver minha mulher trabalhando? Acho mesmo que a deixarei cercada de peões sem um de nós por perto? Ah, pai. O senhor não me conhece mesmo.
Nem olhei para trás. Só sabia que precisava estar perto dela, mesmo que seja para ser ignorado. Na atual circunstância, olhar para ela bastava, já que eu certamente não conseguiria mais do que isso.
— Droga, Edward! Não é assim que se faz.
— Se não se pode vencê-lo, pai, assista com ele.
Surpreso escutei-o resmungar e descer atrás de nós. Era claro que temia que eu me descontrolasse.
Coitado! Nem faz ideia do que eu estava disposto a fazer e esperar para ter Bella e Antony em minha vida.
Bella
Respirei fundo... Respirei fundo de novo... A calça abraçava meu corpo. A lycra fazia tudo parecer no lugar. A camisa jeans, de uniforme da loja, era linda e o jaleco branco, desenhado e modelado para mim e só para mim.
Porém, então por que o ar faltava? Eu já me avaliara duas vezes, de frente ao pequeno espelho do quarto de Jacob. Nada estava errado. A não ser, claro, o fato de estar usando calça... Não que não usasse mais. Mas, era muito raro. Só em ocasiões como as de hoje, quando o atendimento exigia. Ou em casa, as de pijamas, quando estava muito, mas muito frio. O que era raro no Brasil, mas frequente em Forks.
— Tudo bem aí, Swan? Precisa que eu feche seu zíper?
— Precisa que eu feche sua boca, Black?
A risada dele veio alta e eu agradeci mentalmente por aquilo. Era tão familiar. Tão aconchegante, como se soubesse exatamente do que eu precisava. Da força que eu precisava...
Jacob nunca me julgara pelo meu modo de vestir ou ser e eu tinha certeza de que não começaria agora.
Além disso, eu não era uma mulher que se deixava intimidar, tá certo que ainda tenho umas paranóias que precisam de controle. No entanto, não seria uma calça jeans que me impediria de fazer meu trabalho e enfrentar o que estivesse por vir.
Por isso, abri a porta e saí, pronta para ouvir uma piadinha.
— Ehh, Swan. O tempo passou, teve um filho e não mudou nada. Continua gostosa!
— E você continua idiota.
Passei por ele, peguei a maleta e logo já saia rumo aos estábulos. Sabia que ele me seguia.
— Por favor, peça para que alguém pegue dois equipamentos na traseira da camionete para mim?
Ele só olhou para um dos funcionários que estava parado perto da entrada dos estábulos de boca aberta me avaliando como algo muito comestível.
Homens!
E não eram só os peões que estavam ali, Carlisle, Alice e Edward também nos aguardavam.
Mais uma vez, ignorei a todos e entrei no estábulo.
— E então, quando vou conhecer “seu moleque”? Já tive notícias de que é esperto demais para seu próprio bem.
Era por isso que eu gostava tanto de Jacob. Ele tinha o poder de amenizar a situação sempre que estava por perto.
Se enfrentar Edward já estava sendo um suplício, imagina fazer isso de calça e mostrando que, na verdade, eu não mudara tanto assim. A Bella, meio menino, que amava os animais e a terra estava bem ali a sua frente agora. Fácil de ler e tocar.
— Ele não é um moleque. É um menino lindo e muito bem educado.
O segui passando por inúmeras baias. A Paraíso era uma das melhores criadoras de cavalos da região. Acho que até melhor que a Sonho Azul, já que nossa especialidade era mesmo a lavoura e o gado de leite.
O que Emmett e eu mudaríamos gradualmente. Investir mais na criação de cavalos era nosso próximo passo. Um haras respeitado sempre fora um dos sonhos de meu pai.
— Claro que ele é. Você o criou.
Deu uma “cutucadinha” e Edward suspirou.
— Foque no que é pago para fazer, Black. Eu devo satisfações a Bella e a família dela. A você não. Há anos te suporto, mas brincar ou falar de algo que me atormenta, não será tolerado.
— Não estava falando nada demais ou de você. Mas, “se a carapuça serviu”...
— Jacob! Respeite meu filho.
Tio Carl... Ou melhor, o senhor Cullen, encerrou o pequeno desentendimento deles.
Fiquei na minha. Não era ali, no meio dos peões e dos animais, que Edward e eu colocaríamos as coisas em pratos limpos.
— Sim, senhor. Peço desculpas...
Jacob se redimiu já que Carlisle era tudo, menos um mau patrão. E nos tempos de hoje ficar desempregado não era uma opção. Sem bem que... Jacob era ótimo no que fazia. Certeza de que seria de grande valia na Sonho Azul.
— Por aqui.
Caminhamos por mais algumas baias até chegar à metade do galpão, onde um espaço maior, com feno esparramado para todos os lados se apresentava.
Quase encostada à parede uma égua de grande porte se remexia inquieta e sofrida. Ela era enorme!
Edward
Merda! Merda! Eu tinha as mãos fechadas em punho. A raiva fluía e estava doendo todos os músculos me controlar.
Precisava de uma calça tão apertada? As dela sempre foram assim? Se foram, agora tá explicado o porquê de ter implicado tanto com elas, no passado. Aquilo marcava até a... Até a... Droga! Deixa pra lá. Eu não era mais o mesmo. Eu me controlava agora. Sabia o quão desejável estava, mas sabia que nem fazia aquilo de propósito.
Não era o jeito Bella de ser. Nem da do passado nem da do presente. Algumas coisas nunca mudam.
Agora, Jacob Black era outro assunto. Eu não era obrigado a aguentar suas provocações. Não o devia... Muito pelo contrário, sentia a sabia que queria Bella e era sorte dele que tinha o propósito de reconquistá-la e a Antony também, porque senão...
— Ela é muito grande.
Saí de minhas divagações e senti o coração se acelerar ao ver Bella, tão pequena, se aproximar do animal irritado.
— Ela é muito arisca, tome cuidado!
O maldito Black a alertou.
— Fiquem parados aí e em silêncio. Preciso ganhar sua confiança e um mínimo movimento pode assustá-la.
Apontou para mim, meu pai e Alice. A obedecemos imediatamente.
Deus! Como pode? Era ela ali, mas ao mesmo tempo não era.
Estava de calça, os cabelos presos e sorrindo das brincadeiras idiotas do amigo. Se alguém me dissesse que estávamos presos no passado, eu acreditaria.
A vestimenta cultuava sua dona. Ela nunca parecera tão feminina, tão desejável. Ela sempre fora linda, mas agora estava fora do comum.
— Qual o nome dela mesmo?
— Madona.
— Ei garota, ei Madona...
Aproximou-se devagar, estendendo a mão rumo ao pescoço do animal. Os olhos nunca baixaram. Era uma, conhecendo a outra.
Eu prendia o fôlego. Aquela égua era uma peste, papai esteve a ponto de vendê-la inúmeras vezes devido a vários acidentes com tratadores.
O instinto protetor me mandando retirá-la dali. Já o anseio por agradá-la e de fazer o certo agora, me fazia ficar quieto e aproveitar o momento.
— Tudo bem, tá tudo bem. Eu sei que está doendo. Vou te ajudar, prometo que vou. Calma, só confie em mim.
Acariciava o pêlo e conversava baixo. Até que o animal se aquietou e aproveitou o carinho.
— Posso ver como estamos aqui? Xiii... Calma, calma... Vai dar tudo certo. Eu prometo. Estou aqui para ajudar.
Voltou a tocá-la, só que agora bem em cima do ventre volumoso. Por um minuto, Madona bateu as patas da frente, parecendo irritada.
E aí, como uma encantadora e com palavras doces, voltou a acalmá-la.
— Me passe o estetoscópio, Jake?
— O este... O quê?
— Essa coisa aí com os dois caninhos.
Apontou para o equipamento bem arrumado dentro da maleta que ela abrira e colocara em cima de um tronco, que os peões usavam para sentar, antes de começar a examinar o animal.
— Hummm. Isso não é bom, garota. Os batimentos estão acelerados e...
— Começando a diversão sem mim, maninha? Trouxe o Sonoscape tinha um peão com as mãos sobre ele. Aposto que nem fazem ideia de quanto custa um desses.
Emmett entrou sem cumprimentar a nenhum de nós, aliás, nenhum não, ele fez questão de abraçar Jacob no caminho.
— Não deu conta dum servicinho desse, Black? Tá muito mole mesmo.
— Ah se você soubesse como Madona se comporta quando prenha. É o mal em animal, esse bicho.
— Vou descobrir agora.
Em momento algum nos olhou. Parecia que estavam sozinhos ali. Presos em seu universo particular. E eu sabia disso, porque fora justamente eu que os obrigara a criar esse lugar, quando me recusava a participar das conversar deles.
Ah, se arrependimento matasse.
— Acho que deveríamos sair daqui. Estamos atrapalhando. Eles entrarão num momento crítico agora.
Alice cochichou para mim.
— Vá você.
Porém ela não foi. Só fez careta para minha resposta e se manteve ali. Respirei fundo e conti minha irritação. Ela não merecia aquilo de mim. Aliás, nenhum deles merecia. Eu era o culpado por ser um espectador nessa história. Não eles.
— Desculpe! Pode ir se quiser. Vou ficar bem aqui. Só quero aproveitar as migalhas que milagrosamente recebo. Sei que é uma tortura para você, vê-los e não poder nem falar. Mas, para mim...
Falei mais baixo ainda.
Olhei para os irmãos. Emmett se aproximava de Isabella.
— São preciosos, irmã. Tudo que Bella me der será bem recebido. Eu mereço. E se quero começar a lutar preciso conhecer bem o oponente. Pode ir.
Ela não foi. Só passou o braço pelo meu e me acalentou. Lágrimas silenciosas, mas sofridas, escorreram de nossos olhos, ao mesmo tempo.
— Bom dia, irmã. Se rebelando contra as regras a essa hora da manhã? Acho que deve umas explicações a Jasper e a mim, mais tarde. Agora, como estão as coisas aqui?
— Bom dia para você também, maninho. E só para você saber, as regras não diziam nada sobre negar socorro a algum animal.
Ele foi até Bella e a beijou na testa lenta e demoradamente. E pela primeira vez, me olhou de relance, era como se me provocasse com aquele simples gesto que não estava a meu alcance mais.
— Bonito discurso, mas não me convence. Ainda teremos a conversa.
— Estou a seu dispor, irmão. Quem não deve, não teme.
— Tá. Falamos disso mais tarde. Agora me atualiza, batimentos da mãe?
— Acelerados! Não vai conseguir sozinha. Tem dilatação, porém o filhote não está posicionado.
— Ok. Vamos ver isso. Manuseie, eu seguro.
Emmett segurou o ultrassom portátil, enquanto Bella deslizava a outra parte pelo ventre volumoso da égua.
— Calma, calma... Já vamos te ajudar.
O animal voltou a se mexer incomodado. Jacob se aproximou e fez carinho em sua cabeça tentando confortá-lo.
A atenção dos três totalmente voltadas para o que faziam, completamente alheios a nós e nos olhares que eu só dava para Bella.
— Posso fazer alguma coisa para ajudar?
— Não! Está tudo sob controle, Black. Relaxe e aprecie Bella e eu trabalhando.
— As meninas podem ficar em silêncio, por favor? Quietos e... E... Mais um pouquinho. Vamos, vamos... E... Ah! Aqui!
Bella comemorou. Os batimentos do filhote eram ouvidos fortes, altos e acelerados.
Ignorei demais o pensamento dela em um uniforme branco, de touca cirúrgica e trabalhando em nosso hospital, comigo... Em uma realidade alternativa até desejei aquilo... Eu a teria matado, se a vida tivesse seguido aquele curso. Bella sempre amara a fazenda, os animais, a terra.
— Hum! Droga! Está vendo isso?
— Estou. Precisamos agir agora. Prepare a anestesia. Black, fique bem aqui. Precisamos deitá-la assim que o sedativo começar a fazer efeito, senão cairá e colocará a cria em risco.
A sincronia ente irmãos era perfeita. Um lia a expressão do outro. Palavras e gestos eram desnecessários.
— O que está acontecendo?
Alice encostou a boca em meu ouvido e voltou a falar.
— Vão fazer uma cesárea. É incrível que more a vida inteira em uma fazenda e não saiba, nem por alto, o que fazer. É daqui que saí o capricho de vocês. Deveriam dar mais valor.
Carlisle, muito irritado, jogou o chapéu que usava, no chão e saiu dali.
— O que deu nele?
Voltei a olhar para Emm e Bella que agora já posicionavam Madona, no chão. Prontos para começarem o procedimento.
— Frustração. Emmett, Bella e Jacob são tudo que ele esperava que eu fosse. E vê-los trabalhar aflorou isso. Não se preocupe, o problema é comigo.
— Irmão...
— Tá tudo bem, Lice. Vamos só assistir em silêncio, antes que Emmett peça para que nos retiremos.
Sem alternativa, ela se calou. Sabia quando eu queria terminar um assunto.
— Aqui. Vou fazer a incisão. Se prepare para pegar o filhote. Ele é grande, Bells. Não o pegue sozinha, Jacob a ajudará.
Abriram uma mesa, de metal, do canto e a forraram com material descartável. Eles tinham tudo preparado.
— Certo! Vamos lá.
Emmett demarcou com caneta grossa, bem acima da pata esquerda do animal, exatamente no fim do ventre volumoso.
— Vou cortar, se prepare.
E quando fez uma quantidade, relativamente pequena de sangue saiu. O bisturi deslizava com facilidade enquanto Bella limpava tudo ao redor.
— Isso! Muito bom. Já estou vendo. Agora, Bella...
Mas ela já estava com as mãos dentro do animal e logo puxava para fora as patas e a cabeça. Jacob se aproximou e ajudou-a a puxar o filhote para fora.
— Limpe-o, enquanto suturo.
Levaram a cria para a mesa. Bella trabalhava nele com maestria, limpando, ouscutando...
Já Emmett, tinha agulha e linha nãos mãos. Suturava com maestria e eu imaginava o quanto aquilo era difícil já que o couro e pelo do animal eram muito grossos.
— Pronto!
— Aqui também.
Em menos de uma hora eles já tinham tudo sob controle. A cria grande de pé ao lado da mãe que começava a voltar da anestesia.
— Vou prescrever um antibiótico para a mãe e umas vitaminas para o filhote. Lá na loja tem. Providencie.
Entregou a Jacob uma receita, depois de retirar as luvas e os protetores de braços.
— Certo! Passo lá mais tarde. Foi um trabalho incrível. Talvez eu convença o chefe a contratá-los com exclusividade.
— Não faça isso. Foi um socorro e não acontecerá de novo. Temos regras. Bella vai cumpri-las.
Emmett deixava mostrar sua frustração. Era evidente que não aprovara a presença deles aqui e que isso não se repetiria.
— Tem meu número aí na receita, Jake. Agende-o. Se precisar é só me ligar. Eu fiz um juramento e ele não se curva as regras de meu irmão. Agora, se era só isso, já vou. Tenho um filho à espera.
Ela não se curvou ao irmão. Era tão linda brava! Tinha uma opinião e ninguém a faria se curvar. Era óbvio que amava a profissão que escolhera.
— Vocês precisam de um banho. Venham comigo, por favor?
Alice fez o convite quando já saíamos do estábulo. Bella e Emmett estavam todos sujos de terra e muito sangue e gosma de recém- nascidos.
— Não precisa, senhorita. Obrigada! Vamos com Jacob ao alojamento e nos lavamos lá.
— Não, pelo amor de Deus! Eu faço questão de que se limpem na casa grande. É um alojamento masculino. Não ficaria tranquilo com Bella se lavando lá.
Dei voz a minha apreensão, que eu sabia, era a mesma de minha irmã. E talvez uma chance de falar com ela e tê-la um pouquinho mais próximo.
— Não se incomode. Bella não está sozinha. Aliás, esteve poucas vezes na vida, ela tem família, tem irmãos.
Emmett me cortou e segurando-a pelo ombro, guiou a irmã para o local onde ela se trocara mais cedo.
— Eu lamento.
— Não lamente, irmã. Eu os conheço. Sabia que Emmett seria uma pedra em meu caminho, sempre soube. Ele é protetor demais. Lembre-se que colocou Bella antes de qualquer coisa na vida. Até do que Rósalie. Venha, vamos lá para cima. Ainda quero um vislumbre dela antes que partam. Nunca se sabe... Pode ser o último do dia.
Imitei Emmett e a segurei pelos ombros, guiando-a. Eu precisava parar de agir como um idiota com Alice. Se ela estava aqui, parada no tempo, infeliz. A culpa era toda minha. E tratá-la mal só mostrava como eu ainda tinha muito que aprender.
— Terminaram? Onde estão?
Mamãe, Carlisle e Rósalie nos aguardavam novamente na entrada da casa.
— Se limpando no alojamento dos peões.
Mamãe abriu a boca para dizer alguma coisa, porém Carlisle fez sinal que não, com a cabeça, a impedindo de prosseguir.
— Ela parece uma estátua.
— Fria e calculista, como sempre foi.
Alice olhou, de relance para Rósalie, que tinha expressão vidrada no caminho por onde acabávamos de chegar.
Era claro que queria ver Emmett. Carlisle deve ter contato que ele já estava na fazenda.
Sabem o que é mais interessante nessa história toda?
Nenhum Cullen seguira em frente.
Alice e eu presos a amores passados, momentos interrompidos e inacabados. Já Rósalie, que se dizia arrependida, até que tentara novos relacionamentos logo que os Swan’s desapareceram.
Nos primeiros meses ela se mostrara feliz com nossa dor. Porém, com o passar dos dias, dos anos... Os relacionamentos acabaram, as brincadeiras pararam, o cinismo desaparecera e o tal arrependimento se apresentou...
Não nos convenceu. Alice e eu já estávamos feridos demais. E apesar de papai ter montado um empreendimento de sociedade para as duas, elas, mas se falavam.
— Lá vêm eles.
Apontou para Emmett, Bella e Jacob subindo o gramado a nosso encontro. Instintivamente, apalpei o bolso em busca das chaves do carro.
O maldito vestido curto, de novo, no corpo. O cabelo, agora solto e molhado.
— Você precisa parar de segui-la, irmão. Está assustando até a mim. Imagina “a coitada” e o filho?
— Eu não posso, Lice. É mais forte que eu. Morro de medo de perdê-los de vista. Não vou correr o risco novamente.
— Bella cumpre as promessas, Edward. Ela não vai fugir mais, não sem te avisar. Ela prometeu. Comece mostrando que mudou, por aí. Dê a eles um voto de confiança.
Pensei sobre aquilo enquanto se aproximavam. Será que era capaz daquilo? O medo me corroia por dentro. Eu poderia dar-lhes o tempo que desejasse, claro que podia! Já esperei tanto sem eles, com eles era “fichinha”. Porém... Não tê-los debaixo de minha supervisão era assustador. Será que eu era capaz?
— A matriz e o filhote estão bem, senhor. Bella e o irmão trabalharam bem demais.
Jacob se dirigiu a meu pai.
— Certo! Muito obrigado.
— Estamos a seu dispor, senhor Cullen. Agora, se era só isso, precisamos ir.
— Não! Digo, digo...
Rósalie gritou despertando em mim e Emmett instintos protetores. Dei dois passos para perto dos degraus, pronto para fechar Bella em meus braços, protegendo-a da loucura de Rósalie.
Já Emmett, segurou a irmã pelo braço e a guiou para a camionete, murmurando palavras nada bonitas.
A expressão dele era muito brava e em momento algum, pelo menos, olhou para Rósalie.
— Porque não entram? Poderiam comer alguma coisa. Devem estar famintos e com sede. Temos a mesa posta e...
— Agradecemos. Mas, já perdemos parte de nossa manhã aqui. Tenham um bom dia.
Bella se soltou de Emmett enquanto ele respondia sem nem olhar para trás.
— Esperem! Não podem ir. Ainda não pagamos pelo serviço. Por que não entram e descansam por cinco minutos enquanto busco o talão de cheques?
Emmett que a acompanhou até que entrasse no carro, e fechasse a porta parou a um metro de seu próprio carro, era evidente que queria ouvir a resposta dela.
— Nós fazemos o trabalho pesado e Jasper cuida das finanças, senhor Cullen. Peça para Jacob passar na loja e acertar com ele.
— Ah, que bom! Porque aqui em casa é Alice quem cuida das finanças também. Ela passará por lá.
— Será um prazer.
E pela primeira vez desde que retornaram, a sombra de um sorriso apareceu no rosto de minha amada. E por incrível que pareça, não era dirigido a mim, e isso não tirara em nada a alegria que senti.
Bella sorrira para Alice, que retribuíra com um dos seus esfuziantes, que há anos não se era visto.
Voltei a apalpar o bolso pronto para segui-los, porém, penso, me seguro e fico parado, dando-lhes espaço e minutos de diferença.
Aquele mínimo sorriso era prova de que existia a nossa Bella ali. Debaixo de toda dor e amargura, se escondia a mulher que eu amava e em quem eu confiava até debaixo d’água.
E com um fio de esperança abraço minha irmã. Não era o que eu queria ainda, mas era um começo. Eu só precisava fazer minha parte agora.
Bella
— Bella! Espere!
Ignorei. Andei mais rápido e entrei na loja. Eu não entraria na de Emmett, não no meio da loja.
Não quando estava feliz por ter visto Jacob. E por ter trazido um potro lindo ao mundo.
— Bom dia, bom dia... Já venho me atualizar de tudo. Dêem-nos só um minuto.
Cumprimentei rapidamente os funcionários e me dirigi à sala de Jasper.
Eu nem estacionara a camionete direito. Emmett me seguia como um louco e eu tinha noção da tempestade que iniciara quando resolvera aceitar pelo chamado de Jacob.
— Pare de fugir, Isabella!
— Pare de gritar, Emmett! Se assustar meu filho, eu juro que faço papai vender a idosa Preciosa para um matadouro.
Era mentira, óbvio que era. Preciosa era uma vaca idosa que vovó e Emmett amavam. Ela era filha, da filha, da filha de uma linhagem da época de meu avô. E eles a tinham como algo especial.
— Pare de jogar sujo. Sua cota do dia já se esgotou.
— O que está acontecendo?
Jasper se levantou quando entramos quase que juntos em sua sala.
— Onde está Antony?
Olhei para todas as partes. Eu precisava estar com ele nos braços para manter a todos nós com a cabeça no lugar.
— Foi com Mike entregar uma ração, para cachorro, na casa de um cliente. Já deve estar voltando.
— Certo e...
— Melhor ainda. Assim não há desculpas para não conversamos sobre nossa irmãzinha visitando os Cullen’s em menos de uma semana de nossa volta. Ela quebrou todas as regras hoje, Jasper. Lembre-as a ela, por favor.
— Ahhh! Você é um idiota, Emmett!
Falei alto e me joguei na poltrona a frente da mesa de Jasper. O dia nem começara e eu já estava exausta.
— Quais regras, Bells?
— Boa pergunta, Jas? Quais regras? Não me lembro de termos tido uma conversa e estabelecido regras. “Acho que faltei a essa aula”.
— Elas eram implícitas!
— Ahh Emmett!
Cruzei os braços e o olhei muito irritada. O que ele estava fazendo?
— Eu não vou “andar aonde você riscar”. Sou adulta, mãe e dona de mim. Sei que se preocupa e agradeço por isso. Mas, não pense que vou deixar de fazer algo porque você assim quer. Foi só um atendimento qualquer. Jacob ligou para cá. Nenhum Cullen sabia da minha graduação. Eu pedi para que te avisassem. Se fosse para ser algo escondido teria pedido por você, seu asno?
— Agora entendi. Esse bate boca todo é por causa da ida a Paraíso.
— Você sabia?
Apontou o dedo a Jasper, muito nervoso. Nem dando valor a minha explicação.
— Claro que sabia! Papai me contou. Com quem acha que Antony veio? Quer parar de dar “chilique”, Emmett?
— Papai também sabia?
— E mamãe também.
Provoquei, ganhando de Jasper um olhar de “dá para não piorar as coisas”?
— Um bando de traidores, é isso que são! Parece que estou sozinho nessa de manter suas calças fechadas para o Cullen, não é? Nem bem voltou e já está se engraçando. Quer passar pelo inferno de novo? Pois bem, eu não! Prepare suas malas. Você volta para o Brasil amanhã.
Indignada e magoada pela maneira como falou e como estava agindo, me levantei.
— Se no fim do inferno tiver um prêmio como Antony, estou disposta a voltar para lá. E não, não vou fazer mala nenhuma. Não manda em mim. Quer fazer cena? Pois bem, acabou de fazer. Queria me magoar? Parabéns, de novo. Conseguiu! E saiba, Emmett, que Edward é meu passado, mas é o presente e futuro do Antony. Eles merecem um ao outro. E se não estiver pronto para ver uma aproximação de ambos, eu sugiro que você é que se mude. Agora se me permitem... Tenho que trabalhar, porque diferente dos dois aqui, levantei antes do sol nascer.
Os deixei em completo silêncio e voltei para a loja.
Sabia que Emmett estava fora de controle, sabia que se arrependeria, pediria desculpas e que eu cederia.
Emm, presenciou e me ajudou quando o pior de mim veio à tona, porém isso não o dava o direito de ser cruel.
Ele temia que eu me rendesse ao sentimento que ainda sentia por Edward. O que ele não sabia é que quando as coisas têm que acontecer, elas acontecem e não há quem controle isso.
— Ei, mamãe, seu lindão chegou! Poder dizer que me ama!
Fazendo-me perder o raciocínio, me fazendo sorrir em meio à dor da briga com meu irmão, parado do início do corredor, o dono de mim, abria seu maior sorriso de criança.
— Eu te amo!
E como o sol que ilumina meus dias, ele veio correndo e eu, que já sabia o que esperar, me abaixei para pegá-lo.
— Antony sentiu saudades.
— Eu também senti.
Levantei-me com ele nos braços. Os olhos verdes me analisaram e suas mãos vieram para minhas bochechas. O sorriso desaparecendo imediatamente.
— Você “cholou”? O que foi? Tá dodói, mamãezinha?
A preocupação dele me fez gemer de raiva de Emmett e de mim.
Antony já presenciara demais minhas noites de pesadelos. E toda vez que isso acontecia e quando eu acordava, ele não saia do meu lado.
Eu odiava causar isso a meu pequeno. Ele era uma criança e só precisa ter preocupações de crianças.
— Não chorei. Está tudo bem, amor. Mamãe, só lavou o rosto e deixou um pouquinho de sabonete escorrer nos olhos. Só ardeu. Mamãe está bem.
— Tem “celteza”?
Ele não se deixaria enganar assim. Era esperto demais. A única alternativa seria distraí-lo.
— Tenho sim. E agora me conte, onde vocês foram? Conheceu algum lugar legal?
“Da água para o vinho” o rosto dele mudou de expressão. Felicidade e até um pouquinho de dúvida apareceram.
Deus! Eu conhecia aquela carinha, ele estava aprontando.
— Mamãe, você tá feliz hoje? Tem algo te “incolmodando”?
— Eu sou feliz. Tenho você. E não tinha nada me incomodando até agora a pouco. Mas... O que foi? Está enrolando. Diga o que aprontou, Antony Swan!
— “Olas bolas”, mamãe! Eu não fiz nada. Assim... Nada tão mal. Eu só fui um bom “anfli... Anfliti”... Como é mesmo a palavra? Fui um bom “anflitião”.
E ali estava, a carinha de quem tinha aprontado.
Que Deus me ajudasse!
— Posso “fazê” uma “pelgunta”? Uma “pelgunta” bem pequenininha assim?
Era a certeza de que ele tinha aprontado. Antony não indagava se podia perguntar. Ele falava e pronto!
Mediu com o polegar e o indicador o tamanho e era bem pequeno.
— Fala! Está me assustando.
— Ah, mamãe linda, você se “alssusta” à toa. Eu só “quelo sabê” se tudo que é seu é meu?
A perguntar era séria e eu temia demais saber o porquê. Porém...
— Claro que é. Você é meu filho. Tudo que é meu é seu.
— A loja “tabém”?
— Principalmente a loja e a camionete. Por que, Antony?
Ele sorriu, sorriu tudo que podia fazendo com que se parecesse demais com Alice.
— Então, assim... Se eu “pelgar” uma coisa “emplestado” na loja... Não, “espela” se eu pegar duas coisas na loja, “emplestado”, mas que não vou devolver. Não é “loubo” né, mamãe? “Polque” se “fô” eu “to enlolado”.
Droga! Droga!
— Antony Swan! O que você fez?
Edward
— Bom dia, doutor. O senhor parece... Feliz?
— O dia está lindo, Jéssica. Por que eu não estaria feliz? O que tem para mim, agora de manhã? O que é aquilo?
Uma hora depois dos irmãos Swan’s terem saído da Paraíso, eu chegava a meu consultório.
Se isso não for progresso eu não sei o que é?
Tá, confesso! Não resisti e dei uma olhada para a loja quando cheguei aqui. Queria ver meu filho. Porém, não exageraria. Não mais.
— Ah, doutor, o garotinho da loja aí da frente trouxe. Disse que é brinde para os clientes. Mas, que pegou um para ele e depois um para senhor. Disse também que todo fazendeiro precisa de um. E que vocês dois ficariam mais parecidos com chapéus iguais. Bem... Acho que foi isso que ele quis dizer. Já que troca demais as letras. Quantos anos ele tem? É muito inteligente!
— Antony? Antony que trouxe? Ele atravessou a rua sozinho?
Segurei nas mãos o chapéu de cowboy com uma fita verde com o nome da loja deles.
— Não, senhor. Mike Newton estava com ele, está trabalhando na loja. Mas, acho que o rapaz foi pego de surpresa pelo garotinho. Porque a todo instante ficava olhando para a porta.
— Ahh! Deus! É maravilhoso isso.
— O senhor está... Sorrindo?
— Claro que estou, Jéssica. A vida é linda. As crianças e suas mães são lindas.
Segurei meu presente entre os dedos, maravilhado!
Meu filho, a única coisa boa que fizera na vida me fazia sorrir, me alegrara. Eu era abençoado. Certeza!
E nem posso julgar o espanto dela, Edward Cullen sorrindo era mesmo muito raro. Só Antony ou Bella para conseguirem esse feito. E eu havia ganhado doses homeopáticas deles hoje. Mas, já era o suficiente, por enquanto.
— Espere cinco minutos e mande o primeiro paciente entrar, Jéssica. Também quero um café com açúcar e...
— O senhor Jenks o aguarda.
— Como?
— Ele chegou bem cedo. Lembra que tinha uma reunião marcada, para hoje de manha. Pois bem ele...
Apontou para a porta.
— Cancele o café e atrase minha agenda em uma hora. Vou resolver um problema.
Entrei rapidamente, sem nem mesmo ouvir o restante da ladainha dela. Guardei a maleta e, com cuidado, meu lindo presente, em cima do aparador de entrada.
— Edward, que bom que chegou eu tenho novidades e...
Eu não ouvia mais, só via vermelho, a razão me abandonando e a alegria de segundos antes, guardada a sete chaves para quem merecia. E sem mais pensar parti para cima dele.
— Quer me explicar onde pegou esse bronzeado, seu bastardo? Por um acaso foi no Brasil? Foi onde os Swan’s estavam? Foi onde encontrou Bella e meu filho e não me contou? Eu vou matar você, Jenks!
Ele não respondeu de imediato, estava ocupado demais se desviando de meus socos.
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