Quando o passado não te deixa viver
38 Era para ter acontecido assim
Notas iniciais
Bella
Pezinhos... Pezinhos descalços correndo pelo quarto.
Ele estava acordado! Claro que estava! Antony tem “os costumes lá de casa”, ou seja, dormir cedo para acordar cedo.
Opa! Retificando! Eles dormem cedo, porque eu...
— Mamãe, você tá “acoldada” né? “Polque” você precisa ver isso. Vem...
Abriu a cortina deixando que a luz do amanhecer penetrasse totalmente no ambiente. Fechei os olhos por trinta segundos, acostumando- me com a claridade. Já que cortinas grossas, tipo blackouts”, deixava tudo numa penumbra só.
— Vem dormir, Pequeno. Hoje estamos de folga.
Sim, eu estava “matando” o sábado. Mas, uma vez na vida, nem me importei. Eu precisava que o fim de semana com Edward na casa nova, fosse especial e prolongá-lo foi uma ótima ideia. Já que o começamos com visitas ontem, o que não aconteceria hoje, então era o nosso dia e eu garantiria que fosse bom.
Porque já no domingo, dona Marie não abriria mão de nossa presença.
— Não dá para dormir mais, mamãe. O Senhor Sol já “acoldou tabém” ele tá chegando vem ver. Vem ver...
Deu pulinhos de empolgação e eu só pude me render e levantar antes que ele derrubasse a porta, de blindex, que dava para a enorme varanda do segundo andar.
— Uau! Olha lá ele, todo “glandão”.
Apontou para o horizonte onde o enorme astro saia em meio às montanhas longe da Sonho Azul.
— É lindo!
Pequei Antony no colo e nos aproximei do parapeito. O calor era quase inexistente, Forks era fria demais, porém o amarelo era ofuscante, se sobrepondo ao azul do céu e o verde da vegetação ainda molhada de orvalho. Criando assim um efeito brilhante, parecendo pequenos cristais em meio à grama, pastos e plantações.
— Papai escolheu bem esse lugar para nossa casa, mamãe. É muito bonito. Imagina quando o sol tiver indo embora?
É, eu imaginava. Edward fez varandas em volta de todo segundo andar, certeza de que a ideia era mesmo apreciar o nascer e o por do sol de todos os ângulos.
— Sua mãe que escolheu bem, filho. Só fui o mestre de obras.
— Eu não pensei no nascer e no por do sol, só pensava na praticidade de ficar entre a Sonho Azul e a Paraíso, o mérito dos detalhes são todos seus.
Sorri para ele que vinha em nossa direção, saindo exatamente da porta do quarto ao lado.
— Bom dia.
É minhas amigas, se vocês acham que dormindo aqui eu teria uma sorte maior, se enganam. Edward não cedeu um milímetro. Quando deu umas 2:00hs da madrugada, Alice “ligou o desconfiômetro” e arrastou Jasper e Marcus para fora. Antony já dormia há muito, no sofá da sala, claro! Porque deixá-lo no andar de cima sozinho estava fora de cogitação para todos nós.
Enfim, quando todos saíram e ajeitamos, mais ou menos, a cozinha, eu estava pronta para tirar a roupa e me jogar em Edward.
Porém, e o que eu acho uma falta de respeito com uma ex/ atual completamente apaixonada, ele simplesmente pegou Antony nos braços e trouxe para esse quarto, depois foi até a sala e pegou a pequena bagagem que eu havia trazido, me entregou, mostrou onde ficavam as toalhas no banheiro, caso eu quisesse tomar um banho, me deu um beijinho, bem do mixuruca, diga-se de passagem, desejou boa noite, informou que estaria no quarto ao lado se precisássemos de algo e saiu.
Isso mesmo, saiu... Deixando-me louca, quente e estupefata. Por Deus! Que autocontrole era aquele? Eu só queria me jogar nele e tomar tudo que eu tinha direito. Mas o “bendito” decidiu que precisamos casar primeiro... Ah! Maldita Isabella do passado e seus sonhos idiotas.
— Bom dia. Dormiu bem? Está linda essa manhã.
Rá! Linda é? Por pura pirraça de menina que não ganha o que tanto quer, ignorei totalmente um conjunto bonito e caro de lingerie e camisola de renda e cetim pretos, que havia ganhado de Leah no Natal, e me enfiei numa surrada, poída e furada camiseta de propaganda de uma empresa de sementes de milho, a PlatMi.
Porque meu lema agora seria esse, se não vai usar também não vai apreciar.
E só para mostrar o quanto eu estava descontente com essa negação dele, vesti um shortinho minúsculo de lycra e desfilei até a cozinha duas vezes, em busca de água. O que era uma desculpada das mais esfarrapadas já que havia um frigobar abastecidíssimo no quarto.
— Mamãe não “dolme”, papai. Ela cochila. E ela é “monita” em todos os “holálios”.
Mordi o lábio segurando a risada quando Edward abriu a boca em um O de admiração para meu Pequeno falador.
— Ah, perdão. É verdade, filho. Mamãe é maravilhosa até sem dormir.
Bagunçou os cabelos de Antony para só então parar a minha frente, segurar minha cintura e beijar minhas têmporas delicadamente.
— Queria eu ter o poder de fazê-la dormir. Não é justo com você. Precisamos olhar isso mais de perto, Amor.
— Nem pensar. Não vou tomar nada para dormir, Edward. Já tentei. Durante o dia eu ficava desatenta e aérea e a noite quase que desmaiava. O que não adiantava em nada, porque não era um sono de descanso. Estou bem assim.
— Tenho minhas dúvidas.
Passou os polegares embaixo dos meus olhos, em minhas olheiras constantes que eu escondia com maquiagem durante o dia.
Ah, as desvantagens de se acordar com alguém.
— Eu não. Agora deixe de conversa que estamos perdendo o melhor.
Apontei para a beleza do sol nascente.
— É lindo mesmo. A natureza faz um belo trabalho aqui. E não importa o tempo. Quando está chovendo, é incrível ver a água, o vento e os raios atingindo as serras bem ali. Um espetáculo que só eu tinha o privilégio de assistir, mas que agora vou ter o prazer de compartilhar com vocês.
Segurei Antony com mais cuidado quando ele subiu no parapeito e suspirou.
— Mimosinha ficaria linda pastando ali.
Edward se aproximou e encostou-se a minhas costas, segurando a nos dois na força de seu abraço.
— Mimosa não daria 10 passos naquela serra, filho. Oh vaquinha mimada. Está tão gorda que um dia papai a levará para o curral no guincho.
— Ela tem que comer muito, mamãe, é a melhor vaca de todas.
Abriu os braços enfatizando a quantidade e agradeci a Deus por continuar segurando-o. Antony era um aventureiro.
— Redes de proteção.
Sussurrei para um pai atento atrás de mim.
— Já comprei. Devem instalar na terça em todo segundo e terceiro andar.
Assenti. Todo cuidado era pouco.
— Papai, Tony quer saber “pol que” não tem “aminais” na sua fazenda? Nas fazendas de todos os vovôs têm.
— Por que e animais na nossa fazenda... Concentre-se, respire e fale devagar, filho. Está tudo bem aqui... Você só precisa pensar antes de pronunciar as palavras.
Tocou carinhosamente a testa dele e depois acariciou os cabelos.
— Agora, respondendo a sua pergunta, o papai entende pouquíssimo de agricultura e pecuária, ainda. Por isso, deixei que vovô Carl plantasse nas nossas terras.
Bateu no narizinho dele enfatizando de novo o “nossas”.
— Mas, essa é a última safra que faz para nós. A partir do ano que vem, será por nossa conta. Sei que sua mãe tinha planos e mais planos para isso tudo aqui, está na hora de colocá-los em prática. Seja plantando ou criando gado e cavalos, será do jeito que ela achar melhor.
— Está depositando responsabilidades demais em meus ombros, Espertinho. Lembre-se que tenho a loja e a universidade agora.
— E nem por isso deixa de supervisionar a Sonho Azul. A diferença é que agora cuidará do que é seu.
Arqueei as sobrancelhas em sua direção. Sério? Meu? Eu não tinha pagado um dólar por aquelas terras. Aliás, eu nem sabia quantos hectares tinha ali e se dava para fazer muita coisa.
— Há controvérsias nesse assunto, Edward. Eu não paguei por nada aqui.
A expressão dele se tornou sombria, certeza de que estava evocando lembranças nada agradáveis.
— Comprar essas terras, construir essa casa, me preparar financeiramente para o futuro foi o que me manteve vivo, Bella. Esperança, planejamento e trabalho. Tudo isso porque eu sabia que quando finalmente voltasse você tomaria posse de tudo isso.
Explanou a mão direita apontando no horizonte.
— E não, você não pagou, monetariamente, por nada aqui. Mas, pagou de maneiras que não posso nem imaginar.
Um arrepio percorreu meu corpo ao imaginar quantas vezes estive perto de fazer uma besteira.
— E ainda tem mesmo o fato de eu não saber nada de nada de fazenda. O trabalho pesado será todo seu, Amor. Então, estamos “quits”. Bem- vinda ao lar.
— Não me convenceu. Ainda vamos voltar a esse assunto.
— Não sendo hoje, porque tenho planos melhores para nosso sábado. Falando nisso...
Soltou-me e virou-nos para si.
— Agora que o rei sol já está todo majestoso ali, porque não se trocam e descem. Tem um café esperando lá na cozinha.
— Hum! “Selia” perfeito, papai, se tivesse leite e muito chocolate.
— Ah, mas eu acho que tem.
— Eba!
Tony se balançou em minhas mãos até se soltar e correu de volta para o quarto e eu fiquei ali presa nos braços do meu namorado aproveitando uns segundinhos de calmaria.
— Ainda está chateada por ontem?
Puxou a ponta de minha camiseta surrada.
— Acho que insatisfeita seria uma palavra mais adequada.
Aceitei o beijinho leve que me deu nos lábios, porém me afastei quando fez menção de aprofundá-lo. Eu estava cansada desse joguinho de “morde e assopra”. Fazia-me queimar para depois não apagar o fogo?
Rá! Vai ele achando que me fará de boba a vida inteira.
— Impaciente, essa minha noiva. Não era você que sempre dizia para esperarmos?
— Isso foi há tempos, Edward. Eu não tinha ideia do que estava perdendo.
— Ah!
Jogou a cabeça para trás e gargalhou alto. Cretino!
— Tenha paciência, Minha Vida!
— Fazer o quê, né?
Dei de ombros, desgostosa.
Ele estava pronto para retrucar para meu mau- humor quando foi salvo por um gritinho impaciente.
— Mamãe, você vem? Tony não acha a botina que o vovô deu.
— Já vou.
Respondi já me livrando do abraço de Edward e rumando para o quarto, ele me acompanhou.
— Eu só quero que tudo seja perfeito e que seja recompensada por cada idiotice que cometi, Bella.
— E eu só quero “transar” até doer às pernas, antes que o mundo acabe.
Disse baixo e com uma carranca que devia estar hilária, porque ele voltou a gargalhar antes que eu entrasse porta a dentro pronta para socorrer um rapazinho impaciente.
— Amor, Vida. Eu te darei Amor.
Sussurrou causando em mim um pequeno sentimento de culpa por pressioná-lo tanto. Pequeno, bem pequeno...
Edward
Pelo quarto que eu dormira, voltei para a cozinha, checando pela milésima vez se o café estava tudo certo. Eu queria agradá-los nos pequenos detalhes também.
Bella havia dito sim e colocado meu mundo de volta na órbita certa. Era hora de recompensá-la por isso.
Não era fácil negar-lhe o que tanto queríamos... E sim, é óbvio que também estava louco para tê-la nos braços. Porém, seria do jeito certo dessa vez. Ela não se arrependeria por esperar.
Pensando assim, voltei para a sala e reconferi se todas as pesadas cortinas estavam fechadas. Eu não queria estragar a surpresa.
Tudo estava planejado. Alice e Jasper me ajudariam e dessa vez seria perfeito. Eu nunca mais cometeria erros tolos com Bella. Só precisava garantir um dia de distrações e de vez em quando fiscalizar, para garantir, de que tudo sairia como planejei.
— Calma, Edward. Muita calma! Sem atropelos dessa vez.
Servi uma xícara grande de café e me sentei na banqueta alta, da ilha da cozinha. A bebida fumegante preenchia o ar com seu cheiro marcante causando em mim sentimentos de decepção e desapontamento. Foi impossível não deixar-me dominar pelas lembranças da nossa primeira e única vez.
Por Deus! Eu era um idiota. Um idiota deslumbrado com um possível futuro promissor. Um idiota apaixonado pela namorada, mas que não assumia isso, e morria de vergonha dela, a achava inadequada para seu mundo,
Ah, se eu soubesse que o inadequado era eu.
E o pior? Ainda era egoísta demais para deixá-la ir.
E quando percebi que a perderia, a burrice triplicou de tamanho. Desesperei-me. Ela era minha!
E no meio de uma dessas minhas crises tivemos nossa primeira vez. A primeira vez dela.
Jesus! Existe um ser mais babaca que eu?
Foi num ímpeto. Estava tomado pelo horror de medo de perdê-la. E perderia, certeza! Bella estava determinada a me deixar naquele dia e eu sabia, seria para sempre.
Mas aí, num ato de desespero, levei-a para um motel de quinta, a seduzi e tomei a única que ela ainda não tinha me dado: sua primeira vez.
E, Santo Deus! Posso garantir, foi o céu para mim. Foi ali que tive absoluta certeza de que queria Bella para todo o sempre. Tanto que em mais um surto de egoísmo, a convenci a mudar de curso. Porque não, não bastava eu ter me certificado que a amava, eu ainda queria mais. Queria que se transformasse para se encaixar, queria roubar sua essência, e, infelizmente, eu consegui!
No entanto, no outro dia bastou que me encontrasse com Rose, Tânia e sua turma para minha cabeça mudar de novo. Fraquejei, me arrependi da noite com Bella e voltei a ser o homem mais baixo que esse mundo já viu. Fui cruel. Ignorei, repudiei e humilhei publicamente a mulher da minha vida.
Dias depois, quando achei que não estava bom, terminei tudo sem dó, nem piedade. E sabem o pior? Ela já carregava nosso filho. Não que essa informação me fizesse “acordar” na época. É bem provável que a acusasse de uma série de coisas e mandasse “se livrar” do problema.
Bella caiu! Não aguentou! E pela primeira vez, em todo esse tempo de convivência, a vi se fechando, se apagando, se entregando, quando Tânia se jogou em mim, numa “punhalada” final. E sim, eu a afastei logo em seguida, Bella não merecia tanta dor. Porém, não corri atrás dela, não me ajoelhei, nem implorei perdão.
Eu a deixei ir...
— Ah!
Passei a mão sobre o peito sentindo o aperto que senti quando fiquei sabendo do sumiço dela. E esse aperto tomou forma com as lembranças dos fatos que se seguiram: o estado em que foi encontrada, a falta de notícias por dias, depois o fatídico acidente e por fim, a fuga da família toda.
— Deus!
Respirei com força e levantei a cabeça tentando me situar. A angustia era forte e agia como um monstro cravando as unhas em meu pescoço e impedindo que o ar passasse. Eu estava a ponto de sufocar e...
— Mamãe, “selá” que o papai ficará “tliste” se o Tony “escolregar” no “colimão” e depois se “dependular” nesse “lustle”?
— Primeiro, tenho certeza de que seu pai não ficará nada, rapazinho. Porque você não fará isso, eu te proíbo. Em segundo, não sobrará Antony para levar bronca se você cair. Então, nem invente.
Ela está aqui, ele está aqui... Respire, Edward!
Virei-me a tempo de vê-los descendo os últimos degraus. Bella, com o dedo em riste, ameaçava nosso Pequeno, que em nada parecia preocupado com a bronca.
— Papai! Eu “tavo blincando”. Tony não...
Não deixei que terminasse de falar.
De qualquer jeito, coloquei a xícara, que segurava sobre o balcão. E com duas passadas já estava na frente deles e segurando o rosto de Bella, com cuidado, mas numa exigência que não me surpreenderia se no fim do dia as minhas digitais estivessem tatuadas ali.
— Ei, o que foi?
— Eu te amo! Eu... Não me lembro se te disse isso hoje e...
— Shiii. Edward? O que foi?
Não fui capaz de dizer nada. Só a fechei em meus braços com força e intensidade.
Se ela não tivesse me perdoado, eu estaria tão perdido.
— Papaizinho, nós estamos aqui. Não vamos “embola”. Tony nem vai chegar “pelrto do colimão”. Pode ficar tranquilo.
Segurei uma maldita lágrima quando Antony abraçou minhas pernas e Bella acariciou meu cabelo.
Era patético mesmo! Um homem sendo consolado por quem ele tanto machucou.
— Respire, só respire. Estamos aqui.
— Bem aqui, papai. Não é um sonho. Tony é Lindão assim de verdadinha.
— Ah, filho... Eu não mereço tanto.
Me soltei minimamente de Bella e o peguei, juntando-nos em um só carinho.
— Edward...
Mãos pequenas e delicadas, porém fortes devido a tanto trabalho, me puxaram de volta para si.
— Não sei que fantasma está te assombrando nesse momento, mas por hoje, só hoje, eu queria que você exorcizasse-o. Se vamos formar uma família precisamos seguir em frente. Eu estou aqui, Antony está aqui. Você poderia ficar conosco? Esquece o que aconteceu.
— Você já esqueceu?
Encostei a testa na dela e encarei os olhos mais lindos que eu conhecia. Era cor de terra molhada depois de uma linda manhã de chuvas.
— Se não tivesse escolhido esquecer, não estaríamos aqui. Podemos ter um dia comum? Como Bella, Edward e Antony que começarão do zero?
Por Deus, Edward! Ela está aqui. Nos seus braços. Perdoou-te e agora pede para esquecer o passado.
Custa fazer o que ela quer, pelo menos uma vez na vida?
Respirei fundo e fechei os olhos, prometendo a mim mesmo deixar aqueles sentimentos para sempre no profundo de meu íntimo.
— Claro que podemos! E para começar...
Graças a Deus e quebrando totalmente o clima a barriga de Antony roncou alto arrancando risadas minhas e de Bella.
— Vamos alimentar vocês. Porque tem um monstro dentro dessa barriga. Você é um esfomeadinho, rapaz. Venham, vamos comer.
Dei um tapinha em seu bumbum e fiz cosquinha na barriguinha “gritante”.
— Ah, “pala” papai! Tony não tem culpa de vocês “ficalem” nesse “xololo” e ainda com umas conversas bobas de fantasmas. Todo mundo sabe que eles não existem. Até a barriguinha de Tony “glitou” com essa “convelrsa” fiada.
É não, não custava deixar tudo para trás eu só precisava mudar de atitude, aprisionar os medos e mostrá-la de verdade, o homem que havia me tornado por eles.
Até Antony sabia disso.
— Então vamos encher essa barriguinha porque o dia será grande. Corre lá porque tem um bolo que vovó Esme mandou só para você.
O coloquei no chão e incentivei. Eu precisava de um minutinho só com a mãe dele.
— Bom, agora somos só você e eu, futura senhora Edward Cullen... Preciso de um bom dia de verdade.
Aproveitando a oportunidade e pegando-a de surpresa, voltei a grudar nossos corpos e busquei por seus lábios.
— Hum!
Era o céu! Não havia como descrever.
O mundo poderia acabar naquele momento que eu morreria realizado. Bella era doce e ao mesmo tempo ardente. Puxava-me e então empurrava. Como numa dança bem ensaiada. Apertava os dedos em meus cabelos e logo depois acariciava.
Minha boca, minha língua a buscavam como um sedento. Eu queria tudo dela.
— Edward, precisamos parar. Antony, ele...
— Você gemer meu nome não ajuda, Linda.
Sussurrei enquanto me deliciava cheirando e mordiscando o belo pescoço exposto pelo vestido de alças soltinho e longo.
— Eu não gemeria agora se tivesse feito isso, e muito bem, à noite. Você que não quis.
— Rá! Mas, está impaciente demais essa minha noiva.
Brinquei enchendo-a de selinhos. Ignorar sua fala era a tática... Porque se certa parte de minha anatomia se concentrasse nos detalhes... Jesus! Edward Cullen teria um longo dia de “dureza”.
— Culpa sua! Culpa totalmente sua.
Deu uma piscadinha, soprou um beijo e se afastou balançando aquela bunda gostosa para longe de mim. Quase fazendo com que eu me arrependesse de ter rejeitado, de novo, suas investidas na noite anterior. Colocá-la para dormir com Antony nunca pareceu tão errado. Eu a queria comigo e nem era para dormir.
Porém... Eu era o forte. Eu era. Eu era... Quem sabe se repetisse isso muitas vezes não se consolidasse. Porque, santo Deus dos homens na seca, não estava sendo fácil ser o responsável da vez.
— Ah, Bella, Bella... Quando eu te pegar...
Ameacei, vendo-a se afastar cada vez mais em seu esvoaçante vestido azul claro.
— Promessas, promessas...
— Quê? Não devia dizer isso, sabia? Eu posso me zangar e...
Fiz cara de predador, pose de felino e corri pronto para dar o golpe, agarrá-la e arrastá-la para um quarto.
— Ah! Não!
Deu um gritinho de surpresa quando a alcancei já chegando à cozinha.
Antony nos encavara com carinha de quem não estava entendendo nada, nada.
— “Plecisa” de ajuda, mamãe?
Virou a cabecinha e nos olhou de cima abaixo.
Bella ficou vermelha e fez força para se afastar de mim. Enquanto eu, só escondia a risada e nos ajeitava para que ficássemos de pé e mais apresentáveis. Contudo, não a soltei, minha mão descansava em sua cintura. Ele precisava se acostumar com nossos toques. Porque juro... Nunca mais passaria muito tempo sem ao menos encostar nela.
— Você não começou a comer ainda?
Disfarcei dando tempo para que Bella se recuperasse e preparasse para as indagações dele.
— Por que?
Perguntei admirado já voltando a abraçá-la, por trás, enquanto a guiava até a cadeira ao lado de Nosso Pequeno Curioso.
— Hum, Tony está esperando, como mamãezinha ensinou e “admilando”.
Tropeçou, por pouco, na última palavra.
— Admirando o quê, Amor?
Bella quis saber, já preparando uma grande xícara de leite com achocolatado para ele.
Eu precisava providenciar um como infantil urgentemente.
— Isso tudo.
— A mesa?
Apontei para o móvel recheado de coisas gostosas que Esme me ajudara a organizar bem cedinho, antes de eles acordarem.
— “Tabém”, papai. Mas, Tony está “adimilando” mesmo é a mamãezinha dele.
Ok, eu estava confuso com o rumo daqueles pensamentos agora.
— Por que?
Entreguei-lhe o leite já que Bella travou em meio ao ato e ficou imóvel tão surpresa quanto eu.
— “Polque” ela tá “solindo difelente”.
— E isso é ruim?
Dei-lhe também um prato com biscoito de queijo, pão e o famoso bolo de coco, de minha mãe, que Bella ama.
— “Clalo” que não, papai! Só é “estlanho”. Até os olhos da mamãe estão “solindo”. Tony não entende direito. Ela tá mais... Lindona. Isso é o que ter uma família faz? A gente fica tão, mas tão “alegle” que fica mais “monito”? Porque se for, não vai dar certo, papai. Tony já e Lindão demais. Não pode ficar mais.
Reprimi uma risada pela modéstia dele.
Bella, por outro lado, não teve condições de responder. Estava perplexa demais, creio eu, tamanha percepção e inteligência dessa criança.
— Ser família, filho, é ter pessoas em quem se pode confiar, amar e entregar sua vida. É gostar, por gostar, sem esperar nada em troca. É dormir e acordar sabendo que nunca estaremos sozinhos.
Simplifiquei porque, sinceramente, acho que nunca respondi uma pergunta tão difícil.
— Hum, Tony e mamãe já tinham isso, papai.
Os olhos de Bella estavam marejados.
— Sim já tinham.
Referiu-se aos tios e avós. Ou seja, nunca precisaram de mim.
— Mas, “agola” é “difelente”. O papai “tlouxe” mais coisas para a mamãe do Tony.
— Isso é amor, Bebê.
Bella sussurrou acariciando os cabelos dele, e dessa vez fui eu que fiquei estarrecido. Porque desde que voltamos é a primeira vez que ela fala de seus sentimentos de forma clara.
— Hum! Tony gosta desse tal de amor entre mamãe e papai dele. E quando viermos “molar” aqui para sempre pode até ficar mais grandão, né?
— Quanto mais amamos, mais o sentimento aumenta, filho.
Respondi encarando sua mãe.
— Isso é bom. Tony “aplova”.
E, como só uma criança sabe fazer, deu de ombros e começou a tomar seu leite, como se não tivesse acabado de nos mostrar a coisa mais óbvia dos últimos tempos: O Amor.
Quanto a Bella e a mim, só nos restou olharmos de um para o outro e constatar o que até uma criança já percebera: estávamos completamente apaixonados.
Era mesmo amor. E por fim, uma única certeza, a de que seríamos completamente felizes.
Emmett
— Putz!
Praguejei baixo assim que adentrei a sala da casa grande.
A penumbra, o vazio e o silêncio eram horripilantes. Óbvio que o fato de ser fim de tarde na Sonho Azul contribuíam, e muito, para esse cenário. No entanto, todos sabiam que o silêncio era o que mais contava para tamanha tristeza.
E não, não tinha nada haver com o fato de Charlie estar alimentando o gado. Ou de Renée estar em Forks. O problema ali era outro...
Faltavam gritos, risadinhas e barulho. Faltava música, dança e conversas altas. Faltava Jas, Bella e Antony.
E faltava Leah. A minha Leah. Santo Deus! O que eu havia feito com minha família?
— Mãe?
Chamei por chamar. Eu sabia que ela não estava. Mas, também sabia que minha mulher estava de repouso absoluto, por minha culpa, no quarto e não queria, de maneira alguma assustá-la. Por isso, precisava dar um jeito de me anunciar.
— Mãe, está aí?
Adentrei mais pela casa e chamei mais alto certo de que ela não tinha me ouvido.
Rá! Nada! Não respondeu.
— Mamãe.
Insisti chamando já do corredor dos quartos, de onde era impossível não ouvir. Esperançoso de que ouviria a voz de minha mulher.
Mas, de novo, nada! Completo silêncio.
— Renée.
Tentei mais uma vez agora parado quase de frente a meu quarto. A porta estava aberta e era o único cômodo iluminado na casa inteira.
Nada!
— Mãe? Onde você está?
Perdendo a paciência, que eu não tinha, coloquei a cabeça para dentro do quarto e chamei de novo.
Leah estava lá, lendo. Linda e plena sentada na cama, com os pés, muito inchados, em cima de almofadas.
Custava responder? Certeza de que me ouvira desde a primeira vez que chamei.
— Ah, desculpe. Achei que Renée estava aqui.
Putz! Nem uma palavra. Total silêncio. Ela nem levantou a cabeça para me olhar. Estava era muito disposta a me ignorar.
Porém, Emmett Swan não é do tipo de desiste.
— Mas, parece que me enganei e...
Dei mais dois passos para dentro e logo fui tomado pelo cheiro delicioso de rosas e lavanda.
Ela havia tomado banho há pouco.
— Nossa! Você está cheirosa e linda. Seu rosto, cabelo... A gravidez lhe caiu muito bem.
— Afh!
Não respondeu, porque um resmungo não pode ser considerado fala, ou pode? Enfim, não pronunciou nenhuma palavra decifrável. Porém, minha astúcia captou sua mão apertar com mais força o livro que segurava.
— Está tudo certo com você e o bebê, não é? Tenho mantido distância por causa dos últimos acontecimentos, mas mamãe me atualiza sempre que pode e...
— Chega! O que quer, Emmett? Renée não está aqui, como já deve ter percebido. Então, porque não volta por onde veio?
Isso! Uma reação! Era tudo que eu precisava.
— Porque eu queria conversar.
Disse baixo dando mais alguns passos até parar bem de frente a ela.
— Conversar o quê?
Proferiu ácida, fechando o livro, jogando-o sobre a cama e cruzando os braços sobre o ventre avantajado. Numa clara postura de não-abertura. Porém, eu tinha sua total atenção naquele momento. E era melhor não desperdiçar.
— Não sei. Quero saber como está e
— Já viu que estou bem. Pode sair.
Cortou sem dó meu raciocínio.
— Não, Leah, por favor. Não posso ir ainda porque estou aqui também para me desculpar, Docinho. Agi como um idiota. Deixei que o rancor me dominasse e, no calor da discussão, disse inverdades e coisas que nem eu mesmo acredito.
— Que coisas? Ah, lembrei. Coisas do tipo que não se casou com a mulher da sua vida. Eu ouvi mesmo. Já foi atrás dela? Veio me informar que terei que sair da sua casa para ela entrar?
— Deus, não! Nunca! Leah, por favor... Eu lamento tanto o que disse e...
— Não!
Gritou ríspida apontando o dedo em minha direção.
— Não diga que sente muito, Emmett. Você foi cruel e mesquinho. Quis atingir sua irmã e usou as armas que achava que tinha sem pensar em mim ou na vida que construímos juntos. Eu achava que te conhecia.
— E conhece.
— Rá! Se eu conhecesse você saberia que não me ama.
Burro! Idiota! Olha o que fez? Plantou dúvidas na cabeça da sua mulher.
— Eu amo você, Leah. E só você. Perdoa-me. Estava fora de mim quando gritei com a Bells. Eu queria magoá-la e sabia que a melhor maneira de fazer isso era citando Rósalie. Você sabe da relação conturbada das duas.
— E conseguiu. Só não se preocupou com o estrago que faria para alcançar seu objetivo. Não sou idiota, Emmett. Não vou ser “tapa buraco de ninguém. Nem impedirei que viva seu grande amor.
— Não! Pelo amor de Deus! Não diga isso.
Ajoelhei-me na beira da cama e puxei sua mão para segurar a minha.
— Você me conhece, docinho. Se eu quisesse Rósalie teria enfrentado o mundo por ela. Mas, não quero, nunca quis. Amo você, Leah. Agi muito mal, mas de uma coisa pode ter certeza, meus sentimentos são verdadeiros. Dê-me uma chance de provar. Sei que está magoada, e com razão. Mas prometo que provarei que te mereço.
— Olha, Emmett. Estou cansada. Não posso ficar nervosa. Esse bebê precisa de paz para nascer saudável. Não quero discutir. Vá embora. Resolva seus problemas com sua família. Seu pai parece um zumbi sem seus irmãos nessa casa. Isso sem falar na falta que todos estão sentindo de Antony. Você quebrou pessoas demais. Conserte isso. Conserte as coisas com seus irmãos e talvez a gente volte a conversar.
Eu sabia, sabia mesmo que precisava implorar para Bella também, e faria isso logo. Ainda não sabia como, porque aceitar o Cullen na vida dela, ainda não me descia... Mas, era nossa irmandade que importava e se para voltarmos a ser os amigos-irmãos que éramos eu precisava mudar de atitude, talvez, e só talvez eu pensasse em algo.
Contudo, eu ansiava por mostrar a Leah que ela era prioridade em minha vida, não meus irmãos.
Ela precisava disso. Era quase o mesmo que pedir para escolher, exatamente como Rósalie fez, e que todo mundo sabe qual foi minha escolha.
Leah estava me testando, eu a conhecia.
— Não. Eu vou conversar com eles sim, me desculpar. Mas primeiro preciso do perdão da minha mulher, da mãe do meu filho, do amor da minha vida.
Aproximei-me mais segurando suas duas mãos agora.
— Diz que me perdoa. Eu te amo. Amo com tudo que tenho. Disse coisas ruins, mas foi por dizer. Você é minha escolha. Foi você que eu levei na fuga. Foi com você que me casei e que fiz um filho. Você é o amor da minha vida. Perdoe-me por ter te magoado. Juro que passarei o restante dos meus dias te lembrando do quanto sou apaixonado por você. Perdoa-me, baby?
Beijei seus dedos, os olhos nunca deixando os dela que agora lacrimejavam.
— Estou vulnerável. Com hormônios a flor da pele. Não sei se serei racional. Não quero me arrepender depois. Eu te odeio tanto, Emmett Swan!
— Não está nada disso. Está linda e poderosa como sempre. Deixe que eu a abrace e embale e então verá que sou o seu Emmett. O que te ama e que fará qualquer coisa pelo seu perdão.
— Ah, Emmett. Eu te odeio! Vá embora!
Acho que não era bem o que ela queria dizer, porque segundos depois se jogou em meus braços e chorou copiosamente. Ou melhor, choramos porque eu também dei vazão às lágrimas. Tinha dado o primeiro passo. Agora era conseguir de vez que me perdoa-se e só então começar a pensar em como me resolveria com Bella.
Porque essa sim seria muito complicada de reconquistar.
Bella
— A mamãe fica linda de qualquer jeito, titia.
— Ela fica mesmo. Mas, como esse ficará parecendo uma princesa.
— Mamãe do Tony não é “plincesa”, mamãe é “cowboy”.
— Cowgirl, Gatinho. Mulheres são Cowgirls. E você está certo. Sua mãe é uma linda mulher que domina animais, lavouras e máquinas como ninguém. É e uma rainha quando se trata de assuntos agropecuários.
— Titia Lice “englaçada”. Comeu um bebê e “agola” fica falando coisas nada a ver.
Abafei uma risada e me mantive quieta, por mais alguns segundos, no banheiro. Só esperando para ver como ela se livraria daquela.
— Eu não comi um bebê, Pequeno. Tio Jasper o colocou aqui até que cresça e esteja prontinho para brincar com você.
Ah Deus, ela estava se complicando. História da sementinha? Alice precisaria de umas aulinhas para aprender a lhe dar com crianças.
— Hummm!
Se eu fechasse os olhos, poderia visualizar direitinho sua carinha de dúvida em direção a tia. Era agora que vinham mais perguntas.
— Como foi que o titio o colocou aí? Onde o titio buscou o bebê?
Bingo!
Segurei mais a toalha em volta de mim. Estava ficando interessante.
— Ele... Ele... Ora! Isso é muito complexo para um menininho da sua idade. E também não importa no momento. O que importa é que logo, logo você terá muitos priminhos para brincar. O filho do titio Emmett, depois esse aqui e quem sabe um irmãozinho mais para frente.
Danada! Ela se saiu muito bem. O segredo de acabar com a curiosidade de Antony era aguçá-la com outra coisa.
— “Plimos” Tony até quer. Titio Memmett e Jas “disselam” que será legal. Mas, “rimãozinho” não. Tony não quer que papai coloque um bebê na mamãe. Tony não “plecisa” deles. Tony já terá “plimos”.
— Hum! Irmãos são bons também. Veja seu pai e eu. E sua mãe e seus tios. Temos irmãos e gostamos da ideia.
— Não, “obligado”! Tony já é feliz só com mamãe e papai agora. Não “pleicisa” de mais ninguém.
A voz dele se elevou um pouquinho e o tom de choro também se fez presente. Ele começaria a chorar se ela insistisse no assunto.
Era minha vez de intervir.
— Estão me vigiando, é? Nem gastei muita água. Já sai do banho.
— Mamãe! Tony ficou com saudade!
Deu um pulo da cama e abraçou minhas pernas. Fazendo com que Alice me encarasse e transmitisse todas as suas dúvidas.
— Já estou aqui e preciso me vestir agora. Por que não desce e fica com papai e o titio?
— Tony não quer. Tony mudou de ideia não vai mais ir com os titios. Quer ficar com mamãe e papai.
Bom, isso para mim não teria problemas. Porém, Edward passou o dia entre entradas e saídas da casa. Não nos deixando ir lá fora, muito menos nos aproximar da janela.
E agora à tarde, sem mais nem menos, Jasper e Alice aparecem para pegar Antony com a desculpa de levá-lo para um cineminha em Port Ângeles.
Eles estavam tramando algo e eu não queria atrapalhar, mas se Antony não fosse convencido.
— Ei, querido, mas a gente vai ver aquele filme do fundo do mar e depois vamos comer batatinhas e hambúrgueres com refrigerante até a barriga não aguentar mais.
Putz! Ela estava querendo que eu mudasse de ideia?
— Não! Obrigado! Tony não quer. Só quer a mamãe dele.
— Ciúmes. Você falou de irmãos.
Murmurei para Alice enquanto o pegava no colo e equilibrava a toalha em volta de mim.
Ela bateu na testa recordando da conversa de agora a pouco.
— Filhote, mamãe e papai não sairão daqui. Você pode ir passear com seus tios e depois eles te deixam aqui...
— Não.
Ela fez com a boca e eu acenei com a mão, explicando que estava só ludibriando. Eu conhecia meu filho. Ele só precisava ir. Quando estivesse lá nem se lembraria de nós.
— Não. Tony não quer e...
— Ei está pronta? ... Bells? Definitivamente, toalha não fica bem em você.
Jasper entrou sem bater. Brincalhão, se aproximou e segurou minha cintura. Edward não estava com ele.
— Temos um problema.
Apontei para o “grudinho” engarranchado em mim.
— Eu resolvo.
Balbuciou já puxando meu filho para seus braços.
— Ei, Campeão! Vamos? Não podemos nos atrasar. O filme começa as 8. E depois temos mais um parque para ir, com pula-pula e tudo mais. E sem falar nos lanches da Mc que comeremos. Quer apostar quem come mais batata?
— Tony não quer ir mais, titio.
— Que isso? Lógico que você vai. Eu ando com muita saudade de você. Isso sem falar que passou a noite e o dia aqui. E eu? Tá me deixando?
Jasper apelava para o ponto fraco, a preocupação de Antony com quem ama.
— Não. Mas, Tony quer ficar com a mamãezinha e com o papaizinho.
— Mesmo? Eles vão jantar e dormir. E nós vamos nos divertir muitão. Depois dormimos também e amanhã te levo pra casa da Bisvovó para almoçar. E advinha? O vovô estará lá? Se não vier comigo vai perder tudo isso, porque sua mãe não irá para a Sonho Azul já que se desentendeu com o tio Emmett. Quer mesmo ficar aqui?
Pressionou.
— Mamãe...
— Pode ir, filho.
Segurei sua mão e beijei seus dedinhos.
— Mamãe e papai ficarão bem. Pode ir passear.
— Amanhã eu te vejo?
— Lógico!
— “Plomete” que não vai “alumar” nenhum “rimão”. Tony não quer.
Olhei sugestivamente para Alice quando Jasper deu uma gargalha e me encarou.
— Pode deixar, Amor. Nada de irmão.
Porque se dependesse do pai dele, contato era nenhum até o bendito casamento. Afh! Era melhor marcar uma data logo.
— Então Tony concorda.
— Ehhh! Então vamos lá porque ainda preciso passar no apartamento para trocar de roupa. Se despeça de sua mãe e vamos.
Jasper era bom, muito bom em convencimento.
— Beijo, mamãe. Tony vai, mas volta.
— Se cuida, seja bom e não teime com seus tios. Não coma demais, não faça nada perigoso e não peça as coisas.
— Sim, “senhola”.
Beijou minha bochecha e aproveitei para inspirar seu cheirinho de bebê que acabou de tomar banho.
— Relaxe, Bells! “Tá comigo, tá com Deus”. Aproveite a noite.
— Ah, Jasper, seja mais humilde, irmão. Obrigado por tudo! Te devo uma. E cuide do meu maior tesouro.
— Faremos isso! E não se preocupe terá muito tempo para pagar a dívida quando meu filho precisar ficar com alguém para termos nossos momentos.
— Idiota!
Bati em sua cabeça quando ameaçou morder minha bochecha e estragar a obra prima que eu tinha feito no banheiro.
— Tenha uma noite linda, cunhada. Eu cuido deles.
Beijei Alice assentindo, nela eu confiava.
E quando já estavam saindo do quarto peguei na bolsa, que estava sobre o criado mudo, um cartão de crédito e entreguei a Jasper, sendo logo rechaçada.
— É para as despesas dele. Eu conheço o filho que tenho.
Sabia que ele pediria “meio shopping”.
— E eu conheço as minhas e as suas finanças. Guarde isso. Se cuide! Boa noite, Bella. Entreguei algo a Edward. Use com moderação e não me conte os detalhes depois.
— Quê?
— Nada! Jasper é um babaca. Vamos! Se divirta, Bells!
Alice o empurrou porta a fora. E só fiquei com a gargalhada alta dele enquanto sumia escada abaixo.
— Família de malucos.
Brinquei voltando para dentro e me deparando com o vestido leve, branco, meio indiano e de alças largas que havia deixado sobre a cama quando entrei para o banho. O cabelo e a maquiagem já estavam prontas.
Não tinha ideia do que Edward estava tramando, mas era melhor prevenir.
— Vamos lá.
O barulho do carro de Jasper rugiu lá fora e minha ansiedade aumentou.
— Vamos, Isabella. Não seja covarde.
Voltei ao banheiro e revirei, a pequena mala que havia trazido, até encontrar um lingerie aceitável. Porque vamos lá respeitar, cetim e seda podem até ser bonitos, mas confortáveis... Ah isso é coisa de algodão mesmo. E eu amava os meus estampadinhos de corações, flores, patinhas de cachorro, porém...
— Amor, está pronta?
Ah! Dei um pulo segurando mais firmemente a tolha junto ao peito. Era melhor parar de filosofar sobre conjuntinhos.
— Quase.
Respondi voltando para o quarto e só então me dando conta de que Edward não estava ali. Apenas chamava de algum lugar na parte de fora.
— Ok. Leve o tempo que precisar. Quando descer, saia pela porta da frente.
— Como?
Perguntei, mas só ouve silêncio como resposta. O que ele estava tramando?
— Ah, Edward!
Apressei-me em terminar de me secar e vestir. Acabou que escolhi um conjunto branco e delicado de lingerie mesmo. Enfiei-me no vestido e nos pés optei por uma rasteirinha de dedo bem bonita que havia comprado na última visita ao shopping.
O cabelo, que já havia secado logo após o banho, deixei solto. Estavam grandes e pesados dando forma as ondas que caiam pelo meio de minhas costas.
Por fim, borrifei meu perfume de sempre.
E com uma última conferida no espelho fui ao encontro dele.
Tentei ignorar todos os sentimentos que tentavam me consumir. Não era a nossa primeira vez sozinhos depois de reatarmos, porém era a primeira vez depois de aceitar todos os seus pedidos.
Claro que estava ansiosa. Algo teimava em me fazer temer suas reações ao me ver. Eu poderia enganar todo mundo, mas não a mim mesma. A aprovação dele era algo que sempre necessitaria.
Baixa auto-estima de uma figa!
— Bom, aqui vamos nós.
Devagar, para amenizar o nervoso, voltei ao andar de baixo. A meia luz predominava e um forte cheiro de incensos cítricos também.
Edward não estava ali.
Então, fiz o que pediu, atravessei a sala e abri a imensa e pesada porta da frente.
E qual foi minha surpresa ao ver o que ele havia preparado.
— Por Deus!
Luzes, muitas luzes.
Refletores bem posicionados jogavam seus focos para a fachada da casa, a mistura de cores era belíssima. Causando uma visão de tirar o fôlego.
Porém, nada se comparava a grandisiosidade do gramado. Parecia um verdadeiro tapete verde com pequenas chamas de fogo brotando de alguns pontos.
E não pensem que parava por aí. Bem a esquerda, ao longe, se formava um caminho, isso mesmo, um caminho de areia, madeira e pedras, ladeado por tochas elétricas que embrenhavam em meio à mata densa.
Desci os degraus, atravessei o espaço completamente deslumbrada e sem mal conter a admiração comecei a andar pelo caminho.
Era lindo! Não havia barulho humano. Só pássaros, grilos e o farfalhar das árvores. Era mata virgem ali. Um espaço deixado por Edward que não fora desmatado para as lavouras.
— Perfeito!
Contemplei.
Era uma das coisas mais belas que já havia visto. Apesar da escuridão em volta, o jogo de luzes fazia tudo parecer intocado, puro, natural.
Andei mais um pouco, seguindo para a direita e então, o mundo parou. Nada havia me preparado para a visão seguinte.
— Uau!
Uma tenda. Isso mesmo! Uma linda tenda de voal emergia num espaço limpo também gramado e claro.
As cortinas estavam abertas e amarradas nas laterais dos pilares e mesmo a curta distância já era possível ver almofadas, muitas almofadas esparramadas em meio a um convidativo tapete felpudo.
— Calma, Bella!
Segurei o ímpeto de correr. A curiosidade me carcomia.
Mais alguns passos à frente e então o som mudou. Uma música clássica e baixa, bem relaxante tocava.
O cheiro também era outro, algo havia sido cozido e meu estômago apreciou em expectativa.
— Nossa! É tudo tão perfeito! Tão bonito!
Ao longe a lua brilhava em volta de estrelas e de um céu surpreendentemente claro de Forks naquela noite.
— Tenho que discordar. Está muito mais do que bonita. Faltam-me palavras, Vida.
Saindo em meio às árvores o mais belo espécime masculino de todos, se fez presente me encarando com tanta devoção que eu sabia que aquele elogio era para mim.
Jesus, ele era uma visão! Com sua calça larga e camisa, estilo bata, brancas também.
Estávamos combinando sem planejar? Podia ser considerado um sinal, não podia?
— Edward eu... Eu...
Abriu os braços para mim e não pude fazer nem falar nada a não ser me aconchegar nele.
— Não diga nada. Não precisa. Só quero que aprecie. Essa noite é sua.
Beijou delicadamente meus lábios, segurou minha mão e me puxou para dentro do lindíssimo lugar.
— Eu queria te levar para jantar num lugar especial para comemorarmos os tantos “sins” que me deu esse dia. Porém quanto mais eu pesquisava, mais percebia que queria fazer uma coisa especial antes de mostrar ao mundo o quanto estou rendido por você. Não queria te dividir com ninguém, muito menos enfrentar o que quer que seja que vamos enfrentar quando anunciarmos a nossas famílias. Eu queria algo somente a três: você, eu e a natureza. Por isso...
Estendeu a mão mostrando seu trabalho.
— Espero que goste. Porque eu venho planejando essa noite em minha cabeça há muitos anos.
— Está tudo perfeito, Edward. Nem posso imaginar o quanto gastou com tudo isso e...
— Shiii.
Colocou dois dedos sobre meus lábios.
— Não estrague o momento pensando em valores. Pense somente em nós... Está com fome?
Rá, ele nem fazia ideia.
— Muita!
O puxei de volta antes que chegasse a uma mesinha na lateral, de onde vinha um cheiro delicioso de algo que, com certeza, eu provaria mais tarde. Porque agora...
— Olhe para mim.
Segurei seu rosto e deslizei os polegares pela tez bem cuidada e linda, que só ele tinha.
— Estou olhando, meu amor. E posso afirmar que nunca vi nada mais lindo em toda minha vida.
— Eu te amo, Edward. Você me ama. Não nos faça esperar mais. Olhe só para isso?
Tomei a iniciativa. O beijei leve, como um arinho mesmo.
— Estou me controlando desde que a tive de novo em meus braços, Anjo. Não quero que pense mal. Não posso aceitar a ideia de que acredite que só quero te levar para a cama e...
Foi minha vez de silenciá-lo com a mão.
— Eu quero o Edward seguro de antigamente. Não pense muito. Você mudou, eu mudei. Não sou ingênua e nem fugirei na primeira vez que brigarmos.
— Não brigaremos, eu prometo.
Sorri de lado.
— Brigaremos sim. Continuo tendo um “gênio do cão” como diz papai. Mas no outro dia estarei aqui, emburrada e muito brava esperando que se desculpe. Confie em mim, confie em você, confie em nós, Edward?
Pedi baixo segurando o lado de sua cabeça e voltando a beijá-lo com todo amor que podia.
— Eu te amo.
— Também te amo. Sinta isso... Deixe-me te mostrar.
Não respondeu, mas também nem era preciso. O sentimento, a situação e o ambiente criados por ele falavam por si.
— Se eu fizer alguma coisa que não goste é só...
— Shii. Me ame.
Segurei com mais força em seus braços o forçando a se aproximar mais.
— Bells...
Foi a deixa, puxei sua cabeça em direção a minha. Edward quase não me chamava de Bella no passado, Bells então? Nunca! Dizia que apelidos eram coisa de casal meloso. Amor, Vida, Anjo, Carinho... Nada disso. Eu invejava meus irmãos e seus relacionamentos regados a tantas palavras doces.
Então quando agora ele os pronunciava com tanta devoção causava arrepios desde a ponta dos meus dedos até o último fio de cabelo.
— Aqui. Estou aqui.
Alertei sentindo-o aprofundar a pegada e gemer em minha boca. O controle dele estava por um fio.
— Eu desejo você com todo o meu ser. Faça-me sua para sempre.
Foi o golpe final Ele não resistiu.
Os beijos se tornaram mais quentes e eu só queria me jogar nele e fundir nossos corpos. Porém, Edward não pensava assim.
Com muito cuidado deslizou as mãos pelo meu corpo, desde os braços nus até a altura da cintura. Sempre acariciando e apertando com mais força quando percebia que eu gostava.
— Deus!
Gemeu quando imitei seus atos, com mais iniciativa, diga-se de passagem, já que infiltrei as mãos dentro de sua camisa e acariciei o peito, ombros e barriga.
— Sua, só sua.
Não resistindo ao ataque, migrou a boca para meu pescoço mordiscando e beijando de boca aberta.
— Não pare.
Virei mais a cabeça dando-lhe livre acesso.
— Tão bom.
Inalou meu perfume direto da fonte, detrás de minha orelha. E eu quis, mais do que tudo, gritar de antecipação.
Ansiosa me afastei um pouquinho, só a quantidade certa de espaço que me ajudasse a arrancar aquela camisa dele.
Eu precisava de livre acesso.
— Lindo!
Deslizei as mãos pelo peito, bem definido, mas nada exagerado. Depois brinquei com o cós, de elástico, da calça larga que ele vestida.
— Não tão rápido, Linda.
— Ah!
Dei um gritinho de surpresa quando me pegou no colo e me levou para perto do amontoado de almofadas.
— Eu preciso de uma coisa primeiro. Confia em mim?
Assenti já sem fôlego quando desceu as mãos com calma por cima do vestido até encontrar a barra.
— Tão macia!
Foi subindo a peça lentamente, aproveitando o ato e acariciando cada parte do meu corpo ansioso pelo dele.
— Por Deus, Minha Vida! Você está mais linda ainda. Minhas memórias não faziam jus a você.
Primeiro eu quis me cobrir, tímida. Porém, o olhar abrasador dele, me manteve quieta.
Não eu não era a mesma. Tinha gerado uma criança, as curvas aumentaram. Isso sem falar no esforço físico que fazia diariamente com o trabalho na fazendo.
Eu estava bem, tinha consciência disso. Mas, mesmo assim o receio e a aprovação dele causavam certa ansiedade em mim.
— Não vou aguentar. Preciso tocar.
Voltou a me pegar no colo, então se ajoelhou e me acomodou em meio às almofadas. Ele não se juntou a mim, se manteve de joelhos, observando, apreciando.
— É uma visão, Bella! Maravilhosa! Não vou aguentar.
Puxou meu pé para suas mãos e retirou as sandálias. Depois beijou e sugou de leve cada dedo.
— O meu sonho tornou-se real.
— Edward!
Gemi quando foi subindo a boca calmamente pela perna, joelhos, cochas, cintura, não dando real atenção a nenhum lugar específico.
Ele tinha um alvo em mente.
— Tão lindos! Tão maiores do que eu lembrava.
Beijou a parte dos seios que escapava por cima do lingerie bonita.
— Não vou perguntar de novo. Só Deus sabe o tamanho do esforço que estou fazendo aqui... Tem certeza, Bella? Quando eu começar não vou conseguir parar.
Eu podia sentir “o esforço” dele causando frisson em meu corpo.
— Sou sua.
Sussurrei e foi tudo o que ele precisava.
Os beijos vieram famintos. As mãos estavam em toda parte e não demorou para que fossem substituídas pela boca voraz.
Ele estava em toda parte e eu quase não conseguia retribuir tamanho desejo dele.
Todavia, nada me preparou para a o primeiro beijo sobre o mamilo intumescido.
— Ahh!
Segurei firme sua cabeça estimulando-o a dar mais atenção ali. O que fui prontamente atendida.
Agora ele sugava e beijava com toda vontade que tinha.
— Edward, por favor...
— Lindos e deliciosos! Feitos na medida!
Balbuciava em meio a suspiros longos.
Querendo mais contato, fechei as pernas em sua cintura. Eu buscava o atrito a todo custo.
— Eu não aguento, Linda. Preciso sentir. Preciso ver.
Devagar, me fez sentar, desabotoou o sutiã e o jogou de lado. E não dando tempo para que eu pensasse no que estava fazendo desceu mais as mãos e depois de acariciar languidamente por cima de meu sexo, também me livrou de uma calcinha molhada e incomoda.
— Putz, Bela!
Apreciou me encarando de novo. E mais uma vez tive o instinto de me cobrir. Porém, me controlei. Se seríamos um casal eu teria que confiar e me acostumar com seu olhar sobre meu corpo nu.
— Estou em desvantagem aqui.
Apontei para sua calça e chinelos que ainda permaneciam nele.
— Muito justo.
Colocou-se de pé, e com olhar no meu se livrou de tudo que o cobria. E, convenhamos, minhas memórias também não faziam jus à realidade.
— Venha aqui.
Chamei, incentivando-o a voltar. Eu precisava tê-lo ao alcance de minhas mãos. O que fui atendida prontamente, porém os planos dele eram outros.
— Só um minuto, Vida...
Recomeçou pelos meus pés. Beijando com carinho enquanto murmurava elogios e suspiros de desejo que reverberavam bem no meio de minhas pernas.
Eu pulsava por ele. Estava completamente excitada e até doía de vontade de tê-lo totalmente em mim.
— Edward!
Sussurrei quando enfim sua boca encontrou meu sexo molhado. E ele não perdeu tempo. Beijou, mordeu e sugou até que estivesse implorando por mais.
E ele deu...
A boca agora se dedicava ao clitóris inchado enquanto dois dedos poderosos e que sabiam o que faziam entravam e saiam num ritmo alucinado em mim.
— Ah, Edward. Mais, mais...
Firmei os pés no chão e levantei o quadril em busca de mais. Eu queria mais, queria tudo.
— Isso, Linda. Venha! Deixe vir. Eu quero...
— Não.
Sussurrei baixo. Buscando um controle que vinha de alguma parte em minha cabeça.
— Ah, você quer. Deixe vir. Pelo amor do que é mais sagrado, deixe...
— Não.
Voltei a falar, dessa vez com mais convicção. Depois de passar pela neblina do desejo era mais fácil raciocinar para o que eu queria de verdade.
— Não assim... É nosso recomeço. Quero que seja juntos. Por favor, por favor.
Choraminguei quando ele não fez menção de parar.
— Você merece isso, Amor. Merece receber primeiro. Estou há muito tempo esperando por você, Anjo. Não vou durar muito. Tenho medo de não te satisfazer. Deixe-me prepará-la bem primeiro.
Tentei puxar seu corpo para cima, e só tentei mesmo porque ele era mais alto do que eu e bem mais pesado.
— Estou a ponto de explodir, Edward. Preparadíssima. Será rápido também. Por favor, juntos. Eu quero...
Meu lamurio o fez suspirar.
— Eu prometi nunca mais te negar nada, Bells. Então me ajude...
Ele estava realmente preocupado. Sua face demonstrava isso. Só que eu tinha convicção do que queria.
— Juntos.
Beijei-o com volúpia quando se deitou totalmente em cima de mim. Só que ele não se mexeu, segurou minha cabeça, me mantendo no lugar e chamando minha atenção.
Quase choraminguei.
— Vida, eu quero tudo de você. Te quero grávida de novo, te quero mãe, quero mais quantos filhos Deus nos permitir. Contudo, nunca mais farei algo impensado. Eu preciso que espere um minuto. Tenho colocar o preservativo. Eu já tinha isso em mente, então Jasper me deu mais uma porção deles, como numa ameaça velada e eu...
Ah, Jasper otário. Então era isso a que ele se referia quando disse que deu algo a Edward.
— Shiii.
O impedi de recomeçar a surtar beijando seus lábios e o calando.
— Anticoncepcionais, Amor. Os uso com responsabilidade. E não tenho ninguém há tempos. Não se preocupe.
Os olhos dele brilharam em antecipação.
— Você sabe, eu também...
Não deixei que terminasse, o puxei de volta para mim reativando seu desejo.
— Sua, só sua.
Foi o estopim e ele não pode mais resistir. Recomeçou a me penetrar devagar. Com cuidado e muito amor.
— Deus, Bella! Que delícia de você!
Não respondi, estava ocupada demais me concentrado em não me entregar bem naquele momento.
— Respire, Linda! Respire...
Estocou devagar, num balançar delicioso que não poderia nunca ser comparado a cada experiência que tive.
Bem que dizem, sexo com amor não tem comparação.
— Delicia, Edward. Sinta!
Mordi sua boca quando ele passou a murmurar incoerências. Era fácil perceber que perdia o controle.
— Perto, Linda. Deixe vir. Que delicia! Gostosa demais, Bells.
Respirei alto e com força. Ondas se formavam em meu ventre e a vontade de me liberar era tanta que doía.
— Isso! Delícia! Delícia, Edward.
Agora ele estava frenético e não pude fazer muito, porque a concentração já me abandonava.
— Ahhh, eu vou, eu vou...
— Eu te amo, Bella. Amo demais.
Não consegui dizer mais nada. Caímos juntos no caleidoscópio de emoção e sensação. Não havia nada ali. Nem ruídos, nem necessidades a mais. Bastávamos-nos. Éramos dominados pela melhor sensação do mundo: a de fazer amor com quem se ama.
Era sublime.
— Era assim...
— Hum?
Perguntei meio incoerente. Ele havia mesmo falado alguma coisa? Ainda estava tomada pelo topor.
— Era assim que era para te sido a sua primeira vez.
Beijou minha testa, saiu de cima de mim, mas não se afastou. Se posicionou de lado e segurou a cabeça com o mão direita. Enquanto a esquerda traçava círculos inexistentes sobre a pequena cicatriz da cesárea de Antony.
— Quando o sol nascer e banhar seu corpo nu, porque sim, ainda estaremos aqui amanhã de manhã, quero estar muito atento. Porque nada no mundo se comparará a tanta beleza. Eu te amo, Bella. E gostaria muito que isso fosse a única coisa que estivesse usando quando essa miragem acontecer.
Esticou a mão para trás e pegou uma caixinha preta em meio às almofadas depois a depositou aberta em cima de minha barriga.
— Casa comigo? E lembra que isso é só uma formalidade, porque você já disse sim.
E eu não tinha palavras quando ele abriu a caixa e revelou o mais lindo anel de noivado que uma mulher poderia sonhar...
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