Notas iniciais
Déh, esse capítulo é para você. Sei que não pode lê-lo agora, mas, tenho fé que logo, logo poderá se divertir com ele. Sinto sua falta. Fica boa logo. Estou perdida aqui.

Edward

— Certo! Vinho no decanter, massa pronta, carne no forno, batatinhas na fritadeira, para Antony. Coca-cola na geladeira. Mesa posta. Sorvete de coco no freezer e...

— Quer parar? Está me deixando tonta. E isso não é bom para uma mulher grávida. Além disso, está amarrotando toda a camiseta e bagunçando mais ainda o cabelo.

— Ah Alice, não seja desmancha prazeres. Deixa-o surtar mais um pouco. A capela de La Push está precisando de janelas novas. Apostei com sua mãe que ele surta até as oito. Se eu ganhar o hospital fará a doação. Falta pouco.

Marcus olhou do relógio para mim duas vezes antes de assentir para minha irmã.

— Eu que digo: querem parar? Não estão ajudando.

Joguei o pano de prato sobre o balcão e ajustei, pela milésima vez, a alça do avental.

— E você quer se acalmar? Estou começando a sentir ânsia. Depois, quando eu “colocar tudo para fora” e estragar sua noite perfeita, não venha me culpar.

— Ah, esse estresse todo dele somados a esses “mil” cheiros abriram meu apetite. Podemos ir comendo? Bella está atrasada.

O quê?

Reconferi as horas em meu celular, e só para desencargo de consciência, abri o aplicativo de mensagens, me certificando que não havia nenhuma, de Bella, sem visualização.

Ela estava dentro da hora combinada.

Aqueles dois estavam se divertindo as minhas custas.

— Fora! Quem convidou vocês? Isso é ridículo! É um jantar de família.

— Por isso estamos aqui. Bella nos convidou.

Marcus sorriu daquele jeito de quem explica uma equação dificílima a um adolescente. E eu só pude praquejar alto por ter uma linda mulher que gosta de dividir boas coisas com os outros.

— Vou dissuadi-la a dividir qualquer outra coisa com vocês se não me ajudarem. Só... Só fiquem quietos!

— Irmão, irmão...

Alice se levantou e veio para minha frente.

— Não surte. Está tudo perfeito. Bella e Antony vão amar.

Agora sente-se e espere o time do forno nos avisar que o assado está pronto. E, aliás...

Agarrou minha mão puxando- me para sentar ao seu lado.

— Se nos ameaçar mais uma vez “melo” a sua outra surpresa sem pensar duas vezes.

— Você não se atreveria.

Soltando-me dela, atravessei a cozinha e fui até a janela observando com atenção os primeiros sinais de que as coisas estavam se encaminhando bem para o que eu tinha em mente no sábado.

— Não mesmo, seu Chato! Era só para descontrair. Agora sente-se.

— Ela está mesmo atrasada e se... E se... Desistiu? Ou, depois de pensar melhor, resolveu que não me quer. Ou pior, se o tal do Benjamin apareceu por lá e os levou de volta para o Brasil e eu...

— Pare! Agora! Está surtando! E revirando esse cabelo. Sente-se ou te rogo uma praga e praga de padre... Já sabe, não é?

Marcus nunca saia do sério. Acho que faz parte do treinamento de padres. Nunca se exaltar, nunca deixar de sorrir, então se eu já tinha conseguido essa façanha dele, era porque a coisa estava feia mesmo.

Aliás, padres têm treinamentos?

— Ok. Vou me acalmar.

Dei mais uma olhada nas batatas e no assado para só então sentar perto de minha irmã, e foi aí que um dos melhores sons da minha vida invadiram nossas audições.

— Eles chegaram

Arranquei o avental de qualquer jeito e corri, literalmente corri, até a porta da frente a abrindo de uma vez no mesmo instante em que meu cunhado se preparava para bater.

— Por Deus! Vocês demoraram!

Bella

Fui puxada para seus braços sem nem ter a chance de responder.

— Mamãe disse que o titio “dilige” igual uma lesma. Tony concorda.

Mas, duvido que Edward tenha ouvido. Estava ocupado demais me segurando firme e acalmando a respiração em meu cabelo.

— O que foi?

Tentei, e só tentei, me afastar. O que foi impossível porque sua mão, em minha cabeça, fez mais pressão.

— Não se preocupe, Bella. É só a Paranóia de sempre, que temos, quando vocês se atrasam. Perdoe-nos, ainda não conseguimos acreditar totalmente que estão aqui.

— O que eu diria que pode se chamar de burrice. Porque olha só o tamanho dessa barriga? Quer prova maior de que estão bem aqui?

— Marcus!

— O quê? Vocês são apressados demais, e tenho dito! Preciso defender minha instituição.

Alice e Marcus travavam olhares mortais, porém, não me importei. Estava ocupada demais vendo a face de Edward se transformar de preocupado para mais preocupado ainda.

Putz!

— Perdão! Não era para despertar esses sentimentos em ninguém. Antony está certo, Jasper veio devagar mesmo e...

— Shiiiii!

Calando-me, ele encostou os lábios nos meus enquanto segurava minha cabeça, prendendo-me num beijinho suave e amoroso.

— Não se desculpe. Alice e eu precisamos aprender mais sobre confiança. Agora entrem! Quero vocês na nossa casa. Estou ansioso. Quanto a você, Rapazinho... Venha aqui.

Pegou Antony nos braços enquanto segurava minha mão e nos guiava para dentro.

Olhando por cima do ombro, ainda cumprimentou e gritou para Jasper “se sentir em casa”.

— Bella! É bom ver você aqui. Sei que não há possibilidades de conversarmos agora sobre algumas ideias para isso tudo aqui.

Apontou para a sala enorme que nos recebia como primeiro cômodo da casa.

— Mas, quando tiver um tempinho eu gostaria de te mostrar umas ideias e...

— Alice! Não!

Edward tentou afastá-la de meus braços, onde havia se jogado, quando escutou, não sei como, os sussurros dela.

— Sem ideias. Bella tem essa casa planejada uma vida. Ela, e somente ela colocará ou tirará alguma coisa daqui de dentro. Não se intrometa.

— Chaatooo!

Estirou a língua para o irmão antes de correr de encontro a meu irmão.

Tá, eu era um misto de sentimentos em relação aquilo tudo. Por um lado, Alice sempre tivera um bom gosto afiadíssimo. Certeza de que sua ajuda seria de enorme valia.

Todavia, Edward tinha razão de mostrar esse lado todo territorialista.

Quando desenhei a casa, não deixei instruções sobre decoração e acabamentos. Acho que nem pensava nisso na época. Ele teve que se virar com essa parte.

E saber que estava disposto a refazer tudo, por mim, por nós, confesso... Era um carinho e tanto no meu ego.

Como pode ter mudado tanto?

— Papai, “abofado”. Tá “apeltando” muito a gente.

— É afobado, filho. E tudo bem, Alice. Vamos conversar assim que...

— Não!

É, eu queria sugestões dela se precisasse trocar alguma coisa. Só que Edward não pensava desse jeito.

Ah, homens!

Segurei mais a risada quando ele quase que rosnou para a irmã.

— Vão para a cozinha e aproveitem as tábuas de frios que deixei prontas na geladeira. O vinho está no ponto e tem suco para você. Jasper, sua cerveja está no freezer. Agora, será que podem nos deixar sozinhos?

Apontou para Alice e meu irmão quando citou cada bebida. Era evidente o cuidado dele com os detalhes.

— E perder a chance de abraçar essa mulher belíssima? Nunca! Dê espaço, Cullen.

— Ah! Por Deus!

A frustração dele era hilária. Certeza que todos o estavam provocando de propósito por causa do nervosismo nítido.

— Oi, Linda! Trouxe isso para você e isso para você, rapazinho.

Marcus me entregou uma taça de vinho e colocou uma batatinha frita na mão de Antony, depois me soltou de Edward, segurou minha mão, fazendo-me dar uma voltinha, para só então me estreitar nos braços.

— As pessoas reclamam do tempo. Você é testemunha de que ele só faz bem. Senti muito sua falta, Bells.

— Assim como senti a sua, Marcus.

Acariciei seu cabelo e suspirei de contentamento. Marcus era um bom amigo.

— Tenho minhas dúvidas, porque desde que chegou não a vi em nenhuma celebração. Acho que devo me queixar à dona Marie sobre os netos “sem compromisso” dela.

Levantou as sobrancelhas sugestivas também em direção a Edward e Alice. Pelo visto eu não era a única na sua lista.

— Só se quiser “se encontrar com São Pedro mais cedo”.

Pisquei divertida, mas não escondendo o receio de virar alvo dos sermões de vovó.

— É bom ter vocês de volta, minha querida.

— É bom voltar, meu amigo.

Beijou minha testa fraternalmente enquanto beijei seus dedos bem em cima do anel consagrado.

— Chega! Cansei! Ou vão para a cozinha ou sumam de vez. De novo, de quem foi a ideia de convidá-los?

— Sua!

Responderam em uníssono já gargalhando da exasperação de Edward.

Beberiquei meu vinho na tentativa de não me alegrar ao perceber que ele estava com ciúmes de nos dividir com os outros.

— Por Deus! Eu desisto!

Tampou o rosto com as mãos e foi impossível não me compadecer com sua aflição.

Claro que os nervos dele deviam estar em frangalhos, era nossa primeira vez ali e, apesar de não deixar transparecer, eu também sentia a ansiedade na borda. Estar ali era o mesmo que aceitar a mudança dele, era crer que sonhos são sim realizáveis.

Por isso, tomei mais um gole, generoso do maravilhoso vinho, devolvi a taça a Marcus e tomei conta da situação.

— Ok. Tudo bem. Por que não nos aguardam mesmo na cozinha? Faremos um “tour” pelo restante da casa e logo nos juntaremos a vocês.

— Já entendi. O momento é de vocês. Vou tirar esses dois, ou melhor, esses três daqui, irmãzinha.

Jasper brincou referIndo-se a gravidez da noiva, depois enganchou um braço no dela.

E o outro?

Ah, o outro ele jogou despojadamente sobre o ombro de Marcus já os arrastando-os dali.

— Graças a Deus!

— Ah não, mamãe!

Edward comemorou, mas foi cedo demais porque Antony logo deixou claro seu descontentamento.

— Filho, por favor...

— Mas, mamãe, Tony quer mais dessas.

Putz! Era brincadeira mesmo.

A mãe que habita em mim primeiro quis gritar com ele uma negação, depois quis se render a aquele choramingo e olhos pidões. Eu lhe daria o mundo se possível.

O que entrava em total contradição com a Isabella namorada de Edward, que nesse momento não suportava o olhar de decepção do grande amor de sua vida.

— Pequeno, por que não espera só um pouquinho? O papai quer mostrar a casa pra gente. Não vai demorar.

Jasper, já na saída da sala, parou e observou nosso contratempo.

— Mas, mamãe, Tony quer conhecer a cozinha e as batatinhas também.

E com uma dessas, foi impossível não sorrir e negar. E claro que o mesmo aconteceu com Edward, porque Antony era irresistível demais para seu próprio bem.

— Tudo bem, Filhote. Vá lá com seus tios.

— Papai, o Tony “plomete” que conhece a casa depois que a “baliga” tiver bem “cheinha”.

Com um gesto típico de Emmett, ele acariciou, o que fez parecer uma barriguinha enorme, já que impulsionava o corpo para frente.

— Tá bom.

Edward o beijou na testa, o abraçou com um pouco mais de força e só então o colocou, relutantemente, no chão.

Antony não se mexeu de imediato, ficou encarando o pai. Parecia em dúvida se era mesmo o certo a fazer.

— Vá lá, Campeão! Marcus é um esfomeado. Vai comer tudo e te deixar sem, se não se apressar.

— Ei! Eu ouvi isso.

Edward brincou percebendo que nosso filho travou.

Será que ele estava pensando que magoaria o pai? Por Deus ele só 4 tem anos!

— Pode ir, Querido. Só seja um bom garoto na mesa. Tenha educação.

— Tá bom, mamãe. Papai, o Tony já volta.

Beijou Edward e a passos nada convencidos ainda, foi até meu irmão e lhe estendeu a mão.

— Ele ama seu irmão.

Comentou triste quando eles desapareceram no outro cômodo.

Eu sabia o que aquelas palavras significavam. Só que eu não o deixaria ir por aquele caminho.

— Claro que ama! Jasper é meu irmão. O tio querido de Antony. Assim como ele ama Alice, sua irmã.

— Você sabe que não é por aí, Bella. Seus irmãos são mais do que tios. Antony chama Emmett de pai.

— E eu já te expliquei do porquê disso. Antony sabe o significado de cada um em sua vida. Ele sempre soube que tinha um pai, e eu o fiz amá-lo, apesar de tudo... Por favor, Edward, não vamos voltar a isso. Ele é só uma criança que ama batatinha frita. Me trocaria por uma porção delas. Não deixe que isso coloque caraminholas em sua cabeça. Não estrague a nossa noite.

— Certo! Você tem razão. Vamos lá.

Segurou minha mão e me puxou mais para o centro da sala. Eu não deixaria nunca que ele se sentisse menos do que tem direito.

Edward é pai de Antony e ponto final.

— Aqui, como pode ver é a sala de estar. Esme e Alice me ajudaram em tudo. Mas, parece que minha irmã está disposta a redecorar já que agora você está aqui para dizer do que sempre sonhou para nossa casa. Você não deixou instruções nos desenhos, Amor. Era só a fachada da casa que tínhamos. Os arquitetos, engenheiros e eu tivemos que improvisar. Só Deus sabe o quanto me arrependo de não ter prestado mais atenção quando desenhou e descreveu cada detalhe daqui.

Ele falava e falava e falava, era óbvio que estava inseguro. Os olhos nunca deixando meu rosto, avaliando cada reação.

— Fomos imaginando e fazendo, por suposição, seu projeto tomar vida. Mas, se não era assim que queria, ou melhor, claro que não era exatamente assim, então... Não precisa se sentir mal em me falar o que está errado, faço questão de mudar cada viga errada. E se não agradar de nada, jogamos tudo no chão e recomeçamos. Porque...

— Shiiii. Está falando demais.. Só fique quietinho um pouquinho.

A casa, pelo lado de fora, era exatamente como eu imaginava. De uma cor sóbria. Um marfim? Não.

Um palha, ou melhor, areia... Isso. De uma cor areia com ferragens, janelas e portas de um marrom que cantava com a outra cor.

Uma estrutura imponente que podia ser vista da estrada e exatamente entre a Sonho Azul e a Paraíso.

Os jardins que a ladeavam estavam perfeitos e bem cuidados, a primeira vista, porque não dava para ver muito a noite.

Na entrada um portão de madeira, bem estilo “porteira de fazenda” mesmo, nos recebia já dando uma ideia do que esperar.

Estava tudo certo e belíssimo até aqui.

Adentrado o primeiro andar, a sala de estar era a primeira coisa que se via, com dois sofás claros aconchegantes e uma mesa de madeira polida no centro, aparentava um ambiente mais do que convidativo a uma conversa no fim da tarde ou à noitinha. Eu amei!

— A sala está perfeita. O detalhe me conquistou.

Apontei para a estátua, no centro da mesa, um cavalo selvagem, forte e exibido, equilibrando-se nas patas traseiras.

— Sabia que ia gostar. Venha...

— Só um minuto.

Tentou me puxar agora mais aliviado do que nunca. Porém a enorme mesa de carvalho de 12 lugares no espaço a esquerda chamou tanto minha atenção que foi impossível não dedilhar os detalhes das cadeiras que pareciam feitos a mão.

— Alice e Esme me ajudaram na decoração. Elas... Davam-me opções. Essa mesa... Bom, não era a favorita de minha irmã. O interesse era por algo de vidro com bases em mármore branco esculpidos, mas... Não parecia certo. Não me lembrava em nada à casa que você escolheria para viver. A nossa casa...

Sem perceber o que fazia e divagando por tempos distantes, Edward também deslizou os dedos pelo tampo, exatamente como eu havia feito com as cadeiras agora a pouco, totalmente imerso em lembranças.

— Então, quando minha mãe me mostrou essa, eu sabia. Grande. Madeira pura, escura e lustrosa. Pronta para acomodar e aconchegar nossa família nas festas de fim de ano, como você gosta.

— É linda e imponente! Não tenho palavras.

— Eu sei. E é bom saber que acertei e que você gostou.

Sorriu lindamente, depois voltou a me puxar mais para o lado. Ele estava eufórico.

— E da mesa, veio essa outra ideia aqui.

Colocou a mão livre no corrimão da escada que ligava um andar ao outro.

— A princípio tinha uma escada de concreto aqui. Era revestida com o mesmo porcelanato do chão e aqui era inox.

Apontou para o piso mais brilhante que eu já colocara os olhos, depois mostrou o apoio de mão das escadas.

— Contudo, quando colocamos a mesa, não ornou. Parecia que algo estava fora do lugar, e foi só olhar mais atentamente que percebi o que não combinava, a escada. Mandei quebrar tudo e coloquei essa. Foram mais duas semanas de obras, mas valeu à pena.

Se valeu... Os degraus também estavam brilhantes e limpos. Um lustre rústico, descia do andar de cima e reinava sobre um pequeno jardim bem a vista de qualquer ângulo das duas salas, de quem viesse da cozinha ou descesse do andar superior. Era uma cena e tanto.

Para completar, no fim do primeiro lance das escadas uma enorme janela de vidro captava toda luminosidade do dia e a magia da noite.

Eu precisava mesmo seguir por ali.

— Vem.

Só que Edward tinha outros planos. Guiou-me de volta para a sala de estar, passamos por uma porta grande que dava para um corredor estreito com três portas a vista.

— Lá temos uma suíte de hóspedes. Achei que uma no primeiro andar facilitaria a vida de vovó se algum dia ela quiser passar a noite conosco ou pode ser para eventualidades também. Não sei... Você pode mudar se quiser.

Nervoso. Esse era o estado de espírito dele.

— Ali fica meu escritório e ali o seu.

Apontou para as outras duas portas logo a seguir.

— Quando projetamos, fiz separado porque quis te dá liberdade de ter seu próprio lugar com suas coisas, já que nossas profissões são tão diferentes. Hoje me arrependo dessa escolha. Não quero ficar longe nem um minuto. Estou me segurando para não mandar quebrar tudo. E só não faço isso imediatamente porque atrasaria nosso casamento.

Putz! Para quando ele estava planejando um casamento? Eu não entendia essa pressa toda.

— Posso ver?

Assentiu abrindo a porta e me dando passagem.

O escritório era bonito. Prateleiras e mais prateleiras, completamente vazias, cobriam boa parte das paredes. Certamente foram feitas para acomodar livros. A direita uma escrivaninha de MDF caramelo, dava ao ambiente o toque final. Ela era bem feita e muito delicada.

Nem eu teria feito escolha melhor.

— O meu, é igual. Só mudamos as cores dos móveis, escolhi preto. Acho que combinava com meu humor na época. No entanto, agora acho que vou mandar fazer outra daquela...

Apontou para o que seria meu móvel de trabalho e depois para a parede oposta.

— E mandar colocar bem ali, é só levantar a estante. O outro espaço podemos usar para a administração da fazenda, já que pretendo desligá-la da Paraíso assim que você autorizar e começar a gerenciar nossos próprios negócios aqui. Aliás, precisamos escolher um nome para essas terras. Eu não me senti no direito de fazer isso em sua ausência já que era o seu sonho que eu estava projetando.

Por Deus! Ele havia pensado em tudo.

— Meu trabalho é entediante, Edward. Mantenha seu espaço, não quero te enjoar na primeira semana. A fazenda e eu caberemos muito bem aqui. E, por misericórdia, vamos com calma.

Segurei seu rosto e acariciei seu cabelo, passando o máximo de segurança que conseguia. Será que nunca eu afastaria de Edward esse medo de nos perder?

— Nada em você é entediante, Bella. Dedicar o restante dos meus dias para sanar cada dúvida que implantei em seu íntimo é minha missão. Tudo, mas tudo mesmo, que faz é de meu interesse. E, quanto a esperar... Pode tirar isso de sua cabecinha. Já esperei demais. Você disse sim. O próximo passo é marcar a data. E que ela “seja para ontem” porque não consigo esperar tanto por vocês de vez aqui.

— Edward...

— Não! Não vou discutir hoje. Estou feliz demais. Agora venha. Quero te mostrar uma coisa.

Segurou meus ombros e, brincalhão, me guiou de volta para a sala.

— Ali fica a cozinha, que vamos deixar por último, e ali é uma das portas das varandas debaixo. Essas, você pode ver amanhã. Agora vamos por aqui.

Amanhã... Esse era o motivo de termos vindo com Jasper: Antony e eu passaríamos nossa primeira noite aqui. E eu sentia “borboletas batendo asas” em meu estômago só de pensar nisso. Não tinha a mínima ideia do que esse novo Edward planejara.

— No seu projeto só tinha dois andares. Mas, trocando opiniões com o engenheiro, o arquiteto e Alice, resolvi acrescentar mais um. Espero que entenda e não fique chateada. Creio que vá entender. Mas, antes disso...

Ignoramos temporariamente o último lance de escadas e paramos de frente a uma sala bonita, de televisão, bem onde estava àquela janela alta de vidro, que citei há pouco.

— Tem uma televisão na cozinha, para que o andar debaixo não fique desprovido de informação. Mas, a sala de multimídia mesmo, preferi que fosse aqui para que ficasse mais perto dos quartos. Ou seja, dá para ouvir as crianças, à noite, quando resolvermos assistir um filmezinho a sós até mais tarde, no futuro.

Crianças? Não pense nisso, Bella. Não pense nisso.

Entoei para minha mente. Enquanto o seguia, ainda atônita com tamanha informação e entusiasmo.

— Do lado de cá temos três quarto de hóspedes. Dois de casal, um com suíte. E outro de solteiro, com duas camas. Estão devidamente mobiliados e prontos para receber visitas. Ah, ali é um banheiro social.

Apontou para a esquerda da sala.

— Agora aqui.

Apontou para a direita onde um corredor bem iluminado se apresentava, eu via 5 portas.

— Os quartos dos nossos filhos e o nosso.

Filhos? Quatro portas? Edward só podia estar de brincadeira.

Com vida própria, meus pés seguiram para frente e abriram a primeira porta: vazio.

A segunda: vazio.

A terceira: vazio.

A quarta: vazio

E a quinta que era bem no fim do corredor e o que pensei ser o nosso quarto, porque era o mais centralizado e para quem tinha pensado em tudo, era o que dava melhor visão dos outros cômodos “das crianças”: Completamente vazio também.

— Eu, eu não entendo.

— Eu te explico.

Puxou-me de volta para a ala de hóspedes e abriu, me apresentando um quarto bem masculino e certamente habitado por alguém.

— Eu durmo aqui.

— Mas?

Ele me calou colocando o indicador sobre minha boca.

— Você desenhou isso aqui. Sonhou com todos os detalhes dessa casa. Sabia que íamos nos casar e formar uma vida juntos. Só fui idiota demais para não planejar com você na época. Então, quando tudo estava finalizado e eu precisava decorar o nosso quarto e o de Antony, não consegui. O que eu sabia sobre seus gostos sobre cama, colchão, travesseiros, closet ou guarda roupas? Eu nunca me dei ao luxo de prestar atenção quando você falava sobre essas coisas, se é que falava.

Esfregou nervoso a mão nos cabelos.

— E quanto a decorar um quarto de criança? Eu era um maldito pai que nem sabia o sexo do filho, ou melhor, nem sabia se ele existia, se tinha vindo ao mundo. Macular esses ambientes com meus gostos parecia errado, um sacrilégio. Então, ninguém fez isso. Não permiti que mamãe ou Lice pensassem nessa hipótese. Esse mérito será seu, Amor. Tudo ali...

Voltou a apontar para o outro lado.

— Será como sonhou. Aliás, a casa será do seu jeito, Bella. Como eu disse, você não deixou instruções. Fui seguindo o instinto, construindo as cegas. Só que agora a dona disso tudo chegou. Decore, redecore. Quebre paredes. Não me importa. Só faça desse lugar a realização de seus sonhos.

Sem conseguir mais me segurar, o puxei para perto e o beijei com fervor. O gosto das lágrimas dele se misturavam as minhas. Era emoção demais.

— Eu te amo tanto, tanto. Está perfeita, Edward. Tudo de bom gosto. Não preciso mudar nada. Por Deus, você poderia ter escolhido cada móvel daqui. Nos amaríamos tudo. Não há o que mudar...

Claro que tinha. Era óbvio que era uma casa masculina. Não havia um galho de flor, a não ser no jardim de inverno. As cores eram pastéis e sérias. Nada atrativo para uma criança.

Mas, ele não precisava saber daquilo por enquanto. Quando viéssemos morar aqui, eu daria meus toques devagar, para não assustá-lo.

— Cada “tijolo” foi colocado pensando e lamentando a falta de vocês. Fico feliz que tenha gostado.

— Claro que gostei. Eu amei. Olhe só para isso?

Rodei os braços pelo corredor mostrando meu contentamento.

— Ahh, Bella... Mas, não acabou. Deixa te mostrar uma coisa.

Voltamos para a outra ala e caminhamos até o que seria nosso quarto;

— Olhe para isso.

Cruzamos o grande espaço vazio até encontrarmos outra porta estrategicamente escondida dentro do closet.

— Aqui.

— Ahhh!

Era um senhor banheiro: enorme. Com azulejos brancos e detalhes pretos em lugares planejados. Mas, o que mais chamava a atenção era a linda banheira, para dois, na parede oposta.

— Sei que gosta de descansar em uma. Esme disse que era perda de espaço e dinheiro jogado fora. Porém, fui irredutível. Algo me diz que depois de um dia estressante em sol ou chuva intensos, isso será de grande ajuda.

— Enorme ajuda.

Eu amava mergulhar até o pescoço em uma banheira quente. Não há cansaço que resista a tal maravilha.

— Eu sei. Quando projetamos o banheiro, a banheira foi a primeira coisa que escolhi. Sabia que ia aprovar. Mas, não se distraia. Quero que veja mais.

Segurou meu ombro voltamos para o quarto, mas, não se deteve por lá. Atravessou o local, passamos pelas portas duplas que nos levavam a varanda e só então parou.

— Olhe para isso. Sei que não tem muito que ver a noite, mas amanhã de manhãzinha quero que abra a porta e olhe para lá. Prometo que será uma das cenas mais lindas que já viu e verá.

É, eu imaginava... À noite, tudo parecia muito escuro e longínquo a se basear pelas minúsculas luzinhas que se via ao longe, das outras fazendas nos arredores. Porém, eu podia mesmo imaginar como seria ver o nascer do sol dali. Aliás, o nascer e o por do sol, já que a varanda rodeava todo o segundo andar. Ou seja, cada cômodo tinha portas “francesas” para aquele lugar. Acho que fora a maneira de mostrar que o mais bonito da casa ficava do lado de fora.

Isso também não tinha no meu desenho.

— Eu não sei o que dizer. Sempre disse a você que a beleza ficava nas pequenas coisas e no que era nos oferecido de graça pelo Criador. E perceber que, precisou, da gente “passar pelo inferno” para você perceber isso. Me deixa angustiada, mas feliz ao mesmo tempo.

— Demorei demais para perceber certas coisas, eu admito. Perdoe-me por isso, Amor.

— Não peça mais perdão, Edward. Esqueça. Você não errou sozinho. Vamos colocar uma pedra no passado. Olhe só para isso... Em outros tempos você não valorizaria uma coisa dessas.

— A vida me ensinou muitas coisas, Bella.

— Percebo. Só espero não ter mudado sua essência com meus desejos e sonhos de adolescentes.

— Bobinha! Eu não tenho essência sem você. Agora, dê- me sua mão. Quero te mostrar uma última coisa.

Voltamos pelo trajeto inicial e então subimos os últimos lances de escada, o que, definitivamente, não estava no meu projeto. Eu não tinha um terceiro andar em mente.

Muito menos tinha aquilo em mente.

— Essa parte é toda novidade para você e, admito, a culpa é toda minha. Com a ausência de vocês, Bella, aprendi muito mais sobre família do que numa vida inteira. Por isso, pedi por essa área. É aqui que sonhei com todos nós reunidos em festas familiares ou somente para tomar um drink num sábado a noite. Ou então para nos refrescarmos ali enquanto os pequenos Cullen’s e Swan’s de nossa família se divertem ali.

Apontou para uma cama elástica nova e grande, bem de frente a uma piscina límpida e convidativa.

Na última parede uma cozinha externa, com churrasqueira, balcão e bancos altos e por fim, mais uma mesa grande rústica com bancos inteiriços e bem talhados fechavam com chave de ouro o que poderia chamar de “área de lazer” da cada dele.

Antony amaria aquele lugar e eu já previa as brigas para tirá-lo dali.

— O que achou? Seja sincera, Bella. Como eu disse, é uma casa masculina, mas que será completamente mudada. Basta você querer. Eu não tinha sua visão de dentro, gostaria que entendesse isso. Em algum momento deve até ter falado algo a respeito, mas eu era idiota demais para dar importância a isso e...

— Shiii.

Pressionei dois dedos pelos seus lábios.

— Você não entende, não é?

Perguntei redundantemente.

— Nunca foi a casa, Edward. Isso aqui é perfeito, claro que é. Mas não seria, se não tivesse você. Casa perfeita é onde você estiver, Amor. Poderia ser debaixo da ponte, contanto que estivesse conosco.

O encarei com mais afinco.

— Acho que quando sonhei com a casa, nesse lugar, era como se externasse meus sonhos de casamento e vida eterna com você. Nunca foi a construção. São só tijolos e madeira. O que conta é o que está aqui.

Coloquei a mão sobre o coração dele.

— Eu te amo. Adorei o que fez aqui. Seremos felizes em qualquer lugar, mas me alegro que seja aqui. Obrigada por concretizar meu sonho.

Só quando segurei seu rosto e beijei sua boca demonstrando toda minha gratidão, foi que percebi a tensão se esvaindo de seus ombros. Era compreensível, mas completamente desnecessário. Eu amei tudo e mesmo se não amasse, nunca que o deixaria perceber. Edward pagou por seus erros com juros e correção monetária. Nossa fuga fez um estrago na vida dele. Mas, isso tinha ficado no passado. Nós seríamos felizes. Uma família segura e muito feliz.

— Você não existe, sabia? Ainda não sei o que fiz a Deus para merecer vocês. Jesus, Bella! Eu no seu lugar, não teria perdoado e...

— Shiiii!

Voltei a colar minha boca na dele quando ameaçou se deixar dominar pelas lembranças. Era um dia de comemorações.

— Eu te amo. Só foque nisso. Sempre te amei. Era óbvio que te perdoaria. Só você não percebeu isso.

— Graças a Deus. Acho que deve ter batido a cabeça quando criança. Como pode ser tão boa assim? Tem certeza de que Emmett com aquele jeitão atrapalhado não te derrubou?

— Tenho. Vovó conta que meu pai não os deixava nem se aproximarem direito. Eu era muito pequena e Charlie superprotetor demais.

— Eu o entendo perfeitamente.

Edward

Pequena, linda, geniosa. Com o narizinho arrebitado e com a mania de bater aquele irritante pezinho quando quer algo. Além disso, era bondosa, corajosa e o serzinho mais difícil de dizer não que o mundo já viu.

Carlisle lembra que desde muito pequena Bella já fugia da casa grande para correr atrás do pai. E que inúmeras vezes só não foi pisoteada pelos animais, vacas, bois, cavalos e búfalos, porque tio Charlie sempre trabalhava com animais dóceis.

Então pensa se você também não a cercaria de cuidados se pudesse?

Mas aí vem a vida e brinca com a nossa cara, porque se deixar Bella domina o mundo em cima de um cavalo. Ninguém é páreo para ela.

— Entende nada. Não sou uma mocinha indefesa, Edward. Tomo minhas decisões e arco com as consequências. Não preciso de uma redoma.

— Tem certeza? Eu poderia muito bem colocá-la numa redoma.

Fechei mais os braços em volta de sua cintura e a puxei mais para perto. Ela cheirava a flores do campo, frescor e o cheiro natural de minha.

Era tão fácil amá-la. Como não percebi isso antes? Se tem uma fila atrás de mim só esperando por um deslize, a culpa é toda minha.

— É... E o que faria comigo lá?

Sorriu de lado, de um jeitinho brincalhão que espantava todos os meus medos. Porque era ali que eu via todo seu amor por mim.

— Ah, uma série de coisas próprias e impróprias.

— Mesmo? Pode listar?

— Eu prefiro mostrar.

Aliviado por ela ter gostado da casa e feliz, muito feliz por tê-la em seu lugar de direito, puxei-a mais para cima e segurei sua cintura com posse.

Beijando, dominando, sentindo. Afogando-me em cada partícula de sentimento que transbordava dela para mim.

— Eu sinto sua falta. Tanta falta... Mude para cá amanhã. Busco as coisas de vocês. Seja minha.

Clamei enquanto minha boca devorava a dela com sofreguidão e necessidade. Bella era como o ar. Se eu não a tivesse por perto certeza que morreria.

— Charlie me mata. Devagar, Edward. Já aceitei ser sua. Vamos com calma. Deixe que planejemos as coisas com tranquilidade. Deixe-me dar um casamento com pompas e circunstâncias para meu pai. Ele merece já que vai perder a única filha.

— Não! Nada de tempo. Já teve o bastante. Se não vier morar aqui, me mudo para o apartamento de vocês.

Murmurei enquanto atacava seu pescoço com beijos, lambidas e mordidas.

— Você não se atreveria.

— Vamos apostar?

Provoquei. Bella adorava uma aposta e não fugia de um bom desafio.

— Edward... Você não pode fazer isso. Charlie merece me levar a um altar e tudo mais. Minha mãe e a sua também merecem a diversão de um casamento.

— E eu mereço você e nosso filho em casa.

Finalizei o assunto a beijando na boca de novo. Com mais intensidade, mais desejo, mais carinho. Como mostrá-la de que esperar não era uma alternativa?

— Claro que merece. Mas...

— Dois meses.

Respondi a contragosto.

— O quê?

— Você tem dois meses para planejar tudo. É o meu limite. Depois disso me mudo para onde você e Antony estiverem. Não me importo se e o que vão falar.

— Edward...

— Dois meses.

Encerrando o assunto a peguei no colo e sentei no muro baixo da varanda. Imediatamente ela abriu as pernas e me aconchegou. Estava colado nela e mesmo assim não parecia o bastante.

— Ninguém organiza um casamento em dois meses, Edward.

— Mamãe e Renée organizam.

— Estamos falando do nosso casamento. Quero participar ativamente.

Putz! Bola fora, Edward! Seja mais esperto, homem! Essa em seus braços não é a Bella “avessa a compras, moda e detalhes” de antigamente.

— Ok, corrigindo: Esme, Renée e você são mais do que capazes de dar conta disso. Seja razoável, Bella. Olhe as coisas pelo meu lado, só uma vez.

— Seis meses, no mínimo. Jasper e eu estamos atolados de trabalho por causa das represas e...

— Não! Dois no máximo. Em seis meses as represas não estarão prontas e vocês ainda estarão atolados de trabalho. Sempre estiveram e sempre estarão.

Literalmente, rosnei em seu pescoço, enquanto mordia e já mudava para a abordagem que vinha usando ultimamente. Eu sabia como fazê-la ceder. E não, não me envergonho nem um pouco de usar os desejos dela, por mim, como arma de persuasão.

Eu os queria em casa, e queria rápido. Então... Cada um usa as armas que tem.

— Você é gostosa demais, sabia? Não resisto.

— Ah! Está mudando de assunto.

Respondeu em meio a um gemido, já se entregando, quando subi as mãos por suas pernas levantando o vestido de lá e expondo grande parte do corpo bonito e tonificado.

— Claro que estou! Reverenciar você é melhor do que discutir.

Puxei os pés dela, protegidos por lindas botas vermelhas, e as cruzei atrás de mim. Infiltrei as mãos por dentro do vestido e fui acariciando até parar nas costas, onde eu, displicentemente e de vez em quando, escorregava os polegares por baixo do sutiã, provocando com tudo que podia. Mas, nunca tocando em definitivo os seios, que era onde ela mais ansiava já que impulsionava o corpo para frente no pouco acesso que eu lhe dava, sempre que ousava um pouco mais para frente.

— Ah! Isso!

Ela estava clamando. Ardendo!

— Assim?

Provoquei mais um pouco. E, acrescente pressão na língua quando passeei pelo pescoço até chegar ao ombro.

— Quase... Por favor...

— O quê?

Desci as mãos de volta para a cintura, dessa vez brincando com as laterais da lingerie, que certamente era de renda.

— Quero você, Edward. Pare de aguçar.

— Você gosta quando faço isso?

Puxei os dedos para frente a acariciei, lentamente, por cima da calcinha. Bem no ponto que eu sabia, a deixava insana.

— Ahhh.

Corri o indicador para baixo e para cima.

— Não estou te entendendo, Amor. Precisa se comunicar melhor. Você gosta quando faço isso? É assim que quer? Está bom?

— Por favor, por favor? Vamos sair daqui.

Reprimi uma risada. Era agora.

— Tem certeza? Está tão bom aqui.

Impedindo-a de falar, voltei a atacar sua boca com ferocidade. Minha língua tão exigente, quanto meus dedos que a acariciavam com força e ritmo na região íntima.

Os ofegos dela eram altos e poderosos. O que atrapalha em muito meu estado.

Porque, por Deus! Se alguém pensa que esse jogo provocava e frustrava só a ela, é porque não faz ideia do nível de desejo que sinto por essa mulher.

— Quarto, Edward. Quarto...

Suspirou, segurando-me com mais força. Ela estava quase lá...

— Casamento, Gatinha. Casamento em dois meses e te dou tudo o que quiser e mais um pouco.

Pressionei mais o dedo. A boca agora fazia estragos no lóbulo de sua orelha. Eu sussurrava e a provocava.

— Edward...

Choramingou, e foi minha deixa... passei o dedo por dentro da lingerie e toquei o clitóris. Ela gozaria em segundos.

— Dois meses?

Sussurrei e aprofundei um dedo. Ela não respondeu...

— Dois meses?

Acrescentei um dedo e fiz movimentos de “entra e sai”. Foi o fim para ela.

— Simmm!

Gritou quando o clímax a atingiu com violência.

Bella

— Quarto.

Murmurei escondendo o rosto em seu pescoço enquanto apreciava os últimos espasmos de meu corpo saciado e rendido.

Aqueles dedos...

Ele já havia me mostrado o que sabia fazer com a boca, agora os dedos. Só fico pensando o que aprendera a fazer com o...

— Casamento em dois meses, Linda. Você prometeu e tenho a lua e as estrelas, como testemunhas.

Hipnotizada, vi ele se afastando e levando os dedos a boca, literalmente, saboreando meus sulcos.

— O quê o quarto tem a ver com minha promessa?

Certo! Ele não podia estar falando o que eu achava que estava.

— Tudo a ver. Casamento, depois quarto. Não vamos atropelar as coisas dessa vez.

— Ahhh!

Reclamei frustrada, pulando do murinho e parando de frente para ele.

— Sua meta é me enlouquecer, Edward. Só pode! Você me quer na mesma proporção que te quero, e posso provar isso. Por que está nos privando? Eu já concordei com tudo. Não sou mulher de voltar atrás. Vamos marcar esse casamento logo. Agora será que pode me levar para o quarto para resolvermos isso?

Fiz menção de descer a mão para tocá-lo, porém fui impedida quanto me segurou.

— Sei que honra sua palavra, Bella. E hoje posso dizer com certeza, que sou o homem mais feliz do mundo. Porém, nunca mais vou agir por impulso com você. É a mulher da minha vida, merece o melhor. E é isso que lhe darei. Agora seja boazinha e vamos descer. Preparei um jantar para nós e quero que saboreie com nossos irmãos e com Marcus. Além disso, quando começar com você, não irei parar tão cedo. E Antony está lá em baixo. Ele não entenderá nossa ausência por muito tempo. Seja razoável, Gatinha. Tenha paciência e prometo que a compensarei mais rápido do que imagina.

A expressão dele era risonha de quem estava escondendo um grande segredo. E eu queria mesmo era estapear aquela cara bonita, safada.

Como pode um homem fazer isso com uma mulher na seca?

— Ok, Espertinho. Vamos lá. Mas juro, que quando fizermos amor, você tem que ser “o cara”, porque se me decepcionar, te farei pagar pelo resto de nossas vidas, por cada promessa que fiz quando minha cabeça entra em parafuso quando me toca.

— Combinado. Eu me garanto!

Notas finais
Meninas, boa noite. Como eu disse no Insta, minha melhor amiga está lutando contra bravamente contra o Covid, e eu estou acabada sem ela. Peço perdão pelo capítulo, não ficou como eu desejava, nem terminou como eu queria. Mas, não tenho ânimo. Preciso de uma notícia boa. Enfim, vou me esforçar para voltar logo porque o próximo é para ser perfeito. Beijinhos e, Por favor, continuem rezando pela minha amiga, Déh, a Everalda. Obrigada a todas pelo carinho, mensagens e compreensão. A partir de segunda vou tentar voltar a responder. Beijinhos. Boa noite e bom fim de semana.