Notas iniciais
Oieee, boa noite meninas. Era para ter postado ontem, mas o sono foi mais forte. Mas, está aí... Aproveitem. Capítulo dedicado totalmente a Jucienz, que fez da minha vida mais feliz a recomendar essa fic. E também é dedicado a CarolMaya que recomendou Três Príncipes, Três Princesas o meu xodó. Vocês são maravilhosas.

Bella

— Olha! Não é que este está bom?!

Surpreendi-me, graças a Deus, lendo o décimo primeiro relatório que meus “dedicados alunos” entregaram, valendo metade da nota bimestral final, sobre “Pragas devastadora em lavoura branca”. E era impressionante o descaso e falta de interesse da maioria.

— Ah, esse é lindo. Ctrl C e Ctrl V direto do Wikipédia? Ah mas, eles já foram mais criativos.

Coloquei mais um na “pilha” das cópias, ainda tentando entender o que se passava nas “cabecinhas ocas” deles, já que estávamos há beira das provas finais e recessos de Ação de Graças, Natal e Ano Novo.

— Bem, pelo menos a mania de falar sozinha você ainda não perdeu. Bem que Jasper disse que a antiga Bella habita em algum lugar aí em seu íntimo.

— Boa tarde para você também, Alice.

“Engoli em seco” a vontade de revirar os olhos ao vê-la tão à vontade em minha casa, já que não havia batido.

Será que ela tinha uma cópia da chave?

— Para mim está sendo boa, já para você...

Abanou a mão direita, como quem não quer nada. O brilho do enorme diamante do anel de noivado, quase me cegou.

— Agora entendo “o porquê” dos dois homens de nossas vidas estarem tão paranóicos quanto a sua ausência perto deles hoje.

— Não estou ausente. Só precisava colocar alguns assuntos da universidade em dia.

— Sei...

Parou perto da mesa, bem de frente a mim.

— E não podia fazer isso lá da sua sala, na loja, perto de Jasper e depois de dar bom dia a meu irmão?

— Aqui tem mais espaço e nada de Jasper atrapalhando com conversa fiada. Quanto a seu irmão, ele sobreviverá sem me ver por um dia. Além disso, odeia mulher grudenta. E Jasper me viu agora a pouco no almoço. Está é fazendo drama.

— Hum! Bem, acho que você está muito equivocada. Porque aqueles dois estão surtando e me levando junto. Um me mandou “arrastar essa sua bunda bonita” lá para baixo. O outro atravessou a cidade para comprar isso, e disse que faria seu dia mais feliz. E não, ele não sobreviveria mais um dia sem você, não agora que a tem de volta. Pronto! Agora é por sua conta e risco saber quem disse o quê.

Sorriu daquela maneira brincalhona que só ela sabia fazer, enquanto colocava a minha frente uma embalagem com 4 Cupcakes, que eu amava, e que só uma confeitaria familiar da saída de La Push fazia.

— Jasper não me daria doces “um saco de laranjas talvez”. Contudo, Edward diria que é desperdício de combustível e tempo andar tanto para comprar tão pouco. Então só posso supor que foi você, já que sabe que amo esses.

Brinquei, só para provocar e alongar o assunto, porque é óbvio que eu sabia quem comprara.

— Jasper e você “continuam se amando” dá para ver. Quanto a meu irmão, não vou defendê-lo, sei onde isso leva. E se está me testando, eu passei. Porém, e só para ressaltar, creio que não se preocupe mais em gastar nada com você e Antony.

Era um teste? Eu estava mesmo fazendo isso?

— Eu sei, Alie. Parece mesmo que os tempos são outros. Por que não se senta? Já que pelo que parece, nossa tarde será longa com você e essa sua mania de apaziguadora.

— Nada disso...

Puxou a cadeira “empurrou para o lado” uma pilha dos meus relatórios, e despejou suas coisas, para só então se sentar.

— Não estou aqui pelo seu irmão, nem pelo meu. Eles que se virem com seus problemas. Encontrá-los enquanto vinha para cá, foi mera coincidência.

— Sei...

Foi minha vez de ser irônica.

— É sério. Estou aqui porque preciso da sua ajuda.

— Com o quê?

Abri a embalagem dos Cupcakes e lhe ofereci um, rezando para que negasse.

Ei! Não me julguem! Eles são raros, caros e deliciosos e só vem quatro na embalagem. E é óbvio que eu deixaria um para Antony. Então só sobrariam dois se ela comece um.

— Não. Obrigada! Ele me trouxe uma dessas. Deve ter imaginado que eu comeria os seus. Além disso, estou controlando os exageros. Preciso “entrar” num vestido, Bella.

Graças a Deus ela não aceitou! E não é que Edward estava mesmo surpreendendo.

— Já marcaram a data?

Peguei um bolinho, guardei os outros na geladeira, antes que mudasse de ideia, e voltei-me para perto dela.

— Hum!

A combinação da cobertura de chantilly, com a massa de baunilha e o recheio de chocolate causando uma explosão de sabores em meu paladar e me fazendo gemer de tanta satisfação.

— Pare de gemer! Você não faz meu tipo, mas é excitante te ver comendo... Ah, qual era a pergunta mesmo?... Ah sim, marcamos para o último fim de semana do mês que vem. Está muito em cima, eu sei. Mas, Jasper não quer esperar, nem eu, o vestido...

Apontou para o pequeno volume no baixo ventre.

— Pare de babar em mim. Sou comprometida.

Devolvi a provocação.

— Sua gravidez não é um problema, Alice. Ficará linda de qualquer jeito.

— Claro que é! Esqueceu que moramos em cidade pequena? Serei “o assunto” das beatas de padre Marcus por um ano. Preciso diminuir os danos. E é por isso que estou aqui.

Foi abrindo inúmeras revistas de vestidos de noiva, penteados, decorações de igrejas e Buffet de festa. Uma após a outra esparramadas bem em cima de todo meu material de trabalho.

Putz! Ah, não!

— Preciso da sua ajuda. “Jasper lavou as mãos”. Disse que não se importa com nada disso, contanto que eu apareça no dia e hora marcada. Mas, não é assim que funciona. Só casarei uma vez, é meu dia especial. Não pode ser decidido assim, do nada.

— Alice, não sou a melhor pessoa para isso, continuo não entendendo nada de moda.

— Isso não é verdade. Olhe só para você...

Apontou para mim. E, sério, eu não vestia nada demais. Um macacão, comprido, de Viscolycra estilo saruel que o deixava com impressão de uma saia longa, de um lilás bem clarinho e suave, quase um lavanda. Nos pés uma sandália baixa, estilo cigana, que amarrava nos tornozelos.

Como eu disse, nada demais.

— Não tem nada a ver com a moda o meu estilo, Alice. Tive um “empurrãozinho” anos atrás, e você sabe disso. Então resolvi que escolheria algumas peças que não fossem calças jeans e camisas. Desde então, experimento peças diferentes do que eu escolheria logo de cara. Se gosto, me sinto bem e é confortável, eu compro. Nada de seguir tendências ou ficar aficionada em blogs de moda ou no que influencers ditam. Aliás, nem tenho tempo para isso.

— Ai, Bellinha... Isso é moda, meu amor. E eu gosto da sua. Por isso... O que acha desse?

Apontou para um modelo de ombros nus e bem marcado na cintura, que era evidente que não cairia bem nela, nesse momento.

O mais interessante é que eu sabia, claro que eu sabia, que ela não precisava de minha ajuda. Certeza que era só mais uma maneira de dar mais um passo em direção a reconstrução de nossos laços.

— Hummm, acho que você vai ficar parecendo um “feijãozinho amarrado” com esse.

— Ah, feriu meus sentimentos, Bells.

Gargalhou brincando, mas no fundo concordando comigo.

Pronto! Era isso! Estava restabelecido.

Mais uma para a lista de “refeitos” da minha vida. E sinceramente? Era reconfortante! Um alívio!

Eu só tinha mais um ponto para resolver ainda com a família de Edward e consequentemente, com meu passado. Porém, Rósalie Cullen ainda era meu limite rígido. E só Deus sabe se um dia eu o resolveria.

Edward

Putz! Que ódio de Alice e seus planos mirabolantes!

Eu estava surtando? Claro que estava! Havia levado Bella ao limite na noite passada e ela simplesmente, se levantou e abriu a porta, me mandando sair, em silêncio. Na maior classe, “na maior finés”. Não teve “tchau”, nem beijo de boa noite, muito menos “bater de porta”.

Por Deus! A mulher queria mesmo me enlouquecer!

E só para constar, tive uma merda de noite insone e cheia de teorias mirabolantes. E o pior? É, ainda tinha mais... Ela não descera para a loja. Sim, fiquei vigiando. Sim, e não me envergonho, perdi a conta de quantas vezes quase invadi aquele apartamento em busca de um mínimo sinal de seu humor.

O que me segurou?

Além das mil mensagens ameaçadoras de Alice e Jasper? O “tal do bom-senso” e a promessa de minha irmã que “sondaria” minha namorada.

Deus! Sim, minha namorada. Ela havia aceitado. Devia ter sido uma noite de comemorações, onde eu reverenciaria seu corpo e sua alma com tudo que eu tinha e podia.

Mas, não foi. E, torno a repetir, não me arrependo. seria uma noite, apenas uma noite. Ao amanhecer, cada um voltaria para sua vida de “só namorados”. E, disso eu tenho certeza, não é o que quero.

Misericórdia, Pai! Por que Bella não entendia e facilitava minha vida?

Eu queria compromisso, casamento, família, rotina... Dormir e acordar junto. Fazer amor a noite toda sabendo que “amanhã” começaria o dia com mais uma “seção de bom dia” no chuveiro.

Queria Antony correndo descalço pela casa e a mãe dele cavalgando, de ponta a ponta, pela nossa fazenda.

Eu queria Certeza e Paz! Ainda mais agora com Benjamin e Jacob cercando.

Porém, parecia que o destino, o mundo estavam contra mim... Bella não queria o mesmo, ou para não ser injusto, ainda não estava pronta para o próximo passo.

Mas, se ela acha que isso seria motivo para minha desistência, só lamento. Nem que eu tivesse que comprar todos os cupcakes, chocolates, churrascos, queijos e vinhos do mundo... Essa mulher será minha de “papel passado”, ou não me chamo Edward Cullen.

— Ah, aqui está você, senhor Edward Cullen em pessoa! Será que pode me explicar isso?

Eu não disse? Esse é o meu nome. Até mesmo “dona irritada Esme” sabia.

— Boa tarde para você, mamãe. E para a senhora também, tia.

Corri os olhos pela sala dos médicos me certificando que estávamos mesmo sozinhos. Não seria uma conversa bonita e o que menos precisávamos era de uma platéia fofoqueira.

— Oi, querido.

Tia Renée veio até mim, Esme não. Sua raiva demonstrada nas folhas que jogou, na mesa, a minha frente.

— Não me venha com gracinhas ou bajulações. Eu exijo e mereço uma explicação.

— É claro que merece. Só não entendo a surpresa. A senhora sabia que isso aconteceria... Por que não se senta?

Fumegando de raiva, ela fez o que pedi. E só para ganhar tempo, atravessei a sala, e a tranquei. Depois peguei duas garrafas de água, no frigobar e servi as duas mulheres incríveis que me encaravam com muita curiosidade.

— Não é seu dia aqui. Por que veio? O que mais tem para me surpreender hoje, Edward?

Calmamente, voltei para perto delas e me acomodei, pronto para o que viria pela frente.

É, não era meu dia no hospital. Eu já atendia pouco ali. Num dia útil à tarde? Era menos provável ainda.

— Troquei alguns plantões. Não pretendo mais trabalhar a noite, nem nos fins de semana.

— Ah! Trocou assim... Do nada?

Estalou os dedos, bem na frente do meu rosto. O nível de irritação dela era imensurável.

— Esme!

— Mãe, esse é um procedimento comum entre os médicos daqui.

— E por isso ninguém me informou? Virou “casa de ninguém” esse hospital?

Ignorou o aviso de tia Renée. E destilou mais sua frustração em mim. Fiquei em silêncio e aceitei. Eu sabia que estava a ferindo muito com minhas decisões.

— Mãe, por favor... Sabemos que minha troca de horários não são os motivos de sua chateação. Por que não vai direto ao ponto?

— Ok, vamos mesmo “cravar mais a faca no coração de mamãe”. Porque sim, eu tinha a esperança de que sua demissão fosse uma brincadeira de muito mau gosto do RH.

Esperei... Eu precisava avaliar de perto a reação de tia Renée perante aquela novidade.

Nada! Nem um “levantar de sobrancelha”. Era óbvio que Esme já tinha compartilhado a boa nova.

— Não estou te entendendo, mãe. Já conversamos sobre isso inúmeras vezes. A senhora sabia que no momento em que Bella voltasse para minha vida, eu cumpriria minhas promessas.

— Eu tinha esperanças que mudasse de ideia já que está tudo correndo tão bem.

Como já era esperado, ela baixou a voz e o que era raiva pura passou para um choramingo lamurioso.

— Está?

Segurei suas mãos passando conforto.

Ao seu lado, minha sogra permaneceu inerte, porém muito atenta a nossa interação.

— Claro que está. Antony nos aceitou tão bem. E você e Bella já se resolveram também.

— Mãe, Emmett fez com que Bella deixasse a fazenda. Quanto tempo a senhora acha que ela conseguirá viver na cidade?

— Filho, isso não...

— Se disser que não é um problema meu, a conversa acaba aqui, Esme.

Levantei, de repente incomodado para o rumo que nossa conversa tomava. Enquanto isso, meus cabelos pagaram, pela busca do autocontrole. Eu queria arrancá-los.

É certo, eu ficaria careca em breve, e lógico que Bella me daria um pé... Exatamente como Marcus fala.

— Eu não ia dizer isso. Imagino como se sente. São um casal de novo. Problema de um, problema dos dois. Eu só acho, querido, que não precisa deixar o hospital para isso. Sei que está pensando no futuro, mas dá para conciliar, filho. Seu pai e eu fizemos isso à vida toda, Renée e Charlie também. Nós vínhamos para a cidade e eles ficavam na fazenda. Nunca deu problema. Não precisa sacrificar sua profissão. Vocês acharão um meio.

— Mãe...

Respirei fundo.

— Não há sacrifícios, a senhora sabe...

— A medicina sempre foi seu sonho.

— Ah, se eu pudesse voltar atrás, mãe... Meu sonho é Bella e Antony. Deveria ter sido sempre.

Fui até a janela. A sala dos médicos era no terceiro andar, o que proporcionava uma vista privilegiada da nossa pequena cidade. Inclusive da igreja de Marcus, da minha clínica e da loja de Bella.

De repente, me senti saudoso e ansioso. Precisava estar com ela o mais rápido possível, só para garantir que tudo estava bem e espantar de vez essa maldita insegurança que me corroia.

— E voltamos ao assunto, Esme. Eu quero Paz. Nada de correria, nem de dar notícias tristes todos os dias. Não quero horários desencontrados. Muito menos o risco de levar algo de perigoso para os que amo. Quero ver nascer, florescer e dar frutos, mãe.

Ela não teve reação, tia Renée muito menos. Por isso continuei expondo meu lado e contemplando o futuro sonhado.

— É hilário, não é? Eu que julguei tanto as escolhas dela.

— Filho...

Não parei, não a ouvi. Eu precisava completar meu raciocínio.

E vejam o que é mais interessante... Precisei perder Bella para entender que minha implicância com seus gostos era culpa minha, e só minha.

E eu precisava deixar isso claro para elas.

— Sabe, era tão difícil ver que Bella e Emmett eram as realizações do sonho do meu pai. E isso me fez refletir por anos e anos... Então, cheguei à conclusão de que escolhi a medicina por birra. Lembro de ter me encantando pela fazenda, pelo que faziam lá e pelo amor que sentiam, assim que coloquei os pés naquele lugar. Era maravilhoso, e eu sabia que era o que queria para minha vida inteira. Contudo, com o tempo notei que era a vida de Carlisle aquilo. E eu não queria agradá-lo de maneira nenhuma. Ele era um pai. E eu não tinha as melhores lembranças, nem o melhor exemplo daquela nomenclatura. Eu não ia realizar o sonho dele... Eu iria decepcioná-lo e a Medicina foi a escolha. Deu uma maneira cruel não escolhi o que ele desejava e ainda optei pela sua profissão. Claro que eu queria feri-lo. Era a minha maneira de mostrar o quanto eu preferia você, mãe.

Voltei minha atenção para as duas, que agora tinham os olhos rasos d’água.

— A minha estupidez era tanta, que não percebi, em momento algum, que ele não merecia “minha vingança”, por assim dizer. Por Deus! Ele só me acolheu e amou. Mas, a ignorância, rancor e traumas me cegavam. E quem pagou por isso também? Bella e consequentemente, Antony.

— Filho...

— Não, mãe. Não se compadeça de mim. Eu não mereço. A senhora sabe como Antony foi concebido? Bella já contou a senhora, tia?

Elas negaram.

— Graças a Deus. Porque não sei se seria capaz de encarar a decepção com que me olhariam se soubessem como eu era de verdade com Bella. Por isso dessa decisão, mãe. Eu precisei me tornar um “não pai” quando os Swan’s desapareceram para me dar conta de que estava agindo exatamente como o “bêbado agressor”. E não é isso que quero para ninguém. Quero ser livre, mãe. Quero realizar meu sonho e de Carlisle, meu pai de verdade. Quero mostrar a mulher que amo e a meu filho que sou mais do que esse jaleco branco. Quero ser feliz, mãe, e definitivamente, não serei enquanto não deixar essa vida para trás.

— Eu, eu... Meus sentimentos não importam? Eu me orgulho do que se tornou.

— Não, não se orgulha. Não me especializei, não tenho amor pela profissão, nem faço isso por gosto. Estou “empurrando” essa vida, mãe. Você já teve sua cota de filho médico o bastante. Agora, por favor, deixe-me pensar em mim, no meu pai e nos meus amores?

— Ah, filho, eu te amo tanto!

Dessa vez foi impossível prevê-la e pará-la antes que fechasse os braços envoltos de mim, consolando.

— Desculpe minha atitude de agora a pouco, é lógico que entendo seus motivos. Mas, saber que vai começar do zero, me deixa apreensiva.

Alisou meus cabelos e beijou minha bochecha carinhosamente. Aquele gesto me lembrava infância e amor, foi assim que Esme me conquistou de primeira.

— Bella já sabe?

Tia Renée se aproximou e apertou meu ombro. Seu olhar era de puro orgulho e expectativa.

— Não. E eu ficaria imensamente feliz se não contassem. Quero fazer uma surpresa.

— Pode ser um “tiro no pé”, você sabe. Minha filha surpreende até a mim, às vezes.

— Vou correr o risco, tia. O máximo que pode acontecer e ela atirar alguma coisa em minha cabeça. E quanto a isso, mamãe diz que a minha é dura pra caramba.

— E é mesmo. Olha só para essa situação.

Esme já sorria em meio às lágrimas. E o melhor é que não havia traços de decepções em sua feição. Contudo, orgulho, estava mais do que estampado ali.

E, mais uma vez em anos, eu sabia que estava no caminho certo.

E que aquilo virasse rotina em minha vida!

— E como será essa transição? Os compromissos com o hospital foram cancelados já? E a clínica, vai fechar?

— Calma, mãe. Vamos devagar porque tenho um longo caminho pela frente. Não, não cancelei nenhum compromisso social que assumi com o hospital. Vou cumprir todos. Quanto à clínica, não vou fechar. Não dá para “viver de brisa” enquanto não estou pronto para me dedicar totalmente a meus planos.

— Dinheiro é o de menos, querido. Nós...

—Não! Pode parar, Esme. Tenho tudo bem traçado e já sei como conduzir. A única coisa que preciso de vocês é o apoio. O resto eu ajeito.

Ela não pode dizer nada. Sabia que apesar de tudo eu continuava controlado e orgulhoso. Se tomara uma decisão daquelas é porque já tinha tudo mais do que planejado.

— Estou orgulhosa de você, filho. Um pouco frustrada também, confesso. Mas o orgulho fala mais alto.

— Obrigada, mãe. Eu sabia que me entenderia.

E sabia mesmo. Esme era meu porto seguro. Estar afiado com a aprovação dela era certeza de um futuro tão sonhado pela frente.

E isso era tudo que eu mais queria agora.

Bella

— Espera, deixa ver se entendi: Você quer levar seus “mostrinhos” para visitar as obras da represa? Perdeu o juízo?

Afh! Senhor, dai-me paciência!

— Jas, eles não têm quinze anos. São todos adultos. E quero que vejam, na prática, que dá para fazer Agropecuária com consciência e preservação.

— Nem pensar! Eles podem não ser adolescentes na idade, mas na cabeça são. Se cometerem um deslize lá corremos o risco de suspenderem as obras e, tempo é dinheiro, maninha.

Ah, eu odiava quando ele vinha com seu jeito administrador para cima de mim. Não era bem assim que as coisas funcionavam.

— E informação é vida, irmão. E, você sabe, eu não estava pedindo, não preciso disso. Só estava te informando, que vou levar uma turma para conhecer as obras.

— Rá, só passando por cima do meu cadáver.

Comentou, jogando o braço por cima do meu ombro tentando ser brincalhão, mas falhando miseravelmente quando uma ruguinha se formou entre as sobrancelhas.

Por que ele não relaxava?

— Vai medir forças comigo? Posso ligar para vovó, papai, tio Carlisle, Alice, Edward...

— Vixi, titio, mamãe ganhou. O vovô do Tony e o papai, “falão” tudo que ela “queler”.

— É “que ela quiser”, seu Pestinha. E não precisa jogar isso na minha cara. Sei que todo mundo ama sua mãe mesmo.

— Fazer o quê se ela é “ninda”, né titio?

— Rá!

Estirei a língua para meu irmão, parecendo mesmo criança, enquanto descíamos os últimos degraus que levariam a rua.

— Linda e teimosa, Tony. Exatamente igual o filhinho dela. Irmã, irmã, essa coisa de misturar os trabalhos não dá certo. Deixe seus aluninhos longe das nossas terras.

— Nem pensar.

Destravei o portão e chegamos à calçada. Meu carro permanecia estacionado bem de frente a loja já que não havia guardado, pois o usaria de novo para ir à faculdade.

— Hum! “Pol que” Tony não vai ficar com o papai hoje?

— Deve ser porque sua mãe o colocou para correr ontem. E, além disso... Hei! Está fazendo pouco caso da minha companhia, hein, seu Sapeca?

— Ai, titio! Para!

Aproveitei que ele pegou Antony para fazer cócegas e lhe dei uma cotovelada. Será que dava para falar menos?

Jasper estava impossível esses dias.

— O quê? Só falei a verdade.

— Não, titio! Não falou. A mamãe não “cole” nem coloca ninguém para “coler” ela é “sedentália. Lembla?

Riu mais quando Jasper concordou se lembrando de uma conversa nossa há tempos onde tive que explicar a Antony porque me considerava uma sedentária.

E daí se eu odiava atividades físicas? Experimenta levantar as 4:30hs da manhã e dormir lá pelas 1:00hs quase todas as noites. E ainda permear seus dias com afazeres pesados da fazenda, da loja e da universidade? Onde eu encontraria ânimo e tempo para isso?

— Amor, “colocar para correr” é só uma forma de dizer que seu pai foi embora rápido. Não deixe que seu tio o confunda. Quanto a seu pai, ele, com certeza, está ocupado. Deve vir mais tarde. Não se preocupe. Agora, seja um bom garoto e cuide do seu tio.

Meu irmão levantou as sobrancelhas, mas o ignorei. Suas piadinhas estavam me irritando mais do que o normal hoje.

— Está indo mais cedo, maninha, muito mais cedo. Tudo isso para evitar “assuntos não resolvidos” com o ex, atual peguete.

Gente, eu o odiava. Certeza!

Onde está Emmett, pelo amor de Deus?!

— Edward e eu estamos num relacionamento, Jas. Quer parar? Não tem graça.

— Um relacionamento é? Sei. Então acho que vou fazer Alice esperar mais uns dois meses. Até lá, quem sabe as coisas mudam e economizamos para uma festa só e...

— Em seus sonhos, de novo, idiota. Agora me deixe ir, porque vou a coordenação planejar a visita a represa.

Imediatamente ele fechou a cara. E eu teria gargalhado se não fosse...

— Papai! Você veio. Tony já tava “pleocupado”!

— Oi, Campeão. Não precisava se preocupar. Já estou aqui. Vão sair?

Pegou nosso filho, o abraçou e beijou com muito carinho.

— Não. Só viemos “tazer” a mamãe no “poltão”. Tony achou que ia ficar com titio Jas hoje. Papai tá “atlasado”.

— Não estou, não. Pode ficar calmo e falar devagar, filho. Estou aqui. Sua mãe é se adiantou.

Conferiu o relógio antes de cravar os olhos em mim, com mil perguntas mudas que eu não estava nem um pouco a fim de responder.

— Fim de semestre... E tenho um projeto, junto com Jasper, que precisa da aprovação da coordenação.

— Sei...

Ignorou o resmungo de meu irmão, se aproximou, segurou minha cintura e puxou meu corpo para junto do seu.

— Quer dizer então que, essa pressa não tem nada a ver com você me evitando e fugindo o dia todo?

Encostou a testa na minha, deixando-me sem ar tamanha intensidade e dúvidas no olhar.

— Não te evitei. Como disse só estou mais atarefada que o normal com o fim do ano letivo. É vestibular a vista, provas, trabalhos de conclusão de cursos, estágios...

Tá, era balela mesmo! Minha vida na universidade estava muito bem organizada. E claro que ele fingiu que acreditou. Mas que culpa eu tinha de ficar apavorada com cada joguinho de sedução dele?

— Então ainda bem que logo, logo estará de férias e livre da maioria dessas coisas. Estou louco para” parar de contar os minutos” com vocês.

— Eu também.

Tomando a iniciativa, coisa que eu pouco fazia desde que voltamos, juntei meus lábios no dele, num beijinho doce e demorado. Apesar da vontade evidente, era o máximo que teríamos, com nosso filho bem ali, em nosso meio.

— Filhote...

Ele se afastou cedo demais.

— Papai precisa de um favor: será que pode ficar com titio Jasper enquanto levo sua mãe na faculdade? Vai ser rapidinho, prometo.

— Como assim? Papai...

— Não, Edward. Vou dirigindo. Como vou voltar? Conversamos quando eu chegar, mais tarde.

O que ele estava pensando e fazendo?

— Eu te busco. Antony já terá dormido.

— Não precisa eu...

— Bella...

Foi a única coisa que ele disse, e eu não sei porquê, mas tinha urgência e súplica em suas intenções. E eu odiava ser a causadora daquilo.

— Ok.

— Não, papai. Tony quer ir levar a mamãe no “tabalho” com você. A gente volta “lapidinho” o titio Jas nem vai sentir saudade.

— Ei, claro que vou! E, aliás, tenho que te mostrar as fotos dos animais que a equipe já está recolhendo das áreas da represa, para soltar na reserva. Seu vovô quer que você ajude a catalogar. Podemos fazer isso enquanto seus pais estão fora. O que acha?

Não dando a Antony a oportunidade de pensar direito, Jasper o pegou de Edward e já foi caminhando para nosso prédio.

— Ah, o vovô do Tony “plecisa” dele. Tchau, mamãe. Até daqui a pouco, papai. Vou deixar uns “passalinhos” para você “calatocar”.

— Beijos, filho. Seja bom.

— Se comporte eu já volto e vamos falar muito desses passarinhos.

— Tony “semple” é.

Comportado ou bom? Fiquei na dúvida de quem ele respondia.

Porém, meu irmão não perdeu tempo e o arrastou para dentro.

— Obrigado, Jasper.

— Me agradeça depois, Cullen. Me deve uma grande. Talvez deva me pagar convencendo essa maluca a deixar seus aluninhos bem longe de nossas terras.

— Chato! Repetitivo...

Provocou já travando o portão e como não sou de deixar nada barato.

— Pagarei com juros. Pode cobrar.

Edward não deixou por menos enquanto me guiava até a porta do passageiro.

— Agora você não me escapa, Swan.

— Devo me preocupar com esse pedido? Porque como Antony disse, posso muito bem ir dirigindo.

— Claro que não!

Ajudou-me a entrar na camionete, impecavelmente limpa.

— Só queria aproveitar a oportunidade de te exibir e demarcar território. Seus alunos, com hormônios em ebulição, precisam saber que não está disponível.

Virei-me para ele, completamente indignada, enquanto já dava partida e sorria bobo.

— O quê? Mudei muito, Bella, isso é fato. Porém, uma coisa continua igual. Os ciúmes de você. Já basta Jacob e Benjamin cercando.

— Não precisa demarcar nada. Olha o tamanho de Forks, Edward. Tomo mundo aqui sabe que estamos juntos de novo. Isso é ignorância. Ninguém é páreo para... Ei! Este não é o caminho. Edward?!

Perdi o raciocínio quando ele fez uma, duas, três, quatro curvas, fazendo o retorno completo e nos trazendo de volta para a nossa rua. A única diferença era que agora estávamos de frente ao portão da garagem, subterrânea, da clínica dele.

— Você passou o dia fugindo de mim, sem que eu pudesse fazer nada. Mas, isso acaba agora.

Falou baixo e convicto, desafiando-me mesmo a discordar.

— Mas, eu tenho horário, Edward. Podemos...

— Não! Shiiii! Caladinha! Venha aqui. Prometo que não vai se atrasar.

Desceu, deu a volta, soltou meu cinto, me pegou no colo e levou para frente do carro.

Depois me colocou sobre o “capô” e se acomodou entre minhas pernas.

— Pronto! Agora não tem como me mandar embora, muito menos me manter longe. Está presa a mim.

Comprovando sua teoria, deixou uma mão em minha cintura, abraçando-me. A outra migrou para meu rosto a fim de acariciar e me conservar parada. Todos os meus movimentos estavam restringidos também graças ao peso de seu corpo pressionando o meu.

— Amor, não me entenda mal, mas não vou pedir desculpa por ontem.

— Mas...

— Não! Minha vez.

Pressionou o indicador sob meus lábios.

— Não farei isso porque não me arrependo, Bella. Quero tudo com você e quero para agora. Minhas atitudes são um jogo? Claro que são! Descobri que te seduzindo você cede e vou usar isso. Minhas armas são limitadas. Seria tão mais fácil se você só dissesse sim.

A última parte foi dita numa lamúria que mais pareceu uma criança birrenta a quem lhe foi negado um chocolate.

— Está indo rápido demais, Edward. Eu não disse não, para nenhum de seus pedidos. Custa curtirmos cada etapa?

— Custa se levarmos em consideração que namoramos desde que você tinha 13. E que depois perdi anos seus e de Antony? Não quero mais ficar de “namorico”. Quero compromisso, Bella. Aliás, retiro a proposta que fiz ontem. A ideia original era ir pedindo em etapas. Seduzindo-te, você aceitando e eu aumentando a oferta logo após. Mas, já percebi que isso não vai funcionar com você, porque vai surtar toda vez. Então... Vamos direto para o fim: casa comigo?

— Ah...

Perdi o fôlego e as palavras...

— Putz, Edward! Qual a parte do “indo rápido demais”, você não entendeu? Desde que voltamos nossa vida tem se tornado um turbilhão de emoções sem sentido. Estamos atropelando as coisas, entenda isso.

— Não, não estamos. Te amo, Bella. E você, se nada mudou, também me ama. Juro que te farei feliz. Assino um contrato se quiser. Somos adultos e independentes agora. Não devemos nada a ninguém. Por que está sendo covarde? Você já sabia que nos casaríamos desde sempre. Aceite meu pedido.

— Para “amanhã” você se cansar de nós e pedir o divórcio? Não!

Fiz aspas, com a mão, enfatizando o amanhã e agarrei seus cabelos o mantendo imóvel. Impedindo-o de me distrair com aquela boca que não deixava meu pescoço em paz.

— Como vai ter divórcio se Marcus nos abençoará? “O que Deus unir o homem não separará”. Além disso, seja boazinha e confie em nós. Vamos... Quero que conheça nossa casa, no fim de semana e que já me diga quais mudanças devo fazer para recebê-los.

— Ah! Idiota! Manipulador! Aquela casa é meu sonho.

— Linda! Gostosa! Cheirosa! Te amo! Será minha, Bells. Para sempre, não relute.

— Cedo demais...

Tentei que a voz soasse convicta, e falhei miseravelmente porque era evidente que ele já usava sua arma infalível: a sedução.

E eu, que não sou boba nem nada, estava pronta para aceitar tudo que ele me ofertava.

Porque, certo, estou convicta disso: posso estar me segurando, mas por dentro o coração estremecia de saber que ele implorava por nossa vida a dois. Tão diferente do passado.

Oras! E a quem eu queria enganar? Era óbvio que aceitaria. Por Deus! Amo esse homem desde os 13.

— Estamos no tempo certo! Seja minha?

— Nããoo!

Sorri em meio à negativa falha, já sentindo os primeiros arrepios quando suas mãos desceram para minhas pernas e começaram a subir meu vestido.

— Eu e eminha relação de amor e ódio com seu novo guarda-roupa... Ah, Linda, diga sim...

— Não! Pare de falar e faça amor comigo.

Ordenei ou será que choraminguei?

— Casa comigo? Diga sim e faço Amor com você três vezes ao dia e a noite à vontade.

Passou os polegares pela minha calcinha e a puxou até retirá-la por completo.

Senhor! Eu estava exposta na garagem da clínica.

— Por Deus, homem! Nem passamos pelo noivado e você já quer casar.

— Hum, casamento é meu alvo fim. Para quê perder tempo? Compromisso, Linda, compromisso.

— Edward...

— Não! Sinta. Com a alma e então dirá sim até para as perguntas que não fiz.

Empurrou meu corpo para trás, até que eu me deitasse completamente. Depois puxou minhas pernas, as colocando sobre o carro.

— Câmeras...

Murmurei, quase sem fôlego, quando seus dedos começaram a rodear a parte de dentro de minhas pernas.

— Não se preocupe, conheço o dono.

Brincou antes de me olhar safado e literalmente baixar a boca em mim.

— Ahhh...

É, perdi os sentidos.

Ele não teve pena. Judiou com força, sugando, beijando e lambendo cada parte de minha intimidade super sensível e morta de saudade dele.

— Edward!

Gemi mais. E ele nem se deu por vencido. Continuou seu trabalho e quando achei que não podia ficar melhor... Ele introduziu os dedos. A boca nunca deixando o clitóris.

— Ahhh!

A boca dele era poderosa, é verdade, contudo o que me fazia ver estrelas mesmo era a emoção e o cuidado que emanava.

— Por Deus, Edward!

— Seja minha e venerarei seu corpo todos os dias. Será a mulher mais satisfeita desse mundo, Amor. Casa comigo?

— Você não está jogando limpo. Não consigo raciocinar quando usa sexo como arma.

— Não é sexo, é sentimento. E claro que posso usar. Aliás, não uso isso a meu favor, uso o que ele faz com você. Quer ver?

— Não.

Foi uma resposta inútil para uma pergunta retrógrada porque ele nem se importou. Não parou. Pelo contrário, intensificou os toques sempre revezando entre mordiscadas, sopros, e beijos para lá de provocantes.

— Eu, eu... Ah!

— Incoerente... Seja clara, Linda. Isso foi um sim?

Putz! Ele parou!

E se não estivesse com a visão tão turva de desejo, juro por Deus que o teria esmurrado;

— Por favor, por favor...

Tentei me levantar, mas fui impedida pelas sensações quando voltou a me atacar.

— Tudo para você, Bells. Só para você.

— Por favor.

Voltei a implorar quando a loucura do desejo redobrou de intensidade e tomou forma.

Eu estava na borda.

— Sou seu. Tudo que faço é pensando em você. Seja minha, Bella? Case comigo?

— Sim! Jesus, sim!

Gritei atingindo o ápice da saciedade.

Era incrível! Uma plenitude e felicidade inexplicável se apossando totalmente de mim.

Eu faria o que ele quisesse só para ter mais um pouquinho daquilo.

— Diz, diz de novo só para eu ter certeza de que está consciente e que é real.

Me puxou para seu colo, me abraçou e beijou com força atiçando outra vez minha libido, ao sentir meu gosto misturado com o seu.

— Eu caso. Sim.

Respondi em meio a suspiros, porque era o máximo que conseguiria falar naquele momento.

— Ah, Isabella Swan, eu te amo! E juro por Deus que nunca se arrependerá por essa chance.

Eu sabia. Minha relutância não tinha nada a ver com desconfiança ou insegurança quanto às intenções e sentimentos dele. Eu só queria mesmo ir mais devagar.

Contudo, também o entendia. Ele perdeu uma vida nossa. Antony e eu temos uma conexão que só se tornou real graças à convivência e Edward merecia isso também.

E sério, a quem eu quero enganar? Amo esse homem desde sempre. Só se fosse louca para não casar com ele.

— Agora, vamos ali tomar um banho. Porque meu cheiro está impregnado em você, além dessa expressão de... satisfação. Se bem que seria a minha glória saber que está dando aula, passando por entre “seus alunos tarados” emanando minha essência.

— Idiota! Me leva daqui.

Ele gargalhou e gargalhou alto de uma maneira que eu quase não via mais. Parecia que minha resposta havia o transformado, para melhor, e retirado um fardo de seus ombros.

Aquele era o Edward Cullen que o mundo merecia conhecer. E eu faria questão de trazê-lo sempre para a superfície.

Tânia

— Ficou bom.

— Bom é muita bondade de sua parte, senhora. Ainda precisa de uns reparos grandes. O banheiro está mofado e o vazamento da cozinha pode ser catastrófico se não for reparado rápido.

Ah, o que era um mofinho daquele? Estava passando de bom para o que eu tinha em mente.

— Certo. Entro em contato quando resolvermos ajeitar. Onde está a chave? O último inquilino deixou o último pagamento?

— Sim, na portaria. Aqui, a chave...

Estendeu-me um item enferrujado e amarrado por um pedaço de pano velho.

Argh! Eu quis borrifar álcool por toda aquela imundice.

Onde papai estava com a cabeça quando supôs que algum dia eu gostaria daquela espelunca.

— Obrigada! E não esqueça, minha mudança para cá é totalmente sigilosa. Quero surpreender meus pais. Eles são do tipo que acham que os filhos só se tornam independestes quando se mudam para a própria casa.

Menti, mas ele, claro que acreditou. Porque ninguém duvidava de Tânia Volturi.

— Certo. Vai ser uma bela surpresa.

— Se vai...

Fechei a porta atrás de mim, literalmente batendo na cara daquele sindico banana.

Eu precisava de um tempinho sozinha para arquitetar melhor como faria tudo que levaria a mim e minha família de volta a nata da sociedade não só dessa cidadezinha medíocre, mas de todo o país.

Notas finais
Bom, é isso. Para quem perguntou no Insta, sim, a fic tá em reta final. Se preparem! Perdão pelo sumiço, Maio, graças a Deus, é corrido demais para comerciantes. Mas, acho que agora voltamos ao normal. Prometo que colocarei os comentários em dia. Beijinhos e até breve. Carla Kodel