Quando o passado não te deixa viver
48 O plano por trás do Plano
Notas iniciais
Bella
— Como assim? Não sabe?
O Topor... Santo Deus! Eu o sentia querendo me dominar e abraçar como uma sombra tomando corpo a minha frente.
Eu queria fechar os olhos e dormir de novo. Era um pesadelo?
— Eu... Bella... Rósalie me atacou, eu desmaiei e... perdi a hora de busca-lo na escola. Só acordei agora e...
— NÃO! Eu não acredito nisso!
Não! O topor não viria. Eu era uma mãe. Por mais que a vontade de me deixar dominar fosse grande, ela não me venceria. Não sem lutar, pelo menos.
Era Meu Pequeno sozinho em algum lugar, eu precisava agir e me desesperar depois.
— Vamos. Me explica no caminho e você...
Apontei com o dedo para a “muda” de minha cunhada a nossa frente.
— Não saia daqui. Teremos uma conversinha, de uma vez por todas, quando voltar.
Não esperei por uma resposta, sabia que não me desobedeceria. Ela estava estática demais para isso.
Voltei para a camionete e a coloquei em movimento antes que Edward fechasse a porta direito.
— Desembucha, Cullen!
Fiz uma conversão totalmente desaconselhável ali na rua mesmo, quase esbarrando em Rósalie, e então enfiei o pé no acelerador.
Só rezava a Deus para que alma bendita ainda estivesse com Antony na porta da escola.
— Eu não sei o que deu em Rósalie hoje. Ela incomodou Jéssica o dia todo querendo falar comigo, ligou em meu celular até que bloquei seu número. E então, à tardinha quando eu saia para buscar nosso filho, a encontrei na recepção com a porta fechada e uma expressão aterrorizada.
Passei pelos cruzamentos mal diminuindo a velocidade, precisava chegar rápido.
Nem Edward com o corpo debruçado e as mãos nervosas no cabelo, tirou minha concentração. Eu estava focada.
— E...
Instiguei-o a continuar.
— E então quando tentei sair ela, me barrou e começou a dizer algo sobre Tânia.
Tânia?! Santo Deus!
Suor frio começou a se acumular na base de minha espinha.
— Eu não dei importância, estava em cima da hora. Então a tirei do lugar e aí...
Respirou pesadamente e puxou, com violência, mais algumas mexas dos cabelos.
— Quando estava prestes a sair, ela me atacou com alguma coisa e eu desmaiei, só acordando naquela hora que você viu. Eu, eu... Me perdoe. Eu...
— Não! Nada de lamúria agora. Vamos resolver isso. Depois discutimos o que faremos a respeito.
O cortei. Não queria pensar, queria correr e encontrar meu filho. Tanto que quando virei o último quarteirão, quase voando, os pneus fritaram quando freei bruscamente e ainda acionei o freio de mão. Eu tinha pressa!
— Por aqui.
Me dirigi ao portão principal. Rezando, orando, implorando... Porém...
— Ah, Deus!
Nada! Vazio e escuro. A guarita, que abrigava o porteiro na entrada, num breu fantasmagórico que gelou minha alma.
— Seus irmãos... Talvez, talvez, a escola tenha ligado para algum, quando ninguém apareceu e...
— Ligue para Jasper, falarei com Emm.
O cortei já com o celular nas mãos.
— Ei Bells, sentiu saudade? Espero que esteja ligando para dizer que conquistou o novo cliente e que a carta de crédito dele será enorme e...
— Emm, onde você está? Antony está com você? Você o buscou na escola?
Dois segundos do silêncio dele foi o que bastou para que eu tivesse minha resposta.
— Estou na Sonho Azul, oras! E como assim, Tony está comigo? Edward não o buscaria? O que aconteceu, Bella? Onde está?
— Espera, Emmett. Já falo com você.
— Não ouse desligar, Isabella. E...
Afastei o aparelho e me concentrei na conversa de Edward com meu outro irmão.
— Certo! Não Jasper, você avisou. Eu é que tive um contratempo aqui. Espere só um minuto...
Foi a vez de Edward me olhar com cautela e negar.
— Nada. A escola não ligou para ele, nem Alice e pelo jeito para ninguém da Paraíso já que eles estão lá jantando com papai e mamãe.
E de novo eu quis acordar, contudo...
— Os deixe em alerta. Vou contar a Emmett e logo ligarei para a professora.
Voltei a apertar o telefone entre os dedos.
— Emm, eu...
— Que foi essa conversa que Edward falou? Com quem estão falando? Onde está Antony? Por que vai ligar para a professora?
— Por favor, venham para cá. Não sabemos onde Antony está. Rósalie atacou Edward e ele ficou apagado por mais de uma hora. Antony não está na escola e com nenhum de vocês. Por favor, eu...
— Estamos indo.
E sem mais, desligou o telefone.
— Ligue, agora. Você tem o número?
Assenti me lembrando das tantas vezes que a mulher me mandou mensagem contando do desenvolvimento avançado de meu filho.
— Alô? Isabella?
— OI, Mia. Perdão por te incomodar há essa hora, mas é um caso de urgência. Por favor, me diz que Antony está com você ou com alguém da escola?
A mulher também ficou quieta por alguns segundos, talvez tentando entender o que eu falava.
— Perdão, Bella, não entendi direito. A aula acabou já faz um tempo. Por que Antony estaria conosco? Quando eu saí ele estava esperando vocês na portaria. O que aconteceu?
— Nenhum de nós o pegou, Mia. E ele não está em lugar algum.
Ouvi seu arquejo de surpresa. Certamente absorvendo a notícia.
— Ok, calma. Vou ligar para o porteiro. Ele estava com Antony quando saí. Já te retorno. Se não estiver com ele, certamente que saberá com quem saiu. Fique calma! Não vamos nos desesperar antes da hora.
— Tá. Aguardo sua ligação.
Ela desligou sem dizer mais nada. E eu queria, juro por Deus que queria muito não me desesperar, porém algo me dizia que estávamos à beira do inferno.
— Não está com ela.
Dei as costas a Edward e voltei para o carro, pronta para sair dali e voltar para o apartamento, porque se algum conhecido estivesse com meu filho, obviamente que o levaria para casa.
— Bella? Espere, não podemos...
Não o escutei. Minha mente estava nublada e uma dor dilacerante permanecia na borda pronta para transbordar. Meu coração gritava que Edward não tinha culpa, contudo, eu não conseguia raciocinar.
— Estou voltando para casa. Se quiser ficar, fique.
Fui rude, muito mais do que devia. Mas, por Deus! Era o meu menino perdido em algum lugar.
— Eu...
Abriu a porta e sentou-se a meu lado no instante que arranquei de volta, a toda velocidade, pelas ruas estreitas e úmidas de Forks.
— Me desculpe, eu...
— Te desculpar? Te desculpar? Você tinha uma missão, uma única missão. Com criança não se pode falhar.
Disse alto batendo no volante violentamente quando o maldito sinal ficou vermelho.
— Ele está em algum lugar, sem nenhum conhecido. Pensa, pelo amor de Deus, ele é um bebê praticamente. Não sabe se defender. Se ele, se ele...
Sussurrei a última parte deixando que o medo me dominasse por completo.
— Não vai! Vamos encontrá-lo. Tenha fé. Talvez só esteja com o porteiro mesmo. precisamos esperar notícias.
E como se suas palavras tivessem poder, quando parei de volta em frente à loja, meu celular tocou, era a professora.
— Mia?
— Oi Bella, consegui falar com o porteiro. Ele se surpreendeu quando contei que você estava procurando por Antony. Por acaso, se esqueceu de que ligou avisando que outra pessoa ia pegá-lo?
— Como? Eu não liguei para lugar algum, Mia. Estava no meio do nada com um pneu furado.
— Como não? O porteiro afirmou, com todas as letras, que você ligou dizendo que uma tia de Antony iria pegá-lo. E foi isso que aconteceu. Ele disse que até o colocou dentro de um carro de uma loira bonita. Creio que seja a irmã de Edward. Rósalie o nome dela, não é?
Sem que eu me segurasse mais, o telefone deslizou de minhas mãos e se chocou com o piso do carro. Nem percebi quando Edward o pegou e voltou a conversar com mulher. Tudo porque...
Do outro lado da rua Rósalie se mantinha sentada na calçada, com a mãos na cabeça e numa pose de desilusão sem fim.
Se Edward estivesse certo, ela estivera com ele a tarde toda. Não poderia ter pegado Antony. E se uma loura o fez...
— Certo, Mia. Obrigado. A manteremos informada. E nos ligue se alguma mãe viu algo.
Ele desligou a chamada e voltou a atenção para mim.
— Expliquei que nenhum de nós pegou Antony. Ela se assustou e vai ligar para as outras famílias perguntando se alguém está com ele ou o viu.
— Tânia o pegou.
Sussurrei baixo.
— O quê?
— O porteiro disse que uma loira o pegou e disse que era tia dele. E não parece que sua irmã o fez. Então...
Voltei a encarar a irmã de Edward que agora nos olhava com apreensão ao perceber que não havíamos encontrado nosso filho
Edward
Sem que eu soubesse como, desci do carro, dei a volta e corri de encontro a vadia que trouxera a destruição de minha vida, outra vez.
— EU VOU MATAR VOCÊ! EU DISSE QUE SE ALGO ACONTECESSE COM ELE EU TE MATARIA.
Atravessei correndo os poucos metros que nos separavam e antes que tivesse tempo de reagir e se defender ou fugir, a agarrei pelos cabelos e a coloquei de pé, sacudindo seus ombros violentamente.
— O QUE FIZERAM COM ELE? ONDE VOCÊ E SUA AMIGUINHA O ESCONDERAM? FALE AGORA E TE DOU UMA MORTE RÁPIDA, RÓSALIE!
Gritei. O ódio me dominava.
— Eu não sei do que está falando, me solte seu maluco.
Ela tentava se afastar, mas era em vão, minha altura e força eram superiores à dela.
— Ah, eu vou soltar e farei isso agora.
Ela quase quis respirar aliviada, quase... se minhas não tivessem migrado para seu pescoço com força extrema.
— Eu vou estrangular você se não começar a falar. VAMOS! DIGA! ONDE ELE ESTÁ?
—Edward! Pare, pelo amor de Deus! Você vai matá-la! Está sufocando.
Nem percebi quando Bella veio correndo em minha direção e tentava, inutilmente, segurar meu braço.
— Não importa, Bella. Ela merece! Tânia está com nosso filho e acha que fez isso sozinha? Ela me prendeu no consultório me impedindo de chegar à escola na hora certa. Encaixe as peças.
— Eu não... Edward, está machucando.
Apertei mais, queria ver a vida dela se esvaindo pelas minhas mãos. Hoje ela pagaria por tudo que nos causou.
— O atendimento tão longe, meu pneu furado... Por Deus! Foi tudo arquitetado!
Bella murmurou mais alguma coisa que não prestei muita atenção. Estava ocupado demais dominado pela raiva.
— VAMOS! DIGA! ONDE ELE ESTÁ?
— Eu não sei. Pelo amor de Deus, estava com você. Eu não sei...
— Resposta errada, vadia!
Sussurrei. E ela deve ter percebido o que eu faria, já que fechou os olhos e soltou as mãos que tentava soltar as minhas de seu corpo.
Ela desistiu do inevitável.
— EDWARD, PARE!
Bella voltou a gritar quando o Rósalie começo a abrir a boca, em busca de ar, em uma procura inútil.
Mas, eu não parei! A queria morta e queria agora.
— Vá prestar conta no inferno, vadia!
— NÃO! FILHO, PARE! VOCÊ NÃO É UM ASSASSINO! POR FAVOR.
Era o grito de Esme me alertando para outros tantos barulhos a nosso redor.
— Por favor, ajudem. Ele vai matá-la.
Bella não precisou pedir duas vezes, logo Emmett e Jasper estavam a meu lado. Um segurou meu pescoço, num mata leão horrível, enquanto o outro segurava meus dedos os forçando a soltá-la.
— Parem! Vocês não... ela... Tânia pegou Antony com a ajudada dela.
Com muito custo a soltei e segurei os braços de Emmett que me imobilizavam, com dificuldade.
— E mortos não falam. Precisamos que ela diga o que sabe. Pelo Amor de Deus, homem! Se acalme. Vamos arrancar as informações dela, depois te ajudo a esconder o corpo... EDWARD! Olhe para mim!
Emmett gritou me virando e segundo meus braços, fazendo com que eu o encarasse e voltasse a mim.
— Se concentre, irmão. É seu filho que está em algum lugar, sozinho. Sem nenhum de nós. Se concentre.
E no segundo que o olhei, não ouve mais luta, fechei os braços a sua volta e chorei, chorei tudo que sabia e podia e ele não me julgaria, pois sabia exatamente o que estava sentindo.
— Ah, irmão! Vamos achar nosso menino, eu te prometo.
Emmett me segurou mais forte e sustentou por tanto tempo que parecia que tudo havia parado ao nosso redor. A não ser, claro, pelos murmúrios de Charlie e Renée conversando com Bella e de Carlisle e Esme interrogado uma Rósalie que chorava de soluçar.
Que morresse sufocada. Eu nunca a perdoaria por mais essa traição.
Bella
— Aqui, beba isso. Você precisa se acalmar para lembrar dos detalhes. Jasper está chamando a polícia.
— Não! Não vou se pagada, mãe.
Empurrei o copo que Renée teimava em me entregar.
— Água com açúcar, que eu saiba, não derruba ninguém. Eu não faria isso, com você filha. Nunca tiraria sua consciência numa situação como essa.
— Obrigada, mãe. Eu, não sei o que fazer eu...
Ela se sentou a meu lado.
Com muita dificuldade, nossos familiares nos arrastaram escadas acima, para nosso apartamento. E agora nos interrogavam ainda tentando entender como chegamos a essa circunstância.
— Filha, você, hora nenhuma, percebeu que era uma armação? Que o homem, lá da fazenda, estava a seguindo?
Acenei negativamente com a cabeça.
— Pai, eles tinham um animal ferido de verdade. E não era um ferimento armado. Uma broca e das grandes. Fiz o diagnóstico, peguei minhas coisas e tentava voltar quando percebi que tinha um pneu furado, rasgado, aliás. Mesmo com o estado do pneu, nunca pensei que poderia ter algo por trás. Achava só que tinha dois escrotos naquela família. Só me dei conta das coincidências quando Edward contou que foi impedido de sair. Por Deus, pai! Eu fui uma idiota irresponsável!
Segurei os cabelos e baixei a cabeça. A culpa me inundava.
— Pare, querida! Não adianta nada se martirizar agora. Precisamos é encontrar os culpados.
Esme sentou-se do meu outro lado e afagou minha cabeça. Porém, seus olhos estavam em Edward que também falava desesperado com o pai e meu irmão.
Alice, pelo que parece, estava com Rósalie na cozinha, a vigiando. Mas bem longe das minhas vistas e mãos de Edward.
— A polícia está vindo. Desaparecimentos só são investigados 48hs depois. Porém com criança o caso é diferente.
Jasper sentou-se à minha frente, na mesinha de centro.
— Alguém já ligou para a maluca? Talvez fosse mais fácil ver o que ela quer, pagar de uma vez e termos Antony de volta. Depois a pegamos e resolvemos o que fazer com ela.
— Não atende.
Edward intrometeu-se e se aproximou, não muito. Parando atrás do outro sofá, bem de frente a mim.
Eu podia ver dor em seus olhos. Dor pelos nossos erros, e dor por ter me decepcionado.
E que Deus me ajudasse, me desculparia assim que conseguisse me reerguer um pouquinho.
Fui dura, disse coisas que ele não precisava ouvir, a culpa não era dele. Eu sabia disso.
— Estou tentando contato desde que subimos. Só dá desligado ou fora de área. Ela vai nos fazer sofrer até o limite e só então colocará suas cartas na mesa. Eu a conheço, infelizmente.
Sussurrou a última parte num murmúrio sofrido.
— Não bate. Tem alguma coisa errada nessa história. Pelo que sabemos ela odeia Bella, e pelo dia que tiveram hoje, ela estava indefesa. Era para Tânia e o homem da fazenda terem a pegado. Por que Antony?
— Porque ela quer torturar antes de massacrar.
Rósalie veio da cozinha, acompanhada de Alice.
— Cale-se. A culpa disso tudo é sua.
Edward ia em direção a irmã, quando Carlisle se colocou à sua frente e Alice segurou seu rosto.
— A ouça. A culpa não é dela. Irmão...
— Como pode dizer isso? Você não estava aqui. Ela me acertou. Eu teria buscado Antony se não...
— Fui enganada também. Me perdoem, porra! Só quis ajudar.
A loira virou-se totalmente para mim e mesmo que eu quisesse apertar as mãos em volta de seu pescoço não pude deixar de perceber o sofrimento em seus olhos imensamente verdes.
— “Perdoar é o escambau”. Eu vou é...
Edward fez força para sair do aperto do pai, porém Alice segurou seu braço com mais força o que fez com que Jasper fosse até eles e ajudasse a imobilizá-lo.
Alice estava grávida e meu irmão cuidaria dela, a todo custo.
— Edward, por favor...
Disse baixo, com a mão na cabeça tentando aliviar o incomodo da dor que me assolava. E foi como água fogo. A atenção dele voltou-se para mim, e instintivamente se aquietou.
— Continue.
Mandei e Rósalie não perdeu a oportunidade.
— Tânia começou a tramar seu plano há meses. Venho acompanhando-a, tentando decifrar o que armaria para então alertá-los. Mas, acho que não fui convincente o bastante. Ela me usou também.
Edward puxou os braços, com força, e se livrou de Carlisle e mesmo a contragosto se calou para ouvir a irmã.
— Filha...
Esme tentou se aproximar, porém parou quando a outra estendeu a mão e a impediu. De certo não queria ser interrompida.
— Hoje de madrugadinha, ela ligou e exigiu que nos encontrássemos na cafeteria. E como dormi aqui, nem pensei duas vezes, sabia que tramava algo. E isso só se confirmou quando começamos a conversar. A princípio disse coisas sem sentido, em códigos que só agora a pouco conseguir decifrar. Ela, amou sua saída da cidade e se aproveitou de que seus irmãos estão ocupados com suas situações atuais. Então me fez acreditar que o alvo seria Edward. Ela disse explicitamente que o faria pagar.
Apontou para mim e para o irmão.
Apertei as mãos em punho. Pelo que parecia não importava o alvo, importava mesmo é que nos afetasse.
— Eu a segui, a distância, o dia todo. Perdi as contas de quantas vezes passamos por essa rua. Tentei avisar a Edward, liguei insistentemente para pedir que tomasse cuidado, mas ele...
— Eu não atendi.
Rósalie baixou a cabeça e uma lágrima escorreu de seus olhos.
— Eu entendo, não sou de confiança. Contudo, a tarde veio o golpe final. Ela parou na porta da clínica e eu... Eu temi pelo meu irmão. Atravessei a sua frente, coloquei Jéssica para fora e nos tranquei na clínica. E nem assim ela parou com a pressão psicológica, batia na porta, fazia barulhos e ameaçava. E quando Edward apareceu e quis sair, eu perdi a cabeça. Tinha que impedi-lo. Porque ele não me ouvia e nem eu a ele. Fui estúpida, porque claramente o objetivo dela era tirar todos do caminho para que pudesse pegar Antony. E agora, e agora...
— Espero que esteja prepara para repetir tudo isso para nós senhorita, Cullen. Porque tem uma criança desaparecida e precisamos agir imediatamente. Parece que tem uma psicopata à solta.
Sem que percebêssemos, o delegado da cidade e mais dois oficiais, juntamente com Benjamin e padre Marcus, estavam parados a nossa porta e seus olhares era sinônimos do nosso, apreensão pura.
Edward
Inferno! O inferno na terra, era pelo que estávamos passando.
Passava das duas da manhã, quando quatro diligências partiram, do apartamento dos Swan’s, para as primeiras buscas. Foram horas frustrantes de espera até que Bella, Rósalie e eu prestássemos depoimento e então eles resolvessem tomar uma atitude.
Port Ângeles, mais especificamente a residência dos Volturi eram os alvos de duas equipes de buscas.
As outras foram para a área rural de Forks em busca de James e da família.
— Vou colocar Alice no quarto, a pressão dela está alta.
Jasper beijou a testa da irmã, encolhida no sofá, e se levantou.
— Acompanharei vocês, quero monitorá-la.
Esme apertou meu braço, cruzado e de postura rígida, e seguiu atrás de meu cunhado.
— Vou até a Sonho Azul dar algumas ordens, ver Leah, Anne e despistar vovó. Volto assim que amanhecer. Não façam burrice.
Emmett também beijou Bella e bateu com a mão em minhas costas.
— Tome cuidado.
A irmã o alertou e ganhou o sorriso amarelo do irmão. Mesmo consumida pela dor e preocupação, ela ainda queria cuidar de quem pudesse.
— Vá descansar também, padre. Não há nada a se fazer agora. Só reze pelo bem do meu neto, por favor.
Charlie encarou meu amigo, ao me lado, com um rosário na mão.
— Vou até a casa paroquial só acender as luzes e acionar os alarmes. Volto daqui a pouco.
— Padre, não precisa...
Marcus estendeu a mão o calando.
— Vi, por anos, meu amigo ansiar por sua família, senhor Swan. Estive com ele a cada ano de espera, dor e medo que não retornassem. E agora, que voltou a viver. Então me recuso a não ajudar como posso. Volto logo. Me acompanha, senhor Benjamin? Infelizmente vim a pé e já está tarde até para mim, um homem de batina, perambular sozinho por essas ruas.
Benjamin, que irritantemente, estava sentado no sofá ao lado de Bella, levantou as sobrancelhas indagadoras.
Era evidente que Marcus só queria que ele se afastasse e nos deixasse a sós com nossa dor.
— Vá com ele, Bem, por favor. Não precisamos que mais coisas ruins aconteçam.
Bella sussurrou e segurou o ex no ombro.
— Tá. Se cuida e fique firme. Vamos achar essa mulher e pegar nosso garoto de volta.
Algo em mim se revirou. Porém, não era hora para uma crise de ciúmes. Estávamos todos angustiados.
— Vê se consegue cuidar dela, já que não o fez por uma criança.
— Benjamin, chega! Vá!
Charlie ordenou quando o homem não perdeu a oportunidade de abrir mais minha ferida.
— Edward...
Bella bateu a mão a seu lado, graças a Deus, me chamando para se juntar a ela.
— Venha Charlie, você também Carlisle, farei um chá calmante para todos enquanto esperamos um parecer da polícia.
Meu pai e sogro, nos olharam por mais alguns instantes, antes de relutantemente seguirem a Swan brava que os aguardava.
Rósalie já estava lá, bem longe de nossas vistas.
— Venha aqui.
Bella chamou de novo, quando não atendi ao primeiro pedido.
E como uma borboleta que busca a luz, diminui o espaço entre nós, me ajoelhei, sentei, no chão, e descansei a cabeça em seu colo.
Logo suas mãos estavam em meus cabelos.
— Desculpe pelas palavras duras, mais cedo. Você não merecia.
— Merecia sim. Como seu amigo disse, não consegui cuidar de uma criança.
— Benjamin não perde a oportunidade, ignore-o. Tânia armou tudo bem demais. E não duvido nada, que esperava que eu te culpasse também.
— E deveria me culpar mesmo.
— Não, não deveria.
Bella respirou fundo, se baixou e beijou meus cabelos com carinho e delicadeza.
— Tânia está louca, Edward. E nunca imaginamos que atacaria nosso filho. Ela é a culpada.
Assenti, com um gesto pequeno com a cabeça, era só o que eu poderia fazer para acalentá-la um pouquinho, mesmo que minha mente gritasse que o culpado era eu, só eu.
— A polícia vai encontrá-la. E ela vai pagar, eu te prometo. Como você disse, está maluca e aficionada comigo. Não fará nada com Antony. Ela sabe que eu nunca a perdoaria se tocasse num fio de cabelo dele.
Bella não falou, só continuou o carinho em meus cabelos revoltos.
— Vamos pegá-la, eu juro.
Cochichei baixo a última parte, escondendo o rosto em suas pernas e enfim deixando que as lágrimas rolassem soltas em meus olhos. Não aguentava mais segurá-las e me permitiria um minuto de desespero, só um...
Porque depois voltaria a me concentrar tentando “somar as peças” para decifrar o que Tânia tinha em mente.
— O que é isso?
Me afastei alguns centímetros quando algo tremeu em meu rosto.
— Celular...
Dei mais espaço quando ela firmou os pés no estofado e pegou o aparelho no bolso.
— Tudo bem?
Avaliei seu rosto, quando seus olhos se abriram mais. De espanto talvez?
— Sim. É só...
Gaguejou?
— Alice me consolando com uma mensagem de palavras bonitas. Há tempos que não recebia uma dessas. Por isso a surpresa.
A avaliei, procurando por algum indício de algo mais sério. Contudo, ela jogou o aparelho, de qualquer jeito, na mesinha de centro e voltou a se encostar. Chamando-me para que voltasse a posição inicial.
— Vamos encontrá-la. Vamos sim.
Murmurei agradecendo a Deus por esta estar tão perto. Só Bella mesmo para me perdoar, de novo e de novo, mesmo que eu não precisasse implorar.
Era a mulher da minha vida, sem dúvida. E pela segurança dela e de Antony eu faria questão de tirar Tânia, de uma vez por todas, de nossas vidas.
Bella
— Por que não se deita um pouco, está exausto? E sua cabeça ainda está ferida.
Quebrei o silêncio triste que se instalou entre nós, por alguns minutos.
— Não estou com sono. A angustia me domina. E isso?
Apontou para o hematoma alto na parte detrás do crânio.
— Não é nada.
Desdenhou do pequeno inchaço.
— Acredita nas palavras dela? Será que aquele choro todo e as frases bonitas são mesmo verdade?
Edward respirou profundamente, cansado. E respondeu sem que eu precisasse dizer a quem me referia.
— Não sei, Vida. Tenho minhas dúvidas. Porém, tudo que disse sobre o que aconteceu ao longo desse dia de merda, é verdade. Esme, Carlisle e acho que até Alice acreditam na versão dela. Eu não sei. É difícil demais aceitar que estava fingindo esse tempo todo em relação a amizade delas.
— Também penso assim.
Voltei a deslizar os dedos por seu cabelo, contudo minha atenção agora estava no celular jogado de qualquer jeito ali perto. Eu precisava agir, já se passara minutos preciosos desde que recebera a mensagem. E disfarçar a ansiedade estava se tornando impossível e cruel.
— Vamos tomar um banho? Minha cabeça está “estourando”, acho que preciso relaxar, nem que seja por cinco minutos.
Ele assentiu e se levantou, no entanto...
— Pode ir enchendo a banheira?
Peguei o celular e a chave do carro em cima do braço do sofá.
— Vai sair? Aonde vai? Vou com você.
Ele se empertigou me olhando intrigado e cheio de receio.
— Vou tomar um banho com você. Só preciso pegar minha bolsa na camionete. Lembrei, agora, que James assinou o borderô do meu atendimento. Tem o nome completo dele lá. Quero passar para os detetives quando entrarem em contato.
— Vou com você.
— Não! Para quê? Você vai encher a banheira. Já volto, Edward. Só vou pegar a bolsa.
Segurei seu rosto com carinho e beijei seus lábios delicadamente.
— Tudo bem. Só não demore.
Franziu o cenho para minha recusa e olhou-me com bastante atenção antes de perceber que eu não me renderia.
— Certo. Te amo, Vida. Vamos passar por isso.
— Pare! O que está acontecendo, Bella? Está se despedindo? O que está tramando? Venha, vou com você pegar essa bolsa.
Por Deus! Eu juro que meu celular estava quente em meu bolso, me lembrando de cada palavra da mensagem que recebi agora a pouco e que menti que era de Alice.
Isabella
Quer seu “filhote de demônio” de volta?
Venha, sozinha, para Port Ângeles.
Quando chegar, me ligue nesse número para receber as próximas instruções.
Conte para a polícia ou para alguém sobre essa mensagem, e devolvo Seu Pestinha em pedaços pequenos e finos.
Sua Amiga.
Tânia Cullen
— Vida, se acalme. Só vou até o carro pegar a bolsa. Dois minutos e me juntarei a você. Não fique paranoico, Edward.
Eu queria gritar, por mentir tanto. Estava fazendo exatamente o jogo de Tânia, sabia que era uma armadilha, mas, não tinha escolha.
Era meu filho pequeno e indefeso que sofreria as consequências daquela maluca.
Que Edward me perdoasse se eu conseguisse voltar para ele.
— Tudo bem. Perdoe-me. Estou nervoso. Te espero no quarto, não demore.
Meio desconfiado ainda, beijou meus dedos e me encarou atentamente, enquanto eu atravessava a sala e me dirigia a porta.
— Já volto.
Reafirmei a mentira, por cima do ombro, sem olhar para trás. Se o fizesse e encontrasse os olhos especulativo dele, era bem capaz de não conseguir fazer o que precisava. E eu não tinha alternativa nem tempo para pensar noutra maneira de recuperar Antony são e salvo.
— Ele vai me perdoar, tem que me perdoar. É pelo bem de nosso filho.
Sussurrei, quando cheguei a garagem, destravei o portão de saí para a rua.
— Droga!
Deixei escapar ao olhar para cima e ver alguém tentando abrir as portas da sacada de meu quarto, pelo lado de dentro. Era Edward, certeza! E sairia a qualquer momento.
— Putz!
Voltei a reclamar quando ouvi o portão sendo destravado, alguém me seguira. Por isso, corri os últimos passos até o carro, entrei de uma vez, bati a porta e as travei. Ouvindo logo em seguida o ronco do motor.
— BELLA! O QUE ESTÁ FAZENDO?
Pude ouvir o grito de Edward e a movimentação de um vulto indecifrável, quando acelerei o carro a ponto de cantar pneus e sair a toda velocidade pelas ruas desertas, devido a madrugada de Forks.
Ignorei cada partícula de medo, por dirigir sozinha àquela hora, não existia outra maneira.
De segundo em segundo conferia o retrovisor em busca de algum seguidor, porém, isso não aconteceu. E quando ganhei a rodovia rumo a Port Ângeles, respirei aliviada e apertei mais o pé. O carro ganhou vida, assim como meu coração acelerado.
Saindo de Forks, sozinha. Em uma hora estarei aí.
Digitei a mensagem para o número desconhecido.
Bom! Faça como o planejado e logo se juntará ao menino.
E foi o que fiz. Coloquei o celular no silencioso, ignorando as chamadas de Edward que começara no momento em que saí de casa.
Eu não podia me distrair. Não devia.
Salvar Antony, era meu único pensamento, nem que para isso tivesse que desistir de mim. Pelo menos Edward teria o melhor de mim com ele.
E que me perdoasse, mas por Amor uma mãe e capaz de tudo. Agora eu entendia as atitudes de Charlie quando me tirou de Forks.
Amor de pais é imensurável.
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