Notas iniciais
Boa noite, boa noite. Perdão pelo sumiço, estava mexendo com festa e foi uma correria. Mas, graças a Deus deu tudo certo e nossos meninos amaram. O capítulo de hoje, que era para ter saído ontem, porém recebi visitas, está leve e cheio de amor. Contudo, não se acostumem com isso, no próximo as turbulências começam de verdade. Ahhh, e capitulo totalmente dedicado a Rilza que alegrou com minha vida com uma linda recomendação e comentários em vários capítulos. Beijinhos e Vamos lá...

Bella

– Mãe, por que tenho que usar isso?

Afh! Suspirei alto, pela milésima vez, enquanto, em silêncio, clamava a Deus por paciência e compreensão.

– Amor, “isso” é uma gravata. E é assim que se veste quando se leva as alianças para os noivos em uma cerimônia.

Sorri, recebendo em troca uma caretinha.

Por Deus! Ele estava lindo de Fraque chumbo, de três peças, com camisa e gravata borboleta, brancas, por baixo. Um perfeito rapazinho. Exatamente igual a Jasper, que nesse momento escondia a risada com uma tosse mal disfarçada.

– Tony não gosta disso, mamãe. É feio, quente e “apelta” o pescoço. Meu dedo tá doendo e titio Memmett disse, quando vovó mandou a foto, que eu tenho um “labo”.

Apontou para o pé e logo depois segurou a parte detrás do paletó com um desgosto visível.

– Seus tios são dois idiotas. Você está lindo. Um príncipe da mamãe. Agora fique quietinho para não amarrotar. Ou tia Alice ficará irritada.

Olhei sugestivamente para Jasper o fazendo se calar imediatamente. Irritar Alice não estava em questão. Os últimos dias foram um suplício para ele, Edward e eu. Os hormônios de minha cunhada estavam no auge e tudo era motivo para choro e reclamação.

Nunca achei que flores, buffet e doces poderiam causar tanta dor de cabeça. Que o Senhor me ajudasse e que eu não fosse uma noiva surtada assim. Tenho pena de Edward só de imaginar.

– Mãe, Tony não é “plíncipe” já falei, é peão. E não gosta desse cabelo duro, muito menos desse sapatinho brilhante. Prefere chapéu e botina. Não tem nada de bonito aqui. E, Tony já diz, não precisa nem pedir, não vai vestir isso no seu casamento com meu papai. Eu me “lecuso”.

Cruzou os bracinhos e eu quis demais apertá-lo entre os meus. Ahhh, se não fosse amassá-lo.

– Tá bom, rapazinho rabugento. Pensaremos em algo até lá. Agora vamos logo. Porque seu tio não pode se atrasar.

Saí, de vez, do banheiro e me coloquei inteiramente a frente deles. Causando suspiros e espanto de meu filho e irmão, este que estava atirado em minha cama, não se preocupando nada, nada, com o estado de suas vestimentas.

– Mamãezinha de Deus! A senhora tá linda!

– Irmã, tenho que concordar com Antony, você está maravilhosa!

– Agradeça a sua noiva, ela escolheu o modelo. Agora vamos e...

– Temos de agradecer a nossos pais, isso sim. Edward vai morrer hoje.

Rolei os olhos.

Tá, eu estava bem, isso era fato. O vestido escolhido por Alice, para a madrinha, que no caso era eu, estava mesmo de se admirar.

Azul, um azul bem escuro, petróleo para ser mais exata. De tecido fino, trespassado na frente, com ombros nus, preso somente no pescoço. Um adorno de cristais simples e delicado na cintura. E por fim, uma saia flutuante que descia até os pés e tampava totalmente os sapatos.

Um sonho de vestido, feito sob medida e totalmente para mim.

Era ousado, porém não me assustava mais. Eu queria estar à altura de Edward já que, com certeza, estaria perfeito em seu traje de padrinho.

O cabelo, estava preso em uma trança mal feita, de lado. Fazendo assim com que metade do cabelo viesse para frente e terminasse exatamente sobre o decote do vestido, chamando ainda mais atenção para aquele lugar.

Aquilo sim era um exagero.

– Papai não vai “moler”, titio Jas. Vai é achar a mamãe lindona, assim como Tony tá achando.

– Assim como Tony está perfeito. Agora vamos? Está na hora.

Antony me estendeu a mão e Jasper se colocou de pé. Dei uma passada de mão por seu paletó, ajeitando o que podia.

– BELLA? É para hoje!

– Já vamos, pai... eu disse que estávamos em cima da hora.

– Culpa sua. Demorou uma vida, para se arrumar.

– Isso porque arrumei um irmão desleixado primeiro e depois uma criança, seu chato!

Deixamos o quarto encontrando com Charlie e Renée na sala, prontinhos a nossa espera.

Estávamos em Forks. Chegamos cedo. Decidimos que seria mais tranquilo nos arrumar aqui. Somente Emmett, Leah, Annie, filha deles, vovó e Benjamin viriam diretamente da fazenda.

– Ah, meu Deus! Estão lindos. Nem sei dizer qual é o mais bonito.

– O Tony, vovó. Claro!

Meu filhote deu uma volta em torno de si mesmo, mostrando a ela que tinha razão.

– Tenho que concordar discordando, Tony. Você está mesmo lindão, mas a sua mãe...

Charlie segurou e me fez repetir o gesto de meu filho. O tecido do vestido rodopiando em ondas flutuantes, era a visão.

– Obrigada! Mas, agora podemos ir?

– Elogios é uma das poucas coisas que aterroriza minha irmã, pai. Aprenda isso. Porém, agora ela tem razão, vamos de uma vez, ou é bem capaz de Alice chegar primeiro do que eu.

– Linda!

Renée sibilou, fazendo com que eu sorrisse e sorrisse, mais uma vez.

Eu não tinha aversão a elogios, Jasper estava enganado quanto a isso. Porque sejamos sinceros, que mulher não gosta de ser admirada por sua aparência?

O caso era que ainda era difícil acreditar que eu possuía qualquer atributo que merece levar em consideração. Foram anos demais achando que Tânia era “o modelo” de beleza. Se não se parecia com ela, não era bonita.

Contudo, minha família sempre tentara me provar o contrário. E agora Edward, que fazia questão de dizer sempre, o quanto eu sempre fora agradável a seus olhos. E que sua mente, é que estava deturbada demais, para não ter ressaltado isso incessantemente no passado.

– Vamos todos comigo, deixem os carros de vocês aí.

– Não posso pai. Preciso do carro. Iremos direto para o aeroporto depois da recepção.

– Rá! Duvido que Alice vá viajar vestida de noiva. Lógico que passarão aqui. Aliás, tem uma mala dela no meu quarto. Agora, me dê essa chave. Deixa que dirijo o noivo não pode chagar amarrotado.

– Ah, e a madrinha pode?

– Antes eu do que você.

Estendi a mão pedindo-o a chave.

– Dirigir com esses saltos?

– Sem problemas, mãe.

Jasper abriu a porta para mim e segurou minha mão, para que subisse na camionete e me ajeitasse sem amarrotar o vestido, deu a volta e se sentou a meu lado.

Antony já rumava para a camionete de meu pai.

– Estaremos atrás de vocês.

Pisquei para meu pai já engatando a ré.

Charlie, depois do acidente, nunca comentou meu modo de dirigir, nem nunca me impediu quando insisti em fazer isso. Minha mãe dizia que muitas vezes ele lamentou que eu não estivesse na direção naquele dia fatídico. Que, talvez, muitas coisas tivessem sido evitadas, se ele não tivesse insistido em guiar na volta.

Eu não pensava assim, o que é para ser, simplesmente é. E, quem sabe, se meu pai estivesse no banco do passageiro não resistisse a tantos ferimentos, como resisti?

Deus sabe o que faz.

– Está ansiosa para o seu?

Jasper perguntou, como quem não quer nada, enquanto sintonizava o rádio em uma emissora country.

– Nem um pouco. Como eu disse, é mera formalidade.

– Edward precisa formalizar o pedido a meu pai, Bells. Ele não está satisfeitocom os preparativos sem um pedido.

– Eu sei, irmão.

Fiz a conversão a esquerda com o máximo de atenção.

– Só estávamos esperando o casamento de vocês. Não queríamos misturar as coisas, muito menos tirar a tenção que merecem no dia de vocês.

– Altruísta. Atchim!

– Palhaço!

Bati em seu braço, quando imitou um espirro em meio a um desaforo.

– Vou sentir sua falta!

– Ah, pronto! Estamos nos separando e eu não sei? Trabalho com você, se lembra? Te verei todos os dias. Além disso, Forks fica a 24km da Sonho Azul. E apenas 20 Km da sua futura nova residência. Pare de drama.

– Eu sei. Mas, não será a mesma coisa.

Suspirei alto me lembrando de todas as vezes que ele se deitou comigo e me segurou a cada pesadelo. Ou que embalou Antony enquanto eu me “chafurdava” em dores psicológicas.

– Claro que não. Será a sua vez de me socorrer de madrugada quando meu bebê e Alice chorarem ao mesmo tempo. Sério, Bells, eu vou pirar se isso acontecer.

Desviou do meu tom melancólico, como só ele sabia fazer. Tão Jasper fazer esse ato.

– Vai nada! Seu bebê terá três médicos babões a disposição dele.

– O que não soma em nada se for manhoso e louco pelo colo dos tios, como Antony.

O que era uma verdade. Quando meu Pequeno estava “consumido pelas cólicas” não havia médico que aliviasse. Só o conforto e amor dos tios mesmo.

– Nisso eu posso ajudar. Estarei sempre aqui para você.

– Assim comoestarei para vocês. Agora vamos descer antes que o Cullen venha até aqui e arranque você a força do carro. Oh, saudade! Nem parece que se viram ontem.

– Isso é amor, irmão.

Estirei a língua e desci, quando Edward fez mesmo o que ele disse, veio até nós e parou estupefato a nossa frente.

– Por Deus, mulher! Quer me matar?

Edward

— Quero beijar você. Agora!

– E olha que ainda não viu as costas dela. Quando ver, vai querer fazer muito mais. Só não se esqueça que tem um casamento para apadrinhar e que aqui é uma igreja.

— Jasper!

– O que ele está dizendo?

Segurei Bella pela cintura e a desci o carro. Meu fôlego se perdendo a cada parte do corpo dela que eu via.

– Por Deus, Vida!

Num impulso rápido, passei por ela e me postei a suas costas matando a curiosidade aguçada por meu cunhado.

– Ahh!

Suspirei deliciado com a visão das costas delicadas nuas e sedosas. O desejo de tocar vencendo qualquer batalha contra os bons modos.

– Perfeita, linda!

Corri o indicador de cima abaixo, duas vezes, até onde a peça recomeçava. Causando arrepios de prazer em ambos.

– Quero beija você.

Repeti baixo, juntando meu corpo ao dela e colando a boca em seu ombro.

– Em outra ocasião, eu diria que seu desejo é uma ordem. Porém, hoje...

Sorriu e se virou em meus braços, ficando de frente para mim dando-me agora uma visão privilegiada de seu decote decente.

– Temos um casamento. Sua irmã me matará se eu aparecer com um fio de cabelo fora do lugar.

– Hum, então como prefere morrer, irmã?

Brincou Jasper segurando uma pequena mexa que escapava da trança dela.

– Idiota!

Resmungou como podia, já que eu a imprensava em meu peito, enquanto fuzilava Jasper com o olhar.

– Ignore-o. Ele está escondendo o nervosismo. Te atormentar foi a melhor maneira que encontrou.

– Se iluda, Cullen. Não estou nervoso.

E não parecia mesmo. Era o mesmo Jasper de sempre. Com cabelos grandes, levemente desgrenhados. A única diferença eram as roupas muito alinhadas. Nada parecida com as de seu uso diário.

Eu, em seu lugar, estaria surtando, certeza!

– Papai!

O baque em minhas pernas, chegou antes das palavras. E eu só pude sorrir para o pequeno homenzinho grudado em mim.

– Ah, mas sou abençoado mesmo. a mulher e o filho mais lindos são meus.

O peguei no colo e beijei suas bochechas rosadas.

– Papai bonito também. Sua “glavata” é da cor do vestido da mamãe. Vocês combinam.

– E como combinamos...

Brinquei feliz por tê-los ao alcance das mãos. Era o céu na terra.

– Vamos esperar mais perto da porta? Alice enlouquecerá se chegar e nos ver aqui tumultuando a entrada.

– Vamos.

Peguei meu filho no colo e segurei Bella pela mão. Ela estava linda e eu queria que todos soubessem que era minha, só minha.

– Chegaram!

Esme nos recebeu na porta. Estava elegante em seu vestido de festa.

– Oi. Vovó.

– Oi, amor. Você está muito bonito um príncipe.

– Tony não ser “plíncipe”, vovó, já falou isso hoje um monte de vezes. Tony é peão. E não gosta nada, nada desse sapatinho “apeltado”. Tony queria mesmo era vir de bota, mas a mamãe não deixou. Titio Memmett disse que não combinaria com minha roupa engomadinha.

Ele fez biquinho, arrancando de papai uma gargalhada. Bella revirou os olhos para o drama.

Ideias e mais ideias me dominaram no mesmo instante em que as palavras sairam da boca dele. Eu precisava planejar melhor uma surpresa para Bella.

– É só para a cerimônia, bebê. Na festa mamãe te deixa mais à vontade, prometo.

A jura não amenizou o emburro dele. O que foi o que faltava para que meu pai o pegasse pela mão e o levasse para algum ponto da igreja o distraindo e entretendo.

– Está linda, sogra.

Elogiei Renée, que agora, juntamente com Charlie, encontrava nosso pequeno grupo.

– Sou a mãe do noivo, preciso estar à altura. Exatamente como sua mãe.

E estavam.

Minha sogra com um vestido rosa claro totalmente de renda. Mamãe de lilás, também de renda. Ambas com os cabelos presos em coques charmosos e bem alinhados.

– Estão de encher os olhos.

Bajulei sorrindo ainda segurando Bella mais perto.

– Se Alice se atrasar demais Antony ficará todo amarrotado.

– Ela já deve estar a caminho. Estava praticamente pronta quando passei pelo salão. Só faria algumas fotos.

– Alguém precisa dizer aquela garota que se atrasar não é bonito.

– Pai!

– O quê, Isabella? É verdade. E se meu neto se irritar o bastante e arrancar aquela roupa, você não brigará com ele. Quem manda seu irmão e a noiva se casarem as cinco da tarde? Aliás, cinco não. Porque já são cinco e quinze.

Escondi uma risada. Bella fazia cara feia para Charlie que fingia que não via. Porém, seu desconforto com a gravata também era evidente já que a puxava de segundo em segundo.

– Chegamos! Podem começar!

Emmett anunciou assim que pisou no último degrau. Seu sorriso era brincalhão e fácil.

Mas também, quem não sorriria com aquele “amontoadinho rosa” nos braços?

– Ah, cadê a menininha do vovô? Me dê ela aqui. Você é desajeitado demais.

Charlie retirou Annie dele e se aproximou da esposa. Que logo também a beijava e paparicava.

– Fique à vontade, pai. Ei... olha só vocês... Até parece que tomaram banho. Estão simpáticos.

– Idiota!... Obrigado, pai, por nos deixar ver Annie também.

Bella bateu com a pequena bolsa no peito dele primeiro, para depois deixar-se abraçar pelo brutamontes que chamava de irmão. E, óbvio, não pode deixar de “cutucar” o pai que agora babava na neta.

– Cunhado!

Apertei a mão dele, o sorriso genuíno veio acompanhado de um aperto de mão.

– Tudo bem ali?

Perguntei para Leah quando veio para perto também.

– Se não contar o escândalo de madrugada e a loucura com o peito, estamos bem.

– Não reclame. Minha garotinha não tem culpa de sentir fome. E quem manda ter esses “peitões”. Se eu fico louco, imagina ela...

Emmett retrucou ainda segurando Bella pela cintura.

– Emmett!

Ele deu de ombros e escondeu a risada no pescoço da irmã, aproveitando a oportunidade para se deliciar com o perfume maravilhoso dela. Nem dando importância para o constrangimento da esposa.

– É fase, Leah. Annie ainda está se adaptando a nova rotina, novo espaço.

– Espero mesmo. Agora, senhor meu marido, dá para soltar sua irmã? Precisamos nos sentar. Marcus está mandando olhares assassinos em nossa direção, lá do altar.

– Bella está cheirosa. Preciso aproveitar meus últimos dias com ela.

– Ué! Estou me mudando, e não sei? Ou fui despejada e esqueceram de me avisar?

– Claro que está. Seu irmão está coberto de razão.

A puxei para mim, livrando-a do agarre dele.

– Em um mês e meio estaremos em nossa casa.

Frisei feliz ao ver Benjamin se aproximar.

– Isso. Vangloria mesmo bem “na cara do ex dela”!

Emmett estava impossível, isso era fato. A paternidade deu outro sentido à vida dele. Estava muito mais brincalhão e inoportuno. Lembrando muito o meu melhor amigo do passado.

– O que tem o ex dela?

– Nada, Benjamin. Aliás tem sim, Emmett está te chamando para sentar perto dele durante o casamento. Aproveite e faça com que fique calado e quieto durante a cerimônia.

Sem nenhum tato, Bella empurrou o irmão igreja a dentro. Não dando tempo para que qualquer um dos dois retrucasse. Leah os seguiu piscando matreira

para minha mulher.

– Você arrasa, cunhadinha. Precisa me ensinar.

– É só você ser durona. Emmett ama ser mandado.

As duas riram conspiratórias. e ali eu entendi Emm. Ficar com uma pessoa que gosta de sua irmã é essencial para um relacionamento de sucesso. Porque não dá para competir. Família é família.Rósalie nunca aceitaria essa cumplicidade que flutua entre os Swan’s. É egocêntrica demais para isso.

Fico imaginando se Alice e Bella não se dessem bem.O que eu faria?

Me arrepia a alma só de pensar nisso.

E pela primeira vez, em anos, lamentei o temperamento de Rósalie. Se ela tivesse se esforçado, talvez não estivesse como está.

– Ele já foi. Pode trazer meu sorriso de volta, Anjo.

Bella

Brinquei, encostando em Edward e trazendo-o de, sabe- se lá, onde seus pensamentos estavam.

– Nem me incomodei. Só economizei estampar minha felicidade, só para você.

– Ah, mas não precisa disso. Pode sorrir das idiotices de meus irmãos e suas piadinhas. E também de Benj. Não quero que a presença dele seja um incomodo para você.

– E não é. Saber que ele deseja o que é meu, só me deixa mais devoto a você, por ter me escolhido.

– Hum! Estamos românticos hoje...

Me segurou mais perto e cheirou meus cabelos.

– Isso é saudade misturado com um pouquinho de posse. Não dormimos juntos essa noite. E nem pude beijar você ainda.

Reclamou manhoso passando o nariz por meu rosto e aspirando fortemente, perto de minha orelha, causando arrepios em toda parte de mim.

– Tenha paciência, Amor. Alice me mata se a maquiagem estiver borrada. E pense que passaremos o restinho do fim de semana em seus braços. Isso alivia qualquer sentimento saudosista.

Acariciei seus cabelos tentando amenizar toda aquela manhã.

– Baixinha inoportuna.

Sem poder fazer mais do que isso, voltou a me abraçar com força. Nos fechando em nosso mundo e mostrando, de vez, a todos os presentes para o casamento de que estávamos juntos.

– Mamãe, Tony quer colo.

– Oi?

Olhei para baixo e fui surpreendida por Meu Pequeno, bem ao nosso lado, com expressão chorosa e olhos marejados.

– Que foi, Filho?

Edward me soltou e então pude me virar para ele e segurar suas mãozinhas.

– Nada. Tony, só que ir para casa com a mamãe dele. Não quer ficar em casamento nenhum. Me pega?

Estendeu os braços.

– Mamãe não pode filho, vai amarrotar o vestido e...

– “Polcalia” de vestido! “Polcalia” de dia!

Nos surpreendendo, ele bateu os pés e cruzou os braços numa pose de birra que eu, odiava, mais do que qualquer coisa.

– Antony! O que é isso? É para me irritar? Ou está querendo um castigo?

– Filho, não pode.

Sussurrei brava ao mesmo tempo que Edward chamava sua atenção.

– Ahhh.

E foi o que bastou. O peso das palavras o atingira no instante em que se deu conta do que fez e falou.

– Mamãe...

Chorou, chorou baixinho e cheio de uma dor que eu não estava entendendo.

– Ei, Campeão, o que foi?

Edward o pegou e eu me juntei ao abraço deles, tentando entender.

– Tony tá cansado. Quer ir “embola”.

Eu não estava compreendendo o que...

– Bella...

Esme chamou e apontou, com a cabeça, para meu pai, mãe e Jasper que bajulavam Annie no canto, de lá, da igreja.

– Ah, tá explicado!

Mostrei a Edward o que, de verdade, incomodava Antony.

Era ciúmes. Dividir nunca esteve em seus planos.

– Nossa, como a Annie é pequenininha, né Bella? Ainda bem que ela tem o primo Antony para cuidar dela.

– Papai...

Edward usou de psicologia infantil.

– Olha só, Campeão, como ela é bonita. Parece com você...

O que era uma mentira e das grandes já que nosso filho era a cara dele. E Annie, até então, tinha todos os traços marcantes dos Swan’s.

– E você sabe, precisamos proteger nossas mulheres.E titio Emmett e vovô Charlie já estão ficando velhos e cansados. Annie precisará do primo mais forte de todos.

Ele não levantou a cabeça do pescoço do pai, porém parou de chorar e resmungar. Sinal claro de que estava ouvindo com atenção e avaliando a situação.

– Isso, sem falar que, ela precisará de alguém para ensiná-la a andar a cavalo, tirar leite, dirigir a colheitadeira. E acho que só o melhor peão da Sonho Azul para ajudá-la. O que acha, filho?

Interferi listando os pontos que ele mais amava. E com um sinal de mão, mostrei a meu pai o que acontecia.

Charlie entendeu quando apontei para Annie e logo depois Antony.

– Tony, Tony...

Soluçou ainda demonstrando resquícios do choro.

– Antony, vovô precisa de você.

Charlie, que havia entregado a bebê a minha mãe, se juntou a nós.

– Annie não para de resmungar. Ela não sabe que na igreja precisa ficar caladinha. Acho que só você, o mais comportado de todos, para explicá-la. Pode nos ajudar?

Edward e eu nos calamos e meu pai o pegou sem nenhuma resistência.

– Nossa! Como está pesado. Daqui há alguns dias o vovô não consegue mais te pegar. Tá muito grandão esse meu neto.

– Tô mesmo. E o papai falou que o senhor tá velhinho mesmo. “Plecisa” de Antony. Não é?

Charlie olhou para Edward que, nesse momento, não sabia nem onde “enfiar a cara”.

Abafei a risada com uma tosse e dei de ombros. Fazendo meu pai arquear a sobrancelha antes de se afastar totalmente.

– Danada! Se divertindo às custas do meu constrangimento. Acho que terei que fazê-la pagar.

Me fechou nos braços e mordeu meu ombro.

– Que culpa tenho eu, se você não sabe que tudo que se fala a uma criança, uma hora ela vai repetir e te deixar em maus lençóis?

– É seu dever me alertar, quando eu esquecer desses detalhes. Está nesse ramo há mais tempo.

Não era uma queixa, claro que não! Porém, incomodava demais quando lembrava do que havia sido privado. Contudo, eu não me arrependia. O Edward, do meu passado, não seria capaz de aceitar a paternidade tão bem.

– Prometo lembrar disso futuramente.

Olhei para ele e não deixei de me surpreender com o que via. Edward parecia genuinamente feliz. Seus olhos brilhavam de um verde claro e cheios de vida. Nem em meus melhores sonhos imaginei que poderia fazê-lo tão bem. O amor parecia reluzir dele.

– Amo você.

– Está me seduzindo, futura senhora Cullen?

– Talvez. Está dando certo?

– Quase... poderia se empenhar só mais um pouquinho. Sou um homem muito difícil.

A face estampava felicidade e bom humor. Brincava matreiramente.

– Posso deixar o empenho para mais tarde? Creio que seu amigo não ficaria nada feliz com uma cena em sua igreja.

– Ah, posso jurar que ele me excomungaria de vez.

Beijei sua garganta fazendo-o suspirar rendido.

– Vida, Antony não aceitará bem a ideia de um irmão, não é?

Deixou a brincadeira de lado, observando o esforço de nossos familiares para interagir nosso filho e a prima. Até Emmett, que havia o pegado, fora chamado para ajudar na “missão impossível”.

– Creio que não. A psicóloga diz que é fase. Mas eu duvido. Ele tem pavor da possibilidade de dividir. Enquanto são só os primos, vamos conseguindo driblar. Mas, um irmão...

– Temos muito o que conversar sobre isso.

– Está com pressa?

– Não.

Acariciou meu rosto com carinho.

– Só queria a oportunidade de vivenciar uma gestação inteira com você. Desde a concepção até o parto.

– Rá! Não é nada bonito. Os enjoos e as mudanças de humor me consumiram na última.

Soei com insignificância, odiando o fato dele sentir mesmo falta de ter passado aquele período comigo.

– Será um prazer, segurar seu cabelo. E encher-lhe de chocolate. Contanto, que me deixe sentir os movimentos ainda na barriga e que me deixe embalá-lo e o amar com tudo que tenho.

– Será um prazer, senhor Cullen, a noite ainda mais.

Voltei a tentar suavizar a situação.

– Combinado, então.

Beijou minha testa lenta e preguiçosamente. Não se importando onde estávamos e com quem presenciava. E confesso, esses gestos só me faziam mais rendida a aquela homem.

— A noiva chegou! Todos tomem as suas posições.

O cerimonialista anunciou esbaforido e muito agitado.

– Até que enfim.

Jasper suspirou feliz enquanto minha mãe ajeitava, pela milésima vez, sua gravata.

– Não seja dramático, Jas. Noivas se atrasam.

Renée o repreendeu já segurando seu braço e se posicionando no corredor central da igreja. Os primeiros acordes de uma melodia suave começavam a tocar e era a deixa para que ele, acompanhado de meu pai e mãe, entrassem.

– Promete que não fará isso no nosso?

– O quê?

Respondi a Edward sem tirar os olhos de meus familiares lindos, se dirigindo ao altar.

– Se atrasar.

Edward puxou meu rosto para o seu e foi impossível não notar tamanha aflição.

– Vou surtar se isso acontecer. Nada conseguirá me acalmar. Acreditarei que “caiu na real” e fugiu, de novo, com nosso filho. Farei uma cena e...

– Prometo! Prometo! Calma! Só contenha sua irmã, no dia. E eu juro que chego na horinha marcada.

– Deixe a Baixinha comigo.

Suspirou aliviado e assentiu, completamente relaxado, agora.

— Vocês são os próximos. Andem devagar, de cabeça alta. Parem no centro da igreja, para uma foto, depois se postem cada um de um lado dos noivos. Não conversem, nem façam carranca. Sorriam... sorriam... é o dia da Srta. Cullen.

Instruções eram dadas e Edward revirou os olhos. Porém, Antony se assustou quando “a bendita pessoa desconhecida” o segurou pelo braço o impedindo de vir até nós.

— Você não, rapazinho. Vamos esperar a noiva mais linda desse mundo e...

— Mamãe...

Antony fez bico, de choro, de novo e esticou a mão em minha direção.

— Ah, não! Nada de mamãe! É hora deles entrarem. Você fica aqui com o titio e...

— Papai...

Antony repetiu o gesto, agora em direção a Edward. E em um segundo, mandamos “as favas” a cerimônia.

– Campeão...

Edward o pegou e eu me aproximei. Acariciando seu rosto.

— Ei, vocês não podem...

Edward fuzilou o intruso, com o olhar, que sabiamente se calou e correu até o coral, instruindo-os a repetir a música enquanto meu noivo e eu contornávamos a situação.

– Filho, papai e mamãe vão entrar agora. Titia Alice, vovô Carlisle e vovó Esme estão bem ali, atrás da porta. Você seguirá na frente deles.

Explicou suavemente, o que não serviu já que Tonyvoltou a se esticar todo para mim.

– Amor...

Que se danasse o vestido. O peguei.

– Olhe para a mamãe...

O desvencilhei do meu pescoço.

– Olhe o vovô e os titios lá na frente. Todos estão te esperando.

– Tony tá com “velgonha”.

Fez ceninha e eu quis demais beijá-lo.

– Vergonha de ser Lindo? Ah, mas acho que não precisa disso. Respira fundo, abre o sorrisão e vá em frente. Estaremos te esperando bem ali.

Apontei para o altar. E Marcus, pressentindo nosso probleminha, deu “um tchauzinho e o chamou” com as duas mãos.

– Viu? O padre também está te esperando. Ele precisa ver de perto como o menininho do papai é um peão forte. Vamos lá...

Marcus chamou mais uma vez e Charlie repetiu o gesto.

— Não podemos esperar mais, é a vez de vocês...

Edward fez o cerimonialista se calar, de novo, com um aceno rápido de mão.

– Podemos ir, filho? Estamos atrasando o casamento. E quanto mais demorarmos, mais tempo teremos que esperar para ir para festa.

Usei um dos pontos cruciais. Já que Antony era mesmo sobrinho de Emmett, amava uma balada.

– Vai ter coca?

Perguntou, e eu sabia que havíamos vencido.

– Muita! Papai promete que te deixa tomar dois copos, se jantar tudo.

– Tony sempre janta tudo, papai.

– Então, temos um acordo.

Bateram as mãos em sinal de acordo e Edward o colocou no chão.

– Muito bom, Amor. Já, já nos encontramos.

Ajeitei seu cabelo. E logo, segurei o braço que Edward me estendia.

— Graças a Deus! Vão, vão... não se esqueçam de...

Começamos a caminhar atravessando o corredor e ignorando completamente o que o homem insuportável nos dizia.

– Lembre-me de não o contratarmos.

– Anotado, futura senhora Cullen.

Um arrepio me tomou. Em menos de dois meses seria eu a, de branco, a atravessar aquele percurso e nada, nada mesmo me deixaria mais feliz.

Alice

Respirei alto. Uma sensação apavorante dominando meu peito fazendo com que eu arquejasse como uma adolescente.

– Calma! Respire fundo. Está hiperventilando e Alice Cullen não hiperventila.

– Swan, logo, logo. Será Swan, não é? Jasper está aí, não está mãe?

Eu odiava aquele medo em mim. Mas não dava para evitar, não quando memórias ainda me acordavam de madrugada, me fazendo relaxar só quando olhava para o lado e me dava conta de que ele estava ali.

Sinceramente, não sabia como meu irmão conseguia dormir sem Bella e Antony.

– Claro que está. Aliás, nervosíssimo com seu atraso. Edward já fez Bella prometer, mil vezes, de que não fará isso no dia deles.

– Claro que está.

Repeti baixo. Então por que não começava logo?

Os acordes da música dos padrinhos já estavam na segunda repetição, e isso não estava no cronograma.

– Aconteceu algo. Mãe, ele, ele...

– Calma, Alice. Respire, filha. Essa porta se abrirá logo e precisará sorrir lindamente para seu noivo. Nada aconteceu. Calma! Esse estresse todo não fará bem para o bebê.

O bebê... Deus, o bebê! O principal motivo de estarmos aqui hoje. Se Jasper ao menos imaginasse que eu...

– Isso! Muito bem. Pronto! Está se abrindo. Sorria, meu amor. Está perfeita.

Carlisle acariciou minha mão enquanto Esme terminava de ajeitar meu véu para só então se postar do meu outro lado. Fazendo assim com que eu esquecesse completamente meus desvaneios.

Afinal, “os fins justificam os meios”. Não é?

– Devagar...

Esme alertou quando ameacei correr até o altar.

Sim, eu entraria entre eles. Os pais amorosos e dedicados que Deus me presenteou.

– Ele está aqui. Graças a Deus!

– Há muito tempo. Você “demolou”, titia.

– Perdão, anjo.

Sussurrei feliz para o pajem mais lindo que seguia a minha frente.

— Zamos! Vou levar você para o meu titio. E depois tomar coca.

E como um perfeito cavalheiro, ele foi a minha frente, abrindo caminho. Sorrindo e fazendo todos contemplarem como Cullen’s e Swan’s se completavam.

Jasper e Alice/ Edward e Isabella a certeza de que quando o Amor quer, ninguém, mas ninguém mesmo é capaz de atrapalhar. Nem uma mentirazinha de nada.

Notas finais
Bom, é isso. Semana que vem respondo os comentários e na outra começo a escrever o próximo. Beijos!