No capítulo anterior...

— Me perdoa? Por tudo que é mais sagrado, me perdoa? Deixe-me fazer parte da vida do meu filho. Vamos no ritmo que você quiser. Posso ser só o “tio Edwald” enquanto ainda não confia em mim perto de nosso bebê. Prometo ser paciente. Vou te mostrar a cada segundo que darei a vida por meu, ou melhor, por nosso Pequeno Milagre. E então, se um dia eu convencê-la de que renasci, para melhor, aí sim pedirei a chance de ser o pai que Antony merece. Por favor, Bella.

Não pedi mais uma chance para nós. E Deus sabe como eu queria, queria tudo, aliás. Mas, iria devagar.

Eu a reconquistaria no tempo certo e do jeito certo dessa vez. E então, seria para sempre.

— Por favor? Por favor...

Sussurrei de novo, como numa prece de desesperado.

— Edward, eu...

Bella

— Voando aí, maninha? Nem parece que está nesse plano? Ainda pensando na besteira que fez?

— Besteira eu fiz quando aceitei que fosse meu confidente em vez de só irmão chato e protetor.

Peguei o copo, de refrigerante, que Jasper me oferecia e só para provocar, atirei uma almofada no rosto dele, que facilmente se desviou sem deixar um pingo da cerveja, que segurava, cair ao chão.

Era fim de tarde de Domingo, na Sonho Azul, e eu curtia o pôr do sol em uma rede na varanda enquanto Antony corria para lá e para cá, no gramado, atrás de Chocolate, o vira lata que trouxemos do Brasil.

Meu filho amava aquele cachorro, que era maior do que ele. Juro que se não o conhecesse e o encontrasse a noite, no escuro, teria medo. O animal era enorme e com cara de poucos amigos, porém “comia na mão” de meu Pequeno.

— Mentira! Você me escolheria de novo. O posto de irmão chato fica para Emmett.

— Nem me fala.

Bebi um gole da bebida gelada e refrescante, enquanto ele empurrava meus pés e se deitava de frente a mim.

— Precisam se resolver, você sabe, não é? Precisamos dele na loja, que, aliás, também é proprietário. E convenhamos, Bells, não dá para aceitar uma situação dessas. Vocês são loucos um pelo outro.

— Jas, e você acha que não sei de tudo isso? Acha que estou feliz com essas confusões? Mas, o que quer que eu faça? Que aceite tudo que ele diz? Que não permita que os Cullen’s façam parte da vida de Antony?

— Acho que o problema maior de Emmett nem é a aproximação deles com Tony, mas sim a sua aproximação. Agora então...

Fugi do olhar dele observando Antony, deitado ao chão, gargalhar ao ser lambido pelo cachorro. Ele estava “parecendo um porquinho” de tão sujo.

As risadas ecoavam e enchiam meu coração de esperança que estivesse mesmo no caminho certo.

As lembranças da “tal conversa” ainda frescas em minha mente.

Lembranças On

— Me perdoa? Por tudo que é mais sagrado, me perdoa?

Deus! Por que ele fazia aquilo? Se ajoelhar é um ato de humildade, de rendição. O Edward Cullen que conhecia nunca faria aquilo.

Eu queria fugir, sair correndo e me esconder só para não ter que respondê-lo.

Contudo, como faria aquilo se o amava tanto. Só queria muito que Antony tivesse a oportunidade de ter um pai, como eu tive.

Mas, e se ele... Se Emmett estivesse certo?

Se Antony saísse ferido nessa história eu nunca me perdoaria e se...

Não!

Pensei, contendo o início do descontrole.

A nova Isabella Swan não era indecisa nem medrosa. Ela toma as rédeas de sua vida e assume as consequências. E se por ventura Edward fizesse algo... Eu... Eu...

— Eu perdôo, Edward. Antony merece isso. Eu só te imploro que pense. Pelo amor de Deus, pense antes de fazer ou falar qualquer coisa. E se mudar de ideia, quanto a essa aproximação, em qualquer momento, me avise. Eu darei um jeito. Só não posso aceitar que Antony passe, nem o mínimo, do que passei. Ele é puro. O melhor dos melhores de você e de mim. Seja tudo que está me prometendo. Não me faça me arrepender. Não me engane de novo. Eu já “fui ao inferno” sei como sair, mas meu Menino de Ouro, só conhece o céu da vida e quero que seja assim. Eu imploro.

Mais lágrimas desceram de meus olhos, ele se entregava eu me entregaria. Faria tudo por meu filho.

— Eu prometo, Bella. Por tudo que quiser, eu prometo. Aquele Edward não existe mais. Eu vou te provar. Só me dê uma chance.

Ele juntou as mãos, ainda de joelhos, implorando de novo.

— Então, eu te perdôo. Aceito a proposta de irmos devagar. Parece que tentou fazer o certo em algum momento...

Falei fazendo-o saber que havia entendido que tentara nos encontrar, todo esse tempo, e que meu pai atrapalhara. Mas isso não mudava, em nada, o que fizera.

Pensando bem, talvez fosse melhor ter acontecido assim, não acho que teríamos passado por essa “tal mudança” se tivesse nos trazido de volta antes da hora.

O sofrimento transforma. Sei disso mais do que ninguém.

— Mas, ainda tenho receios e muito que aprender quanto a perdão, confiança e cura. Então, por favor...

Num ímpeto ele se levantou e se colocou a minha frente segurando minhas mãos e me fazendo levantar.

Deus! Estava perto demais. E precisava me tocar? Isso não era ir devagar.

— Eu juro. Vai ser do jeito que estipular. Obrigado, Bella! Obrigado! Misericórdia! Podemos voltar agora? Quero olhar para aquele garoto, o pegar no colo e poder sentir que a mãe dele o deixou se aproximar de mim.

Lembranças Off

— Não tem “agora então”... Nada mudou, Jas. Não estou caindo nos braços do Cullen e...

— Ainda.

— Ahhh, seu idiota. Saia daqui! Vá cuidar da sua vida.

Arranquei seu chinelo, que estava bem ao alcance de minhas mãos e atirei nele, fazendo o tecido ranger quando nos balançamos sem ser intencional.

— Estou cuidando da minha vida. Vocês são minha vida. Sabe disso, não sabe?

— Eu sei.

Voltei a olhar para Antony. Sabia que ele estava sondando, que a minha recusa em deixá-lo como cuidador naquela manhã o ferira.

— Não sou como Emm, Bells. Sei o que sente. Estamos no mesmo barco. Lembra? Acho que ainda estou longe de perdoar o Cullen pelo que ele fez, mas, ele é irmão de Alice e ela o idolatra. Então estou disposto a suportar a convivência e quem sabe um dia... Além disso, sei que o ama. E vou te apoiar no que decidir. Estamos juntos.

Levantou a cerveja em minha direção, como que propondo um brinde.

Deus, eu o amava tanto. Por que com ele era tão mais fácil?

— E como ficou? Ele pegará o Tony nos fins de semana? Terá férias com eles? Pagará uma pensão?

— Não! Ele me deu espaço. Preciso acreditar que mudou, Jas. Não vou jogar meu filho “em meios as cobras”, ainda mais com Rósalie lá.

— “Pala, Chocolate”! Tá molhada essa sua língua!

Antony, agora estava sentado no chão e o cachorro lambia seus cabelos e o empurrava com as patas grandes.

As risadas continuavam altas.

— E o Cullen concordou “como um cordeirinho de presépio”, com tudo isso? Olha, irmã, ele pode ainda não gerar confiança, mas que mudou, mudou. É visível. Eu não me contentaria com tão pouco.

— Ele concordou. Não tinha como não concordar. Ou era isso, ou nada. Fiquei com pena num certo momento sabia?

— A nova Isabella Swan sente pena? Nossa! É bom saber disso. Sinal de que Emmett não te consumiu ainda...

— Jas... Dá um tempo. Ele tem os motivos dele.

— E eu os meus.

Levantou as sobrancelhas e deu mais um gole na cerveja. Os olhos de Jasper estavam límpidos e ele parecia tão mais leve e feliz.

É isso que o amor faz com as pessoas? Eu havia me esquecido. Se bem que Edward me dera uma prova, naquela manhã, de um olhar de puro amor.

Lembranças on

Voltávamos para casa de vovó lentamente. O sol estava alto já, creio que era bem perto de meio dia.

A claridade batia nos cabelos dele fazendo com que o cobreado chegasse a quase parecer ouro líquido.

— Eu posso fazer mais uma última pergunta antes de entramos? Queria mais tempo, Bella. Queria conversar mais. Sei que quando passamos por aquelas portas você mudará de postura e perderei o pouco que conquistei hoje. Queria mais e...

— Tem muita coisa envolvida, Edward. Infelizmente tem muito perdão a ser dado nessa família e teremos que ir devagar se quisermos que Antony conviva com todos. Seja paciente. Não posso e não vou jogar tudo em cima do meu filho de uma vez. Ele é pequeno. Não devo dar um nó em sua cabecinha.

— Concordo. Só seja paciente comigo também. Estou ansioso. Quero-o. Quero meu melhor amigo Jasper, quero meus tios, quero o amor da...

Passou as mãos pelo cabelo, nervoso. Mas, não concluiu a frase e dei graças a Deus por isso. “Precisávamos aprender a engatinhar, antes de sair correndo”.

— Vou te dar mais oportunidades e espaço para conviver com ele, eu prometo.

Ele assentiu e respirou muito fundo. Buscando controle.

— Bella, só mais uma coisa...

Voltou a segurar meu braço quando estávamos prestes a entrar.

O toque ainda me causava espanto e um certo desconforto. Não havia familiaridade. Infelizmente deixava um rastro de lembranças doídas do tempo em que ansiava tanto por aquilo e me era negado.

— Pode falar.

Voltei-me para ele e devagar, me soltei de seu agarre. O que não passou despercebido de seus olhos, que pareceram decepcionados.

— O que Antony sabe sobre o pai? O que disse a ele sobre mim?

Apreensão e medo, no verde tão conhecido por mim. Eu o via todos os dias. Meu filho os tinha herdado.

— Vai ter que perguntar a ele. E não se assuste se for surpreendido pela resposta mais interessante e sem noção de todas.

E, pela primeira vez desde que começamos a conversar, sorri. Sorri muito.

Ele seguiu-me no gesto.

Falar de Antony nos uniria num mesmo sentimento. E, ao mesmo tempo em que isso era animador, era amedrontador.

Parecia que eu abria a porta para o desconhecido...

Lembranças Off

— Papai, foi muito duro? Te colocou de castigo e tudo mais? Emmett carpiu e você vai juntar as folhas com o rastelo?

— Você está impossível hoje, não é? “Tá felizinho”! Sexo demais “sobe pra cabeça” e deixa as pessoas ridículas. Se cuide, seu bobão!

— E seca faz exatamente o contrário disso aí, maninha. Deixa as pessoas mal-humoradas e ranzinzas, igual o Emmett. Ou você acha que ele anda dando “umazinha” com Leah com aquele barrigão? É por isso que está insuportável. Temos que ter mesmo muita paciência com ele. Eu me compadeço.

— Jas!

Exclamei de horror. A boca dele estava suja demais hoje.

— Se divirta, Bells.

Neguei ainda sorrindo. Ele estava incontrolável.

— Só para você saber, e morrer de inveja, meu pai não me castigou. Esqueceu que sou a queridinha? Só me mandou tomar cuidado e que ao menor sinal de que o Cullen continua sendo o Cullen, que desse um passo atrás e tirasse Antony do meio disso tudo. Charlie é rancoroso, Jas. Mas, não é injusto. Ele sabe dos direitos de pai. Sabia que enfrentaríamos isso quando nos pediu para voltar. Ele não vai sair gritando como Emmett.

— Sorte a sua e falando em Emmett...

Voltou a apontar com a garrafa, agora para longe. Nos limites de nossa casa e a construção de Emm.

Ele vinha subindo, devagar. Com aparência de cansado.

— Droga! Esqueci que ele ainda não tinha entrado. Preciso evitar mais confusões. Antony!

Saí da rede e chamei meu pequeno, que imediatamente parou a brincadeira e olhou para trás vendo o tio que se aproximava.

— Vamos para o banho? Está parecendo um porquinho e vovó não vai deixar ninguém jantar com essa sujeira toda aí.

Ele ainda revezou, algumas vezes, o olhar entre mim e meu irmão. Não tinha medo em sua expressão. Talvez, só um pouco de receio.

Já na de Emmett, mesmo ao longe, era possível identificar, pesar e dor.

É Baby, evitá-lo não era uma punição. Mas, colocar Antony em meio a seus surtos estava fora de cogitação.

— Banho? No seu banheiro?

Eu não entendia a preferência dele por meu banheiro, que era praticamente igual ao dele, só um pouquinho maior.

Mas, em dias de mais manha, insistia no meu. E eu, claro, cedia.

— Não, seu Pestinha. Vai tomar banho lá nos alojamentos dos peões. Está mais sujo que eles.

Jasper o respondeu e Antony sorriu lindamente e veio correndo. Preparei-me para receber o baque e o pegar no colo.

— Titio Jas, bobo, “né mamãe”. Nem sabe que você vai me dar banho quentinho e com muita espuma lá no seu banheiro lindão.

Deus! Ele estava grande e começando e pesar em minha coluna.

— Eu sou bobo e você Porquinho, devia é tomar banho de mangueira fria. Tá mais sujo que o Chocolate. Olha a roupa da sua mãe como está ficando? Olhas esses pés e essas unhas?

Jasper veio até nós e mostrou como eu estava ficando ao segurá-lo.

Nem me importei. Só dei de ombros.

Eu é que não o colocaria no chão. Renée nos “mataria” se tivesse marcas de pezinhos naquele porcelanato branco.

— Sou o Porquinho da mamãe, tio Jas.

E para provar que era mesmo, passou a fazer roncos de porco e a cutucar meu pescoço com o nariz. Em troca fiz cosquinha na barriga dele.

Como se não quisesse nada. Jasper tocou minhas costas e foi nos guiando para dentro, devagar. Sem que Antony percebesse, nos afastando do possível enfrentamento com Emmett.

— Um Porquinho sujo e fedido a cachorro molhado. Só sua mãe mesmo para aguentar. Eu me recuso.

Jasper tampou o nariz e fez careta.

— Você me aguenta “tabém”, titio. É sua “obligação” de tio.

Antony entendeu a mão e passou no braço de Jasper, que logo saiu de seu alcance, brincando.

— Sai pra lá. Já tomei banho e estou cheiroso. Se fizer o mesmo bem rapidinho e ficar lindão igual o titio podemos ir à cidade comer pizza? O que acha?

— Ah! Eu “quelo”! Por favor, mamãe. Por “favozinho”, vamos? Tony tá numa “sodade” de pizza quentinha.

Olhei para Jasper procurando alguma armação por trás daquele convite, mas não encontrei nada.

Parece que ele só queria mesmo nos tirar de casa e evitar mais um embate.

— Humm, se o lindão, tomar um belo banho, lavas esse cabelos e cortar as unhas, mamãe pode pensar no seu caso.

— “Coltar” as unhas, certeza? É ruim, mamãe.

— Se quiser pizza, com muito queijo e bem quentinha...

Ele pensou... Colocou a mãozinha no queijo e pensou, como se pesasse a proposta.

Era lindo demais.

— Tá bom, mamãe. Por uma pizza, eu “colto” a unha.

Jasper gargalhou e fechou a porta atrás de nós quando entramos no quarto. Era a maneira dele de mostrar que não nos deixaria mais aquela noite.

— Certo, então vamos lá.

Entramos no banheiro e, sem precisar mandar, ele foi logo tirando a roupa e jogando tudo dentro do cesto, no armário, embaixo da pia.

— Descalço não, amor. É perigoso.

Ele não retrucou. Foi para dentro do box e se posicionou debaixo da ducha esperando que eu abrisse a água, já que não alcançava o registro ainda.

— Humm, tá quentinha.

— Eu sei.

Empurrei a cabeça dele para debaixo do jato e sorri quando colocou as duas mãozinhas tampando os olhos e deu pulinhos, jogando água para todo lado.

— Para, seu Pipoquinha. Mamãe não precisa de outro banho.

— Sou Pipoca doce, mamãe. Ninguém resiste.

Abri a boca em indignação. Onde ele arrumara essa?

Jasper, que estava dentro do banheiro também, só deu de ombros como se concordasse totalmente.

— Pipoca doce e molhada. E você? Pare de dar asas. Por que não busca uma roupa, apresentável, e um tênis para esse rapaz enquanto lavamos esse cabelo?

— Sim, senhora, capitã.

Jas bateu continência arrancando mais alguns sorrisos de meu filhote.

— Esse xampu é do Tony, mamãe? Aquele que faz bolha grandona e não dói o olhinho.

— Esse mesmo, amor.

Despejei o produto na minha mão e também na dele que a estendia para mim. Logo, todo cabelo claro estava coberto de tanta espuma. Enquanto, deixava o produto fazer efeito, um pouquinho, aproveite e o ensaboei.

Todo sujeira já sumindo e me mostrando meu menino bonito.

Eu estava abaixada e o ajudava. Mas, logo, logo ele faria aquilo sozinho.

Estava crescendo tão rápido. Se tornando independente.

— Mamãe, o dia hoje foi bom, né? Você e o tio “Edwald” tiveram conversa de adulto e só o titio Memmett ficou bravo, você não ficou.

Respirei fundo me preparando para abordar o assunto.

— Tio Edward e eu tínhamos assuntos antigos a resolver, amor.

— Tony não gosta de assuntos antigos. Fazem mamãe Bella “cholar”.

Passei a mão por seu rostinho e lamentei o tanto que minhas posturas interferiam nele. Eu precisava controlar isso urgentemente.

— Mamãe não vai chorar por causa do tio Edward. Já passou. Conversamos e resolvemos as coisas. Aliás, o que acha dele? Gostaria de fazer mais coisas com ele? Passar mais tempo talvez...

Antony levantou a cabecinha e me olhou atentamente, como se tentasse desvendar algo dentro de mim. Desde bebê ele fazia, isso. Parecia que se conectava com minha mente e depois sabia exatamente o que eu precisava ou tentava dizer.

— Eu, eu... Você vai ficar “tliste” ou brava se eu falar que gosto dele e dos papais dele e da “rimã” dele?

— Oh, meu amor, claro que não. Você pode amar quem quiser. Ainda mais se forem pessoas boas com você.

A mais pura verdade do mundo.

— Além do mais, eles te amam.

— Eu sei. E “tabém” gosto deles. Queria mesmo passar mais algum tempo, mas se a mamãezinha ficar “tliste” o Tony desiste. Não gosto que chore, mamãe.

— Tá tudo certo, filho. Não vou ficar triste por isso. Talvez com um pouquinho de ciúmes assim... Se ficar todo manhoso por eles.

Fiz bem pouquinho com o indicador e o polegar, para diverti-lo. Sem bem que, dizem que em toda brincadeira existe um pingo de verdade.

Eu estava pronta para dividi-lo com o pai e sua família?

— Tony não é manhoso, mamãe. Tony é lindão.

— E sapeca.

Baguncei mais seus cabelos, jogando espuma para todo lado e arrancando gargalhadas dele.

— Mãe, nesse rio aqui da nossa fazenda tem peixe igual aquele grandão “nosso” lá do Brasil?

Misericórdia! Estávamos falando de Edward agora. De onde havia saído isso? Além do mais, ele tinha um rio agora.

Era lindo demais esse meu filho.

— Tem. Lógico que tem.

— Hum! E a gente pode pescar nesse aqui “tabém”?

— Com a supervisão de um adulto, que não seja a mamãe, pode.

— Ah, mamãe, você fica se chateando com os “mousquitinhos” coitados! Eles só ficam com fome e “mourdem” a gente.

— Mosquitos picam e não mordem. E eles não têm nada de coitados. Transmitem doenças. São perigosos. Por isso, tem encho de repelente todos os dias.

Passei a água para a ducha da mangueira e voltei a enxaguá-lo. Empurrei sua cabeça para trás e tirei toda espuma do cabelo.

— Tá bom, mas você está “bagunçando” o assunto. Eu “quelo” saber se podemos pescar no rio daqui?

Acho que bagunçando o assunto era o mesmo de distorcendo o assunto.

Virgem Maria! Eu precisava saber de onde vinha tanta esperteza.

— Pode sim, filho. Vovô Charlie não deixa pescadores entrarem nas nossas terras e vovô Carlisle também não. Então tem muito peixes. Mas, por que esse interesse todo?

— Vovô Carl pesca?

— Não sei, Tony. Isso você terá que perguntar para ele. Agora, não enrole e responda, por que quer saber tanto disso? Não me lembro de você gostar tanto assim de pescar. Está aprontando alguma, filho?

Desliguei o chuveiro. Peguei uma toalha limpa no armário e o ajudei a ficar em cima do tapete enquanto tirava todo o excesso de água para depois pegá-lo e levá-lo para o quarto.

— Ah, mamãe, você se “pleocupa” demais. Tony não “aplonta”. Só quero pescar com vovô e é “polque” agora eu tô grande e “quelo” fazer coisas de homens com o vovô Charlie. E ele gosta de pescar.

— É mesmo você está bem grande.

Fingi concordar, mas no fundo estava muito desconfiada. Antony não fazia as coisas “do nada”.

A mente dele funcionava muito além da nossa. De uma maneira muito mais rápida para as crianças de sua idade.

O coloquei em cima de minha cama e o sequei com mais atenção. Alertando-me sempre para as dobrinhas, ainda tinha medo das assaduras.

Antony era uma força da natureza e todo cuidado, ainda era pouco.

— Eu concordo totalmente, já é mesmo um homem. Pode pagar algumas contas para nós.

Jasper voltou com as roupas e o tênis.

— Esse tênis, por exemplo, custou dois dias de trabalho da sua mãe. Pode compensá-la já.

Jas colocou tudo sobre a poltrona e tomou a toalha de minha mão.

— Eu termino aqui. Vá se ajeitar.

Beijou-me no rosto e me bateu com a toalha, de brincadeira, no bumbum.

— Eiii!

— Vá!

Empurrou-me. E foi logo esfregando a toalha, todo brincalhão, nos cabelos de Antony.

Eu só queria vê-lo colocá-los no lugar depois.

— Titio Jas, eu bem que “quelia palgar” as minhas contas, mas sou “explolado” nessa família. Ninguém me “palga”. E olha que cuido dos “calchorros”, dos cavalos, das vaquinhas e da “holrta” e do jardim da vovó e...

Abri meu maior sorriso e corri para o closet a fim de me aprontar.

Antony estava feliz, Jasper estava feliz. Eu estava aliviada.

Era hora de recomeçar e enfrentar o que a vida me guardava. Eu não tinha mais medo do futuro. Arcaria com as consequências.

Alice

— Acorda, Ed.

Joguei o celular dentro da bolsa, depois de visualizar e responder a última mensagem de Jasper.

— Não estou dormindo.

Ele não estava, sabia que não estava. Mas, era como se estivesse.

Meu irmão estava calado a mais ou menos cinco minutos somente encarando o teto de meu quarto.

Sim, eu disse meu quarto.

Depois que chegamos do almoço, na vovó, mamãe e eu arrastamos Edward para a Paraíso, a fim de saber dos detalhes da conversa dele com Bella.

E quando digo detalhes, são os detalhes mesmo, porque era evidente, pela postura dos dois, quando se juntaram a nós, que ambos haviam chorado, mas que chegaram a um consenso.

Eu estava tão feliz! Parece que agora nossas vidas voltariam a seu rumo original.

— Pare de pensar tanto, Ed. Você mesmo disse que Bella comentou que não quer ficar “remoendo” o passado que essa foi a primeira e última vez que verbalizou tudo desde o início. Se perdoe, irmão.

Alisei seu cabelo, carinhosamente.

— Vou me perdoar quando puder tê-los em meus braços para recompensá-los por tudo que causei.

— Ed...

— Eu sei, Alice, não é me consumindo em autopiedade que conseguirei algo. E não farei isso. Foi só um minuto de fraqueza por pensar em tudo que ouvi hoje. Contudo, estou feliz. A minha Bella continua lá, Lice. Eu tive uma prova dela hoje. Ela me perdoou, irmã. Eu só preciso reconquistar sua confiança e trazê-la à tona.

Não ouve desespero nem sofreguidão. Edward estava calmo. E eu me tranquilizei.

Mamãe, ele e eu choramos horrores ao ouvi-lo contar o que Bella passou. Papai só ficou quieto, remoendo sua dor.

Mas agora, meu irmão estava sereno, pronto para seguir e em frente e eu o ajudaria e começaria agora, pois acabara de receber uma mensagem de Jasper dizendo que estavam a caminho da pizzaria, ele, Bella e Antony.

Era agora...

— Vamos começar imediatamente?

Pulei no chão e o puxei pelo braço.

— Vamos! Levante. Vamos pra cidade.

— Não, Lice. Solte-me. Estou com preguiça. Deixe-me aqui curtindo o nada.

Eu soltei e rumei para a porta, era contagem regressiva.

— Ok. Pode ficar aí no marasmo se quiser. Mas eu vou pra cidade. Fiquei sabendo que meu boy está levando a irmã e um sobrinho lindo para jantar.

— O que? Tá brincando comigo? Alice!?

Corri e desci as escadas esperando que ele me alcançasse.

— Mãe, estou saindo. Talvez não volte para casa e durma no flat de Edward.

— Tudo bem, querida. Só me avisa. E dirija com cuidado.

Passei por Esme e Carlisle sentados na sala assistindo televisão.

Meu pai parecia mais calmo.

— Mãe, segure Alice aí.

Edward gritou e veio correndo, se desesperando quando me viu pegar as chaves.

Bobinho! Mal sabia que era um blefe. Eu não dirigiria àquela hora sozinha. Jasper também sabia disso. Tanto que fora dele a ideia de convidar Edward e me pedir para que chegássemos lá “por acaso” para não forçar demais a situação com Bella.

— Tchau, Ed. Te vejo amanhã.

— Mãe!

Voltou a gritar pulando o corrimão quando alcançou os três últimos degraus.

Fazer Edward surtar era fácil demais, bastava citar Bella e/ou o filho.

— Parem! O que está acontecendo? Voltei a ter crianças nessa casa? Daqui a pouco estão se estapeando.

— Crianças que fazem crianças.

Carlisle resmungou quando Edward se colocou a minha frente e segurou meu braço. Esme não estava entendendo nada.

— Diga que Alice não pode ir, pai. Diga que não deve dirigir a noite e que só irá se eu puder ir junto.

Levantei as sobrancelhas quando ele tentou pegar as chaves de minha mão.

Era divertido brincar com o desespero dele.

— Ah, mas ela pode, filho. Tem mais de dezoito anos, faz tempo.

Milagrosamente, depois de tantos anos, Carlisle brincou com Edward e o chamou de filho.

Edward também notou, tanto que parou a brincadeira e o olhou com intensidade.

Foi a minha deixa, saí correndo.

— Sua bandida! Pare agora!

Correu atrás de mim. Alcançou-me antes que eu chegasse à porta.

— Mãe, Edward tá me prendendo.

Gritei Esme.

Estava a ponto de gargalhar da brincadeira, mas me segurei.

— Querem parar? Estão me assustando.

Esme veio para nosso lado e passou a puxar Edward de perto da porta. Evidentemente, já percebera que eu estava brincando. Já Edward... Meu irmão nunca conseguia levar um assunto dos seus Swan’s na brincadeira. Efeito de um passado de erros.

Revirei os olhos quando ele se desvencilhou de mamãe, e só então notei Rósalie nos observando do andar de cima. Ela parecia mais saudosa e triste que o normal.

Imediatamente parei com a brincadeira, sabia o que se seguiria. Esme também já a havia notado ali.

— Alice vai sair e eu vou com ela. Diga, mãe, que autoriza se eu for junto.

— Edward! Sua irmã não tem quinze anos. Não precisa de autorização.

— Mas, eu tenho...

Sorriu brincalhão, ainda sem perceber que éramos observados.

— Tá, seu chato. Vamos de uma vez. Mas, vamos no seu carro, porque sei que o pobrezinho está com os dias contados, já que Antony disse que ele é feio e pequeno.

Edward passara grande parte da tarde fazendo pesquisa de preços e cores de carros e eu sabia que era por causa do que o filho falara. Era emocionante ver que ele procuraria os agradar de todas as maneiras possíveis.

— Meu neto disse isso?

Edward só deu de ombros e sorriu com a lembrança.

— Ele gosta de camionetes, mãe. Quem pode culpá-lo? Já viu a da mãe dele? Mas, podemos deixar essa conversa para depois? Estamos perdendo tempo aqui. Quero estar com eles. Não nos esperem. Adeus!

Dei tchauzinho por cima do ombro, sendo seguida por meu irmão, que antes, entregou minhas chaves a Esme.

— Esperem! Por que não levam Rósalie? Fiquei sabendo que abriu um restaurante novo na cidade e seria uma boa oportunidade para ela...

— Mãe...

Adverti, ao perceber Edward trincando os dentes e segurando as chaves com mais força.

— Estamos indo para a pizzaria encontrar Jasper, Antony e Bella. Não é uma boa ideia.

Voltei a olhar para cima, vendo minha irmã baixar a cabeça e voltar para seu quarto. Ela era a única que ainda não conhecia Tony.

— E daí? Poderiam levá-la assim mesmo. Talvez seja à hora de Bella saber que a irmã de vocês...

— Nem comece, Esme. Aquela mulher nunca chegará perto do meu filho e de Bella, outra vez. Sei do que é capaz. A senhora que insiste na cegueira.

— Edward!

— Quer saber? Tchau! Não vou discutir, Esme. Estou feliz. E vou ver meu filho e a mulher que amo. Boa noite.

Esme odiava quando Edward não a chamava de mãe, e toda vez que ela insistia no assunto Rósalie ele fazia questão de fazer isso.

Era como se quisesse mesmo punir mamãe por algo.

— Tenha paciência, mãe. Ele conseguiu o perdão de Bella hoje. Não colocará isso em risco por nada, ainda mais por Rósalie. Acho que esse será um assunto que as duas terão que discutir, assim como Bella e eu. E terá que ser longe de Edward. Porque, pode ter certeza, ele os colocará numa redoma se tiver a oportunidade, para que nada nem ninguém os afetem mais.

— Eu só quero minha família de volta, filha.

— E terá. Começamos a ajeitar as coisas. Primeiro foi Jasper, depois tia Renée e agora Bella e Antony.

Sim, já sabíamos dos planos de vovó para comprar o hospital e todos aprovavam. Aquela história dos Volturi realmente nos deixara embasbacados.

— Vamos com calma, mamãe e...

— Alice! Você vem?

Edward gritou e ligou o carro. Se não corresse era bem capaz de ficar para trás, tamanha ansiedade dele.

— Paciência, mãe...

Beijei o rosto dela e saí correndo. A ajudaria como pudesse, de uma maneira que não colocasse o que conquistamos em risco.

— Nervosinho hein, maninho!

— Nervosinho e ansioso. Coloque o cinto!

Fiz o que ele pediu já pensando em como faria para chegar à pizzaria, ao acaso, e não irritar Isabella pela tramóia de meu namorado e eu.

Difícil!!!

Bella

— Posso ajudá-los?

Jasper puxou a cadeira para que eu me sentasse, enquanto Antony deu a volta, esperando que alguém o ajudasse a ocupar seu lugar.

— Bells?

— Vamos tomar algo enquanto escolhemos a pizza. Tony, o que quer?

Ele fez caretinha e me preparei para a pergunta de sempre, quando saíamos. Jasper adorava essa parte.

— Posso tomar uma “coquinha”, mamãe? Uma bem pequenininha? Hoje é domingo e domingo é dia de Coca-cola.

Palavras claras de Emmett.

Sorri com a familiaridade.

— Uma Coca bem pequena para esse rapaz, porque amanhã já é segunda e voltamos para os sucos saudáveis.

O Garçom sorriu e anotou o pedido.

— E para vocês, um vinho, uma cerveja?

Jasper não respondeu, esperou... Eu sabia o que ele pensava.

— Pode beber, irmão. Já fez isso mais cedo mesmo. Eu levo o carro. Só preciso que não durma. Eu quero um suco de laranja, por favor, com açúcar e gelo.

A boca bem que salivou por um refrigerante também, porém, por causa da insônia, era proibida, clinicamente, de consumir cafeína à noite.

Também deu vontade de uma taça de vinho tinto, doce, mas, Jasper já tinha tomado uma cerveja lá em casa e queria outra agora, eu o conhecia.

Daria isso a ele. Seria a motorista da vez. Ele merecia. Contanto que se mantivesse acordado, eu levaria o carro com tranquilidade.

— Se é assim... Quero uma puro malte, bem gelada.

Fingi repugnância para o pedido. Cerveja já era amarga demais para meu paladar, as puro malte então.

— Volto num minuto.

O rapaz colocou os cardápios ao nosso lado e saiu. Jasper fechou a expressão para ele e não entendi.

— Os caipiras do interior estão ficando “atiradinhos”. Se ele olhar mais uma vez para seus peitos, juro que vamos embora.

— Jasper!

Olhei para baixo, o vestido nem tinha tanto decote assim.

— Mamãe, me dá colo? A cadeira é baixa.

Ainda embasbacada, me virei para Antony e o puxei para meus braços, só entendendo seu pedido quando ele se encostou totalmente em meu peito.

— Isso aí, Tampinha. Quero ver alguém babar aí agora.

— Eu cuido da minha mamãe, titio.

— Ahhh, parem vocês dois.

Abri o cardápio ignorando as risadinhas e o instinto possessivo que meus irmãos e meu pai, passavam a meu filho. Era só o que me faltava mesmo!

— O que vamos comer?

— Podemos “peldir” uma batatinha? E uma pizza de frango e uma de peperoni e uma de presunto e uma de chocolate e de...

— Ei... Calma aí, Pequeno. Vamos começar pela batatinha e uma pizza grande, metade peperoni e metade de tomates secos. Pode ser, Bells? Ou vai deixar que seu filho deixe nossa loja aqui no caixa como pagamento?

— Ótimo pedido. E nada de deixar a loja como pagamento. Investi tudo que tinha nela.

Antony se apertou mais em mim, quando o garçom voltou com nossas bebidas. Jasper o passou o restante do pedido e juro que o rapaz, ficou meio preocupado com o tamanho da animosidade de meu irmão.

— Por que não toma um vinho? Dormimos aqui, na cidade, hoje. Eu ligo e aviso papai.

— Tony não pode “dolmir” na cidade, tio Jas. Temos que ver o Thor cedinho. Ele fica “tliste” quando não vê a gente, não é mamãe e...

— Droga! Droga! Não surte! Pelo amor de Deus, não surte!

— O que foi?

Virei para trás em busca do que tinha feito Jasper interromper Antony e segurar minhas duas mãos por cima da mesa.

O que vi, ou melhor, quem eu vi, foi e não foi surpresa. Sinceramente? Eu já esperava.

Havia “aberto uma porta” para que os Cullen’s se aproximassem e era evidente que meu irmão não perderia essa oportunidade de trazer Alice para mais perto.

— Tsc, tsc, tsc... Ahhh, Jasper! Você já foi mais criativo.

Alice e Edward entravam pela porta e, sem nenhum pudor, deram uma conferida no restaurante todo, até nos encontrar a esquerda, perto da janela.

A Cullen ainda foi capaz de “fingir” espanto. Já Edward abriu seu maior sorriso nem disfarçou.

— Eu juro, Bells. Juro que não falei nada. Que mundo é esse? Essas coincidências me assustam.

— Tá, irmãozinho querido, e eu sou a fada do dente.

— É? Você é a fada do dente, mamãe? Cadê suas asas?

Impossíveis de ficarmos sérios com aquela pessoainha linda no meu colo, rimos.

Tínhamos que pensar demais no que falávamos perto dele.

— Não, filho. Mamãe está brincando, sendo irônica, com seu tio porque ele está mentindo.

— Hum, isso não é bonito, titio. Seu dedo do pé vai cair se mentir. O vovô falou que homens de “despeito” não fazem isso.

Mais uma vez sorrimos e foi o tempo certo dos irmãos Cullen chegarem até nós.

— Respeito, amor. Homens de respeito.

— Foi isso que eu disse, mamãe. Olha... É o titio “Edwald”.

Era o tio Edward em toda sua glória e beleza parando bem ao nosso lado.

— Boa noite. Olha que coincidência... Edward e eu estávamos na cidade e deu uma fome de pizza. Que bom encontrá-los aqui. Podemos nos sentar?

Os dois, mais Jasper, centraram as atenções em mim. A curiosidade em saber o que fariam se eu disse não, foi quase tentadora demais.

— Uma grande coincidência mesmo. Sentem-se. Fiquem a vontade.

Bem que eu disse, quase tentadora demais...

Sem pensar muito, Alice se colocou ao lado de meu irmão e Edward veio para a cadeira que Antony ocupava agora a pouco.

Jasper e ele se cumprimentaram com acenos de cabeça, quase do mesmo jeito que Alice e eu.

— O que querem beber? Estou na cerveja e Bella no suco, nos acompanham?

— Ed...

— Pode tomar a cerveja, irmã. Eu dirijo mesmo.

O garçom voltou para perto de nós e Antony voltou a se encostar.

Jasper não segurou a risada, atiçando a curiosidade da namorada. Falando em namorada, o mais interessante, é que nem se cumprimentaram como tal, nada de beijinhos... Eles estavam levando a sério a coisa de manter tudo às escondidas.

— Perdemos alguma coisa? Piada interna?

Alice me perguntou, mesmo sabendo que a tal aproximação ainda era complicado para mim.

— Não é piada, titia. O “galçom” tava olhando para minha mãe. E não é nada educado olhar para as mamães. “Polisso” sentei no colo dela. Ninguém pode ficar olhando para a mamãe do Tony.

Edward

Eu quis pegar meu filho do colo da mãe e o beijar, beijar muito até que toda aquela fofura e inteligência expandissem mais ainda.

Alguém me entendia... Será que Bella toparia levá-lo para a universidade com ela?

Por Deus, ela estava linda, aliás, sempre fora linda. Mas, misericórdia, aqueles vestidos me matariam. E é óbvio que as pessoas olhariam. Eu olhei...

E tinha sentido deixar o ciúme tomar conta?

Claro que não! Eu fizera aquilo.

Tinha mais é que aceitar calado e me corroer por dentro.

Já meu filho e meu cunhado...

— Tá bom, Pequeno. Toma seu refri. Ninguém vai olhar para a mamãe mais, tia Alice chegou. Olha só para ela?

Eu quis repreendê-la, quis muito. Mas, não tinha esse direito, ainda... Porém...

— Tô olhando... Tia Lice é “monita”. Mas, acho a mamãe mais. Tia Alice “pecisa ulgente” comer mais feijão.

— Antony!

Jasper disfarçou a risada com uma tosse. Eu gargalhei mesmo, na cara dura.

Bella repreendeu nosso filho. Ficaria feliz se ela sempre se encarregasse dessa parte, porque eu queria mesmo era mimá-lo muito.

— O quê, mamãe? Vovó Renée diz que tem que comer feijão para “engoldar” e ficar “monito” e forte. Titia tá magra. Não tem corpão igual à mamãe.

Alice ficou vermelha, de vergonha, e eu podia jurar que beliscou Jasper nas costelas. Em mim, atirou um guardanapo.

— Filho, não pode falar assim de uma mulher e...

Era a minha oportunidade, o queria perto de mim. Precisava do contato. Por isso, interrompi Bella.

— Ei campeão, venha aqui no meu colo. Está grande demais para sua mãe. Deixa eu te explicar uma coisa.

— Mas, titio, o “galçom”.

— Não se preocupe com ele. Sua mãe é linda, deixe- o admirá-la. Mas, se passar dos limites teremos uma conversa de adulto com ele. O que acha?

O puxei para mim, não temendo mais o contato e a repulsa de Bella. Ela havia me perdoado. Devagar encontraríamos o ponto certo de conviver, por enquanto.

— Só olhar?

— Só olhar, de longe, disfarçadamente e nunca, nunca tocar sem que ela deixe.

— Se é assim, sim.

Sentei-o de lado, em minhas pernas, voltado para a mãe.

— Agora quanto à titia Alice, ela é magrinha mesmo. E há gosto para tudo.

Sorri mais para ela que me estirou a língua.

— Estou brincando... Cada mulher é bonita a sua maneira, Pequeno. E não é educado, nem cavalheiro dizer que não são. Mulheres são especiais. Gostam de elogios. Devemos sempre e sempre deixá-las saber que são e estão cada vez mais bonitas.

Terminei a frase olhando nos castanhos mais intensos que eu conhecia e amava.

— Entendi, titio. Desculpa, titia. Eu não quis ser “descavalheiro”. Você é linda. Só é diferente da mamãe Bella.

Nisso eu tinha que concordar. Alice era muito... Toda patricinha. Sempre preocupada com dietas. Branquinha, maquiada vinte quatro horas por dia. Impecável.

Já Bella, era bonita de natureza mesmo. Com cabelão, corpo estruturado, mas com curvas avantajadas e todo malhado. Graças, creio eu, ao trabalho na fazenda desde sempre, que também a mantinha bronzeada o tempo todo.

Era Perfeita!

— Isso! Belezas diferentes. E não precisa se desculpar, querido. Titia entendeu desde a sua primeira frase. Esses dois que ficam rindo feito bobos. Estão felizinhos, não é?

Dei de ombros e para acreditar que era real beijei os cabelos dele. Era meu filho em meus braços com a aprovação da mãe dele.

— Batatinha chegando!

Jasper apontou... E o tal garçom se aproximou. Por puro extinto e ignorando a lição que havia acabado de dar a Antony, fechei a expressão para ele.

Ahhh, se ele ousasse...

— Pedimos a batata e uma pizza grande de Peperoni e tomates secos. Se quiserem outra, fiquem a vontade.

Alice levantou as sobrancelhas em minha direção... é, eu me lembrava. Peperoni era o sabor preferido dela e de Jasper. Bella e eu sempre comíamos a de tomates secos. Eu a ensinei a gostar. Bella sempre preferira carne em tudo. Mas, um dia a fiz experimentar tomates secos e então... Apaixonou. E pelo que parece, alguns velhos hábitos permaneciam.

— Está perfeito para mim.

— Para mim também.

Minha irmã e eu concordamos.

Coloquei sal na batata, soprei uma, porque estava quente, e então entreguei na mão de Antony, sem perceber que Bella fazia o mesmo.

— Duas! Obrigado.

Sorrimos um para o outro quando nosso filho pegou uma em cada mão.

— Tony feliz! Tony se divertindo com família nova. Pena que titio Memmett não tá bonzinho para “vim” comer com a gente.

— Ele vai ficar bonzinho, amor. A rabugice vai passar.

— Ou não. Você sabe que Emmett sempre foi meio amargo, irmã. Só com vocês que ele se derrete. Acho que você é quem tem que resolver essa situação com ele. Não estamos encontrando um meio termo aqui? Encontre um lá também. Por Antony.

Jasper estava certo. Eu sabia que era egoísmo meu os querer bem só comigo. Emmett os merecia. Esteve lá quando não estive.

— Posso tentar falar com ele se quiser. A culpa é minha.

Falei baixo para Bella aproveitando que Jasper e Alice estavam perdidos em seu mundo e Antony saboreando mais algumas batatas.

— Não precisa. Sei como chegar a meu irmão. Só estou deixando a culpa fazer sua parte. Ele estará mais calmo em alguns dias e então cederá em algum ponto. Aí será a minha oportunidade. Não tente nada. Não faça piorar... Deixe que com meu pai e Emm eu ajeito, tá? Só peço que mantenha Rósalie longe.

— Mas...

— Quem é “Lósalie”?

Lice e Tony disseram ao mesmo tempo.

Bella não respondeu a nenhum dos dois.

Alice porque a cortei, só com o olhar, antes que começasse. O assunto Rósalie estava fora de cogitação. E também porque, tenho certeza, a mãe do meu filho, ainda não estava pronta para deixar “Alice entrar” totalmente.

Já sobre o que dizer a Antony, certeza que ficou sem palavras. Então, fui a seu socorro.

— Não é ninguém importante, Campeão. Nem a conhecemos direito.

Alice abriu a boca em incredulidade e Jasper aproveitou e colocou uma batata em sua boca a impedindo de insistir em um assunto difícil para Bella.

— Assuntos fáceis, amor. Estamos reaprendendo a caminhar, lembra? Nada de polêmicas.

— Mamãe, “pol que” o titio chamou a titia de “almor”? Igual você me chama?

— Boa pergunta, filhote. Responda seu sobrinho, Jasper. E que seja uma resposta muito boa, porque senão é bem provável que esse “amor” chegue lá em casa amanhã mesmo, na mesa de café... E aí... Se prepare.

Jasper ficou pálido e foi inexplicável a sensação de ouvir a risada alta de Bella. Trazia normalidade, felicidade e esperança, muita esperança...

Notas finais
Bom, recadinhos... O primeiro é que amei os comentários do capítulo passado. Vocês sabem me fazer feliz. Obrigada por tanto carinho. O segundo, é que como a maioria já sabe, meu esposo e eu somos comerciantes, então, graças a Deus, entramos num período de muito correria e fica impossível nos dedicar a outra coisa, no fim de ano, que não seja as lojas. Então, esse foi o último capítulo de 2019. E só volto depois do dia 15 de Janeiro, porque ainda temos o tal do balanço para fazermos no início do ano. E, por fim, desejo a todas um Natal abençoado e cheio de muita saúde, amor e prosperidade. Que Jesus as presenteie com o que mais desejam. Também, anseio que o Ano Novo de vocês, seja o recomeço... que tudo de ruim fique para trás e que só boas novas venham em 2020. Beijinhos e nos vemos em breve!