Quando o passado não te deixa viver

51 Nada como um dia após o outro


Notas iniciais
Bom dia, meninas! Nos falamos melhor lá embaixo. Capítulo dedicado totalmente a FernandaG que começou a ler agora a pouco e comentos em vários capítulos. E para fechar com chave de ouro me presenteou com uma recomendação linda. Obrigada pelo carinho!

Bella

— NÃO! O quê? Pai, me coloque no chão! Eu não vou sair daqui. EDWARD!

Droga! Droga!

— CHARLIE! Não!

Me debati! Pernas e braços batendo, de qualquer jeito. Remexer era questão de vida ou morte.

Eu precisava, precisava...

— Não vou te soltar! Pare quieta ou vai nos derrubar dessa escada. Mais duas pessoas saírem machucadas dessa desgraça toda, não ajudará em nada.

Mais duas? O que ele estava dizendo?

— EDWARD?

Gritei de novo, agora com a atenção voltada pelo caminho de onde viemos. Os sons estavam longe, porém o barulho de briga era inconfundível.

— Me solte! Pai? Ela vai mata-lo. Eu preciso...

— Precisa ficar quieta e não tirar a atenção do seu noivo daquela baderna lá em cima. Ele precisa se concentrar.

— O senhor não entende. Ela está louca, não hesitará. Matará a todos.

Charlie ofegou alto quando chegamos ao átrio de entrada. Sua respiração indicava quanto esforço tinha feito ao me carregar naquelas escadas e corredores estreitos.

— Abra!

Ordenou a Jasper que já estava do lado de fora, ainda segurando Antony com toda força.

— Meus filhos? Onde estão meus filhos.

De imediato ninguém respondeu Carlisle. Jasper e meu pai muito ocupados informando as autoridades, que já cercavam o local, das notícias. E deixando-os saber que o apartamento tinha um estoque de combustível.

— Vocês e vocês, corram para os outros andares. Arrebentem as portas, se precisarem. Tiirem os outros moradores daqui. Se é que existe mais algum nesse “caco velho”.

Apontou para um grupo uniformizado de laranja. Depois se dirigiu a outros dois, de cinza, que estavam mais perto da porta.

— Subam e ajudem o rapaz no que quer ele esteja fazendo. Tomem cuidado! A mulher está desequilibrada e armada.

— O quê? Eu vou junto.

Carlisle fez menção de correr para dentro, porém Jasper segurou seu braço.

— Tio, se concentre. Deixe os profissionais agirem.

— São meus filhos!

— Eu sei. Mas o senhor precisa ajudar da maneira certa.

Jasper passou Antony para os braços dele, certo de que entendesse o que estava dizendo.

Ao mesmo tempo que Charlie me colocou no chão.

Logo meu irmão passou os braços a minha volta, impedindo que eu corresse para lá.

— Jas, eu, eu... preciso voltar lá. Preciso ajudar e...

De repente, tudo se aquietou. Um barulho inquietante fazendo todos prenderem a respiração: um estampido.

Um estampido de arma de fogo!

— NÃOOOOO!

Porém, meu grito foi abafado pelo “boomm” forte de uma explosão.

— PARA O CHÃO!

Um oficial gritou, quando estilhaços de vidro e concreto foram atirados em nossa direção.

— Por favor, por favor...

Gemi baixo entre os braços de Jasper. Os olhos apertados e os gemidos clamando em uma oração.

— Por favor, Deus. Por favor.

Continuei a sinfonia até que tudo se aquietou, e as pessoas começaram a se levantar.

Forcei o corpo e os olhos na direção do prédio e a visão nublou meus sentidos.

Fogo saia pelas janelas, uma fumaça preta e de odor intoxicante tomava tudo.

— Mamãe, o papai...

— Ele está bem, filho. Está bem. Já vai descer, já sim...

Respondi no automático, torcendo para que minhas palavras se tornassem reais.

— AH DEUS! Meus filhos!

Carlisle voltou a gritar quando, sem nem perceber, me coloquei de pé e tentei o acompanhar.

Porém Jasper e meu pai formam mais ágeis. O primeiro me segurou enquanto o segundo se esforçava para meu sogro, arrancando Antony dos seus braços.

— ME SOLTA, JAS! AGORA! EU PRECISO, PRECISO...

Mas ele não o fez, só me segurou mais forte e escondeu meu rosto em seu peito.

E foi então que a fumaça e os cheiros fortes nos atingiram, levando minha mente a ficar confusa e meu corpo começar a amolecer.

— Bella? Bella? Não! Por favor uma ambulância...

Meu irmão me sacudia, mas eu não queria estar consciente. A dor era tanta. Eu sentia meu coração e alma se despedaçando em mil partes e...

— Ah Deus!

— SOCORRO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE. ELE ESTÁ INCOSCIENTE!

Aquela voz, eu... eu a conhecia... eu...

— Segure-o.

Carlisle murmurou para alguém próximo, imaginei que fosse meu pai. Já que eu me recusava a voltar a mim.

— Graças a Deus! Graças a Deus!

Charlie entoava baixinho. E foi nesse momento que Jasper saiu da inércia, segurou meus ombros, forçando-me a se soltar do dele. Para só então me balançar com mais força.

— ABRA A PORRA DOS OLHOS, BELLA! Não é hora de desmaiar e se entregar ao desespero. É hora de agradecer e ajudar. Abra os olhos!

A ordem dele foi tão contundente que quase não percebi duas mulheres, muito conhecidas, correndo em nossa direção já com suas maletas a postos.

— Charlie? Ah! Graças a Deus. Vocês estão feridos?

Renée já tocava Antony e meu pai freneticamente, em busca de algo. Esme desviou sua rota no último instante e meus olhos a acompanharam, logo depois, meus pés seguiam o mesmo caminho.

— Ele está bem? Por favor diga que ele está bem?

Carlisle e mais alguns socorristas já haviam o libertado do agarre de Rósalie e o deitado em uma maca, retirada de não sei onde. Era Edward, o meu Edward, bem ali.

— Oxigênio. Tragam o oxigênio. Onde está a ambulância? Ele precisa ser socorrido imediatamente. Rósalie, deite-se! Bella, se acalme! Se afaste! Vá para o hospital com Antony, vocês também precisam ser examinados. RENÉE! Me ajude aqui!

Esme tirava minhas mãos de Edward, que insistemente, eu teimava em tocar.

— Filha, vamos. Precisamos ir e...

— NÃO! Não vou deixa-lo mãe. Nunca mais. Por favor não me peça isso. Eu...

As lágrimas escorriam de meu rosto. O desespero ameaçando me tomar de novo.

— Tirem todos da entrada. Precisamos aproximar o caminhão para tentar apagar o fogo rápido. A estrutura está comprometida. Isso vai desabar e ainda tem uma vítima lá em cima.

Os bombeiros já seguravam as macas, com Edward e agora uma desnorteada Rósalie, em outra. Os segui de perto e foi a deixa para Charlie voltar a me segurar e tentar me levar para longe.

— Não! Pai, eu não posso perdê-lo. Por favor, por favor?

— BELLA! BELLA! Olhe para min, querida. Está tudo bem, amor. Tudo bem. Estaremos atrás da ambulância. Ninguém vai perder ninguém. Só deixe que eles sejam socorridos. Você está atrapalhando. Além disso, Antony está aos gritos, ele precisa de um dos pais para acalmá-lo. Vamos, Bella! Traga sua fortaleza para cá. Precisamos dela agora. Ninguém vai morrer, filha. Edward é forte. Sua tia não vai deixá-los morrer. Sua mãe também não.

Mesmo que eu não quisesse, suas palavras me fizeram parar. Porém... o medo era maior.

— Eu não posso, papai. Eu...

Sem forças, vi as macas serem colocadas nas ambulâncias e as portas se fecharem.

Sirenes e luzes vermelhas tomando tudo ao nosso redor.

— Você pode, você vai. Vamos sair daqui. O quanto antes chegarmos ao hospital, mais rápido estará com Edward.

— Pai, e se ele, e se...

— Não existe essa possibilidade, amor. Edward está a caminho do nosso hospital. O impossível será feito por ele. Agora vamos rápido! Quero ajudá-lo se precisarem de mim.

Acenei em concordância para minha mãe, enquanto meu pai me arrastava para a camionete no fim da rua.

— Saiam, saiam! Vai cair! Corram! Saiam daí!

O tumulto a nossas costas me fez olhar por cima do ombro, antes de uma enorme nuvem nos engolfar e Charlie juntar minha mãe e eu em seu peito, como forma de proteção.

— Estamos indo para o hospital, Jasper. Fique aqui. Certifique-se que o problema realmente se foi. E ligue para seu irmão. Precisaremos dele no hospital.

Foram as últimas palavras de Charlie antes de nos colocar no carro e nos afastar dali, onde um dia existiu uma carcaça de prédio.

Edward

Não! Me solta! Eu preciso...

Ai... uma pontada de dor em meio a bruma que tomava minha mente e a inércia que atingia meu corpo.

Eu não vou deixa-lo de novo. Não vou. Me solte, pai!

A voz ao fundo era sofrida e eu queria reagir a ela. Porém, tudo parecia impossível. Minha mente pesava toneladas e minha voz não parecia ao alcance.

Eu só ouvia...

— Filho, está ouvindo? Está tudo bem. Bella e Antony estão bem. Rósalie também. Todos estão seguros. Pode relaxar agora. Precisamos cuidar de você, amor. Relaxe, querido.

Esme, era Esme. Isso significava que estava no hospital? E, se eu estava, Bella e Tony também estariam, certo?

Esme disse. E minha mãe não mentia.

— Vocês estão seguros agora, filho. Seu pai está na porta do quarto onde sua noiva e filho recebem os primeiros cuidados. Ele não sairá de lá. Fique calmo.

Por Deus! As palavras dela despertaram-me de repente.

— EDWARD!

Gritou segurando meus ombros, tentando me forçar a voltar a deitar. Só que eu era mais forte e já arrancava a máscara de oxigênio e as “porcarias” de tubos que enfiaram em meus braços.

— Se acalme. Está tudo bem. Me ajudem a segurá-lo. Apresse com essa medicação.

— NÃO!

Rugi quando a palavra “medicação” atingiu meus ouvidos. Ela não me doparia. Eu precisava estar alerta.

— Calma. Pelo amor de Deus, calma. Está tudo bem. Todos estão a salvo.

— Você não entende!

Puxei, mais uma vez os braços, e sacudi para longe quando tentaram me espetar.

— Querido, precisamos te levar para a radiografia. Você inalou fumaça. Seus pulmões podem estar comprometidos. Algum órgão pode ter danos e...

— NÃO! Não vou a lugar nenhum. Ele vai, ele vai... NÃO!

Gritei com mais força quando a maldita agulha atingiu meu braço.

— Porra, Esme! Ele vai tirá-la de mim! Ele vai leva-la de novo. Isso tudo serviu para comprovar que não os mereço. Que sempre os colocarei em risco. Ele vai sumir com eles de novo. Eu não vou aguentar, mãe.

— Do que está falando, amor? Tânia não pode fazer mais mal a ninguém. Ela está acabada e...

— Ela não! Ele! Charlie! Lembra da última vez que Bella veio parar num hospital por minha culpa? Ela amanheceu e não anoiteceu. A história se repete mãe. Eles vão, vão sumir e...

Minha mente começou a vaguear e o corpo a amolecer.

— NÂO!

Me debati com mais afinco quando percebi que ela havia me sedado mesmo e logo eu perderia a consciência e quando acordasse... Ah não!

— NÃO!

—Edward, Edward? Me escute, filho. Se acalme e...

— NÃO! EU NÃO VOU PERDÊ-LOS DE NOVO.

Mãos me seguravam, enquanto eu tossia como um louco e me debatia.

— O que está acontecendo aqui?

— Renée, graças a Deus. Graças a Deus. Convença esse menino de que Charlie não fugirá com Bella e Antony. Ele não me deixa cuidá-lo. Está descontrolado.

Esme se afastou minimamente para que o olhar de minha tia encontrasse o meu apavorado.

— Querido, ei! Olhe para mim... só para mim. Se concentre na minha voz. Respire fundo, se acalme.

Tentei, mas era impossível. A dor e o medo de perder meu mundo era mais forte do que qualquer coerência ou sedativo.

— Não! Se não se acalmar e respirar não vou falar. Sairei daqui imediatamente.

— Não! Tia, espere.

Segurei seu braço firmemente e vociferei. Se ela permanecesse ali comigo, Charlie não poderia fugir. Ele não deixaria a esposa, ou deixaria?

— Então se acalme. Respire. Isso! Mais uma vez. Muito bom. Faça mais três vezes.

Esme, aproveitando que eu fazia exatamente o que minha sogra mandava, recolocou a máscara de oxigênio em mim, e passou a deslizar o estetoscópio frio por meu peito.

Tia Renée segurava meu pulso e consultava o relógio.

O que elas não entendiam é que eu estava bem, só precisava colocar mãos e olhos em Bella e tudo se ajeitaria.

— Tia, não deixe. Por favor, não deixe tio Charlie os levar. Sei que por culpa minha eles se feriram de novo, mas eu prometo que isso nunca mais se repetirá. Serei mais cuidadoso. Serei uma sombra para eles e...

— Querido, querido... Shiiii.

Pacientemente, ela segurou minha mão, que arrancava a máscara de novo, recolocou-a no lugar e disse baixo e calmamente.

— Bella e Antony não vão a lugar algum. Eles estão recebendo os mesmos cuidados que você. Antony está no quarto aqui do lado com Charlie e seu pai feitos dois cães de guarda a volta. Bella está no raio x, provavelmente identificando uma costela quebrada. E sua irmã está no tomógrafo, estão investigando alguma lesão. Todos estão sendo cuidados. Ninguém vai fugir, Edward. Nenhum deles tem condições disso. Seu pai não perderá Charlie de vista, eu ficarei a seu lado até que acorde. E, se tudo isso não basta, acha mesmo que Bella te abandonaria?

Meus olhos presos ao dela em busca de mentiras, me fizeram ficar quieto. E foi a deixa para Esme me espetar mais uma vez.

— Mas, que droga, mãe!

— Charlie e Jasper tiveram que dar duro para impedir Bella de entrar naquele prédio atrás de você. Ela não vai te abandonar, Edward. Só estão separados agora, porque precisam de cuidados diferentes. Mas prometo, filho, que assim que possível, mandarei coloca-los em um quarto só. Até mando aproximarem as camas se jurar ficar quieto e deixar os médicos trabalharem. Querido, seus pulmões precisam de cuidados. Relaxe e deixe os medicamentos fazerem efeito.

— Tia...

Meus olhos embaçaram e puder sentir as lágrimas se acumulando nos cantos. Eu estava apagando.

— Ninguém vai tirá-los de você.

— Jura?

Gemi como uma criança mimada.

— Claro que juro!

— Fica comigo então?

Ignorei o resmungo de Esme, quando, num último esforço, segurei a mão de Renée com mais força.

— Até você acordar. Não sairei daqui. Pode descansar. Você merece, Amor. Salvou minha filha e neto. Eles não estão feridos por sua causa. Estão vivos por sua causa, isso sim. Descanse, filho.

Os lábios dela baixaram em minha testa. E pela primeira vez desde que Antony desapareceu, ousei respirar aliviado.

Tudo se ajeitaria, eu tinha fé.

Contanto que Meu Amor e Filho estivessem comigo, tudo ficaria bem.

Bella

— Oi.

— Oi.

Suspirei baixo e remexi a mão, inquieta ao sentir a agulha espetando meu braço.

— É só o soro, com uma medicação para dor. Não! Fique quieta!

Emmett segurou meus ombros quando tentei forçar o corpo para cima.

— Têm duas costelas estaladas aí. E uma concussão enorme na cabeça. A vadia te deu uma “coronhada”?

Apontou para meu peito e cabeça.

— Precisa de repouso para se recuperar e eu garantirei isso, pelo menos quando estiver sob meus cuidados.

Não deu tempo para que raciocinasse e respondesse as questões que levantou.

— Antony?

— Com papai e Charlie no quarto ao lado. Mas, por pouco tempo. Ele já recebeu alta da pediatria, só está esperando você e Edward acordarem para se despedir. Alice vai leva-lo para a Sonho Azul. Vovó e Leah cuidarão dele por enquanto.

Assenti. Mesmo que doesse saber que nos separaríamos, hospital não era lugar de criança.

— Edward?

— Dormindo, há dois quartos daqui. Esme disse que foi preciso uma “dose cavalar” para derrubá-lo. O maluco acha que fugiríamos com vocês.

— Pode culpa-lo?

Emmett deu de ombros e sorriu, matreiro, mostrando as covinhas.

— Renée, aparentemente, está lá velando o sono dele. Parece que só assim foi convencido a descansar.

— E Rósalie?

Pela primeira vez, em anos, vi algo nos olhos de meu irmão que há muito havia desaparecido.

— Está descansando em outra ala daqui.

Fez uma careta e suspirou logo em seguida, deixando transparecer preocupação e mais alguma coisa que fez questão de esconder, voltando a falar.

— Ela está bem? Porque nos salvou e depois salvou Edward, não quero que nada de...

— Ela está bem, não se preocupe. Teve uma pequena queimadura nos pés e contusões por causa dos destroços que voaram após a explosão e também pelo peso de Edward, já que teve que, praticamente, arrastá-lo semi-inconsciente para fora.

— Queimadura? Nossa! Ela é muito vaidosa. Espero que não deixe marcas.

— Ah, não! Se aquiete, Bells. Pense em você, pelo menos uma vez na vida. Tia Esme disse que foi de primeiro grau, e foi no pé. A carinha bonita só teve um arranhão superficial perto da sobrancelha.

— Bonita é?

Ele não respondeu de imediato. Pensou e pensou e só depois desabafou algo que eu espero ouvir há tempos.

— Ela continua linda. As vezes estremeço quando a vejo, como se algo quisesse acender “um palheiro” apagado há séculos. Mas, aí, lembro de Leah e do presente lindo que me deu, e me acalmo. Rósalie é só uma lembrança, confesso que uma exuberante. Porém, Leah... Leah é... vida! Futuro!

Respirei aliviada, assim como ele. Era bom ouvi-lo falar do que sentia. Emmett sempre fora reservado e quando eu ficava imaginando que por minha causa não viveu seu grande amor, sofria.

Meu irmão merecia o melhor.

— Todos temos um futuro lindo pela frente.

— Sim, lindo. Mas que quase foi estragado por você, sua “cabeça de melão”! O que estava pensando, Bells?

— Em Antony. Só em Antony, irmão.

Emmett negou, com a cabeça, e esfregou os cabelos. Uma mania, que eu percebia agora, era marca registrada de nossa família ao expressar frustração.

— Podia ter falado com alguém. O impulso quase os matou, irmã. Prometa que será mais cuidadosa da próxima vez. Se bem que, acho que não terá próxima vez, já que Tânia...

— O que aconteceu com ela? A última coisa que me lembro foi do prédio desabando tão perto de nós, que fez o chão tremer.

Emmett não mediu palavras. A raiva aqueceu suas bochechas e a coloração vermelha se expandiu por toda sua face.

— Ainda não encontraram o corpo. É entulho demais para tirar. Por mim, deixavam-na lá. Aquela espelunca merece ser sua última morada. Mas, infelizmente, o pai dela chegou lá fazendo um drama e as buscas já começaram. Estão tirando a bagunça.

— Emm, e se ela não tiver morrido? E se estiver ferida ou tiver fugido? Aro vai ajudá-la. Vai desaparecer por um tempo e depois voltará para nos atazanar de novo.

— Ei, calma, irmã!

Segurou minha mão, quando comecei a esfrega-la de nervoso e medo.

— Jasper está lá. Não “arredará pé” enquanto o corpo não for encontrado. E sim, corpo, Bells. Os bombeiros já trabalham com essa certeza. Rosie e Edward só conseguiram sair porque já estavam dois andares abaixo quando a estrutura cedeu. Ela não. E mesmo se tivesse passado para outro apartamento, não escapou. A saída é uma só e todas as janelas dão para a rua, onde a polícia e vocês estavam. E por ali ela não passou.

Não mesmo! Pensei voltando a me recostar nos travesseiros.

— Isso, irmã. Pode relaxar. O perigo acabou. E quando digo que acabou é porque acabou mesmo. Tio Carlisle já acionou os advogados deles, Se Aro estava sabendo dos planos da filha, será indiciado e pagará. Há essa hora, já tem várias diligências revirando cada buraco que eles chamam de casa. Tudo será encontrado e eles pagarão.

— Eu só quero paz, Emm. Só quero paz.

— E você terá Lady Be. Eu prometo.

E que os anjos dissessem amém, porque Cullen´s e Swan’s mereciam calmaria como seus segundos nomes.

Edward

Respirei fundo, o “bip, bip, bip” insistente me irritava ao mesmo tempo que causava alívio: estávamos vivos. Todos nós e era só o que faltava.

— Ele está acordando.

Esme sussurrou e fiz questão de abrir os olhos para aplacar o medo passado pelo tom de sua voz.

— Oi.

Minha voz saindo grossa e um pouco enrolada demais.

— Você me dopou. Mãe ingrata!

Brinquei. Recebendo em troca um sorriso maior do que o mundo.

— Ingrato é o filho que salvo a vida e que me paga desta maneira.

Devagar, tirei a máscara de oxigênio e como não fui impedido, tive certeza de que estava tudo bem.

— Dramática...

Fiz força para sentar, porém meu corpo reclamou e as forças pareciam fraquejar.

— Continue deitado. A dose que Esme te deu foi forte. Precisará de mais algumas horas.

Renée, que desta vez estava com o estetoscópio, me examinou com cuidado.

— É bom te ver aqui, tia.

— Tsc, tsc, tsc. Eu mereço... Ah, eu mereço!

Mamãe revirou os olhos e resmungou, ainda ao meu lado.

— Eu prometi.

Pisquei em sua direção para então me voltar para a mulher que eu mais admirava na vida.

— É bom ver você também, mãe. Sempre é...

— Tá, sei...

Renée escondeu a risada com uma tosse.

— Batimentos normais, oxigenação normal, pressão também. Está tudo nos conformes. Agora é só repouso e sono. Um longo descanso fará milagres em sua recuperação e sabe disso.

— Tia, eu não posso...

Comecei a, de novo, me exaltar e fazer força para me levantar.

— Shiiiii. Fale baixo, amor. Não vai querer acordá-la? Ou vai?

E só então, Esme se afastou da cama e me contemplou com que escondia com tanto afinco.

— Ah Deus! Obrigado! Eu, eu...

Minha vista embaçou e a voz se perdeu em meio a visão tranquilizadora de Bella ressonando tranquilamente bem ali, ao meu lado, ao alcance de minha visão.

— Espere, agora é só...

Renée destravou, os freios, da cama dela e gentilmente aproximou mais nossos leitos. Por pouco não os juntou totalmente.

— Isso! Ao alcance de seus toques, só precisa prometer não a acordar. Porque ela também precisa de repouso.

— Prometo o que a senhora quiser. Contanto que não a tire daqui.

Respondi extasiado já segurando sua mão. Se eu pudesse sentir seu cheiro estaria completo.

— Não vamos. Ficarão juntos até se recuperarem. Mas, preciso que saiba que ela tem duas costelas fissuradas e um hematoma muito feio na cabeça. O que não pode ser considerado grave, mas requer cuidado. Então, nada de movimentos bruscos, nem muito afoitos por, pelo menos, um mês.

— O que sua tia está educadamente tentando dizer é que, tentativas de nos fazerem avó de novo, estão totalmente proibidas, por tempo indeterminado. Até que essa mocinha se recupere por inteiro.

— Sempre sutil, como uma mula, essa sua mãe. Dá para perceber de onde Emmett herdou a sutileza, da tia.

As duas sorriram uma para outra e eu, que nem me importei com as recomendações, acariciei os dedos de Minha Vida.

— Faremos o que mandarem. Só não a tirem daqui. Cuidarei dela. Falando nisso...

Olhei mais ao redor?

— Onde está Antony? Ele se feriu também?

A agitação ameaçou me tomar de novo.

— Calma! Respire! Antony está muito bem, na Sonho Azul. Ele queria se despedir de você, mas creio que tenha exagerado um pouquinho na dose do seu calmante.

Revirei os olhos. Um pouquinho, sei.

— Então Bella o liberou, mas prometeu que lhe daria o beijo que seu filho deixou para você. E, só para te acalmar mais, Alice está na Sonho Azul também, então não há possibilidade de ninguém fugir com ninguém, sem que sua irmã faça um escândalo.

— Ah, poupe-me vocês. Bella está aqui. Acha mesmo que o pai dela iria a algum lugar sem a filha? Charlie ama essa menina mais do que qualquer coisa.

— Vai saber, seu marido é maluco.

Sorri para as implicâncias das duas. Elas nunca mudavam.

— Meu marido é seu irmão, lembra?

— Não escolhemos os parentes.

Esme deu de ombros como se aquilo fosse mesmo verdade e não amasse Charlie mais do que a si mesma.

— Tá bom, tá bom, garotas. Já podem parar. Tem gente querendo descansar aqui.

Voltei a olhar para Bella com devoção. Eu não queria que nada à incomodasse.

— Acho que é nossa deixa para deixá-los, Renée.

— Não foi isso que eu quis dizer só...

— Foi isso sim, Amor. E nos entendemos. Além do mais, tenho outra filha internada aqui para mimar.

E só então os fatos voltaram a minha mente com tudo.

— Rósie está bem? Se não fosse por ela, eu... nós...

— Ela está bem, se acalme. Só algumas escoriações e uma queimadura, mas nada grave.

— Graças a Deus!

Sim, graças mesmo. Rósie fez muita merda ao longo dos anos, porém eu faria questão de esquecer todos e talvez até, com o passar do tempo, dar outra chance a nossa irmandade. Ela nos salvou e eu não esqueceria disso.

— E Tânia?

Não resisti, precisava saber o rumo a tomar dependo da resposta. Aquela mulher era um risco a vida de quem amo.

— No IML. Jasper está conferindo tudo de perto, e garantindo, que esteja morta e seja enterrada bem longe de nós. Aro foi preso há umas duas horas, por cumplicidade nos atos da filha, porque a polícia encontrou provas, no celular dele, que tinha consciência dos atos da maluca. Acabou, Edward! Poderemos ter paz.

Sem me conter, respirei aliviado. Não era nunca de comemorar a morte de alguém, porém naquele caso, eu abriria uma exceção.

— Pode descansar, filho. Acabou!

Renée fechou as persianas grossas e ajustou a temperatura do quarto, enquanto minha mãe, cobria Bella, com mais um cobertor.

— Feche os olhos. Quanto mais descansar mais rápido sairão daqui.

Ela veio até mim, repetiu o gesto me cobrindo, para logo depois beijar meu rosto e acariciar meus cabelos.

— Te amo, mãe.

— Também te amo, filho. Se precisarem de qualquer coisa, ou se Bella acordar, toque a campainha. Renée ou eu estaremos sempre aqui. Revezaremos.

— Mãe, não precisa. Estaremos bem assistidos.

Ela me beijou de novo, agora na testa. Para só então se afastar.

Renée também se despediu de Bella com um carinho.

— Claro que estarão, uma de nós sempre estará aqui até que estejam sob nossos olhos em casa. Agora descansem. Te amo.

E sem dar margem para uma resposta contrária, apagou as luzes e saiu, fechando a porta atrás de si.

E então, olhando para o lado, na penumbra e com o sono já me rendendo, sussurrei no fundo de minha alma.

— Acabou, Vida! Acabou! Pode descansar agora. Porque o nosso Felizes para Sempre, só está começando!

Notas finais
Bom, passando para agradecer o carinho e dizer que assim que conseguir colocarei o comentários em dia. Tá acabando e meu coração já dói de saudade de vocês. Vai ser dureza me despedir. Beijos, meninas.