Quando o passado não te deixa viver

52 Bem perto do felizes para sempre


Notas iniciais
Bom dia meninas. Agora só faltam 4. Apreciem com moderação, porque tá acabando.

Bella

— Ai...

Putz! Abri os olhos, de uma vez, investigando ao redor.

— Graças a Deus!

Sussurrei. Era a gloria saber que estava sozinha no quarto. Eu não precisava, e não precisava mesmo, que Edward me ouvisse gemer.

— Ahhh.

Fiz círculos lentos bem perto da cintura, ainda sentindo resquícios de dores. Porém, eu só me dava ao luxo de fazer isso em momentos como esses, quando estava totalmente sozinha. Porque, sinceramente, eu já estava reclusa nesse maldito quarto e cama há um mês, contra a minha total vontade e se ficasse mais um dia, juro que enlouqueceria.

E tudo porque Edward teimava que repouso absoluto incluía não colocar nem o pé no chão.

— Bom dia, bom dia. Que bom que acordou. Só um minuto e...

— Não se atreva!

Resmunguei quando ele colocou a bandeja, que segurava, em cima do criado e veio para o meu lado com o intuito de me ajudar a sentar.

— Estou bem. Não tem a mínima possibilidade de ficar nessa cama mais um dia.

— O ortopedista disse dois meses, Amor.

Disfarçou o desapontamento, indo até as janelas e abrindo as cortinas.

— O ortopedista fez faculdade por correspondência, só pode. Nem um osso quebrado de um cavalo demora tanto para colar. Imagina uma costela fissurada?

— Duas, Linda. Duas costelas. De seis a oito semana. Ou seja, você precisa de pelo menos mais duas.

Delicadamente, ele empurrou meu peito para a cabeceira e ajeitou os travesseiros para que me recostasse mais confortavelmente.

— Nem em seus sonhos. Vou para casa hoje. Amanhã volto para a loja e a noite para a universidade. Preciso encerrar o semestre e ver se terei alguma turma no próximo.

— Achei que aqui era a sua casa.

Droga!

A expressão de confusão e tristeza dele me atingiram de uma vez e não era o intuito ao dizer aquilo.

— Você entendeu, Edward. Não faça essa cara. Preciso ir para a Sonho Azul.

É, eu estava na casa dele... na nossa... na...

Ahhhh!

Na fazenda que seria meu lar quando nos casássemos.

Edward deu uma crise de pânico quando recebi alta, três dias depois do incidente com Tânia, quando Charlie chegou para me levar para casa. Infelizmente, estávamos abalados demais emocionalmente, contudo Edward estava “mil vezes” pior. Ele literalmente surtou! Teve uma crise de ansiedade, falta de ar e “taquicardia”, quando percebeu que nos separaríamos já que cada um iria para sua casa.

E, confesso, foi doloroso de presenciar e acalmar. O que resultou em mim e Antony, residindo aqui até que os dias de repouso acabassem. O que, para meu desespero, se tornou uma tortura, já que ele só precisou de uma semaninha para se recuperar, já eu...

— Vida...

Respirou fundo, sentou-se a meu lado e colocou a bandeja, com um enorme café da manhã, a meu lado. Aparentemente, nem suportar o peso da peça eu podia.

Tsc, tsc, tsc! Homens!

— Por favor, só mais alguns dias. Quero você 100%. Quando formos no retorno e você fizer a radiografia e comprovar que está tudo bem aqui...

Passou o dedo, bem em cima de onde supostamente, estavam as lesões.

— Prometo que te libero do martírio de conviver comigo. Só...

Passou a mão pelos cabelos, revirando-os, frustrado!

— Espere mais um pouquinho.

Finalizou a frase angustiado e com um desgosto que me fez gemer de arrependimento, por minha falta de tato.

— Ei...

Segurei seu rosto e levantei sua cabeça para que os olhos encontrassem os meus.

— O calvário não é viver com você, muito menos ficar aqui, na nossa casa.

Enfatizei o “nossa” para que ele entendesse meus argumentos.

— Ficar presa nessa cama é que é a pior sessão de tortura, Edward. Não nasci para isso. Não sei ficar parada.

— E é por isso que Alice vem todos os dias. Para te entreter.

— Afh!

Revirei os olhos, para o total deleite dele. Já que o sorriso torto estampou suas feições de anjo caído.

— Se aquela mulherzinha falar mais um nome de tecido para guardanapo ou insistir que rosa não está na minha cartela de cores, juro que arranco a língua dela e dou pro Chocolate.

— Hummm, aí procurará confusão com seu irmão. Porque convenhamos, e não é uma cena que quero imaginar, mas é provável que ela use a língua para algo a mais do que falar e falar.

— Edward!

Bati em seu ombro, indignada com o rumo dos pensamentos dele.

— O quê? Só estou te avisando que Jasper não ficará feliz com seu ataque a mulher dele. Porque eu ficaria, sua língua é maravilhosa e saborosa. Agora, por que não se faz de boa menina e come um pouquinho? Eu fiz o café do jeito que seu pai recomendou.

— Ah, por Deus!

Reclamei de novo, quando ele pegou a xícara e quase levou até meus lábios.

— Não estou inválida. Levantar uma xícara não afetará minhas costelas. Além disso, pare de fazer tudo que Charlie quer. Ele só está frustrado porque não estou em casa.

— E eu o entendo. Por isso, faça o favor, de me ajudar.

Pegou uma croaçã, que eu amo, e levou até minha boca.

— Humm, está uma delícia!

— Eu sei. Mamãe pegou a receita com a cozinheira de vocês. Ela trouxe agora a pouco, você ainda dormia.

— Lembre-me de agradecê-las.

Ele assentiu mordendo um pedaço e gemendo baixo quando um fio de queijo saiu do alimento, se estendendo.

A cena me paralisou e me fez salivar.

Edward gemendo era um pecado! E eu estava morrendo de saudades, já que ele se recusava a me tocar com mais afinco, com medo de piorar as lesões.

Maldita seja, Tânia!

— Não seja tão dura com Alice, Vida. Ela só quer ajudar da maneira que pode e sabe que nosso prazo está curto. Quinze dias até nosso grande momento. E, acho que é até um jeito de se ligar de novo com você. Ela não diz, mas morre de ciúmes da sua proximidade com Leah.

Mordi mais um pedaço da iguaria, que me ofereceu, enquanto falava.

— Não ressalte esses detalhes, Cullen. Não ressalte.

Suspirei nervosa só de imaginar que estávamos a quinze dias do nosso casamento e eu aqui, presa a uma cama.

— Ainda podemos adiar a data, você sabe. Me manter aqui, não ajuda em nada para que organizemos as coisas mais rápido.

— Adiar? De jeito nenhum, Linda! É por esse motivo que Alice vem todos os dias e que essa casa “ferve” de fornecedores, decoradores, costureira e tudo mais que envolve a cerimônia. Trago a igreja para cá se preciso, só não me fale de cancelamento. Não suporto mais a ideia de não os ter aqui vinte e quatro horas por dia. Então, contente-se em delegar, porque faremos tudo do jeito que sonhou e você só aproveitará.

— Eu não sonhei com guardanapos de linho nem com um gazebo de flores no altar. Marcus vai nos matar por macular a igreja dele.

Enfatizei.

— Sonhou sim, cunhadinha. Você só não sabia desse sonho. E é por isso que estou aqui. Pronta para começarmos?

— Bom dia para você também, Alice. E não, não estou pronta. Nem cheguei à metade disso aqui.

Apontei para a bandeja, quase intocada, ao meu lado.

— Ah, mas esse também é um dos motivos da minha presença. Vou te ajudar com isso. Porque, convenhamos, não quer ganhar peso tão próximo da cerimônia, não é? Já fez a última prova do vestido. E se alguém não frear esse homem, ele logo começará a medir seu dedo, para ver se está no ponto.

Sem convite, passou pelo irmão, se sentou a meu lado, beijou meu rosto e logo pegou o copo com o suco de laranja.

— Está dizendo que engordei, Alice? É isso?

Apontei o dedo em sua direção, acusando-a.

— Ela não ousaria.

Edward a olhou sério. Porém “a bonita” nem se deu ao trabalho de nos responder. Perdida demais saboreando o meu dejejum.

— Humm, no ponto! Sua cozinheira é melhor do que a minha. Isso é injusto. Quem pode condená-los por comer tanto? E, respondendo a sua pergunta, não, não estou dizendo que engordou. Estou dizendo que esse é o intuito do seu noivo paranoico.

— Injusto é você invadir minha casa e roubar da minha mulher.

Se implicaram, como sempre.

— Estou grávida!

— E Bella convalescendo...

— E você incomodando. Dá para nos deixar a sós? Precisamos discutir sobre o “meni” de sobremesas da festa.

Revirei os olhos. Ia começar cedo hoje.

— Já decidi. Sorvete de creme com calda de banana. E de coco com calda quente de chocolate.

— Isso não é sobremesa.

— Por que não posso ouvir e ajudar Bella com essas discussões? O casamento também é meu.

Nós três falamos quase ao mesmo tempo. E as interrupções fizeram Alice resmungar alto e afagar a barriga, já grande, em busca de conforto e paciência.

— Gosto de sorvete e é sobremesa sim.

Insisti.

— Ok. Chega! Você...

Apontou o dedo incisivamente para o irmão.

— Saia daqui! Não pode ouvir o assunto porque tem sua cota de atividades da cerimônia para resolver. E se ficar, Bella fará manhã e não se concentrará. E quanto a você...

Se virou para mim com a expressão séria que não dava brechas para discussão.

— Sorvete não é sobremesa para um casamento. Achei que já havíamos decido por isso.

— Afh!

Levantei as mãos para o alto em busca de consolo.

— Nos casaremos as 10 da manhã, Alice. A festa será um almoço no campo. Não precisa disso tudo. Eu queria tudo bem, bem...

— Quermesse.

Completou minha fala, sem me dar tempo de encontrar a explicação certa.

— Não!

— Sim! E me recuso a aceitar isso. Podem até ter vencido quanto ao horário, mas estilo e comida não. Não podemos organizar as coisas como se fosse uma festa junina, Bella. Você é comerciante e agropecuarista. Edward médico e logo se aventurará por esses caminhos também. Precisam causar uma boa impressão, desde já. As pessoas não podem achar que são “roceiros brutos”. Além disso, é mais uma união entre Cullen’s e Swan’s as duas principais famílias da região.

Por Deus!

— Não são pessoas, são nossos convidados, Alice! E se Bella quer que seja uma festa junina, eu aprovo. Não é um evento, é nosso casamento. E se ela quer sorvete, terá sorvete. E se você não pode conviver com isso, creio que pode deixar que nós terminamos de organizar tudo.

Fiquei em silêncio deixando que os dois se enfrentassem. Era um problema de irmãos.

Porém, quando os lábios dela tremeram e os olhos encheram de lágrimas.

E então intervi. Os hormônios a dominariam em instantes.

— Vocês estão me dispensando? Eu só quero ajudar e...

— Ei! Não! Não é isso. Não precisa chorar.

A puxei para meus braços enquanto fechava a expressão para Edward.

— Vamos acalmar os ânimos. Isso! Respire fundo!

Afaguei suas costas enquanto acariciava seus cabelos.

Edward revirou os olhos em frustração para o drama.

— Agora diga o que tem em mente. Contudo, se for demais, vou barrar. E não pode discutir. Sou a noiva aqui.

— Ok. Saia!

Ela bateu palmas e apontou a porta para Edward. O sorriso radiante comprovando que eu havia caído direitinho em seu jogo.

— Não, não! A conversa é sobre comida. Ficarei aqui. Não deixarei que convença minha noiva Alice. Meus compromissos são para depois do almoço. Tenho a manhã livre. Não caio nessa, irmã! Te conheço bem demais para saber que assim que virar as costas fará Bella desistir. E, só para que saiba, se isso acontecer, juro que contrato “todos os picolezeiros” de Forks, com aqueles carrinhos de “guarda sol bem cheguei” e os espalho por cada canto da tenda. Você se arrependerá porque falarei para os convidados, na hora do discurso, que a ideia foi sua. Ai, já era reputação de “a Cullen com melhor bom gosto”.

— Ah, Edward! Você é mau!

— E você é chata e intrometida e te aturamos mesmo assim. Agora, ou você organiza os sorvetes para que se adequem ao que planejou, ou...

— Tá, tá! Não precisa chantagear. Darei um jeito no maldito sorvete. Podemos fazer uma mesa grande e colocá-lo entre os doces em calda. Acho que posso resolver isso. Só preciso de...

E então tirou a agenda da bolsa e passou a anotar e conversar sobre tudo que já tinha em mente.

E, confesso, eu estava amando tudo isso.

Seria um casamento lindo. Bem o que sonhei. Nada de quermesse. Parecia mais como um “casamento primaveril”. E só chegamos a essa ideia depois de passar por uma Alice que queria a cerimônia à noite, num sábado para badalarem até de madrugada.

Só que essa não era eu. Isabella Swan gosta de festa, claro! Porém, sabe dosar as coisas. Sabe que o dia é grande é se, bem controlado, dá para fazer muitas coisas.

E foi com esse argumento que “impus” um casamento as dez da manhã na igreja de Forks, porque Marcus nos mataria se fosse diferente. Terminando com um almoço nos jardins de nossa futura casa, aqui na fazenda. Bem as margens do riacho. No gramado onde Edward me pediu em casamento e me fez totalmente sua, e que Charlie não soubesse desse detalhe.

Minha cunhada quase surtou! Contudo, eu não cedi, o casamento era meu. E Edward pontuou e aprovou cada coisa que eu quis e assim seria.

— Já encomendei o terno de Antony. Uma bermudinha, abaixo dos joelhos, com suspensório, camisa e gravata borboleta. Os sapatos, optei por um mocassim e...

— Não!

Sai dos meus devaneios quando o nome de Antony surgiu e logo Edward se manifestou.

— Não, o quê, Edward?

— Minha roupa e de Antony já está decidida. Você não interferirá nisso.

— Ah! Por Deus!

Ela, dramaticamente, jogou a agenda sobre a cama e cruzou os braços, numa postura emburrada.

Coitado do meu irmão! Alice era manhosa demais!

— Você o enfiou em um terno engomadinho e sapatos apertados no seu casamento e Bella só conseguiu convencê-lo a usar tudo porque prometeu que no nosso seria diferente.

— Ah, tá! Então ele vai de quê? Calça jeans, camisa xadrez e botina?

— Não é problema seu.

Edward deu de ombros e a fuzilou com o olhar.

— Bella...

Pediu socorro.

— Nem vem! Seu irmão está certo. E se ele quiser ir todo caipirinha, problema nosso. O casamento é nosso, Lice. Vamos ao que interessa, por favor, deixe essa parte para Edward.

— Por sua conta e risco?

— Sim.

Segurei as mãos dela, fazendo com que se rendesse. Porque nós não o faríamos. Edward e eu sempre optaríamos pelo que nos satisfazia agora. Os outros?

Bom, os outros viriam em segundo plano...

Edward

— Papai! Você chegou!

Abri os braços para receber o pequeno, que vinha correndo em minha direção.

— Claro que vim. Estávamos morrendo de saudades.

Me abaixei e o peguei.

Depois de horas de flores, comida e decorações. Eu havia sido expulso do quarto quando o assunto migrou para a lista de coisas que Bella ainda precisava para a nova vida e também da tal lista de presente que Alice teimava em fazer.

— Você me viu ontem, papai.

— Por isso mesmo. Sua mãe e eu não aguentamos muito tempo longe.

Antony riu e eu baguncei seu cabelo. A expressão dele era de quem duvidava de que dava para ter saudades em tão pouco tempo.

— Edward, boa tarde.

— Tio...

Coloquei Antony no chão e estendi a mão para meu sogro.

— Deus te abençoe! Bella?

— Frustrada, mal-humorada, mas ainda de repouso. Acho que ganhei mais uns dois dias hoje.

— Precisa me contar o segredo. Só você mesmo para fazê-la se aquietar... Venha! Quero te mostrar com está ficando a construção.

Segui os dois pelo mesmo caminho que tinham vindo e me espantei com a evolução de tudo.

— Nossa! Está muito rápido.

— “Clalo”, né papai! O vovô “contlatou um monte de pedleilo”.

Charlie deu de ombros enquanto desviávamos de dois trabalhadores. O que serviu para enfatizar o argumento de Antony.

— Tenho pressa. As crianças tem pressa.

— Antony não tem. Já está de “félias”. Tem notas boas em tudo.

— Puxou ao avô.

Charlie desalinhou, mais os cabelos dele, e sorriu quando paramos de frente ao que seria o pátio.

— Os pisos antiderrapantes chegaram hoje de manhã. No mais tardar quinta já começam a colocar. Até semana que vem, creio eu, entramos na fase dos acabamentos.

Dei mais alguns passos à frente, admirando cada detalhe do que seria a sede da escola na Sonho Azul.

Sim, isso mesmo, escola. Pelo que fiquei sabendo, esse era um desejo antigo de dona Marie, fazer com que as crianças das duas fazendas estudassem numa delas, perto.

E, depois do que aconteceu a Antony, e que não conseguimos esconder dela, graças a preocupação de todos e o sumiço de Bella da fazenda, vovó impôs para que as obras começassem imediatamente. Inclusive deu, de seus próprios recursos, a verba que precisávamos para a construção e tudo mais que o empreendimento exigisse.

— A certificação e autorização já foram aprovadas?

— Sua irmã está confiante que sai até o início do mês. O que seria excelente. Porque seria o tempo certinho de contratar ótimos profissionais.

— Ela está emprenhada.

— Se está...

Charlie apontou para uma Rósalie ofegante se dirigindo a sede da fazenda com inúmeros papéis nos braços.

— Surpreso?

— Só um pouco.

Sorri me lembrando de quando vovó contou sua ideia e logo Rosie se dispôs a colocar o projeto em andamento. A princípio, todos ficaram meio apreensivos, porque ela não tinha experiência. Contudo, nos esquecemos de que Rósalie era uma administradora nata, assim como Jasper. E contanto que ela se dedicasse, poderia colocar o plamo em prática.

Pois é, e não nos decepcionamos. Minha irmã contratou uma gerente para a loja, já que nem ela nem Alice estariam lá para se dedicar 100%, e “arregaçou as mangas”.

Veio para a Sonho Azul e juntamente com Jasper e Emmett, para irritação total de Leah, escolheram o local, contrataram a empreiteira e agora estavam nos trâmites finais do “Instituto Marie Swan de Ensino”. Para orgulho e alívio de toda nossa família.

E que em breve, muito em breve, seria inaugurada e acolheria todas as crianças, filhas dos nossos colaboradores, e também as que morassem nessa região. E, claro, Antony e futuramente “Annie” e mais a nova safra de Swan’s e Cullen’s, que chegariam em breve, se Deus quiser. E que agora não estariam mais longe do alcance dos olhos de um de nós.

E sim, o que vocês chamam de paranoia, nós chamamos de cuidado. Nos recusávamos a cometer o mesmo erro duas vezes.

— Papai, olha aqui. Essa será a minha sala.

Saí de meus devaneios quando Antony saiu correndo para o outro lado da construção.

— Essa? E você pode escolher, garoto? Muita pretensão para o meu gosto.

— Claro que posso! O vovô falou! Vou sentar ali perto da janela, “polque” vai dar para ver “dileitinho” o céu e saber se vai fazer sol ou “cholver”. Para Antony ajudar o vovô e a mamãe nos plantios, papai.

Olhei de lado para meu sogro, que disfarçou, com uma tosse, a risada.

— Não é assim, filho. Temos que esperar para ver com a tia Rosie e com as professoras, quais salas serão de quais turmas. Não é porque a escola é na fazenda do vovô que Antony pode tudo.

— Mas, papai...

— Ah, mas só podia ser seu pai para “cortar sua alegria”, não é Tony?

— Titio Benj!

Por Deus! Era só o que me faltava!

— Cavalheiros!

Cumprimentou tocando o chapéu com a mão esquerda, já que a outra sustentava meu filho.

— Boa tarde, Benjamin! Que bom que resolveu trabalhar hoje.

— Pois é, Charlie. Acabei de chegar. Substituir Bella na loja não é fácil. Será que Jasper e Emmett a exploram do mesmo jeito que fazem comigo?

— É mais fácil ela explorar os irmãos.

— Isso é verdade. Tá enrolado, Cullen. Será o brinquedinho de uma mulher brava e muito mandona.

Respirei fundo e contei até 10, quando o diálogo dos dois se voltou para mim. Eu queria mesmo era fechar a mão e encher o rosto dele com meus cinco dedos. Porém, Antony estava em seu poder e eu nunca colocaria meu filho em perigo.

— Hum! Estranho, Bella não é assim comigo. Ainda mais a noite quando a faço esquecer até seu nome e lembrar somente o meu.

— Ei! Menos! É da minha filha que estão falando.

Dei de ombros. Se o “pupilo dele” queria brincar, eu brincaria. Porém daria as cartas e mostraria quem é que manda agora.

— A verdade dói as vezes, sogro.

— Não precisa ficar nervosinho, Cullen. Eu já entendi que ela é sua e...

— TITIA, ROSE! ESPERA! O TONY QUER FALAR!

O grito estridente e o susto evidente de Rósalie cortaram a fala e raciocínio do metido a cowboy. A concentração de todos agora voltada para um Antony esperneando e querendo ir para o chão.

— Não grita, filho. Vai com calma e...

— NÃO DÁ, PAPAI! É “ULGENTE”. VEM, TITIO BENJ...

Pegou a mão do outro e passou a arrastá-lo rumo a minha irmã.

— Ei, garotão, que pressa é essa?

— Preciso dizer a titia que quero essa sala, titio. E você me ajuda a convencê-la já que fica “babalndo” toda vez que ela passa. Vem, vamos falar com ela. Deixa meu papai em paz. Se não, ele logo ‘quebla” seu nariz. E juro, ir no casamento da mamãe com o nariz quebrado não será nada bom e...

Não ouvi mais nada depois do “quebrar nariz”. Meu filho era muito esperto e as ideias dele me faziam mesmo cogitar tal possibilidade.

— Esse olhar está assustando os pedreiros, sabe disso, não é?

— Ele não tem casa? O que falta para ir embora?

Ignorei a provocação de Charlie.

Me aproximei da tal sala que Antony queria e passei a observar, atento, a interação dos três, um pouco mais abaixo.

Antony argumentava e argumentava, com palavras e gestos, enquanto Rósalie ouvia com muita atenção, interrompendo uma ou outra vez.

A distância me impedia de entender o diálogo.

— Ele adora te provocar. E você cai direitinho. E acho bom se acostumar, ou encontrar uma maneira de colocá-lo em seu lugar, porque se pretende segurar Bella mais na fazenda de vocês, ele será essencial na loja. Minha filha não entregará aquilo para qualquer um. Ela conhece Benjamin, estudou com ele. Sabe o profissional que é. E, acho que não vai embora tão cedo, ele quer sair da sombra do pai.

— Ela conhecê-lo bem demais é o que me deixa louco.

— Então aprenda a controlar isso, filho. Bella te ama. Teve todas as oportunidades de ficar com outro, e não ficou. Em vez disso, te perdoou. Então, merece que você ature Benj. Eles são amigos. E, só para te tranquilizar mais, até porque até seu filho já percebeu, acho que ele já está em outra.

Acenou com a cabeça para o trio, e só então me concentrei mais no Idiota.

— Ele está interessado em Rósalie?

Incredulidade me dominava.

— Totalmente. E algo me diz que “cada patada” que ela dá nas investidas dele, o instigam mais. Dê tempo ao tempo e veja como isso terminará. Benjamin não é de desistir.

Vislumbrei a possibilidade, futuramente...

Rósalie, depois de tudo, merecia o seu felizes para sempre. Uma hora tinha que deixar o passado para trás. Emmett já o havia feito. E mesmo que o fim não fosse como ela sonhou, poderia ser melhor do que o presente.

Ninguém merecia a solidão. Foram anos de amargura, ela precisava se render e começar a viver.

Tá, e confesso, adoraria vê-la se dobrar a um veterinário. Deus queira que isso se ajeitasse, porque promete boas risadas no futuro. E aí, talvez, só talvez, eu consiga conviver com esse tal de Benjamin.

— Deixe-os para lá. Venha, vamos ver a parte detrás, nos refeitórios. Quero conversar também sobre a viagem de vocês. Já está tudo organizado?

Dei uma última olhada nos três, antes de, enfim, seguir meu sogro e mudarmos totalmente de assunto.

— Tudo pronto para a viagem?

— Sim. Embarcamos em Port Ángeles as 22hs. Na mesma noite do casamento.

— Pena que nossa aeronave ainda não chegou. Vocês poderiam estreá-la. Talvez na volta.

— Acho que não. A empresa pediu mais um mês, mas Bella tem certeza que enrolaram mais uns dois. Ainda bem que não pagamos a outra parte. Quam sabe assim não agilizam a entrega?

Adentramos o cômodo que seria a cantina e me surpreendi com o número de pessoas ali dentro.

Definitivamente, Swan’s não brincavam em serviço. Eles tinham simultaneamente três obras em construção, duas barragens para ligarem os pivôs e uma escola. E todas estavam a pleno vapor.

— E tem certeza de que querem levar Antony? Costuma-se desejar privacidade em uma lua de mel.

O olhar enviesado dele só provava o quanto era desagradável aquele tipo de assunto para um pai.

Que Deus me livrasse!

— Tenho certeza, sogro. Não dá para ir ao Brasil, sem levar Antony. Ele ama o país. E como passaremos na fazenda, de lá, no fim da viagem, seria muito injusto não levá-lo.

Charlie continuou a me olhar com intensidade. Acho que tentava adivinhar meus pensamentos.

— Além do mais, ele nunca atrapalha. Passei tempo demais longe do meu filho. Aproveitarei todas as oportunidades.

— Sabe que nunca me desculparei por isso, né? Fiz o que achava certo e sempre farei. O melhor pela minha família sempre será minha prioridade.

Em silêncio, avancei mais alguns passo, parando no espaço preparado para um grande play Ground.

— Eu sei. E não o condeno.

Contemplei, ao fundo, as montanhas e mata fechada, por onde Bella atravessou, anos atrás, para chegar a Sonho Azul. Fugindo de mim e do desespero que a causei.

— Hoje eu entendo. E quando digo isso, quero dizer que, entendo tudo. O quanto fui ruim, e cada atitude que tomou. E também, não me arrependo, eu acho.

Ele parou a meu lado e colocou a mão em meus ombros, garantindo que entendia o rumo do meu raciocínio.

— Tudo me trouxe aqui. Ao homem que sou hoje. Ao pai de Antony e marido que quero ser para sua filha, Charlie. Talvez se as coisas, tivessem sido de outra forma, eu não seria esse Edward de hoje. Precisei sofrer, para aprender e crescer.

— Ela também.

Voltei meus olhos para o dele. Castanhos e intensos como o de minha mulher.

— Bella era dependente, devota a você. Planejava a vida de acordo com os seus sonhos e desejos. Isso não é saudável para ninguém. Hoje ela te ama, claro, mas tem luz própria.

E como tem! Pensei.

— Preciso que me garanta que vai cuidar deles. Porque, você sabe, ao menor sinal de que estão infelizes, eu agirei. E garanto que não terá uma terceira chance.

Era uma ameaça. Velada, mas uma ameaça.

— Você a tem.

Afirmei convicto.

— Sei que não fiz um pedido oficial. Os últimos acontecimentos estragaram nossos planos. Contudo, tio, se sei de alguma coisa nessa vida, é que enquanto eu viver, farei o impossível para que eles sejam felizes.

Seus dedos apertaram meus ombros em sinal de conforto.

— Então nós temos um trato, e eu aprovo e os abençoo, filho.

Para selar nosso acordo, fechou os braços a minha volta, num abraço forte e confortante. Daqueles de pai para filho mesmo.

O que me fez o homem mais completo do mundo.

Agora eu tinha tudo. Uma linda esposa, um sonhado filho e o apoio de nossas famílias.

O que mais um homem poderia querer?

Notas finais
Ainda colocando os comentários em dia! ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.