Quando o Mundo Acaba
1 Capítulo 1 - O começo do fim
Notas iniciais
Hermione estava sentada no chão da sala vazia do novo apartamento de Ron. Havia encostado a cabeça na parede e fechado os olhos, aproveitando o sol morno que passava pela janela naquele fim de tarde e aproveitando o breve momento em que o namorado fora buscar algo para comerem para descansar da mudança.
O namorado resolvera se mudar dA'Toca para um local mais próximo do ministério. Os treinamentos físicos, as horas resolvendo toda a papelada e as missões, muitas vezes em horários aleatórios e na madrugada, demandavam que ele tivesse todo o tempo que conseguisse economizar, e a casa dos Weasley, por mais que fosse extremamente confortável e aconchegante – além de ter a comida da Sra. Weasley como um benefício – ficava distante do trabalho e Ron precisava sempre disputar a vez de tomar banho com Ginny, George, Percy e Harry, que quase sempre ficava por lá para ter um tempo com a namorada.
A morena se lembrava bem da briga com o ruivo quando ele a contou sobre a mudança para um novo apartamento. 3 anos de namoro, fora os quase seis meses em que os dois não sabiam o que estava acontecendo enquanto se adaptavam a nova forma de se relacionarem, principalmente com um mundo pós-guerra e com toda a reconstrução, e os sete anos de amizade e convivência e, mesmo assim, quando o ruivo resolvera se mudar, ele não a chamara. Nem sequer havia passado pela sua cabeça. Pelo menos não até Hermione ter surtado com o namorado.
A morena quase não se reconhecera por estar tão ansiosa e preocupada com um convite do parceiro ou um pedido de casamento. Mas, pelo menos para ela, era o passo óbvio a se fazer. Principalmente depois do pedido de casamento de Harry à Ginny. Parecia claro – como água – que Ron seguiria os passos do melhor amigo e a pediria em matrimonio logo em seguida. Não foi o que aconteceu, entretanto, e o ruivo deixara bem claro a ela que não era o que pretendia, pelo menos pelos próximos meses.
Por mais que os dois tivessem se revolvido e ela tivesse entendido que o ruivo precisava desse momento particular para aproveitar da privacidade, da qual nunca tivera, internamente, ela sabia que estava decepcionada com a atitude de Ron em não pensar no futuro do relacionamento dos dois. Também, se sentia um pouco frustrada com a negativa do namorado, principalmente quando ela contava os segundos para beijá-lo, abraçá-lo, fazer amor ou, simplesmente, estar perto. Imaginava que Ron queria isso também, mas, pelo visto, ele lidava muito bem com a distância e a falta de contato durante a semana.
— Eu não achei muita coisa... Acho que vou precisar descobrir como se cozinha. – Disse Ron, assim que voltou para o apartamento, despertando uma sonolenta Hermione. – O que cê ta fazendo?
— Descansando. Eu amei essa sua janela gigante e a vista daqui. – Respondeu sorrindo, abrindo os olhos e encarando o ruivo
— Eu sabia que você ia gostar. – Concordou, sentando-se do lado da namorada. – A noite, então, dá pra ver as várias luzes ligadas. Acho que você vai gostar ainda mais. – Revelou, pegando em sua mão e a acariciando de leve.
— Eu aposto que sim – riu com a expressão do ruivo – Vamos deixar sua sala sem móveis e vir para cá tomar sol e olhar as luzes todas as vezes.
— Nem algumas almofadas? – Perguntou, entrando na brincadeira
— Talvez só algumas... – Disse e, em seguida, juntou os lábios com os do namorado, em um selinho casto. – Então, o que você tem aí? Eu confesso que estou morrendo de fome.
— Eu achei um restaurante trouxa aqui perto. Eu espero que peixe e fritas seja seguro o suficiente.
— Com toda certeza, é. Eu amo. Acho que não tem como um londrino não saber como fazer peixe com fritas.
— Bem... eu não sei. – Disse Ron, pensativo.
— Quis dizer um trouxa, bobinho. – Respondeu rindo – Mas, de todo modo, eu posso te ensinar a fazer mais tarde.
— Eu iria adorar, se não botarmos fogo na cozinha, claro.
— O que você está insinuando, Ronald? – Perguntou a morena, virando-se, ainda sentada, com as mãos na cintura e uma expressão de falsa indignação.
— Estou apenas dizendo que confio que você não botará fogo na cozinha. – Respondeu, desentendido, enquanto se aproximava da namorada e a desarmava. – E também que eu te amo muito. – Declarou-se, dessa vez quase em um sussurro, a beijando em seguida.
A imagem da morena com a luz do sol refletida, seu cabelo bagunçado, num tom de dourado, devido ao alaranjado de fim de tarde, as bochechas levemente rosadas, a camisa velha que era do ruivo e a pose mandona e risonha, ao mesmo tempo, quase deixava o homem enlouquecido. Era tudo que ele precisava e tudo que ele desejava ter, mesmo antes de saber que realmente a desejava.
Sabia que a namorada estava extremamente zangada com ele e sabia também que ela esperava que ele a convidasse para se mudar com ele ou, ao menos, a pedisse em casamento. A ansiedade aumentou ainda mais quando, em um almoço de domingo, Harry pediu sua irmã mais nova em matrimonio.
Claro que, estando loucamente apaixonado por aquela que sempre fora sua melhor amiga e amando com todo o coração, mal podia esperar para estar ao lado dela a todo tempo e mal podia esperar para apreciá-la nas manhãs ou nos fins de tarde, como aquela, exatamente como ela estava naquele momento. Mas, seu lado inseguro sempre falava mais alto na decisão de dividir uma vida com a morena.
Harry tinha uma fortuna reservada apenas para ele desde os 11 anos de idade e, ainda, tinha a Casa dos Black e mais uma pequena herança que seu padrinho o deixara. Rony, por outro lado, não tinha dinheiro algum. Tinha um trabalho de início de carreira, onde ganhava o suficiente apenas para se manter e para guardar uma pequena quantia na poupança. O ruivo sabia que Hermione não se importava com dinheiro, fortunas e bens, de modo geral, mas não podia se conter em pensar que a vida dos dois seria tudo, menos fácil, se resolvessem se casar ou morar juntos naquele momento.
Apenas torcia para que Hermione se esquecesse dessa ideia, pelo menos por mais dois anos.
— Eu te amo, Ron. – Correspondeu-o, após se separarem do beijo, encostando a testa na dele, olhos fechados e respiração acelerada.
Os dois sentiam o sol se por aos poucos, o calor da luz na pele se esvaindo, o ambiente passando a ficar frio, assim como a comida esquecida no chão, mas não ligavam. Apenas a respiração dos dois e a sensação de experienciar aquele momento era o que importava. Os dois se amavam e aproveitar cada dia e cada momento, depois de 7 anos escondendo os sentimentos, era o que existia de mais prazeroso no mundo – bruxo ou trouxa.
2 anos depois.
— Hermione, você está agindo como louca, pelo amor de Merlin! – Disse, quase em um grito, exasperado, enquanto bagunçava os cabelos e andava pela sala.
— Ron... Eu te amo. – Declarou, se levando do sofá da sala de Ron e tentando, em vão, tocá-lo, acalmá-lo. Estava começando a ficar exasperada também.
— Como pode me amar e sugerir isso? – Perguntou, olhando para a namorada – ou seria ex? – com lágrimas já nos olhos.
— Tente me entender... entender o meu lado. – Continuou a morena.
— Não tem o que entender, Hermione. Acho melhor você ir embora e depois conversamos. Você deve estar cansada e não está pensando direito.
— Eu estou pensando muito bem, obrigada! – Respondeu uma morena vermelha, dessa vez de raiva. Ron tinha que entendê-la. – Nos conhecemos há quase quatorze anos. Quatorze. E estamos nessa relação a quase seis anos. Eu não quero ter que esperar mais quatorze pra que você se decida se quer ou não ter um futuro comigo. Eu mereço mais.
— Eu achei que a nossa relação tivesse um tempo único e não que você ficava se comparando com Ginny, Luna ou quem quer que seja. – Resmungou o ruivo.
— E eu não fico, Ronald. Mas me dói, e muito, não saber se você realmente se importa em ter um futuro ou uma família ou o que quer que seja. Me dói ainda mais saber que já poderíamos estar casados há muito tempo. Aliás, você já pensou em algum momento em se casar comigo? Porque eu não vi nenhum indício disso.
— Você está sendo ridícula. Claro que eu pensei, claro que eu quero um futuro com você, Mione. Só não é o momento ainda.
— E de quanto tempo mais estamos falando? Porque eu quero uma família e eu não posso ficar aqui esperando você amadurecer pra isso.
— Achei que você tivesse dito que amava passar o tempo com as nossas famílias.
— Ficar com a minha família ou com a sua, passar tempo com os seus irmãos ou brincar com os seus sobrinhos não me faz ter de fato uma família, Ronald. Eu quero mais, eu preciso de mais.
— E por isso você quer terminar? – Perguntou o ruivo, num desafino.
— Eu só acho que podemos dar um tempo. Estamos nos prendendo nessa relação, Ron. seis anos é muito tempo. Eu amo você, amo muito. Você sabe disso. Mas talvez se estivermos separados vamos conseguir dar foco a trabalhos, por exemplo. E, quem sabe, encontrar pessoas que nos satisfaçam nos nossos desejos.
— Eu amo você também, Hermione. – disse, com um suspiro profundo, sabendo que a morena não desistiria da ideia e que ela o venceria de um modo ou de outro.
— Podemos fazer uma promessa. O que acha? – Perguntou a morena, com o coração sangrando, despedaçando-se em mil pedacinhos. Sabia que a despedida estava próxima.
— Que tipo de promessa? – Perguntou. O mesmo sol de fim de tarde vindo da janela de sua sala refletindo na morena, como dois anos antes. Lágrimas, teimosas, insistiam em tomar todo o seu olho.
— Podemos prometer que se estivermos tristes, angustiados ou no fundo do poço – disse, com uma risada fraca – vamos chamar um ao outro e viremos correndo.
— Ou se uma coisa fantástica acontecer. – Completou o ruivo.
— Isso. Se o mundo estiver acabando ou prestes a começar. – Selou a morena, sorrindo enquanto chorava e segurando a mão de, agora, seu ex-namorado. – Somos melhores amigos, não vamos deixar isso morrer.
— Jamais. Eu amo você. – Declarou o ruivo uma última vez a abraçando e beijando o topo de sua cabeça.
— Eu amo você também, Ron.
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1 Ano Depois
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