Quando o Mundo Acaba

2 Capítulo 2 - Fim do mundo


Notas iniciais
Heey galerinha, boa noite! Eu e essa mania de publicar capítulo a uma hora dessas da noite kkk. Estou muuuito feliz de voltar a publicar depois de um ano e muito feliz de ter vocês aqui comigo. Estava de folga hoje e resolvi dar uma relida pra poder postar tudo certinho, maaaaas, acabou que eu resolvi escrever mais um pouquinho, então serão mais de dois capítulos. Espero que gostem!!

1 ano depois.

I was distracted and in traffic

Eu estava distraído e no trânsito

I didn't feel it when the earthquake happened

Não senti quando o terremoto aconteceu

Por que mesmo ela havia inventado de ir trabalhar de carro naquele dia?

Poderia simplesmente ter saído de casa, caminhado por dez minutos até o beco próximo à casa do Sr. Bannes – um senhor de setenta e poucos anos que mal conseguia enxergar – e aparatado até o ministério. Seria mais rápido e, com certeza, aquela hora da noite, já estaria em casa, de banho tomado, com um prato de sopa e alguma torrada velha do armário, relaxando para o trabalho do dia seguinte.

Mas, sentia que seu cérebro explodiria a qualquer momento e que toda a pressão dada ao novo cargo – que exigia grande responsabilidade, diga-se de passagem – a deixaria maluca a qualquer momento. Resolveu, ainda de manhã, que seria bom para ela sair com o carro e deixar com que a paisagem a acalmasse o suficiente antes de rever toda a papelada que enviaria no dia seguinte.

Já imaginava, entretanto, que a ida de carro fosse ser mais dificultosa do que o normal, uma vez que Londres estava coberta de neve da tempestade da noite anterior e mais escorregadia do que nunca. Mas, não imaginava que as ruas estariam tão lotadas de carros, pessoas e completamente interditadas. Era muito pior do que sua mente fora capaz de prever.

A sua chegada até o trabalho já havia sido o dobro do tempo que costumava gastar e, naquele momento, quase duas horas já haviam se passado desde que entrara dentro do automóvel e nem havia saído do centro.

Algo deveria ter acontecido, a morena chegara à conclusão. Algum acidente, um bloqueio de via, talvez uma arvore gigantesca tivesse caído ou algum tipo de gelo gigante tivesse caído no meio da rua. Ou será que... Será que algum comensal fora solto e estava matando os trouxas no centro da cidade?

— Esse trânsito maldito já deve estar queimando os meus neurônios. – Disse a si mesma, balançando a cabeça e suspirando longamente. Colocou as duas mãos no volante e encostou com a testa nas mesmas, fechando os olhos e quase chorando em desespero.

Não demorou muito, entretanto, para que saísse do transe, sendo desperta pelo barulho do telefone tocando.

But it really got me thinkin', were you out drinkin'?

Mas isso me fez pensar: Você havia saído para beber?

Were you in the living room, chillin', watchin' television?

Estava na sala de estar, relaxando e assistindo à TV?

— Oi Mãe! – disse, atendendo o telefone no terceiro toque.

— Hermione, querida, onde está? – Perguntou a mãe, uma voz de preocupação muito notável.

— Ahm... Eu estou no centro de Londres. A caminho de casa. Está um trânsito horrível aqui hoje. – Lamentou para a mais velha.

— E você não virá pra cá hoje? – O tom de voz ficando um pouco mais baixo.

— Não. Por quê? Tínhamos combinado algo? – Perguntou, tentando se lembrar de alguma conversa com a mãe.

— Não combinamos, mas achei que viria agora que não está mais com o Ronald. Não achei que ficaria em casa sozinha. Eu e seu pai estamos preocupados com você e...

Sua mãe continuou falando sobre alguma coisa relacionada a preocupação sentida, mas a morena não conseguia mais ouvir o sermão da mulher ao telefone. De repente, tudo fazia sentido: A neve, o alto número de carros e de pessoas nas ruas, os quarteirões quase que inteiros interditados, o vazio do ministério em um dia que, para ela, era um dia normal de trabalho e o trânsito terrível. Só então reparou nas luzes e nos enfeites nas lojas e então se lembrou que era véspera de natal.

Sua mãe continuava a falar no telefone, mas a sua voz não passava de um zumbido muito baixo. Sua visão começou a escurecer, seu coração passou a acelerar de modo muito forte, as mãos, começaram a tremer e a suar de maneira surreal e o choro, preso na garganta, dava-lhe a sensação de que explodiria a qualquer instante.

Respirou o mais profundamente que conseguiu e, juntando todas as forças que lhe restavam, tentou criar uma desculpa para ter se esquecido do natal e não preocupar, ainda mais, os pais.

— Mamãe, não precisa se preocupar. Eu vim até o centro de Londres para uma pequena confraternização com o pessoal do ministério e já estou indo para casa, estou cansada. Além do mais, amanhã vou encontrar com o pessoal para as comemorações. Prometo passar o ano novo com você e o papai na semana que vem.

— Tem certeza que está tudo bem, filha? Pode vir para cá agora, estaremos esperando.

— Não... eu realmente estou cansada e, mesmo assim, passaria pouquíssimas horas com vocês dois, já que tenho que sair amanhã. Mas levo o presente de vocês na semana que vem, como sempre fazemos.

— Está bem então, Mione. Se cuida, filha. Amamos você;

— Amo vocês também mamãe. – Disse, desligando o telefone em seguida.

Respirou profundamente e se perguntou como sua mente tão bem-organizada pôde se esquecer do natal. Se perguntou também quantas vezes havia ido a casa dos pais, encontrado com os amigos ou simplesmente ficado em casa sem fazer nada. É claro que o seu novo cargo exigia muito dela, mas o que tinha feito do seu ano inteiro?

De repente, uma angústia sem fim tomou conta de seu coração e a saudade veio latente, como uma pontada no peito. Percebeu, naquele minuto, que seu mundo estava muito próximo de acabar.

It's been a year now, think I've figured out how

Já faz um ano, acho que descobri como

How to let you go and let communication die out

Como te deixar ir e esperar a comunicação morrer

­­­­____

— Ei, Lúcio! Traz mais uma dose pra mim – Gritou Ron, levantando o copo recém esvaziado como um sinal de justificativa.

Provavelmente, pensou o ruivo, sua família já deveria estar inteira reunida e se preparando para a ceia. Os sobrinhos já deveriam estar correndo pelos corredores e indo, as escondidas, até o jardim, na intenção de aprontar alguma coisa. Sua mãe deveria estar quase arrancando os cabelos, desesperada ao tentar fazer com que Fleur parasse de tentar ajudá-la (ou atrapalhá-la) na receita hiper secreta de família e seu pai deveria estar sentado na sala, tentando explicar aos netos e a Harry, principalmente, sua mais nova descoberta do mundo dos trouxas, por mais que o melhor amigo e cunhado já soubesse muito bem do que se tratava.

Ele iria para a ceia em breve, claro. Quando não fosse mais possível adiar e quando todos já estivessem com a energia mais baixa, a ponto de não lhe fazer perguntas sobre o trabalho, que lhe era extremamente cansativo e com um salário incrivelmente baixo, sobre a sensação de morar sozinho, que era horrível e que sempre o fazia pensar em voltar a morar com os pais para não se sentir tão isolado, ou sobre o assunto intocável pra ele: Hermione.

Era sempre um horror quando o nome dela era mencionado. A incrível fama da ex-namorada no trabalho o fazia se sentir estupido e, ao mesmo tempo, feliz por ter aceitado o termino do namoro, uma vez que jamais conseguiria oferecer a ela o que a morena merecia, mas, se perguntava todos os dias como conseguira viver tanto tempo com apenas duas coisas a se fazer, trabalhar e dormir.

Além do mais, ela era muito querida por todos os amigos e familiares. Eis a dificuldade de se namorar alguém com quem você divide um círculo social: no final das contas, a relação sempre fica extremamente desconfortável. Os seus amigos passam a dividir a atenção e os seus familiares sempre olham pra você com uma leve cara de pena, pisando em ovos pra não citar alguém que não está mais lá.

Não sabia exatamente o que tinha feito durante todo o ano e sentia como se estivesse em um piloto automático, repetindo, repetindo e repetindo. Não se lembrava nem como se parecia a sua cozinha e isso porque tinha saído de casa a menos de duas horas.

— Sua dose. – Disse o garçom, colocando um outro copo cheio de um líquido transparente que gostara muito em um bar trouxa certa vez. Provou a bebida em uma noite, logo após o término com a morena e agora pedia sempre. Ele nem se lembrava mais do nome, mas fez amizade com o garçom que já sabia exatamente o que ele queria.

I know, you know, we know

Eu sei, você sabe, nós sabemos

You weren't down for forever and it's fine

Você não queria ficar para sempre e está tudo bem

I know, you know, we know

Eu sei, você sabe, nós sabemos

We weren't meant for each other and it's fine

Que não fomos feitos um para o outro e está tudo bem

— Você bem que podia me acompanhar dessa vez, não acha? – Perguntou o ruivo, girando o copo de forma despretensiosa.

— Tô quase achando que você tá me chamando pra sair – zombou – E acho que não devo parecer tanto assim com a sua namorada.

— Não parece em nada mesmo – Entrou na brincadeira, rindo pelo nariz.

— Foi mal cara, dessa vez não consigo te acompanhar. É Natal e provavelmente daqui a pouco isso aqui vai estar lotado. Você não tinha aquele jantar com a sua família que comentou da outra vez? – Perguntou, enquanto fingia limpar o balcão.

— Eu vou daqui a pouco. – Respondeu, bebendo (finalmente) o líquido do copo.

— Acho melhor você sair agora se quiser chegar a tempo. Um dos caras que trabalham aqui tá preso no trânsito e você deve saber como são as coisas aqui nessa época.

O ruivo riu internamente da situação. Lúcio não tinha a menor ideia de que Ron, assim como qualquer outro bruxo, poderia simplesmente sumir dali e aparecer em sua casa em segundos. Tão pouco imaginava que a metros dali se encontrava o maior centro de lojas e restaurantes bruxo, o beco diagonal. Um mundo completamente alternativo ao que vivia naquele momento e em tantos outros quando tudo que queria era fugir de tudo que conhecia;

De repente, começou a pensar que tudo que tinha feito naquele último ano era se sentar e observar todos os seus amigos, companheiros de trabalho e familiares viverem enquanto ele, basicamente, repetia aquele mesmo dia. O mesmo dia de trabalho com treinamentos inacabáveis, as mesmas missões sem graça e com zero complexidade, as mesmas ruas na volta pra casa, as mesmas reclamações e xingamentos na hora do banho – sempre gelado porque chegava tarde demais para que houvesse alguma água quente no prédio -, as mesmas horas de sono.

Somente naquele momento é que havia percebido que sua vida entrara em piloto automático e que havia deixado um ano inteiro passar batido. Talvez, como dissera Hermione um ano antes, seu mundo tivesse de fato acabado ou estivesse muito próximo disso.

But if the world was ending, you'd come over, right?

Mas se o mundo estivesse acabando, você viria, certo?

You'd come over and you'd stay the night

Você viria e passaria a noite

Would you love me for the hell of it?

Você me amaria por isso?

All our fears would be irrelevante

Todos os nossos medos seriam irrelevantes

Notas finais
E ai o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.