ANASTASIA

Durante todas essas décadas eu vi pessoas que eu amava morrerem para me manter em segurança. Antes, achava que isso era apenas para que o clã Alucard ainda continuasse existindo, já que a criação do mesmo foi o grande feito do meu avô no passado, todavia um século depois de batalhas sangrentas eu descobri a verdade.

Fui a chave para desencadear a guerra e só eu tenho o poder de pará-la, mas não sei como fazer isso e por enquanto vivo fugindo daqueles que querem me matar.

Quando a guerra chegou na Irlanda, tive que fugir para as Américas, e décadas após décadas, eu precisava mudar de estado ou de país. Primeiro foi o Brasil depois Canadá e por fim Estados Unidos.

O medo de que aquele banho de sangue chegasse aos descendentes de minha família foi o principal motivo que me impediu de procurá-los e conhecê-los. No final de tudo, acabei me isolando no meio de uma floresta, alguns quilômetros da pacata North Bend.

Minha casa era a floresta. Vivia parte do dia na minha forma humana, como vim ao mundo, explorando a montanha e seus arredores. Minha comida era o que a natureza me dava, mas as vezes eu aparecia na casa de um simpático casal de idosos que moravam um pouco afastado da cidade para sugar um pouco do sangue deles depois os fazia esquecer.

Isso era cruel, mas infelizmente sou metade vampira e precisava de sangue humano para sobreviver. À noite para descansar eu preferia a minha forma Lupus, um lobo branco comum, e ia dormir em uma caverna atrás da cachoeira de um lago dentro do Parque Rattlesnake.

Estava ali banhando no lago quando senti o cheiro de alguns humanos e suas vozes, ou melhor, suas risadas. Parecia ser sete humanos acampando próximo dali então não dei muito importância, subi meu bloqueio mental para não escutar a conversa e os pensamentos deles e continuei a saboreando a água.

Todavia, minutos depois, me sobressaltei com alguém gritando um “Oi, moça” na margem próxima a cachoeira, onde eu me encontrava sentada em uma pedra.

Me virei encarando a pessoa por alguns segundos e de repente milhares de lembranças vieram à tona em minha cabeça fazendo-me pular dentro do lago para ver se aquilo era um sonho. Entretanto, quando emergi, ele ainda continuava ali e parecia tão assustado e confuso quanto eu.

— Se importa se eu banhar também ou você prefere privacidade? – ele perguntou meio receoso então eu sinalizei um “Não” balançando a cabeça – Esse não é para “eu não me importo em você banhar também” – acenei um “Sim” com a cabeça novamente – Ok. Não se preocupe, vou ficar ali do outro lado do lago para te dar privacidade.

O vi tirar a blusa, a bermuda, o tênis e as meias que estava usando e por eles sobre uma pedra menor antes de adentrar devagar e mergulhar quando a água cobriu-lhe a cintura.

Eu queria saber quem era aquele homem que parecia ser a cópia perfeita do meu primeiro amor e notei, pelos seus pensamentos que ele também queria se aproximar para conservar comigo, mas estava com vergonha então mergulhei, nadando bem ao fundo do lago e emergi atrás dele, o assustando.

— Como se chama? – indaguei com um sorriso simpático.

— Christian...

— Trevelyan? – arrisquei o interrompendo.

— Sim. Trevelyan é meu sobrenome do meio e é por parte da família da minha mãe, mas eu uso mais o sobrenome do meu pai. Grey.

Eu não tava acreditando que tinha achado o descendente do Christian, do meu Christian.

— E você como se chama?

— Anastasia... Steele.

— Prazer em te conhecer, Anastasia. Ah...

“Porque que ela tinha que estar pelada, senhor?” ele pensou se afastando um pouco de mim.

— Você está com vergonha? Nunca viu uma mulher pelada? – questionei com expressão travessa no rosto.

— Já vi sim. É que...

“Droga, Christian! Você parece um dos seus alunos que vivem sofrendo por causa de crush e quando tem que conversar com ele não fala porra nenhuma”

— Ah... Sabe... Eu...

“Para que tá feio. Ela vai pensar que tu é retardado, oh idiota!”

Era engraçado saber o que se passava na cabeça dele, mas preferi subir meu bloqueio mental novamente.

— Ah... Desculpe. Eu sou péssimo com as mulheres. Tanto que já vou fazer trinta e dois anos e ainda nao casei. E você?

— Eu o quê?

— Quantos anos tem?

— Ah. Eu tenho vinte e um anos e... sou viúva.

— Nossa, tão nova e já é viúva. Eu sinto muito.

— Tudo bem, Christian. Casei bem cedo.

— Seu marido morreu de quê? Desculpe se estou sendo indelicado.

— Sem problema. Jack morreu em uma guerra.

— Ele era soldado?

— Mais ou menos isso – murmurei meio evasiva dando um mergulhou em seguida.

— Hum... e você mora por aqui perto? – ele questionou dando algumas braçadas, se aproximando de mim.

— Sim e eu amo esse lago.

— Estou curioso para saber, porque nada sem roupa?

— Porque você se sente mais livre dentro d’água. Deveria experimentar, Christian. Que tal agora?

— Agora, quer dizer agora já?

Acenti mandando ele tirar a cueca, o mesmo ficou tímido, mas por fim ele a tirou. Me aproximei de Christian, roubei a cueca de sua mão e nadei para longe. Ficamos nesse pega-pega divertido, dele tentando pegar a cueca de novo, por alguns minutos até ele desistiu e eu me aproximei.

— Isso não é um truque, é?

— Truque? Não, não é? Estou, estranhamente, à vontade assim. E por falar em estranho... Será que soaria esquisito se eu te dizer que você se parece muito com alguém que conheço?

— Não se eu disser a mesma coisa com relação a você – falei diminuindo a pequena distante entre nós, o beijando.

— Acho que estou sonhando – ele comentou ainda se recompondo do meu selinho inesperado.