ANASTASIA

— Você vai gostar deles – afirmou Christian enquanto caminhávamos na trilha.

Ele havia me chamado para conhecer os amigos dele que vieram acampar o final de semana. Por estar sem roupa, Christian acabou por me oferecer a blusa dele e a toalha que tinha levado.

— Me conta um pouco deles. E depois quero saber mais sobre você – falei enlaçando minha mão na dele o vendo ficar um pouco vermelho com aquilo.

Sabia que não podia me aproximar muito. Era arriscado tentar ter uma vida falsamente normal com aquele Christian para suprir a minha necessidade emocional do passado, mas eu queria pelo menos ter um final de semana feliz depois de séculos de tristeza.

— Bom... Vamos começar com Paul Clayton, ele é bem amigável até duas latas de cerveja e bem chiclete após seis latas. Conheço Paul desde a faculdade, ele é dono de um bar perto do distrito universitário onde eu moro. Elizabeth Morgan é namorada do Paul e, assim como eu, faz parte do quadro pedagógico da universidade. Ela é professora de psicologia então se a mesma começar a dar uma de psicóloga para cima de você, ignore. Tem também Elliot e Katherine Kavanagh, o casal grude da nossa turma. Vivem pendurados um no beiço do outro – sorri ao ver Christian dizer aquilo rolando os olhos – Kate tem um irmão gêmeo chamado Ethan, ele é modelo de catálogos esportivos, mas se acha a versão masculina da Gisele Bündchen.

— Quem é essa?

— Uma supermodelo brasileira, muito linda e mais bem paga. Já dá para perceber o quanto egocêntrico o Ethan é. Continuando... Ah, já ia me esquecendo. Nunca chame a Kate de Katherine porque senão ela come seu fígado, pâncreas, coração entre outros órgãos internos. Ela mega odeia que a chamem de Katherine. Não me pergunte o porquê. Só tem cuidado, ok? Porque ela mexe com uns negócios de Wicca então ela pode fazer mandinga para cima de você.

“Estou ferrada” pensei ao ouvir o que Christian acabara de dizer sobre Katherine Kavanagh, porque se ela tiver conseguindo aflorar seu poder ela pode saber o que sou de verdade. Wiccas são uma classe de bruxas que vivem nos Estados Unidos e que não pertenciam ao clã Wycliffe, mas mesmo assim eu teria que tomar muito cuidado com essa Kate.

— Por fim, tem a Leila Williams, ela é bem divertida, meio maluquinha das ideias às vezes, mas é maravilhosa. Uma garota incrível. Mesmo tendo um histórico familiar meio triste, sempre está de bom humor.

— Notei que você sente um carinho especial por essa Leila – comentei e ele sorriu.

— Sim, dividimos um apartamento dentro do distrito universitário e como sou filho único então eu meio que vejo nela uma irmã mais nova, mesmo a gente ficando às vezes. Acho que eu não deveria ter dito isso.

— E porque não? – questionei.

Ele não me respondeu, pois havíamos chegado ao limite de uma clareira onde vi quatro barracas montadas e um grupinho de pessoas ao redor de uma mesa improvisada feita com o que sobrou de uma árvore grossa cortada. Christian me apresentou todos eles e logo notei um detalhe crucial em Leila enquanto a cumprimentava.

— Esse anel...

— O quê? Essa velharia? Ah, é herança de família. Era da minha tataravó, eu acho. Meu bisavó sempre falava que a mãe dele era uma princesa...

— Só se for princesa da loucura. Entenderam a piada, né?

— Cala a boca, Ethan – Christian rosnou com raiva.

— Às vezes tu dar uns closes muito errado – comentou Elizabeth abraçando Leila meio de lado.

— Relaxa gente, eu não ligo para isso não.

A Wicca logo se ofereceu para arrumar algo mais apropriado para eu vestir, mas quando nos afastamos um pouco do acampamento, rumo a um arbusto grande o suficiente para que eu pudesse trocar de roupa, ela segurou meu braço.

— Sei o que você é e é melhor não machucar ninguém enquanto estiver por aqui porque senão eu te mato.

— Bela aparência – comentei sorrindo debochadamente – Achei que as Wiccas fossem mais feinhas, mas acho que me enganei. Até que são apresentáveis.

— Eu estou falando sério. Pode até ter enfeitiçado o Christian, mas a mim você não engana.

Puxei o braço, libertando-me e a encarei cara a cara.

— Eu não tenho medo de você, Wicca, mas você deveria ter medo de mim, porque posso matar todos eles num piscar de olhos.

— O aviso está dado – ela disse.

— O meu também.